terça-feira, 8 de setembro de 2009

Brasil usa criatividade e inventividade de seu povo e sempre supera crises com mais produtividade e competitividade

Crise terá impacto positivo na competitividade do Brasil, diz pesquisa

(Postado Poe Laerte Teixeira da Costa) O Brasil sempre foi muito criativo nas crises com reflexos diretos na nossa competitividade. Sobrevivemos à primeira crise do petróleo com o pró-alcool, o que nos deu uma dianteira na produção de energia sustentável até hoje. As décadas perdidas de 80 e 90 serviram para que melhorássemos a produção industrial, notadamente, na indústria automobilística. E com o Plano Real conseguimos consolidar vários avanços tecnológicos com reflexos no aumento de produtividade e, infelizmente, com reflexos também no nível de emprego. Temos que estar atentos a este aumento de produtividade e de competitividade e investir com mais seriedade no treinamento e requalificação de nossa mão de obra. Senão corremos o risco de um apagão de mão-de-obra ou do aumento do desemprego para as faixas menos favorecidas. Temos uma enorme tarefa pela frente que é distribuir rendas e distribuir oportunidades de sobrevivência, de acesso ao emprego e à educação.

Leia mais: Levantamento do Fórum Econômico Mundial coloca Brasil antes de Índia e China.

Um levantamento do Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral, aponta o Brasil como país que melhor sairá da crise financeira mundial, em termos de competitividade.
A pesquisa, realizada com 16 economistas de todo o mundo, foi divulgada nesta terça-feira, como um anexo ao Relatório de Competitividade Global 2009.
Os especialistas avaliaram se a atual crise terá um impacto negativo (nota zero) ou positivo (nota sete) sobre um grupo de 37 países.
O Brasil obteve a melhor média, seguido de Índia, China, Austrália e Canadá. Ou seja, para os economistas entrevistados, a crise financeira terá um impacto positivo sobre esses países.
'Destaque' — "O Brasil é o grande destaque do relatório este ano", diz o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral e coordenador da pesquisa no país.
Segundo ele, os economistas entrevistados - que inclui acadêmicos e profissionais de mercado - viram de forma positiva a reação do governo brasileiro à crise econômica.
"O fato de as medidas terem priorizado o consumo interno, considerado um ponto forte do país, foi muito bem interpretado pelos economistas", diz Arruda.
Segundo ele, o Brasil foi o único país da pesquisa a receber uma nota sete de um dos entrevistados.
O Relatório de Competividade Global 2009, divulgado anualmente, mostra que o Brasil subiu oito pontos em um ranking com 133 economias, conquistando a 56ª colocação.
Segundo Arruda, o Brasil registrou melhorias nos quesitos de estabilidade econômica e sofisticação do mercado financeiro, ambos com ganho de 13 posições.
O professor lembra, no entanto, que o país continua obtendo avaliações negativas em estabilidade econômica (109º lugar), em função principalmente dos juros cobrados pelos bancos no país.
As melhores colocações do país são em tamanho de mercado (9ª posição) e em sofisticação empresarial (32º lugar), que leva em consideração fatores como a qualidade da cadeia produtiva. (Estadão)

DIAP divulga lista dos “Cabeças” do Congresso Nacional de 2009

É uma alegria muito grande a gente constatar que além do deputado Roberto Santiago, nosso vice-presidente, que a lista dos cem parlamentares mais influentes traz outros sindicalistas, como é o caso de Vicentinho, ligado à CUT e Paulinho, ligado à Força Sindical. O que mostra que os representantes dos trabalhadores no Congresso estão lá para trabalhar a nosso favor e trabalham. A ponto de conseguir tal destaque que muito nos honra.

Leia mais:

Publicação, que está na 16º edição, traz a lista dos "Cabeças", os parlamentares "em ascensão", e, ainda os critérios e metodologias adotados para escolha dos parlamentares. O deputado Roberto Santiago (PV-SP), vice-presidente da UGT está entre os cem parlamentares mais influentes do Congresso Nacional.

