sexta-feira, 1 de abril de 2011

UGT acompanhará de perto acordo firmado entre trabalhadores, governo e empreiteiras das obras do PAC, Minha Casa Minha Vida e da Copa do Mundo

UGT faz parte da Comissão tripartite monitorará obras do PAC

Por Nilson Duarte, presidente da UGT-RJ

Em reunião que aconteceu ontem, 31 de março, no Palácio do Planalto em Brasília ficou acertado, entre outros itens, a criação de uma Comissão Tripartite para acompanhar, negociar e monitorar as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Minha Casa Minha Vida e de todas as obras em torno da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Participaram da reunião a UGT e mais cinco centrais sindicais, representantes das empreiteiras Oderbrecht, da Camargo Correia, da OAS e da Andrade Gutierrez e a advogada Renilda Cavalcanti, representando o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada. O governo federal estava representado pelo ministro Gilberto Carvalho.

No início da reunião a advogada tentou condicionar a criação da comissão tripartite ao encerramento das greves em andamento, o que foi prontamente rejeitado tanto pelo governo quanto pelas centrais sindicais.

As centrais sindicais apresentaram os seguintes itens para serem referendados pelo governo e pelos empresários em reunião agendada para o dia 14 de Abril às 10 horas:

1. Criação da Comissão Tripartite para acompanhar as obras do PAC, dos eventos esportivos e Minha Casa Minha Vida.

2. Definir os instrumentos e os processos de negociação tripartite assim como os pisos salariais e as condições de subcontratação das empreiteiras e, principalmente, eliminar os “gatos” na subcontratação de mão-de-obra;

3. Definir os processos de organização e os relacionamentos entre as partes;

4. Estabelecer a organização sindical nos canteiros de obras para monitorar os acordos firmados pela Comissão Tripartite

5. A formação profissional será dividida entre as empresas e o governo

6. Garantir à Comissão Tripartite o acesso aos financiamentos públicos das empreiteiras e condicionar tais financiamentos à adesão ao documento final criado pela Comissão, com penas e inclusive perda de contratos caso seus itens sejam desrespeitados.

7. Constituição de Força Tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego para fiscalizar os acordos estabelecidos.

Durante a reunião ficou acertado também que o Sistema S será o responsável pelo treinamento, sem custo para os trabalhadores. E que será colocado um fim à formação dos consórcios que terminam suas responsabilidades fiscais e trabalhistas com o fim das obras.

Leia, por favor, o clipping do dia:

DÍVIDA PÚBLICA — Pagamento de juros pelo governo bate recorde no primeiro bimestre.
O pagamento de juros da dívida pública foi recorde no primeiro bimestre da gestão Dilma Rousseff.
Os R$ 38,4 bilhões pagos por União, Estados, municípios e estatais foram os maiores para o período da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2001.
A alta da inflação e dos próprios juros estão entre os motivos desse aumento.
A taxa média da dívida está praticamente no mesmo patamar do início da gestão Lula, apesar de a taxa básica (Selic) ter caído pela metade.
Isso se deve à mudança no perfil da dívida brasileira. A parcela corrigida pela inflação, por exemplo, mais que dobrou e responde hoje por quase 35% dos juros pagos.
Houve também aumento na parcela da dívida corrigida pela Selic. Assim, apesar de a taxa ter caído, o governo tem uma dívida maior indexada a ela para pagar.
A economia do setor público para reduzir a dívida, o chamado superavit primário, cresceu um pouco menos que os juros no bimestre, mas teve melhora em relação aos últimos dois anos.
A poupança já representa 22% da meta de R$ 117,9 bilhões fixada para 2011, ante 15% em igual período de 2010.
No mês passado, o superavit primário foi de R$ 7,9 bilhões, recorde para meses de fevereiro. Estados e municípios economizaram juntos R$ 4,7 bilhões, maior montante desde 1991. (Folha)

Governo estuda taxar venda de minério

Ideia, apresentada a Dilma Rousseff, é forçar a Vale a investir mais na produção de aço; representantes da mineração criticam proposta.

O Palácio do Planalto determinou ao Ministério da Fazenda estudar uma forma de taxar fortemente a exportação de minério de ferro e desonerar o aço. A ideia é reduzir a venda da commodity e aumentar a comercialização de produtos siderúrgicos brasileiros no exterior. O objetivo por trás da medida é forçar a Vale a investir mais na produção de produtos de maior valor.

