terça-feira, 18 de janeiro de 2011

UGT e demais centrais mobilizadas, nacionalmente, por mínimo de 580,00 e correção da tabela de Imposto de Renda

Centrais iniciam hoje manifestação por mínimo maior

As centrais sindicais iniciam hoje manifestações em todo o País para reivindicar um reajuste do salário mínimo para R$ 580 e uma correção de 6,47% da tabela do Imposto de Renda (IR). O movimento foi decidido na semana passada, após a primeira reunião conjunta das seis principais centrais sindicais neste ano.

Caso a presidente Dilma Rousseff não respondesse até a última sexta-feira ao pedido urgente de audiência feito pelos sindicalistas, as centrais realizariam as manifestações em, pelo menos, 20 Estados. Em São Paulo, o ato será realizado hoje, na Avenida Paulista, na capital paulista, a partir das 10h30.

No início de janeiro, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, protocolou emenda parlamentar que eleva o mínimo para R$ 580. O governo federal elevou o valor do vencimento de R$ 510 para R$ 540 a partir de 1º de janeiro, com correção de 5,88%, e, na última sexta-feira, o valor subiu para R$ 545, a partir de 1º de fevereiro. A estratégia das centrais sindicais é abrir negociação tanto com o Palácio do Planalto como com o Congresso para tentar a aprovação de um valor maior e evitar um veto do Executivo.

Além de passeatas, as entidades pretendem ingressar na Justiça caso o governo federal não corrija a tabela do IR em 2011. "Desde 1995, a tabela do IR acumula defasagem de cerca de 70%", afirma o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves.

As centrais sindicais que organizam o movimento são a Força Sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Nova Central, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). (Fonte: Estado)

Consumo: Brasileiros poupam pouco e tendem a elevar gastos, aponta pesquisa

Diante do crescimento da renda, os consumidores brasileiros tendem a gastar mais em itens não essenciais e continuam poupando pouco. A conclusão é de um estudo do Credit Suisse, que abordou os países integrantes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China), além do Egito, Indonésia e Arábia Saudita.

Segundo a pesquisa, o Brasil está mudando seu perfil de consumo, caminhando para o perfil descrito nos países desenvolvidos. O foco dos brasileiros em itens, como o consórcio de veículos e os empréstimos para aquisição de veículos, por exemplo, estão entre os mais altos dos países analisados. Os investimentos em ativos fixos, como os imóveis, também são prioridade no país.

- O que é interessante é que no Brasil a renda per capita esta chegando a US$ 1.000 por mês e esse perfil de consumo muda, saindo de produtos necessários para os úteis, mas não necessários. Estamos próximos do perfil dos países desenvolvidos, mas não estamos lá ainda - afirma o responsável por pesquisa e estratégia do Credit Suisse, Andrew Campbell.

Os cuidados com a saúde são outro destaque do estudo. No Brasil, as famílias destinam 9,8% da sua renda para o setor, o porcentual mais alto da pesquisa. O país é seguido pelo Egito, com 7,1%, e China, com 5,7%.

- Nós notamos que esse resultado não é espelhado nos baixos gastos governamentais com a saúde, que somam 3,5% dos gastos públicos no país. O gasto privado pode ser um reflexo de problemas de qualidade nos serviços públicos, percepção que não é exclusiva do Brasil - pondera a pesquisa.

O estudo atribui à memória da inflação a baixa poupança do brasileiro. Como proporção da renda, a poupança do consumidor no país fica no patamar de somente 10%, enquanto na Rússia, fica em 13%, na Índia 17% e na China 31%. A pesquisa lembra, no entanto, que há diferenças estruturais entre os países, que interferem neste número: o Brasil possui um sistema previdenciário bem estabelecido, enquanto na China, por exemplo, ele é pouco desenvolvido.

Por outro lado, as perspectivas para a renda do brasileiro são positivas. A pesquisa indica que um crescimento real ocorrerá em todos os grupos de renda nos próximos 12 meses. Os números variam entre crescimento da renda real de 5% para os grupos de renda mais baixa e mais de 12% para a faixa de renda mais alta.

