terça-feira, 18 de maio de 2010

Estão tungando há anos a remuneração do FGTS é hora de mobilizar e buscar nosso dinheiro de volta

Começa o debate para a recuperação da remuneração do FGTS

A principal discussão que se inicia amanhã, através da audiência pública promovida pela Câmara dos Deputados é a nosso ver a recuperação da remuneração do FGTS. Atualmente, a remuneração anual é de 3% mais TR, que ninguém sabe direito quanto vale. O que tem causado rombos sucessivos ao patrimônio dos trabalhadores. Só com os minis expurgos, ou seja, a não aplicação dos Índices de Atualização Monetária devido, nos últimos 16,5 anos, os trabalhadores brasileiros perderam mais de R$ 50 bilhões em relação ao INPC do IBGE. Se levarmos em conta os variados oportunismos de várias instâncias do governo federal e desencaminhamentos dos recursos do FGTS, a perda adicional dos trabalhadores consome outros R$ 67 bilhões. Vamos cerrar fileiras e apresentar nossos pontos de vista, nossa argumentação e nosso posicionamento pela recuperação da remuneração do FGTS. Dando continuidade a uma campanha que a UGT foi pioneira. (Ricardo Patah, presidente nacional da UGT)

Audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir futuro do FGTS

O deputado federal Roberto Santiago (PV-SP) e também vice-presidente da UGT, convocou para amanhã, dia 19, às 14h30, audiência pública com o seguinte tema: "Discussão das proposições que tramitam nesta Comissão sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS".

Foram convidadas as seguintes autoridades: Representante do Ministério da Fazenda; representante das Centrais Sindicais, entre elas a UGT; Maria Fernanda Ramos Coelho - Presidente da Caixa Econômica Federal; Armando de Queiroz Monteiro Neto - Presidente da Confederação Nacional da Indústria - CNI; Antônio José Domingues de Oliveira Santos - Presidente da Confederação Nacional do Comércio - CNC; Paulo Eduardo Cabral Furtado - Secretário Executivo do Conselho Curador -FGTS; e Paulo Safady Simão - Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC.

Criação de vagas formais bate recorde para meses de abril

No mês, foram abertos 305.068 postos com carteira assinada, o 2º maior de toda a série do Caged; em 2010, foram gerados 962.327 vagas, constituindo o melhor quadrimestre da história.

A criação líquida de postos de trabalho formais em abril totalizou 305.068, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 17, pelo Ministério do Trabalho. Esse resultado é o melhor para meses de abril e o segundo maior de toda a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) iniciada em 1992. O recorde é de junho de 2008, quando a geração líquida de empregos com carteira assinada foi 309.442.

Segundo o Ministério, no primeiro quadrimestre de 2010 foram gerados 962.327 postos de trabalho formais, constituindo o melhor quadrimestre de geração de empregos na história do País.

O número de contratações em abril foi de 1.660.075, enquanto as demissões no mês somaram 1.355.007. Ambos, os maiores resultados para o mês de abril.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estimou que a geração líquida de empregos no mês de maio ficará entre 240 mil e 280 mil novos postos de trabalho. Segundo ele, o resultados será menor que em abril por questões sazonais. Lupi informou que em apenas duas ocasiões - em 2004 e 2009 - o mês de maio teve um resultado maior que abril.

Além disso, segundo o ministro, no primeiro quadrimestre a geração de emprego foi forte porque, além do crescimento que já haveria este ano, houve uma recuperação dos postos de trabalho que foram fechados em 2009. Lupi reafirmou a sua estimativa de que 2010 serão gerados 2,5 milhões de novos postos de trabalho, descontadas as demissões. A previsão inicial do Ministério era de criação de 2 milhões de novas vagas. No dia 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho, Lupi divulgou a revisão para cima das estimativas.

O comércio e a construção civil bateram recorde de geração líquida de emprego formal no mês de abril, segundo os dados divulgados pelo ministério do Trabalho. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a abertura de 40.725 novas vagas no comércio e 38.418 novos postos de trabalho na construção civil.

