terça-feira, 5 de abril de 2011

Quinquilharias e manufaturados chineses ameaçam empregos brasileiros

UGT quer ser incluída na viagem da presidente Dilma à China para defender empregos brasileiros

Por Marcos Afonso de Oliveira, secretário nacional de Comunicação da UGT

As importações desenfreadas e sem controle da China, desde quinquilharias como se expressou recentemente a presidente Dilma em audiência na qual participou Ricardo Patah, presidente da UGT, até trilhos de trem e ferramentarias é uma sangria acelerada nos empregos brasileiros, um golpe que pode ter sérias consequências na nossa competitividade e devem ser tratados a nível de Estado, a exemplo da viagem que Dilma inicia no próximo dia 11, na China. Infelizmente, na comitiva da presidente estão "apenas" 200 empresários. A UGT reivindica a necessidade de se incluir nestes tipos de entendimentos entre governos os representantes dos trabalhadores. Aos empresários interessa apenas o lucro dos seus negócios, o que é legítimo. A nós trabalhadores interessa o intercâmbio entre os países, a melhoria das exportações e importações mas, principalmente, a preservação dos empregos no Brasil e, inclusive, as melhorias de condições de trabalho mantidas pelas empresas exportadoras chinesas. Monitoramos de perto as lamentáveis condições de trabalho chinesas, que passam muito alem das entrelinhas nos jornais locais, que sustentam os preços “altamente competitivos” dos produtos e quinquilharias chinesas. Por isso, a UGT quer participar destas missões para fazer um contraponto às posições dos empresários e se posicionar pela preservação dos nossos empregos.

Leia, por favor, o clipping do dia:

Setores de produção padronizada demitem e importam da China

A feroz concorrência chinesa no mercado brasileiro causa grandes estragos a empresas que produzem bens manufaturados com características de "commodities". Em segmentos como válvulas industriais, elevadores e ferramentas, os produtos mais simples e padronizados têm sido duramente atingidos pela competição asiática. Para sobreviver, muitas companhias passam a importar o que antes produziam ou compravam de outras empresas no país, reduzindo o número de empregados. O câmbio valorizado, o peso dos impostos e o alto custo do capital e da mão de obra complicam a vida desses setores, dizem empresários.

Presidente da câmara setorial de válvulas industriais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Lucio diz que, dos 72 associados, 80% já importam 100% do que vendem. Em 2005, esse percentual era de 40% a 50%. Segundo ele, são empresas que atuam no segmento de "válvulas-commodities", uma referência a produtos padronizados e com baixo valor agregado. Nesse segmento, o produto chinês é 60% mais barato que o brasileiro. "Com essa diferença de preços, as empresas brasileiras não conseguem concorrer." O setor, que tinha cerca de 13 mil empregos em 2008, emprega hoje cerca de 7 mil pessoas, segundo suas estimativas.

Lucio diz que ainda é viável produzir aqui válvulas com maior diferenciação. É o caso dos produtos fabricados por sua empresa, a RTS, que faz as chamadas válvulas borboleta. No entanto, para manter a competitividade, Lucio importa, desde o ano passado, um componente da China, o que lhe permitiu reduzir o preço final do produto de 20% a 30%. A parte de sua produção vendida para a Petrobras, porém, não leva essa peça, para garantir o índice de nacionalização exigido, de 90%.

O empresário relata que, mesmo com a redução de preços obtida com o componente chinês, conseguiu apenas manter o faturamento de 2010 no nível do de 2009, que ficou 40% abaixo do de 2008, por conta dos efeitos da crise. Lucio diz que demitiu 70 de seus 180 funcionários em 2009, mantendo desde então um quadro de 110 empregados. O empresário se queixa do custo dos insumos - "o quilo do aço inoxidável, que no Brasil sai por R$ 34, custa US$ 3 [pouco menos que R$ 5] na China" - e também do aumento dos custos salariais - em 2010, o reajuste dos trabalhadores da categoria foi de 9,52%. Com o câmbio valorizado e a carga tributária, fica difícil competir com os produtos, especialmente os chineses, diz ele.

