quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Crise econômica mundial exige realismo e reação urgente do Governo brasileiro

Bancos centrais se unem contra crise

A marola da crise mundial está atingindo nossa economia e tem proporções preocupantes, que nos remetem para as ondas do Havai ou nos ameaçam com preocupações e consequências típicas de quem vive no Haiti. A situação é séria e precisa ser tratada com realismo, mobilizando a sociedade civil, vigiando de perto as ações dos especuladores que foram pegos a descoberto e tomando cuidado com os empresários que preferem se esconder atrás de uma desculpa da crise internacional para pensar apenas nos seus interesses do que agir a favor do Brasil e da nossa economia. É hora de muita atenção, de reflexão e de ação a favor do Brasil, da nossa economia e do nosso mercado interno. Veja o que foi publicado nos sites de notícias:

Agindo de forma coordenada pela primeira vez na história, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e outros oito bancos centrais reduziram as taxas de juros ontem, na tentativa de conter a turbulência financeira que tomou conta de mercados ao redor do mundo.

O Fed, o BCE e os bancos centrais da Grã-Bretanha, Canadá, Suécia, Suíça e Emirados Árabes anunciaram cortes de meio ponto porcentual nas taxas básicas de juros. Posteriormente, os bancos centrais da China, Hong Kong e Austrália se juntaram ao esforço, anunciando reduções em suas taxas. A última vez que algo semelhante aconteceu foi após os ataques de 11 de setembro, qndo o Fed e o BCE reduziram taxas de juros.

Mas os mercados não se impressionaram com a demonstração de força dos bancos centrais e tiveram um dia volátil. A Bbolsa de Londres fechou em baixa de 5,18%, a de Frankfurt caiu 5,88% e o índice Dow Jones recuou 2%, na medida em que os investidores duvidavam que os cortes de juros ajudarão a evitar uma recessão mundial.

O Fed anunciou o corte antes de sua reunião oficial, marcada para 28 e 29 deste mês. A taxa americana caiu para 1,5%, mas analistas não afastam a possibilidade de o Fed voltar a reduzir os juros no fim do mês, caso os bancos continuem relutando em emprestar dinheiro, mantendo o mercado de crédito paralisado. O BCE reduziu os juros de 4,25% para 3,75% e também pode voltar a cortar a taxa em sua reunião de 6 de novembro. O corte de juros do Banco da Inglaterra, que reduziu a taxa para 4,5%, veio um dia antes da reunião oficial do banco.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, exortou os governos do mundo a continuarem atuando juntos para aumentar a liquidez e fortalecer as instituições financeiras. "Os governos precisam continuar trabalhando de forma individual e conjunta para fornecer a liquidez tão necessária, fortalecer as instituições financeiras com injeções de capital e compra de ativos problemáticos, evitar abusos no mercado e proteger a poupança de nossos cidadãos", disse Paulson.

Ele se mostrou otimista em relação à eficácia dos cortes de juros anunciados ontem. "O corte coordenado é um sinal bem-vindo de que os bancos centrais ao redor do mundo estão preparados para adotar as medidas necessárias para apoiar a economia mundial nesta época difícil." Paulson pediu um encontro dos ministros do G-20 neste fim de semana para discutir uma reação coordenada à crise.

O BCE vinha resistindo a ações coordenadas, porque achava que a crise de crédito estava essencialmente localizada nos EUA, por causa das hipotecas subprimes. Mas a crise bancária que tomou conta da Europa nos últimos dias mudou o rumo do BCE. "Indicadores econômicos apontam que a atividade econômica desacelerou de forma significativa nos últimos meses", dizia o comunicado do Fed de ontem de manhã. "Além disso, a intensificação da turbulência financeira deve pressionar mais o consumo, ao reduzir a habilidade de consumidores e empresas de obterem empréstimos."

Desde que a crise de crédito começou, em agosto de 2007, os bancos centrais haviam feito políticas conjuntas de injeção de liquidez, mas não haviam cortado juros de forma coordenada. Os ministros das Finanças de Washington se encontram neste fim de semana em Washington e podem discutir opções para lidar com a piora da crise.

O objetivo da redução dos juros é evitar os efeitos da crise de crédito, estimulando o consumo e incentivando bancos a voltarem a emprestar a consumidores e empresas. Mas a reação inicial do mercado demonstrou que nem essa inédita redução coordenada dos juros será a panacéia para a crise. A taxa Libor de empréstimos interbancários continuou subindo e a remuneração dos títulos do Tesouro de curto prazo, caindo.

Segundo Paulson, o Tesouro está trabalhando de forma acelerada para implementar o pacote aprovado na semana passada. Mas pediu paciência, e disse que "a turbulência não vai acabar rapidamente".

