quarta-feira, 25 de novembro de 2009
UGT e centrais sindicais seguem unidas na busca de uma solução para as aposentadorias
O governo e centrais sindicais estão distantes de um acordo em torno do reajuste das aposentadorias e pensões. Ainda não há consenso sobre o fim do fator previdenciário - mecanismo que desestimula aposentadorias precoces - e da vinculação do valor da aposentadoria a um número específico de salários mínimos. Na segunda-feira, os principais sindicatos do País e a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) acertaram proposta única de aumento dos benefícios previdenciários para quem recebe mais de um salário mínimo. A ideia é apresentar os termos da proposta nos próximos dias ao ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência. Pela nova negociação, a alta das aposentadorias acima do salário mínimo seria de 80% da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás mais a inflação do ano anterior. Com isso, o reajuste pode chegar a 7,97%. Antes, os aposentados queriam 100% do PIB mais inflação, ou seja, índice de igual ao que será concedido ao salário mínimo. Para evitar um desequilíbrio das contas públicas, o governo estava oferecendo 50% do PIB mais inflação - o que poderia resultar em reajuste de 6,5%. Mas os trabalhadores disseram que o presidente Lula está disposto a aumentar um "pouquinho" esse valor. Para envolvidos nas conversas, o governo pode até aceitar um reajuste equivalente a 70% do PIB mais inflação, o que significaria elevação real de 3,57% do benefício previdenciário. (Leia mais no Estadão)
Desemprego nas principais metrópoles do País cai para 13,7%
Setor de serviços é destaque em outubro, com a abertura de 141 mil postos; em setembro, taxa era de 14,4%
A taxa de desemprego em seis das principais regiões metropolitanas do País ficou em 13,7% em outubro, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, 25, pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos sócioeconômicos (Dieese). O desemprego caiu em relação aos 14,4% registrados em setembro. Em outubro de 2008, a taxa de desemprego estava em 13,4% nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal.
O nível de ocupação das seis regiões metropolitanas subiu 1,3% em outubro na comparação com setembro. No mês passado, foram criadas 225 mil vagas de emprego. No conjunto das regiões, o nível ocupacional cresceu em todos os setores analisados. Na construção civil, houve aumento de 1,3% com a criação de 14 mil vagas. No setor de serviços, o nível ocupacional subiu 1,5%, com a abertura de 141 mil postos de trabalho. No comércio, houve alta de 1,2% no nível de ocupação e mais 32 mil vagas criadas. Na indústria, o nível ocupacional também aumentou 1,2%, com a criação de 30 mil vagas. No agregado outros setores, houve aumento de 0,5% e a abertura de 8 mil vagas.
O rendimento médio real (descontada a inflação) subiu 0,6% nas seis regiões metropolitanas em setembro ante agosto, passando para R$ 1.243,00. O rendimento médio subiu 2,4% na comparação com setembro de 2008.
O contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,756 milhões de pessoas, sendo 133 mil a menos que o total de setembro. Em outubro de 2008, o número de desempregados era 2,682 milhões.
São Paulo -- Segundo o Dieese, o desemprego da região metropolitana de São Paulo ficou em 13,2% em outubro, uma taxa menor do que os 14,1% registrados em setembro. Em outubro de 2008, o desemprego da região metropolitana de São Paulo estava em 12,5%.
O contingente de desempregados na região metropolitana paulista foi estimado em 1,398 milhão de pessoas, 84 mil a menos que no mês anterior. O nível de ocupação cresceu 1,8% em outubro e o contingente de ocupados foi estimado em 9,194 milhões de pessoas, sendo 162 mil a mais que o estimado em setembro.
Todos os setores analisados aumentaram o nível de ocupação. A indústria criou 37 mil postos de trabalho no mês passado, elevando seu nível de ocupação em 2,4% no período. No setor de serviços, houve elevação de 1,6%, com a criação de 80 mil vagas. No comércio, o nível de ocupação cresceu 1,8%, com mais 25 mil novas vagas. No agregado outros setores, que inclui construção civil e serviços domésticos, o aumento foi de 1,9% no nível ocupacional, com mais 20 mil vagas criadas.
