terça-feira, 29 de setembro de 2009

Temos que mobilizar a classe trabalhadora brasileira para pressionar o Congresso Nacional a fazer a correção do FGTS

Emprego na construção civil tem novo recorde em agosto

(Postado por Marcos Afonso de Oliveira) — Desde o início da crise financeira a UGT se manifestou a favor de incentivos para a construção civil, que é uma atividade econômica geradora de emprego e realizadora de sonhos da população brasileira. Empregos que ajudam a base da pirâmide social, investimentos que se transformam em patrimônio para a família brasileira. Deu certo. Hoje, um ano depois do início da crise, o setor está aquecido. É hora de apostar na segurança destes trabalhadores de maneira séria e comprometida com a vida. De transferir renda para estes profissionais. E de treinar mais trabalhadores para ocupar as vagas em aberto num setor que hoje chega a pagar até 12 mil reais por um mestre de obras.

Leia mais: Levantamento aponta presença de 2,260 milhões de trabalhadores no setor, com alta de 2,03% ante julho

O nível de emprego da construção civil brasileira bateu novo recorde no mês de agosto, com 2,260 milhões de trabalhadores, conforme pesquisa mensal, divulgada nesta segunda-feira, 28, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos. O recorde anterior havia sido registrado em julho, quando o número de empregados do setor somou 2,216 milhões. O número de agosto supera em 2,03% o estoque registrado em julho.

No mês passado, foram criados 44.922 novos empregos na construção civil brasileira, o maior volume registrado desde dezembro de 2000. O número foi puxado pelo mercado imobiliário, responsável pela abertura de 32.569 vagas.
Em agosto, o estoque de emprego no setor de construção no Estado de São Paulo era de 641,958 mil trabalhadores, o equivalente a 28,39% do total do País. O crescimento em relação ao nível de emprego registrado em julho no Estado foi de 1,72%. Na capital, o estoque de trabalhadores era de 313,106 mil em agosto, com expansão de 1,86% em relação a julho. (Leia mais no Estadão)

Emprego cresce pelo 5º mês seguido no comércio de SP

Os setores de comércio e serviços sempre estão na dianteira da economia para o bem ou para o mal. Quando a crise chega, geralmente estes setores sofrem mais. Mas quando também se desenham as recuperações, como ocorre agora, comércio e serviço sempre estão à frente. Isso é muito bom pois inibirá os maus patrões de começarem com chororô para evitar dar os merecidos reajustes salariais, com a reposição da inflação e aumento real de salários.

Leia mais: O comércio na região metropolitana de São Paulo criou no mês de agosto 9.083 vagas de emprego com carteira assinada, quinto mês seguido de resultado positivo no emprego. É o que aponta análise divulgada hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o varejo admitiu ao todo 37.773 pessoas em agosto, contra 28.690 demissões. O saldo total do setor cresceu de 840.557 vagas em julho para 849.640 agosto, um incremento de 1%. Já no confronto com agosto de 2008, a alta chega a 4,4%.
Os economistas da Fecomercio-SP atribuem o resultado positivo à queda do nível de inadimplência e ao crescimento do faturamento no varejo, sinais de que os desdobramentos da crise financeira mundial afetam menos a economia brasileira. "Os empresários do setor varejista apostam em uma recuperação das vendas aos níveis anteriores aos da recessão global", explica o estatístico Flávio Leite.
Os segmentos que abriram mais vagas no período foram vestuário, tecidos e calçados (5,7%), farmácias e perfumarias (4,7%) e materiais de construção (4,5%).
A Fecomercio-SP também calculou o salário médio em agosto do funcionário do comércio varejista, que ficou em R$ 1.260. Flávio Leite alerta que, apesar do cenário favorável quanto à contratação, os salários médios nominais estão em tendência de queda desde julho de 2008, o que pode ser atribuído à rotatividade dos segmentos criada pela maior oferta de mão de obra. Em agosto de 2008, por exemplo, o salário médio era de R$ 1.317. (Leia mais no Estadão)

Inflação corroeu R$ 53 bilhões do FGTS

A UGT apresentou na Câmara dos Deputados um projeto de lei para a correção dos valores do FGTS. Os trabalhadores estão sendo tungados em proporções absurdas. É urgente que o projeto avance e que conte com o apoio das demais centrais sindicais. O relator do projeto é o nosso vice-presidente, o deputado federal Roberto Santiago. E a partir da constação gravissima desta perda monumental de 53c bilhões de reais, teremos que agir com mais vigor ainda.

