quarta-feira, 6 de abril de 2011

UGT quer o fim da importação das quinquilharias chinesas

Mesmo sem representantes de trabalhadores na visita à China, UGT quer que Dilma reaja à importação de quinquilharias

Por Ricardo Patah, presidente nacional da UGT

Se aproxima a visita da presidente Dilma à China, que irá acompanhada de uma comitiva de mais de 200 empresários sem sequer um representante dos trabalhadores brasileiros. Mesmo assim esperamos que o governo brasileiro se manifeste contra a opção que a China faz de só importar matérias-primas e depois nos revender produtos industrializados. Como acontece com o minério de ferro que sai do Brasil para a China e retorna na forma de trilhos de trens. Podemos produzir nossos próprios trilhos e até mesmo exportá-los. Temos condições industriais para agregar valor às nossas commodities. Afinal, somos um dos grandes produtores mundiais de minério de ferro e demais matérias-primas essenciais para a indústria. Temos grande abundância de soja, de cana de açúcar. Temos vastas áreas para plantio, muito sol e muita água. Além disso, nosso parque industrial ainda é moderno e conta com mão-de-obra preparada. Temos que evitar uma sangria em nossa produção industrial que é uma ameaça direta aos nossos empregos. Não podemos continuar a financiar empregos no Exterior, seja na China ou em qualquer outro país do mundo. Merecemos e vamos lutar por tratamento igualitário com quaisquer países que tenhamos relações diplomáticas e econômicas.

Leia as principais notícias do dia:

Dilma e empresários vão à China levar uma coleção de reclamações
Chineses importam matéria-prima e discriminam produtos de maior valor agregado, segundo queixas. País asiático rebate dizendo que o Brasil não cumpriu a sua promessa de tratá-lo como uma economia de mercado.
A presidente Dilma Rousseff chega à China no dia 11, no que Maria Edileuza Fontenele Reis, subsecretária-geral de Política no Itamaraty, classifica de "primeira visita de peso ao exterior". É verdade, mas está longe de significar apenas a pompa e os salamaleques associados a ocasiões do gênero.
Ao contrário. Dilma leva uma ampla comitiva de cerca de 300 empresários, que aproveitarão a ocasião para despejar as muitas queixas acumuladas contra a China.
Queixas que levaram Cynthia Arnson e Jeffrey Davidow, do Woodrow Wilson Center, a dizer, sobre as relações China/América Latina, que "os padrões de comércio se assemelham aos dos séculos 16 e 17" -isto é, ao período colonial.
Ou seja, a China importa matérias-primas, discrimina produtos de maior valor agregado e exporta bens industriais como peças para turbinas e eletroeletrônicos.
O grande exemplo de discriminação é o da Embraer, que se instalou na China em 2003, para fabricar o seu 145, avião para 50 passageiros. Queria produzir 50 unidades, mas só fez 16 porque o governo chinês disse que não era economicamente viável.
A Embraer pediu autorização, então, para fabricar um aparelho maior, mas ainda não houve resposta chinesa, passados quase quatro anos.
Esse exemplo é esgrimido frequentemente pela indústria brasileira para rechaçar a qualificação de "economia de mercado" que o governo prometeu outorgar à China, em 2004, o que inibiria ações de defesa comercial.
"É muito difícil distinguir em uma empresa o que é privado e o que é público na China. E não há preços definidos pelo mercado", reclama Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Os chineses, de seu lado, queixam-se sempre de que o Brasil não cumpriu a promessa de tratar a China como "economia de mercado".
O Itamaraty alega que, para fazê-lo, é preciso uma regulamentação do Ministério de Desenvolvimento.
Como parece pouco razoável imaginar que uma mera regulamentação leve sete anos para ser adotada, o lógico é supor que o governo está respaldando discretamente a reclamação empresarial -sensação reforçada pela nutrida comitiva que acompanhará a presidente.
Comitiva que levará números sobre os danos à indústria brasileira causados pela concorrência chinesa.
Estudo da Fiesp mostra que, entre 2000 e 2009, o Brasil teve pesadas perdas nos dois maiores mercados do mundo: US$ 9,3 bilhões nos EUA e US$ 7,3 bilhões na União Europeia, além de US$ 1,6 bilhão no parceiro político prioritário, a Argentina.
O estudo diz também que a competição chinesa resultou em perda de US$ 15,2 bilhões aos produtores brasileiros.
Mesmo assim, a visita de Dilma não terá necessariamente um caráter conflitivo, até porque "não dá para deixar a China de lado", como reconhece pragmaticamente a diplomata Maria Edileuza.
De fato, não dá. Basta citar o exponencial aumento da corrente de comércio: de US$ 2 bilhões em 2000 para os US$ 56 bilhões de 2010.
E o Brasil, com todas as queixas, leva vantagem: teve um saldo de US$ 5,2 bilhões.
Os números, os bons e os ruins, dão razão à embaixadora quando diz que "a relação Brasil/China será marcada pelo binômio competição/cooperação". (Clovis Rossi, na Folha)

