sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Emprego, confirma pesquisa, é que garante saída da miséria com distribuição de renda

Redução da miséria ocorre via mercado de trabalho, mostra estudo

O governo não precisa desenvolver "portas de saída" para as famílias que são auxiliadas pelas políticas sociais, como o Bolsa Família, porque elas já existem. A redução da miséria tem ocorrido principalmente devido ao ingresso dessas pessoas no mercado de trabalho, que, ainda que informal, tem registrado um peso maior no aumento dos rendimentos das famílias do que as transferência de recursos públicos. Esse é o cerne do primeiro estudo, que será divulgado hoje no portal do programa Brasil Sem Miséria.

O documento, produzido por três pesquisadores da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), liderados pelo subsecretário Ricardo Paes de Barros, um dos maiores especialistas em política social do país, avalia que o passo a ser dado pelo governo, via Brasil Sem Miséria, é o de gestor de uma "grande parceria público-privada" para fortalecer as portas de saída. No estudo, feito em conjunto com as pesquisadoras Rosane Mendonça e Raquel Tsukada, Paes de Barros usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e verifica que a renda per capita dos 20% mais pobres cresceu 63%, em termos reais, entre 2003 e 2009, atingindo R$ 100 por mês.

Enquanto a renda per capita não derivada do trabalho - notadamente puxada por programas sociais, como o Bolsa Família - dobrou, passando de R$ 25 por mês para R$ 49 por mês, os rendimentos do trabalho aumentaram 40% em igual período, atingindo R$ 123 por mês em 2009. O trabalho, que representa 71% do total obtido pelos 20% mais pobres, foi a principal porta de saída da política social do governo, avaliam.

"O Bolsa Família explica só uma parte menor da saída das pessoas da pobreza. Foi extremamente relevante, porque significou aquele dinheirinho que o cara usou para comprar um sapato e para ir na entrevista de emprego. Mas não foi a transferência de renda que tirou as pessoas da pobreza, foi o trabalho", diz Paes de Barros.

Doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), Paes de Barros foi um dos principais integrantes do grupo que formulou e implementou o Bolsa Família, lançado em outubro de 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, que hoje atende quase 13 milhões de famílias, foi alvo de críticas, nos primeiros anos, por não "fornecer" uma porta de saída ao beneficiário, que apenas receberia os recursos do governo. Outra crítica frequente ao Bolsa Família - de que o programa apenas agrupava uma série de iniciativas já existentes - foi repetida ao Brasil Sem Miséria, lançado pela presidente Dilma Rousseff em maio.

"Quem paga imposto e está preocupado com o Brasil estar tocando uma política social que gera dependência do beneficiado, fique sabendo que nós tivemos um enorme sucesso em criar portas de saídas", afirma Paes de Barros. "O Brasil Sem Miséria é mesmo uma coordenação de iniciativas dispersas já existentes, tal qual o Bolsa Família, que foi o sucesso que foi justamente porque o governo aprendeu que a política social ganha eficiência com maior articulação de medidas", diz.

Para ele, o Brasil Sem Miséria será uma "grande parceria público-privada", que criará portas de saída mediante obras públicas, tocadas por empresas privadas vencedoras de licitações do Estado, ou via qualificação dos trabalhadores para ingressarem, por sua conta, nas vagas criadas espontaneamente pelo setor privado, aproveitando o crescimento econômico. Em casos mais específicos, avalia, onde não há perspectiva de lucro para o setor privado e demanda social por emprego, o setor público pode "se antecipar e construir uma microatividade produtiva, que atrai o pobre".

