sexta-feira, 6 de novembro de 2009

UGT insiste em combinar indicadores de qualidade de vida com ganhos salariais para confirmar inclusão social

Cerca de 19,5 milhões de pessoas melhoraram renda per capita

(Postado por Chiquinho Pereira) — A notícia é boa e faz parte das nossas expectativas. Todo mundo quer melhorar. Mas concentrar a análise apenas nos ganhos pode nos levar a um erro de avaliação geral. Quais são os indicadores de qualidade de vida associados a estes ganhos? Como o ganho impactou a Saúde, o saneamento, a Educação, a qualidade das moradias. Quem não tinha ganho nenhum e passa a receber o Bolsa Família e continua morando em palafitas ou em ambientes insalubres, precisa de mais cuidado ainda. Por isso, a UGT tem em seu programa básico a luta pela inclusão social, pois nestes casos os indicadores sociais é que são determinantes, além claro dos ganhos salariais ou de renda.

Leia mais: Com base na Pnad 2008, estudo do Ipea aponta que 11,7 mi de brasileiros deixaram a faixa de renda mais baixa.

A população brasileira começou a ascender para faixas de renda per capita mais altas a partir de 2004, movimento que não se observava desde a década de 80. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2004 e 2008, 7 milhões de pessoas ingressaram na faixa de renda média (com renda mensal per capital de R$ 188 a R$ 465) e 11,6 milhões de indivíduos chegaram ao estrato superior de renda (renda per capita maior que R$ 465 mensais). Em contrapartida, a faixa de renda baixa (inferior a R$ 188 por indivíduo) perdeu 11,7 milhões de pessoas. No período, o aumento da população brasileira foi de 6,9 milhões de pessoas. "Há sinais da volta da mobilidade social no País, o que não se via até a década de 90", afirma o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

O estudo do Ipea, que como base a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2008, realizada pelo IBGE, mostra que, com essas mudanças, a participação relativa das camadas de renda evoluiu. Em 2008, segundo o estudo, a faixa mais baixa de renda representava 26% da população, fatia menor do que a observada em 2005, de 32%; a de renda média respondia por 37,4%, ante 34,9% em 2004. Já o grupo de renda superior cresceu de 31,5% em 2004 para 36,6% no ano passado. O Ipea destaca que esse grupo, que tem renda per capital superior a R$ 465, vinha registrando declínio em sua participação relativa entre os anos de 1998 e 2004, oscilando de 35,3% para 31,5%.

As faixas de renda estabelecidas pelo estudo - muito baixas, considerando que já pertence à faixa superior o indivíduo que tem renda per capital superior a um salário mínimo - refletem a média de renda da população. Pochmann explica que, para fazer o estudo, o Ipea dividiu a população brasileira em 2001 em três grupos iguais e calculou a média de renda per capital em cada um desses grupos. Para atualizar os valores, o Ipea utilizou o INPC.

Queda da taxa de natalidade impacta — Também é importante destacar que os avanços de renda per capita podem ser explicados, em parte, pela redução da taxa de natalidade média das famílias. Com menos filhos, a renda per capital das famílias naturalmente cresce. Em 1992, segundo Pochmann, a taxa de natalidade média no Brasil era de 2,8 filhos. Em 2008, essa taxa caiu para 1,8 filhos. E, se forem consideradas apenas as mulheres brancas com maior grau de escolaridade, a natalidade é ainda menos: 0,9 filhos.