Aumenta o peso da cesta básica sobre o salário mínimo
O salário mínimo atual permite comprar menos do que há um ano.
Levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em 17 capitais em março mostra que o gasto com cesta básica já consume fatia maior desses recursos.
No mês passado, a compra de itens essenciais correspondeu, em média, a 47,54% do salário mínimo líquido (de R$ 545, descontados gastos com previdência). Em fevereiro, equivalia a 47% e, em março de 2010, a 46,7%.
Isso significa que, após a compra de produtos básicos como feijão, pão e carne, sobra menos dinheiro no bolso. Trata-se de uma interrupção na elevação do poder de compra do consumidor, que ocorria há oito anos.
Considerando sempre dados de março, é a primeira vez, desde 2003, que sobe o percentual do salário mínimo gasto com a cesta básica. Naquele ano, a taxa estava em 83,6%.
Segundo o economista do Dieese José Soares, o que explica a alta do percentual em março é que houve uma elevação acentuada dos preços dos alimentos nos últimos meses, ao mesmo tempo em que o salário mínimo teve um aumento menor neste ano. (Folha)

FMI admite controle de capitais

Pela primeira vez em 70 anos, Fundo endossa barreiras aos investimentos, mas só como último recurso; posição provoca reação do Brasil.

Pela primeira vez em seus quase 70 anos de história, o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu a adoção de controles de entrada de capital estrangeiro, em um documento divulgado na terça-feira, 5, a dez dias do início de sua reunião anula de primavera.

Mas o texto recomenda a adoção de outras medidas antes de se levantar barreiras à entrada de capitais e defende cautela na adoção dos controles. As barreiras seriam o último recurso a ser usado por países emergentes.

O representante brasileiro no FMI, Paulo Nogueira Batista, reagiu com irritação às recomendações, em um momento em que o Brasil enfrenta grande pressão no câmbio. "O FMI não tem conhecimento acumulado sobre o assunto", disse Nogueira. "O Brasil fará o que for preciso para conter o fluxo de dólares."

O texto do FMI recomenda a adoção das medidas como último recurso. Ainda assim, seriam "ferramentas" a serem usadas em economias emergentes sujeitas à valorização de suas moedas e desde que não discriminem o investimento nacional do estrangeiro. O Brasil se enquadra na primeira categoria, mas não atende à segunda exigência.

O estudo teve lançamento discreto, com uma entrevista por telefone de dois técnicos do FMI. Anunciado como o primeiro conjunto de regras sobre fluxos de capitais, o documento mostrou-se parcial, ao se concentrar nos países que recebem capitais e poupar as economias responsáveis pela geração dos recursos, como os EUA, de uma avaliação mais profunda. Entre os países receptores de capitais analisados - Brasil, Indonésia, Coreia do Sul, Peru, África do Sul, Tailândia e Turquia -, a China foi omitida sem explicações.

