quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UGT presente na reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional pressiona por pauta de interesse da classe trabalhadora

UGT acompanha reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional

Por Marcos Afonso Oliveira, diretor nacional de comunicação da UGT

Presenciamos a reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional atentos à renovação expressiva da Câmara dos Deputados, à posse do nosso vice-presidente da UGT Roberto Santiago, reeleito pelo PV, e fomos dar um abraço especial no Senador dos Trabalhadores, nosso amigo Paulo Paim, que colocou, mais uma vez, seu mandato à disposição dos trabalhadores brasileiros. As tarefas que temos pela frente são grandiosas e urgentes. No Senado, aguardamos a regulamentação de várias profissões, inclusive a de comerciário. Na Câmara, já começaremos em Fevereiro a pressionar pela mudança da atual politica do salário mínimo pois não aceitamos os R$ 545,00 oferecidos pelo governo Dilma. Está na pauta da classe trabalhadora também a derrubada do Fator Previdenciário e a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução dos salários. Ou seja, o ano promete. E vamos contar com o vigor de uma bancada renovada e vamos insistir para que tanto deputados e senadores votem pelo Brasil, pela expansão da renda dos brasileiros e pela redução vergonhosa da nossa concentração de renda.

Leia o clipping do dia, por favor:

Número de formandos em cursos que preparam docentes cai 50% em 4 anos.

Queda entre 2005 e 2009 atinge os que concluíram cursos de Pedagogia e Normal Superior.

O número de formandos nos cursos que preparam docentes para os primeiros anos da educação básica - como Pedagogia e Normal Superior - caiu pela metade em quatro anos, segundo os últimos dados do Censo do Ensino Superior, realizado anualmente pelo MEC. De 2005 a 2009, os alunos que concluíram essas graduações foram de 103 mil para 52 mil, o que comprova o desinteresse dos jovens pela carreira.

Houve queda também nos graduandos em cursos de licenciaturas, que preparam professores para atuar no ensino médio e últimos anos do fundamental - em 2005 foram 77 mil, contra 64 mil em 2009. No mesmo período, o total de concluintes do ensino superior no País cresceu de 717 mil para 826 mil.

Ao mesmo tempo em que o Brasil forma menos professores, o número dos que estão em sala de aula sem diploma vem crescendo. Em 2009, docentes sem curso superior somavam 636 mil nos ensinos infantil, fundamental e médio - cerca de 32% do total. Em 2007, eram 594 mil.

Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, a queda na quantidade de formandos é "preocupante". "Os municípios se preparam para ampliar o número de matrículas para crianças de 4 e 5 anos, que se tornarão obrigatórias em 2016. Isso projeta um cenário de falta de docentes", afirmou.

Especialistas em ensino alertam que o Brasil já enfrenta um déficit de professores nas redes públicas. "Muitos desses formandos preferem seguir na área acadêmica, ir para colégios particulares ou atuar em outras áreas, onde ganham mais. Eles não vão para as escolas públicas", diz Mozart Ramos Neves, membro do movimento Todos Pela Educação.

Para reverter o quadro e trazer mais jovens para o magistério, Neves aponta três medidas. "Precisamos de um salário inicial atraente para o jovem, ter uma carreira promissora e dar boas condições de formação e de trabalho", recomenda. "Enquanto não houver um pacto nacional pela valorização do professor, não resolveremos o problema."

A coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcia Malavasi, diz que a desvalorização do magistério tem feito muitos docentes abandonarem a carreira e muitos jovens desistirem antes mesmo de entrar na faculdade. "Ao procurar informações sobre a profissão e conversar com quem atua na área, os jovens não têm ouvido boas recomendações e se desmotivam", afirma.

Márcia também diz que os alunos, de forma geral, acabam prejudicados pelo fenômeno. "O professor que está em sala deixa claro que não gostaria de estar lá - e mesmo assim o aluno precisa se submeter. Isso cria um ambiente desfavorável ao aprendizado", explica.