Mas o presidente do Ipea considera que há outras explicações para esse fenômeno da melhora da renda per capita. Crescimento econômico e dinamismo do mercado de trabalho também justificam, segundo Pochmann, a mobilidade social. Isso fica claro quando se observa o perfil dos indivíduos que tiveram alguma ascensão de renda. Entre 2001 (ano base do estudo) e 2008, 19,5 milhões de brasileiros (ou 11,7% da população) registraram elevação real em seu rendimento individual superior à evolução da renda per capital nacional, que foi de 19,8% no período. Nesse grupo, os que têm carteira assinada foram os que mais evoluíram - o que confirma a tese de que o emprego contribuiu para a melhora da renda, e não apenas efeitos estatísticos ou mesmo benefícios sociais. Segundo o Ipea, dos 13,5 milhões de indivíduos que migraram do estrato inferior para o médio, 55,5% são ocupados (incluindo empregos formais, informais e por conta própria). Já no grupo de 6 milhões de pessoas que evoluíram da faixa médio para a superior, 69,7% estão na categoria de ocupados.

O estudo mostra que a melhora da renda continua concentrada nas áreas urbanas e, especialmente, nas regiões Sul e Sudeste, enquanto que as condições das famílias do Nordeste ainda são mais precárias. Segundo o Ipea, 80% das 19,5 milhões de pessoas que melhoraram sua renda moram na cidade. Dos que mostraram ascensão de renda entre 2001 e 2008, 41% são da região Sudeste (8 milhões de pessoas); 28,2% no Nordeste (5,5 milhões); 3,3% no Sul (2,6 milhões); 9,2% no Norte (1,8 milhão); e 8,2% na região Centro Oeste (1,6 milhão). De todo modo, quando se olha a estrutura social nas regiões em 2008, é possível observar que, no Nordeste, quase 50% da população pertence à faixa mais baixa de renda. Por outro lado, nos Estados do Sul e do Sudeste quase meta da população tem renda per capital superior. (Leia mais no Estadão)

Lula tenta novo acordo para aposentados

Governo deve reapresentar proposta que dá reajuste acima da inflação, mas menor do que previsto em projeto no Congresso. Segundo auxiliar de Lula, ideal seria não votar nunca o projeto, mas apoio do PSDB à proposta de Paulo Paim (PT-RS) assusta governo.

De volta de Londres, o presidente Lula reúne hoje sua equipe para buscar um acordo sobre o reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo. Ele deseja ressuscitar a ideia de dar aumento real a esses benefícios de metade da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.
Segundo a Folha apurou, Lula quer condicionar essa negociação, porém, à aprovação de todas as centrais sindicais e entidades ligadas aos aposentados. O acordo anterior não prosperou porque nem todas as centrais aceitaram a proposta elaborada pelo governo.
Segundo um auxiliar de Lula, o "ideal seria não votar nunca" o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O presidente, contudo, deseja tentar um acordo com os aposentados para evitar desgaste político na véspera da eleição presidencial.
Caso isso não seja possível, a decisão do governo será mesmo trabalhar para impedir a votação do projeto em tramitação na Câmara, que concede às aposentadorias acima do mínimo o mesmo reajuste do piso salarial da Previdência.
O pior cenário, na avaliação governista, é que as pressões dos aposentados levem a Câmara a aprovar o projeto sem alterações. Nesse caso, Lula irá vetá-lo por conta do seu impacto negativo nas contas públicas. Pelos cálculos do governo, ele representaria um gasto extra aos cofres públicos em 2010 acima de R$ 6 bilhões.
Anteontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), chegou a colocar o projeto na pauta de votação. Acabou retirando depois de uma operação comandada pelos líderes governistas.
Temer decidiu votar o projeto depois de pressão dos aposentados, que ameaçavam acampar nos salões da Câmara. Há três meses, eles já haviam feito o mesmo. Recuaram depois de ouvir a promessa do governo de que seria fechado acordo com todas as centrais.
Antes de incluir o projeto na pauta de votação desta semana, o presidente da Câmara avisou o governo de sua decisão diante do fracasso em estabelecer um acordo com os aposentados.
6% em 2010 — Em agosto, o governo havia feito a proposta de dar às aposentadorias acima do mínimo um reajuste próximo de 6% em 2010 -2,55% referentes à metade da variação do PIB de dois anos antes mais a inflação. Isso levaria a aumento de despesas da Previdência de cerca de R$ 3 bilhões.
A regra é similar à já aplicada ao salário mínimo. A diferença é que, no caso do piso salarial, a variação do PIB de dois anos antes é aplicada integralmente. Ou seja, além da inflação, o salário mínimo, inclusive o pago pela Previdência, tem aumento de 100% do PIB.
O acerto feito anteriormente havia obtido o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical, mas não foi aceito pela Nova Central Sindical, pela CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas).
O governo contava com o apoio do PSDB para barrar o projeto elaborado pelo petista Paulo Paim, já aprovado no Senado. Os tucanos chegaram a dizer que ficariam do lado do governo, mas depois recuaram e ameaçaram votar, juntamente com os democratas, a favor da proposta.
Na avaliação de auxiliares do presidente, sem um acordo com os aposentados, até os deputados da base aliada votarão a favor do projeto diante do receio do prejuízo eleitoral. (Leia mais na Folha)