A aprovação dos textos ocorreu durante tumultuado debate da diretoria do FMI, em 21 de março, no qual parte dos presentes se opôs à sua divulgação. "A administração dos fluxos de capitais é uma área na qual, historicamente, o Fundo encontra dificuldade em alcançar claro consenso", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

A doutrina totalmente oposta a controles de capitais, ditada pelo Fundo ao longo de sua história, foi abandonada por uma visão um pouco mais flexível e consolidada em cinco regras básicas: 1.ª: os controles e medidas prudenciais devem ser temporários e de curto prazo; 2.ª: sua adoção deve ocorrer quando não há mais opções de políticas monetárias e fiscais adequadas para lidar com o impacto dos ingressos de capitais; 3.ª: deve ser adotada apenas pelas economias cuja taxa de câmbio se vê desvalorizada, causando perda de competitividade, aumento de preços de ativos e possíveis bolhas no mercado financeiro; 4.ª: mesmo nesses casos, não é recomendável a aplicação de controles mais significativos aos capitais não residentes, em comparação com os investimentos nacionais. 5.ª: países com câmbio desvalorizado, como a China, não devem lançar mão dessas iniciativas. (Estado)

Aumento da escolaridade afasta jovem da construção civil, diz FGV

Preferência dos jovens por ocupações menos braçais contribui para ‘apagão’ de mão de obra no setor.

O aumento do nível de escolaridade tem afastado os jovens brasileiros do trabalho na construção civil. Eles agora preferem ocupações menos braçais e mais qualificadas, o que contribui fortemente para o chamado "apagão" de mão de obra no setor, que responde por 63% dos investimentos totais na economia. A conclusão é da pesquisa Trabalho, Educação e Juventude na Construção Civil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentada nesta terça-feira, 5, em São Paulo.

De acordo com o estudo, o porcentual de trabalhadores na construção civil na faixa etária de 15 a 29 anos caiu de 36,49% em 1996 para 29,24% em 2009. Já o tempo de escolaridade dos trabalhadores com idade entre 20 e 24 anos passou de 4,91 anos em 1996 para 8,06 em 2009. Para os de 20 a 25 anos, o índice foi de 4,89 para 7,54 anos no mesmo período. "A construção civil está cada vez mais se tornando um setor de meia idade", disse o coordenador do estudo, Marcelo Neri, da FGV. No setor, há predominância masculina. As mulheres não chegam a 3% da força de trabalho.

Segundo o estudo, os trabalhadores da construção civil ainda ganham abaixo dos demais setores: R$ 933 contra uma média de R$ 1.094. "Nosso diagnóstico é de que o jovem não está querendo trabalhar na construção civil. Logo, o setor vai ter de lhe pagar mais, qualificá-lo e atraí-lo com mais direitos trabalhistas", disse Neri. A pesquisa mostra que essa recuperação salarial já vem acontecendo. O crescimento anual dos rendimentos individuais dos trabalhadores entre 2003 e 2009 foi maior na construção (3,2%) do que nos demais setores (2,58%).

O coordenador do estudo destaca a valorização do salário do trabalhador com poucos anos de estudo, diferentemente, segundo ele, do que ocorre nos outros países que integram o Brics (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul). "A taxa de crescimento da renda do trabalhador com menos escolaridade no Brasil é dez vezes maior que a de um trabalhador com alta escolaridade", disse. "Obviamente, para o trabalhador mais qualificado essa não é uma boa notícia, mas por outro lado mostra que a desigualdade no País está caindo. O Brasil não está repetindo a história do milagre econômico dos anos 70, quando cresceu muito mas a desigualdade aumentou."

Atração — Para atrair jovens para a construção civil, são apontados três fatores. Dois são de longo prazo: o desenvolvimento de tecnologias que reduzam a necessidade do trabalho braçal e o aumento dos salários determinado pela demanda do mercado. Mas o terceiro - os cursos de qualificação - pode ser uma solução rápida, necessária para o País se preparar para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

"Uma solução é investir em trabalhadores com menos escolaridade e capacitá-los para que possam entrar no mercado da construção", afirmou Rafael Gioielli, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Votorantim, que apoiou o estudo da FGV. "Além disso, o governo tem visto a construção civil como uma possibilidade de primeiro emprego para uma série de pessoas que estão fora do mercado de trabalho." (Estado)

BNDES: Coutinho prevê forte desaceleração de investimentos e diz que desafio é vencer inflação sem promover recessão

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, estima que, assim como o Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos no Brasil deverão crescer menos nos próximos anos. Pelos seus cálculos, para uma expansão anual de 4% da economia brasileira, a taxa de investimento deverá ficar entre 8% e 10%. Em 2010, ano em que a economia brasileira cresceu 7,5%, os investimentos medidos pela formação bruta de capital fixo aumentaram 21,8%, o maior percentual desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série histórica, em 1996.

