segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Melhora na distribuição de renda através do emprego formal e de acesso a renda inclui na classe média mais de 29 milhões de brasileiros

FGV: 29 milhões de brasileiros entraram na classe média

De 2003 a 2009, um total de 29.063.545 brasileiros ascenderam para a classe C, a chamada nova classe média. Somente entre 2008 e 2009, período da crise financeira internacional, 3.172.653 pessoas passaram a fazer parte da classe C. Os dados constam da pesquisa "A Nova Classe Média: O Lado Brilhante dos Pobres", divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Essa classe já representa mais da metade da população e tem um grande poder político e econômico, pois detém o maior poder de compra da população", afirmou o pesquisador e responsável pela análise, Marcelo Nery. O levantamento foi feito com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), relativa a 2009 e divulgada esta semana pelo IBGE, apontam que o número de brasileiros que compõem a nova classe média, cuja renda varia de R$ 1.126 a R$ 4.854, chegou a 94,9 milhões de pessoas e ultrapassou pela primeira vez os 50% da população.

De julho de 2009 a julho de 2010, a renda média dos brasileiros cresceu 7,7%, mostrou o estudo da FGV. O porcentual é superior à média anual de 3,8% registrada de dezembro de 2002 a dezembro de 2008. O levantamento mostrou ainda que o índice de Gini, que mede a desigualdade, recuou 1,4% entre julho de 2009 e julho de 2010. "A desigualdade continua em queda, o processo de emergência da classe média é sustentável e diferente da Índia e da China, que crescem economicamente, mas nem tanto com redução de desigualdade", comentou Nery.

Ele disse ainda que o forte aumento da renda registrado no período de julho de 2009 a julho de 2010 também é resultado do fato de o País estar às vésperas de eleições. Segundo o pesquisados, este movimento costuma ocorrer em períodos que antecedem a ida dos brasileiros às urnas para a eleição presidencial.

Renda — O estudo da FGV identificou ainda que o crescimento do País nos últimos anos está mais baseado em geração de renda do que em consumo. Enquanto o índice sintético de potencial de consumo aumentou 22,6% entre 2003 e 2008, o índice de geração de renda subiu 31,2%. Para Nery, isso indica a sustentabilidade do crescimento. "Está prosperando mais o lado trabalhador do que o lado consumidor", afirmou. "Com isso, as empresas devem estar contentes, pois as pessoas vão poder continuar comprando."

De acordo com o responsável pela pesquisa, "não é só crédito e programas sociais (a razão do crescimento da renda) - o Brasil foi para a escola nos anos 90, conseguiu trabalho com carteira assinada, está contribuindo para a Previdência, está investindo em computadores", comentou. (Estadao)

Emprego na indústria e renda do trabalhador seguem em alta

Geração de vagas em julho teve a maior elevação da história

O emprego e a renda do trabalhador na indústria continuam em alta, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A geração de vagas em julho subiu 5,4% ante igual período no ano passado. Foi a maior elevação da série histórica, iniciada em 2001.
A variação dos ganhos do trabalhador também superou níveis recentes. A alta de 11,2% foi a maior desde março de 2004, na mesma comparação.
Em relação a junho, o nível de emprego na indústria aumentou 0,3%, sétima taxa positiva consecutiva, na comparação com o mês imediatamente anterior.
Segundo o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os dados mostram que os setores que mais sofreram com a crise, seja do ponto de vista da produção, seja do do emprego, são aqueles que estão abrindo mais postos de trabalho ao longo de todo este ano. São os casos de metalurgia básica, produtos de metal e máquinas e equipamentos.
RETOMADA — A avaliação é que, no final do ano, a indústria retornará ao patamar de setembro de 2008, antes do agravamento da crise financeira.
Com isso, todos os postos de trabalho perdidos com a crise serão recuperados.
"A expectativa é que o emprego industrial mantenha esse comportamento positivo ao longo de todo este segundo semestre", afirma Julio de Almeida, do Iedi.
Em termos de geração de emprego, do total de 18 setores, 14 subiram.
A indústria de máquinas e equipamentos gerou 11,2% vagas a mais, na comparação com julho de 2009, e foi o setor que representou a maior influência para a pesquisa.
Houve crescimento generalizado, com avanço em todos os 14 locais pesquisados. (Folha)

Construção civil recruta cortador de cana

Falta de mão de obra qualificada leva empresas a contratar ex-cortadores de cana e mulheres.
O nível de emprego na construção civil é recorde e as construtoras já começam a contratar mulheres e trabalhadores egressos do corte da cana-de-açúcar para atenuar o déficit de mão de obra no setor.