Esse avanço na renda é um dos fatores que tem impulsionado o ânimo dos brasileiros, os consumidores mais otimistas, de acordo com o estudo. Quando questionados sobre a possibilidade de uma melhora em suas finanças pessoais nos próximos seus meses, 63% dos brasileiros foram afirmativos com relação a essa expectativa.

Para o estudo, o Credit Suisse contratou a companhia de pesquisa de mercados AC Nielsen, Foram feitas 120 perguntas sobre 11 assuntos diferentes, para cerca de 13 mil homens e mulheres de locais e níveis de renda diferentes. (O Globo)

Exportador especula com dólar deixado fora do país
Empresas usam recursos em aplicações e lucram com juros e queda da moeda. Em 2010, entrada de dinheiro no país via exportações ficou 12,5% abaixo do valor efetivamente exportado.
A quantidade de dólares de exportadores que ficaram depositados fora do Brasil triplicou em 2010 e há sinais de que parte desse dinheiro está sendo utilizada para aumentar a especulação, dentro do país, com a moeda.
Segundo analistas, empresas que costumam reclamar da desvalorização do dólar, que torna as vendas do Brasil para o exterior menos rentáveis, estão lucrando com a perda de valor da moeda.
Desde 2008, para reduzir a entrada de dólares e a pressão sobre o câmbio, o BC liberou o exportador da obrigação de trazer esse recurso para o mercado interno.
Dessa forma, essas empresas podem usar o dinheiro para fazer pagamentos, de importações ou dívidas, investimentos ou até aplicações no exterior.
Em 2010, a entrada de dinheiro no país por meio de exportações ficou 12,5% abaixo do valor efetivamente exportado. Essa diferença passou de US$ 8 bilhões em 2009 para US$ 24,7 bilhões.
José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), diz que o aumento nas operações de comércio exterior, sozinho, não justifica uma elevação tão grande nesses depósitos.
BANCOS — Parte desses recursos, segundo ele, estaria sendo direcionada para aplicações no próprio país via bancos.
Nessa operação, a empresa deposita o dinheiro no banco no exterior. A instituição traz o recurso para o Brasil e vende os dólares (geralmente para o BC).
Pode repassar os reais ao mesmo exportador, como um empréstimo dentro do país, ou aplicá-los.
Empresas e bancos ganham com os juros maiores no Brasil e também com o câmbio, pois há expectativa de desfazer a operação com um dólar mais barato, situação em que a empresa precisará comprar menos dólares para pagar o empréstimo.
Além disso, futuramente, em um cenário de alta do dólar, o dinheiro que ficou lá fora voltaria via exportação, trocado por mais reais.
Há coincidência nos dados do BC. O valor que deixou de entrar em 2010 na exportação é quase o mesmo que veio via operação financeira.
"O dinheiro está vindo por outro caminho. Os exportadores descobriram uma forma de manter o dólar lá fora e rentabilizá-lo a juros brasileiros, dividindo com os bancos esse resultado", diz Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO.
TRIBUTAÇÃO — Esse movimento já foi percebido pelo governo, que aumentou a tributação sobre investimento estrangeiro em títulos públicos em 2010 e, na semana passada, adotou uma medida para forçar os bancos a reduzir a especulação com a moeda.
Desde 2008, houve aumento na abertura de contas e no volume de depósitos de empresas brasileiras no exterior, segundo Oswaldo Parreh dos Santos, gerente no Exterior do Banco do Brasil.
Segundo ele, o movimento está ligado ao aumento de despesas fora do país e à administração mais eficiente do caixa externo das empresas.
"As empresas trazem os recursos só quando necessário e de forma a manter os volumes de caixa na relação adequada às necessidades e às condições cambiais." (Folha)

Concorrência derruba as taxas de cartões para lojistas em até 40%

Ritmo de queda das taxas após novas regras para o setor vem surpreendendo analistas, que esperavam um movimento de redução mais gradual

Com o aumento da concorrência no setor de cartões, os lojistas estão conseguindo renegociar com as empresas e as taxas cobradas por transação realizada pelos consumidores com este meio de pagamento estão caindo. A queda está surpreendendo analistas, que já preveem redução das receitas e dos lucros da Cielo e da Redecard, as duas maiores credenciadoras de estabelecimentos comerciais.