1.Definição e lista dos "Cabeças"

Os "Cabeças" do Congresso Nacional são, na definição do DIAP, aqueles parlamentares que conseguem se diferenciar dos demais pelo exercício de todas ou algumas das qualidades e habilidades aqui descritas.

Entre os atributos que caracterizam um protagonista do processo legislativo , destacamos a capacidade de conduzir debates, negociações, votações, articulações e formulações, seja pelo saber, senso de oportunidade, eficiência na leitura da realidade, que é dinâmica, e, principalmente, facilidade para conceber idéias, constituir posições, elaborar propostas e projetá-las para o centro do debate, liderando sua repercussão e tomada de decisão.

Enfim, é o parlamentar que, isoladamente ou em conjunto com outras forças, é capaz de criar seu papel e o contexto para desempenhá-lo.

Lista dos "Cabeças" 2009 por estado

São Paulo

Deputados

Aldo Rebelo (PCdoB)

Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB)

Antônio Carlos Pannunzio (PSDB)

Antônio Palocci (PT)

Arlindo Chinaglia (PT)

Arnaldo Faria de Sá (PTB)

Arnaldo Jardim (PPS)

Arnaldo Madeira (PSDB)

Cândido Vaccarezza (PT)

José Aníbal (PSDB)

José Eduardo Cardozo (PT)

Luiza Erundina (PSB)

Márcio França (PSB)

Michel Temer (PMDB)

Paulo Pereira da Silva (PDT)

Regis de Oliveira (PSC)

Ricardo Berzoini (PT)

Roberto Santiago (PV), vice-presidente da UGT

Vicentinho (PT)

Senadores

Aloizio Mercadante (PT)

Eduardo Suplicy (PT)

Demais estados:

Acre

Senadores

Geraldo Mesquita Júnior (PMDB)

Marina Silva (PV)

Tião Vianna (PT)

Alagoas

Senador

Renan Calheiros (PMDB)

Amapá

Senador

José Sarney (PMDB)

Amazonas

Senador

Arthur Virgílio (PSDB)

Bahia

Deputados

ACM Neto (DEM)

Daniel Almeida (PCdoB)

José Carlos Aleluia (DEM)

Jutahy Júnior (PSDB)

Sérgio Barradas Carneiro (PT)

Ceará

Deputado

Ciro Gomes (PSB)

Senadores

Inácio Arruda (PCdoB)

Tasso Jereissati (PSDB)

Distrito Federal

Deputados

Magela (PT)

Rodrigo Rollemberg (PSB)

Tadeu Filippelli (PMDB)

Senadores

Cristovam Buarque (PDT)

Gim Argello (PTB)

Espírito Santo

Deputada

Rita Camata (PMDB)

Senador

Renato Casagrande (PSB)

Goiás

Deputados

Jovair Arantes (PTB)

Sandro Mabel (PR)

Ronaldo Caiado (DEM)

Senador

Demóstenes Torres (DEM)

Maranhão

Deputado

Flávio Dino (PCdoB)

Mato Grosso do Sul

Senador

Delcídio Amaral (PT)

Minas Gerais

Deputados

Gilmar Machado (PT)

Mário Heringer (PDT)

Paulo Abi-Ackel (PSDB)

Rafael Guerra (PSDB)

Virgílio Guimarães (PT)

Pará

Deputado

Jader Barbalho (PMDB)

Senador

José Nery (PSol)

Paraná

Deputados

Abelardo Lupion (DEM)

Dr. Rosinha (PT)

Gustavo Fruet (PSDB)

Luiz Carlos Hauly (PSDB)

Ricardo Barros (PP)

Senador

Osmar Dias (PDT)

Pernambuco

Deputados

Armando Monteiro (PTB)

Fernando Ferro (PT)

Inocêncio Oliveira (PR)

Maurício Rands (PT)

Pedro Eugênio (PT)

Roberto Magalhães (DEM)

Senadores

Jarbas Vasconcellos (PMDB)

