segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Relatório da OIT justifica campanha da UGT a favor da busca da inclusão produtiva dos jovens, que continuam vítimas preferenciais do desemprego

OIT: desemprego entre jovens é o maior desde 2002

A taxa de desemprego entre jovens de todo o mundo atingiu em 2009 o maior nível em oito anos e deve seguir o movimento de alta, fechando 2010 com 81,2 milhões de jovens fora do mercado de trabalho. O relatório anual Tendências Globais de Emprego para a Juventude, organizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostra que no ano passado o índice de desemprego entre pessoas com idade entre 15 e 24 anos chegou a 13% - ou 81 milhões dos 623 milhões de jovens economicamente ativos. O resultado é o maior da série histórica do levantamento, realizado desde 2002.

A taxa de desemprego entre os maiores de 25 anos em 2009 foi de 4,9%, segundo o levantamento. Na comparação com os adultos, a taxa de desemprego entre jovens é 2,8 vezes superior. No Brasil, ela chega a 3,2 vezes, de acordo com dados de 2008.

O grande contingente de jovens desempregados deve-se, de acordo com a OIT, aos desdobramentos da crise financeira mundial. No período de 2007 a 2009, o número de desempregados nessa faixa de idade aumentou 7,8 milhões, passando de 11,9% para 13%. A expectativa da entidade é de que essa taxa cresça neste ano para 13,1% e tenha um ligeira recuo em 2011, para 12,7%.

"Geração perdida" — A OIT observa que a falta de experiência é um dos principais empecilhos para que esses jovens retornem ao mercado de trabalho, o que torna mais demorada sua reincorporação em relação aos adultos. É por isso, segundo a entidade, que o desemprego nessa faixa etária deve seguir em nível elevado nos próximos anos, formando o que chamou de "geração perdida".

O estudo alerta que o período de afastamento pode gerar transtornos a esses jovens, como a perda de ânimo e autoestima, "o que pode comprometer as perspectivas de emprego". A pesquisa destaca ainda o custo da ociosidade provocada pelos reflexos da recessão mundial, como os investimentos em educação e redução das contribuições para os sistemas de seguridade social. "Não ter esse potencial no mercado é um desperdício econômico e pode minar a estabilidade social", avalia o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

A juventude de países em desenvolvimento, como o Brasil, é a que mais sofre com os impactos de uma crise. Segundo a pesquisa, os jovens desses países são mais vulneráveis ao subemprego e à pobreza, enquanto os de nações mais pobres não costumam ser demitidos - eles têm as horas de trabalho ou os salários reduzidos. Nos dois tipos de economia, as demissões acabam empurrando os jovens para o mercado informal, alternativa em crescimento entre a faixa etária de 15 a 24 anos. O relatório mostra ainda que, em 2008, os jovens representaram 24% dos pobres inseridos no mercado de trabalho mundial. No geral, os trabalhadores de baixa renda são 18,5% da mão de obra mundial.

O relatório aponta também que a taxa de desemprego entre os jovens é agravada por variáveis como sexo e região. Entre as mulheres, a desocupação chegou em 2009 a 13,2%, superior aos 12,9% observados entre os homens. No Norte da África, por exemplo, a taxa de desemprego nessa faixa etária foi de 23,3% no ano passado, enquanto na União Europeia foi de 17,3%. Na América Latina, a taxa ficou em 14,3% e no Sul da Ásia, em 14,5%. A região com a menor taxa de desocupação entre os jovens foi no Leste da Ásia, de 8,6%. (Abril)