A Agência Estado apurou que algumas grandes redes conseguiram redução de até 40% nas taxas, como é o caso da Pague Menos, uma das maiores redes de drogarias do Brasil. Para a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as taxas devem continuar recuando, conforme a competição aumente e novas empresas passem a operar no mercado.

O presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior, destaca que, desde a abertura do mercado de credenciamento, em julho de 2010, alguns lojistas estão conseguindo isenção na locação das máquinas e redução de até 35% na taxa por transação. Segundo ele, essa taxa média, que variava de 3% a 5% antes do fim da exclusividade da Cielo e Redecard, está, atualmente, entre 2,5% e 4,5%. Essa variação ocorre de acordo com a característica dos estabelecimentos comerciais. A expectativa de Pellizzaro Júnior é de que a taxa média recue para o intervalo de 1,5% a 2,5%.

As renegociações das taxas se intensificaram no quarto trimestre de 2010, puxadas pelas grandes redes varejistas. Os resultados efetivos só devem ser conhecidos a partir de fevereiro, quando a Redecard e a Cielo divulgam seus resultados financeiros. Em uma reunião com analistas de mercado em dezembro, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, já antecipou que os resultados da empresa viriam piores no quatro trimestre por conta das renegociações dos contratos com grandes varejistas. Procuradas, Cielo e Redecard não se pronunciaram sobre o assunto, por estarem em período de silêncio.

Exclusividade — Segundo fontes, a drogaria Pague Menos obteve redução de até 40% nas despesas com os serviços de cartão de crédito – taxas de desconto, antecipação de recebíveis e aluguel de equipamentos – após fechar um contrato de exclusividade com uma grande credenciadora. Em 2009, a Pague Menos foi a varejista com o maior faturamento do ramo farmacêutico do País e a segunda em número de pontos de venda. Procurada, a empresa preferiu não se pronunciar sobre este assunto.

Os analistas do Goldman Sachs Carlos Macedo, Jason Mollin e Wesley Okada esperavam que as taxas cobradas dos lojistas fossem caindo lentamente. Mas a redução veio acima do esperado, por conta da renegociação com grandes varejistas.

Após se reunirem com executivos do setor e das duas empresas credenciadoras, os analistas do Goldman preveem nova rodada de baixas nas taxas, até porque o movimento ainda não ocorreu com força em redes menores.

A redução das taxas é "uma briga histórica" dos supermercados com as credenciadoras, afirma o vice-presidente e diretor de comunicação da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Orlando Morando.

Segundo ele, os porcentuais cobrados chegaram a equivaler a 4,5% dos valores transacionados, sobretudo nos pequenos comércios. "Isso era maior que o resultado líquido das nossas operações, que fica na faixa dos 3%", diz Morando, acrescentando que as taxas, atualmente, situam-se na média dos 3%, considerando a média entre os associados da Apas. No entanto, entre os pequenos comércios podem variar ainda entre 3,5% a 4%. (Estado)

Crescem pressões por alta mais acentuada dos juros

A piora considerável do cenário inflacionário nas últimas semanas amplia o peso da decisão que será tomada amanhã pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em sua primeira reunião no governo Dilma e com o Banco Central (BC) sob o comando de Alexandre Tombini. O relatório Focus já aponta previsão de um IPCA de 5,42% neste ano, acima do centro da meta de 4,5%.