BC anuncia mudança no compulsório e libera R$ 23,2 bilhões — Com novas medidas, Banco Central quer fornecer liquidez ao mercado em meio à crise financeira mundial

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 8, a flexibilização do recolhimento de depósitos compulsórios, o que deve promover uma injeção de recursos no mercado de R$ 23,2 bilhões. Depósito compulsório é a parcela de recursos que os bancos recolhem diariamente ao BC. Em situações de crédito escasso, como o atual, o BC reduz esta parcela, o que aumenta o dinheiro disponível para que os bancos emprestem.

Brasil está mais competitivo, afirma Fórum Econômico Mundial

Vários fatores nos levam a uma melhor competitividade, entre eles, a inserção na economia mundial, o controle da inflação, o investimento da indústria em tecnologia e a participação consciente dos trabalhadores e de seus sindicatos no sistema produtivo. Falta muito a ser feito para ampliar essa competitividade e tem a ver com mais investimentos em educação, em treinamento e requalificação da mão-de-obra.

Veja o texto: O Brasil subiu oito posições e está em 64º lugar no ranking geral do Relatório de Competitividade Global 2008-2009 elaborado pelo Fórum Econômico Mundial e divulgado nesta quarta-feira. De acordo com o organismo "o Brasil registra avanços importantes em muitas áreas, especialmente as que fazem referência ao ambiente macroeconômico, em função da maior solidez de finanças públicas". Mas, apesar da melhora, o Brasil continua na lanterna dos BRICs (sigla que reúne os principais países em desenvolvimento: Brasil, Rússia, Índia e China) e atrás de países latino-americano como Chile, Panamá, México e Costa Rica, na sétima posição na região. .

O Brasil recebeu a pontuação 4,1, sendo que o máximo possível é 7. O Fórum usou vários critérios, como estabilidade macroeconômica, saúde e educação, inovação, eficiência do mercado, entre outros. As menores pontuações do país ficaram com infra-estrutura (3,2) e Inovação (3,5). Já o critério no qual o país conseguiu a maior nota foi tamanho do mercado (5,5).

O relatório aponta ainda a regulação tributária como fator mais problemático para os negócios no Brasil, ao lado de infra-estrutura inadequada, carga tributária e legislação trabalhista restritiva.

Instabilidade governamental, inflação, fragilidade da saúde pública e falta de ética na força de trabalho nacional aparecem como os menores problemas no ambiente de negócios brasileiro, de acordo com o estudo.

Apesar de enfrentar uma grave crise financeira, os Estados Unidos ainda lideram o ranking seguido de Suíça, Dinamarca, Suécia e Cingapura. As economias européias continuem dominando as primeiras dez colocações da pesquisa com Finlândia, Alemanha e Holanda. O Japão permaneceu na nona posição. Já o Reino Unido caiu três posições e está fora do top ten, principalmente pela fraqueza dos seus mercados financeiros, explica o relatório.

A China continua na dianteira das economias em desenvolvimento: subiu quatro posições e está entre os 30 primeiros colocados.

"O aumento dos preços dos alimentos e da energia, uma grande crise financeira e o conseqüente desaquecimento das principais economias globais estão confrontando governantes com novos desafios de gestão econômica. A volatilidade atual mostra a importância de um ambiente econômico que ofereça apoio à competitividade, ajudando as economias nacionais a enfrentar esse tipo de choque para garantir um desempenho econômico sólido no futuro", afirmou em nota Xavier Sala-i-Martin, professor da Universidade de Columbia, nos EUA, e co-autor do relatório.

Greve mobiliza 450 mil bancários no país, estima dirigente sindical

Por falar em competitividade, os bancários brasileiros ajudaram a transformar os bancos locais nos mais desenvolvidos do mundo. Foram os bancários que colocaram em prática todo o desenvolvimento da tecnologia que ajudaram os banqueiros a sobreviver às mais absurdas taxas de inflação do mundo. Agora, na hora de dividir parte do lucro, os patrões banqueiros preferem jogar de maneira desonesta contra os interesses dos trabalhadores bancários e se escondem, covardemente na crise mundial para não negociar reajustes salariais e reposição da produtividade e dos lucros. A mobilização dos bancários é a única resposta à intransigência patronal.

Veja os relatos sobre a greve: Os bancários de todo o país aderiram, nesta quarta-feira, à greve que, em Brasília, já dura nove dias. De acordo com o sindicato da categoria, no Distrito Federal, 450 mil funcionários estão parados em todo o Brasil. A categoria quer aumento real de 5% (além da inflação de 7,15%), valorização dos pisos, auxílio-creche de R$ 415, vale-refeição de R$ 17,50 por dia, além de PLR composta de três salários mais valor fixo de R$ 3.500. Se os bancários aceitassem a proposta rebaixada da federação dos bancos (Fenaban), as perdas poderiam chegar a R$ 1.800 na PLR deste ano.

