quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Governador Alckmin e prefeito Kassab inauguram monumento do Siemaco de São Paulo filiado à UGT

Kassab e Alckmin inauguram Monumento ao Trabalhador do Asseio e Conservação e Limpeza Urbana

Por Moacyr Pereira

A chuva que caiu na praça Marechal Deodoro no momento da inauguração do Monumento ao Trabalhador do Asseio e Conservação e Limpeza Urbana teve o simbolismo de lavar a alma dos cem mil trabalhadores terceirizados no município de São Paulo, representados pelo Siemaco.

No dia que São Paulo completava 457 anos, resgatávamos, ali, naquele instante, toda a nossa dignidade cidadã. Diante do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, os trabalhadores, a população de São Paulo, os moradores das proximidades da Praça Marechal Deodoro comemoraram um grande avanço para todos nós: trabalhadores, paulistanos e cidadãos de São Paulo.

A direção nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), na qual ocupamos a secretaria nacional de finanças estava em peso para prestigiar o evento. O presidente da UGT, Ricardo Patah, lembrou que os trabalhadores terceirizados ocupados na limpeza urbana e ambiental “deixam a cidade mais limpa, mais linda e mais humana”. E continuou: “cuidam de nossa vida e de nossa alma, com esse coral maravilhoso”. O coral de funcionárias da categoria se apresentou ao longo de todo o evento.

Canindé Pegado, secretário geral da UGT, foi aplaudido ao afirmar que os trabalhadores terceirizados, representados pelo Siemaco, trabalham de sol a sol e debaixo de chuva para manter São Paulo funcionando. Falaram ainda Salim, Lerte Teixeira da Silva e Alemão, vice-presidentes da UGT.

O companheiro Roberto Santiago, deputado federal (PV-SP) e vice-presidente do Siemaco e da UGT agradeceu a presença do governador e do prefeito e confirmou o que a praça inteira sentia. “Estamos orgulhosos de estar aqui, de inaugurar este monumento, de receber o prefeito e o governador”.

David Zaia, secretário do Trabalho e Emprego, falou que a inauguração do monumento resgatava o trabalhador anônimo para a dignidade cidadã. “Trabalhadores e trabalhadoras que ajudaram a construir São Paulo”, completou o secretário.

Ariovaldo Caldaglio, presidente do Selur, o sindicato patronal, elogiou a iniciativa e destacou que o monumento simboliza a cidadania e a valorização dos trabalhadores diante de uma São Paulo que reconhece a importância da categoria.

Ao final, eu, Moacyr Pereira, como presidente do Siemaco, fiz um balanço de todo o esforço da categoria e da diretoria da entidade que desde a comemoração do cinquentenário do Siemaco, negociava com a Prefeitura o espaço para a instalação do monumento. Agradeci o vereador Gilberto Natalini, que trabalhou com afinco para encaminhar as negociações com a prefeitura. Agradeci, honrado, a presença de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, de Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo e das demais autoridades presentes. Agradeci, finalmente, os companheiros e companheiras das entidades sindicais que vieram do Brasil todo para nos prestigiar.

Após a inauguração do monumento é hora de mostrar para a população e os comerciantes do entorno da Praça Marechal Deodoro a necessidade de somar esforços para resgatar e manter o espaço para as crianças e os idosos, para as famílias e os jovens.

Leia o clipping do dia:

Dilma libera mínimo mais alto, mas com corte em 2012
Presidente afirma que reajuste maior provocará mais aperto no Orçamento. Planalto diz que aceita reajustar em 6,46% a tabela do IR desde que sindicalistas desistam do mínimo de R$ 580.
A presidente Dilma Rousseff quer adiar as negociações sobre o salário mínimo para o início dos trabalhos do Congresso, mas já orientou sua equipe a aceitar um valor de, no máximo, R$ 550.
Acima desse número, Dilma vai alertar a base aliada de que os cortes no Orçamento terão de ser elevados, afetando ainda mais os investimentos de interesse de seus ministros e de seus partidos.
Na reunião de hoje com as centrais sindicais, a presidente recomendou ao ministro Gilberto Carvalho que não avance em negociações sobre o valor até aqui definido pelo governo -R$ 545.
A estratégia é não ceder no primeiro momento, alertando os sindicalistas que qualquer reajuste acima dos R$ 545 terá de ser descontado do que será concedido em 2012.
Ou seja, Dilma até topa subir sua proposta para R$ 550, valor que só deve ser oficializado durante as negociações no Congresso, mas desde que seja incluída na votação uma regra fixando a antecipação de parte do reajuste de 2012.
Além do salário mínimo, a presidente vai acenar aos sindicalistas que aceita reajustar em 6,46% a tabela do Imposto de Renda, desde que desistam da proposta de reajustar o mínimo para R$ 580.
Quanto ao reajuste de 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo, Dilma já decidiu que não fará concessões e vai reajustar esses benefícios com base na inflação de 2010 (6,46%).
Dilma vai insistir com as centrais sindicais que deseja manter a regra atual de reajuste do mínimo, que prevê a correção com base no crescimento da economia de dois anos antes mais a variação da inflação. Assim, o valor de 2011 não teria reajuste real, já que a economia não cresceu em 2009, ano da crise global.
Ela, porém, quer fixar na regra o mecanismo que permitiria antecipar reajustes de anos seguintes. Em 2012, a previsão é de um aumento na casa de 13% -com uma inflação esperada em 2011 acima de 5% e um crescimento do PIB em 2010 superior a 7%.
Com isso, espera atender o pedido dos sindicalistas por um aumento real do mínimo e diluir o impacto do reajuste mais elevado previsto para o segundo ano de seu governo.
Dilma encomendou à sua equipe estudos sobre o impacto do reajuste do mínimo e do IR nas contas públicas, que podem ser apresentados hoje aos sindicalistas durante a reunião no Planalto.
Estimativas apontam que um mínimo de R$ 545 custaria à União cerca de R$ 8 bilhões a mais de gastos, valor que já está quase totalmente previsto no Orçamento.
Subindo para R$ 550, o gasto adicional no Orçamento ficaria na casa de R$ 1,4 bilhão. Se subir para R$ 580, como defendem os sindicalistas, a despesa a mais seria de R$ 10 bilhões, considerada inviável pela presidente diante da necessidade de fazer um ajuste fiscal agora. (Folha)

Padilha quer melhorar gestão do Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, transferiu para parlamentares, governadores e prefeitos a tarefa de discutir novas formas de financiamento para o setor. Para ele, a sua função é buscar caminhos para melhorar a gestão do ministério. "O que buscamos são maneiras para que a União, os Estados e os municípios possam fazer uma administração compartilhada dos recursos que dispomos", afirmou.

Durante café da manhã com jornalistas, ontem, Padilha defendeu a regulamentação da Emenda 29 - que define qual deve ser o percentual de gastos com saúde para os governos federal, estadual e municípios. Mas não quis comentar a possibilidade de ressuscitar a CPMF ou criar a Contribuição Social sobre a Saúde (CSS), imposto apresentado como emenda no projeto que define os parâmetros de gastos para a área.

O ministro também assegurou não ter recebido nenhum tipo de manifestação do setor público de saúde para um reajuste da tabela do SUS. "Reajuste da tabela não implica, necessariamente, a ampliação dos acessos da população, que é o nosso grande objetivo", ponderou.

Padilha afirmou que sua pasta busca ampliar as parcerias para melhorar a eficiência. Citou, por exemplo, as negociações com governos estaduais e municipais para prevenir uma epidemia de dengue - relatórios do ministério apontaram 16 Estados com alto grau de risco de epidemia da doença. Na semana passada, o ministério também convocou empresários para que coloquem em seus produtos alertas públicos para evitar a proliferação da doença.