Há consenso no mercado de que o BC deve elevar o juro básico amanhã de 10,75% ao ano para 11,25% ao ano. Mas cresce o número de economistas que defendem um aperto maior, de até 2,75 pontos ao longo do ano. A curva de juros futuros, que responde mais rapidamente aos dados conjunturais, já projeta um aperto monetário maior, com alta de 0,75 em março.

Depois de uma trégua em dezembro, os preços agropecuários voltaram a subir no atacado nos primeiros dez dias de janeiro. No IGP-10 deste mês, divulgado ontem, as cotações desses produtos subiram 0,6%, bem acima do nível de dezembro. O movimento reflete principalmente a renovada pressão sobre as commodities agrícolas, como café em grão, milho, trigo, açúcar e algodão. O café, por exemplo, teve alta de 8,63% em um mês. O impacto das chuvas neste começo do ano, que afeta os alimentos in natura, foi pequeno, porque esses produtos têm peso bem menor no atacado.

Para complicar o cenário, algumas commodities industriais também retomaram a alta. O preço do minério de ferro no mercado à vista subiu de US$ 170,1 a tonelada no fim de dezembro para US$ 180,8 a tonelada ontem. Ou seja, uma alta de 6,4% nesse curto período, com impacto nos custos industriais. E os analistas preveem que a cotação pode chegar a US$ 200 a tonelada em fevereiro, caso a demanda mundial continue crescendo por conta das compras antecipadas das usinas chinesas.

O carvão metalúrgico, que tem problemas de oferta em razão das inundações na Austrália, também subiu. Com a interrupção do fornecimento australiano, o preço do carvão chinês de alta qualidade já subiu de US$ 299 a tonelada para US$ 323 - uma elevação de 6%. Como o carvão é um importante insumo na produção siderúrgica, os preços do aço acompanharam a alta. Nos últimos dois meses, a elevação acumulada já alcança 35% no mercado internacional. (Valor)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O constrangedor salário mínimo de R$ 545,00

UGT considera constrangedor mínimo de 545,00

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) vem a público manifestar seu repúdio ao salário mínimo de R$ 545,00 anunciado pelo ministro Guido Mantega.

Sabíamos que não seria fácil suceder o presidente Lula no compromisso e vinculação com a classe trabalhadora brasileira, mas assinar o mínimo de R$ 545,00, que humilha os trabalhadores da ativa (que ainda sobrevivem com esse valor) e os aposentados e pensionistas é comprometer as iniciativas sociais do governo do presidente Lula.

O presidente Lula tinha um compromisso com a classe trabalhadora e confirmou quando contra tudo e contra todos adotou a isenção fiscal de automóveis, linha branca e material de construção civil.

O ex-presisdente Lula garantiu uma das maiores valorizações do salário mínimo e conseguiu que a crise que abateu sobre a Europa e os Estados Unidos se tornasse uma "marola" em nosso país.

Com o salário mínimo de R$ 545,00, o governo abre a guarda e não reafirma seu compromisso com o trabalhador, mantidos nos oitos anos do ex-presidente Lula. É por essa razão que no dia 18, em defesa do salário minimo de R$ 580,00 e pela correção da tabela do Imposto de Renda, os trabalhadores vão fazer uma grande manifestação na avenida Paulista. (Ricardo Patah, presidente nacional da UGT)

Leia o clipping do dia:

Governo vai elevar salário mínimo de 2011 para R$ 545

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse há pouco que o governo vai alterar o valor do salário mínimo previsto para 2011, de R$ 540 para R$ 545. Segundo ele, o valor de R$ 540, anunciado no fim de 2010, foi fixado com base em uma estimativa de inflação para o mês de dezembro.

“Como o índice efetivo foi maior que o estimado, corrigimos o valor de R$ 540 para R$ 543. Mas, para evitar problemas de saque no caixa eletrônico, arredondamos para R$ 545”, explicou Mantega em coletiva após a reunião ministerial.

O novo valor do mínimo entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro. Não haverá reajuste retroativo a janeiro para evitar transtornos aos empregadores.