Marco Maciel (DEM)

Sérgio Guerra (PSDB)

Piauí

Senador

Heráclito Fortes (DEM)

Rio de Janeiro

Deputados

Antônio Carlos Biscaia (PT)

Brizola Neto (PDT)

Chico Alencar (PSol)

Eduardo Cunha (PMDB)

Fernando Gabeira (PV)

Miro Teixeira (PDT)

Rodrigo Maia (DEM)

Senador

Francisco Dornelles (PP)

Rio Grande do Norte

Deputado

Henrique Eduardo Alves (PMDB)

Senadores

Garibaldi Alves (PMDB)

José Agripino Maia (DEM)

Rio Grande do Sul

Deputados

Beto Albuquerque (PSB)

Eliseu Padilha (PMDB)

Henrique Fontana (PT)

Ibsen Pinheiro (PMDB)

Marco Maia (PT)

Mendes Ribeiro Filho (PMDB)

Onyx Lorenzoni (DEM)

Pepe Vargas (PT)

Vieira da Cunha (PDT)

Senadores

Paulo Paim (PT)

Pedro Simon (PMDB)

Roraima

Senador

Romero Jucá (PMDB)

Santa Catarina

Deputados

Fernando Coruja (PPS)

Paulo Bornhausen (DEM)

Vignatti (PT)

Senadora

Ideli Salvatti (PT)

Tocantins

Deputado

Eduardo Gomes (PSDB)

Senadora

Kátia Abreu (DEM)

Mercado ainda resiste a cota para deficientes

Lei que determina que as empresas contratem percentual mínimo de pessoas com deficiência completa 18 anos sem trazer consenso. Sindicatos e organizações querem vê-la aplicada, empresários defendem modificações e deficientes continuam sem trabalho.
Mesmo chegando à maioridade, a Lei de Cotas para contratação de pessoas portadoras de deficiência nas empresas ainda está longe de gerar consenso. Sindicatos e organizações afirmam que a lei tem de sair do papel, entidades empresariais defendem uma ampla reformulação em seu conteúdo e, enquanto isso, uma parcela relevante dos deficientes no país continua sem trabalho.
A Lei de Cotas (artigo 93 da lei 8.213, de julho de 1991) diz que empresas com mais de cem funcionários têm que contratar um percentual mínimo de deficientes, de 2% a 5% de seus quadros, de acordo com seu porte. Apesar de sujeitas a multa, são raras as empresas que cumprem essa determinação.
Segundo levantamento do Espaço da Cidadania, a partir de dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a média de cumprimento da lei no país em 2008 foi de apenas 15,4%. Em São Paulo, Estado com o maior índice de cumprimento, esse número chega a 39,7%. Em Santa Catarina, na Paraíba e em Roraima, fica abaixo de 3,5%.
Embora a lei seja considerada um avanço no processo de inclusão dos deficientes na sociedade, os números mostram que seu objetivo ainda está longe de ser alcançado.
Os motivos geram controvérsia. Há quem afirme que a falta de informação e o preconceito ainda são os grandes empecilhos para que as empresas contratem mais deficientes. E há quem alegue que faltam profissionais no mercado de trabalho, sobretudo os com alguma qualificação.
"O grande problema é que ainda existe muita desinformação sobre o potencial da pessoa portadora de deficiência em trabalhar, inclusive em cargos executivos. Se as empresas concentrassem os esforços que gastam em recorrer das multas na inclusão dessas pessoas, poderíamos duplicar os deficientes empregados no país nos próximos cinco anos", diz Carlos Aparício Clemente, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e coordenador de várias publicações sobre o tema.
"Não há profissionais com deficiência disponíveis no mercado de trabalho para cumprir as cotas. Isso é muito claro", rebate o gerente-executivo de Relações do Trabalho da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Emerson Casali. Ele atribui essa situação a um conjunto de motivos: o grande número de aposentados por invalidez e de deficientes que preferem receber os benefícios de prestação continuada a trabalhar, a preferência pelas vagas no setor público, em que a média salarial é mais elevada, e, principalmente, a diferença entre o que a Lei de Cotas e o que o IBGE, responsável pelas estatísticas oficiais, consideram como pessoa portadora de deficiência. "Os critérios da lei são muito mais rígidos do que os do IBGE. Isso responde, sozinho, por uma diferença de milhões de trabalhadores", diz Casali.
Falta de qualificação — Os representantes das empresas alegam ainda que a falta de qualificação desse trabalhador é um sério problema, motivo pelo qual defendem que o período de treinamento e capacitação do deficiente em organizações especializadas, patrocinado pela companhia, deveria ser contabilizado para efeito de cumprimento da lei.
"A qualificação é o maior problema. O que vemos no mercado é uma verdadeira disputa entre as empresas para contratar um deficiente qualificado, quase uma "pirataria'", aponta o superintendente de Relações de Trabalho da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Magnus Ribas Apostólico. (Leia mais na Folha)