O rendimento médio real (descontada a inflação) dos ocupados na região metropolitana de São Paulo subiu 0,4% em setembro ante agosto, para R$ 1.288,00. Em relação a setembro do ano passado, a renda média subiu 2,9%. Por fim, a massa de rendimento dos ocupados da região caiu 0,2% em setembro ante agosto, mas apresentou elevação de 2,3% na comparação com um ano antes.
Governo prorroga IPI menor para carro flex
Alíquota para veículo bicombustível ou a álcool permanecerá com atual desconto até 31 de março; caminhão tem incentivo renovado. Governo diz que medida mostra preocupação ambiental; setor automotivo é o mais beneficiado pelas desonerações contra crise.
A duas semanas da conferência do clima de Copenhague, o governo anunciou ontem incentivos para a venda de carros "verdes". Até 31 de março de 2010, os automóveis flex ou a álcool permanecerão com as atuais alíquotas reduzidas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).A prorrogação do imposto reduzido também alcançará a venda de caminhões, que permanecerão com as alíquotas zeradas até junho do ano que vem. No caso dos automóveis, os carros 1.0 continuarão sendo tributados com 3% de IPI. Sem a medida anunciada ontem, a alíquota seria elevada para 7% em janeiro.Para os veículos de até 2.000 cilindradas, o imposto será mantido em 7,5% -voltaria para 10% a partir de janeiro. As novas prorrogações só valem para veículos flex/álcool. Para os automóveis a gasolina, o imposto reduzido será gradativamente extinto até janeiro. Até outubro, 88% de carros novos vendidos no país eram flex.Com a medida, a expectativa é que o governo abra mão de R$ 1,3 bilhão. Há menos de um mês, o governo já havia anunciado a prorrogação de IPI reduzido para produtos da linha branca com selo verde, considerados mais econômicos. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que seriam adotados incentivos similares para outros setores."O Brasil está muito preocupado com a questão ambiental. Essa medida faz parte das ações do governo no sentido de estimular o consumo de menos energia e de reduzir as emissões de carbono", declarou Mantega, acrescentando que a renovação da frota de caminhões também reduzirá a emissão de gases na atmosfera.Grupo de trabalho -- Além da prorrogação do imposto reduzido, Mantega disse que o governo criou um grupo de trabalho formado por vários ministérios (Fazenda, Desenvolvimento, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia) para elaborar medidas de estímulo à indústria automobilística no desenvolvimento de tecnologias menos poluidoras e poupadoras de combustíveis.No anúncio, Mantega tinha ao seu lado o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Scheneider, e representantes de várias montadoras."Esse é um claro sinal de que o governo está interessado em construir soluções para o futuro", declarou Scheneider.Desde dezembro do ano passado, quando a crise financeira atingiu o auge no Brasil, o governo adotou medidas de incentivo fiscal para tentar estimular a economia. Segundo a Fazenda, já foram concedidos R$ 25 bilhões em desonerações contra a crise, e o setor automotivo é o maior beneficiado. Apesar da crise, e com os incentivos, o setor deve bater recorde de vendas neste ano.Inicialmente, o imposto reduzido para a indústria automobilística expiraria em março, mas, desde então, o governo prorroga o incentivo fiscal. Segundo a Anfavea, isso permitiu a venda adicional de 350 mil a 400 mil carros no período.Na última prorrogação do IPI reduzido, a Fazenda criou uma "escadinha", que culminaria com o fim do benefício tributário a partir de janeiro. Mantega defendeu ontem a medida para o setor automotivo, afirmando que a indústria representa 23,3% da produção industrial. "É a cadeia mais importante, que gera 1,5 milhão de empregos e R$ 40 bilhões em tributos por ano", declarou o ministro. (Leia mais na Folha)
Lula defende estatal na banda larga