- Teremos o desafio de vencer a inflação sem promover recessão - afirmou Coutinho ao participar de evento promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), em São Paulo.

Para ele, esse é um desafio "peculiar", que há muito tempo o Brasil não tinha o "privilégio" de enfrentar. A saída, em sua avaliação, está na "calibragem coordenada" dos instrumentos econômicos, de forma que seja possível reduzir o ritmo de aumento da demanda sem prejudicar o ciclo de investimentos e o desenvolvimento da economia brasileira.

A elevação do rating do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch, segundo o presidente do BNDES, amplia o potencial de participação do setor privado nos financiamentos a projetos no país.

- Essa revisão é uma demonstração clara de confiança no Brasil e na capacidade brasileira de desenvolver um país no qual o crescimento econômico e os investimentos podem ser conciliados com a estabilidade econômica ao longo do tempo - comentou.

Questionado sobre a possibilidade de o aumento da nota de crédito do Brasil resultar em maior valorização do real, Coutinho afirmou que "o governo tem instrumentos para mitigar esse risco", mas não comentou quais seriam essas ferramentas.

- Todos os recursos que vêm para o Brasil para financiar investimento são bem vindos. O que nós temos que fazer é criar mecanismos de mitigação para evitar a apreciação exagerada da taxa de câmbio. Isso não significa que deixaremos de receber capitais que podem contribuir para o desenvolvimento do país - complementou. (O Globo)

Lucro das empresas brasileiras cresce 34% em 2010

A safra de balanços de 2010 tem mostrado números recordes no Brasil. Levantamento feito pela consultoria Economatica, feito com base no balanço de 168 empresas não financeiras que já anunciaram resultados, revela que, somadas, elas alcançaram lucro líquido de 64,953 bilhões de reais, 34,3% maior que o de 2009. O faturamento cresceu 19,1%, para 97,970 bilhões de reais, enquanto o lucro operacional (antes do resultado financeiro e dos impostos) saltou 46,1%, para 32,188 bilhões de reais.
“São números impressionantes, mesmo considerando que a base de comparação seja um pouco retraída, já que 2009 foi ano de crise”, diz o presidente da Economatica, Fernando Exel. Segundo especialistas, são poucas as empresas no mundo que conseguem crescer em ritmo tão acelerado. “Talvez em alguns mercados emergentes, como a China ou a Índia, possa haver números parecidos”, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), Ricardo Florence. “Mas, como média, sem sombra de dúvidas, não dá nem para comparar.”
O cenário macroeconômico favorável do país - com aumento da renda, do emprego, do crédito e da economia como um todo, que cresceu 7,5% em 2010 - já seria suficiente para explicar o bom momento das companhias brasileiras. Além disso, também contribuíram outros fatores positivos, como o desenvolvimento do mercado de capitais e das próprias empresas que o compõem, principalmente no aspecto de governança corporativa.
O mercado de capitais brasileiro segue batendo recordes. O volume médio diário na BM&FBovespa cresceu 22,7%, de 5,286 bilhões de reais em 2009 para 6,488 bilhões de reais em 2010. Este ano, até 30 de março, a média já havia atingido 6,734 bilhões de reais. “A abertura de capital e a consequente captação de recursos amplia a perspectiva das empresas”, ressalta Florence.
Não é à toa que todas as 168 empresas analisadas pela Economatica tiveram lucro no ano passado, apesar de o dólar baixo continuar a comprometer tanto as exportações como a favorecer as importações. Em 163 companhias, o ganho foi maior que o do exercício anterior. (Veja online)

Ação contra fraude de sócio não prescreve

Em uma decisão inédita, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a desconstituição da personalidade jurídica de uma empresa não está sujeita às regras da prescrição ou da decadência. Isso significa que as partes de um processo podem pedir, a qualquer tempo, a aplicação desse mecanismo - pelo qual os sócios passam a responder com seu próprio patrimônio pelas obrigações de uma empresa, quando há ocorrência de fraude na administração.