A falta de pedreiros, carpinteiros, pintores e azulejistas nos canteiros de obras, por exemplo, pode chegar a 80 mil trabalhadores neste ano em todo o País, nas contas do diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan.

Em julho, 2,771 milhões de trabalhadores com carteira assinada estavam empregados na construção civil, marca jamais atingida, revela o estudo do Sinduscon-SP, feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Além do recorde em números absolutos de trabalhadores, as taxas de crescimento no emprego neste ano até julho e em 12 meses são robustas, de 12,79% e 16,67%, respectivamente.

Zaidan diz que o ritmo de crescimento do emprego em 12 meses até julho do setor imobiliário (18,04%) supera o de infraestrutura (12,05%) em igual período. "Um forte indicador de que a construção civil vai continuar aquecida por um bom tempo é que a demanda por mão de obra para serviços de preparação de terrenos cresceu 10,6% nos últimos 12 meses até julho." Mas um dos obstáculos à sustentação desse ritmo de crescimento é exatamente a escassez de trabalhadores, que começou a ser removido por várias empresas.

A construtora Copema de Ribeirão Preto, polo produtor de cana-de-açúcar do interior do Estado de São Paulo, por exemplo, tem ex-cortadores de cana em seus canteiros de obras. Segundo Marcelo Henrique Dinamarco, encarregado do departamento de Recursos Humanos da empresa, entre 60% e 65% dos trabalhadores que exercem funções em suas obras e foram contratados por empreiteiras vieram do corte da cana-de-açúcar.

Além da mão de obra fornecida por empreiteiras, os ex-cortadores de cana representam cerca de 25% dos trabalhadores contratados diretamente pela construtora. "Se nós não tivéssemos essa oferta de ex-cortadores de cana, o déficit de mão de obra na construção seria maior", calcula o encarregado.

O quadro é semelhante na construtora Pereira Alvim, também de Ribeirão Preto. Francisco Galli, técnico de segurança do trabalho da empresa, conta que 10% dos trabalhadores contratados pelas empreiteiras que prestam serviço à construtora são egressos do corte da cana. "Muitas usinas já mecanizaram o corte da cana e esse contingente fica sem trabalho", observa Galli.

Dinamarco, da Copema, diz que é possível traçar o perfil desses trabalhadores. "Pelos dados da carteira de trabalho, eles vieram do Nordeste para cortar cana nos arredores de Ribeirão Preto. Com a crescente mecanização do corte da cana, eles não voltam para os Estados de origem e vão para as cidades maiores a fim de trabalhar na construção civil." Galli, da construtora Pereira Alvin, observa que 80% desse contingente é analfabeto. Geralmente eles começam como servente de pedreiro, função que não requer qualificação.

José Batista Ferreira, diretor do Sinduscon de Ribeirão Preto, que engloba mais 92 municípios, conta que já foram iniciadas conversas entre a entidade e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para qualificar os ex-cortadores de cana ainda neste ano. Nas suas contas, serão treinados cerca de mil trabalhadores nos próximos anos para cobrir parte do déficit de mão de obra na construção civil na região, que é de 2 mil pessoas.

Mulheres. Outra saída encontrada pelas construtoras para atenuar a falta de mão de obra tem sido a contratação de mulheres. Na construtora Marcondes César, de São José dos Campos (SP), elas já representam 5% do quadro de funcionários, conta o diretor técnico da companhia, José Antonio Marcondes César.

