segunda-feira, 12 de abril de 2010

Indústria, finalmente, volta a contratar e reforça estratégias para sairmos, todos, definitivamente da crise

Empregos na indústria vão impactar comércio e serviços

A sondagem encomendada pelo jornal Estadão à Fundação Getúlio Vargas vai gerar um ipacto positivo nos setores de comércio e serviços. Finalmente, a indústria, a primeira a se encolher e a última a sair da toca dos investimentos, nos momentos de crise mundial, dá sinais de voltar a participar do crescimento da economia brasileira. É o momento de os trabalhadores e suas organizações, especialmente as centrais sindicais, se prepararem para renegociar as PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e mobilizar para buscar convenções coletivas que garantam melhorias nos ambientes de trabalho. E insistir, sempre que possível, na qualificação dos jovens e na requalificação dos que já estão empregados para fazer frente à pressão para preencher as vagas qualificadas que já se tornam um grave problema de estrangulamento econômico no Brasil. (Marcos Afonso de Oliveira, secretário de comunicação nacional da UGT)

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Perspectiva para o emprego é a 2ª melhor da década

Sondagem da FGV indica que 30,6% da indústria quer contratar em 3 meses e sinaliza que a alta anual de 0,7% do emprego em fevereiro vai continuar.

A perspectiva para o emprego industrial, que avalia a intenção de contratação e de demissão das empresas para três meses, atingiu em março o segundo melhor resultado desta década e já supera o período favorável ao emprego que antecedeu a crise, revela um estudo feito a pedido do Estado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base na Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação.

Isso indica que o bom resultado do emprego na indústria alcançado em fevereiro e divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve continuar. A tendência é de que o quadro de trabalhadores nas fábricas volte para o nível pré-crise no segundo semestre deste ano, prevê o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

Em fevereiro, pela primeira vez em 15 meses, o emprego industrial cresceu na comparação anual. A alta foi de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2009, informou o IBGE. Mesmo assim, o nível de emprego em fevereiro, descontadas as influências típicas desta época do ano, ficou 4,5% abaixo do de setembro de 2008, o mês de referência antes do início da crise, segundo os cálculos da economista do Banco Santander Luiza Rodrigues.

Ela observa que, desde maio de 2009, o emprego vem se recuperando na indústria e frisa que houve uma aceleração nos últimos meses. "Como a demanda interna está aquecida, é natural que as indústrias queiram contratar", observa Borges.
Em março, 30,6% das 1.165 indústrias consultadas pela FGV pretendiam contratar mão de obra entre março e maio deste ano e 5,4% planejavam cortes. Nesta década, o resultado só foi superado pelo do mês anterior. Em fevereiro, 31,3% das indústrias planejavam contratações e 3%, demissões em três meses.

Longo prazo — Quando se olha para um horizonte maior, a pesquisa mostra que a perspectiva do emprego para três meses na média deste ano já supera a média do período pré-crise. No primeiro trimestre deste ano, 65,8% das indústrias pretendiam manter o emprego nos próximos três meses e 29,5% planejavam aumentar o quadro de pessoal. Entre julho de 2007 e junho de 2008, período que antecedeu a crise, 56,8% das companhias pretendiam manter os funcionários e 32%, contratar.

Entre manutenção dos postos de trabalho e contratações, 95,3% das cerca de mil empresas consultadas estavam nessa condição no primeiro trimestre deste ano, ante 88,8% no pré-crise. A fatia de empresas dispostas a demitir caiu mais da metade no período: somava 11,1% no pré-crise e ficou em 4,7% na média do primeiro trimestre deste ano.

"Puxada pelo mercado interno, a recuperação do emprego está se disseminando pelos setores. Mesmo que o juro suba, a perspectiva é favorável", diz o superintendente de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, responsável pelo estudo. (Estadão)

Mantega fala em baixar alíquotas de importação para evitar abuso de preços

'Sempre temos possibilidade de abrir mais as importações para combater algum preço irrealista na economia brasileira'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou hoje que o governo poderá atuar para impedir aumento de preços considerado abusivo, reduzindo as alíquotas de importação para facilitar a entrada de produtos importados no mercado brasileiro. Questionado sobre se fazia referência ao setor siderúrgico, ele foi taxativo: "não, me refiro a vários produtos".