Leia mais: A inflação já comeu R$ 53 bilhões dos recursos do trabalhador aplicados no FGTS de 2002 até hoje, mostra reportagem de Vivian Oswald, publicada na edição desta terça-feira do Globo. Os cálculos são do Instituto FGTS Fácil, que tem orientado os cotistas a entrar na Justiça para pedir a correção. Seis ações já foram impetradas no Juizado Federal e na Justiça Federal do Rio de Janeiro nos últimos meses. Segundo reportagem publicada no GLOBO no último domingo , a perda dos cotistas chegou a 13,17% de 2000 a agosto deste ano, considerando a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O saldo do FGTS é corrigido pela Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano. O índice passou a ser usado para remunerar as contas em 1991 e substituiu a correção pela inflação.

De acordo com o advogado do instituto, Marcelo Sá, as ações pedem a correção das contas pelo IPCA no lugar da TR e baseiam-se no artigo 9 da Lei 8.036 do FGTS.

Mas ainda não houve decisão da Justiça. Segundo o assessor de Orçamento do Congresso, Leonardo Rolim, as ações têm chance. Mas lembra que há várias decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre direitos e encargos trabalhistas que dizem que a TR é o indicador a ser usado para os cálculos.

O FGTS Fácil deixou disponível em seu site um simulador para os trabalhadores calcularem se, e quanto, perderam para pedir a correção não só pelos prejuízos ocasionados pela TR como também por equívocos de gestão e outros casos. (Leia mais em O Globo)

BC começa a desmontar ações anticrise

Instituição aponta "sinais de paulatina normalização" e muda regras para o recolhimento de dinheiro pelos bancos ao BC. Vantagem para abatimento no valor recolhido como depósito compulsório valerá apenas para a compra de ativos de bancos pequenos.

O Banco Central deu mais um passo ontem para desmontar o arsenal criado para combater os efeitos da crise internacional no país. Depois de interromper, no início do mês, a redução da taxa de juros -um dos principais estímulos monetários para tirar a economia da recessão- os diretores mudaram as regras que determinam quanto do dinheiro captado dos clientes os bancos são obrigados a recolher ao BC, os chamados depósitos compulsórios.
As alterações, consideradas ainda tímidas e anunciadas uma semana depois de o presidente Luiz Inácio da Silva defender, durante encontro do G-20, a manutenção dos estímulos dados pelos países às economias, prorrogam até março de 2010 um benefício adotado no ano passado, que terminaria amanhã, mas o restringe.
O benefício de abater do recolhimento obrigatório o valor usado na compra de carteiras de créditos e outros ativos foi limitado a bancos pequenos, que têm patrimônio de até R$ 2,5 bilhões. Antes era permitido deduzir do compulsório aquisições feitas por instituições com patrimônio de até R$ 7 bilhões.
Outra medida, que compensaria essa restrição, deverá liberar em 2 de outubro cerca de R$ 2,5 bilhões para os bancos. Isso vai ocorrer com a redução da alíquota de 15% para 13,5% do compulsório incidente sobre os depósitos a prazo (como as captações via emissão de CDBs). Mas o BC não deu números que confirmem isso.
O impacto da primeira medida está vinculado ao vencimento das carteiras compradas no auge da crise, principalmente por grandes bancos, como BB e Caixa. Isso porque a medida incidirá em novas operações, que praticamente não estão mais sendo feitas, e nas renovações.
Normalização -- Em nota distribuída no início da noite os diretores justificam as alterações: "Passado um ano do agravamento da crise financeira internacional, o mercado de crédito doméstico dá sinais de paulatina normalização".
Como a liquidez do sistema financeiro não foi integralmente retomada, as instituições menores ainda precisam de ajuda e, por isso, o BC prorrogou por mais seis meses as medidas de socorro a esses bancos, que venceriam amanhã. Segundo dados do BC, somente os bancos médios venderam ativos no valor de R$ 7 bilhões para as grandes instituições.
Desde o agravamento da crise, em setembro de 2008, o BC anunciou várias medidas para tentar evitar a contaminação do sistema bancário brasileiro. Somente do volume total de dinheiro retido como compulsório foram liberados cerca de R$ 100 bilhões. Um terço desse valor veio da liberação da parcela do compulsório incidente sobre depósitos a prazo (aplicações financeiras).
Além dessas medidas monetárias foram adotados estímulos fiscais, como a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis, que será elevado novamente, de maneira gradual, a partir de quinta-feira.
A projeção do governo é de que a economia cresça entre 0,8% e 1% em 2009. No ano que vem, a aposta é que o país retome a trajetória de crescimento vivida antes da crise e cresça cerca de 5% ao ano.
Além de reduzir a alíquota dos compulsórios a prazo, o BC também mudou a forma de recolhimento desses recursos. A partir de agora, os bancos depositarão 55% da garantia em dinheiro, em vez de 60%.
Os outros 45% serão recolhidos em títulos. Anteriormente, eram 40%. A vantagem para os bancos é que aumenta o total dos recursos que ficam parados no BC, mas são corrigidos. (Leia mais na Folha)

