terça-feira, 24 de maio de 2011

Mobilizar o país pela redução imediata da carga tributária

Carga tributária achata renda dos trabalhadores

Por Ricardo Patah, presidente nacional da UGT

É muito bom a gente acompanhar a inclusão de homens e mulheres à nossa economia. Faz parte do DNA da UGT as inclusões social e econômica e quando percebemos que os novos consumidores, que antes viviam em grande parte abaixo da linha da pobreza (e muitos na miséria) nos anima. Mas ao mesmo tempo ficamos preocupados com a fúria arrecadadora do governo brasileiro, em todos os níveis, que obriga os trabalhadores a entregar quatro meses e 29 dias de salários para o governo. Uma derrama fiscal que prejudica, preferencialmente, os mais pobres através dos impostos diretos e indiretos. Retirando das famílias brasileiras dinheiro que poderia ser usado na Educação dos filhos, na proteção da saúde da família, nos poucos momentos de lazer. Por isso, a UGT mantém sua bandeira de inclusão social e exige dos atuais politicos um compromisso sólido a favor do povo trabalhador brasileiro. Lembrando que os mesmos trabalhadores e trabalhadoras penalizados com impostos absurdos carregam alem da carteira de trabalho o título eleitoral. Que aprendem a usar cada vez melhor a cada eleição.

Brasileiro trabalhará até 29 de maio só para pagar impostos e taxas, diz IBPT

O contribuinte brasileiro trabalhará até o dia 29 de maio deste ano, somente para pagar os tributos - impostos, taxas e contribuições - exigidos pelos governos federal, estadual e municipal, mostra estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Serão 149 dias, ou seja, quatro meses e 29 dias, de trabalho destinados aos cofres públicos. Um dia a mais que no ano passado, mostra o estudo.

A tributação incidente sobre os rendimentos, como salários e honorários, é formada principalmente pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pela contribuição previdenciária - INSS e previdências oficiais - e pelas contribuições sindicais.

Mas além dessas taxas, o cidadadãocidadão paga ainda impostos sobre o consumo, já inclusos no preço dos produtos e serviços, como PIS, ICMS e IPI, a tributação sobre o patrimônio, IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR, e taxas como limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e iluminação pública.

Desde 2003, quando IBPT lançou o primeiro estudo, a arrecadação de impostos vem crescendo. Na época, o contribuinte destinou do seu rendimento bruto em média 36,98% para pagar a tributação sobre os rendimentos, consumo, patrimônio e outros. Em 2004 foram 37,81%, em 2005 - 38,35%, em 2006 - 39,72%, em 2007 chegou aos 40,01%, em 2008 - 40,51%, em 2009 - 40,15%, em 2010 comprometeu 40,54%, e em 2011, o percentual deve chegar a 40,82% do seu rendimento bruto, prevê o IBPT.

Utilizando-se a mesma metodologia, o Instituto calculou quanto dias os cidadãos de outros países trabalham para pagar tributos, no ranking estão: Suécia com 185 dias, França com 149 dias, igual ao Brasil, Espanha com 137 dias, Estados Unidos com 102 dias, Argentina com 97 dias, Chile com 92 dias, e México com 91 dias. (O Globo)

Classe C representará 57% dos eleitores brasileiros em 2014

O Brasil terá 125 milhões de eleitores em 2014. Entre esses, 57% ou 71,3 milhões serão da classe C e 24% ou 30 milhões serão das classes D e E.
Segundo estudo do Data Popular divulgado nesta segunda-feira (23), esses números indicam uma migração dos eleitores das classes D e E, para a classe C.
De acordo com a pesquisa, em 2010, o número de eleitores chegou a 117 milhões, sendo 52% (60,8 milhões) da classe C e 29% (34 milhões), das classes D e E. Em relação a 2014, haverá uma alta de 5 pontos percentuais no número de eleitores da classe C e uma queda de 5 p.p de eleitores das classes D e E.
Em relação à classe A, no ano passado, esses eleitores representavam 19%, chegando ao número de 22,2 milhões. Em 2014, a estimativa é que sejam 23,7 milhões, mas que manterão os 19% de participação.
Classe C por região — Ainda segundo o levantamento, no ano passado, três das cinco regiões brasileiras apresentaram queda no percentual de eleitores da classe C.
Em 2002, 4,4% dos eleitores da região Norte eram da classe C, enquanto em 2010, esse índice caiu para 4%. Já no Sul do País, a queda foi de 1,2 p.p., sendo que, em 2002, o índice era de 18,6% e, em 2010, de 17,4%. Na região Sudeste, a queda foi ainda maior, já que em 2002, 58,2% dos eleitores eram da classe C, percentual que passou para 48,2% no ano passado, o que remete à redução de 10 p.p.
Por outro lado, na região Nordeste, o percentual de eleitores da classe C subiu 10,3 pontos, passando de 12,3% em 2002, para 22,6%, em 2010. No Centro-Oeste, a alta foi de 1,3 p.p., subindo de 6,5% em 2002, para 7,8% no ano passado.
Pesquisa — As análises e projeções do Data Popular foram elaboradas com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE (Instituto Nacional de Geografia e Estatística).
Para o estudo, o Data Popular ouviu 5 mil brasileiros, no primeiro trimestre do ano, com idade entre 18 e 69 anos. A margem de erro máxima é de 1,41%. (UOL, Infomoney)