Mantega ressaltou não ter visto nenhum setor cometer abusos ou dar indícios de formação de cartel, mas destacou que o governo está "vigilante". "Eu acompanho todos os preços mais importantes, como cimento, aço e insumos de forma geral, mas não tenho notado nenhuma anomalia", afirmou. Mantega disse ainda que, se isso ocorrer, o governo chamará os empresários para discutir o assunto.

Na sua avaliação, o aumento de preços em alguns casos está relacionado à retirada de descontos oferecidos no ano passado. "Alguns setores que deram desconto no ano passado estão retirando esses descontos este ano. Então, algum ajuste de preços haverá", exemplificou.

Um dos exemplos, de acordo com ele, é o setor de serviços, que pode elevar preços devido ao aquecimento na economia e ao crescimento da renda da população. "Os preços administrados, porém, não vão subir", disse, citando que estes itens são reajustados com base nos IGPs, que foram baixos no ano passado. "De resto, sempre temos possibilidade de abrir mais as importações para combater algum preço irrealista na economia brasileira", afirmou.

Mantega confirmou ainda que o governo lançará nas próximas semanas um pacote para estimular as exportações brasileiras. O ministro também fez críticas à China, que mantém sua moeda artificialmente desvalorizada.

Ao falar sobre a possibilidade de devolução de créditos tributários aos exportadores, Mantega declarou que essa também é uma medida em estudo pelo governo.

"Estamos estudando a devolução de crédito, o que não é muito fácil porque custa dinheiro para o governo", disse ele, citando ainda a criação de um Eximbank, de um fundo garantidor de crédito para exportação e a redução de tributos que tenham impacto direto no custo do produto brasileiro a ser exportado.

Na avaliação do ministro, é preciso elevar a competitividade das exportações brasileiras, uma vez que a maior parte dos países não está crescendo. "Tem gente desesperada baixando preço para vender a qualquer custo", disse ele, referindo-se a competidores internacionais. (Estadao)

GARÇONS: 50% DOS BARES NÃO REPASSAM GORJETA, DIZ SINDICATO
Cerca de 50% dos bares e restaurantes do Estado de SP não repassam os 10% da gorjeta para os garçons, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, que recebeu cerca de 400 denúncias desde que abriu um disque-denúncia (0800-7717104), há 35 dias. Amanhã, haverá uma reunião para investigar o caso.

Maior rentabilidade do FGTS elevará custo de financiamento
O projeto de lei do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) que muda o indexador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais uma parcela da taxa básica de juros (Selic) ainda causa muita polêmica no governo e no mercado. O foco é aumentar a rentabilidade do Fundo, que atualmente é remunerado pela Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano, um total inferior a 3,5%.

Caso a taxa Selic chegue ao patamar de 11,25%, conforme prevê analistas consultados pelo Banco Central (Relatório Focus), o retorno ficaria acima de 6%, o dobro do ganho atual. Por outro lado, se o Senado aprovar a proposta, com rentabilidade maior, o custo dos financiamentos com recursos do fundo também aumentará. É o que afirma o secretário-administrativo do Conselho Curador, Paulo Furtado.

"Não há milagres. Aumenta-se de um lado, cresce do outro. Por isso, se elevar a rentabilidade, o custo do crédito acompanha", diz o secretário do Conselho. Furtado comenta que os reflexos serão sentidos pela sociedade. "Posso dizer, como gestor do Fundo, que este é um sistema financiador habitacional e gera, há 40 anos, benefícios à sociedade, mas para ocorrer equilíbrio, não dá para mudar a poupança, sem mexer no crédito. E é o FGTS que sustenta a política habitacional na classe média. De repente, um projeto de lei que muda a rentabilidade, mudaria todo o atual equilíbrio do sistema", complementa ele.

Furtado não dá detalhes de o que seria ideal, já que "ainda não há proposta do Conselho", mas afirma que o Conselho está aberto a discussões. "Do jeito que o projeto de lei está, não concordamos, pois desarmoniza o sistema e o indexador previsto vai à contramão. O Conselho quer discutir e já está atuando de forma a fazer compensações. Hoje, uma pessoa pode financiar uma casa por 20 a 30 anos, com 0,5% de juro menor na linha de crédito de até R$ 500 mil. Além de com o FIC (Fundo de Investimento em Cotas) aumenta a possibilidade de compra das cotas do Fundo", exemplifica o representante.

De acordo com especialistas, o crédito encarece porque a TR está abaixo do INPC. No ano passado, a TR apresentou uma variação inferior a 1%. Já o INPC registrou uma alta de 4,11%. Paralelo a isso, o projeto de lei garante direitos aos mutuários por meio da possibilidade de renegociação do contrato assegurada para proteger o tomador de crédito do possível aumento de custo.

O professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, é necessário mudar a rentabilidade do FGTS. Ele sugere o Fundo acompanhar a poupança, isto é TR mais 6%. "Sobre o aumento dos custos do financiamento, há gordura para queimar, como reduzir as margens dos bancos (intermediários) com os empréstimos", entende.

De acordo com os números divulgados pela Caixa Econômica Federal, o ano passado foi histórico para o FGTS.

O retorno das operações de crédito registrou crescimento de 13,1% em relação ao exercício anterior, alcançando R$ 14,1 bilhões. Já o ativo total do FGTS encerrou o exercício com R$ 235 bilhões e o patrimônio líquido alcançou R$ 31 bilhões.

A arrecadação bruta anual foi de R$ 54,8 bilhões, ou alta de 12,4% em relação a 2008. Também houve maior arrecadação líquida: R$ 6,95 bilhões (15,2% maior do que o ano anterior).

Na semana passada, foi divulgado o balanço da captação líquida do FGTS. O primeiro trimestre deste ano bateu recorde de R$ 3,75 bilhões. O valor do período representa um crescimento de 153% em relação ao mesmo período do ano passado e 54% de toda a arrecadação líquida de 2009.

O vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da CAIXA, Wellington Moreira Franco, disse, ao comentar o balanço, que a tendência do Fundo é ter novo recorde de arrecadação líquida em 2010, chegando a R$ 10 bilhões.

Novas propostas — O Conselho Curador deve avaliar em próxima reunião proposta de criação da linha de financiamento Pró-Moradia Emergencial, voltada ao atendimento de situações de emergência e calamidade. De acordo com a proposta, essa linha de crédito terá R$ 1 bilhão de recursos do FGTS a governos estaduais e municipais que passam por situações como a que enfrenta o Rio de Janeiro desde o início da semana, em decorrência das chuvas que atingem a região metropolitana do estado.

Segundo o MTE, o crédito terá taxa de juros de 0,25% ao mês, além da TR, e prazo de 30 anos para a quitação. Para ter acesso à linha de crédito, os governos devem apresentar projetos de uso emergencial do recurso. (DCI)

Vendas de cimento no Brasil sobem 20,6%

As vendas de cimento no mercado interno brasileiro atingiram 5,091 milhões de toneladas em março, um crescimento de 20,6% na comparação com as 4,221 milhões de toneladas vendidas em igual mês do ano passado. Os dados, preliminares, foram divulgados hoje pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic).
O maior crescimento das vendas em março aconteceu na região Norte, onde as 227 mil toneladas vendidas significaram uma alta de 76,6% em relação às 129 mil toneladas de março do ano passado. O maior volume de vendas ficou com o Sudeste, com 2,551 milhões de toneladas, 18,3% acima das 2,156 milhões de toneladas de março de 2009.
Na região Nordeste, houve crescimento de 31,9%, com as vendas pulando de 781 mil toneladas em março do ano passado para 1,031 milhão de toneladas no terceiro mês deste ano.
No Sul foram vendidas 767 mil toneladas, 9,2% a mais que as 703 mil toneladas de março de 2009, enquanto no Centro-Oeste as vendas atingiram 510 mil toneladas, 14% a mais que as 447 mil toneladas de março do ano passado.
De acordo com o relatório, foram vendidas 13,6 milhões de toneladas de cimento no país no primeiro trimestre no país, um crescimento de 15,7% em relação aos três primeiros meses do ano passado.
Nos 12 meses encerrados em março foram 53,1 milhões de toneladas, 32,% a mais que nos 12 meses imediatamente anteriores.
Em termos de vendas por dia útil, março registrou 203,4 mil toneladas diárias de vendas, 2,2% abaixo das 207,9 mil toneladas de fevereiro, mas 15,8% acima das 175,6 mil toneladas de março do ano passado. (Valor)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ao discutir o reajuste de 7,71% a UGT quer é garantir a dignidade para os aposentados e pensionistas