Trabalho degradante avança em laranjais, diz fiscalização

Para Superintendência Regional do Trabalho, cotação em baixa estimula precarização. Situação nos canaviais melhorou após acordo com usinas, diz promotoria, que investigará terceirizações para fornecedores de cana.

Vencida ao menos no papel a etapa de conscientização das usinas de açúcar e álcool, o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho decidiram centralizar suas atenções em dois potenciais focos de mão de obra degradante em São Paulo: os fornecedores de cana e os produtores de laranja.
O grupo de fiscalização rural da Superintendência Regional do Trabalho, por exemplo, decidiu reservar todo o segundo semestre deste ano para as ações em áreas de laranja.
"Deixamos a cana um pouco de lado porque a laranja está muito pior", afirma Roberto Figueiredo, chefe do grupo. "O preço está ruim e, dessa forma, o produtor acaba pagando mal. É o problema da precarização."
Para a Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo), a laranja não acompanhou as melhorias da cana. "A cana deu uma melhorada, mas a laranja não avançou. Os trabalhadores não têm registro, trabalham por uma produção que não chega a um salário mínimo e não tem convênios médicos", afirma Eduardo Porfírio, o Polaco, diretor da entidade.
De acordo com o Ministério do Trabalho, a produção de laranja começou a atrair trabalhadores migrantes, em sua maioria do Nordeste. São Paulo responde por 80% da produção nacional de laranja. Dos 18,6 milhões de toneladas produzidas em 2007, 14,9 milhões foram no Estado.
Nos últimos anos, tanto procuradores como auditores fiscais focaram suas ações nas usinas do setor sucroalcooleiro. As empresas foram obrigadas a assinar termos de ajustamento de conduta nos quais, no papel, se comprometeram a oferecer condições mínimas aos cortadores de cana, como equipamentos de proteção, água potável e intervalos para descanso.
Além disso, foi lançado recentemente o chamado "compromisso nacional" da cana, construído num diálogo entre governo federal, empresários e sindicalistas. O pano de fundo do acordo foi a abertura das portas do mercado externo ao etanol brasileiro, sem a mancha do trabalho degradante.
Entre os pontos assinados no "compromisso" há o que prevê a contratação direta dos trabalhadores pelas usinas, eliminando assim a terceirização desse tipo de mão de obra.
E é justamente esse item que preocupa o Ministério Público do Trabalho em São Paulo. Como não consegue contratar todos os antigos terceirizados, a usina opta por comprar a cana diretamente de um fornecedor, que, por sua vez, contrata a prestadora de serviço antes usada pela empresa.
"A diminuição da terceirização não significou a contratação direta de todos esses trabalhadores. Em alguns casos, houve a migração da terceirização para o fornecedor", afirma o procurador regional do Trabalho Mário Antônio Gomes. (Mais informações na Folha)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Entram e saem as crises e a falta de mão de obra qualificada continua o mesmo pesadelo. É hora de investir em qualificação séria

Crise dá trégua e já falta mão de obra

(Postado por Laerte Teixeira da Costa) Sempre faltou mão de obra qualificada independente dos ciclos de crise. O que acontece com o aquecimento da economia é que surgem as rachaduras. E se percebe que deveríamos ter investido, mesmo na crise e no desemprego, na requalificação da mão de obra. Ainda dá tempo, aliás, sempre é tempo de o governo retomar os investimentos na qualificação, de maneira responsável para que gere resultados. E não fingir que qualifica que gera uma falsa sensação de preparo que o mercado acaba por não aceitar.