Mantega contou ainda que o governo baixará medida provisória para consolidar uma política de reajuste do salário mínimo, com base no critério atual, de inflação mais a variação do PIB do ano anterior. A nova política valerá para o período de 2011 a 2015.

“Com base nessa política, o trabalhador terá um aumento expressivo no ano que vem, de 13% a 14%, tendo como base o PIB de 7,5% de 2010 mais a inflação”, frisou Mantega. (Valor)

BC acaba com exclusividade de bancos no crédito consignado
Órgãos públicos e empresas não podem assinar contratos desse tipo ao repassar folha de pagamento. Associação de bancos diz que exclusividade feria regras do sistema financeiro e causava prejuízo ao trabalhador.
O Banco Central proibiu a assinatura de novos convênios entre bancos e empresas ou órgãos públicos prevendo exclusividade na concessão de crédito. A decisão afeta, principalmente, operações com desconto em folha, o crédito consignado.
A mudança, segundo o BC, facilita o acesso ao crédito, aumenta a competição entre os bancos e contribui para a redução dos juros.
Serão beneficiados servidores públicos e trabalhadores do setor privado. No caso dos aposentados, não muda nada, pois não há exclusividade entre bancos e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A proibição só vale, no entanto, para novos contratos. Nos convênios já assinados, a exclusividade continua.
Nos últimos anos, vários órgãos públicos e empresas privadas venderam suas folhas de pagamento para grandes bancos. Nessas vendas, ficava estabelecido que os funcionários só poderiam pegar empréstimos com desconto em folha na instituição em que se paga o salário.
Essa cláusula provocou uma migração desses negócios dos bancos pequenos e médios para grandes instituições financeiras, principalmente estatais.
Com isso, os bancos menores foram à Justiça. A principal disputa é pelo contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Banco do Brasil, instituição que detém 35% do consignado no país.
Nesse caso, a vitória da ABBC (associação dos bancos médios e pequenos) nas primeiras instâncias foi revertida no STJ (Superior Tribunal de Justiça), onde a ação ainda tramita.
O presidente da ABBC, Renato Oliva, disse que a decisão do BC reforça os argumentos da entidade de que a exclusividade fere as regras do sistema financeiro e prejudica o trabalhador. Por isso, a disputa deve continuar. "É um passo importante. O BC se posicionou e percebeu que a exclusividade impede a concorrência."
O BB, que já havia abandonado a política de fechar contratos de exclusividade por conta das contestações, já aguardava a medida.
O vice-presidente de Negócios de Varejo do BB, Paulo Caffarelli, diz que o banco não vai alterar as cláusulas dos 12 convênios já assinados. "Vamos manter os contratos porque pagamos por aquilo e estávamos dentro das normas do BC", afirmou.
Caffarelli disse também que o banco não vai perder mercado por conta da decisão, pois oferece taxas competitivas para esses clientes.
O consignado é um tipo de empréstimo que tem como garantia o próprio salário do trabalhador. Isso torna o risco de inadimplência muito baixo e leva à cobrança de uma taxa de juro menor.
A taxa média hoje é de 26% ao ano, abaixo dos 57% cobrados nas operações de crédito pessoal que não contam com a mesma garantia.
Esse segmento responde hoje por 60% do crédito pessoal no país. Aposentados e servidores públicos representam 86% desses empréstimos, segundo dados do BC. (Folha)

Mercado prevê longo ciclo de juro alto

Economistas apostam que o Banco Central iniciará esta semana uma série de altas na taxa Selic até chegar a 12,2% ao ano em dezembro.

O novo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, enfrenta logo no início do mandato o duro desafio de trazer a inflação oficial do País de volta para a meta de 4,5% ao ano. Em 2010, o IPCA subiu 5,91%. O primeiro passo nessa direção deverá ser dado nesta semana, quando ele comandará sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

No encontro, que começa terça e termina quarta-feira, Tombini e seis diretores do BC vão definir o novo nível da taxa básica de juros (Selic). Há um consenso no mercado de que a taxa será reajustada. A aposta é de elevação de 0,50 ponto porcentual, para 11,25% ao ano.