Padilha evitou criar atritos com o PMDB, partido com o qual entrou em divergência na ocupação dos cargos da Funasa. Além de anunciar a troca de comandos na fundação, o ministro iniciou uma parceria, na semana passada, com o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, para melhorar a eficiência da Funasa, que tem um orçamento anual de aproximadamente R$ 1 bilhão e atua nos pequenos municípios brasileiros. "O meu objetivo é que a Funasa cumpra o seu papel, independentemente dos nomes indicados para compor os seus quadros", afirmou.

As divergências entre PT e PMDB na busca por espaços no segundo escalão do governo paralisaram as nomeações políticas na saúde e no setor elétrico. Interlocutores do PMDB acreditam que as negociações são mais difíceis na primeira área, "por haver menos espaço para recompor os aliados". O PMDB já perdeu a Secretaria de Atenção à Saúde e vê sua hegemonia na Funasa ameaçada pelo PT.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN) e o ministro Padilha trocaram palavras ríspidas há três semanas, mas a intervenção do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci e do vice-presidente, Michel Temer, serviu para acalmar os ânimos.

O ministro também minimizou o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que estabeleceu os novos parâmetro de atuação da Anvisa e do Instituto Nacional de Pesquisa Intelectual (INPI) na concessão das patentes dos medicamentos. De acordo com a AGU, a decisão final sobre a concessão cabe ao instituto, restando à Anvisa analisar a segurança e a eficácia do produto. (Valor)

Empresas do país aplicam US$ 11,5 bi líquidos no exterior

As empresas brasileiras superaram os percalços da crise global e voltaram a aportar recursos nas suas filiais no mercado externo. O volume de investimento brasileiro direto no exterior (IBDE) atingiu o patamar líquido de US$ 11,5 bilhões no ano passado. Foram registradas despesas (saídas) de US$ 34,879 bilhões, contra US$ 23,379 bilhões em receitas (retornos).

Do total investido, a maior parcela, 57,1%, foi para o setor de serviços, especialmente financeiros. Outros 34,7%, foram direcionada à indústria, com destaque para o setor de produtos alimentícios, que ficou com 13,6% do total. A agricultura respondeu por 8,2%.

Para este ano, o Banco Central acredita em nova elevação, de quase 40%. Os investimentos brasileiros no exterior devem chegar a US$ 16 bilhões. A parcial de janeiro, até o dia 25, indica que foram aplicados mais US$ 889 milhões no exterior, segundo estimativa do chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Ele disse que essa performance marca uma reversão "expressiva" em relação ao ano anterior. Em 2009, sem liquidez devido à crise e também pela retração dos bancos brasileiros, as companhias repatriaram US$ 10,084 bilhões. Os investimentos de empresas brasileiras no exterior decorrem de maior internacionalização das companhias. Empresas como Vale, Petrobras e JBS, entre outras, ampliaram seus braços para outros países, realizando importantes aportes de recursos em outros continentes.

Esse processo tem atraído também os bancos brasileiros, como o Banco do Brasil, o Itaú e o Bradesco, que começaram a adquirir instituições nos países com presença de empresas brasileiras justamente para dar apoio a essa expansão.

Os retornos desses investimentos ainda são pequenos se comparados ao que as multinacionais enviam às suas matrizes a título de lucros e dividendos. Em 2010 as empresas estrangeiras remeteram US$ 26,5 bilhões, considerando somente os investimentos diretos (IED), para seus países de origem. Já as empresas brasileiras mandaram de volta pouco mais de US$ 1,081 bilhão. Lopes pondera que o aumento do passivo brasileiro no exterior é diferente do passado. Antes, esse passivo era ampliado apenas por dívida, enquanto hoje cresce por investimento, que traz retorno ao país. A dívida externa brasileira fechou o ano em US$ 255,664 bilhões, inferior às reservas internacionais de US$ 288 bilhões. (Valor)

As batalhas diárias do BC no mercado de câmbio

O governo Dilma não está conseguindo conter a apreciação do real como não o conseguiu o de Lula. Sob o comando de Alexandre Tombini, o Banco Central (BC) do novo governo tentou colocar em segundo plano a estratégia praticada ativamente nos últimos meses do governo Lula de comprar dólares no mercado à vista para tentar sustentar a moeda americana e lançou mão de novos instrumentos, o desestímulo às apostas na valorização do real e a venda dos swaps cambiais reversos. Nos últimos dias, teve que jogar a toalha e voltou a comprar dólares agressivamente. Mas o esforço está dando poucos resultados, como foi no governo anterior.