De acordo com Paes de Barros, o número de pessoas que está abaixo da linha da pobreza extrema (definida em R$ 70 per capita por mês, pelo Banco Mundial) está próxima a 6% neste ano, podendo atingir algo como 5,5% no fim do ano - o número oficial mais atualizado, de 2009, é de 8,4%. Em 1993, auge da hiperinflação no país, esse número era de 22,9%. (Valor)

Brasil sofrerá pouco com crise externa
Para economistas, país crescerá menos, mas cenário é menos grave do que em 2008.
A piora do cenário econômico na Europa e nos Estados Unidos vai mexer com a economia brasileira, mas não na mesma magnitude que a crise financeira de 2008. Essa é a percepção da maioria dos economistas ouvidos pela Folha.
Alguns já começaram a rever projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Se alguns meses atrás as previsões ficavam em torno de 4,5%, eles esperam agora crescimento abaixo de 4% para este e o próximo ano.
Uma recessão como a de 2009, no entanto, é considerada improvável.
"Essa crise não deve ter a gravidade de 2008. O impacto aqui tende a ser relativamente pequeno", afirma Maílson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências.
Nóbrega aponta o aumento de cerca de 13% do salário mínimo no ano que vem como um dos fatores que manterão a economia aquecida.
A necessidade de investimentos para a exploração do pré-sal e para a realização da Copa (2014) e da Olimpíada (2016) também devem limitar o impacto da crise no país.
"Não consigo ver o forte ciclo atual de investimentos no Brasil ser afetado substantivamente. Se a coisa [lá fora] for um pouco mais feia, eles vão crescer menos, mas seguirão se destacando num mundo onde há uma penúria de oportunidades", avalia o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.
Para os especialistas, o crescimento menor dos países ricos não causará grandes estragos no mercado de trabalho brasileiro e nos setores de comércio e serviços. Isso porque, dizem, o consumo deve se manter aquecido.
As exportações de commodities (insumos básicos) também não devem ser muito afetadas, pois não é esperado um grande recuo de preços.
Na opinião do economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otavio Leal, o setor que será mais afetado é a já enfraquecida indústria.
Como os juros ficarão muito baixos nos EUA e na Europa para estimular essas economias, investidores continuarão trazendo recursos para o Brasil, em busca de rentabilidade. Isso manterá o dólar fraco, projetam.
Com o real valorizado e a demanda externa por manufaturados ainda mais fraca, a indústria continuará com dificuldades para exportar e competir com os importados.
Na avaliação do Itaú, a repetição de uma crise como a de 2008 é improvável, mas seu risco aumentou nos últimos dias. O banco estima que se isso acontecer o Brasil para de crescer até 2012.
Nesse caso, o Itaú considera que o governo deve reagir de forma diferente do que em 2008. Ao invés de aumentar os gastos públicos, deve aproveitar a "oportunidade" para reduzir mais os juros e trazer a taxa para perto de patamares internacionais. (Folha)

Lucro da Caixa sobe 36% no 1º semestre
Banco já concedeu R$ 45 bilhões em crédito habitacional até agosto; previsão é de alta de 20% até o fim do ano. Instituição começa a analisar opções para o financiamento de imóveis além de recursos da poupança.
Graças à combinação de menor inadimplência e expansão da carteira de crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal registrou lucro de R$ 2,3 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 36% na comparação com igual período de 2010.
A carteira total de empréstimos alcançou R$ 205,8 bilhões, com alta de 38%, bem superior aos 21% obtidos por Itaú Unibanco e Bradesco.
Somente o crédito habitacional aumentou 48,8% na comparação com o mesmo semestre do ano passado.
A Caixa é detentora de quase 75% da carteira de crédito imobiliário do país, com saldo de R$ 129,3 bilhões.
Até agosto, o banco já concedeu R$ 45 bilhões em empréstimos e prevê fechar o ano com R$ 90 bilhões.
O número foi revisto para cima por causa do aquecimento do mercado e representa um aumento de 20% em relação a 2010.
O contínuo crescimento das operações imobiliárias levou a Caixa a considerar alternativas à poupança, tradicional fonte de recursos para a habitação.
"Uma das opções é um maior mix de LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e poupança. Se não conseguirmos, os juros vão aumentar", afirmou Jorge Hereda, presidente da Caixa Econômica.
De acordo com o vice-presidente de finanças da CEF, Márcio Percival, porém, a situação está equacionada até o fim de 2012. "O aumento de juros dos financiamentos de imóveis da Caixa vai depender da mudança de estrutura de captação de recursos, que deve ocorrer em 2013", disse.
Dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) apontam que a participação da poupança cresceu para 45% do crédito imobiliário, ante 40% em 2010, para R$ 37 bilhões.
PAPEL NA CRISE -- Segundo Hereda, a Caixa está preparada para aumentar a concessão de crédito. "Temos discutido essa possibilidade e vamos cumprir nosso papel de banco público", disse.
Durante a crise de 2008, a Caixa e o Banco do Brasil continuaram com o crédito em expansão para estimular a economia. A providência foi adotada a pedido do governo.
Na avaliação de Hereda, as instituições bancárias privadas erraram ao pisar no freio.
"Aproveitamos para aumentar nossa participação no nicho comercial", afirmou o presidente da Caixa. (Folha)