A decisão foi tomada na análise de um recurso de ex-dirigentes da Transportes Mosa, antiga operadora de transporte municipal do Rio de Janeiro. Com a falência decretada em 2003, a empresa deixou de pagar uma dívida de pelo menos R$ 1,8 milhão a trabalhadores e vítimas de acidentes de trânsito. A desconstituição da personalidade jurídica foi decretada em 2007, para que os antigos proprietários arcassem com esses débitos. Isso porque, no curso do processo judicial, foram apontadas fraudes durante a falência da empresa.

Segundo o advogado Leonardo Amarante, que defende os ex-empregados da Mosa, os sócios teriam usado artifícios para transferir todos os ativos da transportadora falida para uma nova empresa, da qual se tornaram proprietários - deixando com isso de pagar os débitos da companhia falida.

Os antigos sócios entraram com um recurso questionando a decisão que autorizou a desconstituição da personalidade jurídica. A defesa apresentou uma tese que os ministros consideraram inovadora: a de que a desconstituição da personalidade jurídica estaria sujeita a um prazo de decadência de quatro anos - pois o artigo 178, inciso 2, do Código Civil define que esse é o prazo para anular negócios jurídicos. A defesa lembrou que a responsabilização dos sócios foi determinada no processo tendo como base a alegação de fraudes cometidas de julho de 1999 a abril de 2000. Como a desconstituição da personalidade jurídica foi determinada em 2007, o prazo de decadência teria sido desrespeitado, como argumentou a defesa.

Mas a tese foi rejeitada no julgamento de ontem. A 4ª Turma entendeu que a desconstituição da personalidade jurídica não está sujeita à prescrição e à decadência. Os ministros não entraram na discussão das fraudes - questão já resolvida em primeira e segunda instâncias. O relator do caso foi o ministro Luís Felipe Salomão. O advogado dos credores diz que a decisão é importante por garantir os direitos dos trabalhadores. "Se você estabelece um prazo para a desconstituição da personalidade jurídica, você inviabiliza esse instituto", afirma Amarante. O advogado da defesa, Gustavo da Rocha Schmidt, do escritório Bumachar Advogados, diz que analisará a possibilidade de recurso.

Os ministros chegaram a debater se o entendimento firmado não acarretaria insegurança jurídica. "Como a desconsideração da personalidade jurídica pode até retroagir para anular atos praticados, a ausência de prescrição cria insegurança para trabalhar, por exemplo, com sócios de empresas falidas", diz o advogado Júlio Mandel. Durante o julgamento, sem se referir ao caso específico, o ministro Salomão criticou o uso excessivo da desconstituição da personalidade jurídica no Brasil. "A Justiça brasileira é movida a moda, e a moda agora é a desconstituição da personalidade jurídica", afirmou. "Vamos ter que chegar a uma situação de equilíbrio." (Valor)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quinquilharias e manufaturados chineses ameaçam empregos brasileiros

UGT quer ser incluída na viagem da presidente Dilma à China para defender empregos brasileiros

Por Marcos Afonso de Oliveira, secretário nacional de Comunicação da UGT

As importações desenfreadas e sem controle da China, desde quinquilharias como se expressou recentemente a presidente Dilma em audiência na qual participou Ricardo Patah, presidente da UGT, até trilhos de trem e ferramentarias é uma sangria acelerada nos empregos brasileiros, um golpe que pode ter sérias consequências na nossa competitividade e devem ser tratados a nível de Estado, a exemplo da viagem que Dilma inicia no próximo dia 11, na China. Infelizmente, na comitiva da presidente estão "apenas" 200 empresários. A UGT reivindica a necessidade de se incluir nestes tipos de entendimentos entre governos os representantes dos trabalhadores. Aos empresários interessa apenas o lucro dos seus negócios, o que é legítimo. A nós trabalhadores interessa o intercâmbio entre os países, a melhoria das exportações e importações mas, principalmente, a preservação dos empregos no Brasil e, inclusive, as melhorias de condições de trabalho mantidas pelas empresas exportadoras chinesas. Monitoramos de perto as lamentáveis condições de trabalho chinesas, que passam muito alem das entrelinhas nos jornais locais, que sustentam os preços “altamente competitivos” dos produtos e quinquilharias chinesas. Por isso, a UGT quer participar destas missões para fazer um contraponto às posições dos empresários e se posicionar pela preservação dos nossos empregos.

