segunda-feira, 13 de abril de 2009

Empresários começam a voltar a atenção para o mercado interno, mas têm que sinalizar com geração de empregos

Indústria dá sinais de recuperação

Vamos ter que aprender a conviver a partir de agora com o gerenciamento das boas notícias. O próprio mercado, ou seja, os atores deste mercado, descobrem que não adianta só espalhar notícia ruim para de tabela manipular seus empregados e justificar as demissões desnecessárias. Por isso, volta agora a estimular boas notícias temendo um travamento geral do consumo, conforme alertávamos desde o início. Agora, cabe a nós ter cuidado também com o esforço dos manipuladores de plantão em tentar criar boas notícias descoladas do contexto de mais empregos, mais salários e de respeito à opinião pública. Só haverá recuperação de fato quando os empregos voltarem a crescer, com a manutenção ou ampliação dos valores dos salários.

Leia mais: Mercado interno impulsiona fábricas e a produção começa a indicar que o pior da crise pode ter ficado para trás

A indústria brasileira começa a dar sinais de recuperação no primeiro trimestre deste ano, após queda generalizada nos pedidos recebidos em dezembro. Um mapeamento feito com base na Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que a retomada da demanda está concentrada na produção de bens cujo consumo depende da renda do trabalhador, como alimentos, e da indústria automobilística, que teve o corte de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) renovado.

Em dezembro, no ápice da crise, todos os 14 setores pesquisados pelo estudo feito a pedido do Estado registraram queda na demanda global em relação a setembro. A demanda global inclui os pedidos para mercado interno e externo. Já em março, sete setores saíram do terreno negativo na demanda global na comparação com dezembro, observa o responsável pela área técnica da sondagem, Jorge Ferreira Braga.

A indústria automobilística, de móveis, de alimentos, têxtil, de vestuário e calçados, de celulose, papel e papelão e de produtos de matérias plásticas, as duas últimas fornecedoras de embalagens para o setor de alimentos, reagiram no primeiro trimestre, aponta a sondagem. A pesquisa consultou 1.066 empresas que, juntas, faturaram no ano passado R$ 540 bilhões. Em março foram vendidos 271,4 mil veículos no País, 16,9% a mais que em igual mês de 2008. Após dois meses de queda, a indústria de motocicletas também apresenta leve recuperação. Em março foram fabricadas 126.295 unidades, 54,9% a mais do que no mês anterior. O volume é 31,7% inferior ao de março de 2008, mas representa um sinal de que o pior da crise começa a ficar para trás.

"O mercado interno está segurando a queda", afirma Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, uma das grandes companhias do setor de celulose, papel e papelão para embalagens. Ele conta que, entre dezembro e fevereiro, a sua empresa registrou quedas superiores 10% na demanda doméstica na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

Em março, a queda na demanda doméstica de embalagens produzida pela empresa ficou em 7,5% em relação a março de 2008. "Com 7,5% de queda dá para viver", diz o empresário, que projeta recuo de 5% para abril na comparação anual. Amoroso frisa que ainda é cedo para afirmar que há uma recuperação. No mercado externo o empresário diz que houve pequena melhora na demanda por celulose, puxada pela China. Mas os estoques mundiais de celulose ainda são altos e os preços não cobrem os custos.

"O mercado não está hoje tão recessivo quanto pensávamos", afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez . Ele conta que o setor projetava queda de 50% na demanda neste primeiro trimestre. Apesar de não ter os números fechados, ele diz que o recuo foi menor.

"Fizemos duas feiras e cortamos as margens de lucro. Com isso, as lojas estão comprando, mas o volume é menor em relação ao do ano passado", pondera o presidente da Abimóvel.

Os alimentos são um caso à parte entre os setores analisados pela sondagem. Braga, da FGV, diz que o indicador de demanda global da indústria de alimentos em março ficou acima da média dos últimos 14 anos. "Trata-se de um item que é imune à crise porque não depende de crédito para ser comprado", explica o economista. Além disso, a inflação em baixa joga a favor das vendas de comida. (Leia mais no Estadão)

 

Deputado João Herrmann Neto morre em São Paulo

É com pesar imenso que registramos a perda de dois deputados federais, que tinham seus mandatos vinculados aos interesses dos trabalhadores. Registramos nosso luto com a morte do deputado João Hermann Neto (PDT-SP) e do deputado Carlos Wilson (PT-PE). Estendemos aos familiares dos dois líderes políticos o nosso pesar. E vamos trabalhar para  minorar tão importante perda para a democracia e para os trabalhadores brasileiros.

