segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Revista Veja manipula declaração para criminalizar movimento sindical

Carta à Revista Veja

Para Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da Revista Veja

Prezado senhor,

Em referência às minhas declarações publicadas no texto da edição desta semana, com o título "Pra quebrar tudo é mais caro", é necessário que se façam as seguintes correções, para que se respeite o contexto da entrevista que dei a Veja, de boa fé.

A frase publicada foi tirada do contexto em que me referia aos fatos específicos enfrentados pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que teve problemas com um grupo ligado aos vigilantes de São Paulo, que após ter perdido a eleição tentaram dividir a base do nosso sindicato, com métodos que repudiamos. Também me referi a uma mesma tentativa feita por outro grupo que se apresentava como tendo ligações com os trabalhadores de material de construção, que também preferiram adotar práticas que consideramos anárquicas e ilegais, mesmo quando alegam que adotam a Portaria 186, que regula a criação de entidades sindicais, adotam práticas, como afirmei à reportagem, que se apóiam na violência e na anarquia.

Infelizmente, a Revista Veja aproveitou minha frase para confirmar um ataque ao sindicalismo brasileiro em geral e, especialmente, às centrais sindicais. E é exatamente por estas atitudes da Veja, que a UGT e as demais centrais sindicais se reuniram na última semana, em nossa sede, para colocar em pauta no Congresso Nacional a democratização dos meios de comunicação.

Não aceitamos que reportagens como a publicada pela revista criminalizem, sem uma ampla discussão e com pleno direito de defesa, o movimento sindical e as centrais sindicais, entidades reconhecidas pelo Estado brasileiro. Partindo de exemplos isolados, que todos repudiamos, e tirando do contexto nossas afirmações para justificar as manipulações editoriais da Revista Veja.

Esperamos que mesmos previamente condenados pela Revista Veja, que tenhamos esta carta publicada.

Ricardo Patah, presidente da UGT

c.c. para todos os presidentes de centrais e para os dirigentes dos sindicatos filiados à UGT

Varejo investe forte em 2010

Pesquisa mostra que 97% das empresas da Região Metropolitana de SP vão ampliar investimentos no próximo ano.

O comércio varejista se prepara para uma nova arrancada no ano que vem, depois de passar praticamente incólume pela crise. Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), obtida com exclusividade pelo Estado, revela que 97% das empresas da Região Metropolitana de São Paulo, o principal mercado consumidor do País, vão ampliar os investimentos em 2010, com abertura de novos pontos de vendas, centros de distribuição e reforço de estoques.

A maioria das companhias (75%) pretende elevar em até 10% o volume de investimentos em 2010 na comparação com 2009 e 15% das empresas planejam investir até 20% mais. Já 7% consideram crescimento superior a 20% nas cifras investidas no ano que vem.A enquete, que consultou 300 companhias de todos os portes na última semana de setembro, detectou otimismo generalizado no comércio.

Dos bens duráveis, como eletrodomésticos, itens de informática e veículos, às lojas de artigos de vestuário e supermercados, a pesquisa indica que a meta dos empresários do varejo é acelerar os planos de expansão para aproveitar o momento favorável do mercado interno, tendo como foco especialmente a classe C. Além disso, o fato de 2010 ser um ano de Copa do Mundo e as boas perspectivas do mercado imobiliário dão ao varejo de bens duráveis um impulso extra nessa expansão.

Entre as razões para tanto otimismo está o bom desempenho do setor neste ano, apesar da crise. Enquanto a indústria deu marcha à ré e deve fechar 2009 com queda de quase 9% na produção, o volume de vendas do comércio pode expandir mais de 5%, após crescer 9,1% em 2008, segundo consultorias. Para o ano que vem, as projeções apontam crescimento entre 5% e 8,5% do volume de vendas do varejo. "Em 2009, o ritmo de crescimento do comércio se contraiu, mas não teve queda", observa o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira. "Passamos ilesos pela crise e estamos otimistas para 2010", afirma o presidente da Fecomércio-SP, Abram Szajman.