Segundo o executivo, as mulheres desempenham funções de azulejistas, eletricistas, motoristas e encanadoras, entre outras. "Estamos usando a mão de obra feminina para serviços de acabamento mais fino", diz César. A intenção do executivo é que as mulheres representem entre 10% e 12% do quadro de funcionários no próximo ano.

Para isso, César diz que pretende substituir os empregados homens por mulheres em várias funções. Ele ressalta que as mulheres são mais fiéis à empresa e mais estáveis, qualidades consideradas pelo executivo positivas, especialmente no momento atual de falta de mão de obra. "Por qualquer quantia a mais os homens trocam de emprego e as mulheres não", afirma.

José Roberto Alves, diretor do Sinduscon de São José dos Campos, que abrange a cidade e 40 municípios, confirma a presença crescente de mulheres nos canteiros de obras da região. "Mas é difícil quebrar o paradigma de que o emprego na construção é masculino."

No último curso de qualificação para operários da construção civil realizado no primeiro semestre deste ano pela entidade, havia seis mulheres entre 50 inscritos, isto é, um pouco mais de 10%. A porta de entrada para as mulheres no canteiro de obras, diz ele, é tarefa de limpeza, que não exige qualificação nem grande esforço físico. (Estado)

Código de Defesa do Consumidor completa 20 anos com novos vilões

Telefones, planos de saúde e bancos são os que mais têm reclamações; locação de imóveis e mensalidade escolar eram os vilões há 20 anos.

Telefonia, planos de saúde e bancos respondem pelo maior número de queixas de consumidores duas décadas após a criação do CDC (Código de Defesa do Consumidor), comemorados hoje. Com queixas quanto à informação prestada, qualidade do serviço e cobranças indevidas, eles superaram ao longo dos anos os setores de locação de imóveis e mensalidade escolar, pesadelos quando a lei foi criada.

Desde então, a superinflação acabou e vários serviços foram privatizados e se massificaram, como a telefonia. No passado, um telefone era um bem comemorado pela família, mas hoje é motivo comum de reclamações. O setor lidera pelo 13º ano seguido a lista de reclamações ao Procon-SP, segundo balaço parcial de 2010, com o total de queixas até julho (364,8 mil).

Especialistas afirmam que o CDC trouxe muitos benefícios. Entre eles a maior conscientização do consumidor sobre seus direitos. Mas, segundo eles, a aplicação precisa ser aperfeiçoada.

Segundo um dos criadores do código, o advogado e ex-procurador geral de Justiça de São Paulo, José Geraldo Brito Filomeno, uma das conquistas foi permitir que abusos de empresas fossem vistos como um prejuízo coletivo. Antes do CDC e da Constituição, os problemas eram tratados como questão individual. Dependendo do caso, usava-se o Código Civil, Comercial ou Penal.

Ele afirma que, nesses 20 anos, o código mudou a visão do consumidor e das empresas. Ele cita uma pesquisa do órgão de pesquisas DataSenado, de 2009, que mostrou que 46% das pessoas conheciam o código, haviam recorrido a ele ou conheciam alguém que o havia usado.

As empresas, diz Filomeno, "viam o CDC como um perigo à ordem econômica, mas hoje o aplaudem". "Até porque, com a globalização da economia, o código tem sido encarado como o indutor da qualidade dos produtos colocados no mercado nacional e internacional."

Agências. Um dos setores que mais temeram a criação do código foi o financeiro. Em 2006, o setor financeiro protagonizou uma das principais disputas jurídicas desses 20 anos: a confirmação por parte do STF (Supremo Tribunal Federal) de que relações entre clientes e bancos estão sujeitas ao código. Os bancos tentavam com ação judicial eximir-se de cumprir a lei.

O setor é um dos que ainda demonstram resistência em cumprir as regras afirma Maria Elisa Novais, gerente jurídica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Para ela, o crescimento do número de brasileiros com conta em banco e a expansão do crédito nos últimos anos não foram, muitas vezes, acompanhados de uma relação correta entre empresa e cliente.