No entanto, os setores que mais contribuíram para o resultado recorde de abril foram serviços (96.583) e indústria de transformação (83.059). O setor agrícola apresentou uma geração líquida de 38.951 empregos com carteira assinada. O desempenho da agricultura foi puxado pelo cultivo da cana-de-açúcar na região Sudeste. (Estado)

Comércio e construção batem recorde na criação de vaga

O comércio e a construção civil bateram recorde na geração líquida de emprego formal no mês de abril, segundo os dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a abertura de 40.725 novas vagas no comércio e 38.418 novos postos de trabalho na construção civil.

No entanto, os setores que mais contribuíram para o resultado recorde de abril foram serviços (96.583) e indústria de transformação (83.059). O setor agrícola apresentou uma geração líquida de 38.951 empregos com carteira assinada. O desempenho da agricultura foi puxado pelo cultivo da cana-de-açúcar na região Sudeste. (Estado)

Economia brasileira deve crescer 6% este ano avalia Standard & Poor's

Crescimento deve ser capitaniado pelo forte mercado doméstico e pela boa condução de políticas por parte do governo, diz Regina Nunes, presidente da agência no Brasil.

A economia brasileira deve crescer 6% este ano e 4,7% no ano que vem, segundo a avaliação da presidente da Standard & Poor's Brasil, Regina Nunes. Segundo a executiva, o crescimento deve ser capitaniado pelo forte mercado doméstico e pela boa condução de políticas por parte do governo. "O Brasil é administrado com políticas fiscal e monetária extremamente pragmáticas e com efeitos benéficos para o país no curto, no médio e longo prazo", disse.

Na avaliação de Regina, a economia brasileira tem fundamentos para não se deixar contaminar pelo cenário turbulento na Europa, afetado pela atual crise econômica na Grécia. Na análise da executiva, a única maneira de a economia brasileira ser realmente contaminada pela crise europeia seria o advento de uma crise financeira global, originada do atual ambiente de turbulência na zona do euro. "O que atualmente ainda não aconteceu." Ela lembra que, no momento, o rating do Brasil é BBB menos, o que indica estabilidade.

A executiva também elogiou o corte de R$ 10 bilhões anunciado na semana passada no Orçamento de 2010. "Quando você coloca a política monetária e fiscal para andarem juntas, isso é sempre um excelente sinal". Disse. No entanto, Regina fez algumas ressalvas quanto as perspectivas de longo prazo na economia brasileira. Ela considerou que ainda existem algumas restrições para um crescimento econômico sustentável, como a dívida líquida do governo e carga de juros elevada; inflexibilidade orçamentária frente ao aumento no volume de gastos ativos e barreiras estruturais, que diminuem o investimento e o crescimento em comparação com outras economias emergentes.

Sobre o cenário político e a condução do novo governo a partir de 2011, a executiva defendeu uma atenção maior para a microeconomia e uma diminuição na condução de políticas anticíclicas para estimular a economia brasileira. Ela participou do seminário 40 anos da Apimec. (Estado)