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que a estatal da banda larga, cuja criação está sendo estudada no governo, também chegue ao cliente final, oferecendo, no varejo, conexão à internet em alta velocidade. Segundo assessores do presidente, Lula acha que o governo tem de estar preparado para prover o serviço ao cidadão brasileiro no caso de empresas privadas não terem interesse.Os estudos do grupo técnico encarregado de formular uma proposta de massificação da banda larga no País caminhavam para a adoção de um modelo híbrido, em que a estatal atuasse no atacado, fazendo a transmissão de dados. O atendimento ao cliente final ficaria com o setor privado, seja pelas grandes teles ou por pequenos provedores.Em reunião, ontem, com oito ministros, esse cenário mudou. Lula pediu novos estudos para a criação de uma estatal mais poderosa, que poderá vir a competir com as empresas privadas em todos os segmentos. Alguns técnicos do governo admitem, porém, a possibilidade de a manifestação do presidente ser uma forma de pressionar as teles a aderirem de maneira mais efetiva ao projeto de massificação da banda larga.O presidente deu mais três semanas para que os técnicos levantem os custos do projeto, incluindo o atendimento ao cliente final, chamado de última milha. Para isso, seriam necessários investimentos na construção de ligações entre a estrutura principal que o governo já possui - usando as redes da Petrobras, Eletrobrás e Eletronet - ao consumidor final. Na reunião, Lula também mostrou-se irritado com a demora da Justiça em liberar as redes de fibra óptica da Eletronet (empresa falida que tem a Eletrobrás como sócia) para o projeto.O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que ontem também apresentou a Lula uma proposta para expandir a internet rápida em parceria com as teles, já disse que o governo não tem recursos para bancar o projeto sozinho. Pelo projeto de Costa, seriam necessários R$ 75,5 bilhões para chegar a 2014 com 90 milhões de acessos à internet em alta velocidade, bem acima do número atual de conexões, que está em cerca de 20 milhões. O projeto do ministro, intitulado "O Brasil em Alta Velocidade", prevê que, em cinco anos, metade dos domicílios brasileiros estarão conectados com banda larga. Mas não contempla a criação de uma estatal para atuar no segmento.Do total de investimentos, R$ 49 bilhões seriam aplicados pelas empresas, com recursos próprios e de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os outros R$ 26,5 bilhões viriam do setor público, incluindo o governo federal e os governos estaduais. (Leia mais no Estadão)
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Só a unidade na ação nos garantirá avanços na questão previdenciária
Reajuste da aposentadoria: centrais e entidades unificam posição
Em reunião na sede nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB ), em São Paulo, as centrais sindicais e as entidades de defesa dos aposentados fecharam, na manhã desta segunda-feira (23), um acordo unitário sobre o índice de reajuste das aposentadorias para os próximos anos. O debate levou em conta os projetos de interesse dos trabalhadores e aposentados que estão em tramitação no Congresso Nacional.
A proposta das entidades consiste em defender a imediata aprovação da Política Permanente de Recuperação do Salário Mínimo, até 2023, com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O reajuste também deve levar em conta a variação do PIB de dois anos anteriores.
Além disso, o acordo defende uma Política Permanente de Recuperação dos Benefícios das Aposentadorias e Pensões, com valores superiores ao salário mínimo. A base para esse cálculo é a variação do INPC do ano anterior, acrescido de 80% do PIB de dois anos anteriores.
Centrais e entidades também reafirmaram estar contar o fator previdenciário, a exigência de idade mínima para aposentadorias e a adoção da chamada média curta para cálculo das aposentadorias. O acordo foi formalizado numa nota, divulgada após a reunião desta segunda-feira.
Além da CTB, assinaram o acordo CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) e Sindicato Nacional dos Aposentados.
Confira abaixo a íntegra da nota.