"Há muitas queixas por falta de informações dos contratos e dos pacotes de tarifas. Também não são poucas as vezes em que o consumidor recebe um cartão de crédito sem saber por que e sofre alguma cobrança", diz Maria Elisa. Ela cobra uma atuação mais firme do regulador do setor, o Banco Central.

Apesar da resistência de empresas ao CDC, Maria Elisa avalia que a lei permanece atual, capaz de ser aplicada até em novos tipos de relação comercial, como as transações pela internet.

Maria Inês Dolci, coordenadora da associação de defesa de consumidores Pro Teste, também critica a atuação das agências reguladoras. Segunda ela, em vez de criar uma relação de equilíbrio, privilegiam as empresas, por exemplo, quando abrem consultas públicas por apenas um mês, em linguagem de difícil entendimento para o consumidor.

Multas. A atuação dos Procons, que devem fiscalizar empresas e mediar soluções, é vista como limitada pelo governo federal, que enviou ao Congresso um projeto de lei para fazer com que as negociações dos Procons sejam levadas em conta nos juizados de pequenas causas. Desde 2007, o Procon-SP autuou 8.633 empresas; dos processos administrativos abertos, 3,1 mil resultaram em multas pagas - outros não foram finalizados ou renderam outras punições.

"Podemos convencer as empresas a assumir compromisso de redução de queixas, inscrevê-las em dívida ativa, cadastro de inadimplentes e até influenciar o Judiciário a determinar pagamento de multa. O principal é a empresa corrigir a conduta", diz Roberto Pfeiffer, do Procon-SP. (Estado)

Fiscais resgatam trabalhadores em condição análoga à escravidão

Fiscais das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro e de Minas Gerais resgataram 95 trabalhadores em regime análogo ao de escravidão no município de Campo dos Goytacazes (RJ) e 51 em Cambuí (MG).

No Rio de Janeiro, os fiscais encontraram os trabalhadores em fazendas de cana-de-açúcar sem registro de Carteira de Trabalho, água potável ou local apropriado para refeições. Eles também não tinham equipamentos de proteção nem acesso a instalações sanitárias.

Os trabalhadores libertados receberam, ao todo, R$ 100 mil em verbas rescisórias e por dano moral individual. Os fiscais do trabalho encaminharam requerimentos de seguro desemprego na modalidade trabalhador resgatado.

Em Minas Gerais, 51 lavradores também foram resgatados em situação irregular no cultivo de morango na zona rural do município de Cambuí. Do total, 39 trabalhavam em lavouras em condições análogas às de escravo e outros dez trabalhavam num galpão de seleção, embalagem e armazenamento de morangos, sem Carteira de Trabalho assinada e sem registro em livro.

Apenas dois tinham registro formal, mas trabalhavam em situações precárias. Entre os trabalhadores havia sete adolescentes com idade entre 15 e 17 anos trabalhando em horário noturno e sem intervalo mínimo de uma hora para repouso ou alimentação.

De acordo com os fiscais, os trabalhadores não usavam os equipamentos de proteção necessários e não tinham acesso a instalações sanitárias adequadas ou local para refeições.

Além disso, eles também não tinham água potável ou materiais de primeiros socorros nas frentes de trabalho. Os lavradores manipulavam agrotóxicos sem proteção e treinamento, e os insumos eram armazenados de forma irregular.

O grupo de fiscalização interditou as áreas de cultivo e o galpão usado para o armazenamento dos produtos. O empregador deverá pagar R$ 248 mil em verbas rescisórias aos trabalhadores. (Fonte: Agência Brasil)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Brasil preparado para adotar políticas sociais que reduzam desigualdades, promovam inclusão social e garantam melhor Educação e Saúde

