terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Roberto Santiago, vice da UGT, apresenta na Câmara emenda à Constituição para defender centrais sindicais

Deputados apresentam proposta que fortalece centrais sindicais

Os deputados federais Flávio Dino (PCdoB-MA), Daniel Almeida (PCdoB-BA), Roberto Santiago (PV-SP) e Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) apresentaram, na última quarta-feira (3), proposta de emenda à Constituição com objetivo de alterar dispositivos constitucionais para prever o recebimento, pelas centrais sindicais, da arrecadação oriunda de parcela das contribuições sindicais.

Pela proposta, serão alterados os artigos 8º, 149º e 3º para assegurar que as centrais sindicais possam ser credoras de 10% do produto arrecadado pela contribuição sindical dos empregados, direito reconhecido formalmente pela Lei 11.648/08, que além de regulamentar o funcionamento das centrais também permitiu que parcela da contribuição fosse repassada à essa entidades.

Entretanto, o DEM ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para declarar inconstitucionais dispositivos da referida lei, o que pode ser danoso para o funcionamento do movimento sindical.

Diante da controvérsia, os parlamentares apresentaram a proposta, a fim de garantir constitucionalmente a manutenção das centrais sindicais a partir do repasse desse tipo de crédito.

"Para que haja democracia no mundo do trabalho, precisamos de amplo apoio à organização sindical dos trabalhadores", justificou Flávio Dino.

A proposta visa o fortalecimento do movimento sindical, por meio das centrais, assegurando que essas entidades tenham direito à contribuição ao crédito originário da contribuição sindical dos empregados.

Assim que o texto estiver numerado na Câmara, o DIAP vai colocá-lo disponível para amplo debate no meio sindical. (Agencia Diap, Portal Vermelho)

CNI: uso da capacidade na indústria atinge 82,2%

Após cinco meses seguidos de redução, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) aumentou em outubro para 82,2%, depois de ter chegado a 82% em setembro, de acordo com os Indicadores Industriais divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com o resultado, segundo a CNI, o uso da capacidade retornou a um patamar similar ao de março deste ano. Na comparação com outubro de 2009, a UCI aumentou 1,4 ponto porcentual.

Depois de três meses seguidos de crescimento, no entanto, o faturamento real (descontada a inflação) na indústria recuou 0,7% em outubro, na comparação com setembro deste ano, com dados dessazonalizados. Ainda assim, na comparação com outubro do ano passado, as vendas da indústria no período foram 4,7% superiores. Após ajuste nos meses anteriores, as horas trabalhadas na produção, em outubro, ficaram praticamente estáveis em relação ao mês anterior, com crescimento de 0,1%. Em relação a outubro de 2009, a expansão do indicador é de 4,7%.

Da mesma forma, o emprego industrial se manteve estável em outubro, na comparação com setembro. Como esse indicador não apresenta queda há 16 meses, o crescimento acumulado em relação a outubro do ano passado é de 6,5%. Além disso, como essa variável ficou estável no mês, o crescimento de 4,5% da massa salarial real, em outubro ante setembro (dados originais)está diretamente ligado ao rendimento médio dos trabalhadores, que cresceu 4,4% no mês. Em relação a outubro do ano passado, a massa salarial real apresenta aumento de 10%. (Estado)

Mantega: corte de gastos atingirá todos os ministérios

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou hoje que o Ministério do Planejamento está elaborando com o Tesouro um corte de gastos de custeio do governo a partir de 2011, que deverá afetar todos os ministérios. Ficarão de fora apenas os projetos prioritários, como o Bolsa Família. Segundo Mantega, os cortes ocorrerão sobre iniciativas em andamento e também sobre novos projetos que significariam aumentos de despesas. Ele citou como exemplo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que eleva os gastos da União e dos Estados, e o aumento do salário mínimo, cujo patamar no próximo ano não ultrapassará R$ 540.

"Essa redução (de gastos) abre espaço razoável para a redução dos juros. O Brasil está muito defasado em juros no cenário internacional", disse. Mantega explicou que os cortes de gastos não serão feitos de forma linear, mas serão feitos de maneira a não comprometer os principais projetos de cada ministério. Segundo ele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também poderá ser afetado, mas "em uma questão de ritmo".