Em busca de uma aposentadoria digna

Os aposentados e pensionistas brasileiros não desistem nunca. Não desistimos porque estamos em busca de uma aposentadoria e uma pensão com valores dignos. E o reajuste proposto pelo governo de apenas 6,14% não nos confere dignidade e nos mantém, ainda, em empregos informais para complementar nossos ganhos num momento da vida em que merecemos descanso, pelo qual já pagamos com anos e nos de trabalho. Nas próximas te

rça e quarta feira estaremos em Brasília, através do Sindiapi (Sindicato dos Aposentados Pensionistas e Idosos da UGT) representados pelos companheiros Edmundo Benedetti, presidente e Natal Leo, secretario, para dialogar com os deputados e senadores para sensibilizá-los da necessidade de se garantir dignidade para os aposentados e pensionistas através de reajustes que recompanham nossos ganhos, e que consigamos elevar o reajuste para 7,71%, que ainda não é bom, mas que significará um avanço. (Marcos Afonso de Oliveira, secretário de comunicação nacional da UGT)

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Mantega diz ser difícil dar reajuste de 7% a aposentados

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o governo apresentou ao Congresso um aumento real para aposentados que ganham acima de um salário mínimo, uma situação que considerou "inédita". O ministro lembrou que a Medida Provisória representa aumento de 6,14%, gerando um custo adicional de R$ 2,8 bilhões. Se o reajuste subisse para 7%, seria "difícil para as contas públicas bancar isso", avaliou Mantega, ao citar que isso representaria custo de mais R$ 1 bilhão. "Nós teríamos que cortar alguma outra coisa para poder viabilizar isso", calculou. "Então, não é desejável que se faça isso, mas de qualquer forma é o Congresso que está discutindo", finalizou.

O ministro apresentou palestra hoje a cerca de 200 empresários e dirigentes na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, quando defendeu que o governo Lula implantou uma nova política centrada, conforme ele, no "crescimento vigoroso da economia". Para o ministro, "erram aqueles que dizem que continuamos fazendo as mesmas coisas do passado".

Mantega disse que um conjunto de países deve liderar o crescimento neste e nos próximos anos e o Brasil está entre eles. Utilizando comparações de várias estatísticas entre o período do governo Lula e de antecessores, o ministro defendeu que a expansão atual é sustentável e, ao contrário do passado, não gera desequilíbrio econômico.

Entre os sinais de vigor do mercado interno, Mantega mencionou que o País é o quinto maior consumidor de automóveis e poderá terminar o ano em quarto lugar. No setor imobiliário, listou que foram realizados 2,724 milhões de contratos durante a gestão Lula, enquanto no período de Fernando Henrique Cardoso o número ficou em 1,452 milhão. No período de governo de Fernando Collor e Itamar Franco, foram 822 mil, conforme os dados apresentados.

Planejamento — Em Brasília, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, reafirmou no início da noite a declaração do presidente Lula de que o governo insiste no acordo feito com as centrais sindicais pelo qual o aumento para os benefícios dos aposentados que ganham mais de um salário mínimo seria de 6,14%. Esse porcentual consta da Medida Provisória (MP) enviada pelo Executivo ao Congresso. A proposta de aumento dos benefícios está em debate no Senado.

Também sobre o acordo feito entre os líderes partidários no Senado definindo um porcentual de aumento em 7,71%, Bernardo reproduziu o que dissera antes o presidente da República: "Desse acordo no Senado eu soube pelo jornal." O ministro acrescentou que o governo tem dado aos aposentados, "todos os anos", reajustes "que reparam as perdas com a inflação." (Estadao)

Micro e Pequenas Empresas em SP tiveram quinta alta consecutiva no faturamento em fevereiro

Pequenos negócios registraram crescimento de 12,9% no período.

Pesquisa Indicadores Sebrae-SP divulgada hoje e realizada mensalmente pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que os pequenos negócios registraram em fevereiro de 2010 crescimento de 12,9% ante o mesmo mês de 2009, a quinta alta consecutiva na receita anual nesta base de comparação.

Em números absolutos, as MPEs paulistas faturaram R$ 21,8 bilhões em fevereiro, um incremento de R$ 481 milhões em relação ao mesmo mês do ano passado. A estimativa do faturamento médio por empresa no segundo mês de 2010 foi de R$ 16.445,71, levando em conta o universo de 1.326.354 micro e pequenas empresas no Estado. Na evolução de janeiro para fevereiro, o faturamento teve alta de 2,3%. Com o resultado, as MPEs fecharam o 1º bimestre do ano com aumento de 9,6% na receita real, sobre os dois primeiros meses de 2009.