Leia mais: O deputado João Herrmann Neto (PDT-SP) , de 63 anos, morreu na madrugada deste domingo, em sua fazenda, em Presidente Alves, no interior de São Paulo. O corpo do parlamentar foi encontrado pela mulher, Jussara, por volta de 5h, na piscina. Ela conversara com ele até meia-noite de sábado, deixando-o com outras pessoas da casa, e foi dormir. De acordo com a assessoria do deputado, João Herrmann tinha o hábito de nadar de madrugada e teria batido com a cabeça durante um mergulho.

Em entrevista no fim da tarde, no entanto, o diretor do IML (Instituto Médico Legal) de Bauru, Ivan Edson Rodrigues Segura, afirmou que o deputado morreu vítima de um edema pulmonar agudo, causado pela hipertensão arterial. Segundo o legista, a pressão arterial do parlamentar subiu muito, inundando o pulmão com sangue. De acordo com o especialista, foi uma "morte de causa natural".

O deputado teria tomado um banho de sauna, o que pode ter provocado o aumento da pressão arterial, na opinião do médico.

- Com o aumento da pressão sanguínea, há o extravazamento de sangue. Houve uma inundação de sangue no pulmão, o que provocou sua morte. Se ele estava na sauna e depois foi para a piscina, isso pode ter contribuído para aumentar a pressão sanguínea.

O corpo do parlamentar começou a ser velado às 19h40, na Câmara dos Vereadores de Campinas, onde Hermann nasceu e onde será enterrado nesta segunda-feira, às 10h, no Cemitério Parque Flamboyant. O deputado, que tinha 63 anos, tem seu caixão coberto por duas bandeiras: a do Brasil e a do Cortinthians.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à noite da cidade, para participar do velório do deputado e prestar condolências à família. Mais cedo, em nota oficial, o presidente Lula lamentou a morte do deputado, a quem chama de "companheiro e amigo". Lula diz ter recebido com pesar a notícia e transmite suas condolências à família e aos amigos do deputado.

"Sua vitalidade, ousadia e disposição de luta sempre foram uma marca de personalidade. Companheiro e aliado nas lutas contra o regime autoritário, solidário nas horas difíceis e leal, ele sempre se alinhou ao lado da justiça social. É uma grande perda para a política brasileira", diz.

Lula e Herrmann tinham uma ligação antiga. Em viagens oficiais, o deputado era um dos poucos escolhidos para viajar no avião ao lado de Lula. Na política, ajudava na costura entre seus partidos, primeiro o PPS e depois o PDT, e o governo.

Sempre polêmico, João Herrmann Neto foi um dos mais atuantes líderes de esquerda dos movimentos de resistência na ditadura militar. Ele era do grupo de Ulysses Guimarães no antigo MDB, e depois no PMDB. É lembrado pelo presidente do PPS, Roberto Freire (PE), com quem protagonizou uma árdua disputa interna no partido, como um combatente na luta de resistência, sempre militando em partidos do campo democrático.

Deputado Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero, morre em Recife — O deputado federal Carlos Wilson (PT-PE) , 59 anos, morreu na noite de sábado, em Recife. Ele estava internado desde o início do mês passado, no Hospital Santa Joana, para tratamento de câncer, doença contra a qual lutava há cinco anos. Ex-senador, ex-governador de Pernambuco e ex-presidente da Infraero, o parlamentar lutava contra a doença há cinco anos.

O corpo do deputado foi sepultado na tarde deste domingo, no cemitério Morada da Paz, na região metropolitana de Recife. O velório foi realizado no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo, na capital pernambucana. (Leia mais em O Globo)

Infraestrutura receberá R$ 62 bilhões de empresas

Como comentávamos no texto de abertura, até mesmo os capitalistas mais medrosos, tem uma hora que tem que sair do muro e avançar para a produção e para os investimentos. Sem investir capital, sem se aliar com o trabalho, não tem geração de riqueza. Todo mundo sabe disso, mas no Brasil, especialmente, enquanto dá para arrancar subsídios estatais, através de choradeira geral, é o que tem dado a norma. Quando todos nós sabemos que apenas a produção, o investimento industrial, o aquecimento do comércio e dos serviços, com a geração de novos empregos é que gera o bem-estar geral. E é para isso que a UGT trabalha.