A equipe do ministro Guido Mantega está encarregada de "fazer as contas", para ver se é viável "calibrar" os tributos incidentes sobre os produtos. A decisão final só sairá depois que os cálculos forem feitos, mas a presidente Dilma Rousseff gostou da ideia, segundo relato de um interlocutor do Planalto.

Embora a proposta afete todo o setor de mineração, a iniciativa em gestação tem endereço certo e objetivo imediato: forçar a Vale a acelerar a construção da siderúrgica que será instalada no Pará. A medida nasce no mesmo momento em que o governo conclui o novo marco regulatório da mineração e tem como pano de fundo a disputa entre a mineradora e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em torno do valor da compensação que a Vale deve pagar pela exploração de minério.

Antes mesmo de ganhar os holofotes, a encomenda do Planalto foi duramente criticada por representantes da mineração ouvidos pelo Estado. "Isso é uma loucura. O Brasil é um país estranho. Os produtores de aço estão investindo em mineração e o governo quer forçar as mineradoras a investir em siderurgia. Não tem o menor sentido", disse uma importante fonte do setor.

Nem mesmo representantes da siderurgia brasileira acreditam que a taxação do minério possa trazer os resultados esperados pelo governo. "Tem um ruído nessa história de onerar o minério e desonerar o aço. Quando a gente fala em desonerar, tem de ser para a cadeia como um todo", disse o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. "A visão do setor é que não se deveria trabalhar com uma tendência de elevação do preço do minério. Isso já foi dito ao governo."

A tentativa de forçar as mineradoras a investir na produção e venda de aço - que é um produto mais caro do que o minério - está na agenda presidencial há anos. Um dos motivos de choques entre o ex-presidente Lula e o presidente da Vale, Roger Agnelli, era exatamente a demora da mineradora em aplicar recursos no setor siderúrgico. A gestão Dilma Rousseff tem a mesma visão e definiu como uma de suas prioridades "arrancar" da mineradora a construção da Alpa, siderúrgica que será construída em Carajás (PA), relatou uma fonte.

Se for concretizada, a proposta poderá trazer efeitos imediatos sobre a balança comercial, já que o minério de ferro é o principal item da pauta de exportações do País. Além disso, há um excedente mundial de produção de aço de 550 milhões de toneladas, um grande obstáculo às pretensões do governo. "A decisão de montar siderúrgicas não pode ser tomada por um caráter emocional e político. Deve considerar as razões econômicas do mercado", ponderou outra fonte. (Estado)

Jirau: obras da hidrelétrica só poderão ser retomadas se acordo for cumprido

A Justiça do Trabalho de Rondônia decidiu na noite desta quinta-feira, depois de inspeção no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, não embargar a construção que, no entanto, só poderá ser retomada no dia 11 de abril, se condições acordadas forem cumpridas. O acordo prevê indenização de R$ 500,00 para cada operário que teve seus pertences destruídos na rebelião, sem prejuízo de danos futuros, até a próxima quarta-feira. A montagem da lan-house e das farmácias deve ficar pronta até a próxima sexta-feira.

Além disso, a Camargo Corrêa, empresa responsável pelo empreendimento, terá que fazer a limpeza e pintura das áreas destruídas. Só estão permitidas obras de reconstrução do canteiro "Caso a empresa Camargo Corrêa atenda todos os prazos, a empresa estará liberada para retomar de forma gradual as suas atividades normais de produção a partir de 11 de abril de 2011, após inspeção por parte da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) a ocorrer no dia 8 de abril de 2011.", diz o acordo assinado pelas representantes da Camargo Corrêa, da Justiça, do Ministério Público do Trabalho e da SRT. (O Globo)

Foxconn aumenta salários para prevenir suicídios, mas ações caem

Embora produza alguns dos eletrônicos mais populares do mundo (como o iPhone), a Foxconn International (FIH) parece estar perdendo terreno nos mercados acionários. Nesta quinta-feira, as ações da companhia tiveram queda de 6%. A razão? Perdas maiores do que as esperadas, graças, principalmente, aos aumentos de salários de seus funcionários, revela matéria publicada no site do Financial Times. O maior investimento em remuneração foi necessário depois que, no ano passado, a empresa foi atingida por uma onda de suicídios de trabalhadores.