O segmento que puxou a alta em fevereiro foi mais uma vez o industrial, que apontou crescimento de 22,4% frente a fevereiro de 2009, o quinto mês consecutivo que o item apresenta o melhor resultado entre os segmentos. Em seguida, registraram alta o setor comercial (10,7%) e o de serviços (10,5%). O diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, explica que, por ter sido o segmento mais afetado pela crise, com retração de 10,2% em 2009 ante 2008, a indústria tem a base de comparação mais achatada entre os setores pesquisados. "O setor se recupera muito bem da crise", ressalta.

Tortorella credita a alta do faturamento em fevereiro à retomada das atividades das empresas de micro e pequeno porte após período de crise. "O ritmo é de recuperação econômica. É um momento oportuno para ampliar o ambiente favorável aos pequenos negócios", explica. A expectativa da entidade é de manutenção ou melhora no nível de atividade econômica das MPEs nos próximos meses. A conclusão foi obtida de um levantamento do Sebrae-SP realizado em fevereiro com 2.716 empreendedores do setor, o qual mostrou que 88% deles estão otimistas.

Regiões - Na análise por regiões do Estado, as micro e pequenas empresas do interior do Estado foram as que apresentaram maior elevação em fevereiro: 14,5% ante o mesmo mês do ano passado. Nas MPEs da capital e da região metropolitana de São Paulo, o crescimento foi de 13,3% e 11,4%, respectivamente. Na região do Grande ABC, a alta foi de 10,7%.

De acordo com o Sebrae-SP, há em São Paulo 1,3 milhão de micro e pequenas empresas, que representam 98% do total de empresas formais, que empregam de 5 a 6 milhões pessoas. (Estadao)

CHUVA E MORTE NO RIO: Alerta sobre tragédia foi dado em 2004

DESCASO do poder público e risco assumido por moradores que sabiam que viviam numa área perigosa estão como pano de fundo da tragédia em Niterói, cidade na qual foram contabilizadas 107 das 182 mortes desde segunda-feira em razão da chuva que atingiu o Estado do Rio. O morro do Bumba, onde foram recolhidos 17 corpos, mas que pode ter causado muitas outras mortes, foi apontado, em 2004, em estudo da Universidade Federal Fluminense como área de alto risco.
Apesar de o foco da tragédia no Estado ter se deslocado para Niterói, os trabalhos de buscas e inspeções continuaram no Rio, onde já tinham sido encontrados 55 corpos. A cidade continua em estado de atenção.

O deslizamento no morro do Bumba, em Niterói, na região metropolitana do Rio -com 17 corpos já encontrados, mas que pode ter causado mais de uma centena de mortos na noite de anteontem-, ocorreu em uma área onde o risco era conhecido havia pelo menos seis anos.
Em 2004, o Instituto de Geociência da Universidade Federal Fluminense fez um estudo, a pedido do Ministério das Cidades, e constatou que a área tinha alto risco de acidentes e exigia monitoramento constante.
Entre 1970 e 1985, o morro foi depósito de lixo de Niterói e São Gonçalo. Nos 25 anos seguintes, a área foi ocupada por mais de cem casas, segundo os moradores. Cerca de 50 delas foram soterradas.
Em todo o Estado, cerca de 14 mil pessoas deixaram suas casas. Em Niterói, há centenas de desabrigados, incluindo 56 pessoas resgatadas com vida após sofrerem com o deslizamento.
Em todo o Estado do Rio, desde a noite de segunda-feira, foram resgatados 182 corpos e 161 pessoas feridas.
Cerca de 20 mil domicílios ainda permaneciam sem luz na capital, segundo a Light, distribuidora de energia elétrica que atende a cidade.
Das vítimas do morro do Bumba, em Niterói, só duas haviam sido identificadas. São dois adultos que trabalhavam numa creche destruída.
Esse foi o terceiro desabamento registrado na área desde a tempestade de terça-feira. Naquele dia, cinco pessoas morreram soterradas ali após um deslizamento que destruiu duas casas. "Na ocasião, os moradores foram alertados de que precisavam sair do local, de que havia risco de desabamento", afirma o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antônio Fernandes. Moradores negam ter recebido o alerta.
Na quarta-feira, a prefeitura iniciou a abertura de um canal para escoar a água represada no morro, cuja infiltração facilitaria deslizamentos. Operários trabalharam até as 18h de anteontem, cerca de três horas antes do deslizamento. Um vigia que tomava conta da retroescavadeira usada no serviço morreu soterrado.
Horas antes, segundo a Defesa Civil, parte de uma casa havia desabado. Bombeiros e técnicos do órgão foram ao local, mas não chegaram a determinar que a área fosse evacuada.
Segundo a Defesa Civil de Niterói, um laudo será emitido nos próximos dias. A prefeitura decretou ontem estado de calamidade pública.
Moradores afirmam que, quando chovia, saía fumaça em parte do solo do morro do Bumba. A decomposição do lixo gera gás metano.
"Não foi um deslizamento de terra comum. Houve uma explosão, o lixo foi lançado longe", conta o entregador de pizza Marcelo Oliveira, 29, que trafegava por uma rua próxima e diz ter visto o desabamento.
A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, visitou ontem o local e admitiu que uma reação química gerada pela decomposição do lixo pode ter contribuído para o acidente. De acordo com um engenheiro geotécnico ouvido pela Folha, a explosão só poderia ocorrer com a produção de uma centelha. Um curto-circuito pode ter provocado a combustão do gás metano concentrado no solo.
"Ouvi uma explosão e pensei que fosse um poste, um problema elétrico. Aí vi, pela janela, que o morro havia desabado. Parecia filme de guerra", conta a enfermeira Lindalva da Costa Gomes, 41, vizinha do local onde aconteceu o deslizamento. (Folha)