Crescem as dívidas acima de R$ 5.000

Aumento do número de brasileiros nessa situação foi de 40% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado. Como a capacidade de pagamento também subiu, o comprometimento de salário ficou no mesmo patamar de 2008 e 2009.
A retomada do crédito no período pós-crise elevou em 40% o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5.000.
Números do Banco Central mostram que o total de consumidores com empréstimo acima desse valor chegou a 25,7 milhões em fevereiro.
Isso significa que cerca de 20% dos brasileiros com mais de 16 anos têm dívidas que equivalem a, pelo menos, quatro vezes a renda média nacional mensal.
Apesar desse aumento no endividamento, os dados do BC também mostram que cresceu a capacidade de pagamento.
O gasto com dívidas compromete hoje 22% do salário do trabalhador brasileiro, uma melhora em relação a 2008 (22,4%) e 2009 (23,7%).
Nesse caso, o BC considera as prestações que estão vencendo e devem ser pagas, e não o estoque total das dívidas.
Ou seja, o brasileiro deve mais, mas o crescimento da sua renda foi maior e ele ganhou mais prazo. Por isso, continua comprometendo praticamente a mesma parcela do salário.
Nos 12 meses encerrados em janeiro deste ano, por exemplo, a massa de salários cresceu 10%, enquanto o pagamento de dívidas (juros e principal) teve uma expansão de 3,4%.
O aumento no total das dívidas é visto pelo Banco Central como "contínuo, porém equilibrado", por estar amparado na expansão do crédito e não na queda da renda.
Além disso, o número de pessoas com dívidas acima de R$ 5.000 cresceu mais do que o valor total desses empréstimos, o que significa diluição do risco.
Alta — De acordo com o último levantamento do SCR (Sistema de Informações de Crédito do BC), houve alta de 17% nessas dívidas, que somavam cerca de R$ 640 bilhões em fevereiro.
Como o número de devedores cresceu mais, o valor médio devido individualmente caiu 15% em relação ao registrado um ano antes, para R$ 25 mil (preço de um carro popular).
Esse comportamento pode ser explicado pela queda nas taxas de juros nos últimos anos e pela formalização do mercado de trabalho.
Houve também um alongamento no prazo dos financiamentos, que passaram de uma média de 180 dias para cerca de 300 dias desde 2003.
As dívidas que mais cresceram nos últimos anos estão relacionadas a empréstimos na faixa entre R$ 50 mil e R$ 500 mil, devido ao aumento no crédito para compra de veículos e imóveis, duas modalidades que possuem prazos mais largos.
Para o economista Aquiles Rocha de Farias, professor do Ibmec-DF, ainda há espaço para ampliação do crédito no país, já que o nível de endividamentos das famílias é menor do que em outras economias emergentes e desenvolvidas.
Ele avalia, no entanto, que é preciso ficar atento aos efeitos colaterais desse crescimento.
"O aumento das dívidas preocupa, pois pode gerar mais inadimplência e as pessoas precisam fazer uma gestão melhor da sua renda. Mas o nosso nível de endividamento ainda é confortável quando se compara com outros países", afirmou. (Folha)

Balança comercial tem superávit de US952 milhões na segunda semana do mês

A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 952 milhões na segunda semana de maio, resultado de exportações de 4,363 bilhões de dólares e importações de 3,411 bilhões de dólares.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior acrescentou nesta segunda-feira que considerando a média por dia útil, o superávit foi de US$ 190,4 milhões, alta de 12% sobre maio do ano passado.

A média por dia útil das exportações foi de US$ 872,6 milhões no período de 10 a 16 de maio e a das importações foi de US$ 682,2 milhões. (O Globo)

No mês, a balança acumula superávit de US$ 1,469 bilhão e, no ano, tem saldo positivo de US$ 3,644 bilhões. As vendas externas no ano somam US$ 62,756 bilhões e as importações totalizam US$ 59,112 bilhões.

O mercado estima, segundo o relatório Focus do Banco Central, superávit de 13,75 bilhões de dólares para o ano.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desaquecer economia com cortes violentos nos gastos públicos, sem renegociar dívida pública, pode afetar empregabilidade

Para os trabalhadores, desaquecer economia é risco de desemprego

Está no ar, pós aumento vergonhso dos juros através da elevação da taxa Selic para 9,5%, os “esforços” do governo para resfriar a economia através de cortes nos gastos públicos. A UGT está atenta à discussão pois queremos evitar que o corte em gastos públicos, como uma rubrica geral, afete os investimentos geradores de ocupação, como é o caso de gastos com infra-estrutura, investimentos em Educação, moradia, hospitais etc. Porque o foco central do debcate deveria ser o equcionamento da dívida pública, estimada em R$ 2,2 trihões ou 64% do PIB. Dívida que realimentada pelos juros astronómicos financia os especuladores e banqueiros do país. Desacelerar a economia através de cortes sem cuidar, primeiro da dívida pública, é correr o risco de proteger os especuladores e abafar o crescimento económico que apenas os trabalhadores e os empresários que realmente investem na economia produtiva podem gerar. (Ricardo Patah, presidente nacional da UGT)

Corte de gastos pelo governo precisaria ser de R$ 30 bi para frear demanda

O governo teria que cortar os gastos públicos bem mais do que os R$ 10 bilhões anunciados na última quinta-feira para conter a demanda na economia . De acordo com especialistas, o ritmo acelerado da atividade econômica, que gera pressões inflacionárias, só poderia ser contido com uma freada brusca nas despesas públicas. Ao consumir menos, o governo retira dinheiro da economia, esfriando a demanda e desestimulando a alta de preços.