Inflação em SP foi maior para mais ricos em outubro

A taxa de inflação para a população de maior poder aquisitivo foi mais alta que a verificada entre a população de menor renda em São Paulo. Conforme levantamento divulgado hoje pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Índice do Custo de Vida (ICV) variou, em média, 0,53% na cidade. Já o indicador específico para os mais ricos registrou taxa de 0,60%, enquanto o índice dos mais pobres variou 0,37% no mês passado.

Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, segundo os estratos de renda das famílias da capital paulista. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49). O segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90).

No primeiro grupo, o ICV de outubro foi 0,06 ponto porcentual superior à variação de 0,31% de setembro. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi 0,33 ponto mais elevada que a do mês anterior, de 0,27%. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,26% para 0,47%.

De acordo com o Dieese, os aumentos apurados no grupo Transporte apresentaram "correlação positiva" com o poder aquisitivo das famílias. Dessa forma, as famílias de menor rendimento foram menos afetadas no cálculo de inflação, que tiveram a contribuição de 0,08 porcentual do grupo Transporte. Em compensação, para as famílias pertencentes ao segundo estrato, o impacto foi de 0,21 ponto porcentual e, entre as mais ricas, chegou a 0,30 ponto porcentual. Segundo o Dieese, as famílias mais ricas tendem a ser mais prejudicadas pelo aumento dos combustíveis. (Leia mais no Estadão)

CNI: indústria tem trajetória de recuperação

O economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, avaliou hoje que o setor já mostra sinais de recuperação pelos dados industriais de setembro. É a primeira vez, desde setembro de 2008, que os indicadores de faturamento real, horas trabalhadas e emprego registram, ao mesmo tempo, uma variação positiva em relação ao mês anterior. "A indústria em setembro segue na trajetória de recuperação de forma mais abrangente", afirmou Castelo Branco. Para ele, a novidade é que as horas trabalhadas registraram crescimento em setembro, o que sinaliza que o indicador vai passar a ter trajetória positiva nos próximos meses.
O economista acredita que nos meses de novembro e dezembro já será possível ter alguns segmentos e indicadores mostrando crescimento em relação ao mesmo período de 2008. "O que significaria que estaríamos com uma trajetória mais próxima de superação da crise, o que só vai ocorrer de forma mais abrangente em algum momento do primeiro semestre de 2010", disse Castelo Branco.
Ele lembrou que, embora a expectativa seja de continuidade do processo de recuperação da atividade industrial, puxada principalmente pela demanda doméstica, sazonalmente a indústria reduz seu ritmo nos últimos meses do ano e nos primeiros meses de cada ano. "A partir de novembro, principalmente, vamos observar uma acomodação natural da atividade econômica, o que não significa arrefecimento. Nós precisamos observar neste momento os dados ajustados para a sazonalidade", destacou. Embora haja esse processo de recuperação, a CNI ainda estima uma queda do PIB industrial de 4% em 2009.
A utilização da capacidade instalada em setembro sofreu um recuo ante agosto, mas, segundo Castelo Branco, isso não preocupa. A CNI interpreta essa queda como um "movimento de acomodação". O economista destacou que a capacidade instalada no nível atual mostra folga da indústria para atender a demanda, mesmo a inesperada. Ele lembrou que, em janeiro de 2008, o nível de utilização do parque fabril chegou a 83,5% pela série dessazonalizada da CNI. "Tem espaço para crescer sem pressionar a capacidade instalada e sem gerar qualquer tensão nos preços e no fornecimento dos produtos", disse.
Castelo Branco disse que o ponto de atenção neste momento são as exportações, já que a demanda externa ainda não voltou à normalidade e impacta negativamente os segmentos com maior exposição no mercado internacional. "A recuperação tem sido sustentada pelo consumo doméstico. O investimento dá alguns sinais de começar a retomar, mas é uma variável que não mostra sinais claros, principalmente na comparação com 2008", avaliou. (Leia mais no Estadão)