País ficará estagnado em ranking de renda

Brasil será a 5ª maior economia até 2032, mas continuará na 47ª posição em PIB per capita, diz Goldman Sachs. Peso do país no PIB mundial não mudará em 20 anos, diz EIU; economistas culpam baixa produtividade.
Entre 2009 e 2032, o Brasil terá saltado da oitava para a quinta posição no ranking de maiores economias do mundo. Mas, em termos de renda per capita, o país permanecerá estagnado na 47ª posição em uma lista de 73 nações.
As projeções são do banco Goldman Sachs, que inventou o acrônimo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). 2032 é o ano em que a instituição prevê que, somadas, as economias dos Brics (no cálculo em dólares) alcançarão as do G7 (EUA, Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha, França e Canadá).
A renda per capita é uma medida da riqueza e nível de desenvolvimento de uma nação, resultado da divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pelo total de habitantes.
Em termos absolutos, o Goldman Sachs prevê um forte aumento no PIB per capita brasileiro (em dólares), que quase triplicará, alcançando US$ 21 mil em 2032.
Mas outros emergentes darão saltos maiores. Os destaques são algumas nações do Leste Europeu -principalmente devido à tendência de encolhimento de suas populações- e da Ásia.
CHINA — No caso da China, por exemplo, o PIB per capita crescerá cerca de seis vezes e encostará no brasileiro, levando o país a saltar da 56ª para a 48ª posição. Entre os demais Brics, a Rússia avançará cinco posições, e a Índia, apenas uma no ranking de renda per capita.
Saltos de produtividade são a chave para que países como Brasil e Índia, cujas populações continuarão a crescer a taxas elevadas, atinjam ritmo de crescimento suficiente para levar a expansão mais significativa de suas rendas per capita.
Mas, segundo o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), o Brasil está longe de trilhar esse caminho.
Produtividade é uma medida de eficiência da economia. Fatores como a quantidade e a qualidade do capital físico (como máquinas e equipamentos) e humano e a eficiência como eles são utilizados ajudam a explicar o ritmo de avanço da produtividade.
BAIXO INVESTIMENTO — No Brasil, os investimentos na formação de capital físico seguem muito baixos, equivalentes a cerca de 18% do PIB, ante mais de 45% na China, 28,7% em Cingapura e pouco mais de 20% na média da América Latina.
Além disso, a qualidade da educação ainda é baixa.
"Há uma medida da qualidade do capital humano que são os testes de aprendizado internacional. Assim como o Brasil fica mal na foto em termos de capital físico, fica muito mal também quando participa de testes de aprendizado em todos os níveis escolares", diz Giannetti.
Robert Wood, analista sênior da EIU (Economist Intelligence Unit), prevê que o Brasil crescerá a uma taxa média de 4,2% entre 2011 e 2030, quase o dobro dos 2,4% registrados entre 1981 e 2009. Ainda assim, diz ele, a economia brasileira manterá seu peso no PIB mundial estagnado em cerca de 3,3%.
A EIU tem projeções similares às do Goldman Sachs para a evolução da renda brasileira. Entre 2009 e 2030, o Brasil terá avanço modesto tanto no ranking de PIB per capita em dólares como em paridade do poder de compra (PPC, que ajusta os valores absolutos do PIB de acordo com o custo de vida em cada país) da consultoria, saltando da 47ª para a 46ª no primeiro caso e da 57ª para a 55ª no segundo. (FOLHA)

Poupança lidera preferência na classe C

Tradicional modalidade de investimento é a escolhida por 51% dos brasileiros e 34% das brasileiras, diz pesquisa.

Não é de hoje que a poupança figura entre os investimentos com menor rendimento, abaixo de 1%. Apesar disso, a tradicional caderneta continua sendo a preferida dos investidores, inclusive daqueles com menor renda. Segundo pesquisa da consultoria Quórum Brasil feita com pessoas da classe C com renda familiar entre R$ 1.500 e R$ 2 mil, 51% dos homens e 34% das mulheres têm entre suas aplicações a poupança. Poucos investem em ações, boa parte, por não achar que o mercado acionário é adequado ao padrão de renda.

"O primeiro fator que explica o investimento em poupança é comportamental. Os pais, os avós, muitas gerações já aplicavam na caderneta", diz o diretor da Quórum Brasil, Cláudio Silveira. O aumento da renda e a abertura da primeira conta bancária por milhares de brasileiros também explica a preferência. "Há uma alta penetração desse investimento no Brasil porque é um produto muito vendido pelos bancos. Com qualquer R$ 1 você investe", diz o consultor Mauro Calil. Segundo o Banco Central, 54% dos poupadores têm até R$ 100 na caderneta.

A pesquisa também mostra que boa parte da classe C ainda não investe. Para especialistas, o fácil acesso ao crédito nos últimos anos ainda compromete boa parte da renda. "Daqui um ano e meio, quando as parcelas das dívidas acabarem, a capacidade de poupança irá aumentar", afirma Silveira, ao dizer que acredita que outro investimentos, como as ações, passarão a ser mais procuradas.

Bolsa — Somente para 3% dos homens ouvidos na pesquisa, a aplicação em ações é adequada ao nível de renda. Entre as mulheres, o investimento nem é mencionado. "Isso demonstra um pouco de medo e falta de conhecimento", diz o diretor comercial da corretora SLW, Robson Queiroz. "Há tempos a Bolsa deixou de ser um ‘clube do Bolinha’ de grandes investidores", completa.