Nova classe C deve impulsionar crescimento de seguros no Brasil

O crescimento do mercado de seguros mundial nos próximos 10 anos deverá ser influenciado principalmente pelos países emergentes. No Brasil, de acordo com a consultoria Accenture, a migração das classes D e E para a classe C e o aumento do poder de compra da população serão os principais responsáveis pelo maior faturamento.
“Quem está mais suscetível a achar que precisa de proteção contra a perda de um bem que antes não possuía e que é muito caro para ela, tanto no sentido de valor quanto no sentido de estima? É a nova classe média”, aponta o líder da área de seguros da consultoria Accenture, Raphael de Carvalho.
Segundo o executivo, este crescimento está embasado especialmente no aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, que têm conseguido comprar mais e acumular um maior número de bens duráveis.
“A maior correlação de venda de seguro de automóvel é a quantidade de automóveis que temos nas ruas. Estamos passando por um crescimento exponencial nos últimos quatro anos da frota de veículos do País, e isso está acontecendo porque as pessoas estão tendo a chance de comprar o seu primeiro automóvel”, exemplifica o Carvalho.
Além dos automóveis, o executivo cita o maior consumo de bens como eletrodomésticos e computadores, que utilizam o seguro de garantia estendida. “Este seguro dá uma garantia adicional àquela de fábrica. E o aumento da venda desse tipo de seguro obviamente está correlacionado à maior venda de bens duráveis. E quem é que está comprando esses bens duráveis? A nova classe C”, diz Carvalho.
Crescimento no mundo — De acordo com uma pesquisa da Accenture, os mercados emergentes serão responsáveis por 60% da expectativa de crescimento do faturamento das seguradoras nos próximos 10 anos. Até 2015, segundo a consultoria, existe um potencial de crescimento entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões nos mercados maduros e entre US$ 650 bilhões e US$ 900 bilhões nos mercados emergentes.
Em 2009, de acordo com a Accenture, o mercado de seguros mundial registrou um faturamento de US$ 5,14 trilhões. “Os mais otimistas acham que os mercados emergentes podem chegar a até 30% do total do faturamento dos seguros do mundo em dez anos. Hoje, este número está abaixo de 15%”, ressalta Carvalho. (Infomoney)

Dilma eleva o tom, rejeita anistia a desmatador e ameaça vetar Código

Em meio ao crescimento do desmatamento na Amazônia, presidente avisa a deputados da base governista que não vai recuar de promessas de campanha, quando anunciou veto a propostas que reduzam áreas de reserva legal e de preservação permanente

Ou os deputados mudam a proposta de reforma do Código Florestal que acordaram na semana passada ou a presidente Dilma Rousseff vetará o texto. Essa foi a orientação dada ontem pela presidente, que afirma não aceitar anistia a desmatadores nem redução das áreas de proteção de vegetação nativa nas propriedades rurais ou nas margens de rios e encostas.

O endurecimento de Dilma se dá logo após a divulgação de que o desmatamento na Amazônia nos meses de março e abril aumentou quase 500% em relação ao ano passado - o que motivou a criação de um gabinete de crise coordenado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Na última quarta-feira, partidos da base aliada e da oposição fecharam um acordo à revelia do governo, que considera consolidadas as ocupações em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) desmatadas até julho de 2008. A votação está marcada para hoje, mas corre o risco de ser adiada mais uma vez.

O relator Aldo Rebelo (PC do B-SP) e parte dos aliados não aceitam as exigências do Planalto de proteção de vegetação nativa em parte de todas as propriedades e a recuperação de APPs às margens de rios e encostas.

Margem. Na noite de ontem, o Planalto flexibilizou sua proposta de recomposição das áreas de preservação ambiental. Segundo a nova proposta, culturas consolidadas em pequenas propriedades só teriam de recompor 20% das APPs.

A possibilidade de veto foi confirmada pela ministra Izabella. "A presidente não aceita nada que não esteja balizado pelo compromisso que ela assumiu em campanha." O compromisso foi expresso em carta à ex-candidata Marina Silva em 14 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno da eleição.

Para o Planalto, o acordo, além de quebrar um compromisso, deixaria a presidente numa posição delicada no comando da cúpula das Nações Unidas do ano que vem, a Rio+20.

Apenas PV, PSOL e parte do PT são contrários à proposta do relator. "O governo não participou de nenhum acordo. Não aceita anistia geral nem uma política ambiental feita pelos Estados. Também não cederá em relação às áreas desmatadas", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). A anistia aos desmatadores prevista pelo acordo é muito mais ampla que a concedida em 2009 pelo ex-presidente Lula, por decreto, que suspendia a cobrança de multas de quem se comprometesse a regularizar suas propriedades.

O governo havia concordado em flexibilizar as regras, de forma a facilitar a regularização das propriedades. Mais de 90% dos produtores rurais seriam beneficiados com a proposta negociada desde o início do ano.

Horas depois de Dilma ter avisado que não aceita a emenda, Rebelo divulgou carta aberta em que defende seu texto e afirma que não há anistia para desmatadores. "ONGs internacionais para cá despachadas pelos países ricos e sua agricultura subsidiada pressionam para decidir os rumos do nosso País. Eles já quebraram a agricultura africana e mexicana, com consequências sociais visíveis. Não podemos permitir que o mesmo aconteça no Brasil", escreveu Aldo.