Cenário econômico reforça teses de mobilização da UGT a favor do Brasil

Todos os dias, aqui neste espaço, você pode acompanhar as principais notícias e tendências econômicas do Brasil com o respectivo posicionamento das principais lideranças da UGT. Foi assim que insistimos, nos momentos mais graves da crise financeira mundial, que o Brasil era maior que a crise e que sairíamos da crise, que era séria, se soubéssemos proteger os empregos e exigir contrapartidas sociais das intervenções do governo. Ainda estamos na etapa de superação da crise financeira e muito distante de vermos resolvidas as principais teses de mobilização da UGT em torno da distribuição de renda, com a consequente inclusão social e de investimentos contundentes em Educação. Mas, como já afirmamos, o Brasil melhorou muito sob o governo do presidente Lula o que nos anima a manter e ampliar nossa mobilização cidadã e sindical, politica e econômica para fazer valer as teses da classe trabalhadora brasileira na gestão politica e econômica do Brasil. Caminhamos para uma renovação do Congresso Nacional, para a eleição de presidente e governadores. Em todos os níveis, a UGT está presente, discutindo, apresentando seus pontos de vista, se preparando para preservar sua independência para, junto com os futuros governos e parlamentos, participar ativamente de um Brasil muito mais justo, com muito mais distribuição de renda e da geração de oportunidades para cada uma de nossas famílias, na Educação, na Saúde, no Emprego. (Ricardo Patah, presidente nacional da UGT)

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Expectativa de contratações no Brasil e em outros mercados emergentes supera a do resto do mundo

Os empregadores do Brasil preveem um mercado promissor no quarto trimestre de 2010. De acordo com a Pesquisa de Expectativa de Emprego para o período, divulgada pela Manpower, líder mundial no segmento de serviços em recursos humanos, enquanto 43% dos empregadores previram um aumento de pessoal, 6% anteciparam uma diminuição, 49% não têm expectativa de mudança e 2% não souberam dizer o que fazer, resultando numa expectativa líquida de emprego de +37%. O índice está três pontos percentuais abaixo do terceiro trimestre deste ano, mas 16 pontos acima de igual período de 2009.

A pesquisa mostra ainda que, nos mercados emergentes, a expectativa de geração de empregos continua a ultrapassar o resto do mundo: o Brasil só perde para China (+47%), Taiwan (+40%) e Índia (+38%), onde os empregadores apresentam os mais fortes planos de contratações no quarto trimestre.

No quarto trimestre de 2010, empregadores do setor de finanças/seguro e imobiliário apresentam a maior expectativa de criação de empregos no país para o período, seguido do setor de serviços. A previsão de contratação é menor nos setores de administração pública e educação. Na comparação regional, empregadores do Rio de Janeiro e do Paraná estão entre os mais otimistas do país dentre os pesquisados, ambos com expectativa líquida de emprego de +41%. Em Minas Gerais, a expectativa permanece em +38%, enquanto as expectativas para a cidade de São Paulo e o estado de São Paulo permanecem em +33%.

Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower Brasil, ressalta que o ano de 2010 tem sido excelente para o emprego no país, com a criação recorde de um milhão e meio de vagas só no primeiro semestre. Segundo ele, com base na pesquisa, pode-se dizer que os três últimos meses do ano não vão ser diferentes e, apesar de uma ligeira queda na expectativa de contratações, o índice apontado pela pesquisa permanece bastante alto.

Já o diretor regional da Manpower Inc. para a América do Sul, Horacio De Martini, acrescenta que, a partir das expectativas de emprego dos últimos três meses do ano, é possível notar uma tendência generalizada e positiva nos países das Américas, impulsionada principalmente pelo bom desempenho das economias locais e pelo crescimento da demanda por produtos e serviços.

Mais dados da pesquisa — Aproximadamente 62 mil diretores e gerentes de recursos humanos de empresas públicas e privadas em todo o mundo foram entrevistados em 36 países, sendo 850 no Brasil. Empregadores de 28 das 36 nações pesquisadas pretendem aumentar sua força de trabalho de outubro a dezembro. Na comparação com o terceiro trimestre, a expectativa melhorou em 13 países. As únicas expectativas negativas estão na Grécia (-10%), Itália (-9%), República Tcheca (-2%), Espanha e Irlanda (-1%). Nas Américas, os dez países pesquisados apresentam otimismo em relação a novas contratações. Os Estados Unidos aparecem em último lugar no continente, com um índice de 5%, número que está seis pontos acima na comparação com igual período do ano passado.