As centrais sindicais CUT, Força Sindical, UGT, NCST, CTB e CGTB, a COBAP e os sindicatos nacionais de aposentados, reunidos nesta data em São Paulo, avaliaram projetos de interesse dos trabalhadores e aposentados em tramitação no Congresso Nacional, deliberaram consensualmente o seguinte:
1. Defender a imediata aprovação da Política Permanente de Recuperação do Salário Mínimo, até 2023, com base no INPC do ano anterior, acrescido da variação do PIB de dois anos anteriores, conforme projeto de lei do Executivo;
2. Defender o estabelecimento de uma Política Permanente de Recuperação dos Benefícios das Aposentadorias e Pensões com valores superiores ao salário mínimo, com base na variação do INPC do ano anterior, acrescido de 80% do PIB de dois anos anteriores; e
3. Ratificar a posição unitária das Centrais e das representações dos aposentados, favoráveis ao fim do fator previdenciário, contra a exigência de idade mínima para aposentadorias e contra a adoção da chamada média curta para cálculo das aposentadorias.
São Paulo, 23 de novembro de 2009
CTB - Wagner Gomes
CUT - Artur Henrique
Força Sindical - Paulo Pereira da Silva
UGT - Ricardo Patah
NCST - Calixto Ramos
CGTB - Antônio Neto
Cobap - Warley Martins
Sindicato Nacional dos Aposentados (FS) - João Batista Inocentini
(Fonte: O Vermelho)
Aposentados negociam alternativa ao PL 01/07
Com apoio das centrais sindicais, ideia é trocar a aprovação de algumas medidas provisórias pelo projeto que vincula a Previdência ao mínimo.
Representantes dos aposentados e das seis maiores centrais sindicais do país se reuniram nesta segunda-feira (23) e cobraram a edição de duas medidas provisórias (MPs) do governo federal. A proposta é uma alternativa para que a categoria abra mão do Projeto de Lei 01/07 (que reajusta as aposentadorias pela mesma variação do salário mínimo). A matéria está na pauta da Câmara e já provoca uma rebelião de governistas. (leia mais)
A primeira Medida Provisória reajustaria o salário mínimo até 2023 com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de dois anos anteriores, mais o Produto Interno Bruto do mesmo período.
A segunda MP ofereceria aos aposentados que ganham acima de um salário mínimo um aumento equivalente à inflação mais 80% do PIB de dois anos anteriores. O governo oferece 50%.
O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos da Força Sindical, João Inocentini, explica que o reajuste do aposentados pelo salário mínimo provavelmente será vetado pelo presidente Lula, caso o Congresso aprove a medida. “Queremos uma alternativa. Uma política de Estado, não de governo, para os aposentados”, afirma.
“A gente vai continuar brigando”, resume o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap).
Além das medidas provisórias, aposentados e sindicalistas também cobram o fim do fator previdenciário (índice que, na prática, reduz o valor das aposentadorias). Aprovado recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a matéria está pronta para ser analisada no plenário da Casa. Contudo, a discussão sobre o fim do fator previdenciário ficará para pó próximo ano.
Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, as três medidas vão “recuperar o poder de compra dos trabalhadores e dos aposentados e pensionistas”.
Além da Força Sindical e da UGT, também participaram da reunião com os aposentados as seguintes centrais: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). (Congresso em Foco)
Governo deve alterar cálculo de seguro contra acidente
Mesmo com a pressão da indústria, o governo não abre mão de alterar, em janeiro de 2010, a forma de cálculo do Seguro Acidente de Trabalho (SAT) para premiar as empresas que investem na melhoria das condições de trabalho e punir, com uma tributação maior, as companhias com taxas elevadas de acidentes. A partir do próximo ano, será incluído no cálculo do seguro o chamado Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que poderá reduzir pela metade ou dobrar o valor pago pela empresa para cobrir os acidentes de trabalho. Atualmente, o SAT tem três alíquotas - 1%, 2% ou 3% da folha de pagamento -, mas esse valor pode variar conforme o FAP da empresa.
O FAP é um multiplicador (0,5 a 2,0) das alíquotas do SAT. Ele é calculado com base na frequência, gravidade e custo dos acidentes de trabalho. Com a nova fórmula de cálculo do SAT, uma companhia do setor de construção civil paga uma alíquota de 3%. No próximo ano, se a companhia tiver registros de acidentes, poderá ser obrigada a pagar de seguro até 6% de sua folha de pagamento. Caso faça investimentos em prevenção e não tenha acidentes, poderá reduzir pela metade o valor desembolsado.