Bancos Centrais vão criar regras mais rígidas para o sistema financeiro

Os presidentes dos 27 principais bancos centrais e reguladores do mundo concordaram no domingo em criar regras mais rígidas para o setor, a fim de fortalecer a indústria bancária e evitar mais quebras de instituições financeiras. O acordo foi fechado quase um ano depois do colapso do banco de investimentos Lehman Brothers, que acabou provocando o agravamento da crise global.

O Comitê da Basileia determinou que os bancos terão de melhorar a qualidade de seu capital. As instituições financeiras também terão de estabelecer maneiras de elevar suas reservas quando a economia estiver em expansão.

Segundo o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, o sentimento entre os presidentes dos bancos centrais reunidos em Basileia, na Suíça, em paralelo ao encontro do G-20 em Londres, era de um otimismo maior, mas também de cautela. Trichet acrescentou que uma grande parte da economia global provavelmente não está mais em queda livre, e os indicadores mais recentes têm ficado acima do esperado.

Os presidentes dos BCs afirmaram, nesta segunda-feira, que novas regras globais para a supervisão do setor bancário devem ajudar a aliviar ciclos de altos e baixos e a prevenir a formação de bolhas de ativos.

Ainda de acordo com Trichet, que presidiu conversas sobre a economia global no Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), a perspectiva para a economia global melhorou, mas que os responsáveis pela política monetária não podem se dar ao luxo de serem complacentes e que pressionaria por reformas a fim de fortalecer o sistema financeiro.

- Nós precisamos preparar o caminho para retirar todas as lições do que observamos no passado e evitar precisamente os fenômenos de altos e baixos que temos notado - disse Trichet, resumindo as discussões. - Nós (precisamos) evitar esses tipos de bolhas, falta de atenção aos riscos, riscos anormais sendo tomados, preparando o caminho para bolhas anormais de crédito e ativos. (Leia mais em O Globo)

Unctad não vê recuperação rápida da economia global

Economistas das Nações Unidas disseram nesta segunda-feira que não haverá uma recuperação rápida da recessão global e alertaram que qualquer movimento para retirar rapidamente os programas de estímulos governamentais pode fazer a crise piorar.

Em seu relatório anual, a agência de comércio e desenvolvimento da ONU, a Unctad, também pediu pela criação de um novo sistema mundial de reserva, utilizando várias moedas em lugar de apenas o dólar norte-americano, e por controles mais rigorosos nos fluxos financeiros internacionais.

"A probabilidade de uma recuperação nos principais países desenvolvidos, que seria suficiente para trazer a economia mundial de volta ao ritmo de crescimento pré-crise nos próximos anos. é bastante baixa", diz o documento.

Em uma entrevista coletiva, o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, e o assessor-sênior Heiner Flassbeck declinaram de sugerir que sinais de recuperação, chamados de "green shoots", têm emergido das economias ricas este ano.

"Nós não vemos nenhuma retomada real", disse Supachai, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), tendo sido também uma vez vice-primeiro-ministro da Tailândia. "Não há nenhum sinal de fortalecimento dos fatores econômicos."