''Governo não pretende ampliar aperto fiscal''

Ministra diz que corte de R$ 50 bilhões será feito, mas afirmou que PAC e Minha Casa, Minha Vida vão ser mantidos
O governo federal não pretende aumentar o aperto fiscal em 2012, quando ocorrem as eleições municipais. Em entrevista ao Estado, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o objetivo é manter no próximo ano a estratégia fiscal traçada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que foi aprovada no mês passado pelo Congresso. A orientação é cumprir neste e no próximo ano a meta fiscal "cheia", ou seja, sem descontar das despesas os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A ministra confirma que o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano será seguido à risca, mas insiste que programas como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida serão preservados.

A crise exige alguma mudança na execução do Orçamento neste ano?

O Brasil saiu na frente e anunciou o corte de R$ 50 bilhões, tomamos a decisão antes, enquanto outros países estão fazendo ajuste fiscal só agora. Trabalhamos com esse corte no quadro atual, vamos avaliando a cada momento. Mas a conta dos R$ 50 bilhões leva em consideração um corte permanente das despesas.

O que o governo pretende fazer com o ganho extra de arrecadação de 2011?

Na verdade, tem um excesso em relação ao ano passado, mas está em linha com o que estava esperado para este ano. É só um pouquinho além do que precisamos. O corte de R$ 50 bilhões foi feito levando em conta isso.

O governo vai comprometer investimentos em nome da austeridade fiscal?

Vamos preservar os investimentos no PAC, no programa Minha Casa, Minha Vida e os investimentos da área social. Esses programas são vitais para a nossa economia e vão sustentar o crescimento do País, como fizeram em 2008 e 2009.

Qual o tom que o governo vai adotar na negociação salarial com servidores?

Estamos em um momento que exige atenção, fizemos o dever de casa (de aumento real) nos oito anos de governo do presidente Lula. Algumas carreiras têm situação específica e vamos avaliar. A situação hoje está bastante diferente e o salário de muitas carreiras teve recuperação real e hoje se encontra em outro patamar. Já apresentei isso a eles há alguns meses.

Os sindicatos podem radicalizar com greves. O governo está preparado?

Sempre estivemos presentes nos movimentos sociais e entendo que os sindicatos têm que ter independência para se pautar a relação com o governo.

Haverá desconto de investimentos do PAC para atingir o superávit primário?

Em primeiro lugar, fizemos superávit cheio em todos os anos, menos em 2009, mesmo assim por um "trisquinho". O nosso horizonte é sempre de fazer superávit cheio, estamos bem neste ano, antecipamos boa parte do esforço e alcançaremos a meta.

O governo pretende fazer esforço fiscal maior, elevar o superávit ou perseguir uma meta de economia para pagamento de juros da dívida em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem?

Vamos manter o que está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias. No caso do superávit primário será um valor específico e não porcentual do PIB. (Estado)

Walmart pode comprar Carrefour, diz 'WSJ'
Rede americana contrata banco para fazer proposta pela operação brasileira da francesa, de acordo com o jornal. Oferta aconteceria pouco tempo depois de fracasso da tentativa de o Pão de Açúcar se unir ao Carrefour.