Dilma nunca recebeu Aldo para tratar do Código; o relator discute o projeto com o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. (Estado)

A situação dos endividados e o vento de cauda na economia

Nada menos do que 41,3% da renda anual do brasileiro está sendo consumida com o pagamento de dívidas, apontou reportagem publicada pelo Valor em 18 de maio. É o percentual mais elevado de comprometimento da renda com essa finalidade desde que o levantamento começou a ser feito, em 2006. Há um ano, juros e principal absorviam 37,4% do rendimento anual das pessoas.

O comprometimento crescente do orçamento do brasileiro com dívidas é consequência do aumento dos gastos com juros, depois das medidas macroprudenciais anunciadas pelo governo a partir do fim de 2010 para restringir o crédito, e da elevação da taxa básica de juros (Selic), que já subiu 1,25 ponto percentual neste ano.

A partir de novembro, o governo lançou mão de medidas como o aumento dos recolhimentos compulsórios dos bancos e maiores exigências de capital para determinadas operações de financiamento à pessoa física para frear a inflação por meio da restrição ao crédito, que chegou a 45% do Produto Interno Bruto (PIB) no governo Lula, saindo de 22% em 2003; e quadruplicou em volume desde então. No ano passado, o estoque total do crédito aumentou 20,7% e o objetivo do Banco Central é reduzir para 13% a 15% o crescimento das operações neste ano.

Até agora, o resultado mais visível das medidas de contenção do crédito tomadas pelo governo é a elevação dos juros. As taxas para as operações com pessoas físicas subiram de 40,6% ao ano em novembro para 45% em março. O volume médio mensal de concessão de crédito para pessoa física chegou a cair em janeiro, mas voltou a subir em fevereiro e março; assim como o prazo das operações.

É exatamente o crescimento das despesas com juros que aumentou o comprometimento da renda dos brasileiros com o crédito. Para diluir o peso, as pessoas alongaram o crédito. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio) revelou que 34,9% dos paulistas tinham dívidas superiores a um ano em comparação com 26,2% em abril de 2010.

As medidas macroprudenciais tornaram, porém, essa estratégia cada vez mais difícil porque, além da elevação dos juros, elas causaram a diminuição dos prazos do crédito. Informações divulgadas na semana passada pelo Banco Central, por ocasião do anúncio do Boletim Regional, antecipam o comportamento do crédito em abril, que só será conhecido em detalhes na próxima semana. De acordo com esses dados, a taxa média do crédito subiu para 51,3% em abril. A concessão média diária de crédito para pessoa física caiu 9,8% em comparação com março, em termos dessazonalizados; e o prazo médio das operações encolheu para 38,1 meses. O financiamento de veículos, um dos principais alvos das medidas tomadas pelo Banco Central, teve o prazo médio reduzido de 44 meses em novembro para 40 meses em abril.

Neste momento, ainda é difícil saber se a economia está ou não desacelerando, como pretende o BC, para conter as pressões inflacionárias, o que terá implicações na capacidade de pagar as dívidas. Se a economia cresce e há emprego e salário, a tarefa é facilitada; mas se os negócios desacelerarem muito, pode ficar impossível manter os compromissos em dia.

Apesar de o governo vir repetindo que suas medidas estão fazendo efeito, o índice do Banco Central que antecipa o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br, subiu 0,51% em março, depois de ter aumentado 0,36% em fevereiro, mostrando uma reação. O desempenho do primeiro trimestre (1,28%) sinaliza um crescimento anualizado e dessazonalizado de 5,2%. O próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, disse a jornalistas estrangeiros que a economia brasileira pegou um "tailwind" (expressão usada quando um vento de cauda aumenta a velocidade do avião) que turbinou o consumo. Reforçam essa visão o desempenho exuberante da arrecadação em abril, quando as receitas totalizaram R$ 85,2 bilhões, 10,4% a mais do que em abril de 2010 e 19% a mais do que em março passado.

Apesar disso tudo, o governo reduziu a projeção de crescimento da economia neste ano de 5% para 4,5% no relatório bimestral das contas federais, divulgado sexta-feira.

Uma saída para o brasileiro endividado será o cadastro positivo, cuja legislação seguiu para sanção presidencial, após ser finalmente aprovado no Congresso. Calcula-se que o cadastro positivo, ao conter todo o histórico de pagamentos da pessoa, inclusive das faturas de água, luz e telefonia fixa, possa reduzir o custo do crédito em 20% a 30% para o bom pagador. (Valor)

Elevador quebrado

Para as mulheres brasileiras, o elevador profissional não chega à cobertura. Elas estudam cada vez mais do que os homens, preenchem mais vagas no mercado de trabalho que requerem melhor qualificação, mas são barradas antes de chegarem ao topo salarial e ao comando. Dilma Rousseff é a exceção que confirma a regra.

A mesma eleição que colocou uma mulher na Presidência da República manteve uma baixa ocupação feminina no Congresso, nas assembleias e nos governos estaduais. A culpa é do machismo das cúpulas partidárias, é certo. Mas o problema se estende a toda a sociedade.

As mulheres são 42% dos 44 milhões de trabalhadores formais do País e ganham, em média, 17% menos do que os homens (Rais 2010). Em dinheiro, a diferença mensal é de R$ 305. Dito assim, o problema parece enganosamente menor. A média escamoteia a crueldade da discriminação.

Se considerarmos apenas os trabalhadores com nível superior completo, descobriremos que 59% são do sexo feminino. É uma recompensa pelo esforço das mulheres, que passam mais tempo estudando e conseguem, mais do que os homens, empregos que exigem diploma.

