segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Governo tem que controlar bancos para provar que não somos reféns do sistema financeiro

BNDES libera R$ 10 bilhões para capital de giro

(Postado por Antonio Carlos dos Reis, o Salim) — O governo federal, através do Banco Central e dos ministérios, tem que agir rapidamente para não passar a impressão que está subordinado aos banqueiros. Essa decisão do BNDES é uma demonstração que o governo Lula começa a reagir e a se desvencilhar, mesmo que timidamente, do enorme poderio politico e económico dos bancos, que estão, sim, abusando e impondo suas estratégias ao governo. Vamos vigiar e mobilizar a classe trabalhadora para libertar nosso governo, legitimamente eleito, da influência nefasta dos banqueiros. Conforme relatado no texto abaixo e no seguinte:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anuncia amanhã uma linha de financiamento a capital de giro, com nova injeção de recursos de R$ 10 bilhões para o setor produtivo. Será mais uma medida do governo para tentar manter inalterado o nível de investimentos no País, apesar da crise. Do volume recorde de R$ 90 bilhões que o banco estima liberar este ano, pelo menos R$ 51,2 bilhões virão de reforços extras em seu caixa.

A escassez de recursos no mercado elevou a importância do banco estatal - principal veículo financiador das empresas nacionais - na economia. O BNDES aumentou sua participação no crédito à exportação para suprir a seca das Antecipações de Contratos de Crédito (ACCs); passou a oferecer empréstimo-ponte para garantir novos projetos; elevou sua participação em projetos industriais e se dispôs a entrar como debenturista ou acionista no capital de empresas em dificuldades.

"Vai haver um momento em que o governo, que orienta o banco, decidirá o que é mais conveniente: ou o BNDES fica restrito, atuando de forma mais segmentada e seletiva, ou aumenta o seu funding. Considerando a característica o longo prazo, é possível que o nível do banco tenha de ficar sistematicamente acima da capacidade atual", disse o diretor financeiro do banco, Maurício Borges Lemos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mantega e Meirelles dão recado a bancos para liberarem crédito — Ministro e presidente do BC cobram atuação mais pró-ativa do sistema financeiro durante jantar da Febraban.

O público era formado por mais de 200 banqueiros e executivos do sistema financeiro, e o recado dado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não poderia ser mais direto: é preciso desempoçar os recursos para o crédito. Durante o jantar de final de ano da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na quinta-feira, os ministro aproveitaram para cobrar, durante seus discursos, uma atuação mais pró-ativa do sistema financeiro no intuito de mitigar os impactos da crise financeira internacional no Brasil.

"De nada adianta se demandar um nível de capitalização elevado quando, em momentos em que este capital precisa ser usado, precisamos, na realidade, conviver com níveis de capitais menores", argumentou Meirelles. Para ele, o capital elevado tem que ser construído antes de períodos de crise por meio de um aumento da provisão.

O presidente do BC admitiu que essa ferramenta não é suficiente para evitar o ciclo de maior retração, mas é um canal importante para suavizá-lo. "Os bancos tendem a cometer excessos nos períodos expansionistas, quando prevalece um otimismo exagerado e todos parecem acreditar piamente que recessões e contrações econômicas são relíquia do passado", afirmou.

Meirelles lembrou que no passado recente o mundo viveu esse período prolongado de estabilidade econômica e juros baixos, principalmente nos Estados Unidos. "Presos em sua teia otimista, (as instituições financeiras) relaxam o controle de crédito", comentou. De forma contrária, em momentos de recessão, continuou o dirigente, premidos pelo aumento da inadimplência que afeta os resultados e corrói o bem de capital, os bancos reduzem drasticamente a oferta de crédito. "(Os bancos) passam a fazer grandes empréstimos apenas para os clientes cuja solvência está acima de qualquer suspeita, como parece que está ocorrendo em alguns países hoje." O resultado, segundo ele, não poderia ser outro: um ciclo de expansionismo exagerado e, em contraste, uma retração também exagerada.

Compulsório — Ao citar algumas medidas já dotadas pelo governo na tentativa de diminuir o represamento dos recursos para o crédito, Meirelles salientou que já foram liberados até o momento quase R$ 100 bilhões provenientes da redução do volume de compulsório. "Os depósitos compulsórios, sobre os quais os senhores tanto reclamavam com legitimidade durante tanto tempo, hoje são vistos por todos como algo que, neste momento, podemos dar graças a Deus por existirem porque é uma reserva de liquidez compulsória e que, neste momento, pode ser usada pelo sistema à medida que é liberada pelo Banco Central. Não é isso?"