Segundo o presidente da entidade, as perspectivas de crescimento da massa real de rendimentos, do pessoal ocupado e especialmente a maior confiança do consumidor sustentam os prognósticos favoráveis. Nas contas de Silveira, o pessoal ocupado deve crescer 1,5% em 2010; a massa real de rendimentos 2,7%; e o crédito ao consumidor, 14%. "Todos esses fatores combinados com a maior confiança do consumidor se traduzem em aumento de vendas", prevê o economista. Szajman acrescenta mais um motor de crescimento: a classe C, principalmente no Norte e Nordeste, que ganhou poder de compra em razão dos benefícios sociais.O Grupo Pão de Açúcar, o maior varejista do País, deve encerrar o ano com R$ 2,3 bilhões em caixa para fazer expansões. "Dinheiro não será problema para nós", afirma o vice-presidente executivo do Grupo, Enéas Pestana. Ele não revela os planos de investimento para 2010. Diz apenas que vai acelerar "sensivelmente" a expansão e que o Nordeste será prioridade.

Neste ano, a empresa gastou R$ 700 milhões em crescimento orgânico e R$ 1,2 bilhão na compra do Ponto Frio.De olho na classe média, o executivo conta que a companhia vai aumentar a rede com um novo formato de loja, o Extra Supermercado, voltado para classes B,C e D. "Poderemos até converter parte das lojas do CompreBem nessa nova bandeira."

O CompreBem é direcionado para o consumidor das classes populares.O Carrefour reservou R$ 1 bilhão para gastar em 2010 na abertura e reforma de lojas, centro de distribuição, logística e na estreia do comércio eletrônico. "O desempenho do varejo neste ano está acima da expectativa e puxado pelas classes C e D. Esse movimento deve se repetir em 2010", afirma o diretor de Finanças e Gestão do Grupo Carrefour, Daniel Magalhães.Ele não dá pistas de onde centrará fogo na expansão, mas admite que as regiões Norte e Nordeste cresceram mais que o Sudeste.

Quanto aos segmentos com maior impulso de crescimento, ele destaca os bens duráveis por causa da Copa do Mundo que puxa as vendas de TVs."O País sofreu pouco com a crise e o comércio menos ainda. Esperamos grande retomada de crédito em 2010", afirma Valdemir Colleone, diretor de relações com o mercado das Lojas Cem, rede de móveis e eletrodomésticos. Neste ano, a empresa abriu 5 lojas e pode chegar a 10 pontos de venda em 2010.As Lojas Riachuelo, especializada em artigos de vestuário, já programou para 2010 a abertura de 12 lojas, o que pode significar um acréscimo de 20% nas vendas. "Isso é o que nós temos contratado até agora. Pode ser até mais", afirma o presidente da empresa, Flávio Rocha. Neste ano foram inaugurados seis pontos de venda, com investimentos de R$ 80 milhões entre abertura de lojas e reformas das existentes. (Leia mais no Estadão)