Só há um problema: a diferença salarial duplica entre os homens e mulheres que fizeram faculdade. As mulheres ganham, em média, 41% a menos do que seus colegas que estudaram tanto quanto elas. São R$ 2.150 a mais para os homens todo mês.

Como a diferença salarial pode ser tão grande se a qualificação é, teoricamente, a mesma?

É que a maioria de mulheres fica confinada à base da pirâmide profissional. Seu acesso aos postos do topo é dificultado por barreiras culturais, preconceitos e até intimidação sexual. Para chegar lá, precisam desalojar concorrentes masculinos. Mas eles não largam o osso.

No topo da pirâmide, 35 famílias ocupacionais pagam mais de R$ 10 mil por mês, em média, para os com-diploma. Os homens são maioria em nada menos do que 33 delas. Eles ocupam 69% dos postos de comando mais bem pagos.

Para piorar, as relativamente poucas mulheres que chegam ao topo geralmente ganham de 20% a 80% menos do que os homens que ocupam os mesmos cargos. Segundo estudos norte-americanos, as mulheres reivindicam aumentos salariais muito mais raramente do que os homens.

Mas isso não explica absurdos como este: dois em cada três dos mais de 14 mil diretores empresariais no Brasil são homens, que ganham R$ 16 mil, em média. O outro terço, formado por mulheres, ganha R$ 5,8 mil, ou seja, R$ 10 mil a menos por mês, R$ 130 mil a menos por ano. (Do blog de José Roberto de Toledo)

Dívida pública sobe e atinge R$ 1,73 tri no mês de abril
A dívida pública federal subiu 2,34% no mês de abril e alcançou R$ 1,73 trilhão, de acordo com dados do Tesouro Nacional.
O valor se refere ao endividamento interno e externo do país. Em março, a dívida havia somado R$ 1,695 trilhão.
O aumento em abril se deveu a uma emissão recorde de papéis no mês, que teve cinco semanas.
Além disso, os investidores passaram a aceitar taxas mais baixas nos papéis de juros prefixados, o que contribuiu para que o Tesouro Nacional aumentasse as vendas. (Folha)

Agenda Política

Terça-feira (24)

- Câmara dos Deputados tenta votar projeto de lei que trata do Código Florestal.

- Plenário do Senado discute proposta de emenda à Constituição (PEC) que muda o rito de tramitação de medidas provisórias. Votação pode ocorrer na próxima semana.

- Comissão Mista de Orçamento se reúne com o ministro do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, relator do parecer prévio sobre as contas do governo federal do exercício de 2010.

- Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara realiza audiência pública em comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade. Foi convidada, entre outros, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

- Comissão de Trabalho da Câmara realiza audiência pública sobre a crise brasileira no Polo Calçadista. Foram convidados, entre outros, representantes dos ministérios do Trabalho, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

- Comissão Especial da Reforma Política na Câmara debate sobre tempo de mandato, reeleição, data da posse e obrigatoriedade do voto.

- Subcomissão Especial da Reforma Tributária da Comissão de Finanças e Tributação (Câmara) define agenda de trabalhos.

- Comissão Mista de Orçamento realiza audiência pública com o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, para debater a operacionalização do Decreto 7.468/11, que mantém a validade dos restos a pagar referentes a 2007, 2008 e 2009, que seriam cancelados em 30 de abril.

- Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, abrem seminário sobre Novas Regras de Cartões de Crédito , em Brasília. O seminário contará com a presença de representantes da Procuradoria Geral da República, do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça (DPDC) e do Ministério Público Federal.

Quarta-feira (25)

- Comissão de Finanças e Tributação da Câmara realiza reunião mensal, reservada aos parlamentares, com o secretário da Receita Federal, Carlos Barreto, destinada a discutir os dados divulgados da arrecadação de tributos de competência da União, referente ao mês de março de 2011.

- Comissões de Fiscalização Financeira e Controle; e de Viação e Transportes da Câmara realizam audiência pública sobre o atual estágio do projeto de implementação do Trem de Alta Velocidade no Brasil. Foram convidados, entre outros, o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo.

- Comissão de Minas e Energia da Câmara realiza audiência pública sobre o mercado de álcool combustível. Foram convidados, entre outros, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, e o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Marcos Jank.

- Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara realiza audiência pública sobre os aspectos socioeconômicos, ambientais e jurídicos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

- Banco Central divulga Investimento Estrangeiro Direto de abril.

Quinta-feira (26)

- Comissão de Finanças e Tributação da Câmara realiza audiência pública sobre a retirada dos gastos com saúde da Lei de Responsabilidade Fiscal. Foram convidados, entre outros, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski.

- Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de seminário sobre fluxos de capitais em mercados emergentes, promovido pelo FMI e Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro.

- IBGE divulga desemprego em abril.