No bloco que engloba Europa,Oriente Médio e África, as intenções de contratações são fortes na Suíça (+15%), Noruega (+11%) e Polônia (+11%), com os empregadores da Suíça relatando suas mais otimistas expectativas líquidas de emprego desde que a pesquisa começou a ser feita, no terceiro trimestre de 2005. A África do Sul apresenta expectativa de +6%. No Grupo Ásia Pacífico, Austrália (+19%), Hong Kong (+17%) e Nova Zelândia (+16%) ficaram atrás de China, Taiwan e Índia. O Japão foi o país com menor expectativa de novos postos, com +6%.

A expectativa líquida de emprego é resultado da diferença entre as porcentagens positiva e negativa presentes nas respostas dos entrevistados quanto à expectativa de crescimento da empregabilidade no mercado de trabalho para o próximo trimestre. A divulgação da próxima edição do estudo, referente ao primeiro trimestre de 2011, está prevista para 7 de dezembro. (O Globo)

Crise ajudou a criar 1,3 milhão de desempregados no Brasil

Segundo a Pnad, população desocupada no País subiu para 8,4 milhões de pessoas entre 2008 e 2009

A crise global ajudou a formar um acréscimo de 1,3 milhão de pessoas no contingente de desempregados entre 2008 e 2009. É o que revelou nesta quarta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009. De acordo com o instituto, a população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) subiu para 8,4 milhões de pessoas entre 2008 e 2009, um aumento de cerca de 18,3%, maior taxa de elevação desde 2001.

Com isso, a taxa de desemprego, ou de desocupação, saltou de 7,1% em 2008 para 8,3% em 2009. O IBGE destacou que as taxas de desemprego mostradas pela Pnad são diferentes das apuradas, para os mesmos anos, pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Isso ocorre devido às diferenças metodológicas das duas pesquisas, além da abrangência diferenciada: a PME alcança as seis principais regiões metropolitanas e a Pnad tem caráter nacional.

O instituto apurou ainda que, em comparação com outros países, a taxa de desemprego no Brasil subiu de forma menos intensa por conta da crise, entre 2008 e 2009. Utilizando dados compilados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o IBGE informou que a crise global provocou aumentos acima de um ponto porcentual nas taxas de desemprego, de 2008 para 2009, em países como Espanha, que saltou de 11,3% para 18%; Chile, de 7,8% para 10,8%; Estados Unidos, de 5,8% para 9,3%; México, de 4,0% para 5,5%; e França, de 7,4% para 9,1%. Na avaliação do instituto, isso mostra que o impacto da crise no mercado de trabalho no Brasil foi bem mais fraco do que em outras nações.

Escolaridade incompleta — A Pnad mostrou ainda que o avanço do desemprego no ano da crise se concentrou mais nas pessoas com escolaridade incompleta. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego na população com ensino médio incompleto ou equivalente saltou de 13,9% para 15,4% de 2008 para 2009. Já a taxa de desocupação entre pessoas com ensino superior incompleto ou equivalente subiu de 8,1% para 9,7%, no mesmo período. Entre as sete faixas de instrução pesquisadas pelo instituto, a que apresentou crescimento mais fraco na taxa de desemprego foi a de pessoas com ensino superior completo, cuja taxa de desemprego ficou praticamente estável, de 3,6% para 3,7% no período.

O levantamento também mostrou que, em 2009, 43,1% da população ocupada no mercado de trabalho tinham pelo menos o ensino médio completo, contra 41,2% em 2008.

Mulheres são mais da metade dos desempregados — Ainda segundo o instituto, as mulheres representavam mais da metade da população desempregada em 2009, com 58,3% do total de 8,4 milhões de pessoas sem trabalho e procurando emprego. (Estado)

Apesar da crise, renda do trabalhador cresce

Em termos atualizados pela inflação, o rendimento mensal atingiu o maior patamar em 10 anos, a R$ 1.111

Mesmo com a crise global e o aumento no contingente de desempregados, a renda média mensal real do trabalhador subiu 2,2% de 2008 para 2009, somando R$ 1.106 no ano passado. É o que mostrou nesta quarta-feira, 8, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em série histórica harmonizada pelo instituto devido aos efeitos de inflação no período de 1981 a 2009, o rendimento real médio mensal dos ganhos adquiridos pelo trabalho foi de R$ 1.111,00, o maior desde 1998, quando atingiu R$ 1.121,00.