A situação também é bastante complicada para os fabricantes de elevadores, diz Jomar Cardoso, presidente do Sindicato das Empresas de Elevadores de São Paulo (Seciesp). Segundo ele, 50% do que é vendido por aqui vem do exterior. "Em 2005, esse percentual ficava em 20% a 30%", afirma, observando que há muitos componentes importados. "Em cinco anos, não haverá mais indústria brasileira de elevadores", diz Cardoso, presidente da Elevadores Villarta.

Como no caso das válvulas industriais, Cardoso diz que os produtos chineses são extremamente competitivos no caso dos elevadores padronizados. Segundo ele, saem pela metade do preço de um fabricado por aqui, contando ainda com uma melhora expressiva de qualidade nos últimos anos.

A competitividade do produto brasileiro é maior em elevadores especiais. A Villarta faz hoje um de 10 toneladas para a Anglo American. A empresa, porém, também compra produtos mais padronizados da China, o equivalente hoje a 30% de suas vendas. "Em 2005, eu não importava quase nada. Em 2009, esse percentual já era de 20%. No fim deste ano, pode chegar a 50%." Cardoso diz que a sua empresa conseguiu aumentar o faturamento em cerca de 20% em 2010, esperando crescer mais 15% neste ano, pelo menos. Hoje, a Villarta tem 55 funcionários, 30 a mais do que tinha em 2005. "Mas eu poderia ter o dobro se fabricasse tudo aqui", afirma ele, para quem a indústria local deixou de aproveitar as oportunidades geradas pelo boom do mercado imobiliário.

"Dos 25 mil empregos que o setor gerava há cerca de 13 anos, hoje restam pouco mais de 10 mil vagas", lamenta ele, apontando os pesados encargos trabalhistas e o câmbio valorizado no Brasil como dois dos grandes responsáveis pela falta de competitividade do produto brasileiro em relação ao chinês, que se beneficia também da enorme escala de produção.

Procuradas, as três maiores empresas do setor, as multinacionais Atlas Schindler, Otis e ThyssenKrupp, não se pronunciaram sobre importações. A Otis informou que "os dados não podem ser divulgados por questões estratégicas da empresa". A ThyssenKrupp foi na mesma linha, dizendo que não "divulga informações de cunho estratégico". A Atlas Schindler afirmou não fornecer dados sobre importações e exportações.

A concorrência chinesa também atinge as empresas filiadas ao Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo (Sinafer), diz o presidente da entidade, Milton Rezende. Segundo ele, no caso de ferramentas simples, como martelo, chave de fenda e alicate, o custo do produto chinês pode ser de 50% a 70% mais baixo.

Também estão sofrendo muito as empresas que faziam a usinagem de peças para outros setores da indústria, como a automobilística e a de eletrodomésticos, afirma Rezende. As empresas desses segmentos, diz ele, passaram a importar boa parte dos componentes, diminuindo muito as encomendas no mercado interno.

Segundo Rezende, há casos de ferramentas de primeira linha fabricadas em países desenvolvidos, como EUA, Japão e Europa e 25% a 40% mais baratos que as produzidas no Brasil. Ele estima que 30% dos produtos vendidos hoje do setor são importados, dos quais dois terços devem vir da China. Há três anos, o percentual de bens vindos de fora não chegava a 10%, afirma Rezende, destacando o impacto negativo sobre o emprego. O segmento, que em 2008 empregava 282 mil trabalhadores no país todo, terminou 2010 com 265 mil. Também no setor a competitividade brasileira é maior em produtos um pouco mais diferenciados, como ferramentas de alta precisão.

Para Rezende e Cardoso, a situação de seus segmentos evidencia o processo de desindustrialização, com o avanço dos produtos estrangeiros, principalmente asiáticos, ganhando mais espaço e, com isso, reduzindo o nível de emprego. (Valor)

Aumenta o medo do desemprego, mostra pesquisa

Os consumidores estão menos confiantes no desempenho futuro da economia e começam a manifestar cautela com o nível de desemprego, endividamento e inflação. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de março recuou 0,5% em relação a fevereiro, na quinta retração consecu tiva. Na comparação com março do ano passado, a redução no otimismo foi de 1,3%.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), responsável pela apuração mensal do índice, o recuo seguido no Inec é reflexo da desaceleração da economia e do encarecimento do crédito. "Havíamos detectado esse esfriamento na Sondagem Industrial e nos Indicadores Industriais e agora vemos isso também no Inec", comentou o analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcelo Azevedo. Com a retração de março, o índice acumula perda de 5,1% desde outubro do ano passado e a entidade não descarta novo declínio em abril.