Apesar da baixa renda da classe C, especialistas acreditam que hoje o mercado é bem acessível a este público. "Com R$ 1 mil já é possível começara a aplicar", diz o diretor de canais eletrônicos da TOV, André Jorge. A casa, que quer ser "as Casas Bahia das corretoras", hoje tem 20% da base de clientes na classe C.

Com um valor um pouco acima desse o estudante Leandro Martiniano, de 24 anos, que se considera pertencente à classe C, montou sua carteira há dois anos. "Li livros e participei de simuladores por um ano e meio, período em que juntei R$ 2 mil para começar a carteira", lembra. O aprendizado hoje continua, nas palestras virtuais de sua corretora, a XP Investimentos. Em geral, especialistas sugerem que 10% da renda seja investida. "Não é tão fácil como se diz ter a disciplina de colocar um dinheiro todo mês na Bolsa, mas pretendo usar o dinheiro do 13º para aplicar mais."

Corretoras acreditam que o interesse da baixa renda por ações vem crescendo, em parte pelas campanhas que a BM&FBovespa realiza para popularizar a Bolsa. "Desde 2002, a Bolsa tem programas de educação financeira. A ideia é desmistificar que a Bolsa é cassino ou que é preciso ter muito capital para investir", diz o professor de Educação Financeira da BM&FBovespa, José Alberto Netto.

Entre palestras, cursos e visitar, a Bolsa já atendeu 1,6 milhão de pessoas. "Mesmo que a pessoa não tenha renda hoje, ela já pode ir aprendendo como funciona nos simuladores, para no futuro investir."

Para quem não quer investir sozinho, há ainda uma segunda opção de ingressas no mercado acionário, por meio de clubes de investimento, grupos de investidores que aplicam na bolsa em conjunto. A quantia para aplicar depende do valor da cota do clube. "Neste caso, tem a vantagem de a pessoa com pouco conhecimento aprender mais, com outros investidores e com a própria corretora os auxiliando", diz Queiroz.

Tesouro Direto — O Tesouro Direto também tenta por meio de campanha popularizar o investimento. Atualmente, há pouco mais de 193 mil investidores cadastrados no site que negocia títulos públicos para pessoas físicas. "Hoje, com R$ 100 é possível aplicar", diz o gerente de relações institucionais do Tesouro, André Proite.

"É uma aplicação que atende muito bem à classe C." Isso porque os fundos de renda fixa e DI oferecidos à baixa renda geralmente possuem alta taxa de administração. "Publicamos um ranking das taxas cobradas no Tesouro Direto. Há corretoras que nem cobram nada", explica. Segundo o último boletim, 23,7% das vendas foram de até R$ 1 mil. (Estado)

INSS antecipa 1ª parcela do 13º salário dos aposentados

O presidente Lula anunciou hoje a antecipação do pagamento da primeira parcela do 13º salário para os aposentados e pensionistas do INSS. O adiantamento de 50% da gratificação será feito junto com a folha de pagamento de agosto, que é depositada entre os cinco últimos dias úteis do mês e os cinco primeiros dias úteis de setembro. O anúncio foi feito durante visita do presidente ao edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para conhecer o sistema de monitoramento dos atendimentos, que já está em funcionamento há um ano e meio.

Em discurso de improviso, Lula respondeu a críticas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, sem citar diretamente seu nome, que tem acusado o governo de aparelhar a máquina do Estado. "Eu estou convencido de que, quanto mais a gente valorizar os servidores de carreira, mais o Brasil ganha. Quanto menos politizar a instituição pública, mais o País ganha", declarou o presidente, lembrando que, desde que assumiu, decidiu em seu governo não mais indicar, por exemplo, políticos para o cargo de embaixador, citando nomeações que fez de funcionários de carreira para dirigir instituições públicas, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Lula aproveitou para responder as críticas com relação ao déficit da previdência, citando que os R$ 47 bilhões de déficit representam um déficit contábil. Mas avisou que, do ponto de vista prático, se comparar quem paga e quem recebe, a previdência não é deficitária. O presidente prosseguiu dizendo que foi o Congresso que decidiu corretamente na Constituinte que trabalhadores rurais e idosos que não contribuíram com a previdência têm direito a receber aposentadoria. "Não podemos jogar isso nas costas da Previdência. Isso tem de estar no caixa de todo o governo", disse.