Pequenas empresas terão mais R$ 200 mi em crédito

As micro, pequenas e médias empresas terão mais R$ 200 milhões em crédito para capital de giro da Caixa, com cobertura do FGO (Fundo Garantidor de Operações). Administrado pelo Banco do Brasil, o fundo possibilita realizar empréstimos com juros 30% menores para empresas com faturamento anual de até R$ 15 milhões.
O FGO é um dos dois fundos criados neste ano pelo governo para ajudar as empresas de menor porte, que ainda sofrem com a falta de crédito. Apesar de administrados por bancos estatais (BB e BNDES), é permitida a participação de outras instituições. Mas, até o momento, ninguém havia aderido.
Com patrimônio de R$ 595 milhões, o fundo já conta com dinheiro suficiente para garantir empréstimos no valor de mais de R$ 7 bilhões. (Leia mais na Folha)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

UGT apóia decisão dos vereadores de São Paulo que pune especuladores com imóveis fechados

Câmara aprova sobretaxa para imóvel vazio

Eis aí um decisão acertada da Câmara dos Vereadores de São Paulo. Medida acertada porque ajudará por um fim à especulação imobiliária de proprietários que estocam imóveis que são necessários para que os cidadãos de São Paulo tenham o direito sagrado a um teto. Ainda mais que tal especulação pressiona o valor dos aluguéis, que é a intenção de quem especula, até o nível em que estes agentes anti-sociais se sintam beneficiados para alugar o imóvel. A UGT apóia a medida que é civilizatória, que ajudará a aumentar a oferta de imóveis em São Paulo.

Leia mais: Pelo texto aprovado em primeira votação, IPTU será maior para prédios vazios do centro e terrenos de interesse social. Medida, que é apoiada pelo prefeito, atingirá entre 500 e 600 áreas em todos os distritos de São Paulo e cerca de 150 imóveis no centro.

A Câmara Municipal aprovou ontem, em primeiro turno, o projeto de lei que aumenta em até 18,7 vezes o IPTU de imóveis vazios ou subutilizados na região central e em áreas de interesse social de São Paulo.
Caso seja aprovada em segundo turno e sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), a nova lei permitirá à prefeitura dobrar anualmente o imposto de imóveis abandonados ou grandes terrenos vazios em áreas consideradas estratégicas pelo Plano Diretor.
A alíquota do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) poderá chegar a até 15% -hoje varia de 0,8% a 1,8%- para os imóveis do centro ou em Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social), áreas reservadas pelo Plano Diretor para a construção de moradias populares.
Após cinco anos, caso o terreno não seja loteado ou receba construções, a área subutilizada poderá ser desapropriada pela prefeitura com pagamento em títulos da dívida pública.
Serão enquadradas, de imediato, entre 500 e 600 áreas em todos os distritos da cidade e cerca de 150 imóveis no centro.
Estão excluídas as Zeis em áreas públicas, como favelas em terrenos da prefeitura, por exemplo, e nas regiões de proteção ambiental, especialmente nos mananciais das represas Billings e Guarapiranga.
O projeto deve voltar à pauta ainda neste ano. O líder do governo na Câmara e autor do texto, José Police Neto (PSDB), afirmou que será realizada uma audiência pública em dez dias a fim de receber propostas da população para o texto.
Kassab já se manifestou a favor do projeto, mas disse que o assunto precisa ser debatido junto com a proposta de aumento do IPTU que está em discussão na prefeitura e pode ser encaminhada à Câmara nas próximas semanas.
Cláudio Bernardes, vice-presidente do Secovi (sindicato do mercado imobiliário), disse que o setor é a favor do IPTU progressivo, que está previsto na Constituição, no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor. "Este instrumento serve para que você não estimule a retenção especulativa do solo."
Bernardes fez apenas uma ressalva: a Constituição prevê o loteamento ou edificação compulsória dos imóveis, não a ocupação compulsória de prédios abandonados, como prevê o projeto de Police Neto. "No mérito eu até concordo, porque vai estimular a ocupação de prédios abandonados do centro, mas eu acho é ilegal." (Leia mais na Folha)