A coordenadora lembra, porém, que existem exceções. "Professores em algumas escolas particulares têm bons salários e se sentem valorizados."

Plano B. Quem entra no curso de Pedagogia, além do amor pela sala de aula, costuma ter também um plano alternativo de carreira. É o caso de Regiane Ferreira, de 22 anos, que cursa o último ano de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Assim que me formar, vou tentar um mestrado. Quero seguir a carreira acadêmica", conta. "Vou tentar conciliar a pós-graduação com dar aulas na rede municipal de Marília, mas, se não der, posso pedir uma bolsa."

Músico profissional, Welington das Neves Moreira, de 53 anos, terminou há um semestre o curso de Pedagogia e diz estar animado para tentar um concurso e dar aulas na rede pública de São Paulo. "Sei que não é uma carreira fácil, mas tive boas experiências nos estágios. Se não der certo, continuo tocando." (Estadao)

Com apoio de 21 partidos, Marco Maia é eleito novo presidente da Câmara

Petista que recebeu 375 votos diz ter orgulho da 'aliança'; aliados avaliam que será preciso mapear focos de insatisfação na base.

A eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara, na noite desta terça-feira, 1º, deu uma vitória para a presidente Dilma Rousseff ao mesmo tempo em que acendeu uma luz amarela na relação com a base. A operação montada pelo governo para eleger Maia não conseguiu evitar que o deputado Sandro Mabel (PR-GO) mantivesse sua candidatura e obtivesse mais de cem votos na disputa. O placar registrou 375 votos para Maia, 106 votos para Mabel, 16 votos para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e 9 para o candidato Jair Bolsonaro (PP-RJ). Foram 3 votos em branco.

"Não há razão para essa quantidade de votos. São questões indecifráveis", afirmou um influente petista. O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, amenizou. "Mabel é um deputado da base aliada e tinha uma proposta mais ampla do que só representar alguma insatisfação", observou.

Aliados de Dilma avaliam que será necessário identificar as insatisfações dos deputados para evitar surpresas futuras. Mesmo com a vitória tranquila de Maia em primeiro turno, setores da base manifestaram no início dos trabalhos legislativos sinais de parcial infidelidade.

O governo esperava uma votação maciça no candidato oficial, principalmente, por ele ter a seu lado diversas condições favoráveis - a força da presidente em início de mandato, o apoio formal de 21 dos 22 partidos com representação na Casa, incluindo a oposição, e a "obediência" dos deputados novatos.

Ao contrário, Mabel não teve sustentação nem de seu próprio partido. Ele entrou na campanha na metade do mês passado, resistiu às pressões do governo e está ameaçado de ser expulso da legenda por ter mantido sua candidatura mesmo depois de desautorizado pela direção do PR.

Expulsão. O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), anunciou um prazo até as 10 horas desta quarta-feira, 2, para Mabel pedir desfiliação do partido. Caso contrário, a Executiva deverá abrir um processo disciplinar para a expulsão do parlamentar, ex-líder do partido na Câmara.

Mabel lançou seu nome na esteira da insatisfação de deputados da base, principalmente com a falta de compromisso do Palácio do Planalto com a liberação do dinheiro das emendas feitas pelos parlamentares ao Orçamento da União e com a distribuição de cargos no Executivo.

O deputado fez uma campanha praticamente solitária e de certa forma silenciosa, sem declarações públicas de apoio. Ele apostou na traição permitida pelo voto secreto.

Durante todo o dia, petistas e principais aliados de Dilma consideravam que seria uma derrota caso Mabel conseguisse chegar a 100 votos.

O número de votos dos outros dois candidatos era previsível. O PSOL lançou o deputado Chico Alencar para se contrapor às candidaturas dos dois governistas e marcar posição na defesa da soberania, autonomia, transparência e ética para a Casa.

"Nossa proposta para a Câmara não é corporativista, não queremos construir prédio de gabinetes. Queremos aprovar o fim do trabalho escravo, o fim do voto secreto no Parlamento. Queremos a destinação de 10% do Produto Interno Bruto para a educação e temos propostas de transparência e de ética para a Câmara", afirmou o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP).