Mas a Foxconn International precisa voltar ao azul. A boa notícia é que a ''sacudida'' já está bem encaminhada. A má notícia é que ela está levando muito tempo. Assim como a Li & Fung, a Foxconn tem sido um dos principais beneficiários do 'Made in China ", modelo construído na produção de bens para exportação com mão de obra de baixo custo. Mas também como a Li & Fung, a empresa precisa se adaptar se quiser sobreviver à nova realidade criada por salários mais altos para os trabalhadores chineses.

A Foxconn fora atingida por uma onda de suicídios de trabalhadores no vasto complexo de Shenzhen - uma verdadeira cidade construída pela empresa onde milhares de trabalhadores dormiam, comiam, trabalhavam e faziam suas compras. Como resposta ao ocorrido, a empresa anunciou reajustes salariais e o fim do modelo de cidade-fábrica.

(Foxconn anunciou que dará os seus trabalhadores da linha de produção um aumento salarial de 30%. A empresa havia anunciado anteriormente que iria oferecer um aumento salarial de 20% para os trabalhadores chineses, que ganham um salário base mensal de 900 yuan, aproximadamente US$ 132. A Apple, uma das maiores clientes da empresa, recentemente classificou como perturbadores os suicídios no complexo, mas disse que os operários "não são explorados.)

Ambos os movimentos reduziram as margens de lucro já estreitas da empresa. E os altos preços das commodities contribuíram para isso. Como consequência, os preços das ações da companhia despencaram.

Um dos problemas da Foxconn International é que ele não pode fazer muito para aumentar as taxas cobradas dos clientes e, consequentemente, obter mais lucro. A maior parte dos seus bens são produzidos para exportação. Sendo assim, o aumento dos salários domésticos têm pouca influência sobre a capacidade dos clientes suportarem preços mais elevados.

Mas as coisas estão começando a acontecer, de acordo com a reportagem. A Foxconn foi pioneira em alguns aspectos - a começar pelo processo de mudança interior de anos atrás, quando os salários no sul e no litoral da China começaram a subir. Atualmente, a empresa está construindo enormes instalações em Sichuan e Henan, onde o trabalho deve ser significativamente mais barato. Estes mesmos planos poderiam transformar Shenzhen em um pólo de engenharia, ao invés de uma base de produção.

A automação também ajudaria. Substituir trabalhadores por robôs podem prejudicar as margens de lucro no curto prazo, mas pode ajudar a reduzir os custos operacionais a longo prazo. É fato que muitos fabricantes chineses optaram por uma maior automação desde que os salários começaram a subir.

Mas a paciência dos investidores está claramente se esgotando. Ações da Foxconn International (listadas na Bolsa de Hong Kong) caíram cerca 16% este mês e quase 60% desde o início de 2010. A empresa admitiu, na noite de quarta-feira, precisava tomar "ações decisivas" para voltar a lucrar. Seja lá o que tiver em mente, vai ter de se apressar. (Globo)

Governo anuncia a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa

Na noite desta quinta-feira (31/3), o Palácio do Planalto anunciou a publicação de uma edição extra do Diário Oficial da União que traz a criação de um projeto de lei que cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de Ministério. A proposta terá de ser apreciada pelo
Congresso, a quem caberá criar ou não a pasta.
O governo também anunciou as nomeações do ex-ministro Pedro Brito, para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), de Jaime César Oliveira, para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e de Bruno Sobral, para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os nomes constarão no Diário Oficial desta sexta-feira (1º/4) (Correio Braziliense)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Acordo do reajuste da Tabela do IR foi feito em torno da promessa de uma inflação de 4,5% ao ano, infelizmente já comprometida como já reconhece o BC

Perda do controle da inflação compromete nova tabela do Imposto de Renda

Mais uma vez os trabalhadores foram atropelados pelo discurso governamental e pelas açoes do Banco Central. Nos entendimentos que as centrais sindicais tiveram com a presidente Dilma Rousseff, ficou acordado que a tabela do Imposto de Renda seria corrigida pela inflação futura, estimada em 4,5%. E não pela inflação passada de 6,46%. Para dar sustentação ao acordo o governo prometeu a certeza de que a inflação não ultrapassaria a meta de 4,5%. Pois bem, fechado o acordo, reajustada a tabela de Imposto de Renda em 4,5%, eis que o BC vem com a conversa de que a inflação deve superar a meta anterior. Perdem os trabalhadores nos seus salários necessários para a sobrevivência, para pagar gastos com saúde, moradia, alimentação. Perdem os cidadãos brasileiros que perde a referencia e a confiança nas promessas de nossos governantes, que em menos de um mês deixa escapar ao controle o que era tido como certo. Numa coisa tão séria como a inflação que já consumiu em Janeiro 1,7% da renda dos trabalhadores e trabalhadoras.