Entre os componentes do Inec, o índice de expectativa de desemprego é que o apresenta a pior evolução, com diminuição de 3,3% frente a fevereiro, evidenciando que subiu o percentual das pessoas que avaliam que a oferta de vagas de trabalho encolherá. Por outro lado, o índice de expectativa de desemprego está 3,3% superior ao verificado em março de 2010 e 7,6% acima de sua média histórica.

Os índices de situação financeira e endividamento também recuaram em relação a fevereiro em 1,5% e 0,3%, respectivamente. Na comparação com março de 2010 os dois indicadores registraram quedas de 5,4% e de 2,1%.

O levantamento mostra ainda que o indicador de expectativa de inflação ficou 1,5% maior frente a fevereiro. A despeito disso, a expectativa do consumidor sobre a evolução dos preços ficou 3,7% abaixo do registrado em março de 2010, indicando piora das perspectivas em relação a 2010. A expectativa para a variação dos preços é o único componente do Inec que está abaixo de sua média histórica (-5,1%). "As pessoas estão preocupadas com a inflação. Embora esse receio em março seja menor do que o manifestado em fevereiro, isso inspira cuidados porque mais de 60% dos entrevistados acreditam em aumento de preços", disse Marcelo Azevedo.

O consumidor também mostra cautela na intenção de compra. O índice de expectativa de aquisição de bens de maior valor ficou 0,9% menor que em fevereiro e 1,4% inferior ao de março de 2010. (Valor)

Otimismo do consumidor brasileiro cai pela quinta vez consecutiva, revela CNI

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado nesta segunda-feira, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que os consumidores brasileiros estão menos otimistas. Pela quinta vez consecutiva, o índice teve queda, recuando 0,5% em março na comparação com fevereiro, e acumula retração de 5,1% desde outubro de 2010.

De acordo com a pesquisa da CNI, um dos motivos para a queda do índice em março foi a elevação do número de brasileiros que acreditam no aumento do desemprego. Em março, 39% dos consumidores apostavam que o desemprego aumentaria. Em fevereiro, 35% dos entrevistados apostavam no crescimento do desemprego. Isso fez com que o índice de expectativa do desemprego recuasse 3,3% em março na comparação com fevereiro.

Mesmo assim, o indicador de março de 2011 ficou 3,3% acima do observado no mesmo mês de 2010. Mas os brasileiros também estão mais pessimistas em relação à situação financeira, ao endividamento e às compras de maior valor. E ao mesmo tempo em que a situação financeira piorou, o índice de expectativa de renda pessoal subiu 1,9% em março na comparação com fevereiro.

Segundo o analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcelo Azevedo, o indicador de situação financeira é um retrato do quadro financeiro atual dos brasileiros enquanto o índice de expectativa da renda pessoal reflete as perspectivas deles para os próximos seis meses.

- Isso mostra que os brasileiros acreditam que vão melhorar sua condição financeira nos próximos meses - detalha o economista.

A pesquisa mostrou que o otimismo do brasileiro em relação à inflação subiu 1,5% em março deste ano frente a fevereiro. Apesar da melhora, o índice encontra-se 3,7% abaixo do registrado em março de 2010.

- Por mais que o otimismo quanto à inflação tenha melhorado em março, o brasileiro ainda não está confiante no controle dos preços - avalia Azevedo.

A pesquisa foi realizada entre 20 e 23 de março de 2011, com 2.002 pessoas. (O Globo)d

CMN amplia regra de IOF sobre empréstimos externos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou nesta segunda-feira um adendo à regra tomada na semana anterior, que impôs uma alíquota de 6 por cento de IOF sobre captações de curto prazo no exterior.