As conclusões da Unctad seguem contra pesquisas e dados econômicos recentes que sugerem que as economias dos Estados Unidos e Europa podem estar recuperando-se, enquanto o setor manufatureiro da China também está acelerando sua velocidade.

"A alta sincronizada em uma ampla faixa de mercados que normalmente não se movem na mesma direção mostra que o que nós temos visto no primeiro semestre do ano é determinado por especulação", disse Flassbeck a jornalistas.

"O que está acontecendo é especulação de uma recuperação, uma tentativa de antecipar a retomada. Mas é uma ficção, ainda não está aí", disse. "Seria bastante perigoso se os governos começassem a falar sobre estratégias de retirada das políticas de estímulo."

O relatório de 181 páginas de 2009 da Unctad é sua principal publicação anual e diz que o que a agência chama de inverno econômico está longe de acabar. (Leia mais em O Globo)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Acompanhamos, de perto, os indicadores de superação da atual crise sem perder de vista o reflexo na quantidade e na qualidade dos novos empregos

Valdir Vicente analisa Primeira Plenária Nacional de Entidades Filiadas da UGT

(Postado por Valdir Vicente) — Considero que houve na plenária a manifestação cristalina da classe trabalhadora brasileira, através da União Geral dos Trabalhadores (UGT), de confiança em si mesma e a vontade de resolver os problemas que afligem os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros nos locais de trabalho, de moradia e de convivência social. Considero também um amadurecimento politico histórico o fato de o coletivo, por unanimidade, ter decidido manter o debate a respeito das eleições do próximo, sem chegar a uma conclusão agora. Pude verificar que na mesma Praia Grande, realizamos a I Conclat em 1981. Na época, o movimento sindical brasileiro se dividiu. E agora, na Primeira Plenária Nacional de Entidades Filiadas da UGT vimos, com uma grande alegria cívica, se confirmar a tendência que deu origem à UGT, ou seja, todas as lideranças presentes debateram sem perder o foco na unidade. Uma unidade não apenas formal, mas sustentada por anseios políticos e estratégicos que têm o Brasil como pano de fundo. O que para mim confirma as movimentações que deram origem à UGT e que tem como parâmetro único no mundo a união entre a CIOSL (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres) e a CMT (Confederação Mundial do Trabalho) em torno da poderosíssima CSI (Confederação Sindical Internacional). Estes dois exemplos de unidade são os únicos no mundo e provam que a classe trabalhadora brasileira e mundial amadureceram e se uniram para ganhar maior alavancagem política e ampliar sua capacidade de interferir nas políticas públicas de seus respectivos países.

Leia as notícias do dia:

IBGE: produção industrial sobe em 10 regiões em julho

Paraná, Espírito Santo, Goiás e Amazonas registraram os melhores resultados no último mês.

A produção industrial cresceu em 10 das 14 regiões pesquisadas em julho ante o mês anterior, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado do Paraná (15,3%) apontou o maior acréscimo nessa comparação, seguido do Espírito Santo (8,9%), Goiás (6%) e Amazonas (3,6%), que também cresceram acima da média nacional (2,2%, segundo divulgou o instituto esta semana).

Ainda com resultados positivos em julho ante junho estão Rio de Janeiro e Minas Gerais (ambos com 1,8%), São Paulo (1,4%), Rio Grande do Sul (1,1%), Ceará (0,9%) e Santa Catarina (0,8%). As quedas apuradas nessa base de comparação ocorreram na Bahia (-6,0%), Região Nordeste (-3,5%), Pernambuco (-1,5%) e Pará (-1,0%).

Já ante julho do ano passado, os resultados regionais da indústria em julho deste ano foram "predominantemente negativos", segundo divulgou o IBGE. Das 14 regiões investigadas, 13 apontaram queda na produção em julho de 2009 comparativamente a julho de 2008, com resultado positivo apenas em Goiás (4,4%).