No ano passado, o BC chegou a comprar US$ 41 bilhões, absorvendo todo o superávit de US$ 24 bilhões registrado no fluxo cambial e muito mais. Ainda assim, o dólar caiu 4,4% e a inflação ficou em 5,91%, bem acima do centro da meta de 4,5%.

Ao invés de elevar o dólar, as compras, na verdade, estimulam os bancos a fazer "carry trade", operação em que captam dólares a juros baratos no mercado externo para vendê-los ao BC, aplicando os reais obtidos no mercado brasileiro, a taxas bem maiores. Por isso, os bancos aumentaram as posições vendidas em dólar, apostando na queda da moeda.

Só quase no fim do governo Lula, em outubro, é que o governo aumentou o IOF nos investimentos estrangeiros em renda fixa para 6%. Mas o IOF não desestimulou o "carry trade". Um dos motivos é que o dinheiro continua farto e barato no mercado externo. Outro é que o retorno é compensador, e aumentou depois da elevação da taxa básica (Selic). Não é por outro motivo que empresas brasileiras já captaram US$ 10,3 bilhões neste início de ano no mercado internacional.

Diante da ineficiência das compras de dólares para segurar as cotações, o Banco Central de Dilma colocou essa estratégia em segundo plano e, já na primeira semana do ano, instituiu um compulsório de 60% sobre as apostas dos bancos na queda do dólar. A nova regra deve reduzir as posições vendidas em cerca de US$ 7 bilhões, de US$ 16,8 bilhões do fim de 2010 para US$ 10 bilhões. Mas enquadramento é gradual e o prazo vai até 4 de abril, o que atenua o impacto da medida.

Ao desfazer a posição vendida à vista, os bancos também têm que desmontar o hedge de contratos comprados no mercado futuro. Para evitar que isso pressionasse o mercado, o BC passou a vender swaps cambiais reversos, contratos em que troca a remuneração da Selic pela correção cambial. Em pouco mais de uma semana, US$ 3 bilhões foram vendidos em swaps cambiais reversos.

No entanto, imaginação é o que não falta no mercado financeiro, que já vislumbrou oportunidades de ganho duplo na operação, com o juro e a variação cambial, desde que o real se aprecie. Por isso, as vendas de swap têm causado apenas uma elevação passageira do dólar, para balizar o preço dos negócios, assim que a operação é anunciada. A cotação não se sustenta e cai logo depois.

O novo governo teve então que voltar atrás e retomar as compras agressivas de dólar. Enquanto na primeira quinzena do mês comprou US$ 2,291 bilhões, menos da metade dos dólares que entraram no país no período, nos dois últimos dias tentou raspar o mercado e ainda vendeu swaps cambiais reversos. O esforço foi vão. O dólar pouco se mexeu e está apenas 0,4% acima do patamar do fim de 2010. Desde que o IOF foi elevado, em outubro, o real subiu 1,8% frente ao dólar.

As compras de dólares engordaram as reservas internacionais e ajudaram o país a enfrentar a crise internacional. As reservas já rondam os US$ 300 bilhões, bem mais do que os US$ 200 bilhões de quando a crise aportou na costa brasileira. Mas têm um custo fiscal elevado, representado pela diferença entre o retorno obtido com a aplicação das reservas no exterior e o juro pago nos títulos públicos vendidos para enxugar a expansão causada pela compra da moeda americana. O governo Dilma tentou reduzir esse custo fiscal ao diminuir as intervenções no mercado de câmbio à vista. No entanto, o swap cambial reverso também tem um custo fiscal elevado, como detalhou o colunista Márcio Garcia (Valor 14, 15 e 16/1).