No caso de Brasília, o sindicato também pede a contratação de mais pessoas para estender o horário de atendimento ao público, das 09h às 17h - atualmente os bancos ficam abertos no DF das 11h às 16h. No DF, estima-se adesão de toda a categoria, oito mil trabalhadores.

Os grevistas esperam que a Febraban apresente outra proposta nos próximos dias, pois desde o dia 24 de setembro, nenhuma negociação foi feita. Eduardo Araújo lembra que as operações simples como depósitos, saques e transferências podem ser feitas pela internet e nos terminais de atendimento eletrônicos.

O diretor do Sindicato reforça que não há previsão de retorno.

- Não temos nenhuma idéia de quando iremos retornar ao trabalho. A Febraban não nos chamou para conversar de novo. Provavelmente o Banco do Brasil vai completar 200 anos este fim de semana em meio à greve - avalia o diretor do Sindicato.

10.500 trabalhadores parados em SP — Segundo balanço parcial divulgado pelo sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e Região, pelo menos 261 locais de trabalho, entre agências e prédios administrativos, fecharam nessas regiões na manhã desta quarta-feira, primeiro dia de greve dos bancários. Estima-se que 10.500 trabalhadores paralisaram suas atividades. A mobilização foi mais concentrada no centro de São Paulo e na região da Avenida Paulista. A maior parte desses locais está apenas com a área dos caixas eletrônicos liberada.

No Bradesco Alphaville, onde funciona a área de sistemas do banco, a paralisação se estendeu até as 10h, evolvendo mais 1.500 bancários. Às 17h, a categoria realiza assembléia para avaliar a paralisação e definir a estratégia para esta quinta-feira

- Os bancários estão parando espontaneamente e ampliando a greve para outros locais - afirmou Luiz Cláudio Marcolino, presidente do sindicato.

Os bancários rejeitaram, no dia 29 de setembro, proposta que já havia sido rechaçada pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação com os banqueiros que previa reajuste de 7,5% e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) menor do que a paga no ano passado. Até agora, não há negociação marcada.

A categoria conta com mais de 434 mil bancários, sendo 120 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

No Rio, a maioria das agências fechadas está localizado no centro da cidade.

100% de adesão no Rio — No Rio, a adesão ao movimento no centro da cidade chegou a 100% , segundo a diretora do sindicato, Vera Luiza Xavier. Nas demais regiões, a maioria das agências paralisadas são do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. De acordo com o Sindicato do Município de Niterói, 155 agências bancárias não abriram hoje em todos os municípios litorâneos do Grande Rio e Região dos Lagos, de Niterói até Búzios.

O sindicato informou, em nota, que durante a greve, os bancários vão ajudar os idosos a operar os caixas eletrônicos. A assessoria da Fenaban informou que está esperando uma contraproposta dos bancários e que confia que, em breve, chegará a um acordo com os sindicatos.

Em nota, a Fenaban informa também que os consumidores que tiverem dificuldades em pagar contas têm outras agências, além das que estão em greve, e canais de atendimento remoto composto por mais de 25 mil postos de atendimento e 84 mil correspondentes não-bancários, como casas lotéricas, correios e mercados. Além disso, assinala que os clientes podem contar ainda com serviços de débito automático, internet e telefone.

 

Alta do dólar atinge economia e ameaça o Natal

Cuidado, os seus pedidos podem ser atendidos. Depois de meses de uma gritaria contra o dólar baixo, agora com o dólar disparando dentro do ambiente de crise mundial, não encontramos compradores para nossas commodities, produtos e serviços. É o tsunami chegando. E nos avisando que temos que reagir de maneira organizada, coordenada com os demais bancos centrais, para contornar os efeitos da crise num primeiro momento e criar mecanismos para punir os especuladores e agiotas de sempre.

Leia o que foi publicado: Comércio e consumidores já refazem os planos e as contas.

O pãozinho também pode ficar mais caro por causa do trigo.

Até onde vai a alta do dólar? A pergunta, repetida pelo mercado financeiro, começa a ser feita pelo consumidor comum. E os comerciantes começam a rever as encomendas para as vendas de fim de ano.

São muitas as razões para essa subida tão forte da moeda americana no Brasil. Uma delas é que, em épocas de crise, os investidores tiram seus dólares do Brasil.

O Banco Central fez nesta terça-feira um novo leilão para vender dólares, mas não adiantou. O que parecia ser um assunto apenas do mercado financeiro já começa a ter efeitos sobre nosso dia-a-dia. A alta do dólar, por exemplo, invadiu as padarias e virou conversa na hora do lanche.