- Tesouro Nacional divulga o resultado do governo central de abril. (Fonte: Diap)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Inclusão social e racial fazem parte das principais bandeiras da UGT

Mobilização e expansão da economia incluem negros no mercado de trabalho

Por Ricardo Patah, presidente nacional da UGT

Finalmente começamos a recolher os frutos das políticas afirmativas e da mobilização das entidades civis, entre elas os sindicatos, como o Sindicato dos Comerciários e a Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. Desde a criação da UGT, há quase quatro anos, nossa principal bandeira tem sido a inclusão social. Os negros e os mais pobres são sumariamente excluídos das oportunidades educacionais, primeiro. E como consequência e muito preconceito depois são também mantidos fora do mercado de trabalho. Essa situação está mudando com as recentes políticas de inclusão social e de investimento em Educação e Qualificação do governo do ex-presidente Lula e que a UGT insiste que devam ser ampliadas no governo atual. Os números recentes apurados pelo Instituto Ethos mostram que o preconceito além de desumano é também contraproducente para nossa economia. As empresas começam a dar oportunidade aos negros e devemos insistir para que se acelerem estas contratações. Afinal, o Brasil tem uma dívida enorme com esta população que é parte integrante de nossa nacionalidade e de nossa cultura. Comemoramos com euforia pois o Sindicato dos Comerciários de São Paulo foi uma das primeiras entidades a incluir na sua convenção coletiva a obrigatoriedade de se contratar no mínimo 20% de trabalhadores afro-descendentes. E enquanto a gente não perceber trabalhadores negros nos shoppings, nos restaurantes e nas principais atividades econômicas e de serviços significa que ainda teremos muito a fazer pela inclusão social e racial em nosso País.

Empresas ampliam a contratação de trabalhador negro
Participação sobe de 23,4% em 2003 para 31,1% em 2010, mostra pesquisa do Instituto Ethos com 500 companhias. Mas, quanto maior o nível hierárquico, menor é a presença de negros; em cargos de diretoria, são só 5,3%.
"Costura, faxina..." Vanessa Santos Antônio, 20, sabe bem qual seria seu futuro se não tivesse decidido cursar faculdade.
"Nasci em uma família pobre, em Brasilândia [zona norte de São Paulo], mas meu pai sempre me ensinou que o único jeito de mudar de verdade e ter um padrão de vida diferente é estudando."
Aluna do último ano de administração da Faculdade Zumbi dos Palmares, ela fez dois anos de estágio no Bradesco e foi efetivada com escriturária no departamento de recursos humanos.
Depois de se formar, pretende fazer pós-graduação e intercâmbio nos Estados Unidos para estudar inglês.
Durante a era Lula, a participação de negros como Vanessa nas empresas passou de 23,4% (2003) para 31,1% (2010), segundo pesquisa do Instituto Ethos com as 500 maiores empresas do país.
"A mão de obra negra está mais inserida no mercado de trabalho, mas ainda está bem abaixo do que deveria, considerando que eles representam 46% da PEA (população economicamente ativa)", diz Paulo Itacarambi, vice-presidente do Ethos.
Alguns fatores, diz ele, explicam esse aumento. Um é a melhoria da autoestima, que tem contribuído para aumentar o número de pessoas que se declaram negras (pretos e pardos).
Há ainda a política de cotas nas universidade, melhorando a qualificação. Por fim, vem a percepção, por parte das empresas, de que a diversidade é positiva para a organização.
Mas, apesar dos avanços, a análise da presença do negro em diferentes níveis hierárquicos evidencia uma enorme desigualdade.
Quanto maior o nível hierárquico, menos negros. Eles ocupam 25,6% dos cargos de supervisão. Estão em 13,2% dos cargos de gerência e em 5,3% dos cargos de diretoria.
"É preciso criar oportunidades para essas pessoas subirem na empresa e isso requer esforço e investimento", diz Itacarambi.
O Ethos defende que as empresas tenham metas -mas não cotas- para reduzir as desigualdades. "Empresas não funcionam com cotas. Mas, se fizerem esse investimento, rapidamente a gente equilibra isso."
ESTÁGIOS — Para chegar aonde chegou, Vanessa Antônio participou de um dos únicos programas privados dedicados à promoção do negro no mercado de trabalho no país.
Sua faculdade tem parcerias com dez empresas para a realização de estágios: Bradesco, Citibank, Itaú, Santander, Banco do Brasil, Mercedes-Benz, Ford, Dow Química, Cargill e Nestlé.
Cada uma recruta entre 20 e 40 alunos por ano. Em média, 90% são efetivados após o fim do estágio. Desde que o programa foi criado, 483 alunos fizeram ou estão fazendo estágio.
"O estágio é diferenciado. Além do trabalho, eles fazem cursos de extensão por meio de convênios com FGV, USP e Unicamp", diz Francisca Rodrigues, diretora da Zumbi dos Palmares.
A educação qualifica o negro, mas ainda é preciso vencer preconceitos. "Ainda tem muita gente de recursos humanos que contrata pela boa aparência, o que, para eles, quer dizer "branco de cabelo liso'", diz Rodrigues.
"A gente vê isso aqui. Fechamos essas parcerias com os presidentes. Mas, quando vem alguém de RH fazer a seleção, às vezes a pessoa faz perguntas estranhas. Você vê que ela não sabe nem como abordar os alunos negros." (Folha)

Micro e pequenas geram 67% dos empregos em abril

Levantamento feito pelo Sebrae com base no Caged mostra que as empresas com até quatro trabalhadores são as que mais empregam no Brasil

As micro e pequenas empresas foram responsáveis por 67% dos 272.225 empregos formais gerados no Brasil em abril deste ano, o que corresponde a 182.390 vagas. É o que mostra levantamento feito pelo Sebrae com base nos dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado essa semana, em Brasília. Os números apontam uma recuperação do ritmo observado em março deste ano, quando os pequenos negócios responderam por 41,4% dos empregos com carteira assinada.