Ricardo Patah, presidente nacional da UGT

BC vê crescimento menor com mais inflação em 2011
Relatório revê previsões e defende estratégia adotada para conter preços. Objetivo é reaproximar inflação da meta fixada pelo governo somente em 2012, evitando que a economia esfrie demais.
O Banco Central reduziu de 4,5% para 4% sua previsão para o crescimento da economia do país neste ano, como resultado das medidas adotadas desde o fim do ano passado para conter a expansão do crédito e a inflação.
A instituição afirmou ainda que poderá alcançar em 2012 a meta de inflação fixada pelo governo para este e o próximo ano, de 4,5%, sem que seja necessário aumentar novamente os juros.
O BC desistiu de trazer a inflação para perto desse objetivo neste ano. Dessa forma, será possível incorporar os efeitos da alta recente no preço das commodities, sem provocar forte desaceleração da atividade econômica.
A estimativa do BC para o IPCA, principal índice de preços do país, neste ano subiu de 5% para 5,6% -ainda dentro do intervalo de variação da meta, entre 2,5% e 6,5%. Para o ano seguinte, caiu de 4,8% para 4,6%, no cenário que considera manutenção de juros e do dólar.
O BC divulgou ontem seu Relatório Trimestral de Inflação, documento em que a instituição analisa o cenário econômico, revê projeções e discute sua estratégia para combater a alta dos preços.
"MAIS SUAVE" — O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, afirmou que, com a inflação hoje em 6%, a ação para conter a alta dos preços precisa ser "mais suave".
"O trabalho é para que a diferença seja a menor possível em 2011, para que a inflação convirja para a meta em 2012, que é para onde estamos olhando", disse.
Alguns analistas avaliam que os juros podem parar de subir em breve. O economista Eduardo Velho, da corretora Prosper, espera um último aumento da taxa básica em abril, de 11,75% para 12%.
O economista destaca que as previsões do mercado e do BC para o crescimento estão no mesmo nível, mas ainda há divergências sobre o comportamento da inflação.
"O mercado não acredita que essa desaceleração reduza a inflação para a meta desejada, mas a autoridade monetária trabalha com esse fator para cumprir a meta."
O diretor do BC atribuiu a divergência ao fato de parte do mercado duvidar que o governo será capaz de reduzir despesas e cumprir sua meta fiscal. Ele também acha que alguns analistas subestimam as medidas adotadas pelo BC nos últimos meses.
Além dessas medidas e dos cortes no Orçamento, o cenário externo também influirá no desempenho da economia e no comportamento da inflação.
RESTRIÇÕES — Para o BC, dados preliminares sobre o crédito no Brasil reforçam essa avaliação, mas o mercado avalia que é preciso mais restrições.
O crescimento menor da economia deve afetar mais a agropecuária e a indústria. O BC projeta impacto menor sobre o setor de serviços.
Também caiu a previsão para o consumo das famílias, principal alvo das medidas de restrição ao crédito. A queda dos investimentos, no entanto, será maior.
Os números do BC mostram que a alta dos juros no Brasil foi a maior num grupo de 27 países analisados. Em outra lista, com 14 países, o Brasil aparece com a segunda maior taxa de inflação acumulada até fevereiro, atrás apenas da Índia.
Questionado sobre o impacto do reajuste do salário mínimo e da tabela do Imposto de Renda no próximo ano, Hamilton afirmou que qualquer mecanismo de indexação da economia dificulta o combate à inflação e torna sua queda mais lenta. "Faz parte da nossa cultura." (Folha)