 “A discussão na mesa agora estava exatamente em cima disso”, pergunta o controler de banco Claudio Rei.

 “Estou mudando os planos de viagem de final de ano. Ia para o exterior e agora não tenho mais certeza”, comenta o administrador Fabio Tadeu.

Não são apenas os clientes que estão mudando os planos. O empresário Nelson Fernandes, dono de um empório, já estava com os estoques lotados em outubro do ano passado. Agora ele decidiu comprar menos importados para o Natal.

“A previsão era uma venda otimista de 15% acima em todo o comércio, principalmente no nosso ramo, e agora a tendência é de, se conseguir vender a mesma coisa do ano passado será muito importante”, diz o empresário Nelson Fernandes.

Os vinhos, chocolates e o presunto italiano ainda não foram remarcados no Brasil. Mas, se a moeda americana continuar subindo, vão sofrer reajustes em breve.

O pãozinho também pode ficar mais caro, porque seu principal ingrediente é diretamente afetado pela alta do dólar. O Brasil importa cerca de 70% do trigo que consome.

Segundo o Sindicato da Indústria de Panificação de São Paulo, o preço da farinha de trigo já subiu 20% nas últimas duas semanas e será reajustado novamente na próxima segunda-feira (13).

 “Infelizmente o pão terá que aumentar, porque não vai dar para segurar o trigo, que está aumentando tanto em tão pouco tempo”, diz o empresário Nelson Fernandes.

Em agosto, o dólar atingiu a menor cotação do ano: R$ 1,55. Desde então, começou a sua escalada e terminou setembro valendo R$ 1,90. Em outubro disparou, ultrapassando a barreira dos R$ 2. Na terça-feira (7), fechou cotado a R$ 2,31, o maior patamar desde maio de 2006.

A valorização da moeda americana está relacionada com a crise no mercado financeiro. Quando a Bolsa despenca, há uma fuga de capital. Os estrangeiros tiram dinheiro do Brasil para cobrir perdas sofridas em outros países e também para investir em ativos mais seguros.

Começa a faltar dólar no mercado interno e o preço dispara. O economista Antônio Madeira aponta mais uma razão para a alavancada: empresas brasileiras com dívidas em dólar fazem reservas na moeda americana com medo de a cotação subir ainda mais.

 “É um movimento volátil, com tendência de alta, que vai permanecer enquanto as empresas não se ajustarem. Quem tinha que cobrir dívida, até cobrir, o mercado poderá se estabilizar depois”, avalia o economista Antônio Madeira.

Quem exporta normalmente se beneficia com a alta, porque cada dólar vendido no exterior vale mais aqui dentro. Mas algumas empresas perderam, porque estavam apostando numa cotação menor e fizeram contratos no chamado mercado futuro. Se o dólar caísse demais, quem pagaria a diferença seria o comprador. Mas com a moeda subindo, elas assumem o prejuízo.

“Não sabemos se existem muitas empresas nesta situação. Aparentemente, sim, existem. Porém, o que deve acontecer é que essas empresas devem voltar a achar um equilíbrio. Essas operações tendem a ser desfeitas. Os prejuízos tendem a ser assumidos e se começa tudo de novo”, explica a economista Mariana Costa.

Muitas empresas apostavam que o dólar ficaria entre R$ 1,60 e R$ 1,70 até o fim do ano e se enganaram feio. Elas apostavam a favor do real. 

Governo cede a ruralistas e muda lei ambiental

Que saudades ainda vamos sentir de Marina Silva. A Amazônia é nossa. E é também um património da Humanidade. Defender a Amazônia é defender a vida das gerações futuras. De nossos filhos, netos e bisnetos. Esse era o compromisso da ministra Marina Silva, que ficou isolada e perdeu a guerra para os ruralistas e depredadores do meio ambiente e da vida.

Acompanhe de perto os riscos anunciados contra nosso futuro: Depois de fazer diversas reuniões com parlamentares da bancada ruralista, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, entrega hoje à Casa Civil uma proposta que afrouxa as punições contra desmatadores. Pressionado, ele aceitou alterar ou revogar artigos do decreto que assinou no fim de julho, com o presidente Lula, para endurecer a Lei de Crimes Ambientais.

O anúncio foi feito ontem na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Na mesma reunião, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez duras críticas à legislação ambiental do país, e disse que, se todas as regras atuais forem respeitadas, "é melhor fechar o Brasil".

Stephanes disse ainda que levará mais 30 dias para divulgar o novo zoneamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Ele admitiu que o projeto ainda está parado por causa da polêmica sobre o plantio na Bacia do Alto Paraguai, cujos rios deságuam no Pantanal.