Leia mais: Apesar da crise econômica internacional, os investimentos privados em infraestrutura seguem em ritmo acelerado e devem somar R$ 62 bilhões este ano, segundo reportagem de Gustavo Paul publicada na edição desta segunda-feira do GLOBO.

Parte desses investimentos faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas, como não depende de recursos orçamentários, não é afetada pela demora na liberação dos recursos.

Entre os investimentos em curso, estão o das usinas hidrelétricas de Estreito, Jirau e Santo Antônio, no norte do País, e o montante R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões que será aplicado pela Oi este ano, depois de comprar a Brasil Telecom em 2008, e os R$ 3,5 bilhões previstos para serem investidos pelo Grupo MMX, de Eike Batista. Leia mais em O Globo

 Atingidos sim, mas nunca sem reagir

Como boa parte da população mundial, o brasileiro está preocupado com o efeito da crise no seu futuro, mas, ao não deixar de consumir, contribui para sustentar a economia.

Fechado o primeiro trimestre do ano, considerado o mais crítico para a economia mundial, o Brasil exibe alguns números surpreendentes. Fazia 10 anos que não se vendia tantos carros em março quanto agora. As lojas de materiais de construção faturaram mais no mês passado, quando comparado com igual período de 2008. Os fabricantes de papel ondulado para embalagens, tradicional indicador que antecipa o comportamento da economia, reduziram de 10% para 2% as perdas. Até a Páscoa deverá representar um consumo de chocolate 5% superior à anterior.

Esses são alguns dos números a indicar que, apesar da crise e do aumento do desemprego, os brasileiros continuam consumindo num ritmo que seguramente não é o frenesi de 2008, mas tem sido suficiente para manter o país distante dos prognósticos mais sombrios gerados pelo pouso forçado dos Estados Unidos e boa parte da Europa e da Ásia.

O Instituto de Pesquisa Fractal mapeou que são os consumidores das classes C e B os responsáveis por manter a vitalidade da economia e onde pretendem gastar este ano.

– Eles têm demandas reprimidas e reagem a estímulos como a redução de impostos, no caso dos carros – afirma Celso Grisi, presidente do Fractal e professor da USP.

O economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas, apurou que as famílias com renda mensal a partir de R$ 4,8 mil foram as que até agora mais sofreram os respingos da turbulência global:

– A crise chegou à classe C em janeiro, mas em menor intensidade do que na A e na B. Como é possível dizer em relação aos países, também entre os brasileiros foram os mais ricos os mais atingidos.

Para Grisi, o Brasil está mais estruturado para resistir ao choque externo e, por isso, o consumo interno tem condições de sustentar um crescimento moderado da economia nos próximos meses. Não significa que os brasileiros não foram tocados pela turbulência. Indicadores que medem a confiança do consumidor acusam o abalo. O ICC de abril, da Fecomércio de São Paulo, teve um tombo de 16% em relação a igual mês de 2008, mas continua em terreno positivo.

Mesmo preocupada com os efeitos da crise no Estado, a enfermeira Simone Pasin, não desistiu da reforma no apartamento que divide com o marido, o médico Fábio Petry. O casal está há um ano na fila para adoção de um bebê e decidiu reformar a sala porque a escada não era segura. Gastaram R$ 40 mil. (Zero Hora)

Microempresários querem abreviar criação de empresas

O caminho que os brasileiros percorrem até conseguir formalizar a criação de sua empresa ainda é cheio de incertezas. A agilidade do processo depende de vários fatores, como, por exemplo, o estado onde se tenta abrir um negócio. Nesse momento, a informalidade acaba sendo o rumo escolhido por muitos, como conta o presidente da Associação Nacional dos Sindicatos da Micro e Pequena Indústria (Assimpi), Joseph Couri. Para tentar melhorar as condições dos micro e pequenos empresários, o presidente da Assimpi levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva propostas que o governo federal poderia adotar para o setor.