MP pode adiar votação sobre reajuste das aposentadorias

Proposta só poderá entrar na pauta após ser votada a medida provisória 466, que trata de energia elétrica

O governo conta com as regras regimentais a favor para barrar a votação, na sessão desta quarta-feira, 4, da Câmara, do projeto que estende a todas as aposentadorias e pensões o mesmo índice de correção do salário mínimo. Segundo item da pauta, a proposta dos aposentados só poderá entrar em votação no plenário depois de votada a medida provisória 466, que trata de energia elétrica nos sistemas isolados.

O relator da MP, deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), tem a prerrogativa de pedir o prazo de uma sessão para apresentar o seu parecer, o que transfere automaticamente a votação para a próxima terça-feira.

Regimentalmente, como a MP tranca a pauta, projetos de lei como o dos aposentados ficam impedidos de ser votados e a sessão ordinária será encerrada. Se for confirmada a tendência do pedido de prazo do relator, não será necessário nem mesmo a apresentação de requerimentos de obstrução ou de retirada do projeto da pauta. "O relator não apresentou ainda o parecer, não dá para votar a MP hoje", afirmou o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP).

Com a entrada dos projetos do pré-sal na próxima semana, não haverá data para a volta da proposta dos aposentados à pauta do plenário. Enquanto isso, o governo tenta negociar com as centrais sindicais e as entidades de aposentados um acordo para o reajuste das aposentadorias em troca da não votação do projeto.

De grande impacto eleitoral, se a proposta dos aposentados entrar em votação, será aprovada com os votos dos deputados da base e da oposição, transferindo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o desgaste político de vetá-la. O governo argumenta que a aprovação do projeto será um desastre para as contas públicas. A estimativa é de um impacto nas contas da Previdência de R$ 6,9 bilhões no próximo ano.

A proposta do governo mantém é de correção de 6,1% nos benefícios acima de um salário, em 2010 e 2011, o que significaria um ganho real de 2,5%. Pela regra atual esses benefícios são corrigidos são corrigidos pela variação do INPC.

Desde cedo, aposentados ocuparam as galerias do plenário a espera da votação. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), defensor da proposta de reajuste de todos os benefícios pelo salário mínimo, disse que o governo quer usar a MP para travar a votação do projeto. "O governo tem dinheiro para a Copa do Mundo, para a Olimpíada, mas não tem para os aposentados?", criticou. (Leia mais no Estadão)

Saldo maior limita aplicação de FGTS em obra

Proposta em estudo prevê que quem tiver saldo menor no fundo poderá aplicar percentual maior em projetos de infraestrutura. Teto seria de 30% do valor na conta do trabalhador; para cotistas com grandes saldos, limite máximo a ser aplicado seria de 5%.