Leia, por favor, o clipping do dia:

Setores de produção padronizada demitem e importam da China

A feroz concorrência chinesa no mercado brasileiro causa grandes estragos a empresas que produzem bens manufaturados com características de "commodities". Em segmentos como válvulas industriais, elevadores e ferramentas, os produtos mais simples e padronizados têm sido duramente atingidos pela competição asiática. Para sobreviver, muitas companhias passam a importar o que antes produziam ou compravam de outras empresas no país, reduzindo o número de empregados. O câmbio valorizado, o peso dos impostos e o alto custo do capital e da mão de obra complicam a vida desses setores, dizem empresários.

Presidente da câmara setorial de válvulas industriais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Lucio diz que, dos 72 associados, 80% já importam 100% do que vendem. Em 2005, esse percentual era de 40% a 50%. Segundo ele, são empresas que atuam no segmento de "válvulas-commodities", uma referência a produtos padronizados e com baixo valor agregado. Nesse segmento, o produto chinês é 60% mais barato que o brasileiro. "Com essa diferença de preços, as empresas brasileiras não conseguem concorrer." O setor, que tinha cerca de 13 mil empregos em 2008, emprega hoje cerca de 7 mil pessoas, segundo suas estimativas.

Lucio diz que ainda é viável produzir aqui válvulas com maior diferenciação. É o caso dos produtos fabricados por sua empresa, a RTS, que faz as chamadas válvulas borboleta. No entanto, para manter a competitividade, Lucio importa, desde o ano passado, um componente da China, o que lhe permitiu reduzir o preço final do produto de 20% a 30%. A parte de sua produção vendida para a Petrobras, porém, não leva essa peça, para garantir o índice de nacionalização exigido, de 90%.

O empresário relata que, mesmo com a redução de preços obtida com o componente chinês, conseguiu apenas manter o faturamento de 2010 no nível do de 2009, que ficou 40% abaixo do de 2008, por conta dos efeitos da crise. Lucio diz que demitiu 70 de seus 180 funcionários em 2009, mantendo desde então um quadro de 110 empregados. O empresário se queixa do custo dos insumos - "o quilo do aço inoxidável, que no Brasil sai por R$ 34, custa US$ 3 [pouco menos que R$ 5] na China" - e também do aumento dos custos salariais - em 2010, o reajuste dos trabalhadores da categoria foi de 9,52%. Com o câmbio valorizado e a carga tributária, fica difícil competir com os produtos, especialmente os chineses, diz ele.

A situação também é bastante complicada para os fabricantes de elevadores, diz Jomar Cardoso, presidente do Sindicato das Empresas de Elevadores de São Paulo (Seciesp). Segundo ele, 50% do que é vendido por aqui vem do exterior. "Em 2005, esse percentual ficava em 20% a 30%", afirma, observando que há muitos componentes importados. "Em cinco anos, não haverá mais indústria brasileira de elevadores", diz Cardoso, presidente da Elevadores Villarta.

Como no caso das válvulas industriais, Cardoso diz que os produtos chineses são extremamente competitivos no caso dos elevadores padronizados. Segundo ele, saem pela metade do preço de um fabricado por aqui, contando ainda com uma melhora expressiva de qualidade nos últimos anos.

A competitividade do produto brasileiro é maior em elevadores especiais. A Villarta faz hoje um de 10 toneladas para a Anglo American. A empresa, porém, também compra produtos mais padronizados da China, o equivalente hoje a 30% de suas vendas. "Em 2005, eu não importava quase nada. Em 2009, esse percentual já era de 20%. No fim deste ano, pode chegar a 50%." Cardoso diz que a sua empresa conseguiu aumentar o faturamento em cerca de 20% em 2010, esperando crescer mais 15% neste ano, pelo menos. Hoje, a Villarta tem 55 funcionários, 30 a mais do que tinha em 2005. "Mas eu poderia ter o dobro se fabricasse tudo aqui", afirma ele, para quem a indústria local deixou de aproveitar as oportunidades geradas pelo boom do mercado imobiliário.