No primeiro encontro público depois da troca de críticas pela imprensa, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi interpelado pela antecessora, senadora Marina Silva (PT-AC). Em clima de constrangimento, a ex-ministra fez, diante das câmeras, uma veemente defesa da atual lei ambiental, enquanto Minc anunciava mudanças para flexibilizar o decreto que pune quem desmata na Amazônia.

Na saída da reunião no Senado, um diálogo ríspido mostrou que os dois andam às turras. Sem perceber que era observada, Marina cobrou explicações de Minc sobre declarações que julgou desrespeitosas à sua gestão.

Minc disse a Marina que houve um envenenamento de suas declarações sobre a lista que colocou assentamentos do Incra entre os maiores desmatadores da Amazônia.

 

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A crise econômica é brava mas pode ser gerenciada com mobilização e criatividade

“Pior da crise financeira ainda está por vir”, alerta, agora, o FMI

O governo Bush demorou muito para agir por causa das eleições presidenciais. Da mesma maneira, por causa do clima eleitoral no Brasil, o governo demora a reconhecer que a crise financeira é mundial (e portanto nos inclui) e muito séria. O dominó já entrou em operação, gerando instabilidades profundas na Europa e Ásia. E vai sim sobrar para a economia brasileira, afetando nosso crédito ao consumidor, e ameaçando diretamente nossos empregos. Para conter a crise temos que ser absolutamente realistas, mobilizar a Nação brasileira e resgatar a nossa tão abundante criatividade.

Acompanhemos:

Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que o pior da atual crise financeira global ainda está por vir.

O documento, intitulado Estabilidade Financeira Global, afirma que o sistema financeiro atravessa o que o FMI classificou como "um período de turbulências sem precedentes" e prevê que bancos em todo mundo continuarão a registrar fortes perdas.

O FMI ressaltou a determinação dos governos em responder aos atuais desafios, mas disse que "a restauração da estabilidade financeira se beneficiaria de um comprometimento coletivo das autoridades, que devem tratar o problema com eficiência".

Para o diretor do fundo, Dominique Strauss-Kahn, "o tempo das soluções à conta gotas chegou ao fim".

"Eu peço aos legisladores que tratem esta crise com medidas abrangentes que restaurem a confiança no setor financeiro. Ao mesmo tempo, os governos nacionais devem coordenar de perto esses esforços para trazer de volta a estabilidade do sistema financeiro internacional."

EUA: Epicentro da crise — Na avaliação do FMI, ficará cada vez mais difícil para as instituições bancárias abastecerem seus caixas com capital proveniente de acionistas ou de fundos de investimentos estatais baseados na Ásia ou no Oriente Médio.

Com a crise do crédito e a confiança em baixa, os bancos enfrentarão dificuldades para captar capital, o que significa que governos terão de se envolver cada vez mais em operações de resgate, como a que salvou os bancos hipotecários americanos Fannie Mae e Freddie Mac.

O relatório do FMI demonstra apoio às linhas gerais do pacote de ajuda econômica de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano na semana passada, mas ressalva que os "detalhes de sua implementação serão cruciais para seu sucesso".

O estudo diz que os Estados Unidos continuam no "epicentro da crise" e que o declínio contínuo no mercado imobiliário americano e a desaceleração da economia global devem aumentar o número de inadimplências de hipotecas e de outros tipos de empréstimos.

O FMI estima que as perdas nos Estados Unidos originadas de empréstimos e outros produtos financeiros devem chegar a US$ 1,4 trilhão, um aumento significativo em relação aos US$ 945 bilhões estimados no relatório divulgado em abril deste ano.

Para a instituição, os mercados emergentes estão correndo sérios riscos e países do leste europeu também poderão ser seriamente atingidos diante do grande número de empréstimos hipotecários concedidos por bancos a pessoas de baixa renda.

O relatório faz algumas recomendações com objetivo de tentar ajudar as autoridades a resgatar a confiança "nessas circustâncias excepcionais".

Entre elas estão respostas rápidas, por parte dos governos, aos primeiros sinais de perdas no setor financeiro como forma de evitar "repercussões sistêmicas", e a garantia de que intervenções governamentais de emergência sejam temporárias e que os interesses dos contribuintes sejam protegidos.

 

Contra falta de crédito, BNDES anuncia R$ 5 bi às exportações

A iniciativa do BNDES é louvável. É preciso ter transparência nos critérios para que a sociedade brasileira e os trabalhadores possam acompanhar quais as empresas estão recebendo ajuda e porquê. Tem muito empresário espertalhão no país, doido para usar a desculpa da crise para mamar abundantemente nas tetas do governo.