Tudo indica que o capital externo continuará investindo no Brasil, o que trará maior apreciação cambial e debilitará os instrumentos de intervenção. O risco é o governo se apegar aos entulhos regulatórios. Se existe uma saída para atenuá-la, ela passa pela redução dos juros e o ajuste fiscal. (Valor)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nos manter atentos e mobilizados para evitar que inflação e recessão afetem nossos empregos

Inflação pelo IPC-S acelera em 6 de 7 capitais

Segundo a FGV, na passagem da 2ª para a 3ª prévia de janeiro, destaque novamente ficou com São Paulo, cuja inflação saltou de 0,92% para 1,10% no período.

A inflação do varejo acelerou em seis das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para cálculo do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de até 22 de janeiro. Segundo informou nesta terça-feira, 25, a instituição, na passagem da segunda para a terceira prévia de janeiro, o destaque novamente ficou com São Paulo, cuja inflação saltou de 0,92% para 1,10% no período. A cidade de São Paulo é a de maior peso no cálculo do IPC-S entre as sete pesquisadas, representando quase 50% do total do indicador.

As outras cidades que mostraram taxa de inflação mais forte no mesmo período foram Recife (de 0,87% para 0,99%), Rio de Janeiro (de 1,36% para 1,43%), Brasília (de 0,82% para 0,96%), Salvador (de 1,18% para 1,34%) e Belo Horizonte (de 0,91% para 1,03%). A única cidade entre as analisadas a apresentar desaceleração da alta de preços foi Porto Alegre (de 1,10% para 0,93%). (Estado)

Empréstimo cai após medidas de restrição

Os dados de crédito do Banco Central (BC) a serem divulgados amanhã vão trazer os primeiros impactos das medidas de restrição à oferta de empréstimos feitas pelo governo no início de dezembro. O aumento do compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, bem como o maior requerimento de capital para financiamentos às pessoa física já devem pesar nas estatísticas. Segundo a sondagem realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com as instituições financeiras, no último mês de 2010, as novas concessões acumuladas devem ter apresentado uma retração mensal de 4% nas carteiras de pessoas físicas, que foram foco das ações de aperto promovidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Com o maior requerimento de capital para operações acima de 24 meses, o financiamento de veículos é que deve sofrer um dos maiores baques, com queda de 7% em dezembro. O mesmo recuo é esperado para o rotativo do cartão de crédito. Em novembro, o governo estabeleceu um prazo para que os bancos emissores elevassem o pagamento mínimo das faturas de cartões. Em abril, passa de 10% para 15% e em dezembro sobe a 20%. Como no último bimestre do ano há o pagamento do décimo terceiro salário, o uso do rotativo tenderia a ser, em tese, menor. Mas nessa base também entram as compras parceladas sem juros.

Na média diária das concessões, dezembro, com três dias úteis a mais que novembro, deve registrar retração significativa tanto nos portfólios de pessoa física quanto jurídica, segundo o levantamento da Febraban. Já considerando os efeitos sazonais do período, nas carteiras de consumo a expectativa é de uma queda de 16%. Nos desembolsos destinados às empresas, o recuo deve ser de 10% na passagem mensal.

Com essa dinâmica, os saldos dos empréstimos com recursos livres, após períodos seguidos de expansão mensal - de 1,8% na média entre agosto e novembro - devem ter crescido de forma mais comedida em dezembro. A sondagem preliminar da Febraban aponta para um incremento de 1,1%, encerrando o ano com 16,5%. Em pessoa física, o acréscimo é calculado em 1,2%, ante 2,1% de novembro. O desempenho deve fazer os empréstimos para pessoa física encerrarem 2010 com aumento de 18,1%. Na pessoa jurídica, a alta esperada é de 1% no saldo em dezembro, em comparação a 1,8% em novembro, fechando o ano com variação de 15,1%.