"Dos 25 mil empregos que o setor gerava há cerca de 13 anos, hoje restam pouco mais de 10 mil vagas", lamenta ele, apontando os pesados encargos trabalhistas e o câmbio valorizado no Brasil como dois dos grandes responsáveis pela falta de competitividade do produto brasileiro em relação ao chinês, que se beneficia também da enorme escala de produção.

Procuradas, as três maiores empresas do setor, as multinacionais Atlas Schindler, Otis e ThyssenKrupp, não se pronunciaram sobre importações. A Otis informou que "os dados não podem ser divulgados por questões estratégicas da empresa". A ThyssenKrupp foi na mesma linha, dizendo que não "divulga informações de cunho estratégico". A Atlas Schindler afirmou não fornecer dados sobre importações e exportações.

A concorrência chinesa também atinge as empresas filiadas ao Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo (Sinafer), diz o presidente da entidade, Milton Rezende. Segundo ele, no caso de ferramentas simples, como martelo, chave de fenda e alicate, o custo do produto chinês pode ser de 50% a 70% mais baixo.

Também estão sofrendo muito as empresas que faziam a usinagem de peças para outros setores da indústria, como a automobilística e a de eletrodomésticos, afirma Rezende. As empresas desses segmentos, diz ele, passaram a importar boa parte dos componentes, diminuindo muito as encomendas no mercado interno.

Segundo Rezende, há casos de ferramentas de primeira linha fabricadas em países desenvolvidos, como EUA, Japão e Europa e 25% a 40% mais baratos que as produzidas no Brasil. Ele estima que 30% dos produtos vendidos hoje do setor são importados, dos quais dois terços devem vir da China. Há três anos, o percentual de bens vindos de fora não chegava a 10%, afirma Rezende, destacando o impacto negativo sobre o emprego. O segmento, que em 2008 empregava 282 mil trabalhadores no país todo, terminou 2010 com 265 mil. Também no setor a competitividade brasileira é maior em produtos um pouco mais diferenciados, como ferramentas de alta precisão.

Para Rezende e Cardoso, a situação de seus segmentos evidencia o processo de desindustrialização, com o avanço dos produtos estrangeiros, principalmente asiáticos, ganhando mais espaço e, com isso, reduzindo o nível de emprego. (Valor)

Aumenta o medo do desemprego, mostra pesquisa

Os consumidores estão menos confiantes no desempenho futuro da economia e começam a manifestar cautela com o nível de desemprego, endividamento e inflação. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de março recuou 0,5% em relação a fevereiro, na quinta retração consecu tiva. Na comparação com março do ano passado, a redução no otimismo foi de 1,3%.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), responsável pela apuração mensal do índice, o recuo seguido no Inec é reflexo da desaceleração da economia e do encarecimento do crédito. "Havíamos detectado esse esfriamento na Sondagem Industrial e nos Indicadores Industriais e agora vemos isso também no Inec", comentou o analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcelo Azevedo. Com a retração de março, o índice acumula perda de 5,1% desde outubro do ano passado e a entidade não descarta novo declínio em abril.

Entre os componentes do Inec, o índice de expectativa de desemprego é que o apresenta a pior evolução, com diminuição de 3,3% frente a fevereiro, evidenciando que subiu o percentual das pessoas que avaliam que a oferta de vagas de trabalho encolherá. Por outro lado, o índice de expectativa de desemprego está 3,3% superior ao verificado em março de 2010 e 7,6% acima de sua média histórica.

Os índices de situação financeira e endividamento também recuaram em relação a fevereiro em 1,5% e 0,3%, respectivamente. Na comparação com março de 2010 os dois indicadores registraram quedas de 5,4% e de 2,1%.

O levantamento mostra ainda que o indicador de expectativa de inflação ficou 1,5% maior frente a fevereiro. A despeito disso, a expectativa do consumidor sobre a evolução dos preços ficou 3,7% abaixo do registrado em março de 2010, indicando piora das perspectivas em relação a 2010. A expectativa para a variação dos preços é o único componente do Inec que está abaixo de sua média histórica (-5,1%). "As pessoas estão preocupadas com a inflação. Embora esse receio em março seja menor do que o manifestado em fevereiro, isso inspira cuidados porque mais de 60% dos entrevistados acreditam em aumento de preços", disse Marcelo Azevedo.