" Já temos quase metade do ano em despesas executadas, portanto, a margem é ainda menor "

Segundo o economista da Tendências Felipe Salto, o contingenciamento adicional deveria ter sido de, no mínimo, R$ 30 bilhões para ser eficaz. Ele explicou que, apesar de o governo já ter cortado R$ 21,8 bilhões no início do ano, a medida veio acompanhada de uma redução da arrecadação prevista para o período. Ou seja, a queda nas receitas acabou anulando o efeito do corte. Agora que a arrecadação está subindo, seria o momento de fazer um aperto maior.

Como o Orçamento é muito engessado, os técnicos têm dificuldade para saber de onde vão tirar os R$ 10 bilhões. O que se imagina até agora dentro do governo é que ministérios como o da Defesa têm mais margem para corte.

- No ano passado, as despesas públicas somaram R$ 571 bilhões. Desse total, apenas R$ 19 bilhões eram passíveis de cortes, pois respondiam por investimentos não prioritários (fora do PAC) e custeio da máquina. Já temos quase metade do ano em despesas executadas, portanto, a margem é ainda menor - disse o economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, afirmando que a opção é cortar o PAC.

Decreto com os cortes deve sair até o fim do mês — Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, a crise europeia, no entanto, tende a obrigar o governo a ir mais devagar com os juros, o que significa que a trajetória de queda depois pode ser menos intensa e mais longa, complicando a situação para 2011.

- Com o crescimento projetado para até 7,5% este ano, a economia já começaria 2011 aquecida, com crescimento de, no mínimo, 5%, o que exigiria juros mais altos. Isso deve respingar na necessidade de se fazer um superávit adicional para pagar a conta dos juros.

O decreto detalhando os cortes deverá sair até o fim do mês. Na segunda-feira, haverá reunião no Ministério do Planejamento para tratar do assunto. (O Globo)

Renda de trabalhadores qualificados tem queda de até 12,76%, revela estudo do Ipea

Enquanto a renda média do trabalho no país subiu 7,59%, de R$ 926,14 para R$ 996,45, descontada a inflação, entre 2002 e 2008, os trabalhadores com mais de nove anos de estudo tiveram queda nos seus rendimentos nesse período.

Segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre nove e 11 anos de escolaridade, houve uma redução de 5,09% e acima de 11 anos, de 12,76%. Por escolaridade, nota-se que o crescimento da renda foi decrescente, disse o autor da pesquisa, Sandro de Carvalho.

A renda auferida pelos trabalhadores com apenas quatro anos de estudo foi de 12,39%, quase o dobro da renda média nacional. Entre cinco e oito anos, o ganho no período foi 7,82%. O corte por idade mostra que os maiores aumentos estão nas faixas etárias de até 24 anos e com mais de 55 anos, que foi de 15,24% e 26,88%, respectivamente.

A renda média do trabalho no Brasil cresceu 17,1% entre 2004 e 2008. Após atingir um valor mínimo de R$ 850, em 2004, o rendimento médio recebido no mercado de trabalho cresceu para aproximadamente R$ 1.000. Os rendimentos, no entanto, não apresentaram uma trajetória homogênea para todos os ocupados. De modo geral, trabalhadores com menores salários apresentaram um crescimento acima da média e os mais qualificados tiveram queda da renda.

O texto destaca a importância dos aumentos do salário mínimo sobre os ganhos salariais da faixa mais pobre da população. Somado à queda na renda dos trabalhadores de maior poder aquisitivo, o fenômeno também ajudou a diminuir a desigualdade no país.

Diante da constatação, o Ipea sugere estudos mais aprofundados sobre oferta e demanda de mão-de-obra no país, para conhecer as reais causas para a queda nos rendimentos dos trabalhadores mais estudados. O Instituto alega que, de 2004 para cá, esta situação está se revertendo, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas. Entre nove e onze anos de estudo, houve alta de 8,09% na renda e acima de 11 anos, de apenas 1,67%.