O presidente ainda citou ações do seu governo, como aumento do salário mínimo e antecipação da data-base dos aposentados para dizer que tudo isso foi feito sem que o País quebrasse. "Provamos que muitas coisas que se falou que precisavam ser feitas, puderam ser feitas sem seguir a teoria de que era preciso primeiro deixar aumentar o bolo para depois distribuí-lo", disse. Segundo ele, enquanto vigorava essa ideia de que precisava aumentar o bolo para depois dividir, "um bando de espertos veio e comeu o bolo. Nós queremos que o povo coma o bolo enquanto ele está quente".

O presidente lembrou que, daqui a quatro meses, deixará o governo e afirmou que leva uma vantagem sobre os outros presidentes, "porque quando pensam que são muito sabidos não querem nem ouvir o que os outros falam". "O dado concreto é que nós acabamos com as filas (do INSS). Hoje não tem ninguém ganhando dinheiro em fila. Nós fizemos uma reviravolta da civilização. Os benefícios ao segurado mudaram muito, mas mudou de cinco anos para cá", disse, convocando cada um dos presentes para que façam um teste para verificar o funcionamento do serviço 135.

Lula ainda disse que os jornais deixaram de noticiar e acompanhar o sofrimento das pessoas nas filas. "Procurem ver se na Alemanha, França, nos países do primeiro mundo, se dirijam a ele e vejam se eles têm um tratamento digno como neste País. Não têm", completou.

Em seguida, ele disse que tanto quem está no interior como numa cidade grande pode acessar da mesma forma os benefícios. "Vocês acham que isso seria possível se não fosse um presidente metalúrgico", declarou o presidente, comentando que se interessou pelo assunto porque trabalhou em sindicato e viu o sofrimento das pessoas na busca por seus benefícios. (Estado)

Petroleiros votam operação padrão em 45 plataformas da Petrobras

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF) convocou os trabalhadores das 45 plataformas da Petrobras na Bacia de Campos para uma operação padrão de 24 horas, com início à meia-noite de desta segunda-feira, que prevê o cumprimento integral de todos os procedimentos operacionais e de segurança exigidos para o funcionamento das unidades. Os trabalhadores vão decidir se aderem ou não ao indicativo em assembleias realizadas antes do início de cada turno de trabalho nas plataformas.

- Se a categoria aderir ao indicativo do sindicato, tem a possibilidade até de algumas unidades pararem - afirmou o coordenador geral do Sindipetro, José Maria Rangel.

A mobilização, chamada "Chega de contar com a sorte", marca os 25 anos do acidente de Enchova, um dos maiores da indústria brasileira de petróleo. Na ocasião, 37 trabalhadores morreram na queda de uma baleeira. Segundo Rangel, os procedimentos operacionais e de segurança não estão sendo inteiramente cumpridos nas plataformas da Petrobras, por orientação da gerência das unidades.

- Se existem os procedimentos de segurança, eles têm que ser cumpridos - disse.

Produção da P-33 está em processo de parada — O sindicato informou ainda que já pediu à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego que faça uma vistoria na plataforma P-31, por causa de riscos semelhantes aos encontrados na P-33, tubulações e válvulas enferrujadas. Na semana passada, a P-33 foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), após reportagens do GLOBO mostrando os problemas . Rangel disse que o processo de parada de produção da P-33 está sendo finalizado, já que não é possível parar de uma só vez a produção. Neste domingo, a Petrobras não quis comentar o assunto.

Greenpeace faz protesto na praia de Copacabana para alertar sobre o risco de vazamento — Ativistas do Greenpeace protestaram contra a exploração de petróleo em alto-mar na manhã deste domingo. Eles percorreram a praia de Copacabana, no Rio, de Boa Viagem, em Recife, e de Porto da Barra, em Salvador, com os corpos cobertos por uma pasta negra que simula petróleo.

Segundo o coordenador de voluntariado da ONG, Pedro Torres, o objetivo é mostrar que o vazamento de óleo que ocorreu em uma plataforma no Golfo do México pode acontecer em qualquer praia da costa brasileira.