O próprio BC, em seu mais recente Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro, não poderia ter sido mais explícito. "No regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções (do mercado e do próprio BC), sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros", diz parte do texto que abre o documento.

A provável alta fará o Brasil ficar ainda mais atrativo para os investidores internacionais, porque aumentará a já enorme diferença entre os juros aqui dentro e no exterior. A Selic é a mais alta taxa básica do mundo, tanto em termos reais (cálculo que desconta a inflação) quanto nominais. Nos países desenvolvidos, os juros estão próximos de zero.

Os analistas não têm certeza apenas sobre a elevação da Selic agora. Cravam que o BC vai continuar puxando o juro durante boa parte de 2011. A maioria avalia que a taxa irá até 12,25% ao ano e ficará nesse nível até dezembro.

Mas há apostas para todo os gostos. Os analistas do banco Credit Suisse, por exemplo, acreditam em um ciclo total mais longo e maior, que culminaria com a Selic em 13,50% no fim do ano. Na outra ponta, o Banco Fator vê espaço para uma queda da taxa já no segundo semestre, encerrando 2011 em 11,25% (apenas 0,50 ponto acima do nível atual).

Pressões — A inflação no Brasil está pressionada e deve continuar assim, na melhor das hipóteses, até o fim do primeiro trimestre. Há uma série de fatores que embasa essa avaliação: a alta das commodities e dos produtos in natura (verduras, legumes e frutas), a persistente inflação no segmento de serviços e o provável fim da valorização do real.

Para alguns analistas, a situação é tão preocupante que eles não descartam a hipótese de o IPCA de 2011 estourar o teto da meta (6,5%). "A inflação alta na partida do ano (os 5,91% acumulados em 2010) faz com que um eventual choque na economia a leve para cima da banda superior da meta", diz o economista-chefe da JGP Gestão de Recursos, Fernando Rocha.

A má notícia para o País é que os riscos desses choques crescem a cada dia neste começo de 2011. As chuvas no Sudeste têm levado a fortes altas dos preços dos produtos in natura. Na semana passada, a medição semanal do IPC-Fipe mostrou que a alface subiu 25% em um mês.

No exterior, as commodities alimentícias (como soja e milho) mantêm-se pressionadas, a exemplo do que ocorreu em grande parte de 2010. O Índice CRB Food, que sintetiza em um único indicador a evolução dos preços agrícolas, avançou quase 15% nos últimos 45 dias.

Além disso, a economia brasileira ainda é muito indexada. Como em 2010 indicadores que corrigem vários preços avançaram fortemente (caso do IGP-M, que subiu 11,32% e serve de base para o reajuste do aluguel), é de esperar que tenham impacto sobre o IPCA de 2011.

Esses fatores conjunturais juntam-se a pelo menos outros dois estruturais. Como lembra o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o câmbio deixará de ter no governo Dilma a contribuição positiva para a inflação que beneficiou Lula em seus dois mandatos. Vale lembrar que o dólar saiu da faixa de R$ 3,50 no início de 2003 para a casa de R$ 1,70 em dezembro de 2010. "Hoje, praticamente não há espaço para nova valorização expressiva do real", comenta Gonçalves. Sexta-feira, a moeda fechou a R$ 1,686.

O outro fator estrutural é a inflação dos serviços. Esse é um segmento da economia que retrata o comportamento da demanda. Afinal, não é possível importar cabeleireiro, manicure, tintureiro, marceneiro etc. A competição entre esses profissionais é somente interna. (Etado)

FGTS tem o pior rendimento em 43 anos

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) teve, em 2010, o pior rendimento desde a sua criação, há 43 anos. A correção no período foi de 3,6189%, somando o juro de 3% anuais mais a Taxa Referencial (TR), que é usada na atualização do fundo e ficou em 0,6009%.