"Considerando os últimos 12 meses, as micro e pequenas empresas geraram quase 80% dos empregos formais no país. Portanto, não há como falar em desenvolvimento do Brasil sem envolver esse segmento", afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

De acordo com o levantamento, as empresas que empregam até quatro trabalhadores contribuíram significativamente para o resultado geral, respondendo por 46,2% de todas as vagas com carteiras formais criadas no mês, enquanto os empreendimentos que empregam de 20 a 99 foram responsáveis por 13,7% das contratações. Já as que empregam entre cinco e 19 funcionários responderam por 7,1% do saldo total dos empregos do mês.

Considerando os setores, o de serviços foi o que mais se destacou, representando 28,7% do total de empregos gerados pelas micro e pequenas empresas. O comércio também teve destaque na criação de postos de trabalho, representando 13,5%, seguido pela indústria de transformação, com 10,7% do total de empregos.

Dinâmica nacional — O desempenho de abril foi superior à média verificada nos últimos quatro anos, sendo o quarto melhor resultado em toda a série histórica para o mês. No acumulado dos últimos 12 meses, foram gerados 2,295 milhões de postos de trabalho, considerando a série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, equivalente à expansão de 6,65%. Dos 26 estados e do Distrito Federal, 23 expandiram o nível de emprego, com recorde apenas no Rio de Janeiro e no Amazonas. Em termos absolutos, o estado de São Paulo liderou a geração de empregos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. (Agencia SEBRAE)

Internet já é o 2º maior canal bancário

Com quase um quarto do número de transações efetuadas no Brasil, web só fica atrás de caixas eletrônicos. Especialistas dizem que sites ainda precisam se adaptar ao cliente e dão dicas de como usar o sistema com segurança.
O internet banking brasileiro já é o segundo canal de serviços mais utilizado pelos clientes, atrás apenas dos caixas automáticos (31%), respondendo por 23% das operações bancárias efetuadas no Brasil, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Mas essa escalada de importância na vida dos clientes precisa ser acompanhada por uma reformulação tanto na forma de manuseio dos serviços quanto na linguagem empregada nos sites, afirma Fabiana Yazbek, especialista em usabilidade e arquitetura da informação da Lumens Consultoria.
"Em vez de ter uma infinidade de serviços que ninguém sabe como usar, o site de banco ideal deveria oferecer satisfatoriamente o básico, que é uma visão global da conta corrente e dos investimentos, como saldo, últimas operações e agendamento de pagamentos", diz Yazbek.
Outra problema, na avaliação de Yazbek, é a comunicação. "Os menus dos sites bancários estão presos à linguagem mercadológica, o que dificulta a navegação", afirma. "Parece uma sopa de letrinhas."
Para ela, o internet banking tem de incorporar a seus serviços o agendamento de compromissos futuros que o cliente tenha com a instituição, como a renovação do seguro do automóvel ou da casa. "Atualmente, nenhum banco está fazendo isso direito, seja pela falta de dados de todos os serviços que o cliente utiliza na instituição, seja pela falta de sinergia entre as áreas", diz.
Do ponto de vista do design, o internet banking brasileiro vai contra a intuitividade dos usuários, priorizando a lógica dos projetistas de informática, diz Luís Cláudio Portugal, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
"As categorias de serviços não seguem uma hierarquia de informações e ainda existe o problema de você realizar uma longa operação e apenas ao término dela descobrir que não pode ser concluída naquele horário", afirma Portugal.
SEGURANÇA — Segundo Wanderson Castilho, especialista em crimes eletrônicos da consultoria E-Net Security, a maioria das vítimas de fraudes virtuais no internet banking são usuários novos de informática, que acabam cedendo espontaneamente suas informações bancárias.
"Os bancos precisam criar um canal direto para esclarecer os clientes sobre os perigos de preencher formulários maliciosos e atualizar esse banco de dados com os novos tipos de golpe", afirma.
"Todo dia os bandidos inventam novas formas de roubar e os bancos têm de enfrentá-los informando seus clientes sobre como se prevenir", completa Castilho.
Marcelo Laus, especialista em segurança da Data Security, recomenda que se evite o uso de computadores compartilhados, como os de hotéis ou de salas de aula. "O usuário também deve manter seu PC protegido, com o sistema operacional e antivírus atualizados", diz. (Folha)

Estudo coloca trabalhadores brasileiros em vantagem sobre norte-americanos

Levantamento aponta que assalariados têm mais proteção social no Brasil e que empregos gerados no País têm sido de melhor qualidade do que nos EUA.

Um estudo realizado em parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba) abrangendo 70% dos trabalhadores formais urbanos (não-agrícolas) do Brasil (55 milhões de pessoas) e dos Estados Unidos (116 milhões) causou surpresa, entre os próprios pesquisadores, ao atestar que, no Brasil, os assalariados têm mais proteção social e os empregos gerados têm sido de melhor qualidade do que nos Estados Unidos - mesmo antes da eclosão da crise econômica mundial, em 2008.

No ensaio "Os sentidos das precariedades em dois mercados nacionais de trabalho: Brasil e Estados Unidos", os pesquisadores Claudio Salvadori Dedecca e Wilson Menezes, professores, respectivamente, da Unicamp e da Ufba, levam em consideração dados oficiais dos países e fatores como remuneração, desigualdade da massa salarial e perfil do contrato de trabalho, de acordo com a segurança oferecida ao trabalhador.