O Walmart avalia a possibilidade de fazer uma oferta para comprar a operação brasileira do Carrefour, informou o jornal "Wall Street Journal".
Essa seria a segunda tentativa da gigante norte-americana, que há dois anos fez uma oferta pela operação brasileira do Carrefour. Na época, a negociação não foi adiante por diferenças sobre valores.
O jornal americano cita fontes não identificadas e afirma que o Walmart contratou recentemente o UBS para avaliar a possibilidade de fazer uma oferta pela varejista francesa.
O Walmart, de acordo com a publicação, ainda não iniciou negociações com o Carrefour, mas está "seriamente" interessado.
A operação brasileira do Carrefour estaria avaliada entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões.
Procurados, o Walmart e o Carrefour não quiseram comentar. "Como prevê a política interna, a empresa não comenta especulações ou rumores sobre aquisições", disse o Walmart.
O interesse do Walmart ressurge pouco após o colapso da tentativa do Pão de Açúcar de se unir ao Carrefour.
O negócio, que chegou a ser aprovado pelo conselho do Carrefour, enfrentou forte oposição do sócio do Pão de Açúcar, o francês Casino.
Com a repercussão negativa do Casino, o BNDES, que iria financiar a operação, acabou desistindo da operação.
ERRO -- Nesta semana, o presidente do conselho do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, comentou, no microblog Twitter, que sua proposta para o Carrefour era "tão boa" que o Walmart decidiu copiá-la.
Diniz comentou ainda que seu grande erro foi ter incluído o BNDES: "O negócio poderia ter sido feito com fundos privados, e não necessariamente com o BNDES".
Pela proposta de Diniz, o Carrefour permaneceria no negócio, com 50% da operação. Já o interesse do Walmart é adquirir 100% da operação da varejista francesa, que soma mais de 500 lojas, entre supermercados, hipermercados, atacadistas e lojas de conveniência.
A aquisição é vista pelo Walmart, maior rede varejista do mundo, como uma forma de conquistar a liderança no mercado brasileiro.
GIGANTE -- Eventual união entre as duas companhias criaria um gigante com mais de R$ 51 bilhões de receita.
O Walmart exibiu um faturamento de US$ 419 bilhões no ano passado, sendo que 25% disso foi gerado fora dos Estados Unidos.
No Brasil, foram R$ 22,3 bilhões. A rede americana está atrás do Carrefour, que registrou vendas de R$ 29 bilhões em 2010. O grupo Pão de Açúcar lidera, com R$ 36,1 bilhões, receita que inclui as vendas de eletroeletrônicos. (Folha)

Senado aprova projeto que anistia bombeiro e policial
O Senado aprovou ontem projeto que anistia bombeiros e policiais do Rio e de outros 12 Estados e do DF que participaram de movimentos por melhorias de salários e condições de trabalho.
Além do Rio, serão beneficiados policiais e bombeiros de Alagoas, Minas, Rondônia e Sergipe que participaram dos movimentos desde 1997.
Para Bahia, Ceará, Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina, Tocantins e Distrito Federal, a anistia vale de janeiro de 2010 para cá. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado na Câmara. (Folha)

Desembolso de consumidores com juro já supera R$ 85 bilhões em 2011

Nesse contexto, já tem muita gente apertando o cinto e 'trocando Coca-Cola por Tubaína'.

Com renda de R$ 7 mil e gastos perto dos R$ 10 mil mensais, a analista de administração de pessoal V.F.R., 30 anos, e seu marido usam frequentemente o limite do cartão de crédito. Dos habituais R$ 2,3 mil que faltam no orçamento todo mês, a analista estima que, em agosto, faltarão R$ 3 mil, valor necessário ao pagamento das parcelas de automóvel e moto mais os juros acumulados no cartão. 'Estou trocando a Cola-Cola pela Tubaína', brinca. O dinheiro gasto na reforma de sua cozinha, em junho, e a aquisição de novos móveis, aliados aos juros bancários, só pioraram a situação, conta V.F.R., que pretende economizar em gastos gerais, como refeição fora de casa, e nos produtos comprados para o lar.