Mantido o recente comportamento do crédito direcionado, a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar o ano em 46,5%, ante 46,3% em novembro. Se os números se confirmarem terá sido um acréscimo de pouco mais de dois pontos percentuais em relação a 2009, quando a proporção era de 44,4%.

A primeira nota de crédito do BC em 2011 também deve confirmar o aumento das taxas das operações de crédito e do "spread" (a diferença entre o custo de captação e o cobrado do tomador) bancário, especialmente no segmento pessoa física, conforme os dados preliminares da própria autoridade monetária. (Valor Econômico)

BNDES reduz repasse para grandes empresas

O orçamento só será fechado em fevereiro, mas no BNDES a expectativa para este ano é de redução do volume de desembolsos para R$ 140 bilhões, menos do que o valor recorde de R$ 168,4 bilhões de 2010. Apenas na operação de capitalização da Petrobras, o banco participou com R$ 24,7 bilhões. Descontado esse valor, as liberações fecharam o ano em R$ 143,7 bilhões, com alta de 5% ante os R$ 137, 4 bilhões liberados em 2009. Em 2010, a parcela dos desembolsos destinados às grandes empresas diminuiu quase 10 pontos percentuais em relação a 2009, quando essas companhias absorveram 82,5% do total liberado pela instituição. Na outra ponta, o peso das micro e pequenas empresas passou de 8,5% para 14% do total.

A maior parcela dos recursos para os próximos 12 meses deverá vir do retorno de empréstimos, que podem alcançar valores expressivos, na faixa de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões devido ao pagamento dos financiamentos de capital de giro feito pelo banco para empresas durante a crise econômica iniciada no fim de 2008.

Não está descartada a entrada de recursos do Tesouro no caixa da instituição de fomento este ano, mas ainda não há uma definição. Se ocorrer essa transferência, ela será bem menor que no ano passado. Em 2011, por exemplo, não há perspectiva de operação tão expressivas e concentradas na Petrobras - como os R$ 25 bilhões liberados tanto em 2009 como em 2010. O BNDES não vai deixar de apoiar a Petrobras, mas não devem se repetir operações da magnitude das passadas.

Outra medida anticíclica adotada durante a crise, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com taxas fixas de financiamento para bens de capital (5,5%), abaixo da TJLP de 6% ao ano e bem inferior as taxas do mercado, criado para financiar bens de capital, está programado para terminar em março. Mas poderá ser prorrogado, caso o governo assim o decidir, porém, com custo fiscal residual para o Tesouro. A carteira de pedidos de empréstimos do PSI fechou 2010 em R$ 120 bilhões e as liberações no período chegaram a R$ 87 bilhões.

Os números do desempenho do banco divulgados ontem informam que o total de projetos de investimentos aprovados fechou 2010 em R$ 200,7 bilhões, sinalizando que a demanda por recursos da instituição continua superaquecida. As consultas alcançaram R$ 255,9 bilhões, com alta de 14% ante 2009. Esses indicadores são determinantes do comportamento futuro dos desembolsos do banco.

A ideia para reforçar o caixa do BNDES em 2011 e garantir uma oferta de crédito firme não vai se limitar ao retorno dos empréstimos. A instituição de fomento tem planos de fazer lançamentos mais fortes de debêntures de sua titularidade no mercado doméstico para prover mais recursos, principalmente à BNDESPar, para operar no mercado de capitais, adquirindo participações acionárias em empresas e em operações de abertura de capital (IPOs).

No mercado internacional, a intenção do BNDES é fazer inicialmente uma captação via lançamento de bônus, na faixa tradicional de US$ 1 bilhão, para avaliar a precificação de seus papéis lá fora. A área internacional do banco, que tem um escritório em Londres, está se preparando para crescer, mas ainda costura um projeto estratégico de maior alcance.