De acordo com os pesquisadores, os resultados contestam teses que relacionam melhorias na remuneração média e na proteção social dos assalariados com menos regulação nos contratos de trabalho.

Segundo o estudo, enquanto houve, na última década, no Brasil, expansão na absorção de trabalhadores pelo mercado formal - com mais proteção social -, com aumento real na média de salários (13% entre 2001 e 2009), nos Estados Unidos ocorreu fenômeno inverso: a ampliação de vagas ocorre principalmente em áreas de remuneração mais baixa, como em grandes redes varejistas, e é seguida por constante diminuição na proteção social. Além disso, não resulta em aumento salarial médio real (3% entre 2001 e 2009).

Hoje, mostra a pesquisa, o trabalhador norte-americano não conta com diversos direitos legais com os quais os empregadores brasileiros têm de arcar, como férias e feriados remunerados, pagamento de horas extras e licença-maternidade.

"Os resultados apontam para uma redução das precariedades dos contratos de trabalho no mercado brasileiro, (...) situação que não encontra sinalização para o mercado de trabalho americano", conclui o estudo. "A constatação não confirma a tese que associa um menor desemprego e maior proteção a uma menor regulação dos contratos de trabalho, independentemente da efetividade das matrizes institucionais."

O levantamento integra um projeto maior, que inclui pesquisadores e universidades da Europa e dos Estados Unidos. A próxima etapa será comparar as realidades dos mercados de trabalho brasileiro e norte-americano com o mexicano. (Estado)

Divisão de lucros deflagra onda de greves

Metalúrgicos de montadoras do Brasil inteiro aproveitam o bom momento do setor - com produção e vendas bombando - para cobrar a sua parte na divisão do lucro das empresas. As negociações entre sindicalistas e empresários, em sua grande maioria, têm chegado ao impasse, o que abriu caminho para uma enxurrada de greves no setor.

Os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, fizeram ontem uma greve de advertência de 24 horas e ameaçam cruzar os braços por tempo indeterminado na segunda-feira. Na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista, a paralisação foi de quatro horas - duas no turno da manhã e outras duas no da tarde. Os trabalhadores querem que a GM pague R$ 12 mil em Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) este ano. A oferta da empresa é de R$ 9 mil.

O movimento dos metalúrgicos de São José e de São Caetano faz parte de uma tendência nacional. A conquista de parcelas cada vez maiores nos lucros ou resultados das empresas é hoje um dos principais itens da pauta de negociações entre empresas e sindicatos, ao lado do aumento real de salários. Entre os operários das montadoras, essa tendência é ainda mais forte.

Este ano, a venda de veículos estabeleceu um novo recorde para um primeiro quadrimestre. Elas cresceram 4,5% em relação a igual período de 2010. Para este mês, a expectativa do setor é de novo recorde. As vendas devem ficar ao redor de 300 mil unidades, atingindo o melhor resultado para um mês de maio no País. O emprego, em geral, também está em alta no País. (Estado)

Investimento cresce mais e dá qualidade ao PIB do 1º tri

O investimento voltou a puxar a atividade econômica no primeiro trimestre, revertendo a composição menos saudável registrada no trimestre anterior, quando o consumo das famílias tinha avançado a um ritmo bem superior ao da formação bruta de capital fixo (FBCF). De nove analistas consultados pelo Valor, seis apostam numa expansão mais forte do investimento, amparado no crescimento expressivo do consumo doméstico de máquinas e equipamentos e em uma alta um pouco mais moderada da construção civil.

As projeções mais positivas apontam para um crescimento de 3,5% a 4% no primeiro trimestre para o investimento em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, ritmo bem mais forte que o 0,7% do quarto trimestre de 2010 em relação ao terceiro, na mesma série. Há, porém, estimativas mais cautelosas, indicando um aumento da formação bruta inferior a 1%. Redução do crédito para empresas e retração no investimento público são os argumentos dos economistas que não esperam alta expressiva no primeiro trimestre.

Para o consumo das famílias, as projeções oscilam entre 0,4% e 2%. Nas contas do resultado do conjunto do PIB no primeiro trimestre, contudo, há menos divergência, e a expectativa generalizada é de uma aceleração em relação ao 0,7% do quarto trimestre sobre o terceiro (com ajuste), com as previsões variando entre 1% e 1,5%. Os números oficiais serão divulgados pelo IBGE em 3 de junho.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, é um dos que estimam uma alta muito expressiva do investimento no primeiro trimestre, apostando em expansão de 3,5% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. O número forte se deve principalmente ao crescimento de 7,2% do consumo aparente de máquinas e equipamentos (a soma da produção e importação, excluindo a exportação desses produtos), diz ele, que projeta alta de 2,1% para a construção. A oportunidade de comprar uma máquina mais barata no exterior, dada pela valorização do real, também é ressaltada na análise do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas, que espera um investimento 2,7% mais forte no primeiro trimestre em relação ao fim de 2010, na série com ajuste.

"Com o real apreciado e algum receio de que poderia haver mudanças na taxa de câmbio, as empresas aproveitaram para aumentar a importação de máquinas e equipamentos e insumos nesse período", diz Vale, da MB, para quem Petrobras e Vale têm uma "boa responsabilidade por essa expansão". Além da importação, também cresceu com força no primeiro trimestre a produção local de bens de capital, que subiu 5,1% sobre o trimestre anterior, na série livre de influências sazonais.