O partido tem apenas três deputados e uma atuação diferenciada na Câmara. Foi o único dos 22 partidos que não se juntou em bloco parlamentar para buscar mais espaço. (Estado)

Dívida pública federal sobe 13% em 2010 e fica em R$ 1,694 trilhão

A dívida pública federal encerrou 2010 em R$ 1,694 trilhão. Somente em dezembro, o estoque teve um crescimento de quase R$ 28 bilhões (1,66%). Já no ano, o endividamento sofreu uma elevação de nada menos que R$ 196,6 bilhões, ou 13,13%, sobre o R$ 1,497 trilhão de 2009. Com o resultado, o governo conseguiu cumprir a meta fixada no Plano Anual de Financiamento (PAF), que previa um estoque entre R$ 1,6 trilhão e R$ 1,73 trilhão para o ano passado.

Segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Tesouro Nacional, a dívida subiu em dezembro devido a uma emissão líquida de títulos no valor de R$ 11,04 bilhões e a uma incorporação de juros de R$ 16,65 bilhões.

O governo também conseguiu cumprir as metas do PAF para a composição da dívida. A parcela corrigida pela taxa Selic, por exemplo, fechou 2010 em 30,8% do estoque, sendo que previsão era de um intervalo entre 30% e 34%. A parcela prefixada ficou em 36,6% para uma meta entre 31% e 37%. Já a parte da dívida atrelada a índices de preços ficou em 26,6% (para uma previsão entre 24% e 28%), enquanto a dívida corrigida pelo câmbio encerrou 2010 em 5,1% para uma previsão entre 5% e 8%.

A meta relativa aos vencimentos não foi integralmente cumprida. A fatia da dívida com vencimento no curto prazo (12 meses) encerrou 2010 em 23,89%, sendo que a meta era de um intervalo entre 24% e 28%. Já o prazo médio do estoque terminou o ano em 3,53 anos, sendo que o objetivo do Tesouro era que esse prazo ficasse entre 3,4 e 3,7 anos.

Necessidade de financiamento para 2011 — A presidente Dilma Rousseff poderá terminar seu primeiro ano de mandato com uma dívida pública federal (em títulos) de R$ 1,93 trilhão. O endividamento fechou 2010 em R$ 1,694 trilhão e, segundo o PAF, deve encerrar este ano num intervalo entre R$ 1,8 trilhão e R$ 1,93 trilhão.

Segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin, a elevação do estoque faz parte da estratégia do governo para rolar sua dívida, elevando a parcela de títulos prefixados e atrelados a índices de preços, que pois sofrem menos com as turbulências do mercado e com os aumentos da taxa Selic.

Ele admitiu, no entanto, que a projeção também contempla eventuais emissões para capitalizar o BNDES e para ajudar o Banco Central a reduzir a liquidez no mercado:

- É importante que a atuação do Tesouro Nacional seja voltada não apenas para os fundamentos fiscais, mas também para ajudar na política monetária. Lançar mais títulos públicos é menos trabalho para a política monetária. Podemos a ajudar o Banco Central a enxugar a liquidez (e reduzir a pressão sobre a demanda).

O secretário comemorou os resultados da dívida pública em 2010. Ele destacou que a parcela da dívida corrigida por títulos prefixados fechou o ano passado em 36,6% do estoque, maior resultado já registrado na série histórica do Tesouro iniciada em 1990. (O Globo)

Crédito imobiliário: limite de empréstimo com FGTS pode subir para R$ 170 mi

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que representa os grandes bancos, e o governo travam uma queda de braço sobre a elevação do valor dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida. O Conselho Curador do FGTS, de onde saem os recursos, deve aprovar nesta quarta-feira o aumento do teto de R$ 130 mil para R$ 170 mil nos grandes centros urbanos, não só para o programa, mas para todas as linhas do Fundo.