Mantega falou também sobre a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e disse que o colegiado levará em conta o cenário atual de inflação, o crescimento da economia e as medidas relativas ao crédito anunciadas no fim da semana passada. Ele explicou que "pode ser que ocorra alguma postergação, alguns projetos do PAC podem começar mais lentamente". Mantega concedeu entrevista após participar de seminário do Rio de Janeiro. (Estadao)

Cúpula do clima tem injeção de ânimo

Após início pessimista, presença de ministros do Ambiente para a fase final da COP fez negociações andarem. Documentos divulgados pelo Wikileaks, porém, deram munição para que a delegação da Bolívia atacasse os EUA.
Após dias de pessimismo, a última e decisiva semana da COP-16 começou com uma injeção de ânimo para as mais 190 nações que participam da conferência.
Depois de uma semana de poucos avanços, a chegada dos ministros do Ambiente a Cancún permitiu que as discussões fossem adiante. No fim de semana, novos textos para servir de base para as discussões entre os países foram redigidos. Eles tiveram boa aceitação.
"Esses textos cobrem todos os elementos para termos um pacote balanceado, e isso é bom", disse Connie Hedegaard, comissária do clima da União Europeia.
"Nós temos as bases para trabalhar esta semana. Não podemos deixar Cancún de mãos vazias", completou.
Segundo os diplomatas, os países ricos estão indicando maior tolerância com a ideia de ajudar financeiramente países ameaçados pelas consequências da mudança climática. Além disso, o Reino Unido indicou que pode reduzir suas metas de emissão de CO2.
O revés ficou por conta da divulgação de mensagens diplomáticas pelo site Wikileaks relacionadas às negociações do clima. Elas diziam que EUA e União Europeia deveriam procurar maneiras de "neutralizar ou marginalizar" países vistos como "pouco dispostos a ajudar" nas negociações, como Venezuela e Bolívia.
Além disso, a ideia dos EUA era pressionar países muito vulneráveis à mudança climática, especialmente os países-ilhas, a apoiar as suas posições. Essas nações, diziam as mensagens, por precisarem de assistência financeira, "podem ser os nossos melhores aliados".
O chefe da delegação boliviana, Pablo Solon, disse que as mensagens "confirmam o que sempre falávamos: a interferência, a pressão e a chantagem lamentavelmente conduzidas pelos EUA". (Folha)

Captação da poupança bate novo recorde

Os depósitos na caderneta superaram os saques em novembro em R$ 4 bilhões, segundo dados do Banco Central. No mês passado, o total de recursos depositados na caderneta alcançou o patamar inédito de R$ 370 bilhões. Os resultados do fim de ano são influenciados pelo 13º salário. (Folha)

Em novembro, pedidos e decretação de falência são os menores em cinco anos, aponta Serasa

Levantamento da Serasa Experian aponta que os pedidos e decretações de falência alcançaram em novembro o menor patamar para o mês desde a edição da Nova Lei de Falências, em 2005. Ao todo, houve 148 requerimentos e 56 decretos de falências em todo o país.

Dentre as falências decretadas no mês passado, micro e pequenas foram as únicas a apresentar elevação. Do total, 92 delas ocorreram com micro e pequenas. Na comparação com novembro de 2009, todos os portes apresentaram queda. No entanto, na relação com outubro deste ano, as médias empresas, com sete pedidos a mais, foram as únicas a apresentar crescimento.

Quanto aos decretos, dos 56 registros feitos em novembro, 52 foram de micro e pequenas. Na relação com outubro último, as micro e pequenas apresentaram seis decretos a mais, sendo o único porte a registrar aumento. Já na comparação com novembro do ano anterior, todos os portes de empresa tiveram recuo.

Os economistas da Serasa Experian apontam que o bom momento econômico tem ampliado a geração de receitas das empresas, o que favorece a redução da inadimplência e da insolvência nos negócios. O crescimento em novembro em relação a outubro mostra que as falências decretadas das micro e pequenas empresas é pontual, evidenciando que este porte aumentará sua atividade em dezembro, com as festas de final de ano, revertendo o resultado de novembro.

Os dados do acumulado do ano mostram que a insolvência das empresas é

decrescente na comparação com 2009, ano que registrou os impactos da crise

financeira global e a menor oferta de crédito para pessoa jurídica. A perspectiva dos economistas é de que o fechamento das falências e recuperações em 2010 seja de decréscimo em todas as modalidades. (Estado)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Avançar para 2011 com vistas a consolidar as conquistas econômicas e sociais a favor da classe trabalhadora brasileira

2010 é o ano da alavancagem para os trabalhadores brasileiros

por Moacyr Pereira, secretario de finanças da UGT

Basta uma olhada rápida no clipping abaixo para vocês, companheiros e companheiras, perceberem que chegamos ao final do ano de 2010 com boas notícias económicas, que nos chegam principalmente pelo bolso. A PLR volta a crescer em todas as categorias, a vida melhora a ponto de as pessoas mudarem de clase social, o Bolsa Família consolida seus principais pontos sociais, mas precisa ser muito melhorada para proteger brasileiros e brasileiras que, infelizmente, continuam na miséria absoluta.