Governo cobra do varejo contrapartida para estender IPI

Mantega se reúne com setor para pedir que facilite crédito em troca de prorrogação do imposto menor para fogão e geladeira. Presidente Lula já manifestou seu apoio à prorrogação para que a população possa adquirir mais bens com o 13º salário.
O governo pretende impor condições ao setor varejista para renovar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para os produtos da linha branca, como geladeiras e fogões.
O Ministério da Fazenda está preocupado em baratear o crédito para o consumidor na aquisição desses produtos e pressionará os empresários nesse sentido antes de anunciar uma provável prorrogação do benefício tributário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a prorrogar a redução do IPI.
Para o governo, as linhas de crédito ao consumidor ainda estão muito caras, demonstrando que o varejo não repassou integralmente à população os efeitos do desconto do imposto.
Em conversas com interlocutores do governo, o setor varejista vem tentando se justificar, alegando que ainda sofre com os efeitos do encarecimento do crédito por conta da crise econômica que eclodiu no Brasil no final do ano passado e afetou mais diretamente o custo dos financiamentos.
Segundo assessores de Mantega, no encontro de hoje o ministro não deverá anunciar novidades em relação ao IPI. A tendência, no entanto, é que o governo decida até sexta-feira pela prorrogação do IPI reduzido para a linha branca até o final do ano.
O presidente disse à Folha na última quarta-feira que tem simpatia pela manutenção do desconto, pois gostaria que a população tivesse a "sensação de ganho" ao gastar o 13º salário nas compras de Natal.
Até agora, o desconto no IPI para a linha branca representou para a Receita Federal uma perda de arrecadação de R$ 264 milhões. Inicialmente, a medida vigoraria apenas em maio e junho, mas o governo acabou estendendo o prazo até ao menos o final de outubro.(Leia mais na Folha)

Governo rebate CNI sobre mudança em seguro acidente

O secretário de Políticas de Previdência do Ministério da Previdência Social, Helmut Schwarzer, descartou hoje a possibilidade de adiamento da data de entrada em vigor das novas regras de cobrança do Seguro Acidente de Trabalho (SAT), que é 1º de janeiro de 2010. "Tecnicamente, não vemos porque a data tenha que ser adiada porque a metodologia utilizada para aplicação das regras foi amplamente negociada com o empresariado, inclusive a CNI (Confederação Nacional da Indústria)", afirmou o secretário.
O Ministério da Previdência Social, em entrevista coletiva, rebateu as críticas e acusações de "falta de transparência" feitas hoje pela CNI ao modelo do novo Seguro Acidente de Trabalho (SAT) que, em resumo, pretende bonificar as empresas que investirem na redução dos acidentes e doenças ligados ao trabalho. "Não há informações (sobre a metodologia) escondidas nem falta de transparência porque tudo foi discutido ao longo de 2009", afirmou o diretor de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do ministério, Remígio Todeschini.
Ele acusou a CNI de estar fazendo "fumaça" com as críticas porque a entidade representa os dois setores em que há maior número de acidentes no trabalho em seus históricos, que são a indústria da transformação e a construção civil. Pelas novas regras do SAT, as empresas com esse histórico terão um aumento nas suas contribuições no ano que vem.
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, anunciou hoje que pedirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o adiamento das regras e, se não for atendido, a entidade apresentará à Justiça uma ação coletiva ou várias ações individuais de empresas contra a nova forma de cobrança do seguro. (Leia mais no Estadão)