Esse rendimento ficou abaixo da inflação, que acumulou 5,92% no ano passado, de acordo com o Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pesquisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso mostra que como aplicação financeira, o fundo teve uma perda de R$ 4,9 bilhões para a inflação.

Os cálculos são do Instituto FGTS Fácil, que defende a substituição da TR por um índice de inflação como o IPCA para que seja feita a atualização monetária do fundo. Caso o rendimento usasse o indicador inflacionário do IBGE, esse seria de 8,7981%, que mostra uma perda de R$ 15,3 bilhões na comparação com o que o FGTS teve de rendimento em 2010.

"O rendimento do FGTS perde até para a poupança, que usa a TR também como fator de correção", afirma Mario Avelino, presidente do Instituto. A caderneta rende 6,17% mais TR. "O trabalhador contribui socialmente com metade da poupança por deixar de ter uma correção maior para o fundo", completa.

O FGTS passou a ser corrigido pela TR desde 1990 durante a gestão de Fernando Collor como um índice para atualizações monetárias. Até 1999 ele rendeu mais do que a inflação, o que beneficiava o fundo e as cadernetas de poupança, mas prejudicava quem tinha financiamento para a compra de casa própria que usava a taxa para corrigir as parcelas. Porém, a partir desse ano foi adotado um redutor para a taxa referencial, o que o fez perder sua rentabilidade.

Segundo o Instituto, as perdas geradas pela TR de 2002 a 2010 em relação ao IPCA são de R$ 72,7 bilhões, o equivalente a 37,30% de redução nos ganhos.

De acordo com Avelino, a forma para os trabalhadores reaverem essa perda é entrar na Justiça contra a Caixa Econômica Federal - que é quem administra o fundo - para pedir a correção da aplicação da TR.

No Senado e na Câmara do Deputados tramitam projetos de lei para mudar o rendimento do FGTS. Uma dessas matérias é de 2008 e pede a substituição da TR pelo IPCA, além da progressividade de taxa de rendimento de 3% para 6%, como ocorria até 1971. O texto já foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais no Senado e atualmente está parado na Comissão de Assuntos Econômicos.

Controle — A partir do dia 17, o trabalhador poderá acompanhar o saldo de seu FGTS e os depósitos feitos pela empresa que trabalha. O Instituto FGTS Fácil (www.fgtsfacil.org.br) vai oferecer a ferramenta que garantirá o acesso aos dados do fundo, chamado de Sistema FGTS de Saldo Devido. (Jornal da Tarde)

Inflação para a 3ª idade marca 2,46% no 4º trimestre e 6,27% em 2010

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) avançou para 2,46% no quarto trimestre de 2010, após ter registrado leve alta de 0,05% no terceiro trimestre, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Nos 12 meses do ano passado, o índice que mede a variação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos de idade, registrou elevação de 6,27%, superando a alta de 6,24% verificada pelo IPC-BR no mesmo período, nota a FGV.

Todas as sete classes de despesas analisadas pela FGV tiveram aceleração entre o terceiro e o quarto trimestres de 2010. As mais expressivas ocorreram nos grupos Alimentação (de -1,27% para 5,15%), motivado pelo comportamento de hortaliças e legumes (de -20,31% para 0,18%), e Vestuário (de -0,87% para 2,39%), que reflete o item roupas (de -1,20% para 2,52%).

O IPC-3i também registrou elevação nos grupos de Transportes (de 0,33% para 2,23%) -impulsionado pelo item gasolina (de -0,31% para 2,52%) -, Educação, Leitura e Recreação (de 0,05% para 1,87%) - refletindo o item passagem aérea (de -6,01% para 16,31%) - e Despesas Diversas (de 0,33% para 0,85%) - influenciado pelos preços da cerveja (de -1,89% para 9,12%).

Os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,05% para 1,22%) e Habitação (de 0,85% para 0,88%) registraram ritmo de alta mais moderado, sob influência dos componentes plano e seguro saúde (de 1,49% para 1,87%) e aluguel residencial (de 0,68% para 1,58%), respectivamente. (O Globo)