Com a decisão, empresas que renovarem empréstimos externos terão que realizar uma operação simultânea de câmbio. Assim, a operação passará a estar sujeita ao mesmo imposto que inicialmente incidia somente na contratação de operações novas. O mesmo vale para repactuação e assunção de dívida.

"O objetivo da medida é conferir a essas situações o mesmo tratamento dispensado às operações de conversão e de transferência entre modalidade de capital estrangeiro registrado no Banco Central do Brasil", diz trecho da nota do CMN.

Segundo dados do BC, em janeiro e fevereiro, operações de renovação e de assunção de dívida (de quem assume obrigações de outra empresa) somaram 12,5 bilhões de dólares. Desse montante, 5,6 bilhões de dólares correspondiam a dívidas com prazo de até 360 dias, que são justamente os alvos da cobrança determinada pelo CMN. (O Globo)

Murilo Ferreira vai suceder Roger Agnelli na presidência da Vale

De acordo com fontes que acompanham o processo, Murilo era o candidato da presidente Dilma Rousseff .

Os controladores da Vale acabam de escolher o executivo Murilo Ferreira para suceder Roger Agnelli na presidência da Vale. Ele já havia trabalhado na mineradora, mas deixou a empresa após problemas de saúde quando comandava a Inco - mineradora da Vale no Canadá.

Segundo fontes que acompanham o processo, era o candidato da presidente Dilma Rousseff.

Os dois se conheceram no tempo em que Murilo comandava a Albras, produtora de alumínio, e Dilma era ministra de Minas e Energia.

Murilo desbancou dois diretores executivos da Vale: Tito Martins, o mais cotado, e José Carlos Martins, que corria por fora. (Estado)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Construção de obras de grande porte com problemas em função da falta de respeito aos direitos trabalhistas

Obras do laboratório do Pré-Sal, no Novo Cenpes, estão paralizadas há 34 dias

Por Nilson Duarte, presidente da UGT-RJ

Os trabalhadores do Novo Cenpes, centro de pesquisa da Petrobras, que vai cuidar entre outras coisas, das obras laboratoriais e de pesquisa do Pré-Sal, estão em greve há 34 dias. O motivo da greve é a reivindicação do pagamento de periculosidade não aceita, até o momento pelo Consórcio Novo Cenpes responsável pelas obras. As instalações do Cenpes serão alimentadas, em tempo integral, por gás. Que por ser altamente inflamável gera risco às vidas dos trabalhadores. A obra tem entre as empreiteiras participantes a OAS, a Carioca, A Construcap, a Schaim e a Construbase. A greve de 34 dias foi considerada não abusiva pelo Ministério Público e o Consórcio Novo Cenpes alega que não pode repassar a periculosidade para os trabalhadores porque não teve seus pedidos atendidos pela Petrobras. A orientação das lideranças sindicais locais dos trabalhadores é manter o movimento até que o Consórcio negocie a reivindicação dos trabalhadores que, basicamente, gira em torno da periculosidade, já reconhecida, inclusive, pelo Ministério Público

Leia as principais notícias do dia:

Cai diferença entre salários de São Paulo e resto do país
Renda de outras regiões cresce mais rapidamente que a dos paulistanos.
Investimentos em infraestrutura, reajuste do salário mínimo e programas sociais explicam fenômeno.
A diferença entre os salários de São Paulo e do resto do Brasil está diminuindo. E, em algumas regiões e setores, ela já desapareceu.
Levantamento do IBGE comparando o rendimento médio dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo com os de outras cinco -Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador- mostra que em todas houve redução da diferença entre 2003 e 2011.
Isso aconteceu porque os salários dos paulistanos e dos habitantes dos municípios vizinhos cresceram em ritmo menor do que os dos trabalhadores das outras regiões metropolitanas.
No Rio, a remuneração média aumentou mais -chegou a R$ 1.682 em fevereiro, superando em R$ 45 a de São Paulo (R$ 1.637).
Em Porto Alegre, os salários médios do setor de serviços e comércio já estão no mesmo patamar do rendimento dos paulistanos.
O economista da FGV Marcelo Neri ressalta que esse movimento é mais profundo: dados do IBGE de 2001 a 2009 mostram que a renda tem crescido em ritmo maior do que em São Paulo no país.
"A queda da desigualdade regional é inédita. Nos últimos 50 anos, desde quando há dados do assunto, nunca tinha acontecido", disse.
Especialistas em mercado de trabalho e desenvolvimento regional apontam três causas principais para esse fenômeno- a transferência de renda por meio do Bolsa Família, o forte aumento do salário mínimo e os investimentos em infraestrutura.
Clemente Ganz, diretor-técnico do Dieese, observa que o salário mínimo vem crescendo acima da média da remuneração do trabalho no país. Isso, acrescenta, tem impacto maior nas regiões mais pobres, onde uma parte maior da remuneração está atrelada ao piso nacional.
Grandes investimentos do governo em infraestrutura também são considerados importantes, ao estimularem indústria e construção civil.
No caso de Pernambuco, os investimentos públicos mais que duplicaram, passando de um média anual de R$ 680 milhões, entre 2003 e 2006, para R$ 1,68 bilhões, entre 2007 e 2010.
Empresas em busca de incentivos fiscais e mão de obra mais barata também explicam o aquecimento da economia e dos salários fora de São Paulo.
No caso de Minas Gerais, há ainda o fator "China", país que consome ferozmente o minério de ferro produzido no Estado.

CONTINUIDADE — Com o fortalecimento do mercado doméstico, a tendência, dizem economistas, é que a diferença entre os salários regionais caia mais.
"Nosso mercado de trabalho está ficando mais homogêneo, com um forte crescimento da classe média em todo o país", destaca João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ.
Apesar do otimismo generalizado, Raul Silveira Neto, da Universidade Federal de Pernambuco, considera que a baixa qualidade do ensino e da saúde no país pode limitar a expansão dos salários.
"O bem-estar não está evoluindo no mesmo ritmo dos rendimentos. Melhorar emprego e renda dá mais voto que melhorar saneamento e educação", disse. (Folha)

Centrais perdem espaço no governo, mas elegem maior bancada da história

Congresso soma 87 parlamentares com ligação ou origem nos sindicatos, número 45% maior que em 2007.

Apesar de a relação entre governo e centrais sindicais ter começado com estranhamento de ambas as partes, por causa da votação do reajuste do salário mínimo, a presidente Dilma Rousseff precisará, mais que qualquer um de seus antecessores, negociar com o movimento sindical. A bancada trabalhista na atual legislatura é a maior da história, com 87 parlamentares - ou 15% do Congresso.

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) feito a pedido do Estado, 80 deputados e sete senadores já ocuparam cargos em sindicatos. Trata-se de aumento de 45% em relação a 2007, quando havia 60 parlamentares eleitos ligados a essa bandeira.

Contudo, Dilma dificilmente conseguirá reproduzir o bom relacionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o movimento sindical, segundo estudiosos do assunto. "Dilma veio do PDT, é brizolista. Nunca foi sindicalista. Lula veio do sindicalismo, este é o ambiente em que ele se sentia realmente em casa", avalia o cientista político Leôncio Martins Rodrigues.

Ele afirma que, ao entregar o Ministério do Trabalho ao PDT - ligado à Força Sindical -, Lula usou sua habilidade de articulador político para arrebanhar o apoio de grupos sindicais que não eram da base petista. (Estado)