Ministro critica bancos — O ministro, porém, também não poupou esforços em mostrar que está descontente com a atuação dos bancos. Ele voltou a afirmar que o governo brasileiro está atento e monitorando a crise atual e que, desde o agravamento da crise, foi tomada uma série de medidas para atenuar seus impactos sobre os mercados brasileiros. "Mas ainda há alguns problemas de oferta de crédito em dólares e reais e o custo financeiro está muito elevado, dificultando o funcionamento da economia real", alfinetou.

O maior desafio do Brasil, segundo Mantega, é o de restaurar a liquidez e o de reduzir o custo financeiro para patamares compatíveis com o crescimento equilibrado da economia. "O governo já tomou e está disposto a tomar todas as medidas fiscais e monetárias para impedir que a crise aborte o ciclo de desenvolvimento em curto no País." (Leia mais no Estadão)

 Governo libera estatais de acumular superávits primários

É o governo agindo para gerar caixa e investimentos diretos em infra-estrutura. Só assim, teremos condições de proteger o País da pior parte das crise econômica mundial.

Leia mais: O governo começou a liberar as estatais da obrigação de acumular superávits primários para que impulsionem os investimentos do setor público. Entre outubro de 2007 e outubro deste ano, o valor anualizado da poupança das empresas federais caiu (incluindo pagamentos de Itaipu) de R$ 20 bilhões para R$ 6,5 bilhões, enquanto os investimentos - liderados pela Petrobrás, que já tomou emprestado mais de R$ 35 bilhões no ano - subiram de R$ 27,5 bilhões para R$ 37,6 bilhões.

O movimento, que vinha ocorrendo por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), se intensificou em outubro, com o agravamento da crise internacional. Boa parte dessas estratégia de incrementar os investimentos das estatais deriva também do perfil do governo Luiz Inácio Lula da Silva: baixíssima capacidade de investir o dinheiro do Orçamento da União e altíssima disposição política para aumentar o custeio - só a conta da folha de salários (ativos e inativos), vai pular de R$ 120 bilhões, ano passado, para R$ 150 bilhões no ano que vem. (Leia mais no Estadão)

Fundos Petrobras com recursos do FGTS têm a pior queda mensal entre os investimentos.

A crise econômica mundial chega aos investimentos dos trabalhadores, que começam a sentir as perdas em seus investimentos oriundos do FGTS. Faz parte do jogo. Mas ao contrário dos banqueiros, que buscam proteção nos cofres públicos, os trabalhadores ajudam o governo a buscar saídas para ampliar o consumo, manter empregos e salários e, o mais importante, ajudar o Brasil a superar a atual situação. Desta maneira, a médio e longo prazos, os trabalhadores conseguirão recompor suas carteiras de investimentos.

Leia mais: Os fundos de ações da Petrobras com recursos do FGTS foram o investimento com a pior performance no mês de novembro. Os investidores que investiram no fundo perderam 20,55% do valor aplicado até o dia 24 de novembro. De acordo com os dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), as perdas já chegam a 55,39% no ano. Os fundos de ações da Vale com recursos do FGTS caíram 8,09% em novembro, mas acumulam baixa de 55,37%. Analistas indicam que as ações da Petrobras, além de serem as de maior peso do Ibovespa e as primeiras das quais os investidores se desfazem nos movimentos de vendas, também têm passado por momentos de notícias nada positivas envolvendo a companhia.

 As notícias mais recentes foram o desconforto do Senado com empréstimos do Banco do Brasil e da Caixa à petrolífera, além da saída da companhia do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. O petróleo em baixa acentua ainda mais a insegurança dos investidores em relação à continuidade dos investimentos necessários ao processo de exploração do pré-sal.

Para completar, o cenário externo, embora não tenha sido tão ruim quanto foi em outubro, continuou a dar sinais de desaquecimento.