Pesquisa mostra que renda do trabalhador caiu 1,7% em janeiro
A inflação voltou a mostrar forte efeito sobre o poder de compra do trabalhador. Em janeiro, o valor médio da renda da população ocupada caiu 1,7%, para R$ 1.382. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Os números, calculados com base em sete regiões metropolitanas, mostram que entre os assalariados a perda foi menor, de 0,1%, com média em R$ 1.440.
Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) a maior redução do poder de compra foi dos autônomos, de 3,7%, com os ganhos ficando em R$ 1.176. A remuneração dos assalariados caiu 0,7%, para R$ 1.535. No total, a população ocupada teve uma perda de 2,8% na renda, para R$ 1.505.
O índice de desemprego médio nas regiões ficou praticamente estável em 10,5%, ante 10,4% registrados em janeiro.
Alexandre Loloian, do Seade, indica que -além da inflação- a queda dos salários no setor de serviços, que responde por mais 50% da atividade na região, pesou na redução.
Na RMSP, o comércio perdeu 23 mil vagas no mês, e o setor de serviços, 16 mil. (Folha)

Ministério Público pede embargo das obras de Jirau

MP impõe como condição o restabelecimento das condições de trabalho no canteiro.

O Ministério Público do Trabalho de Rondônia entrou hoje com pedido de embargo das obras da Usina Hidrelétrica de Jirau até que sejam restabelecidas as condições de trabalho no canteiro. Ou seja, a reconstrução da chamada área de vivência, que engloba alojamentos, áreas de lazer, lavanderia e outros serviços.

A petição foi feita pela Procuradoria Regional do Trabalho da 14.ª Região na 3.ª Vara da Justiça de Trabalho de Rondônia.

A petição foi anexada à ação principal interposta pelo Ministério Público do Trabalho anteriormente, que visa garantir os direitos dos trabalhadores durante o período de paralisação das obras. (Estado)

Dívidas consomem 24% do orçamento familiar. BC vê medida para conter ímpeto

O Banco Central está tomando uma série de medidas para conter o ímpeto do brasileiro por empréstimos e compras a prazo, mas ainda não obteve sucesso. Quase R$ 4 bilhões estão sendo emprestados diariamente no país, ritmo que levou o nível de endividamento das famílias daqui a superar o dos norte-americanos. Enquanto nos Estados Unidos, em média, 18% da renda são gastos para quitar parcelas dos financiamentos (prestações e juros), no Brasil essa relação alcançou 24,2% — cenário que é motivo de preocupação no governo, principalmente quando se lembra da crise mundial, com auge em 2008, gerada pelo superendividamento nos EUA.
A demanda por crédito está tão forte que o total das dívidas das famílias já encosta no R$ 800 bilhões, mesmo com o valor das prestações tendo aumentado 20% desde o início do ano, refletindo a elevação da taxa básica de juros (Selic) e as medidas macroprudenciais baixadas pelo BC. Ciente de que tal movimento é inflacionário e incompatível com a atual correção dos salários, a autoridade monetária quer que o crédito avance 13% ao ano e não 21% como se vê. Mesmo que essa desaceleração se concretize, o BC já vislumbra um salto no calote. Mais famílias não terão condições de honrar seus compromissos em dia.
A situação está tão preocupante que o sempre comedido diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, fez questão de enfatizar os riscos que as famílias estão correndo. “Quanto maior for o comprometimento da renda, maior será a chance de se deixar uma conta de fora das que serão quitadas”, alertou. Na avaliação dele e de outros técnicos do BC, depois da adoção de medidas macroprudenciais, em dezembro do ano passado, é natural, e aguardado, um movimento de alta na inadimplência. “Tivemos um encurtamento dos prazos e aumento das taxas. Por isso, esperamos uma inadimplência pouco maior.”
Questão social — Os dados compilados pelo BC mostram que, quando se olha para o conjunto dos débitos dos brasileiros, o quadro é ainda mais perturbador. Do total da renda disponível na economia proveniente do trabalho e dos benefícios previdenciários, 40,50% estão comprometidos com dívidas. Ou seja, de cada R$ 100 recebidos por trabalhadores, aposentados e pensionistas, R$ 40,50 vão todos os meses para o pagamento de alguma conta.
“Isso é preocupante, ainda mais em um cenário de elevação dos juros e, ainda que moderado, da inadimplência”, observou Fábio Gallo Garcia, professor de finanças da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O desafio do BC, segundo o professor, é conseguir conter o consumo depois de dar tanta acessibilidade ao crédito a um país onde o desejo de compras estava muito reprimido. “Vivemos, hoje, outra configuração de classes sociais.
As pessoas que antes tinham o básico para sobreviver, agora podem comprar eletrodomésticos, viajar de avião ou navio, tudo parcelado. Ninguém quer abandonar essa vida. Estamos falando de mais de 101 milhões de pessoas que formam a classe C”, argumentou. “Como impedir o consumo desse gigantesco grupo?”, indagou.
A dúvida do professor se reflete nos levantamentos do BC. Apesar de os juros médios cobrados das pessoas físicas terem saltado 4,7 pontos percentuais entre novembro do ano passado e fevereiro de 2011 chegando a 43,8% ao ano — e devem subir ainda mais em março —, o ritmo do crédito não parou. O total das operações livres e direcionadas cresceu 4,9% alcançando R$ 798,8 bilhões. A média diária das concessões de empréstimos e financiamentos às famílias avançou 8,9%.
PIB a 4% — No Relatório de Inflação divulgado ontem, o Banco Central reduziu a projeção para a expansão da economia em 0,5 ponto percentual, de 4,5% para 4% em 2011. Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, lembrou que estratégia semelhante foi usada pelo ex-presidente do BC Henrique Meirelles. “Em 2005, foi adotada uma meta ajustada. Mas, na época, o motivo era a inércia inflacionária e não os choques de preços”, recordou.
Projeções detalhadas — Depois de debates inflamados acerca do boletim semanal Focus, por meio do qual o Banco Central ouve mais de 100 analistas e instituições financeiras para apurar as expectativas de inflação do mercado, a autoridade monetária decidiu alterar o levantamento. Vai abrir os dados e mostrar separadamente, dentro das expectativas de inflação medida para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), qual é a projeção de bancos, gestores de recursos e demais segmentos. A ideia, segundo o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araújo, é agregar informações à pesquisa. As mudanças serão implementadas primeiramente nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom) e nos relatórios de inflação, divulgados a partir do segundo semestre. Posteriormente, no terceiro trimestre, as alterações serão aplicadas também na divulgação semanal.(Correio Braziliense)