 “A formalização da abertura de empresas pode levar de dois a 30 dias, dependendo do estado. O problema é quando você entra no imponderável. Quando se entra na frase 'depende' é que começam os problemas e muitos acabam desistindo de se formalizar, de estar na legalidade, o que é muito ruim”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

Além desse problema, outros foram intensificados com a crise financeira, como o acesso ao crédito. Segundo Couri, em setembro do ano passado a liberação de crédito pelos bancos era efetuada em até dois dias, enquanto hoje a mesma operação chega a demorar até 15 dias. O valor das taxas de juros também foram multiplicadas.

 “Levaremos ao presidente sugestões de uma agenda construtiva para fortalecimento do mercado interno, desoneração do micro e pequenos empresários, que tiveram aumento de carga tributária, e acesso, redução do custo e mais agilidade para acesso ao crédito”, afirmou Couri. Uma audiência com o presidente Lula estava agendada para esta segunda-feira (13), mas teve de ser desmarcada e ainda não foi definida outra data para o encontro. (Leia mais no DCI)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Alinhar política de crédito dos bancos oficiais para redução de juros e spreads para ampliar a oferta de crédito para micro, pequena e média empresas

Governo troca chefe do BB para cortar juro

A UGT tem acompanhado e pressionado o governo para que se adotasse uma política de juros diferenciada nos bancos oficiais. O primeiro resultado foi a substituição do presidente do Banco do Brasil. Os bancos oficiais, especialmente em época de crise, não podem ter os mesmos critérios adotados pelos banqueiros e especuladores privados. Os juros ao consumidor final têm que cair, assim como o spread e ampliar, e muito, a oferta de crédito. E mais: fazer chegar esse crédito às micros, pequenas e médias empresas. Segundo o ministro Carlos Lupi, do Trabalho, estamos vivendo uma pequena recuperação da economia. Em Dezembro, registramos um saldo negativo de 600 mil vagas, que foram perdidas. E em Março, ao comparar contratações com demissões, conseguimos ter um saldo positivo 40 mil empregos. Que é pouco, diante da nossa necessidade, mas importante como indicador de mudança no cenário. Agora é importante que o BNDES e a Caixa Económica Federal, através de seus presidentes, atuem para reforçar as decisões do governo federal a favor de juros baixos, menos spread e mais crédito.

Leia mais: Após antecessor resistir à pressão do governo, Mantega diz que novo presidente terá "contrato de gestão" para reduzir taxas. Novo presidente tem ligação com PT, e oposição vê ação política; "Redução do "spread" é uma obsessão minha", afirma Lula

Após "fritar" Antonio Francisco de Lima Neto na presidência do Banco do Brasil, o governo Lula empossou ontem no cargo Aldemir Bendine. No que o ministro Guido Mantega (Fazenda) chamou de "contrato de gestão", o governo determinou como metas de sua administração a redução dos juros do banco e o aumento do volume de crédito.

O mercado não gostou da mudança, e as ações do BB caíram 8,15% num dia em que a Bovespa subiu 0,82%.

No anúncio da troca de comando, Mantega cobrou "ousadia" e "agressividade" do novo dirigente. Será a primeira vez que o presidente de um banco público brasileiro terá que cumprir metas de redução de juros e do "spread" bancário (diferença entre os juros cobrados do cliente e o custo de captação de recursos no mercado).

Mantega não disse o que ocorrerá se Bendine, 45, não cumprir as metas do governo.

Lima Neto estava no cargo desde dezembro de 2006 e vinha sendo pressionado a participar mais ativamente das medidas do governo contra a crise. Ele argumentava que, como banco com ações negociados em Bolsa, não poderia tornar a instituição menos competitiva.

Ontem, ao comentar a demissão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar insatisfação com a resistência do BB em tentar puxar a baixa do "spread".

"A redução do "spread" bancário neste momento é uma obsessão minha. Nós precisamos fazer o "spread" bancário voltar à normalidade no país. O Guido [Mantega] sabe disso, o Banco do Brasil sabe disso, a Caixa Econômica sabe disso, o Banco Central sabe disso", afirmou.

"Quem tem bancos públicos como tem o Brasil pode começar essa tarefa de reduzir a taxa de "spread" bancário."

O governo quer que os bancos públicos liderem o processo de redução das taxas para pressionar os concorrentes privados a fazerem o mesmo. Mas o BB mostrou resistência e as baixou mais lentamente que a Caixa Econômica Federal.

Embora os juros do BB sejam mais baixos do que os das instituições privadas, a Caixa Econômica Federal mantém os menores juros entre os dez maiores bancos do país.

