terça-feira, 1 de maio de 2012

Dilma: "O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros"


Minhas amigas e meus amigos,
Amanhã, 1º de Maio, é um bom dia para refletirmos sobre uma verdade nem sempre lembrada: que tudo que um país produz é fruto do esforço do trabalhador e, por isso, todo trabalhador tem o direito de usufruir de tudo que o seu país produz.
Para usufruir cada vez mais da riqueza do Brasil, o trabalhador brasileiro precisa demelhores empregos, de salário digno, educação de qualidade e formação profissional adequada às necessidades do mundo moderno. Para garantir esses direitos do trabalhador, o país necessita consolidar seu crescimento, equilibrar sua economia, diminuir as desigualdades, proteger sua indústria e sua agricultura,desenvolver novas tecnologias e ser, cada vez mais, competitivo e soberano no mundo. Nosso governo trabalha por isso todos os dias. Tem feito também todo o esforço e criado as condições para que o setor privado, o sindicato, os movimentos sociais e toda a sociedade participem dessa tarefa.
Não quero ser a presidenta que cuida apenas do desenvolvimento do país, mas aquela que cuida, em especial, do desenvolvimento das pessoas. Cuidar dodesenvolvimento das pessoas significa lutar por uma saúde melhor para os brasileiros pobres e de classe média; significa prover educação de qualidade em todos os níveis, inclusive cursos técnicos e universitários, no Brasil e no exterior, para brasileiros de talento e de qualquer classe social, como estamos fazendo através do Programa Brasil sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudos para 100 mil estudantes nas melhores universidades do mundo.
Cuidar do desenvolvimento das pessoas significa lutar incessantemente para acabar a pobreza extrema em todas as regiões do país; significa enxergar o trabalhador como cidadão e, por isso, pleno de direitos civis; enxergá-lo também como consumidor, com condição de comprar todos os bens e serviços que sua família precise para viver de maneira cômoda e feliz.
Faz parte desta luta o esforço do governo para reduzir os juros. A economia brasileira só será plenamente competitiva quando nossas taxas de juros, seja para o produtor, seja para o consumidor, se igualarem às taxas praticadas no mercado internacional. Quando atingirmos este patamar, nossos produtores vão poder produzir e vender melhor, e nossos consumidores vão poder comprar mais e pagar com mais tranquilidade.
Vem daí o esforço que o governo faz para equilibrar a economia, o que tem permitido a queda contínua da taxa básica de juros. Vem daí também a posição firme do governo para que bancos e financeiras diminuam as taxas de juros cobradas aos clientes nos empréstimos, nas compras a prazo e nos cartões decrédito.
Nos últimos anos, nosso sistema bancário é um dos mais sólidos do mundo. Está entre os que mais lucraram. Isso tem lhes dado força e estabilidade, o que é bom para toda a economia. Mas isso também permite que eles deem crédito melhor e mais barato aos brasileiros.
É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Estes valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra, com presteza e honestidade, os seus compromissos.
O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de crédito não diminuem.
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado, provando que é possível baixar os juros cobrados aos seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado.
É importante que os bancos privados acompanhem essa iniciativa para que o Brasil tenha uma economia mais saudável e mais moderna. É bom também que você, consumidor, faça prevalecer seus direitos, escolhendo as empresas que lhe ofereçam melhores condições.
Sei que para que o nosso país tenha uma economia mais forte é preciso, ainda, que encontremos mecanismos que permitam uma diminuição equilibrada dos impostos para produtores e para consumidores. E também que tenhamos uma taxa decâmbio que defenda nossa indústria e nossa agricultura, em suma, os nossos empregos, e que o governo utilize os recursos públicos, sempre de forma eficiente e honesta, para que a população sinta, da forma mais efetiva possível, o bom retorno do imposto que paga.
Por sinal, acabamos de retirar os impostos da folha de salários, para que essa carga fiscal deixasse de punir o emprego. Isso está dando mais alívio ao empregador e mais segurança ao empregado.
Garanto às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros que vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores e, cada vez mais, estimular as coisas bem-feitas e as pessoas honestas de nosso país.
Mas não vamos abrir mão de cobrar, com firmeza, de quem quer que seja, que cumpra o seu dever, que faça a sua parte para que o Brasil cresça e todos os brasileiros cresçam junto; para que nossos trabalhadores e nossas trabalhadoras melhorem sua capacidade de produzir e de consumir, sua capacidade de viver bem,de ser feliz e de fazer seus irmãos igualmente felizes.
Viva o 1º de Maio! Viva o trabalhador brasileiro! Viva o nosso querido Brasil!
Obrigada e boa noite.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Se todas as 54 milhões de pessoas com conta em banco hoje tivessem buscado crédito no sistema financeiro, cada uma teria um gasto anual de R$ 3,6 mil