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Retomada do crescimento agrava falta de trabalhadores qualificados

A retomada da economia agravou o problema da escassez de mão de obra treinada no mercado, considerado um dos gargalos mais sérios e objetivos que o Brasil deverá enfrentar nos próximos anos. Apesar de existência de quase 2 milhões de desempregados apenas nas seis principais regiões metropolitanas do País, faltam profissionais especializados, sobretudo em setores estratégicos, como petróleo e gás, construção civil e agronegócio.
Empresas e governo correm para se antecipar a uma demanda que vai ficar cada vez maior e investem na formação e treinamento de pessoal. A exploração das jazidas de petróleo e gás na área do pré-sal, por exemplo, torna ainda mais difícil a busca por profissionais qualificados.
Com base no plano de negócios da Petrobrás, que prevê investimentos de US$ 174 bilhões até 2013, anunciado em março pela estatal, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás (Prominp) estima que será necessário qualificar mais 285 mil profissionais nos próximos três anos.
Esse número, porém, deverá ser revisto para cima, pois apenas um pedaço do pré-sal está previsto no horizonte de investimentos até 2013.
"O pré-sal ainda está no início e certamente a quantidade de profissionais que vamos ter que qualificar para o pré-sal como um todo é um número maior", diz o assessor da setor de qualificação profissional do Prominp, Guilber Dumas de Souza.
O Prominp é um programa do governo federal que visa à formação de pessoal para trabalhar nas empresas que atuam em conjunto com a Petrobrás na exploração de petróleo e gás. Esses profissionais são preparados para atender à crescente demanda por mão de obra qualificada em empreendimentos como construção de navios e plataformas, construção e ampliação de refinarias, gasodutos e estações de compressão de ar, além da manutenção das operações do setor.
"Se não tivermos esse pessoal qualificado, teremos gargalos sérios nesses empreendimentos todos e na produção de equipamentos, como atrasos e problemas de qualidade", observa Souza. "A variável pessoas qualificadas é fundamental para alcançar os objetivos estabelecidos pela Petrobrás."
O cenário não é muito diferente na construção civil, cuja atividade não sofreu tanto impacto da crise financeira mundial como outros setores mais afetados, como a indústria de transformação. A demanda das construtoras por mão de obra especializada vai ficar cada vez maior para atender ao programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras para a Copa do Mundo. (Leia mais no Estadão)

Bancos privados perdem mercado, mas não cortam juro

Os banqueiros privados brasileiros agem assim porque estão ganhando demais. Não precisam correr riscos. O que deveria levar o governo (já passou da hora, aliás) a pressionar o setor para que assuma a responsabilidade social dos bancos que é o repasse de crédito, especialmente para as pequenas e médias empresas. Risco faz parte do DNA dos bancos, infelizmente, não dos bancos brasileiros acostumados ao longo de décadas a ganhar dinheiro emprestando para o governo e a obter ganhos absurdos com as taxas bancárias. Além disso, basta dar uma olhada no texto a seguir e vemos que os bancários foram obrigados a fazer greve em função da ganância dos banqueiros que só querem ganhar mas se recusam a repassar, inclusive, os ganhos de produtividade. Algo tem que ser feito e com urgência. Não podemos aceitar a ditadura dos bancos para sempre.

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Política agressiva de concessão de empréstimos fez instituições públicas aumentarem sua participação.