As principais taxas negativas foram registradas no Espírito Santo (-20,0%), Minas Gerais (-16,1%) e São Paulo (-11,9%). As demais regiões apontaram recuos inferiores à média nacional (-9,9% nessa comparação, segundo divulgou o IBGE esta semana): Rio de Janeiro (-4,1%), Paraná (-5,3%), Pernambuco (-6,2%), Ceará (-6,4%), Pará (-6,6%), Santa Catarina (-7,3%), Rio Grande do Sul (-7,6%), Região Nordeste (-8,2%), Amazonas (-8,6%) e Bahia (-9,6%).

PIB de 2009 pode ser positivo, afirma Marcio Pochmann

Segundo o presidente do Ipea, o PIB do País este ano deverá ficar entre 0,2% e 1,2% e, em 2010, em 4% ou mais.

A recuperação do Brasil é consistente e são maiores hoje as chances de o PIB ficar positivo este ano, acredita o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. "O Brasil não deve registrar recessão, algum crescimento positivo", disse. Segundo ele, o PIB do País este ano deverá ficar entre 0,2% e 1,2% e, em 2010, em 4% ou mais, e não vê "problemas inflacionários fortes" no ano que vem. Pochmann é professor licenciado da Unicamp, filiado ao PT, e entre 2001 e 2004 foi secretário municipal do desenvolvimento, trabalho e solidariedade em São Paulo na gestão de Marta Suplicy.

Pochmann, que está no Ipea desde 2007, salientou que essa retomada consistente é observada especialmente na indústria, que foi a mais afetada pela crise global. "Tivemos uma recessão quase que exclusivamente industrial. Os setores primário e terciário não apresentaram os mesmos sinais de queda que o setor industrial. Mas vemos uma recuperação consistente do setor, principalmente na ocupação da capacidade ociosa", avaliou Pochmann.
Pochmann ressaltou que a retomada dos investimentos deve ocorrer nos próximos meses, apesar do "problema do câmbio". De acordo com ele, houve adiamento e não rompimento de investimentos, que devem voltar com o fortalecimento da demanda doméstica. "Dado o problema da taxa de câmbio e o patamar de juros reais, é de se imaginar que a retomada dos investimentos se dê mais voltada para o mercado interno", disse.
Ele acrescentou que, se não for "resolvida a questão do câmbio", a indústria pode ter dificuldade em avançar nas exportações, fazendo com que o Brasil corra o risco de seguir como exportador principalmente de produtos primários.
O presidente do Ipea, no entanto, não deixou claro que medidas poderiam ser adotadas para reduzir "os efeitos maléficos da valorização do real". "A recuperação do real faz com que tenhamos mais dificuldade em exportar nossos produtos. E acredito que a decisão que o Copom tomou não vai ajudar a resolver o problema do cambio", afirmou. Ontem, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu manter a taxa Selic inalterada em 8,75%.
"Não estou cobrando do Copom a responsabilidade de cuidar do câmbio, inclusive porque isso não é função do Banco Central. Talvez pudesse vir a ser, como é em outros países, onde a função do Banco Central vai além da política monetária, como ocorre nos Estados Unidos", explicou. "Mas acredito que a decisão do Copom mais uma vez reflete a dificuldade que o governo tem do ponto de vista da coordenação de políticas, fiscal e monetária, sobretudo", acrescentou.
Desemprego — Os efeitos da crise financeira sobre o mercado de trabalho foram mais brandos do que no passado e, portanto, devem ser superados com mais facilidade, na avaliação de Pochmann. "Já estamos com uma taxa de desemprego em julho menor do que estava no mesmo mês em 2008", afirmou, referindo-se à taxa de desemprego medida pelo IBGE, que caiu para 8% em julho deste ano, ante 8,1% tanto em junho de 2009 quanto em julho de 2008. "O mercado de trabalho reage relativamente muito bem. Estamos em meio a uma recessão, com uma taxa de desemprego menor do que no ano passado, quando não tínhamos recessão", disse.
Pochmann destacou que os efeitos da recessão econômica, que começou em outubro de 2008, só chegaram ao mercado de trabalho em janeiro deste ano. E, ainda assim, a recuperação do emprego começou muito rapidamente, com base no emprego formal. "O que me parece positivo e diferente do que se viu em outros momentos, quando a recuperação acontecia a partir da informalidade", afirmou.
Outro fator positivo, segundo Pochmann, é que o desemprego, desta vez, não atingiu com tanta intensidade os trabalhadores que vivem com renda muito baixa. "O perfil da demissão atingiu segmentos de renda intermediária, principalmente, porque quem mais demitiu foi a indústria, que paga melhor. Como os setores primário e terciário não foram tão atingidos pela crise, o desemprego que nós tivemos teve natureza diferente", afirmou. Isso significa, segundo o presidente do Ipea, que foram os trabalhadores de melhor qualificação que perderam o emprego, justamente os "que têm mais facilidade de voltar ao mercado de trabalho, tão logo a economia comece a se recuperar". (Leia mais no Estadão)