Para o ministério da Previdência Social, o número de acidentes está crescendo no País e é preciso ter alternativa para financiar o rombo nas contas públicas. Por outro lado, o setor empresarial, encabeçado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), alega que a medida é apenas arrecadatória e prejudica as empresas que mais investem. Por isso, defendem um adiamento da medida por alguns meses. Um grupo de trabalho com representantes do governo, empresários e trabalhadores foi criada para debater o assunto. Os empresários ameaçam entrar na Justiça caso mudanças não sejam implementadas no sistema. (Leia mais no Estadao)
MEC questiona oferta de vagas no Sistema S
Indicador criado pelo ministério sugere que número de vagas gratuitas no Senai e no Senac é insuficiente em mais da metade dos Estados.
Entidades afirmam que estão cumprindo acordo feito com o MEC, no ano passado, que leva em conta repasse financeiro da receita
Indicador criado pelo MEC (Ministério da Educação) para monitorar acordo feito em 2008 com Senai e Senac mostra disparidade regional na oferta de vagas gratuitas para atender alunos de baixa renda no país.
Esse indicador de monitoramento estará disponível a partir de hoje no site do Sistec (Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica) e leva em conta que o Senai teria de oferecer de forma gratuita percentual de 50% das vagas existentes, e o Senac, 20%. Entidades do chamado Sistema S, Senai e Senac são mantidos com recursos compulsórios sobre a folha de pagamento das empresas.
Por esse critério estabelecido pelo ministério, o número de vagas gratuitas oferecidas pelo Senai está abaixo do previsto em 12 Estados e no DF. No caso do Senac, o desempenho é insuficiente em 7 Estados e no DF, segundo relatório técnico do MEC obtido pela Folha.
Se as duas entidades não concederem vagas gratuitas em todos os Estados de maneira uniforme, o MEC pode até retomar a discussão sobre a possibilidade de retirar das entidades do Sistema S a gestão dos recursos com origem compulsória, segundo a Folha apurou.
Por ano, a receita compulsória total arrecadada por todo o Sistema S -formado por entidades ligadas à indústria (Sesi e Senai), ao comércio (Sesc e Senac), ao transporte (Sest e Senat), a micro e pequenas empresas (Sebrae), à agricultura (Senar) e às cooperativas (Sescoop)- gira em torno de R$ 7 bilhões. Senai e Senac, principais instituições da área de formação profissional, participam com 35% a 40%.
As entidades contestam o indicador criado pelo MEC e informam que os decretos que alteraram os regimentos do Senai e do Senac no ano passado preveem que a meta de 50% e 20%, respectivamente, diz respeito às receitas líquidas compulsórias para criação de vagas gratuitas, e não ao percentual de vagas. Informam ainda que estão cumprindo o acordo pelo critério do compromisso financeiro com as vagas gratuitas.
O MEC não consegue avaliar ainda se as duas entidades estão ou não aplicando os recursos previstos no acordo feito em 2008. Isso só será possível quando as duas entidades divulgarem seus balanços de gestão, no final do ano. Mas identificou que faltam vagas gratuitas principalmente em regiões fora do eixo Rio-SP, como revela o indicador que criou.
O relatório técnico do MEC obtido pela Folha aponta "para a obrigatoriedade de cumprimento de seus termos [vagas gratuitas] por todas as unidades escolares das referidas instituições" e constata "a existência de escolas que não possuem matrículas gratuitas".
Ao menos 64 escolas do Senac em 16 Estados (de um total de cerca de 500) e 23 escolas do Senai em 13 Estados (de um conjunto de 454) não têm nos registros do Sistec uma matrícula gratuita, segundo dados do MEC atualizados até o dia 10.