- É fundamental que o Brasil invista em energia renovável. Então que se invista em energia eólica, em energia solar, pequenas centrais hidrelétricas. Todo dinheiro que está sendo investido no pré-sal, poderia estar sendo investido em ciência e tecnologia, e na exploração de novos parques eólicos, parques solares pelo Brasil afora", disse ele. (O Globo)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Campanha da UGT, em repúdio à violência contra a mulher, será ampla, continuada e irrestrita

Valdir Vicente, da UGT, apresenta “Carta de Joinville”, que repudia violência contra as mulheres, às centrais sindicais do Mercosul

Acontece hoje, 12 de Agosto, em Assunção, no Paraguai, a plenária da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul. Um dos principais oradores é Valdir Vicente, da UGT, que apresentará as principais conclusões adotadas na 10a Plenária da Direção Executiva Nacional da UGT, que aconteceu em Joinville, Santa Catarina, no último dia 10, com o apoio operacional e logístico da UGT-SC, presidida por Waldemar Schulz júnior, o Mazinho.

Valdir Vicente apresentará para todas as centrais sindicais do Cone Sul, os pontos do documento “Carta de Joinville” que dá início a campanha permanente da UGT em repúdio a todas as formas de violência contra a mulher.

De acordo com um levantamento promovido ainda em 2002 pela Fundação Perseu Abramo, no Brasil a cada 15 segundos uma mulher é espancada pelo marido ou companheiro e esta violência muitas vezes parte da violência verbal até chegar a agressões físicas, ao cárcere privado, à ameaça de morte, ao homicídio que, em alguns casos, se dá na presença de filhos.

Seja lá qual o motivo que levam a essas diversas formas de violência, nenhum deles justifica tais atos de selvageria contra a mulher ou qualquer ser humano e é inadmissível que os agressores tenham as penas severas previstas em lei substituídas por cestas básicas ou prestação de serviços comunitários, num claro desrespeito a Lei Maria da Penha.

“Mais lamentável e condenável é a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que recentemente votou pela necessidade da própria vítima denunciar a agressão, num claro retrocesso em relação ao disposto na Lei, que prevê denúncia pública para os casos de violência doméstica”, afirma Valdir Vicente.

Segundo ele, a UGT na sua campanha, que terá caráter nacional e internacional, vai exigir que os crimes contra as mulheres sejam considerados como “crimes de domínio público”, o que obrigará a ação imediata dos governos, através da apuração dos crimes cometidos contra as mulheres e a punição exemplar dos criminosos, sem depender da denúncia das mulheres que além de vítimas são ameaçadas por seus agressores.

Para a UGT, a dignidade destruída e a vida ceifada não se pagam com cestas básicas ou trabalhos comunitários, mas com cadeia, conforme prevista em lei.

Valdir Vicente busca com sua participação e discurso o apoio das demais centrais latino-americanas presentes ao encontro à campanha da UGT. Com destaque para os seguintes pontos programáticos:

1. A UGT exige o pleno respeito e cumprimento da lei 11.340 de 2006 (conhecida como Lei Maria da Penha), que reconhece a violência doméstica em todos os graus, seja física, sexual, patrimonial ou moral, e inclui a agressão psicológica: ameaça, humilhação, rejeição, discriminação.

2. A UGT luta pela ampliação da rede de atendimento especializado, visando fortalecer as condições para que as vítimas continuem a denunciar com garantia de segurança e integridade.

3. A UGT exige a promoção de campanhas nacionais educativas contra a violência e discriminação contra a mulher

4. A UGT, dentro dos termos da lei, exige a punição exemplar dos agressores. O direito à vida e à integridade física e moral de todo ser humano. A UGT reafirma seu compromisso na defesa do direito à vida e á integridade global de todo o ser humano e por isso reafirma seu alinhamento aos compromissos contidos na Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, e outros documentos relevantes de direito internacional sobre esta matéria, aos quais o Estado brasileiro está vinculado.

5. A UGT reafirma sua luta contra à violência às mulheres e declara sua vontade de tudo fazer, no âmbito das suas competências, e em colaboração com os órgãos governamentais e entidades da sociedade civil, para mobilizar toda a sociedade para a questão da violência contra as mulheres e pela efetiva implementação da Lei Maria da Penha, que coíbe a violência doméstica e familiar contra as mulheres.

6. A UGT defende a ampliação das delegacias da mulher e das casas de abrigo, garantindo-se funcionamento global e competente a todas as necessidades das mulheres vítimas de violência.

7. A UGT defende a implantação de centros de referência da mulher, garantindo-se estrutura adequada (equipamentos e pessoal) para o pleno atendimento e correto atendimento das demandas das mulheres.