Para os trabalhadores brasileiros e suas entidades de classe, especialmente a União Geral dos Trabalhadores, 2010 significa a possibilidade de firmar um patamar e avançar para novas conquistas tanto econômicas, como sociais e politicas. Temos que aproveitar 2011, com a posse de Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente no Brasil, para resolver o mais rapidamente possível a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salários. É uma reivindicação antiga do movimento sindical e que alem de colocar os pais e mães de família mais perto dos seus filhos, significará a criação de mais de 2,5 milhões de novas vagas.

O Brasil precisa assinar a Convenção 158 de OIT que regulará as demissões imotivadas. Pois não é justo que os sindicatos consigam negociar reajustes salariais e os patrões, arbitrariamente, adotem a rotatividade como ferramenta gerencial de redução da massa salarial.

Na arena politica, ou seja, nos grandes embates que participaremos dentro do Congresso Nacional, na pauta estarão investimentos em Educação, na Segurança Pública, na infra-estrutura.

O recente episódio do Rio, com a retomada de dois morros que antes estavam à disposição dos traficantes, mostra que quando o Estado brasileiro quer, que se acha solução para os gravíssimos problemas de segurança. Agora que já sentimos que é possível vamos querer mais, muito mais. E que essa politica efetiva de segurança pública seja adotada em todos os níveis, em todos os Estados brasileiros, nos centros urbanos e nas periferias das grandes cidades, onde vivem as famílias trabalhadoras.

Participação nos lucros volta a crescer

Economia aquecida permite melhores acordos com os trabalhadores; só os bancários vão receber R$ 190 milhões a mais que em 2009.

No ano em que a economia brasileira deve crescer acima de 7%, boa parte dos trabalhadores vai embolsar uma bolada em participação nos lucros e resultados (PLR) das empresas, que supera o valor pago em 2009 e no período pré-crise. Não há números consolidados, mas órgãos sindicais dão ideia da importância do instrumento. Só os bancários receberão R$ 3,578 bilhões até março de 2011 em PLR.

A massa de recursos dos bancários recebeu injeção de R$ 190 milhões extras ante os R$ 3,388 bilhões pagos em 2009, segundo o Dieese. Do total, R$ 1,329 bilhão está em circulação desde novembro, quando os 470 mil bancários do País receberam parte da PLR. "É um dinheiro extra muito bem vindo e que garantiu a realização de um projeto familiar", diz o escriturário do Banco do Brasil Gabriel Moraes dos Santos, de 36 anos.

No mês passado, Santos recebeu R$ 3 mil de PLR do BB. Em abril, serão mais R$ 3,9 mil, somando R$ 6,9 mil. Ele mora com a mulher, três filhos e a avó na casa da sua mãe. O dinheiro vai completar a entrada de um apartamento próprio.

Além de rechear o bolso do trabalhador, a PLR movimenta a economia. No ABC paulista, os metalúrgicos conquistaram, ao todo, R$ 390 milhões em PLR, segundo o Dieese. Acordos foram fechados em 201 empresas que empregam 70% da categoria, com 102 mil trabalhadores.

O valor representa salto de 11% em relação ao pago em 2008. A comparação não foi feita com 2009 porque foi atípico em razão da crise, que atingiu de forma diferente os acordos salariais, diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em alguns casos, o trabalhador recebe mais de quatro vezes o salário. Flávio Augusto Terra, de 31 anos, montador da Volkswagen em Taubaté (SP), ganha entre R$ 2 mil e R $ 2,5 mil ao mês. Junto com os 5,2 mil funcionários da fábrica, embolsará R$ 10 mil em PLR. Desse total, R$ 4,3 mil foram pagos no primeiro semestre e o restante será pago este mês. "Comprei um apartamento e esse dinheiro vai para o pagamento de prestações", diz Terra.

Os 10 mil trabalhadores da Nestlé em São Paulo vão receber PLR correspondente a 95% do salário, somado a um valor fixo de R$ 3,3 mil. O piso de admissão é de R$ 980. "Foi a melhor PLR do setor", diz Ovídio Garcia Fernandes, da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de São Paulo.