O consumidor também mostra cautela na intenção de compra. O índice de expectativa de aquisição de bens de maior valor ficou 0,9% menor que em fevereiro e 1,4% inferior ao de março de 2010. (Valor)

Otimismo do consumidor brasileiro cai pela quinta vez consecutiva, revela CNI

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado nesta segunda-feira, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que os consumidores brasileiros estão menos otimistas. Pela quinta vez consecutiva, o índice teve queda, recuando 0,5% em março na comparação com fevereiro, e acumula retração de 5,1% desde outubro de 2010.

De acordo com a pesquisa da CNI, um dos motivos para a queda do índice em março foi a elevação do número de brasileiros que acreditam no aumento do desemprego. Em março, 39% dos consumidores apostavam que o desemprego aumentaria. Em fevereiro, 35% dos entrevistados apostavam no crescimento do desemprego. Isso fez com que o índice de expectativa do desemprego recuasse 3,3% em março na comparação com fevereiro.

Mesmo assim, o indicador de março de 2011 ficou 3,3% acima do observado no mesmo mês de 2010. Mas os brasileiros também estão mais pessimistas em relação à situação financeira, ao endividamento e às compras de maior valor. E ao mesmo tempo em que a situação financeira piorou, o índice de expectativa de renda pessoal subiu 1,9% em março na comparação com fevereiro.

Segundo o analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcelo Azevedo, o indicador de situação financeira é um retrato do quadro financeiro atual dos brasileiros enquanto o índice de expectativa da renda pessoal reflete as perspectivas deles para os próximos seis meses.

- Isso mostra que os brasileiros acreditam que vão melhorar sua condição financeira nos próximos meses - detalha o economista.

A pesquisa mostrou que o otimismo do brasileiro em relação à inflação subiu 1,5% em março deste ano frente a fevereiro. Apesar da melhora, o índice encontra-se 3,7% abaixo do registrado em março de 2010.

- Por mais que o otimismo quanto à inflação tenha melhorado em março, o brasileiro ainda não está confiante no controle dos preços - avalia Azevedo.

A pesquisa foi realizada entre 20 e 23 de março de 2011, com 2.002 pessoas. (O Globo)d

CMN amplia regra de IOF sobre empréstimos externos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou nesta segunda-feira um adendo à regra tomada na semana anterior, que impôs uma alíquota de 6 por cento de IOF sobre captações de curto prazo no exterior.

Com a decisão, empresas que renovarem empréstimos externos terão que realizar uma operação simultânea de câmbio. Assim, a operação passará a estar sujeita ao mesmo imposto que inicialmente incidia somente na contratação de operações novas. O mesmo vale para repactuação e assunção de dívida.

"O objetivo da medida é conferir a essas situações o mesmo tratamento dispensado às operações de conversão e de transferência entre modalidade de capital estrangeiro registrado no Banco Central do Brasil", diz trecho da nota do CMN.

Segundo dados do BC, em janeiro e fevereiro, operações de renovação e de assunção de dívida (de quem assume obrigações de outra empresa) somaram 12,5 bilhões de dólares. Desse montante, 5,6 bilhões de dólares correspondiam a dívidas com prazo de até 360 dias, que são justamente os alvos da cobrança determinada pelo CMN. (O Globo)

Murilo Ferreira vai suceder Roger Agnelli na presidência da Vale

De acordo com fontes que acompanham o processo, Murilo era o candidato da presidente Dilma Rousseff .

Os controladores da Vale acabam de escolher o executivo Murilo Ferreira para suceder Roger Agnelli na presidência da Vale. Ele já havia trabalhado na mineradora, mas deixou a empresa após problemas de saúde quando comandava a Inco - mineradora da Vale no Canadá.

Segundo fontes que acompanham o processo, era o candidato da presidente Dilma Rousseff.

Os dois se conheceram no tempo em que Murilo comandava a Albras, produtora de alumínio, e Dilma era ministra de Minas e Energia.

Murilo desbancou dois diretores executivos da Vale: Tito Martins, o mais cotado, e José Carlos Martins, que corria por fora. (Estado)