Os altos juros que complicam a situação financeira da analista são também a realidade de muitos brasileiros que dependem do crédito para fechar as contas do mês. Somente no primeiro semestre, o pagamento de juros corroeu em R$ 85,2 bilhões o poder de consumo das famílias, um aumento de 75,6% ante o que foi desembolsado pelas pessoas físicas em igual período de 2010 (R$ 48,5 bilhões). Segundo cálculos da Fecomércio, esse total representa uma fatia de 65,9% do total gasto pelas famílias com juro em 2010 (R$ 129,3 bilhões). A conta é feita considerando o estoque de crédito e o juro médio cobrado nos seis primeiros meses do ano, sem a inadimplência.

De janeiro a junho, o juro médio para pessoa física passou de 40,6% para 45,4% ao ano, aumento que resultou sozinho em R$ 7,8 bilhões adicionais em pagamento de juros. Visto de outra forma, o gasto é de R$ 1,3 bilhão a mais por mês, valor superior ao total das transferências sociais em todo o ano de 2009, como as do programa 'Bolsa Família', segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE.

No caso das pessoas jurídicas, o desembolso com juros somou R$ 65,1 bilhões nos primeiros seis meses do ano (6% a mais do que 2010). Esse total já é 62% dos R$ 105 bilhões gastos por empresas ao longo de todo o ano passado. Juntos, consumidores e empresas já desembolsaram R$ 150 bilhões em 2011.

O aumento do volume de empréstimos explica, em parte, o maior desembolso dos brasileiros em juros. Mas a alta da taxa Selic e as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo foram as que mais contribuíram para o encarecimento do crédito, diz a entidade. A expectativa é de que com a crise a inflação perca fôlego e o juro possa diminuir. Mesmo assim, a previsão é de que o comprometimento da renda com juro deve prejudicar o desempenho do varejo neste ano. (Estado)

Varejo tem semestre de alta forte, com mercado de trabalho aquecido

O bom desempenho do comércio varejista no primeiro semestre mostrou que a demanda interna continua forte neste ano, impulsionado especialmente pelo mercado de trabalho aquecido e pela elevada confiança do consumidor. As vendas no varejo ampliado, que incluem veículos e autopeças e material de construção, cresceram 9,2% em relação ao mesmo período de 2010, a despeito do ciclo de alta de juros e das medidas de restrição ao crédito. Em junho, essa vendas subiram 0,5% sobre maio, feito o ajuste sazonal, um ritmo inferior ao de março a maio nessa base de comparação, o que indica uma desaceleração no ritmo de crescimento nos últimos meses.

As condições de empréstimos e financiamentos pioraram nos últimos meses, com aumento dos juros e o fim do alongamento dos prazos, mas não a ponto de prejudicar as vendas dos bens mais dependentes do crédito. Luiz Goes, sócio sênior da consultoria especializada em varejo GS&MD - Gouvêa de Souza, nota que os setores ligados ao crédito tiveram as taxas mais fortes de expansão. No primeiro semestre, as vendas de móveis e eletrodomésticos aumentaram 17,7%, e as de veículos e motos, partes e peças, 12,1%. "É possível que, sem as medidas de restrição ao crédito, o crescimento das vendas desses bens fosse maior, mas mesmo assim houve uma alta expressiva", afirma Goes.

O economista Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria, diz que o desempenho do varejo no semestre reflete principalmente o bom momento de importantes condicionantes da demanda, em especial o emprego e a renda e a elevada confiança do consumidor. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego está na casa de 6%, em níveis próximos das mínimas históricas. Já o índice de confiança do consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou 2,3% em junho e 5,4% em julho, atingindo o nível mais alto da série iniciada em 2005.

"A queda dos preços e a estabilidade do emprego têm sido um contraponto às medidas macroprudenciais do governo", complementa Reinaldo Pereira, gerente da coordenação de serviços e comércio do IBGE. Ele acrescenta que, além do câmbio, incentivos governamentais têm explicado reduções de preços em produtos de informática, o que limita os efeitos das restrições ao crédito.