O governo estuda dar tratamento diferenciado aos trabalhadores nas regras para investimento dos recursos depositados nas contas do FGTS em projetos de infraestrutura.
A ideia é permitir que trabalhadores com saldos menores possam aplicar 30% do valor depositado nos projetos do FI-FGTS (Fundo de Infraestrutura do FGTS), garantindo melhor retorno para uma parcela dos recursos em conta. Hoje, cerca de 90% das contas têm saldo abaixo de R$ 4.650.
Cotistas com saldos mais elevados, no entanto, teriam direito a percentuais mais baixos de aplicação, com redução gradual do limite. Com a estratificação das contas por valor dos depósitos, uma possibilidade em estudo é fixar em 5% o limite máximo de investimento para cotistas de grande porte. Menos de 3% dos trabalhadores têm saldos que somam R$ 15 mil.
As regras de aplicação para os trabalhadores estão em fase de formatação e há a expectativa de que um modelo preliminar seja apresentado ao Conselho Curador do FGTS na reunião prevista para dezembro.
A entrada dos trabalhadores no FI-FGTS é considerada pelo governo a única saída viável para aumentar a remuneração das contas e reduzir a pressão dos trabalhadores por uma nova metodologia para cálculo do retorno. Em outubro e neste mês, os depósitos tiveram a menor rentabilidade da história do fundo (apenas os juros de 0,2466% por mês).
Os depósitos do FGTS são remunerados com juros de 3% ao ano mais TR. O problema é que a TR dos últimos dois meses foi igual a zero, afetando a remuneração dos trabalhadores em outubro e neste mês. Já a atual carteira de projetos do FI-FGTS tem rentabilidade projetada de 9% ao ano.
Ao investir no FI, o trabalhador não tem rentabilidade mínima garantida. O governo sustenta que os projetos de investimento incluem principalmente obras no setor elétrico, que são projetos de longo prazo, com risco próximo de zero porque a negociação da energia tem compra antecipada.
Mudança — A lei que criou o FI determina que os trabalhadores podem investir nos projetos de infraestrutura até 10% do recursos no fundo. O Ministério do Trabalho e a Caixa Econômica Federal aproveitaram a tramitação de uma medida provisória no Congresso para sugerir aos parlamentares que elevassem esse limite para até 30%.
A MP com a emenda já foi aprovada na Câmara e no Senado e agora aguarda sanção do presidente Lula. A intenção por trás da elevação do limite de até 30% não é, no entanto, liberar esse percentual para todos os trabalhadores, pois há receio de que isso venha a descapitalizar o FGTS no futuro. (leia mais na Folha)4

Após recorde na inadimplência, bancos planejam expandir crédito em até 25%

Depois de registrarem inadimplência recorde até setembro, os grandes bancos privados avaliam que o pior da crise já passou e fazem planos de aumentar a concessão de empréstimos. É o que mostra reportagem de Aguinaldo Novo, Ronaldo D'Ercole, Juliana Rangel e Fabiana Ribeiro, publicada nesta quinta-feira no GLOBO.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, previu, na última quarta-feira, que a carteira de crédito do banco deve avançar no mínimo 20% em 2010, retomando o ritmo de alta registrado até meados de 2008. O número leva em conta a previsão de expansão de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país). O Itaú Unibanco espera crescimento de 20% a 25% no volume de financiamentos.

No Bradesco, considerando atrasos superiores a 90 dias, a inadimplência saltou de 3,4% em setembro de 2008 para 5% no mesmo mês deste ano, o maior índice desde dezembro de 2007. No Itaú Unibanco, passou de 3,8% para 5,9% na mesma comparação, também o maior desde dezembro de 2007.

Os efeitos da crise aparecem no números divulgados até agora pelos dois maiores bancos privados do país. O lucro líquido do Itaú Unibanco recuou 11% no terceiro trimestre e 15,7% frente a setembro de 2008. No balanço publicado ontem, o Bradesco registra ganho de R$ 5,831 bilhões nos nove primeiros meses deste ano, uma queda de 3,1% em relação ao mesmo período de 2008. No terceiro trimestre, o recuo chegou a 5,2%. Como aconteceu com o concorrente, o Bradesco registrou menor variação da carteira de crédito. O total de empréstimos atingiu R$ 215,5 bilhões em setembro, alta de 1,3% sobre junho e de 10,2% sobre setembro de 2008.