INSS deve revisão automática para 131 mil aposentados e pensionistas
Cerca de 131 mil aposentados e pensionistas do INSS que se aposentaram até 2003, e que tiveram o benefício limitado ao teto previdenciário da época da concessão, poderão ser beneficiados por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Entretanto, ainda não há data para o pagamento ser feito. Além do corte orçamentário de R$ 2,5 bilhões nas contas da Previdência -a revisão deve custar R$ 1,52 bilhão-, o INSS afirma que há dúvidas sobre a revisão, que estão sendo analisadas pela Advocacia-Geral da União.
A revisão é válida porque em duas ocasiões -dezembro de 1998 e janeiro de 2004- o governo elevou o teto do INSS acima do que era pago, até então, aos segurados que recebiam esse limite.
Até novembro de 1998, o teto era de R$ 1.081,50. Depois, foi para R$ 1.200. Mas quem já recebia o valor menor não recebeu o novo teto. O mesmo ocorreu em janeiro de 2004, quando o teto de R$ 1.869,34 subiu para R$ 2.400.
O benefício do segurado sempre é limitado ao teto, mesmo quando a média de seus salários de contribuição ultrapassa esse valor.
O que o STF decidiu é que a diferença deve ser repassada ao segurado sempre que o teto for reajustado de forma independente dos benefícios, como em 1998 e em 2004.
Mas a decisão deixou dúvidas: se a revisão vale para aposentadorias após 1991, quando a atual lei previdenciária entrou em vigor, ou após 1988, data da Constituição. Também é preciso esclarecer se a decadência -prazo de dez anos para o segurado entrar com o pedido de revisão após obter o benefício- será aplicada nesse caso.
As questões podem reduzir o total de segurados com direito ao aumento. O INSS também avalia se convocará quem pode ter a revisão ou se o reajuste será automático.
A Dataprev calculou que o reajuste médio para os segurados será de R$ 184,86 por mês, com atrasados de R$ 11.586 (valores não pagos nos últimos cinco anos).
Terão direito ao aumento os segurados que receberam pensão, aposentadorias por idade, por tempo de contribuição, por invalidez e especial, auxílio-doença, aposentadoria de professor, aposentadoria de ex-combatente e auxílio-reclusão. (Folha)

AGENDA REGRESSIVA — Sindicatos e entidades preparam manifestações em protesto contra política econômica do governo Dilma

Meses depois da intensa mobilização eleitoral dos movimentos sociais e sindicais para levar Dilma Rousseff ao Planalto, as entidades expressam desgosto com os primeiros cem dias de mandato da presidente e decidiram unir esforços para organizar manifestações, greves e invasões de terra, num movimento já batizado de "guerra contra a agenda regressiva" do terceiro mandato petista. A ordem é ampliar a tradicional jornada de lutas dos grupos de esquerda, que ganha neste ano o inusitado reforço das centrais de trabalhadores Força Sindical e UGT.

O manifesto do grupo será lançado no próximo dia 26 e terá como bandeira principal a crítica à política econômica da presidente. Por enquanto, as principais queixas são o corte de R$ 50 bilhões do Orçamento e a falta de negociação e aumento real do salário mínimo de 2011.

O principal articulador da "resistência" é a CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), formada, entre outros, pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e a UNE (União Nacional dos Estudantes). Em resolução aprovada no fim de fevereiro, o grupo fez alusão ao estelionato eleitoral:

"As ações implantadas nesse início de mandato pela equipe econômica, sob justificativas do controle da inflação e das contas públicas, seguem num caminho diferente do apontado pelas urnas e reproduzem a pauta imposta pelos interesses do setor financeiro".

"O governo vai nos procurar", disse Artur Henriques

Os movimentos sociais buscam não atacar Dilma diretamente. Eles pontam os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e da Fazenda, Guido Mantega, como responsáveis pelo que chamam de revés.

"O namoro da Dilma com a mídia vai durar seis meses. Depois, o governo virá nos procurar para sustentá-lo, como fez em 2005", disse Artur Henrique na plenária do CMS. (O Globo)

Ministra da Igualdade Racial considera declarações de Bolsonaro caso explícito de racismo

A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, considera que as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra são "caso explícitos de racismo".

- Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição - lembrou Luiza.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) causou polêmica , esta semana, ao dizer que seus filhos não 'correm risco' de namorar negras ou virar gays porque foram 'muito bem educados', no programa CQC, da Band. Por causa das declarações, a cantora Preta Gil informou que vai processar o deputado . A OAB - RJ já ingressou com uma representação na Câmara dos Deputados contra o deputado por quebra de decoro parlamentar.

Para a ministra, "qualquer caso de discriminação deve ser repudiado". Ela disse ainda que espera "firmeza" no posicionamento da Câmara dos Deputados. "O protagonismo é do Legislativo", afirmou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) em parceria com a EBC Serviços.

- Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo. O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente, se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.

Luiza Bairros espera que "o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negro e LGBT", destacou referindo-se a declarações homofóbicas também feitas pelo parlamentar. (O Globo)