Andrade chama a atenção para descompasso entre o comportamento das vendas no varejo e da produção industrial. No primeiro semestre, a indústria cresceu apenas 1,7% sobre igual período de 2010, muito abaixo dos mais de 9% de aumento do comércio ampliado. A forte concorrência do produto importado, favorecida pelo real forte, dificulta a vida da indústria, que ainda tem dificuldades de exportar, tanto pelo câmbio valorizado como pela fraca demanda em países desenvolvidos.

O economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, diz que o dólar barato produz dois efeitos: contribui para um enfraquecimento da produção e facilita o aumento do consumo, ao baratear os bens comercializáveis internacionalmente (os tradables, em economês). O resultado é o aumento da distância entre as curvas de crescimento do comércio e da indústria. Nesse quadro, boa parte da alta do consumo é abastecida pelos importados, diz Montero.

Os analistas ressaltam, porém, que os números do varejo mostram alguma perda de fôlego nos últimos meses. Andrade observa que as vendas no varejo ampliado, que em março haviam aumentado 1,9% sobre fevereiro, feito o ajuste sazonal, subiram 0,5% em junho, nessa base de comparação.

Arício Oliveira, professor da FGV e consultor da Pezco, aponta a desaceleração do comércio na taxa de crescimento em 12 meses. As vendas do varejo ampliados, que subiram 12,2% em 2010, acumulam alta de 10,9% nos 12 meses até junho. "Não é algo rápido, mas a taxa de expansão nessa base de comparação é declinante."

Para Andrade, a piora das condições de crédito e a elevação da inadimplência devem contribuir para a desaceleração adicional das vendas no segundo semestre. O eventual agravamento das turbulências no mercado internacional também pode colaborar para um desempenho pior do comércio daqui para frente, principalmente se abalar a confiança do consumidor, acredita ele. Ao mesmo tempo, joga contra a perda de fôlego das vendas a perspectiva de que categorias importantes de trabalhadores, como bancários e petroleiros, tenham reajustes salariais elevados no terceiro trimestre.

Em relatório, o Credit Suisse diz que a desaceleração do varejo na segunda metade do ano será liderada pelo setor de bens duráveis (como automóveis e eletrodomésticos). "Os impactos da política monetária mais restritiva implementada nos últimos meses e da imposição de restrições ao crédito livre para pessoa física serão mais expressivos sobre as vendas desse setor no segundo semestre", avalia o banco. (Valor)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ampliar a mobilização em torno das campanhas salariais para criar blindagem contra mais uma crise financeira mundial

Bancos têm perdas nos EUA e Europa em novo dia de tensão

Na França, rumores sobre o Société Générale derrubam mercado; Bank of America registra desvalorização de 11%.
Em mais um dia de quedas acentuadas em Bolsas pelo mundo, os bancos sofreram especialmente, levantando temor de que sua fragilidade acentue ainda mais a crise econômica mundial.
Houve perdas sobretudo em instituições na França e nos EUA. No caso francês, as quedas foram puxadas pelo risco de rebaixamento dos títulos do país.
A Bovespa fechou com leve alta, o que não impediu que empresas brasileiras começassem a refazer planos de obter financiamento externo. Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se com aliados e pediu "maturidade" na questão fiscal. (Folha)

Uma janela de oportunidades

Por mais contraditório que possa parecer, a crise nos países centrais poderá abrir "uma janela de oportunidades" para o Brasil, na avaliação de fonte do governo. Embora a crise venha a ter efeitos negativos sobre o nível de atividade da economia brasileira, o enfrentamento dos problemas poderá ser feito pelo governo de forma que, ao final, o país esteja com taxas de juros mais próximas das dos demais países emergentes. A estratégia oficial de combate a esse novo round de turbulência internacional está sendo montada nessa direção.

A rigor, ainda não há no governo, como também entre os principais analistas do mercado, um diagnóstico muito claro da extensão e profundidade da atual crise. A única certeza é que o mundo conviverá com sérias dificuldades econômicas durante um bom tempo, principalmente porque a solução para o cerne dos problemas, como é caso do excessivo endividamento de vários países da zona do euro, não é trivial.