Seguro por acidente de trabalho poderá ter redução

O governo publicará até o dia 30 deste mês o novo fator acidentário de prevenção, disse hoje o ministro da Previdência, José Pimentel. Com a mudança, 80% das empresas que pagam o seguro por acidente de trabalho em suas áreas passarão a ter redução de 50% a partir de 2010. A estimativa foi feita por Pimentel com base no número de empresas que deve apresentar um índice inferior à média do setor em que atuam. Por outro lado, as companhias que ultrapassarem a média do ramo em que trabalham pagarão 0,75 ponto porcentual a mais.
"Vamos premiar as empresas que estão investindo para evitar acidentes de trabalho", disse o ministro ao sair do Ministério da Fazenda, onde esteve reunido com o ministro interino, Nelson Machado, e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para fechar a redação do documento, que deve ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, as empresas pagam de1% a 3% de sua folha de pagamento com esse seguro, de acordo com Pimentel.
Hoje, o governo recolhe aproximadamente R$ 8 bilhões com esse seguro por ano, valor que é revertido, segundo o ministro, em pagamento de benefícios para o trabalhador que sofre com acidente de trabalho. O intuito da Previdência, de acordo com Pimentel, é o de chegar a zero de recolhimento de seguro, mas ele mesmo admite que se trata de uma "utopia".
Os ramos que enfrentam maiores problemas com acidentes são, segundo o ministro, canavieiro, transportes em geral e construção civil. A fórmula foi aprovada ao final de maio pelo Conselho Nacional de Previdência Social. O índice, que será divulgado junto com o decreto, foi confeccionado com a aprovação de seis confederações patronais, seis sindicatos e o governo.

Renda familiar subiu em todas as classes sociais em 2008, aponta pesquisa 'Observador Brasil 2009'

A renda das famílias brasileiras subiu em todas as classes sociais brasileiras em 2008, frente a 2007, segundo a pesquisa "Observador Brasil 2009", feita em parceria por Cetelem e Ipsos Public Affairs. Os dados foram apresentados na manhã desta quinta-feira pelo vice-presidente da Cetelem, Marcos Etchegoyen, no "2º Painel de Tendências", ciclo de debates realizado realizado pelo GLOBO no auditório do jornal e mediado pela colunista Flávia Oliveira.

- A renda familiar aumentou, e, mais do que isso, aumentou a renda disponível, que são os recursos usados para poupar ou consumir - disse Etchegoven.

Segundo o estudo, o maior aumento da renda familiar em 2008, frente ao ano anterior, ocorreu na classe A/B, seguido pelo da classe C (13%) e pelo da D/E (12%). Na renda disponível, no entanto, a maior alta ocorreu na classe D/E. O montante em 2008 foi de R$ 69 mensais, mais do que três vezes o valor de R$ 22 em 2007. Na classe A/B, a alta foi de 64,8%, para R$ 834 mensais, e na classe C, de 44,2%, para R$ 212.