No polo petroquímico de Cubatão, os 5 mil trabalhadores de empresas como Copebrás e Dow Química recebem salário médio mensal de R$ 5 mil. "A média de PLR fica em torno de R$ 15 mil, mas chega a R$ 20 mil ou R$ 30 mil nos salários mais altos", diz Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista. O valor deste ano será definido em janeiro. (Estado)

Mais de 40% dos beneficiários do Bolsa-Família continuam miseráveis

Número de pobres apesar de benefício aparece em estudo do ministério a pedido do 'Estado'.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá dificuldade para encontrar a pobreza absoluta que ela prometeu erradicar até o fim do mandato, como um dos principais compromissos da campanha. Quase 5,3 milhões de famílias - a grande maioria dos brasileiros que permanecem na condição de miseráveis - já são beneficiárias do programa Bolsa-Família, de transferência de renda.

Quase 5,3 milhões de famílias recebem de R$ 22 a R$ 200

O valor pago mensalmente pelo Bolsa-Família, que varia de R$ 68 a R$ 200 para as famílias que vivem em pobreza mais aguda, não é suficiente para pouco mais de 40% dos atendidos pelo programa superarem a miséria. A condição de pobreza extrema é definida pela renda de até R$ 70 mensais por pessoa da família, segundo as regras do programa; miseráveis são pessoas que vivem com renda de até R$ 2,30 por dia.

O número de famílias que permanecem na extrema pobreza apesar de receberem o benefício do Bolsa-Família aparece em levantamento inédito do Ministério do Desenvolvimento Social, feito a pedido do Estado. Nos últimos anos, o ministério vinha se recusando a divulgar esse tipo de informação.

Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa.

Gasto extra — Acabar com a extrema pobreza entre os beneficiários do Bolsa-Família significaria ter de mais do que dobrar o valor do benefício básico, de R$ 68, pago apenas às famílias que têm renda per capita de até R$ 70. “O piso do benefício teria de ir para R$ 138”, calcula Lúcia Modesto, secretária de Renda de Cidadania do ministério, responsável pelo programa.

A média dos pagamentos, hoje em R$ 96 mensais, também teria de aumentar. O impacto nas contas públicas seria um gasto extra de R$ 8 bilhões, segundo estimativa preliminar. “Está muito acima das nossas possibilidades”, disse a secretária. A presidente eleita recorrerá a uma medida provisória, no início do mandato, para fixar reajuste nos pagamentos do Bolsa-Família. Um reajuste acima da inflação acumulada, de cerca de 9%, está em estudo, conforme antecipou o Estado. Mas a possibilidade de pagar um benefício que elimine imediatamente a extrema pobreza entre os beneficiários nem sequer é considerada.

Política de reajuste — Uma das ideias em estudo é estabelecer uma política de reajustes para o Bolsa-Família, como acontece com o salário mínimo. Atualmente, eventuais reajustes dependem da vontade do presidente da República.

O último reajuste do Bolsa-Família se deu em maio de 2009. Desde então o programa paga entre R$ 22 e R$ 200. O valor varia de acordo com o grau de pobreza e o número de crianças e jovens em idade escolar das famílias. Nada recebem aquelas que não são consideradas extremamente pobres nem têm filhos até 17 anos. O Orçamento de 2011, enviado ao Congresso sem previsão de reajuste, autoriza gastos de R$ 13,4 bilhões com o programa.

Receita óbvia — Embora não sejam suficientes para fazer com que 40% dos beneficiários superem a extrema pobreza, os pagamentos do Bolsa-Família são responsáveis por um crescimento médio de 49% da renda das famílias atendidas. Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto é ainda maior, mas a renda média após o pagamento do benefício não alcança a linha que separa a extrema pobreza da pobreza.

Aumentar o valor do benefício do Bolsa-Família é uma receita óbvia para erradicar a extrema pobreza no País. Outra medida apontada como inevitável é garantir o acesso ao programa das cerca de 230 mil famílias pobres ainda não cadastradas, de acordo com estimativa do Desenvolvimento Social.

No documento lançado no segundo turno das eleições presidenciais, com os “compromissos programáticos”, a então candidata Dilma Rousseff prometeu erradicar a pobreza absoluta. Esse é o compromisso número 5, de uma lista de 13.