Embora espere uma alta forte do investimento, o coordenador do Boletim Macro do Ibre, Regis Bonelli, destaca o caráter volátil da formação bruta de capital fixo, que oscila bastante. "É uma das variáveis mais difíceis de se prever o comportamento", diz ele. Nas contas do Ibre, no primeiro trimestre, o consumo das famílias vai crescer 1,4% (quase 50% abaixo do investimento), uma perda de fôlego influenciada pela base de comparação mais forte do quarto trimestre e pela redução do ritmo de vendas de veículos, diz Bonelli. Um investimento que avança mais que o consumo confere mais qualidade ao crescimento, uma vez que aponta para o aumento da capacidade de produção da economia. A questão, diz Bonelli, é que, antes de ampliar a oferta, o investimento alimenta a demanda, que já se encontra aquecida, num cenário de inflação pressionada.

A perda de fôlego na venda de veículos e a forte base de comparação também são os argumentos de Vale para projetar uma alta de apenas 0,4% em relação ao quarto trimestre (série com ajuste). "Mas isso não significa que o consumo esteja mal, a expansão do fim de 2010 é que foi atípica", diz ele, que não vê um efeito tão expressivo das medidas de restrição ao crédito.

O Bradesco também espera expansão de 3,5% para o investimento no primeiro trimestre, atribuindo a força da formação bruta de capital fixo a uma possível antecipação de projetos. Em relatório, a economista Ana Paula de Almeida Alves aponta a "moderação anunciada na concessão de alguns incentivos parafiscais" - leia-se, a perspectiva de aumento dos juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES.

O economista-chefe do HSBC, André Loes, calcula que o avanço dos investimentos no primeiro trimestre, na comparação com igual período de 2010, foi de vigorosos 15,7%. O resultado é ainda mais expressivo, avalia Loes, "se levarmos em conta que o primeiro trimestre do ano passado foi muito forte em investimentos, devido à redução de impostos para a indústria e o clima de entusiasmo no país". Na mesma comparação, o HSBC estima em 5,8% o avanço do consumo das famílias. É de Loes uma das estimativas mais otimistas sobre o avanço do PIB no primeiro trimestre deste ano, de 1,5% em relação ao quarto, com o ajuste sazonal.

"A economia está desacelerando", diz Loes, "mas a um ritmo muito lento. O país está muito aquecido ainda". No ano, o HSBC projeta a alta do PIB em 4,7%, com consumo das famílias crescendo um ponto percentual além do PIB, e os investimentos 11%. "O melhor seria caminharmos para um cenário em que o consumo das famílias cresce menos que o PIB", afirma.

No grupo dos pessimistas com o investimento, Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, projeta alta de 0,8% no primeiro trimestre, abaixo do 1% esperado para o consumo das famílias. Nas contas da consultoria, a construção civil cresceu 1,4%, o consumo de bens de capital, 4,5%, mas o estoque de crédito para empresas, que ela inclui no modelo, recuou 0,3%, sempre na série com ajuste sazonal.

Além dos citados nesta página, o Valor consultou o Santander - que estima em 0,4% a alta dos investimentos e em 1,2% a do consumo das famílias - e a LCA Consultores. (Valor)

Gasto de Estados com juros sobe 30% no 1º bimestre

Com o endividamento com o governo federal corrigido pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os Estados brasileiros começaram o ano pagando mais juros do que no início do ano passado. Segundo relatórios de execução orçamentária que os governos estaduais e o Distrito Federal enviam ao Tesouro, as despesas dos Estados com juros da dívida subiram, em média, 30,7% nos dois primeiros meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2010, para R$ 2,901 bilhões.

Os mesmos relatórios também mostram que a pressão sobre os juros da dívida não é compensada pelo aumento real da arrecadação. As receitas tributárias totais dos Estados e do Distrito Federal cresceram 13% no primeiro bimestre.

As unidades federativas mais afetadas pelo aumento dos juros da dívida são Tocantins, cuja despesa subiu 150% em janeiro e fevereiro, Minas (alta de 124%) e Rio de Janeiro (63%). O efeito dos juros sobre o endividamento poderia ser pior não fosse o calendário de pagamento dessas taxas. O Rio Grande do Sul pagou 31% a menos de juros em janeiro e fevereiro, mas ainda não é possível verificar se a tendência persistiu nos meses seguintes.

O levantamento sobre o endividamento abrangeu 20 Estados e o Distrito Federal. Alagoas, Amapá, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia e Roraima não foram incluídos porque não haviam enviado o relatório de execução orçamentária ao Tesouro.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece que a dívida dos Estados só pode atingir até 200% da receita corrente líquida. A alta do indexador que corrige as dívidas torna mais difícil o cumprimento desse limite. Os dados sobre a LRF constam de outro documento, que só será enviado pelos governos estaduais ao Tesouro nos próximos meses. No último relatório, do fim do ano passado, apenas o Rio Grande do Sul excedia o limite de endividamento entre os Estados.

Depois da renegociação das dívidas no fim da década de 1990, os Estados passaram a ter a dívida corrigida pelo IGP-DI mais 6%, 7,5% ou 9% ao ano, dependendo de cada caso. Com a alta da inflação, o IGP-DI está em 10,84% no acumulado nos últimos 12 meses, o que pode fazer a dívida disparar até 20% no ano e criar dificuldades para as contas dos governos estaduais. Nos últimos 15 dias, governadores que se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir reforma tributária pediram a mudança na forma de correção das dívidas. (Valor)