O estudo do Ipea mostra ainda que negros e mulheres tiveram maior aumento de renda, na comparação com brancos e homens. (O Globo)

Feirão da Caixa movimenta R$ 1,8 bi em São Paulo

Valor supera as contratações dos anos anteriores e representa um aumento de 24,1% se comparado com o resultado alcançado em 2009

O 6º Feirão da Casa Própria em São Paulo movimentou em quatro dias R$ 1,8 bilhão entre contratos assinados no local e os já negociados, incluindo a movimentação das empresas parceiras (construtoras e imobiliárias). De acordo com a Caixa Econômica Federal, promotora do evento, esse valor supera as contratações dos anos anteriores e representa um aumento de 24,1% se comparado com o resultado alcançado em 2009, quando foi registrado R$ 1,5 bilhão.

De acordo com Valter Nunes, superintendente regional da Caixa, a oferta de imóveis foi um dos fatores que proporcionou o alto volume de negócios. "Com mais ofertas de imóveis adequados ao perfil do público que frequentou o Feirão, inclusive com mais de 35 mil moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida, alcançamos resultados mais expressivos do que no ano passado. Mesmo com um número menor de visitantes, conseguimos aumentar o volume de negócios. Isso demonstra também o quanto a estrutura do evento foi aprimorada", afirmou.

No Feirão que terminou hoje, foram oferecidas 151.845 unidades residenciais na região metropolitana de São Paulo, sendo 51.423 novas ou em construção (35.919 imóveis enquadrados no Programa Minha Casa, Minha Vida e 100.422 usados).

O Feirão de São Paulo teve a participação de 122 construtoras e 101 imobiliárias, além de parceiros institucionais como a prefeitura, cartórios e o Creci.

No próximo fim de semana, o Feirão estará em outras sete cidades: Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Uberlândia, Campinas, Florianópolis e Porto. E de 11 a 13 de junho, Belo Horizonte terá o último Feirão da Casa Própria deste ano. (Estado)

Fórum Nacional vai debater o Brasil pós-crise

A 22.ª edição do Fórum Nacional, organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, começa na segunda-feira, no Rio, com discussões sobre temas sociais, políticos e econômicos. Entre os assuntos em debate, estão estratégias para o fortalecimento econômico brasileiro na fase pós-crise, a integração das favelas às cidades, consolidação das instituições políticas e a introdução do carro elétrico no País.

Para a abertura do encontro, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são esperados o presidente da República em exercício, José Alencar, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, e os ministros Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Alexandre Padilha, de Relações Institucionais. O evento vai se estender até quinta-feira, 20 de maio.

Segundo Reis Velloso, esta edição do fórum tem um perfil diferente das anteriores, pois dedicará mais espaço às questões sociais. "Em geral, o fórum tem discutido favelas do ponto de vista de segurança. Mas existe o outro lado, que é a integração social das favelas, uma vez que elas são parte das cidades", diz o ex-ministro. No fórum, líderes de nove comunidades do Rio entregarão um projeto de integração social ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. (Estado)

Previdência e demografia criam "bomba relógio" no país

Em novo livro, economista defende reforma para que envelhecimento da população não torne insustentáveis as contas públicas no futuro.
O economista Fabio Giambiagi é um incansável defensor de mudanças nas regras da Previdência Social no Brasil. Seu mais novo livro, "Demografia - A Ameaça Invisível", escrito em parceria com Paulo Tafner, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), joga luz sobre o envelhecimento da população no Brasil e os desafios que isso impõe à sustentabilidade das contas públicas. A obra defende, entre outras coisas, que benefícios assistenciais sejam diferenciados dos previdenciários e que o salário mínimo deixe de indexar os pagamentos da Previdência -mudanças impopulares e que requerem alterações constitucionais. Giambiagi, ex-professor da UFRJ e da PUC-Rio, ex-membro do Ipea e hoje chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, é autor de mais de dez livros sobre economia. Leia entrevista à Folha.