- Quando se olha a Vale, que exporta minério de ferro, matéria-prima primordial para dois setores da indústrias muito abalados pela crise americana : construção civil e automobilística mundial, percebe-se que o cenário interno, um pouco mais positivo, está descolado do cenário externo. As empresas atreladas a commodities ainda dependem muito da restauração da economia global - disse Giberto Braga, professor de finanças do Ibmec. (Leia mais no Globo online)

Um ano após padronização, tarifas bancárias estão até 329% mais caras

Os bancos estão pedindo desesperadamente uma regulamentação. E não restará alternativa ao governo brasileiro, de preferência na atual gestão, agir com seriedade e provar para a História que nossa democracia não se curva a rapinagem dos bancos. Que prejudicam seus correntistas, seus trabalhadores e, principalmente, a Nação brasileira. Já começaram as demissões no setor bancário. A desculpa é a crise económica mundial. Mas quando ganharam tubos de dinheiro com a expansão da economia, os banqueiros se recusaram, sistematicamente, a repassar lucros para os bancários.

Leia mais: Na semana em que as novas regras para as tarifas bancárias do Conselho Monetário Nacional (CMN) completam um ano, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alerta: desde a padronização da regras, em 30 de abril de 2007, foram registrados aumentos significativos nos preços dos serviços: de 41%, para renovação de cadastro no HSBC, a 329%, fornecimento de cheques, no Banrisul, mostra reportagem publicada pelo jornal O Globo, na edição desta segunda-feira.

As novas normas incluem a padronização dos nomes dos serviços, a divulgação das tarifas na internet e um intervalo mínimo de seis meses entre os reajustes e não prevêem congelamento ou limites de correções. Ainda assim, o Idec considera que os aumentos registrados por sete dos dez maiores bancos do país, em número de clientes, indicam uma nova estratégia: os reajustes estão se concentrando em tarifas como confecção e renovação de cadastro, o que afeta todos os consumidores - inclusive aqueles que pouco utilizam os serviços bancários e os pequenos poupadores. De acordo com o levantamento, apenas três dos maiores bancos não realizaram reajustes no período: Caixa Econômica Federal, Santander e Real. Já Bradesco, Itaú, Unibanco, HSBC, Nossa Caixa, Banrisul e Banco do Brasil aumentaram seus preços.  (Mais informações no Globo on line)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

UGT defende recuperação dos valores das aposentadorias acima do mínimo

UGT participa de reunião da Uni Americas e do Congresso da Federação do Comércio e Serviços na Argentina

Representamos a UGT num evento promovido pela Uni Américas nesta semana. Apresentamos o painel sobre as ameaças que a crise financeira mundial para os trabalhadores brasileiros e destacamos a preocupação da UGT com as políticas de inclusão social, os trabalhadores informais e a migração dos trabalhadores na América Latina, que tende a se aumentar com a crise mundial. Participamos do Congresso da Federação do Comércio e Serviços em que discutimos contratos, acordos e convenções coletivas. Visitamos a CGT argentina, a maior central sindical daquele país, e iniciamos negociações em torno da Coordenadoria do Mercosul. Na quarta-feira à noite fomos recebidos pelo presidente Lula e dona Marisa na Granja do Torto, residência oficial, e tivemos uma excelente troca de ideias a favor do Brasil e dividimos com o presidente nossa preocupação com a tragédia que afeta Santa Catarina. Relatamos as campanhas que a UGT tem feito para arrecadar e enviar todo tipo de ajuda. Sem abrir mão de nossas funções como dirigentes sindicais, tivemos o orgulho de nos apresentar junto ao presidente como brasileiros preocupados com a crise, sem pessimismo, porque o Brasil é muito maior que a crise.

Recuperação do valor das aposentadorias acima do mínimo

No jantar que tivemos com o presidente Lula, na Granja do Torto, trocamos ideias a respeito do fator previdenciário e da urgência de se achar uma alternativa imediata para recuperar os valores das aposentadorias para quem recebe acima do salário mínimo. Ontem, o ministro Pimentel já nos procurou e agendamos para a próxima quarta-feira um encontro em Brasília, com todas as centrais para se discutir saídas de curto e médio prazo para o reajuste das aposentadorias acima do mínimo.

Acompanhe o que saiu hoje na imprensa: — Executivo admite acabar com o fator previdenciário em troca de exigência de idade mínima nas aposentadorias. 

Acuado pelos projetos que beneficiam aposentados, mas aumentam o rombo da Previdência Social, o governo admite, pela primeira vez, negociar o fim do fator previdenciário em troca da exigência de idade mínima nas aposentadorias. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), informou ao Estado que, além disso, outra proposta está sendo costurada: a de substituir os projetos que reajustam valores das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por um programa de recuperação dos benefícios de valor mais baixo.