Para Etchegoven, 2008 foi o ano de consolidação da migração de classes no Brasil, a despeito dos efeitos da crise, que se agravou a partir de outubro.

- O ano de 2008 foi o ano da consolidação do consumo e do movimento da migração social no Brasil - afirmou o vice-presidente da Cetelem, que acredita ser possível um novo movimento no próximo ano.

Ele disse que os anos de 2008 e 2009 poderiam ser divididos em três períodos distintos na relação do brasileiro com o consumo e que já houve uma melhora depois de uma fase crítica de percepção com a crise.

- De janeiro de 2008 a dezembro de 2009 teremos, na verdade, três anos distintos. Estamos iniciando agora este 'terceiro ano', pós-crise, e precisamos fazer do otimismo uma tática para conquistarmos novos consumidor - apontou Etchegoven.

Segundo Paulo Roberto Cidade, diretor de Atendimento da Ipsos Public Affairs, os dados mostram que a percepção da confiança do consumidor brasileiro foi afetada apenas nos primeiros meses deste ano, enquanto o fenômeno ocorreu antes em outros países, mas que o impacto foi menor.

- Houve há uma diferença na percepção do efeito da crise no Brasil e em outros países. Numa pesquisa que fizemos em 33 países, a confiança ainda subia no Brasil no segundo semestre do ano passado, enquanto já era afetada em outros lugares. No fim do primeiro semestre, nossa trajetória de confiança era de queda, e outros países já retomavam alta. A diferença é que a confiança aqui não caiu tanto - disse Cidade.

Para Alberto Almeida, autor do best-seller "A cabeça do brasileiro", colunista do "Valor Econômico" e diretor do Instituto Análise, o consumo do brasileiro mudou de patamar e não haverá retrocesso.

- A tendência no futuro é mudar de novo este patamar. Mas isso não significa que teremos um mar de rosas. Há o problema da carga tributária no consumo e da educação. E até o mesmo o pré-sal pode se tornar uma maldição, se for mal usado. Temos um horizonte promissor, mas temos que enfrentar esses problemas - disse Almeida. (Leia mais em O Globo)

Comércio registra em agosto maior crescimento de 2009, diz Serasa

O comércio brasileiro registrou alta de 6,3% em agosto de 2009, frente igual mês de 2008, a maior taxa de crescimento do ano, confirmando a trajetória de reativação da atividade do setor varejista, afirmou nesta quinta-feira o instituto de pesquisa Serasa Experian.

De acordo com pesquisa da entidade, o segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática, impactados favoravelmente pela retomada do crédito ao consumidor e pelas isenções tributárias, avançou 13,7% em agosto de 2009 em relação a igual mês de 2008, sendo o principal destaque nesta base de comparação.

O setor de tecidos, vestuário, calçados e acessórios, por sua vez, foi beneficiado pelas temperaturas mais baixas do inverno deste ano e pela maior preferência dos consumidores por esses itens na aquisição dos presentes para o Dia dos Pais de 2009. Em relação à mesma data comemorativa de 2008, apontou elevação de 11,7%.

O destaque de queda, na comparação anual, continua sendo o segmento de material de construção (recuo de 15,4% em agosto deste ano, contra agosto de 2008), seguido pelo setor de combustíveis e lubrificantes (queda de 3,2%).

Já livre das influências sazonais, o movimento varejista nacional cresceu 0,7% em agosto, mantendo o mesmo ritmo de expansão verificado no mês anterior (julho/09), de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. No acumulado de 2009, o índice registrou crescimento de 4,3%, liderado pelo setor de móveis, eletroeletrônicos e informática, com alta de 10,1%. Em seguida, destacam-se os setores de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (alta de 3%) e de veículos, motos e peças, com elevação de 2,6%. Os únicos segmentos que apresentaram queda de atividade no acumulado anual foram o de combustíveis e lubrificantes (-1,7%) e o de material de construção (-13,8%). (Leia mais em O Globo)