Para a Abecip, isso tornará ainda mais atraentes os empréstimos do FGTS, cujos juros anuais máximos são de 8,16%, contra 12% da poupança. Por isso, o grupo propôs subir de R$ 500 mil para R$ 750 mil o valor do imóvel financiado pela caderneta. Na reunião do grupo técnico do Conselho, semana passada, a Abecip alegou que o FGTS deveria ser restrito à habitação social, para imóveis de até R$ 80 mil, segundo interlocutores.

O pano de fundo é uma disputa entre a Caixa Econômica Federal, praticamente o único operador do FGTS, e os agentes privados. Estes nunca se interessaram pelos financiamentos do Fundo, limitados a famílias com renda de até R$ 4.900 e com muita burocracia. O foco deles sempre foi a classe média alta.

Um executivo de um grande banco argumentou, porém, que a ampliação do limite só para o FGTS vai distorcer o mercado, beneficiando a Caixa. Os demais seriam prejudicados porque, pelas regras do BC, têm que aplicar 65% das captações da poupança em empréstimos imobiliários.

Defendem o aumento do teto, Caixa, Ministério das Cidades e o setor da construção civil, mas não há consenso na Fazenda e no Banco Central (BC). Teme-se que o resultado imediato seja a alta nos preços - um imóvel ofertado hoje por R$ 130 mil será remarcado para R$ 170 mil após a aprovação da medida. (O Globo)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tabela de Imposto de Renda sem correção é injustiça com a classe trabalhadora, diz Ricardo Patah

Trabalhadores se reúnem em ato para correção do IR

Hoje, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC realiza manifestação na portaria da Volkswagen - planta Anchieta (pátio de ônibus) - pela correção da tabela do IR (Imposto de Renda), a partir das 5h. A ideia é intensificar os atos sindicais já que amanhã (dia 2) as centrais se reunirão com o governo federal, em Brasília, para discutir os próximos passos das negociações.

Os trabalhadores reivindicam a correção da tabela do IR em 6,47%, além da elevação do salário-mínimo para R$ 580. "Os impostos pagos ao governo pela classe assalariada são muito altos. Isso é injusto", afirma o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah.

Ele explica que os trabalhadores tiveram conquistas importantes no ano passado. Por isso, aqueles que a renda foi reajustada em 2010 passam a se enquadrar nos pisos que obrigam o contribuinte a desembolsar mais dinheiro para quitar impostos. Se um contribuinte que antes era isento do pagamento - por receber até R$ 1.499,15 - e teve reajuste salarial, terá de contribuir com alíquota de 15% à Receita.

Para se ter ideia, segundo o vice-presidente da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, os assalariados tiveram aumento salarial de 8%, em média em 2010, o que contribui para arrecadação do fisco "desleal". "A parcela que a pessoa receberia a mais acaba sendo destinada ao recolhimento de impostos", enfatiza. Por conta disso, desde 2007 a tabela é corrigida anualmente em 4,5%.

O encontro tem apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UGT e NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores).

As entidades pedem que o governo de Dilma atenha a política de valorização do mínimo, conquistada durante o governo do ex-presidente Lula. (Diário do Grande ABC)

Posse dos deputados está marcada para as 10 horas

Os deputados federais eleitos para a 54ª legislatura (de 2011 a 2015) serão empossados hoje, às 10 horas, no Plenário Ulysses Guimarães. Está prevista a presença de cerca de 3.500 pessoas para a cerimônia, mas o acesso ao plenário é restrito.

Aberta a sessão, o presidente da Câmara, Marco Maia, convidará quatro deputados, de preferência de partidos diferentes, para servir de secretários, e proclamará os nomes dos deputados diplomados. Em seguida, haverá o juramento solene: "Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil".