O assunto será discutido entre o ministro da Previdência, José Pimentel, e representantes das centrais sindicais em 4 de dezembro. A data foi marcada na quarta-feira em jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com sindicalistas, na Granja do Torto, em Brasília.

"Estamos caminhando para o fim do fator previdenciário e vamos trabalhar pelo limite de idade", disse Jucá. "Vamos construir uma solução, um programa de recuperação (dos benefícios) da Previdência até dois, três salários mínimos."

Para o líder do governo, as alternativas analisadas mostram que nem ele nem ninguém do governo se opõem ao mérito dos três projetos do senador Paulo Paim (PT-RS). Há, no entanto, preocupação com o impacto nas contas da Previdência. Já aprovados no Senado e aguardando votação na Câmara, os textos provocaram duas reações: a oposição de técnicos da equipe econômica e a mobilização de aposentados e pensionistas a favor dos projetos.

Segundo as projeções dos técnicos do Ministério da Previdência, somente a proposta de Paim, que reajusta os benefícios pela indexação ao número de salários mínimos a que eles equivaliam no momento da concessão, custaria R$ 76,6 bilhões por ano aos cofres do INSS. Outro projeto estende a todos os benefícios o reajuste de 9,2% dado este ano ao salário mínimo. As aposentadorias e pensões de valor superior a um mínimo tiveram 5% de reajuste (inflação acumulada pelo INPC). Isso resultaria num impacto anual de R$ 9 bilhões.

A declaração de Jucá sinalizando o fim do fator previdenciário mostra que o governo vai negociar para evitar o pior. "A grande contribuição é a gente se debruçar para construir uma alternativa. Isso é possível."

O fator previdenciário foi criado em 1999 para controlar o crescimento das despesas previdenciárias em conseqüência do aumento da expectativa de vida da população. A fixação de uma idade mínima para aposentadoria também funciona como freio às aposentadorias precoces. (Leia mais no Estadão)

Montadoras dão férias coletivas a 47 mil

As férias coletivas são sempre preocupantes. Significam para nós que a crise se instala aos poucos. Vamos apostar sempre na proteção do emprego e dos salários, mesmo na crise. E acompanhar, de perto, a situação das montadoras, especialmente da GM que segundo notícias dos Estados Unidos estaria à beira da falência. 

Leia mais: Medida foi adotada devido ao desaquecimento na venda de veículos; número equivale a 41,6% da força de trabalho do setor. Férias coletivas e folgas atingem funcionários das montadoras GM, Ford, Peugeot/Citroën, Fiat, Volks e Renault/Nissan

As férias coletivas e folgas anunciadas pelas montadoras para este mês e dezembro estão atingindo pelo menos 47 mil funcionários em todo o Brasil. Esse número equivale a 41,6% da força de trabalho do setor, que conta com 113 mil empregados (incluindo fábricas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) no país.

Essas medidas foram adotadas devido ao desaquecimento na venda de veículos a partir de outubro, provocado pela redução do crédito para financiamento. As grandes empresas do setor -como GM, Volkswagen, Fiat, Ford, Peugeot/Citroën e Renault/Nissan- já anunciaram férias coletivas no período.

Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) apontam que, em outubro, houve queda de 11,6% no número de veículos emplacados no país em relação a setembro.

Novembro deve fechar com retração ainda maior. Segundo a Fenabrave, na primeira quinzena deste mês foram emplacados 89.850 veículos, contra 112.557 em igual período de outubro -decréscimo de 20,1%.

Maior número é da GM — Entre as montadoras, aquela que deverá deixar o maior número de funcionários em casa é a GM. As férias coletivas anunciadas pela empresa atingem 14.100 trabalhadores nas fábricas de São José dos Campos (SP), São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS).

Na fábrica gaúcha, onde são produzidos os modelos Celta e Prisma, os 5.200 metalúrgicos estão atualmente cumprindo um período de 19 dias de férias coletivas. Na próxima segunda-feira, eles voltam ao trabalho, mas só por cinco dias. Em 6 de dezembro, a unidade volta a parar e só vai retomar as atividades em 5 de janeiro de 2009. (Mais informações na Folha)

Inflação se desacelera, mas alta nos últimos 12 meses supera 11%

A inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) da Fundação Getulio Vargas mostra que a alta de preços registrada em outubro, provocada principalmente pela valorização do dólar e pela alta de produtos agrícolas, não se repetiu com a mesma intensidade neste mês. O índice, que subiu 0,98% no mês passado, ficou em 0,38% em novembro.