Crédito direcionado puxa financiamentos

Até agosto, de cada R$ 100 de aumento do estoque de crédito, R$ 62 vieram de recursos direcionados, como os do BNDES. Redução de crédito causada pela crise global abriu espaço para avanço, estimulado pelos juros altos cobrados no mercado.
Os empréstimos com taxas controladas pelo governo foram responsáveis pela maior parte do crescimento no estoque de crédito na economia brasileira neste ano. Nos oito primeiros meses de 2009, de cada R$ 100 de aumento no estoque de crédito, R$ 62 se referem a recursos direcionados.
Entram nessa conta, principalmente, os financiamentos do BNDES e o direcionamento obrigatório para crédito rural e habitação.
Desde o início do governo Lula, quando o país ainda sofria com a falta de crédito provocada pela crise econômica nos anos anteriores, os recursos direcionados não ampliavam o seu peso na economia.
Esse dinheiro tem como origem, principalmente, recursos dos trabalhadores e da caderneta de poupança. Por isso, sua destinação e suas taxas são controladas pelo governo e ficam abaixo dos juros praticados pelo mercado.
O principal agente do crédito direcionado no país é o BNDES. A maior parte do dinheiro utilizado pelo banco estatal de desenvolvimento vem dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), e os empréstimos têm como base a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje em 6% ao ano, abaixo da taxa básica de juros (a Selic, hoje em 8,75% ao ano) e muito abaixo das taxas oferecidas pelo mercado.
Neste ano, o estoque de empréstimos feitos pelo BNDES cresceu 21%, bem acima dos 8% registrados em todo o sistema financeiro. Foram R$ 43 bilhões de aumento, dos quase R$ 100 bilhões de crescimento no estoque de crédito no país nesse período. Esse avanço fez com que o banco de fomento ocupasse o espaço aberto pela redução do crédito para empresas no setor privado, fora e dentro do país. Além do desembolso de R$ 25 bilhões para a Petrobras em julho, o banco apoiou grandes fusões neste ano, como a entre Votorantim Celulose e Aracruz.
No início do governo Lula, o crédito direcionado foi foco de um debate entre o Banco Central e o BNDES. Na época, um estudo do BC dizia que esses empréstimos ajudavam a encarecer os juros no Brasil.
Pelo raciocínio, as instituições financeiras cobram juros mais altos nas modalidades mais tradicionais de empréstimo (como o crédito pessoal e o cheque especial) para compensar as baixas taxas de modalidades como o financiamento habitacional. Haveria, portanto, um "subsídio cruzado" que onera grande parte dos tomadores de empréstimos.
Para o assessor técnico da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) Ademiro Vian, esse impacto existe, mas a redução dos empréstimos com taxas controladas depende da recuperação do crédito e da queda na taxa básica de juros. Ele lembra que o governo aumentou o direcionamento para crédito rural e para cooperativas desde a piora da crise econômica e que isso terá de ser revisto em breve.
"Os recursos direcionados são mais baratos, mas a empresa tem de preencher uma série de requisitos, o que tem custo. Isso só compensa quando a taxa de juros do crédito livre é muito mais alta."
Para Ricardo Araújo, professor de finanças da FGV, as altas taxas de juros no Brasil fazem com que o crédito direcionado seja uma opção mais barata para empresas de menor porte e para investimentos em setores estratégicos, como infraestrutura. (Leia mais na Folha)

País terá 90 mi com banda larga em 2014, prevê governo

A proposta de Plano Nacional de Banda Larga que vem sendo elaborada pelo Ministério das Comunicações em conjunto com as empresas de telefonia prevê que o Brasil terá 90 milhões de assinantes de banda larga em 2014. Destes, 30 milhões receberiam os serviços pelas redes fixas e os outros 60 milhões fariam conexão pela banda larga móvel, oferecida pelas empresas de telefonia celular. A meta do Ministério das Comunicações já foi apresentada às empresas, que estão trabalhando para levantar o custo do programa e as sugestões de financiamento. Uma reunião com técnicos do ministério e executivos das operadoras Oi, Telefônica, Embratel, Vivo, TIM e Claro está prevista para a próxima quarta-feira, em Brasília.

A proposta inclui também o atendimento gratuito em banda larga a pontos públicos, como escolas, hospitais, postos de saúde e delegacias de polícia. "Um plano nacional de banda larga não pode se limitar a órgãos do governo, tem que conectar a população, tem que resolver o problema de todo mundo", afirmou um técnico que participa das discussões.
Para alcançar a meta, o ministério trabalha com um teto de R$ 30 para os serviços. Este valor máximo foi definido com base em estudos sobre o que as classes C e D - maior alvo do programa - estariam dispostas a pagar para ter banda larga. A estimativa é de que, sem um plano de incentivo, as vendas de acesso à Internet em alta velocidade se estagnariam nos próximos anos com o atendimento da demanda das classes A e B, que hoje compram o serviço a preços mais elevados. Considerando um cenário pessimista, se nada for feito, em 2014, a banda larga fixa estaria limitada a 18 milhões de assinantes e a conexão móvel não chegaria perto dos 60 milhões.
Hoje, 13,5 milhões de assinantes se conectam pelas redes fixas e 6,5 milhões pelas redes móveis. "Seria preciso crescer mais de 10 milhões por ano nos acessos móveis", lembra o técnico. A velocidade de conexão dependeria da aplicação que se quisesse dar para os serviços, mas a meta é chegar a 2014 com um mínimo de 2 mega bytes por segundo. Ainda não estão definidas as fontes de financiamento, mas a avaliação dos técnicos é de que dificilmente haverá outras opções além de redução de carga tributária para serviços e equipamentos e a utilização de recursos de fundos setoriais, como o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que recolhe cerca de R$ 1 bilhão ao ano. (Leia mais no Estadão)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Reforçar as campanhas pelo trabalho decente para que não sejamos humilhados e ofendidos nos ambientes em que ajudamos a reproduzir riquezas