Eleição
Logo após a posse, se iniciará a movimentação para a formação dos blocos parlamentares. A formação de blocos é que define a distribuição de cargos da Mesa Diretora e das presidências das comissões permanentes. Às 15 horas, com os blocos já definidos, haverá uma reunião de líderes para a escolha dos candidatos à eleição da Mesa Diretora, que se compõe do presidente, de dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes. A eleição está marcada para as 18 horas. (Agencia Câmara)

Indústria paulista volta à atividade da pré-crise

A indústria paulista de transformação fechou o ano de 2010 com alta de 9,9% o Indicador de Nível de Atividade (INA). Este foi o segundo melhor desempenho em oito anos, atrás apenas do de 2004 (13,2%). (DCI)

Pequenas e médias crescem com a formalização do emprego

Empresas que prestam serviço para os RHs de outras companhias veem faturamento dobrar com a criação de novas vagas.

O volume de empregos com carteira assinada criados em 2010 foi o maior dos últimos 18 anos no País. A notícia divulgada há uma semana pelo Ministério do Trabalho soa como música para um grupo de pequenas e médias empresas que depende diretamente desses números para crescer: seus principais clientes são os departamentos de recursos humanos de outras empresas.

Elas estão entre as primeiras da cadeia a se beneficiar e sentir os impactos da formalização do mercado de trabalho. "É um ciclo virtuoso que deve impulsionar esses negócios por um bom tempo", diz o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

O empresário Antônio Mouallen, de 34 anos, que nunca teve uma carteira assinada, é um dos que tem visto o faturamento se superar no mesmo compasso da formalização. Desde 2004, ele fornece vale transporte para funcionários de outras empresas. Mesmo concorrendo com grandes multinacionais como Ticket e Sodexo, a Benefício Fácil, de Mouallen, tem conseguido conquistar o seu espaço. Nos últimos três anos, a receita cresceu 150%, passando de R$ 49 milhões para R$ 129 milhões. "Com a economia aquecida, a tendência é que cresçamos ainda mais, porque o empregador é obrigado a oferecer esses benefícios aos seus funcionários", diz.

No primeiro ano de operação, a Benefício Fácil faturou R$ 264 mil, com 90 clientes e 15 funcionários. O escritório era uma sala improvisada no colégio de educação infantil que Mouallen abriu quando tinha 19 anos e ainda cursava pedagogia. Hoje, a empresa tem 85 funcionários e 5 mil clientes no País inteiro. Ele continua tocando a escola e com o lucro da Benefício Fácil investiu há sete meses num site de compras coletivas, o Oferta Única.

A maioria das empresas que se tornaram recentemente clientes da Benefício Fácil tem em média 35 funcionários. Num negócio que está começando, o próprio dono costuma providenciar o vale transporte dos funcionários, mas à medida que as contratações aumentam, a equipe passa a ser integrada por empregados de outras cidades. Cada município tem a sua regra para o transporte público e Mouallen se vale dessa confusão para aumentar a carteira de clientes.

Assim como o vale transporte, fornecer planos de saúde também são uma obrigação do empregador. Há dez anos no mercado, a MBS Seguros, especializada em fornecer esse tipo de benefício, registrou em 2010 o seu melhor desempenho. "Começamos o ano com 250 clientes e terminamos com 300", diz João Herreras, sócio diretor. "É um crescimento por tabela."

A carteira da MBS é formada por empresas prestadoras de serviços, como escritórios de advocacia e bancos de investimento. Nos últimos três anos, ele diz ter se beneficiado também com a corrida dessas empresas para reter mão de obra qualificada. "Na tentativa de atrair gente boa, os empregadores têm dispensado mais atenção a esses produtos."

A consultora do Sebrae SP, Sandra Fiorentini, diz que outros segmentos como o de uniformes e refeições coletivas também estão se aproveitando do crescimento da formalização para expandir os negócios. "Há muita oportunidade", diz. "Mas é preciso ter cuidado, porque a prestação de serviços para o segmento corporativo exige mais de planejamento porque o nível de exigência na qualidade costuma ser maior e os preço têm de ser mais baixos." (Estado)

Proer privado resgata Silvio Santos

BTG Pactual compra Panamericano por R$ 450 milhões e o resto da dívida, R$ 3,5 bilhões, é assumida pelo sistema financeiro brasileiro.