"As quedas nas cotações das commodities continuam, e os preços de produtos que não têm relação com o mercado internacional, como os alimentos "in natura", caíram neste mês e ajudaram a segurar o índice", diz Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas.

Os produtos agropecuários, que subiram 0,48% em outubro, caíram 0,96% em novembro. Apesar da influência da retração das commodities, o principal responsável pela queda de preços do grupo foi o feijão, que teve alta de 11,58% em outubro e queda de 17,76% neste mês.

O IPA (Índice de Preços por Atacado) subiu 0,30% no mês, contra 1,24% em outubro. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) avançou 0,52%, ante alta de 0,25% no mês passado. Para o especialista, o IGP-M de 0,38% sugere que os preços começaram a se estabilizar.

Reajuste do aluguel — Apesar da moderação do índice de inflação em novembro, a alta de preços do IGP-M acumulada em 12 meses ainda é significativa: 11,88%.

Como o indicador é usado para calcular a correção de contratos, como os de aluguéis, quem precisa renegociar as parcelas no início do ano que vem provavelmente enfrentará reajustes de mais de 10%.

Desembolsos do BNDES podem chegar a R$ 90 bilhões este ano

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende fechar 2008 com um volume de desembolso de R$ 90 bilhões. O ano começou com uma previsão de R$ 80 bilhões, que acabou sendo superada pela crise financeira global. Em setembro último, a previsão já tinha sido revista para R$ 85 bilhões.

Estes desembolsos mostram que o BNDES já está cumprindo um papel anticíclico na crise. O desembolso do banco veio crescendo mês-a-mês, pulando de R$ 4,405 bilhões em janeiro para R$ 10,172 bilhões, em outubro último. O banco ainda não fechou a previsão para 2009 devido à instabilidade econômica.

De janeiro até outubro último, já foram desembolsados R$ 71,520 bilhões. Neste mesmo período, os desembolsos aprovados já somam R$ 120 bilhões - este valor é superior ao efetivamente desembolsado, porque os desembolsos não são feitos de uma única vez.

- Estes desembolsos mostram que o BNDES já está cumprindo um papel anticíclico na crise - comentou o vice-presidente do banco, Armando Mariante, que participou do 28º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex). (Leia mais no Globo online)

Henrique Meirelles traça cenário otimista para economia brasileira

Em audiência pública na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), realizada na quarta-feira (26), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, traçou um cenário otimista para a evolução da economia brasileira no período de prevalência da crise financeira internacional  nos mercados mundiais.

Ao apresentar aos parlamentares uma avaliação do cumprimento dos objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial executadas pelo Banco Central, em atendimento a disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal, Meirelles apontou a redução da dívida líquida do setor público brasileiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), ocorrida nos últimos anos - passando de 56% em 2002 para 36,6% do PIB em outubro deste ano - como um dos principais indicadores do vigor da economia brasileira.

- Em novembro, a estimativa é de que [a dívida do setor público] atinja 35,7% do PIB. É o menor número desde julho de 98. Isso significa algo da maior importância porque no passado a dívida pública, em momento de crise, era uma fonte de vulnerabilidade. Quando tínhamos uma crise como essa o Tesouro Nacional ficava mais vulnerável e piorava o problema da confiança. Agora é o contrário, pois a crise reforça o perfil da divida pública brasileira e o governo pode agir com mais força, passando a ser parte da solução da crise, e não parte do problema - disse.

Justificando sua análise, Meirelles citou dados, conservadores em sua opinião, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevêem para o Brasil um crescimento da ordem de 3% em 2009, superior ao calculado para vários países industrializados, tais como Estados Unidos, Reino Unido, Japão e países da área do euro.

Outros indicadores mencionados que atestariam a condição relativamente confortável da economia brasileira, na avaliação de Meirelles, foram: a persistência do crescimento das vendas no varejo e da produção industrial, e a queda da taxa de desemprego e o crescimento da massa salarial verificados nos últimos anos. (Agência Senado)