O texto petista não detalha a estratégia a ser adotada, mas destaca o crescimento econômico, a expansão do emprego e da renda e a valorização do salário mínimo, antes de falar do Bolsa-Família. (Estado)

Cerca de 6 milhões de brasileiros vão passar da Classe C para a B em 2011

O Brasil já vive, segundo especialistas, um processo de migração de parte da classe C para a B. Estudo da Ativa Corretora estima que 5,9 milhões de pessoas devem avançar para a classe B até o fim de 2011, na comparação com o início de 2009. Com isso, o grupo - com renda familiar entre R$ 4.807 e R$ 10.375, segundo o levantamento - deve chegar a 15,4% da população brasileira, ou 29,363 milhões de pessoas.

- Nossa estimativa é que, além dos seis milhões que deixarão a classe C em direção à B, três milhões sairão da D para a C. Isso é fruto do forte crescimento econômico do Brasil nos últimos anos e do aumento do trabalho formal e do crédito - afirma o economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho Filho, um dos autores do estudo.

O diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, diz que seus estudos vêm mostrando essa ascensão da classe C à B. Segundo ele, apesar de a C ser a maior do país, em números absolutos, são as classes A e B que crescem em ritmo mais expressivo.

O documento mostra ainda que, com a melhoria da renda média na classe B, o perfil de consumo tende a se refinar, e ganham espaço gastos como educação, alimentação fora de casa, transporte, higiene e assistência à saúde.

A educação dos dois filhos é uma das principais preocupações da dona de casa Valeria Cristina Rodrigues Carvalho Martins, de São Paulo, e de seu marido, Juramir Paulo Martins. Hoje na classe B, a família, cuja renda mensal fica em torno de R$ 7 mil, reserva cerca de 20% do orçamento para pagar a escola particular para Vinicius, de 14 anos, e Barbara, de 10. Mas também há espaço para alimentação fora de casa, lazer, viagens e higiene e cuidados pessoais.

- Aqui não se come em casa sábado e domingo. Ou tem convite para festa ou vamos ao restaurante - conta Valeria, que também faz visitas semanais ao salão de beleza. (O Globo)

Chances de efetivação aumentam entre profissionais temporários este ano

As chances de contratação para quem trabalhar como temporário nesta virada de 2010 para 2011 são maiores que as do ano passado. A constatação é da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem), que prevê a abertura de quase 140 mil vagas extras em todo o país - sendo 10.500 no Rio - e a efetivação de mais de 28% dos empregados ao fim de janeiro. No ano passado, o número de vagas temporárias criadas chegou a 125 mil, sendo que 24,8% dos profissionais acabaram sendo contratados, como mostra reportagem de Paula Dias, publicada neste domingo no Boa Chance.

- O cenário promissor é um reflexo da estabilidade econômica e do crescimento da produção, sem falar na ascensão da classe C. A renda do consumidor aumentou, e o acesso ao crédito também - explica Jismália Alves, diretora da Asserttem.

Esse comportamento do mercado contraria o histórico que mostra que, em anos de crescimento econômico e, consequentemente, de aumento do emprego formal, cai a contratação de temporários. Então, como explicar que este tipo de trabalho se mantenha em alta?

- Uma das possíveis justificativas é que, mesmo com um número menor de empresas contratando temporiariamente, a busca por pessoal extra continua grande para atender à demanda do mercado - diz o economista Luiz Roberto Cunha, decano da PUC-Rio, acrescentando que as metodologias de cálculo das duas pesquisas são bem diferentes.

Os profissionais também podem esperar mais dinheiro no bolso este ano. A previsão de remuneração média da Asserttem, que engloba perspectivas para o comércio e a indústria, é de R$ 903, contra R$ 870 em 2009. Já a Fecomércio-RJ aposta num salário de R$ 725,02, o maior dos últimos oito anos. (O Globo)