Avalie as informações: Presidente do banco explicou que objetivo da linha é suprir carência de crédito por causa da crise financeira

O  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social  (BNDES) anunciou nesta terça-feira, 7, novas linhas de financiamento às exportações, que irão totalizar R$ 5 bilhões. O presidente do banco, Luciano Coutinho, explicou que a linha, que foi batizada de pré-embarque especial, tem como objetivo suprir a carência atual de crédito à exportação em função das turbulências do sistema financeiro. Ele lembrou que o BNDES tem como objetivo complementar o esforço que já vem sendo feito pelo governo de ampliar a oferta de financiamento aos exportadores.

 A linha terá prazo de 18 meses e taxa diferenciada por categoria. Ficou mantida a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), uma das taxas utilizadas na concessão de crédito pelo BNDES às empresas, para os setores de equipamentos industriais, infra-estrutura e equipamentos aeronáuticos.

Já o custo de financiamento para os segmentos de bens de capital para o setor automotivo (caminhões, tratores) e bens de consumo subiu. Os dois segmentos poderão escolher entre uma taxa fixa de 15% ao ano mais o spread dos agentes repassadores ou uma taxa em moeda estrangeira que terá custo de no máximo 8% ao ano mais spread dos agentes.

Pela primeira opção, o exportador pagará um pouco mais caro, mas estará protegido contra variações cambiais. Nas linhas tradicionais do banco essa taxa fixa antes variava entre 8% e 12% ao ano, dependendo do segmento de atuação da companhia.

O BNDES decidiu ainda ampliar de US$ 50 milhões para US$ 150 milhões o limite estabelecido para o que cada companhia do setor de bens de consumo acesse as linhas de crédito às exportações. Coutinho explicou que o objetivo de triplicar o limite de acesso às linhas é dar mais gás às empresas para que não paralisem suas exportações.

O executivo destacou, porém, que o limite assegura uma maior distribuição entre as companhias. Coutinho admite que a demanda pelas novas linhas possa elevar ainda mais os recursos do banco destinados à exportação em 2008. Até agosto, o banco liberou US$ 3,5 bilhões para o setor e a expectativa era chegar ao fim do ano com o patamar de US$ 6 bilhões, mas agora o executivo admite que esse patamar pode chegar a até US$ 8,5 bilhões.

Lula defende maior regulação dos mercados pelos BCs

O presidente Lula está abolutamente certo em propor um controle rígido nos agiotas dos agiotas, ou seja, os especuladores que ganham com a jogatina nas bolsas brasileiras e mundiais. E criam bolhas artificiais, com dinheiro alheio, de pessoas físicas, de empresas e dos fundos de pensões. E quando a bolha evapora, deixam para a sociedade o mico para ser pago.

Veja a posição do presidente Lula: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira a adoção de três medidas para o aperfeiçoamento do sistema financeiro internacional após a explosão da crise que abalou os mercados mundiais

Ele sugeriu mais regulação do mercado; redução do grau de alavancagem dos bancos e fim do pagamento de bônus aos executivos.

Lula disse que os bancos centrais de todo mundo devem se unir através do acordo de Basiléia para coibir a especulação financeira que deu origem à crise financeira mundial.

"Queremos fazer uma discussão internacional. Basiléia sempre teve os encontros dos BCs que determinaram regras para o funcionamento dos bancos centrais do mundo inteiro... Os BCs precisam tomar uma atitude para regular o sistema financeiro internacional", disse Lula a jornalistas.

"Eles têm que tomar uma decisão para coibir a especulação financeira. Qual a explicação do petróleo (ter chegado a cerca de) 150 dólares que não a especulação?"

O presidente cobrou uma redução na alavancagem dos bancos no exterior para evitar a instabilidade no sistema financeiro e sugeriu medidas contra os elevados bônus pagos para seus executivos que atuam no mercado de capitais.

"Precisamos acabar com a maldita figura do bônus criada no sistema financeiro. Um cidadão estabelece uma meta e um bônus e aí ficam os agiotas profissionais inventando ganhos para receber mais bônus", afirmou

ATAQUE À OPOSIÇÃO — O presidente sugeriu que a oposição está torcendo para a crise atingir o Brasil ao mencionar que o governo passado foi abalado pelas crises do México, Rússia e Ásia .

Segundo Lula, há pessoas no Brasil com nível superior que estão sempre apostando nos erros e no pessimismo.

"Tem gente que não se conforma que o Brasil deu certo... os mesmos que estão torcendo para que a crise pegue o Brasil são os mesmos que disseram que os trabalhadores brasileiros não tinham condição de fazer essa plataforma no Brasil", afirmou Lula depois de lembrar que o governo anterior pretendia comprar a P-51 fora do Brasil ao argumentar que a encomenda internacional representaria uma economia de 6 por cento para a Petrobras.