Apesar de ser controlado pelo Estado, o BB é uma empresa de capital aberto, ao contrário da Caixa, 100% do governo.

Apesar de tecer elogios a Lima Neto, Mantega fez questão de dizer que espera mais agressividade do novo presidente, que assume no próximo dia 23.

"Bendine vai assumir com um mandato, com um contrato de gestão. Com o compromisso de implementar políticas que vão aumentar ainda mais o volume de crédito a ser liberado pelo banco. Portanto, com uma política ainda mais agressiva do que vinha sendo feita", disse Mantega. "A missão de Bendine é ter ousadia na liberação de crédito, redução do "spread" e das taxas de juros", completou.

Lima Neto disse ter deixado o cargo por decisão própria, após "ter cumprido seu ciclo à frente" do BB. Em breve explicação sobre sua saída, ele negou pressão para entregar o cargo. (Leia mais na Folha)

Centrais criticam redução de encargos

Ontem nos reunimos com o presidente Lula e o primeiro item da pauta foi a suposta redução de encargos, que afetaria o FGTS. O presidente Lula foi taxativo e disse que jamais partiria dele uma proposta desta envergadura sem consultar as centrais sindicais. Temos que ler, então, com cuidado, as interpretações que nos são repassadas pela imprensa e checar sempre que possível com as autoridades governamentais.

Leia mais: Governo, que estudava reduzir o recolhimento de FGTS para evitar demissões, recua após reclamações

Os representantes das centrais sindicais reagiram mal à proposta do governo de reduzir tributos para as empresas -inclusive o recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)- em troca de manutenção no emprego com reduções nas jornadas de trabalho sem corte de salário.

Diante da reação negativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que reexamine o assunto e tente marcar neste mês nova discussão com as centrais.

Lula também disse que, se os sindicalistas não aceitarem, o governo não levará a proposta adiante. Seria preciso acordo entre empresas e sindicatos para fazer a redução temporária.

Segundo a Folha apurou, o governo está preocupado com o aumento do desemprego e elaborou a proposta, que, apesar nas negativas oficiais, foi discutida ontem com sindicalistas. A Folha revelou ontem que o governo estudava o assunto. A preocupação de Lula é tentar manter empregos sem redução de salário. Daí a contrapartida de desonerar a folha de pagamento das empresas.

Na saída do encontro de ontem com Lula, o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), classificou a ideia como "fantasma da Semana Santa" e "coisa de maluco".

"Nenhuma central sindical aceita discutir direitos trabalhistas. Essa conversa do FGTS foi enterrada hoje com o presidente Lula", disse Paulinho.

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, explicou que uma desoneração da folha de pagamentos com redução de direitos trabalhistas não se aplica ao momento atual da crise, quando as dificuldades são restritas a setores específicos e já há sinais de recuperação.

"Nesse momento isso não ajuda, não colabora e não constrói a saída da crise. Não é hora para debate sobre redução de direitos trabalhistas", disse Henrique.

Os sindicalistas foram unânimes em apontar a elevada taxa de juros e o "spread" -diferença entre a taxa paga pelos bancos e a cobrada dos tomadores- como mais importantes contra o desemprego.

Oficialmente, o encontro com o presidente Lula serviu para criar mais um grupo de avaliação da crise. O governo decidiu se reunir com empresários e sindicalistas de setores que estão em dificuldades econômicas para avaliar mais rapidamente as medidas que podem ser tomadas para combater os efeitos recessivos. (Leia mais na Folha)

Peso relativo do emprego informal diminui no Brasil, diz OCDE

Com todo respeito a OCDE, pela vivência que temos no dia-a-dia acreditamos que o Brasil ainda sofre muito com a informalidade, principalmente a que é imposta pelas empresas de forma mista. Ou seja, os trabalhadores recebem uma pequena parte dos ganhos através da carteira de trabalho e o restante por fora, comprometendo férias, FGTS e, principalmente, aposentadoria. Trata-se de uma afronta aos direitos trabalhistas e de uma imposição unilateral das empresas a seus empregados, que sem alternativa são obrigados a aceitar essa informalidade mista.

Leia mais: O Brasil tomou distância nos últimos anos da tendência geral na América Latina e no mundo desenvolvido de um aumento do emprego informal, e registrou redução no peso do trabalho informal, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado hoje.