FOLHA - "Demografia - A Ameaça Invisível" pressupõe a existência de uma bomba demográfica que vai estourar, deixando a conta para as futuras gerações. Qual o risco?
FÁBIO GIAMBIAGI
- A essência do problema é essa progressiva mudança demográfica. No ano 2000, o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 14 milhões de pessoas, enquanto o número de jovens, entre zero e 14 anos, era de 51 milhões. O perfil apontado pelo IBGE para 2050 é que a população jovem irá diminuir em termos absolutos de 51 para 28 milhões de pessoas. Já a população idosa de 60 anos ou mais vai aumentar de 14 para 64 milhões. Em 2050 teremos mais de três vezes o número de idosos, em termos absolutos, por população economicamente ativa do que hoje. Esse é o desafio. E é uma característica universal. O envelhecimento demográfico é algo que se repete em todos os países. No caso brasileiro ele é, de certa forma, mais acentuado, pois os outros países já estão no meio desse processo, ao passo que, no Brasil, ele está apenas se iniciando.

FOLHA - Mesmo assim, parece não haver um reconhecimento do problema, que exigiria reforma no sistema previdenciário. Qual a razão dessa inação?
GIAMBIAGI
- Há um paralelo natural que se pode estabelecer entre a questão demográfica e a questão ambiental. Em ambos os casos, lidamos com um fenômeno de longo prazo, em que o país e o mundo são praticamente os mesmos de um dia para o outro. Mas são dramaticamente diferentes quando se coloca a questão em uma perspectiva de 50 anos. O segundo paralelo é que os custos de se dar uma guinada no leme, de mudar o rumo do país, são de curto prazo e muito evidentes. Ao passo que os benefícios são de longo prazo e, em geral, pouco palpáveis. Mas o custo da inação hoje vai aparecer lá na frente. Há uma frase do Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA) no documentário "Uma Verdade Inconveniente (sobre o aquecimento global)": "Um dia nossos filhos olharão para nós e dirão: "Mas onde é que vocês estavam quando isso estava acontecendo? Será que ninguém percebeu o que estava ocorrendo bem na frente de todos?" Isso vale para a questão ambiental e para a demográfica.

FOLHA - Os grandes números de um país, e isso também vale para a Previdência, são calculados como proporção de seu PIB (Produto Interno Bruto). Se o Brasil crescer mais rapidamente daqui em diante, esses problemas não estarão atenuados?
GIAMBIAGI
- O crescimento atenua tudo, obviamente. Se o país crescer 2,5% como crescemos durante duas décadas no passado, vai ser muito difícil equacionar o problema demográfico. Por outro lado, se o crescimento for de 5% ao ano, será, evidentemente, mais fácil. Mas não há garantias de que o país estará em condições de crescer 5% ao ano nos próximos 30 anos. A resposta a isso vamos saber daqui a 30 anos. A questão é que, com uma reforma na Previdência, haveria maiores condições de termos mais espaço no gasto público para um aumento do investimento estatal, que é um ingrediente fundamental para alavancar o crescimento futuro. Mas, se a população idosa crescer 4% ao ano, que é a estimativa para os próximos 15, 20 anos, e a economia crescer também 4% ao ano, ficam elas por elas. E o tamanho da conta vai ser similar ao atual. Se a economia crescer menos, como o número de idosos vai crescer em torno de 4%, a conta vai aumentar. Hoje, na verdade, há toda uma tendência de que a economia cresça mais de 4%. Mas estamos longe de ter segurança de que esse cenário será mantido por 20 ou 30 anos, especialmente em um contexto em que vamos mudar a composição da população economicamente ativa.

FOLHA - O sr. já escreveu outras obras sobre esse tema e publica textos em vários jornais. Mas parece que ninguém lhe dá ouvidos...
GIAMBIAGI
- Já tenho 18 anos, com alguma intermitência, de participação nos debates ligados ao tema. Nos debates por aí, as pessoas entendem a natureza da questão. Podem não gostar do assunto, mas, em geral, concluem que há uma questão a ser enfrentada.
O maior elogio que eu já recebi foi, curiosamente, de um sindicalista da CUT. Depois de apresentar essas ideias, no Fórum da Previdência em 2007, um representante da CUT comentou, a respeito do que deveria ser feito para equacionar o problema: "Estou impressionado com a crueldade do professor Giambiagi. Mas o que me deixou mais preocupado é que ele foi convincente". Pensei: "Consegui o que queria". (Folha)