A renda pesquisada abrange todos os ganhos gerados por trabalhos de pessoas de 10 anos ou mais de idade. De 2004 a 2009, o aumento acumulado da renda foi de 20%. A taxa de crescimento na renda entre 2008 e 2009 é maior do que a observada entre 2007 e 2008 (de 1,7%) mas ainda abaixo das apuradas nos períodos de 2006 a 2007 (de 3,1%) e de 2005 a 2006 (de 7,2%).

Segundo o instituto, o aumento na renda foi impulsionado por uma melhora na qualidade do emprego, com crescimento na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. Em 2009, entre as 101,1 milhões de pessoas da população economicamente ativa, 91,7% estavam trabalhando e as demais, ou 8,3% do total, estavam procurando por trabalho. A pesquisa revelou que a população ocupada no mercado de trabalho ficou relativamente estável, em torno de 92,7 milhões de pessoas em 2009, um acréscimo de apenas 0,3% contra 2008 - sendo que, em torno de 42,9% da população ocupada trabalhava em atividades de serviços. No entanto, o número de empregados com carteira assinada subiu 1,5% entre 2008 e 2009, para 32,4 milhões de trabalhadores - um acréscimo de mais de 483 mil trabalhadores neste contingente em 2009, em relação a 2008.

O IBGE também destacou que se manteve em tendência de queda o índice de Gini da renda do trabalhador (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade). De 2008 para 2009, o indicador passou de 0,521 para 0,518.

Porém, no que se refere à comparação de renda entre homens e mulheres, o quadro ainda é desigual. Em 2009, o rendimento das mulheres do trabalho das mulheres foi de R$ 786, o que representou 67,1% do obtido pelos homens no mesmo ano (R$ 1.171). O instituto informou, porém, que o patamar de desigualdade já foi mais forte: em 2004, o porcentual de ganhos das mulheres representava 63,6% da renda de trabalho dos homens.

Ainda segundo o instituto, 90% das mulheres ocupadas no mercado de trabalho em 2009 realizavam também tarefas referentes aos afazeres domésticos. Entre os homens ocupados, esse porcentual era 49,7% no ano passado.

Renda domiciliar também avança — A renda média mensal das famílias subiu 1,5% em 2009 contra 2008, segundo o IBGE. De acordo com o levantamento, o rendimento médio mensal real domiciliar subiu de R$ 2.055,00 para R$ 2.085,00 de 2008 para 2009. Em série histórica harmonizada elaborada pelo instituto, no ano passado o rendimento real médio mensal domiciliar foi de R$ 2.099,00, o mais intenso desde 1997, quando registrou valor de R$ 2.149,00 de acordo com a série do IBGE.

Ainda segundo o instituto, a renda domiciliar tem apresentado crescimento nos últimos cinco anos, até 2009. O IBGE informou que, de 2004 para 2009, o aumento real da renda das famílias foi de 19,3%. A pesquisa apurou ainda que, de 2008 para 2009, todas as classes de renda, especialmente as mais baixas, apresentaram avanço nos ganhos mensais.

Outro ponto destacado pelo instituto foi o comportamento do índice de Gini do rendimento médio mensal real domiciliar (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade). De 2008 para 2009, o indicador recuou no período, de 0,514 para 0,509. (Estado)

CNI: indústria expande capacidade de produção

Apesar do crescimento contínuo da atividade industrial, a expansão dos investimentos desde o ano passado tem ampliado o parque fabril, com reflexo na queda do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), na avaliação do economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Marcelo de Ávila. De acordo com os indicadores industriais divulgados hoje, o Nuci recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho, para 82,3% ante 82,5% em junho.