A infraestrutura vai continuar sendo prioridade do BNDES, incluindo obras do PAC e da Copa de 2014. O desenvolvimento regional e a inovação também serão focos de 2011. No âmbito das micro e pequenas empresas, a meta é continuar ampliando o alcance do Cartão BNDES. No momento, atuam nas operações indiretas do cartão os bancos Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e alguns bancos menores. O Itaú está em fase de teste para operar o cartão, cujas operações já estão alcançando cerca de R$ 500 milhões mensais. No ano passado, o Cartão BNDES foi um dos maiores destaques na área de operações indiretas, com 320 mil operações, 84% a mais que em 2009, tendo desembolsado R$ 4,3 bilhões, ou 74% acima do liberado em 2009, segundo os dados do banco.

Apesar dos grandes grupos permanecerem à frente no desembolso por apresentarem os maiores projetos, as liberações para pequenas e médias empresas via operações com agentes financeiros vem avançando. Em 2010, os empréstimos para micro, pequenas e médias somaram US$ 45,7 bilhões, quase dobraram de tamanho ante o ano anterior, em boa parte devido ao PSI. O BNDES vai estimular mais a participação dos bancos privados nessas operações de crédito, na quais eles respondem pelo risco do negócio. Os agentes financeiros repassam hoje cerca de 70% dos empréstimos de médio e longo prazo da instituição. (Valor Econômico)

Produção total da Petrobras atinge 2,583 milhões de barris/dia em 2010

A Petrobras confirmou nesta segunda-feira que encerrou 2010 com uma produção média de óleo e LGN no Brasil de 2,003 milhões de barris por dia (bpd).

Em dezembro, a produção média foi de 2,121 milhões de bpd, 4,5% superior aos 2,030 milhões de bpd registrados em novembro. Os números já haviam sido adiantados pela estatal em 30 de dezembro.

Já a produção total, no Brasil e no exterior, alcançou 2,583 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) de óleo, liquefeito (LGN) e gás natural em 2010. Apenas em dezembro, a média foi de 2,731 milhões de boed, acima dos 2,620 milhões de boed de novembro.

Segundo a empresa, o crescimento do volume se deve a entrada de poços produtores nas plataformas FPSO-CAPX (Cachalote/Baleia Franca) , P-48 (Caratinga), P-57 (Jubarte) e FPWSO-DYPR (TLD de Guará)

A produção média de gás natural no Brasil, excluindo o volume liquefeito, foi de 58,746 milhões de metros cúbicos por dia em dezembro, 3,5 milhões acima do volume realizado em novembro (55,288 milhões). No ano, a média ficou em 53,070 milhões de metros cúbicos de gás por dia. (O Globo)

Após moderação, indústria retoma fôlego em novembro

O ritmo de atividade industrial se intensificou em novembro, após alguns meses de crescimento moderado.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (20/1) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os segmentos de produtos de metal, máquinas e equipamentos, materiais elétricos e veículos automotores foram o destaque no período.

Sempre após ajuste sazonal, todas as variáveis analisadas do setor industrial cresceram na comparação com o mês anterior.

Depois da queda de 0,7% em outubro, o faturamento real avançou 1,9%. As horas trabalhadas, por sua vez, cresceram 1,6%.

Já a utilização da capacidade instalada aumentou 0,2 ponto percentual, chegando a 82,6%. "Mesmo com esse resultado a UCI ainda está 0,7 ponto percentual abaixo do registrado antes da crise (setembro de 2008)", relata o informativo da CNI.

Como prova da continuidade do aquecimento do mercado de trabalho, o indicador de emprego da indústria voltou a crescer frente ao mês anterior, registrando alta de 0,4%.

Esse dado já superou o nível pré-crise em 2,3%. E, pelo terceiro mês seguido, a massa salarial expandiu em novembro (3,9%) ante o mês anterior.

A renda real do trabalhador da indústria cresceu 4,1% em novembro, sendo a principal responsável pelo avanço na massa salarial no período. (Brasil Econômico)