Em apresentação à imprensa, o co-autor do relatório, Juan Ramón de Laiglesia, destacou a queda no Brasil - e também no México - do peso relativo do emprego informal, referente aos trabalhadores que estão fora da previdência social.

Em toda a América Latina, os trabalhadores do setor informal representavam 52,5% no período de 1990 a 1994, número que subiu para 54% (1995-1999) e para 57% (2000-2007).

Paralelamente, os números para o Brasil foram de 60% nos períodos de 1990-1994 e de 1995-1999, e de 51,1% de 2000 a 2007, enquanto, para o México, ficaram em 55,5%, 59,4% e 50,1%, respectivamente.

Laiglesia se referiu a programas iniciados recentemente nesses países para favorecer a integração dos trabalhadores informais, como a criação de um regime tributário específico no Brasil e a extensão da cobertura de saúde no México.

A porcentagem de informalidade do mercado de trabalho na América Latina é inferior ao da África Subsaaariana (76% em 1990-1994) e ao do Sudeste Asiático (69,9% em 1995-1999), mas superior ao de outras regiões em desenvolvimento, como o Oriente Médio (43,2% em 2000-2007) e o Norte da África (47,3% em 2000-2007).

Uma das peculiaridades da América Latina, segundo Laiglesia, é que "há informalidade dentro do setor formal" e "muita zona cinza", com setores que compartilham elementos da economia declarada e da submersa.

Nessa mesma linha, na América Latina, mais que em outras regiões, uma parte dos trabalhadores optou voluntariamente por ficar no setor informal, o que lhes permite evitar obrigações fiscais e ter um certo grau de proteção social, já que existe o Estado do bem-estar, embora seja incipiente.

Outra característica latino-americana é a grande mobilidade de trabalhadores entre o setor formal e informal, como mostra o fato de que 25% dos trabalhadores formais em 2002 tenham passado para a informalidade em 2005. EFE

BNDES financia compra de aviões da Embraer pela Azul

Discutimos ontem com o presidente Lula essa história de financiamento da Embraer pelo BNDES. O presidente nos explicou que não há esse tipo de financiamento. E que há, sim, financiamento das empresas que compram da Embraer. O presidente concordou com as lideranças sindicais e condenou a forma com que a Embraer realizou demissões em massa, nas vésperas do Carnaval.

Leia mais: O BNDES fechou financiamento no valor de R$ 254 milhões para a empresa aérea Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A adquirir quatro aeronaves fabricadas pela Embraer, sendo uma modelo ERJ-195 e três, modelo ERJ-190. Os aviões serão destinados ao transporte doméstico e deverão ter configuração de 106 (ERJ-190) e 118 assentos (ERJ-195).

De acordo com a instituição, este é o primeiro financiamento em moeda nacional aprovado pelo BNDES para a compra de aeronaves destinadas ao mercado doméstico. O financiamento, no âmbito das linhas de crédito de infraestrutura logística, contribuirá para o fortalecimento do setor aeronáutico brasileiro, informa o BNDES.

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras iniciou suas operações em dezembro do ano passado. O crédito aprovado pelo banco corresponde a 85% do investimento total na compra das aeronaves.

Segundo a chefe do departamento de Logística do BNDES, Adely Branquinho, 100% do financiamento (R$ 254 milhões) são recursos do BNDES, mas metade do valor será repassado via Banco do Brasil para a companhia aérea. O prazo para pagamento é de 15 anos e a taxa é a TJLP.

A operação, segundo Adely, do momento do enquandramento até a aprovação do financiamento, levou três meses. Adely explicou que qualquer empresa brasileira aérea pode buscar o financiamento do BNDES desde que seja para aquisição de aeronaves fabricadas no país. Ela não revelou se mais empresas estiveram no banco a procura de financiamento.

Segundo fontes, no entanto, a companhia aérea Trip já teria entrado com pedido para financiamento de aviões da Embraer.

A Azul pretende atuar no mercado doméstico com operações ponto-a-ponto entre pares de cidades e frequência diária, com maior disponibilidade de vôos diretos usando apenas aviões Embraer. A expectativa da empresa, que conta hoje com cerca de 730 empregados, é gerar em torno de 3 mil empregos diretos até 2012, entre pessoal administrativo e operacional, inclusive nos aeroportos e agências. (Mais informações em O Globo)