Brasileiros pagam R$ 194,8 bilhões de juros bancários por ano, ou R$ 3,6 mil por cliente.
Valor inclui cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, aquisição de veículos e de bens.
Os brasileiros gastam R$ 194,8 bilhões por ano com pagamento de juros de empréstimos bancários. Isso equivale a dizer que, se todas as 54 milhões de pessoas com conta em banco hoje tivessem buscado crédito no sistema financeiro, cada uma teria um gasto anual de R$ 3,6 mil. Essa cifra corresponde à despesa só com juros, sem considerar a amortização do empréstimo principal.
Os cálculos da despesa com juros foram feitos, a pedido do Estado, pelo presidente da empresa de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues. Para chegar a esse resultado, foram consideradas cinco linhas de crédito: cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, aquisição de veículos e de bens. Os saldos e as respectivas taxas de juros cobradas em cada linha usadas no cálculo estão disponíveis no relatório de crédito de março do Banco Central. Ficaram de fora o crédito imobiliário e o cartão de crédito.
Os dados mostram que, para as linhas analisadas, o gasto com juros cresceu 60% em três anos. Em março de 2009, a despesa anual com juros das linhas de crédito analisadas era de R$ 121,5 bilhões e, em março deste ano, atingiu R$ 194,8 bilhões. No mesmo período, o saldo das operações de crédito correspondentes cresceu 85%: de R$ 264,5 bilhões em março de 2009 para R$ 490,7 bilhões em março deste ano.
"O ritmo de aumento do gasto com juros foi menor do que o aumento do volume dos empréstimos feitos ao consumidor exclusivamente por causa da redução da taxa básica de juros, Selic, já que o spread ficou estável no período", ressalta Rodrigues.
Em março de 2009, a Selic efetiva, que é o parâmetro do custo de captação dos bancos, estava em 11,7% ao ano. Em março deste ano, era de 9,4%. A queda é de 2,3 ponto porcentual. Durante esse período, o spread, que é a diferença entre o custo de captação e de empréstimo, ficou estável em torno de 28%.
Nas últimas semanas, o governo vem pressionando os bancos privados a reduzir os juros cobrados do consumidor para impulsionar o consumo, reativar o mercado doméstico e a atividade econômica, que enfraqueceu no primeiro trimestre. A estratégia foi baixar as taxas cobradas nas linhas de crédito dos bancos oficiais (Caixa e Banco do Brasil) para acirrar a concorrência e forçar a queda dos custos dos empréstimos aos clientes.
Fabio Silveira, sócio da RC Consultores, compara o efeito atual dos juros, amarrando o consumo, com o impacto nos preços exercido pela inflação. "O Plano Real tirou o peso da inflação no mercado doméstico, que foi trocado pelos juros e impostos."
Silveira diz que, no momento atual, no qual a economia mundial deve crescer 2,5% este ano, a metade de 2011, é crucial reduzir os juros para garantir o dinamismo do mercado doméstico. "Imagina o quanto poderíamos ter crescido se não tivéssemos carregado juros elevados por quase 20 anos?", questiona. (Estado)

Recuo da inflação ajuda BC a testar novo piso para juros
Preços estão subindo menos do que haviam previsto analistas do mercado e governo no fim do ano passado. Inflação oficial deve chegar a 5% em abril, ajudada por preços mais baixos de alimentos e automóveis.
O recuo recente da inflação é o principal trunfo do Banco Central (BC) para prosseguir com os cortes na taxa básica de juros para abaixo dos atuais 9% ao ano.
Desde janeiro, a inflação cedeu mais do que haviam previsto tanto analistas de mercado quanto o próprio BC no fim do ano passado.
Acumulada em 12 meses, a inflação oficial-medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE)-recuou de 6,5% em dezembro para 5,2% em março e deve seguir em queda em abril, prevê o economista-chefe do banco Credit Suisse, Nilson Teixeira.
O patamar ainda é superior à meta do governo para este ano (4,5%) mas, diz Teixeira, está em desaceleração.
"No fim do ano, a maioria dos analistas, inclusive nós, estimava que a inflação em abril estaria mais alta do que vemos hoje. Isso não se confirmou e a dinâmica para os próximos meses é favorável, o que foi uma grande surpresa", afirma Teixeira.
Relatório elaborado pelo economista, obtido pela Folha, mostra que, retirando os serviços, a inflação já está bem abaixo da meta-3,5% em março. Graças a deflações de automóveis e eletrodomésticos com IPI reduzido.
Também contribuíram menores aumentos nos alimentos e nas tarifas públicas, como ônibus, em baixa no embalo das eleições municipais.
Mas, pondera Teixeira, mesmo os serviços-como passagens aéreas, empregados domésticos e aluguel, por exemplo-também perderam fôlego. Uma das razões é que a inflação mais branda desestimula repasses mais altos. Esse comportamento inesperado ajuda o BC a testar um novo piso para a taxa básica.
O economista integra um grupo pequeno de analistas que estima que o BC pode ser ainda mais ousado no corte de juros. Na sua avaliação, a taxa pode chegar a inéditos 8,25% ao ano em julho.
"Uma inflação relativamente bem comportada e um crescimento econômico menor são compatíveis com um ciclo mais longo de corte de juros", diz o economista.
Para Teixeira, a inflação deverá fechar o ano por volta de 5% "com risco de ser mais baixa", e seguirá script semelhante no ano que vem.
A projeção mais otimista para os preços embute, contudo, a previsão de que a economia crescerá pouco neste ano, cerca de 2,5%.
A maioria dos analistas prevê uma expansão de 3,2% e o objetivo do governo é alcançar, ainda neste ano, um crescimento de 4,5%.
"Os impulsos colocados hoje são menores do que os usados nas acelerações recentes, como em 2009", diz.
Um risco de a inflação ficar mais alta é o dólar estacionar num patamar mais elevado, como parece buscar o BC.
"Mesmo assim, veremos se o impacto do câmbio nos preços será o mesmo dos padrões dos modelos do passado". (Folha)