Recolhi o artigo abaixo, assinado por António Machado, porque acho extremamente didático e lúcido. Avalie você mesmo:

Mundo começa a viver deflação da riqueza criada por dívidas e vai levar tempo para se ajustar

Antonio Machado

Não é prudente esconder a gravidade da crise com histórias sobre a fortaleza da economia brasileira nem acreditar em tal fato. Ela foi verdadeira na situação de “normalidade” anterior no mundo, em que prevaleciam liquidez farta e juros baixos. Esse mundo acabou. Não significa que derrubará o Brasil. Mas exige adaptações.

Vive-se agora a desalavancagem da montanha de dívidas construída nestas condições, o sustentáculo da fortuna econômica dos últimos dez anos - e isso implica perdas. Pesadas até agora, e crescentes quanto menor for a coordenação entre os bancos centrais, que tem existido apenas em afobadas intervenções supranacionais para deter defaults pontuais de bancos e o mal maior: as corridas bancárias.

É o que levou governos da Irlanda, Alemanha, Grécia a estenderem a proteção estatal a todos os depósitos, medida reclamada também nos EUA. Acalma o cidadão comum, mas não resolve o problema geral aos bancos americanos e europeus de insolvência técnica

A crise é exatamente essa: a impossibilidade de a banca manter os seus balanços de ativos e passivos carregando papéis que tinham um valor hoje altamente improvável - irresgatáveis na prática, e na ponta do tomador financiando não só a própria ciranda financeira, mas negócios reais da economia.

A riqueza bancada por tais ativos vai esvair-se. O processo está em curso no mundo, inclusive aqui, implicando o desmanche da bolsa e a abrupta depreciação do real.

Pegue-se o caso do Lehman Brother, dos EUA: com capital de US$ 20 bilhões, tinha US$ 600 bilhões de dívidas, expressando alavancagem de 30 vezes, média em geral de grandes bancos nos EUA e Europa. A destruição desses ativos implicou a redução permanente de crédito futuro em igual proporção.

As perdas bancárias em todo mundo estão estimadas por ora em US$ 600 bilhões, mas deverão passar longe de US$ 1 trilhão, segundo o sempre amargo economista Nouriel Roubini. O impacto sobre a economia real não será pequeno.

Os anéis já se foram

Com base num múltiplo bancário de 10, as perdas já escrituradas provocarão um encolhimento do crédito no mundo da ordem de US$ 6 trilhões. E isso considerando apenas o múltiplo bancário aplicado em empréstimos ao consumo e à produção. Se consolidar a ciranda, a destruição financeira provável passa de US$ 30 trilhões - quase a metade do PIB global.

Tal dinheirama, grande parte do circuito das operações de derivativos, virou pó. O que se tenta salvar no mundo são os dedos, o lado são do crédito bancário. Nem isso está fácil.

O que cura a doença

Como diz o especialista em mercados de risco, Satyajit Das, autor do Best seller Traders, Guns & Money, não disponível em português, “o drama e tumulto dos eventos atuais não são sintomas da doença, mas a cura”. A doença, segundo ele, é o excessivo endividamento e alavancagem do sistema financeiro, como nos EUA e Inglaterra. E a cura é a queima das dívidas, que chama de “grande desalavancagem”.

A fase inicial da “cura”, como escreveu no Financial Times, é a redução da dívida dentro no sistema financeiro. A segunda fase é o custo maior e a disponibilidade menor do crédito na economia real.

As empresas vão vender ativos, reduzir investimentos e promover chamadas de capital a valor menor do que se habituaram, como a GE faz hoje nos EUA. Tudo converge, na tendência, para desvalorização das empresas, acumulada à redução do consumo pelas famílias.

Dois valores do dólar

Numa discussão sobre saídas da crise, alguém desenhou nos EUA uma imagem interessante sobre o ocorrido. Teria havido dois diferentes valores de dólares: o impresso pelo Tesouro dos EUA e o resultante da miríade de instrumentos bancários. Há veracidade neste cenário.

Desde 2005 a liquidez promovida pelos bancos centrais, sobretudo o Fed, foi contracionista, mas o crédito seguiu em expansão nos EUA, Europa e Ásia. A diferença está sendo resolvida pela deflação dos ativos. E só se for aceito pelos bancos centrais alguma inflação o processo não contaminará a economia real, tese do professor Willem Buiter, da London School of Economics.

Até onde a banca terá de sangrar? Para Satyajit Das, o novo nível de dívida será o que resultar dos preços dos ativos deflacionados, conjugados com os fluxos de caixa disponíveis para bancar juros e amortizações. É função da economia real, que, portanto, terá de se ajustar. Imaginar o Brasil fora desse quadro é chamar a crise.