Emprego formal ultrapassa 200 mil em março, diz Lupi

A geração de empregos no mercado de trabalho formal bateu novo recorde em março. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o número de vagas criadas no mês passado foi o maior para o período desde 1992. O melhor resultado havia sido registrado em 2008, quando foram gerados 204 mil empregos em março.
"A economia está crescendo em ritmo crescente e consistente, principalmente a indústria. Vamos gerar mais de 2 milhões de empregos formais neste ano." Dados do Ministério do Trabalho mostram que, desde janeiro de 2003, já foram criados 12,14 milhões de empregos com carteira assinada.
Na avaliação do ministro, o governo Lula deverá acumular, nos dois mandatos, de 14 milhões a 15 milhões de vagas formais. "Isso representa mais de 50% do estoque de empregos formais existentes em 2002", disse Lupi.
Novas profissões — Ontem, o ministro divulgou a nova CBO (Classificação Brasileira de Ocupações). Conforme a Folha antecipou no dia 28, há 47 novas profissões na CBO. Entre elas estão as de engenheiro de alimentos, de chefe de cozinha e médico da estratégia de saúde da família.
A CBO é usada pelas empresas para o preenchimento da carteira de trabalho e para efeitos de Imposto de Renda da pessoa física.

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Investimento público em ensino é fundamental, reforça economista da FGV

O chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), economista Marcelo Néri, considera importantes as ações de responsabilidade social corporativa e das organizações não governamentais voltadas à juventude. No entanto, enfatiza que o futuro dos jovens brasileiros depende muito da quantidade e, principalmente, da qualidade dos investimentos públicos.

Ele participou nesta quinta-feria (8) do painel que vai debater o perfil do jovem no Brasil em 2020, durante o 6º Congresso Gife sobre Investimento Social Privado, que ocorre no Rio de Janeiro até esta sexta-feira (9). Segundo Néri, mais de 97% das crianças e jovens entre 7 e 15 anos no país estão na escola e 90% estão em instituições de ensino públicas, "que são muito piores do que as privadas".

Nas escolas públicas, em uma escala de 0 a 10 a nota média do aprendizado é 3,6, e nas privadas, 6. A média brasileira é 3,8, informa Néri. A meta estabelecida pela sociedade e pelo Ministério da Educação é alcançar nota 6 - média dos países da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) - nas instituições públicas de ensino do Brasil até 2020.

- É um desafio grande. Acho que a gente não sabe a resposta para isso ainda. Não dá para ser otimista pelo passado histórico que temos de não avançar na questão da educação, principalmente a qualidade da educação - afirma. O futuro dos jovens depende da capacidade dos brasileiros de atingir essa meta, reiterou o economista.

Néri diz não ter visto nos discursos dos candidatos à Presidência da República, até agora, nenhuma manifestação a esse respeito. Um grande desafio para o futuro é colocar os jovens no ensino médio, além de melhorar a qualidade dos serviços de educação prestados, acrescenta o economista.

- A agenda da próxima década é a da qualidade da educação. É o primeiro passo para mudar alguma coisa. O segundo passo é saber para onde você quer ir - observa Néri. Para ele, o fato de haver metas pode ajudar nesse processo, embora não seja suficiente para fazer uma revolução no ensino. (O Globo)