8. A UGT manifesta seu repúdio aos governos dos estados que ainda não assinaram o Pacto Contra a Violência, impedindo, desta forma, que estes estados recebam verbas federais destinadas á implementação de políticas de enfrentamento a toda forma de violência contra a mulher.

9. A UGT, internacionalista que é, defende uma articulação mundial e rápida visando a libertação imediata da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento. A defesa da vida não tem cor, fronteira, religião, nacionalidade, classe ou coisa do gênero.

10. A UGT é pela vida e como tal afirma: nenhuma tolerância com a intolerância contra as mulheres! (Texto enviado por Marco Roza)

Emprego

OIT alerta para 'geração perdida' de jovens sem emprego

O número recorde de quase 81 milhões de jovens desempregados no mundo em 2009, devido à crise econômica, cria o risco do surgimento de "uma geração perdida, constituída de jovens que abandonaram o mercado de trabalho e perderam as esperanças de poder trabalhar e ganhar a vida decentemente", alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em um relatório divulgado nesta quarta-feira.

O risco da existência de uma "geração perdida" afeta sobretudo os jovens de países desenvolvidos, onde "novos candidatos que ingressam no mercado de trabalho se somam às filas de desempregados", disse à BBC Brasil Sara Elder, economista da OIT e autora do relatório Tendências mundiais do emprego dos jovens 2010.

O número de jovens desempregados nos países ricos passou de 8,5 milhões em 2008 a 11,4 milhões em 2009, o que representa um aumento de 34,1%.

No caso dos países em desenvolvimento e pobres, onde muitos trabalham de maneira independente e em setores informais e não podem contar com benefícios sociais, os jovens desempregados "perdem a oportunidade de sair da pobreza", afirmou a economista.

"Nos países em desenvolvimento, os efeitos da crise econômica ameaçam agravar os déficits de trabalho decente dos jovens, tendo como resultado um aumento do número de jovens trabalhadores bloqueados na pobreza, prolongando o ciclo da pobreza no trabalho em pelo menos uma geração", declarou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Já nos países ricos, muitos jovens desempregados acabam optando por prolongar seus estudos superiores após ficarem pelo menos um ano inativos. "Mas muitos se revoltam com a situação, se sentem desencorajados e abandonam a procura de um trabalho", disse a economista.

Programas para jovens
Não há números globais em relação aos jovens que desistem de ingressar no mercado de trabalho, mas ela citou os exemplos de alguns países.

Na Grã-Bretanha, segundo a autora do estudo, 25% dos jovens inativos se sentem desencorajados para procurar um emprego.

Esse é o índice mais alto entre as economias desenvolvidas. Na Espanha, 10% dos jovens desempregados perderam as esperanças de encontrar um trabalho.

Elder disse que muitos países desenvolvidos, como os da União Europeia, criaram programas de formação e adotaram medidas fiscais para subsidiar a contratação de jovens.

"O perigo agora são as pressões para retirar esses incentivos", afirmou, se referindo às restrições orçamentárias para reduzir os elevados déficits públicos dos países europeus.

Segundo o relatório, o número de jovens com idade entre 15 e 24 anos desempregados aumentou em 7,8 milhões no mundo entre 2007 e 2009, totalizando 80,7 milhões de pessoas.

A título de comparação, durante o período de dez anos que precedeu a crise atual (de 1996/97 a 2006/07), o número de jovens desempregados no mundo aumentou em 1,91 milhão.

A taxa de desemprego dos jovens passou de 11,9% em 2007 a 13% em 2009, a maior alta em termos percentuais dos últimos 20 anos em que a OIT dispõe de estatísticas internacionais.

A organização prevê que o índice de desemprego entre os jovens começará a diminuir somente em 2011.

Neste ano, a OIT estima uma leve alta na taxa, que deve atingir 13,1% dos jovens economicamente ativos.

Brasil
Embora o estudo da OIT retrate a situação apenas por regiões do mundo e não por países, a economista afirmou que o Brasil "é um caso muito especial e representa um bom exemplo de resposta à crise" do desemprego dos jovens.

Elder citou o programa Bolsa-Família, que teria contribuído, segundo ela, para a redução da taxa de desemprego dos jovens no Brasil.

O índice, no segundo trimestre deste ano, é de 17%. No mesmo período de 2007, a taxa era de 18,7%.

Na América Latina e Caribe, o número de jovens desempregados aumentou 11,4% entre 2008 e 2009, totalizando 8,8 milhões de pessoas. (BBC Brasil, Invertia)