Questões em aberto

A economia brasileira vai sofrer pela deflação das commodities já em curso, mas ainda abaixo do previsto, e menor disponibilidade de crédito externo. Não se prevêem rupturas. Entre déficits em conta corrente e prestação da dívida externa, o país precisa de cerca de US$ 50 bilhões este ano, valor já contratado, e US$ 45 bilhões no próximo, ainda em aberto.

Quanto menor o superávit comercial, mais se exigirá das reservas do BC, da ordem de US$ 230 bilhões com as compras futuras de dólares. A economia transita sobre tal terreno. Nele, os projetos com taxa de retorno da época de liquidez folgada ficaram inviáveis. Também não há espaço para aumentar importações.

O que fará o governo ainda é incerto. E a crise vai se acercando.

Bancários entram em greve nacional a partir de quarta-feira

A UGT apoia os bancários no movimento paredista. Que é justo pois foram os trabalhadores dos bancos que ajudaram as suas instituições a terem os mais estrondosos lucros da história do setor no último ano. Lucros que se somam à uma série de anos com grandes resultados. Agora é hora de dividir parte do lucro, de repor as perdas inflacionárias e de respeitar o esforço de trabalhadores e trabalhadoras a favor da eficiência comprovadamente demonstrada em polpudos balanços. Por isso, a greve é mais do que justa e tem o apoio da UGT.

Bancários ligados a 148 sindicatos em todo o país decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de quarta-feira para forçar os bancos a aceitar uma pauta de reivindicações salariais e de benefícios exigida pela categoria, informou na terça-feira o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

"A greve terá alcance nacional e atingirá praticamente todo o país, praticamente todas as capitais", disse por telefone uma assessora de imprensa da entidade.

Em São Paulo, a decisão foi tomada após uma assembléia que reuniu cerca de 1.500 bancários na quadra do sindicato. Reuniões em todo o país também decidiram pela paralisação, disse a assessora.

Também ficou decidido que haverá uma nova assembléia, às 17 horas de quarta-feira, "para avaliar os rumos do movimento".

"A categoria quer aumento real de 5 por cento --além da inflação de 7,15 por cento--, valorização dos pisos, auxílio-creche de 415 reais, vale-refeição de 17,50 reais por dia, além de PLR composta de três salários mais valor fixo de 3.500 reais", informou o sindicato em uma nota.

De acordo com o sindicato, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) havia proposto em negociações no último dia 29 de setembro um reajuste de 7,5 por cento e uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR) menor do que a paga em 2007. Segundo a nota, a proposta dos bancos representaria uma perda de até 1.800 reais na PLR. A oferta foi rejeitada e não houve diálogo desde então.

"Os bancários vão parar por aumento real de salários, valorização nos pisos e PLR maior e mais justa", disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, no comunicado.

De acordo com o sindicato, o auto-atendimento não será atingido pela greve. "As direções dos bancos decidem se fecham ou mantêm aberta a área dos caixas eletrônicos", afirmou a nota.

O Brasil conta hoje com 434 mil bancários, dos quais 120 mil estão na base do Sindicato dos Bancários de São Bernardo, Osasco e Região.

Aumento da população idosa vai obrigar Brasil a rever políticas de previdência, diz Ipea

Em 2035, a maior parte da população vai ter entre 50 e 54

O Brasil não vai mais ser conhecido como um país de jovens. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto de Economia Aplicada (Ipea), relativa ao ano de 2007, mostra que o crescimento da população pode fazer de nós um país de velhos a partir de 2030.

A pirâmide social brasileira está “engordando”, e começa a ficar parecida com o desenho conhecido como característico de países europeus. A base, formada por jovens, diminui, e o topo, representativo dos adultos, cresce. Esse fenômeno é explicado pela queda da natalidade em todas as camadas sociais brasileiras, aliada também à diminuição da mortalidade. Ou seja, há menos gente nascendo e menos gente morrendo.

Em 1992, a população menor de 15 anos representava 33,8% do total de brasileiros. Em 2007, esse índice caiu para 25,2%. Enquanto a proporção de jovens diminui, a de idosos aumenta.Os idosos respondiam por 7,9%, em 1992, e cresceram para 10,6%.

A Pnad mostra ainda que a fecundidade decresceu no Brasil, em todos os grupos sociais. Os brasileiros, dos pobres aos ricos, têm menos filhos. A pesquisa também confirma que quanto mais estuda uma mulher e quanto maior o seu salário, é menos provável que ela tenha filhos.

O fator que aparenta ter mais impacto sobre a quantidade de filhos é a renda. Quanto maior ela é, menor é o número de crianças por família. A gravidez na adolescência também diminuiu em todas as regiões do país. A quantidade de bebês nascidos vivos para cada 1000 adolescentes em 1992 era 91. Em 2007, a taxa caiu para 70 filhos nacidos vivos para cada 1000.