Desemprego recua, mas a qualidade do trabalho piora

(Postado por Laerte Teixeira da Costa) — A qualidade do trabalho é um mal do final do século 20 que se estende de maneira preocupante para o Século 21. Lá se foram as épocas em que a vinda para a cidade, fugindo do meio rural, significava mais qualidade de vida com a qualidade dos empregos disponíveis. Hoje, as pessoas trabalham demais (isso, quando têm emprego), são submetidas a estresse, ordens absurdas quando não têm que enfrentar o assédio moral nos locais de trabalho. Há anos a OIT tem uma campanha pelo trabalho decente no Mundo, da qual a UGT participa através da Confederação Sindical Internacional, CSI, que somos filiados. Todos os dias 7 do mês de outubro realizamos manifestações no mundo inteiro a favor do trabalho decente. Temos, que cada vez mais, associar os direitos humanos com os direitos do trabalho. E evitar e condenar toda e qualquer forma de trabalho que degrade a pessoa, que a humilhe ou que a escravize.

Leia mais: IBGE apura que taxa volta ao patamar anterior ao agravamento da crise global. Instituto aponta avanço da informalidade, desemprego industrial e geração de menos vagas ao longo de 2009; taxa geral é de 7,7%
A taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas do país cedeu de 8,1% em agosto para 7,7% em setembro e voltou ao patamar pré-crise. Repetiu a marca de setembro de 2008 e foi a menor desde dezembro daquele ano (6,8%), quando estourou a crise financeira global.
O resultado não significa, porém, que o mercado de trabalho tenha se recuperado totalmente do impacto da crise: neste ano, a geração de vagas ainda está mais fraca do que em 2008 e a informalidade se mostra crescente, segundo o IBGE.
Além disso, o emprego na indústria ainda reflete os efeitos da freada da economia especialmente na Grande São Paulo -onde o total de pessoas empregadas no setor caiu 3,8% (73 mil pessoas).
Para o IBGE e especialistas, a redução recente da taxa de desemprego isoladamente não retrata a situação do mercado de trabalho, ainda enfraquecido. No acumulado de janeiro a setembro, a taxa ficou em 8,4%, acima dos 8,1% de igual período do ano passado.
Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, disse que a taxa de desemprego caiu em boa parte por causa da menor procura por trabalho. O mercado evoluiu nos últimos meses, mas ainda está "pior" do que um ano atrás, afirmou.
"A queda da taxa de desemprego no segundo semestre é sazonal. Não vejo isso como uma recuperação. Neste ano, têm sido criados menos empregos do que em 2008", disse.
Para ele, os dados de setembro emitem três sinais preocupantes: o avanço de informalidade, a desaceleração da geração de postos de trabalho e o desemprego na indústria.
Em setembro, a ocupação subiu apenas 0,4% -76 mil vagas. Já o contingente de trabalhadores formais caiu para 54,9% do total de ocupados, menor marca do ano.
Segundo Fábio Romão, economista da LCA, o mercado de trabalho ficou "parado" em setembro. O aumento modesto do número de ocupados, disse, não tem sido suficiente neste ano nem sequer para a suprir o crescimento vegetativo da população. Ou seja, não há vagas suficientes para quem procura o primeiro emprego.
Ele disse, porém, que há uma retomada em curso e uma melhora em relação ao pico da crise. "Os dados não são tão bons como a redução da taxa de desemprego sugere, mas há uma recuperação. E os resultados devem melhorar com o aquecimento da economia previsto para o final do ano."
Para Carlos Henrique Corseuil, do Ipea, o conjunto de dados da pesquisa mostra que o mercado de trabalho não voltou ao giro pré-crise, mas mostra um desempenho bem mais favorável do que muitos países afetados pela crise.
Fernanda Feil, economista da Rosenberg Associados, disse que até setembro de 2008 o mundo "crescia de modo desenfreado e havia uma onda de otimismo no país". Tudo mudou e o emprego no Brasil foi afetado, embora em escala menor. O importante, disse, é que há sinais de reação nos próximos meses, apesar da menor geração de postos de trabalho. (Folha)