Alta do compulsório elevará os juros em 2011

Especialistas do setor financeiro descartam a possibilidade de aumento imediato do custo do crédito concedido pelos bancos por conta da elevação do compulsório sobre depósitos à vista e a prazo. De acordo com o próprio Banco Central (BC), as mudanças das regras de recolhimento dos compulsórios causarão um impacto de R$ 61 bilhões ao mercado.
"É preciso entender que não foi alterado o custo de captação para os bancos: o que mudou foi a quantidade que o banco poderá emprestar. Por conta disso, não creio que os bancos vão aumentar os juros na concessão de crédito até o início de 2011", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
O especialista destaca ainda que no próximo dia 8 o "Comitê de Política Monetária [Copom] realizará sua 155ª reunião para decidir o futuro da taxa básica de juros [Selic] e será o último encontro sob a tutela do atual presidente, Henrique de Campos Meirelles, encerrando um ciclo de 76 reuniões", diz Agostini.
Em seguida o economista diz que "as medidas anunciadas pelo BC e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em nosso entendimento, são o primeiro passo para o processo de aperto monetário que ocorrerá ao longo de 2011, e com foco na elevação da taxa Selic com maior concentração no primeiro semestre", diz.
Agostini conclui dizendo que, "neste sentido, a Austin Rating reitera sua expectativa de manutenção da taxa Selic em 10,75% na reunião de dezembro e elevação da taxa em ao menos 0,50 ponto percentual na reunião que ocorrerá dia 19 de janeiro de 2011, a primeira sob o comando do novo presidente do Bacen: Alexandre Antônio Tombini", esclarece. O professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, partilha da mesma opinião: acredita que a medida tomada pelo governo foi positiva. "O impacto não será imediato. Há concorrência entre os bancos, isso pode fortalecer a manutenção do juro cobrado pelo banco", explica.
O spread bruto dos bancos deverá ser elevado como consequência dos efeitos das medidas macroprudenciais, afirmou o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
"Vai ocorrer elevação do spread bruto", afirma Sardenberg. Entende-se por spread bruto a diferença entre o custo de captação e a despesa com juros, que são os dados que o BC divulga regularmente. A preocupação externada pelo economista da Febraban reside, segundo ele, na visão errônea das pessoas que consideram aumento de spread bruto como se fosse aumento de lucro. "Mas, dentro do spread bruto -e essa é uma velha luta minha, aqui-, há os custos de captação, impostos, entre outros", diz. Nesse sentido, avalia Sardenberg, as medidas se mostram ineficientes porque contribuem para elevar o spread bruto, mas não necessariamente elevam o spread líquido. Para ele, se houvesse aumento da Selic, os resultados seriam mais visíveis. "O custo de captação e o spread bruto subiriam, mas o spread líquido também", afirma.
Sardenberg concorda com avaliação feita pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, por ocasião da primeira elevação do compulsório, no começo do ano, de que medidas dessa natureza são um substituto imperfeito do aumento da taxa de juros. Isso porque, de acordo com o economista da Febraban, os resultados não são tão potentes quanto os de um aperto monetário clássico, de alta de juros, que leva ao deslocamento de toda a curva. Apesar de demorar de seis a nove meses para fazer efeito, a elevação da Selic produz um resultado mais forte.
Segundo documento enviado pelo Banco Fibra, "o quadro inflacionário segue cada vez mais preocupante, tanto no horizonte de curto quanto no de médio prazo. No curto prazo, as pressões de alimentos devem manter os índices de preços ao consumidor pressionados, o que, em um ambiente de demanda doméstica superaquecida, coloca em risco também o cenário de médio prazo", diz o comunicado do banco.
A equipe econômica da instituição explica ainda que, "na ausência de perspectivas de um recuo nos preços das commodities nos mercados internacionais, ou de um ajuste fiscal na magnitude necessária para acomodar a aquecida demanda doméstica, não vemos outra alternativa senão a retomada do ciclo de alta de juros o quanto antes", acrescentou o banco Fibra.
Por fim, o Fibra afirma: "Acreditamos que o ciclo total de ajuste deve ser de 200 pontos, concentrados no primeiro semestre de 2011, com quatro altas de 50 pontos começando em janeiro. Avaliamos que este seria o ciclo necessário para reancorar expectativas e trazer de volta a inflação à meta, senão em 2011, que acreditamos já estar comprometido, mas em 2012. Metas mais ambiciosas exigiriam um ciclo mais extenso e/ou intenso do que o estimado", finaliza o banco.
O adicional de compulsório será elevado de 8% para 12%. O limite de dedução do adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo das instituições financeiras com patrimônio de referência inferior a R$ 2 bilhões subirá de R$ 2 bilhões para R$ 2,5 bilhões. Para as instituições com patrimônio de valor igual ou maior que R$ 2 bilhões e menor que R$ 5 bilhões, a dedução passará para R$ 2 bilhões.
O compulsório sobre depósitos a prazo aumentará de 15% para 20%. O limite de dedução do compulsório sobre depósitos a prazo das instituições com patrimônio de referência abaixo de R$ 2 bilhões aumentará para R$ 3 bilhões. Para as instituições com patrimônio igual ou maior que R$ 2 bilhões e inferior a R$ 5 bilhões, a dedução subirá de R$ 1,5 bilhão para R$ 2 bilhões. (DCI)