Preços de imóveis na mira do Banco Central

Depois de avisar que acompanhará com lupa a evolução da inflação para calibrar a intensidade da política de juros daqui por diante, o Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira novos indicadores para monitorar os preços. A partir de agora, os relatórios de inflação vão levar em consideração dados sobre o pujante mercado imobiliário brasileiro.

O BC vai acompanhar o índice FipeZap , que mede os preços dos imóveis residenciais em seis capitais e no Distrito Federal. E o IGMI-C, da Fundação Getulio Vargas, com as variações no mercado imobiliário comercial. Perguntado sobre a possibilidade de haver uma bolha nesse setor, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, foi reticente:

- Bolha a gente só sabe que existe quando estoura.

O acompanhamento dos indicadores visa a aumentar o número de informações disponíveis e expurgar variáveis que possam distorcer as expectativas do mercado e da sociedade. Os dois índices foram criados com o apoio do BC e poderão ajudá-lo a avaliar melhor o peso dos imóveis na inflação em um momento em que a valorização parece generalizada nas regiões metropolitanas do país, sobretudo em função de Copa e Olimpíadas.

O BC também decidiu detalhar as expectativas do mercado para os índices de inflação. Em vez de divulgar apenas a média das projeções dos cerca de cem analistas ouvidos mensalmente, também o fará por segmentos: bancos, gestores de recursos e demais (consultorias, corretoras, distribuidoras, empresas do setor produtivo). (O Globo)

Emprego tem melhor fevereiro desde 1999

Apesar do leve avanço na taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo no mês passado, o resultado foi o melhor para o mês de fevereiro em 21 anos, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade. O indicador ficou em 10,6% em fevereiro, após ter registrado 10,5% no mês anterior.

A última vez que São Paulo registrou percentual inferior a esse num mês de fevereiro foi em 1990, quando a taxa de desemprego na região ficou em 8,9%. Para o coordenador de análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego, Alexandre Loloian, o resultado deve-se principalmente ao menor número de dispensas no mês passado.

A indústria gerou empregos entre janeiro e fevereiro, contrariando o movimento verificado nos demais setores. Ao todo, foram criados 14 mil postos de trabalho no setor industrial em São Paulo. (Valor)