BNDES desembolsa R$ 48,8 bilhões para a indústria em 2009

Valor corresponde à metade das liberações da instituição nos últimos 9 meses, que somaram R$ 96,9 bilhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 48,8 bilhões para a indústria este ano até setembro, correspondentes à metade das liberações da instituição no período, que somaram R$ 96,9 bilhões. O valor destinado a indústria é 97% superior ao que o setor recebeu do banco no mesmo período do ano passado.

Já o setor de infraestrutura, recebeu R$ 31,5 bilhões, com alta de 32% em relação a janeiro a setembro de 2008. "Outros setores" ficaram com R$ 16,5 bilhões, o que equivale a um aumento de 45% sobre igual período de 2008.

Dentro da indústria, os destaques por subsetor no valor desembolsado pelo BNDES foram para os setores de química e petroquímica, com R$ 23 bilhões (+ 587% sobre janeiro a setembro de 2008); transportes, com R$ 19,7 bilhões (+42%), e energia elétrica, com R$ 8,8 bilhões (+73%). (Estadão)

Operação Mansões: Receita convoca 10 mil proprietários de obras de luxo para pagar o INSS dos pedreiros

A Receita Federal do Brasil - por meio de suas 25 delegacias no estado de São Paulo - está convocando 10 mil proprietários de obras de construção civil de alto padrão, localizadas principalmente em condomínios fechados em áreas metropolitanas, balneários e regiões serranas do estado para cobrar o recolhimento ao INSS das contribuições previdenciárias devidas sobre os salários dos pedreiros e outros trabalhadores das obras. A estimativa é de os débitos cheguem a R$ 1,5 bilhão.

Os primeiros 10 mil contribuintes inadimplentes foram detectados através das matrículas das construções na Receita Federal e também por meio do cruzamento com as informações dos alvarás e habite-se encaminhadas mensalmente ao Fisco pelas prefeituras municipais.

Nessa quinta-feira, o Secretário da Receita Federal do Brasil, Otacílio Dantas Cartaxo, acompanhou o lançamento da operação em São Paulo, onde afirmou que a iniciativa servirá de base para a realização de ações semelhantes no resto do país.

Foram localizadas milhares de residências com centenas de m2 de área construída, em regiões serrana e litorânea paulistas, sem qualquer recolhimento da contribuição previdenciária. O mesmo ocorre, embora em menor grau, em condomínios fechados de casas de alto padrão em regiões metropolitanas.

- A maioria dos proprietários recolhe regularmente a contribuição previdenciária, e o papel da Receita Federal do Brasil é tratar aqueles casos de exceção com vigor e os rigores da Lei - disse o superintendente da Receita em São Paulo, José Guilherme Antunes de Vasconcelos.

- Essa inadimplência é prejudicial às contas da Previdência Social, que arca com a aposentadoria e o auxílio-doença pagos aos trabalhadores da construção civil - concluiu.