A agressividade na concessão de empréstimos após o aprofundamento da crise global, em setembro passado, fez os bancos públicos ampliarem substancialmente sua fatia no bolo do crédito no País. A participação, que era de 34,2% do total no mês em que o banco americano Lehman Brothers quebrou, subiu para 40% no fim de julho deste ano. As instituições privadas, incluindo as estrangeiras, viram sua parcela encolher de 65,8% para 60% no período.
Com a percepção consolidada de que o Brasil se recuperou rapidamente, analistas esperam que os privados corram para recuperar o terreno perdido. Até agora, porém, essa reação não ocorreu. Dados do Banco Central (BC) mostram que as instituições privadas continuam cobrando mais caro pelos empréstimos do que as públicas, sobretudo nas operações de pessoas físicas.
No dia 23 de setembro, segundo o site do BC, o juro médio do crédito pessoal era de 4,39% ao mês no Itaú Unibanco, 5,09% no Bradesco e 3,52% no Santander Real, ante 2,43% no Banco do Brasil, 2,30% na Caixa Econômica Federal e 2,33% ao mês no Banco Nossa Caixa (comprado pelo BB em novembro do ano passado).
No capital de giro prefixado, uma das operações mais usadas por empresas, as taxas são mais próximas. No Itaú Unibanco, estava em 2,42% ao mês, no Bradesco, em 2,81%, no Santander Real, em 2,28%. O BB cobrava 1,74% ao mês, a CEF, 1,81% e a Nossa Caixa, 2,06%.
Além disso, a expansão do crédito nos bancos públicos se mantém em ritmo bem mais acelerado do que nos privados. De junho para julho (mês mais próximo em que há estatísticas disponíveis), o saldo de empréstimos nos privados avançou R$ 3 bilhões, de R$ 784,6 bilhões para R$ 787 bilhões. Nos públicos, o crescimento foi dez vezes maior, de R$ 493,4 bilhões para R$ 523,7 bilhões.
"Isso mostra que os bancos públicos continuam, gradualmente, aumentando sua participação de mercado no crédito", disse o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. "Ainda não vemos os bancos privados acelerando, mas a tendência é que eles voltem", afirmou o analista de bancos da Spinelli Corretora, Jayme Alves.
DEMANDA EM EXPANSÃO — Declarações dos presidentes dos dois maiores bancos privados do País na semana passada indicam que a mudança a que se refere Alves pode estar em curso. Quinta-feira, tanto Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, quanto Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, disseram que o crédito crescerá mais do que eles esperavam nos próximos meses.
Executivos das duas instituições ouvidos pelo Estado confirmam. O Itaú Unibanco, informa o diretor executivo de finanças, Silvio Carvalho, espera agora uma expansão do crédito entre 12% e 18% este ano, ante uma projeção anterior de 8% a 12%. No Bradesco, segundo o diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamentos, Nilton Pelegrino, a expectativa para os 12 meses entre julho deste ano e junho de 2010 é de um crescimento de 15%. Antes, o intervalo ia de 8% a 12%. (Leia mais no Estadão)

Mais bancários aderem à greve, diz sindicato

A greve nacional dos bancários encerrou esta sexta-feira, segundo dia de paralisação, com a adesão de mais de 3,5 mil agências e departamentos de bancos em todo o país, contra pouco mais de 2 mil no dia anterior. Segundo o comando nacional dos bancários, a Fenaban, entidade que reúne os representantes dos bancos, ainda não procurou os sindicalistas para retomar as negociações e encontrar uma solução para o impasse. No Rio, o sindicato informou que 17 mil empregados teriam cruzado os braços e 658 agências estariam fechadas.

- A ampliação da greve foi uma resposta à intransigência dos bancos - disse Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do movimento dos bancários.

A greve dos bancários poderá prejudicar o pagamento dos aposentados e pensionistas do INSS, que vai até o dia 3 de outubro. A alternativa é sacar o benefício nos terminais de autoatendimento ou nas lotéricas. A Previdência alerta, no entanto, para os segurados não entregarem o cartão ou informarem a senha a desconhecidos.

A Fenaban não quis comentar a paralisação. Entre as reivindicações da categoria (são mais de 450 mil bancários em todo o país) estão reajuste salarial de 10% (sendo 5% de aumento real), participação nos lucros e resultados (PLR) composta pelo pagamento de três salários, acrescidos de valor fixo de R$ 3.850, e pisos salariais entre R$ 1.432 e R$ 4.605,73. Os bancos oferecem reajuste de 4,5% e 5,5% de participação nos lucros.