Um Proer privado evitou a quebra do Panamericano e salvou o patrimônio do empresário Silvio Santos. Ontem à noite, o BTG Pactual comprou a participação de Silvio no Panamericano por R$ 450 milhões. O dinheiro foi usado por Silvio para liquidar a dívida de R$ 4 bilhões que ele contraiu com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir dois rombos em seu ex-banco. O restante será absorvido pelo FGC, em nome da preservação do sistema financeiro nacional.

Não foi à toa que Silvio saiu sorrindo da sede do BTG Pactual após a assinatura do negócio, na noite de ontem. Em uma só tacada, ele quitou uma dívida de R$ 4 bilhões por pouco mais de 10% do valor. E mais: protegeu a maior parte de seu patrimônio, que engloba o SBT e a empresa de cosméticos Jequiti, entre outras. Em contrapartida, abriu mão do banco, unidade mais rentável de seu grupo.

A engenharia da operação é a seguinte: Silvio não foi pago em dinheiro, mas em recebíveis do BTG, de André Esteves, no valor de R$ 450 milhões. Repassou esses títulos para o FGC e liquidou a dívida que tinha por causa do Panamericano. Cabe agora ao BTG definir quando vai pagar o FGC. O banco de André Esteves tem até 2028 para fazer isso, pagando uma correção 13% ao ano. Se decidir levar a dívida até o prazo final, terá pago R$ 3,8 bilhões ao FGC.

Mas o BTG pode quitar a dívida quando quiser. Se, por exemplo, resolver liquidar o débito amanhã, o fará por R$ 450 milhões. Nesse caso, o FGC assumiria um prejuízo de aproximadamente R$ 3,5 bilhões. Se usar o prazo máximo, o FGC receberá daqui a 17 anos R$ 3,8 bilhões sem correção.

O FGC é uma entidade criada pelos bancos em 1995 (época em que o governo fez o Proer, para socorrer instituições em dificuldades) com objetivo de garantir parte dos depósitos em caso de quebra de algum banco. O dinheiro que sai do fundo precisa da aprovação dos principais banqueiros do País. O Estado apurou que eles ficaram aborrecidos com a situação, mas julgaram que deixar o Panamericano quebrar poderia criar uma crise de confiança no sistema. Em setembro, o FGC tinha um patrimônio total de R$ 26 bilhões.

Em setembro, o Banco Central (BC) descobriu uma fraude no Panamericano que resultou em um rombo de R$ 2,5 bilhões. O FGC emprestou o dinheiro a Silvio, que colocou todo seu patrimônio pessoal como garantia.

Em janeiro, a atual administração do Panamericano, indicada pela Caixa Econômica Federal (que tem e manterá 49% do capital votante do banco), descobriu que o rombo era cerca de R$ 1,5 bilhão maior, totalizando R$ 4 bilhões. Para viabilizar a venda e a continuidade das operações do Panamericano, o FGC fez um novo aporte, de R$ 1,5 bilhão.

A partir de hoje, o banco passa a ser dirigido por José Luiz Acar Pedro, sócio do BTG e ex-vice-presidente do Bradesco. (Estado)

Vice-presidente do Egito vai discutir reformas com a oposição

O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, afirmou hoje em pronunciamento pela tevê estatal, que o presidente Hosni Mubarak pediu a ele que inicie um diálogo com todas as forças políticas do país.

O objetivo é dar início a uma grande reforma constitucional e política, e assim atender às reivindicações feitas pela população em protestos nas ruas.

Novas emendas constitucionais deverão afrouxar a restrições para as eleições presidenciais, permitindo que novos candidatos concorram ao pleito, e assim, abrir espaço para a saída de Mubarak, que está no poder há 30 anos.

Suleiman pretende estabelecer com a oposição um cronograma para implementação das mudanças. (O Globo)