Em Jundiaí, no interior, que serviu de piloto para a ação iniciada ontem, somente com a intimação dos contribuintes a Receita conseguiu que 85% dos inadimplentes regularizassem espontaneamente essas pendências com a Previdência.

O proprietário que não quitar o débito previdenciário ficará sujeito à abertura de uma ação fiscal para o lançamento dos valores devidos, com cobrança do principal acrescido de multa de 75% e demais encargos legais, sem prejuízo de outras sanções administrativas e penais.

Todos os proprietários de obras novas são obrigados a comparecer a uma unidade da Receita para obter a matrícula do imóvel e recolhimento das devidas contribuições previdenciárias.

Além das verificações de obras de pessoas físicas, as Delegacias da Receita Federal no estado de São Paulo vão intensificar o combate à sonegação de contribuições previdenciárias por parte de empresas do setor da construção civil, para apurar indícios de empresas subcontratadas que, por sua vez, não efetuam o devido recolhimento de tributos. Mais de 200 ações fiscais foram abertas durante o mês de outubro. (Leia mais em O Globo)

Acordo climático não deve deter países em desenvolvimento

As conversas sobre as mudanças climáticas da ONU, em dezembro, não devem deter países em desenvolvimento e devem buscar uma solução vitoriosa para ambos os lados na luta contra as mudanças no clima, disse o secretário-geral da Opep nesta quinta-feira.

Abdullah al-Badri, que participará das conversas em Copenhague em dezembro, disse também ser importante que a captura e o armazenamento de carbono -tecnologia com o potencial de limpar o carvão e o uso de petróleo- seja desenvolvida.

"Todos devem sentir que estão ganhando alguma coisa. Se você sair de Copenhague sem uma situação de conquista, então não será implementado", disse a repórteres em Londres o chefe da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

"Copenhague não deve obstruir o desenvolvimento de nações em desenvolvimento. Você tem 2,6 bilhões de pessoas sem energia adequada neste momento", acrescentou.

A Opep inclui os maiores produtores de petróleo no mundo, que estão preocupados com os esforços para limitar o uso de combustíveis fósseis.

O principal negociador para assuntos climáticos da Arábia Saudita, maior produtor de petróleo da Opep, disse em abril que as conversas sobre mudanças climáticas na ONU ameaçam a sua "sobrevivência".

Em um sinal da importância dos encontros em Copenhague para a Opep, os delegados do cartel disseram que o grupo alterou as datas de seu encontro em dezembro para evitar que ocorra nos mesmos dias do encontro sobre clima. (Leia mais em O Globo)

Brasil deve criar 1,1 milhão de empregos até o fim do ano, diz Lupi

O Brasil deve criar 1,1 milhão de empregos até o fim do ano e cerca de 2 milhões de postos de trabalho em 2010. A previsão é do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. Segundo ele, essa era a previsão, mesmo no auge da crise financeira internacional, no final do ano passado.

Lupi disse, durante o programa Bom Dia Ministro, que o Brasil é o país que melhor se recuperou dos efeitos da crise mundial e deve registrar em 2010 o melhor ano da sua economia. Os resultados foram possíveis porque o governo tomou medidas pontuais.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado neste mês registrou a geração 252 mil empregos diretos em setembro, computando 934 mil vagas criadas nos nove meses de 2009.

O ministro se declarou favorável à redução da carga horária para 40 horas semanais, defendida pelas centrais sindicais e disse que nos países europeus a média é de 37 horas. Ele argumenta que no Brasil grande parte dos trabalhadores leva até 3 horas para se locomover de casa para o trabalho e isso afeta o seu desempenho.

Segundo ele, as empresas ganharão mais produtividade, com a oferta de mais empregos, e farão justiça social com a medida. " Não há pressão que possa abater a convicção " , disse, defendendo a aprovação da medida pelo Congresso Nacional. (Valor e Agência Brasil)