A matéria fala ainda de como o setor de varejo tem renegociado as dívidas com clientes. Nas Casas Bahia, por exemplo, a inadimplência se manteve inferior a 10%. A empresa começou em setembro uma campanha de renegociação de dívidas, que vai até janeiro de 2010. Até 15 de outubro, 22 mil quitaram suas dívidas. A Leader também está renegociando com seus consumidores, oferecendo descontos de até 50%. (Leia mais em O Globo)

Preço da cesta básica sobe em 13 capitais; alta chega a 9,2% em Goiânia, diz Dieese

O custo da cesta básica subiu em 13 das 17 capitais em outubro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em Goiânia, o aumento chegou a 9,2%. Na comparação com o mês de setembro, houve ampliação das localidades com reajustes, já que em setembro a cesta havia ficado mais cara em dez capitais.

A maior alta foi em Goiânia (9,20%) com a cesta passando a custar R$ 197,96. Na sequência, aparecem: Belo Horizonte, com alta de 2,37% e valor de R$ 220,52; Rio de Janeiro com 2,33% e R$ 224,75; Aracaju com 2,22% e R$ 168,15; Brasília com 1,76% e R$ 222,07; Curitiba com 1,09% e R$ 216,59; Salvador com 1% e R$ 197,63; Porto Alegre com 0,99% e R$ 248,29 ; Florianópolis com 0,94% e R$ 226,37; João Pessoa com 0,70 e R$ 175,19; Natal com 0,50% e R$ 182,95; Belém com 0,31% e R$ 202,80 e São Paulo com 0,06% e R$ 230,03.

Nas demais capitais, ocorreram quedas. A mais expressiva foi registrada em Fortaleza (-1,26%), cujo preço foi de R$ 170,29. Em Recife, a cesta ficou 1,10% mais em conta, a R$ 176,45; em Manaus (-1,01% e R$ 217,17 e Vitória (-0,64% )e R$ 224,57.

Como no mês anterior, a cesta mais cara é a de Porto Alegre (R$ 248,29), e a segunda, a de São Paulo (R$ 230,03). No acumulado do ano, apenas duas capitais tiveram aumentos em comparação a igual período de 2008: Belém (1,88%) e Salvador (2,37%). Já nos últimos 12 meses, dez capitais, apresentaram queda, com destaque para Natal (-7,71%) e Fortaleza (-7,13%).

Segundo o cálculo do Dieese, o trabalhador deveria receber um salário mínimo 4,49 vezes maior do que o atual em vigor (R$ 465,00) ou o equivalente a R$ 2.085,89 para suprir as necessidades básicas da família, conforme a determinação constitucional no que se refere a garantia de acesso à alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em outubro, a compra da cesta comprometeu na média uma jornada de trabalho de 97 horas e 27 minutos, ficando acima do mês de setembro, quando foi estimado em 96 horas e 23 minutos e abaixo de outubro de 2008 (109 horas e 34 minutos).

Entre os itens que mais contribuíram para a alta estão a carne bovina e o óleo de soja, com reajustes em todas as capitais, seguidos pelo açúcar e o tomate, mais caros em 14 localidades. O maior aumento de preço da carne ocorreu, em Goiânia (10,78%). Conforme a análise técnica do Dieese, em outubro esse produto teve demanda mais aquecida no mercado internacional. Além deste fato, outro motivo que contribuiu para a alta foi a redução da oferta da carne argentina.

A tendência, no entanto, é de que a produção nacional seja favorecida por causa da chuva mais volumosa justamente no período de estiagem, o que proporcionou o crescimento antecipado das pastagens. Segundo os técnicos, isso vai ajudar a baixar o preço da carne no mercado interno, desde que não haja aumento exagerado das exportações. (Leia mais em O Globo)