Custos — Além de questionar a distribuição regional de vagas gratuitas no país, a Folha apurou que o governo federal considera que o custo de formação de um aluno matriculado em curso gratuito no Senai e no Senac é elevado, se comparado ao custo de um estudante formado em cursos técnicos de instituições públicas e privadas.
Considerando o custo médio da hora-aula informado pelo Departamento Nacional do Senac, de R$ 11,18, o custo de um aluno que estuda gratuitamente num curso técnico de 800 horas-aula (carga horária de um ano letivo) é de R$ 8.944 -custo próximo ao de um estudante de universidade federal.
No Senai, o custo médio da hora-aula informado é de R$ 8,77. Nesse caso, o custo de um aluno (curso de 800 horas-aula) é de R$ 7.016 ao ano.
Nas Etecs (escolas técnicas gratuitas de nível médio do governo estadual paulista), o custo de um aluno em um curso técnico com a mesma carga horária (800 horas aula/ano) é de R$ 3.000. Nas Fatecs (Faculdades de Tecnologia), também ligadas ao governo de São Paulo, o custo anual de um aluno com a mesma carga horária (800 horas-aula ano) é de R$ 4.500.
Nas escolas técnicas da rede federal, o custo de um aluno é de R$ 5.000 ao ano.
Mais informações no site do MEC: (www.mec.gov.br/consultaacordo) (Leia mais na Folha)
Rio está entre melhores estados em renda e educação, mas entre os piores em saneamento e violência
Os contrastes que pontuam o cotidiano do Rio de Janeiro aparecem com nitidez nas estatísticas. Estudo inédito feito com base nas informações da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008) mostra que o terceiro maior estado do país exibe indicadores socioeconômicos díspares na comparação com as demais unidades da federação.
Ao mesmo tempo em que figura entre os primeiros do ranking em educação e renda, está muito mal posicionado no acesso a serviços básicos, como abastecimento de água e nos indicadores relacionados à violência urbana, revela reportagem de Regina Alvarez e Cássia Almeida publicada na edição do GLOBO desta segunda-feira.
A comparação, elaborada pela consultoria técnica da Confederação Nacional de Municípios (CMN), mostra que, em relação ao abastecimento de água - serviço básico e indicador essencial na aferição do nível de desenvolvimento regional -, o Rio aparece em 18º lugar no ranking dos estados, entre os dez piores índices de atendimento desses serviços no país. Dos 5,076 milhões de domicílios urbanos, 553,3 mil (10,9%) estão desassistidos neste quesito.
O Rio aparece no topo de um ranking que não é motivo de orgulho. Tem a terceira maior taxa bruta de mortalidade do país, com 7,35 mortes para cada 100 mil habitantes. Está atrás apenas de Pernambuco, o campeão em mortes (7,38 por cada 100 habitantes), e da Paraíba (7,36).
A análise das informações da Pnad relaciona esse indicador com baixas condições socioeconômicas, proporção de pessoas idosas na população, problemas no sistema de saúde e na prevenção de doenças e altos índices de mortalidade violenta - característica evidenciada no Rio por outras estatísticas. A média nacional de mortes por cada 100 mil habitantes é de 6,22 e o estado com o menor número é o Distrito Federal (4,33).
O empresário Ulrich Rosenzweig, de 85 anos, foi uma vítima da violência no Rio. Em 27 de maio de 2008, foi assassinado com um tiro no peito, no Centro do Rio. A bisneta acabara de nascer e as quatro filhas ainda estão reorganizando a vida depois da morte.
- Meu pai estava chegando no prédio, junto com o boy que viera do banco. Ele se assustou com o movimento em torno do funcionário e o assaltante atirou no peito do meu pai. Ele estava em plena atividade. Ele era o esteio de uma família de quatro filhas - afirma Evelyn Rosenzweig, filha do empresário.
Para o professor de Antropologia da UFF e coordenador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos, Roberto Kant de Lima, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, o problema da violência no Rio e no país começa na desigualdade jurídica, que oferece privilégios para políticos, dirigentes sindicais, criando cidadãos inferiores e superiores já na legislação. (Leia mais em O Globo)