O comando nacional marcou para este sábado uma reunião com representantes dos 32 maiores sindicatos e federações do país para avaliar e ampliar o movimento grevista a partir de segunda-feira. Em São Paulo, à tarde, mais de mil pessoas encerraram o segundo dia de greve com uma passeata na Avenida Paulista. Eles se concentraram em frente ao prédio do Real, adquirido pelo Grupo Santander. No local, está instalado o escritório de Fábio Barbosa, presidente do Santander e da Febraban.

Já o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes informou que cerca de dez mil trabalhadores aprovaram indicativo de greve nesta sexta-feira, em São Paulo. A greve ainda não tem data de início e só será deflagrada, segundo os sindicalistas, caso as empresas não apresentem proposta de aumento salarial satisfatória nem aceitem a redução da jornada para 40 horas semanais. (Leia mais em O Globo)

FGTS preocupa parlamentares e vira alvo de 276 projetos no Congresso

A baixa rentabilidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nos últimos anos, a ingerência do Executivo no Conselho Curador (regulador do fundo) e o uso dos recursos em quantidade cada vez maior em programas do governo são motivos de preocupação no Congresso Nacional. Levantamento feito pela Comissão Mista, a pedido do GLOBO, revela que existem 276 propostas em tramitação na casa neste momento. Deste total, 227 na Câmara dos Deputados e 49 no Senado Federal.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou um projeto que substitui a correção das contas vinculadas - atualmente feita via Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano - pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 3% ao ano. Garibaldi, no entanto, adiantou que deverá trocar o índice proposto por Jereissati pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) - mesmo referencial usado para os benefícios da Previdência Social, mais 20% do ganho real da taxa de juros básica da economia (Selic).

Outro projeto em análise é do senador Paulo Paim (PT-RS). Ele propõe alterar a composição do Conselho Curador de modo que o governo tenha o mesmo peso nas decisões que os trabalhadores. Hoje, o governo detém a metade dos votos e tem a palavra final em caso de empate.

Na semana passada, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou projeto que prevê a distribuição de 50% do patrimônio líquido do FGTS para os cotistas. A ideia é fazer uma analogia com as Sociedades Anônimas, que distribuem lucros e dividendos aos acionistas. (Leia mais em O Globo)

Desemprego neste ano deve cair para menor nível desde 2002, diz BC

O Banco Central (BC) prevê que a taxa de desemprego no país chegará em dezembro próximo a seu menor nível histórico, puxada sobretudo pela recuperação da indústria. De acordo com o diretor de Política Econômica da autoridade monetária, Mário Mesquita, essa taxa fechará o ano em 6,7%, abaixo dos 6,8% registrados um ano antes e atual recorde da série histórica, iniciada em 2002.

Segundo Mesquita, trata-se de um indicador de que a crise internacional perdeu força e o país está dando sinais consistentes de recuperação.

- Parece que, de fato, o pior da crise já passou para o país - comentou ele, ao anunciar a manutenção da projeção do BC para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, cuja variação real foi mantida em 0,8% sobre 2008.

Para Mesquita, o desemprego cairá porque a indústria está se recuperando e voltando a concentrar. O setor de serviços - começa a temporada de contratação para as festas de fim de ano - também tem um papel importante, ainda mais que, mesmo com a crise, continuou mostrando crescimento, apesar de menor.

O diretor melhorou, e muito, a expectativa anunciada em junho, que era uma taxa de desemprego de 7,6%.

Mesquita, que apresentou o relatório trimestral de inflação do BC, também deu recados ao mercado financeiro, sobretudo por causa das recentes elevações no mercado futuro de juros. Para ele, toda vez em que houve desconfiança de que o BC poderia "se descuidar do controle de preços", as apostas acabaram sempre originando resultados negativos. Ou seja, reforçou que a autoridade monetária não vai deixar de perseguir o cumprimento das metas de inflação, mesmo num ano eleitoral (2010) ou com uma eventual saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, que pode decidir concorrer a algum cargo político no próximo ano.

Mesquita também afirmou que a apreciação no mercado acionário decorre das melhores expectativas dos investidores sobre a economia brasileira que, se concretizadas, possibilitarão resultados mais positivos às empresas. Ele, no entanto, evitou comentar se o atual momento da bolsa - que acumula ganhos acima de 60% no ano - é uma bolha financeira ou não.

- As bolhas parecem óbvias depois que elas terminam - afirmou o diretor. (Leia mais em O Globo)