"Mesmo havendo uma maior atividade industrial no mês de julho, a utilização da capacidade recuou nesse período. A formação bruta de capital fixo vem crescendo a passos largos e a maturação de investimentos está ampliando o parque industrial", afirmou Ávila.

Para o economista, o comportamento do indicador mostra que não há descompasso entre a demanda e a oferta na indústria. "Estamos vendo uma convergência da inflação para a meta. Além disso, o período de aperto monetário que ainda não foi todo absorvido pela economia, mas de qualquer forma, se você não tivesse elevado os juros, o desempenho da indústria seria ainda maior", avaliou.

Segundo Ávila, o faturamento industrial já supera em 4,2% o patamar anterior ao agravamento da crise financeira internacional, em setembro de 2008. Em julho, o indicador cresceu 3,6% ante o mês anterior. "O faturamento é o indicador que reage primeiro à melhora da economia, e o esse resultado já garante no mínimo 8,4% de crescimento em 2010, com boa possibilidade de ficar acima de dois dígitos. Lembrando que o crescimento é forte, mas é sobre uma base de comparação muito deprimida", ressaltou.

O mesmo ocorre com o emprego industrial que, pelo segundo mês seguido, apresentou alta de 0,5% na comparação mensal, variação acima da média histórica de crescimento do indicador, que já supera em 0,8% o nível de setembro de 2008. "Em questão de emprego a crise já ficou pra trás. Em termos de quantidade, todas as vagas fechadas no fim de 2008 já foram recompostas", completou Ávila.

Já as horas trabalhadas, apesar de aumentarem 1,6% em julho ante junho, ainda estão 2,2% abaixo do patamar pré-crise (setembro de 2008). A massa salarial real, impulsionada pelo aumento da ocupação na indústria, também aumentou em julho ante junho (3,6%), assim como o rendimento médio do trabalhador (3,1%). (Estado)

Aneel proíbe corte de energia por causa de conta com mais de 90 dias de atraso

As distribuidoras de energia terão no máximo 90 dias para cortar a luz de um consumidor inadimplente, respeitado o aviso de 15 dias antes de efetuado o corte. Se depois de três meses de atraso da conta, o corte ainda não tiver sido feito, a luz tem que permanecer ligada e a empresa pode cobrar apenas administrativamente (como na Serasa) ou judicialmente os valores devidos.

Além disso, a conta de luz deixará de ser vinculada ao imóvel e será vinculada ao consumidor. As duas questões, reivindicações das entidades de defesa do consumidor, fazem parte do novo regulamento de prestação de serviço da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aprovado nesta quinta-feira, que prevê direitos e deveres dos consumidores. As medidas entram em vigor no dia 1º de dezembro.

Atualmente, não há prazo para o desligamento por inadimplência. As empresas alegam que hoje não cortam a luz, apenas utilizam esta possibilidade para forçar a negociação com o devedor. Agora, dizem, farão o corte.

O presidente da Aneel, Nelson Hubner, argumentou que as entidades de defesa do consumidor têm entendimento diferente, baseado no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Além disso, o órgão argumentou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já tem entendimento de que a ameaça de corte não pode ser utilizada como instrumento de negociação.

Outra novidade do regulamento é quando uma empresa não cumprir prazos de serviço, como ligação e religação de energia, terá que indenizar o consumidor. Hoje, a concessionária paga multa à Aneel recebe advertência a agência. Para isto, há uma forma de cálculo específica. Se uma empresa, por exemplo, ultrapassou o prazo máximo de religação de energia em quatro dias de um consumidor que tem uma conta de R$ 100, ele terá que creditar na próxima fatura R$ 13,69.

A redução dos prazos de ligação e religação de energia também foi aprovada pelos diretores da agencia. Para as áreas urbanas, o tempo de ligação de energia de uma nova residência cai dos atuais três dias para dois dias. Para a indústria (alta tensão), o período que é de 10 dias foi reduzido para sete dias.

A nova regra também prevê que em um ano, todos os municípios do país do país vão contar com postos de atendimento presenciais das distribuidoras de energia. E a espera do consumidor nas filas de atendimento não poderá ultrapassar 45 minutos. (O Globo)