Há um entendimento, no entanto, de que um dos canais de transmissão da crise para o Brasil será a redução dos preços das commodities. Outro canal poderá ser a redução dos fluxos financeiros internacionais ao país, numa repetição do que aconteceu em 2008, embora em menor escala. As ações de alguns bancos internacionais acumulam perdas expressivas nas últimas semanas nas principais bolsas, o que poderá levá-los a frear a oferta de crédito para o mundo todo.

Fazenda quer fazer agora o que não conseguiu em 2008 -- A esperada desaceleração mundial, que alguns acreditam que pode vir a se transformar em recessão, reduzirá os preços das principais commodities. A aversão dos investidores ao risco tenderá também a diminuir a especulação com essas mercadorias, o que ajudará a deprimir os preços. Mesmo que o real se desvalorize, em decorrência de uma eventual redução de fluxos de capitais para o país e da queda das exportações brasileiras, o efeito da desvalorização sobre os preços internos será menor do que a queda das commodities, raciocinam os técnicos do governo. Assim, o efeito líquido será favorável ao controle da inflação.

Assim, a área econômica do governo já conta com a possibilidade de que a primeira resposta à crise será dada pela política monetária. Em sua próxima reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá paralisar o ciclo de elevação da taxa de juros, iniciado em janeiro. Se a crise se aprofundar, com efeitos negativos mais fortes sobre a atividade da economia brasileira, o Banco Central poderá reduzir os juros. Ou seja, o estímulo inicial contra um eventual quadro recessivo não será fiscal, mas monetário.

O Ministério da Fazenda não quer perder a oportunidade que a crise poderá criar para que o Brasil reduza os juros e se aproxime dos patamares praticados nos demais países, onde as taxas estão muito baixas. Ou seja, a Fazenda quer fazer o que o governo do presidente Lula não conseguiu em 2008, quando a crise financeira internacional provocou uma recessão mundial, mas o Brasil, por uma série de razões, continuou com taxas de juros muito elevadas.

A redução da Selic não apenas estimularia a atividade produtiva brasileira, argumentam as fontes, mas teria condições de resolver um dos grandes problemas que o diferencial de juros internos e externos provoca, ao tornar atrativas as operações de arbitragem que estimulam o ingresso de divisas no Brasil e a consequente valorização do real. Por último, a queda da taxa Selic iria reduzir o custo da dívida pública e, ao final do ciclo, aumentar o espaço para os gastos públicos e para a diminuição da carga tributária.

Essa estratégia só dará certo - e as autoridades do Ministério da Fazenda e do Banco Central sabem disso - se o governo conseguir segurar os gastos públicos, evitando que eles se tornem uma fonte de expansão da demanda agregada da economia. Desde segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alerta para a necessidade de o Brasil manter uma política fiscal sólida. Na terça-feira, durante depoimento no plenário da Câmara dos Deputados, Mantega pediu ao Legislativo e ao Judiciário que evitem propostas que elevem as despesas públicas daqui para frente.

Ontem, a presidente Dilma Rousseff reuniu os líderes de sua base política no Congresso com o mesmo objetivo. A preocupação de Dilma é com os projetos de lei, já em tramitação no Congresso, que concedem aumentos de salários para os servidores. O esforço do governo - é bom que se diga - é para evitar a ampliação dos gastos públicos em 2012. Isso porque a expansão das despesas no próximo ano já está contratada e decorre, principalmente, do aumento de cerca de 14% para o salário mínimo. Por causa disso, as despesas previdenciárias e assistenciais subirão cerca de R$ 23 bilhões.

O pedido do governo para o controle dos gastos não é, portanto, uma sinalização de um Orçamento restritivo em 2012, mas um alerta para que as despesas públicas não se tornem uma fonte autônoma de expansão da demanda e, dessa forma, não inviabilizem uma redução mais forte da taxa de juros pelo Banco Central. (Valor)

Com bolsa em baixa, fundos de pensão vão às compras

Enquanto outros investidores corriam para vender ações numa reação automática à crise, os fundos de pensão aproveitaram a volatilidade que tomou conta dos mercados indo às compras para fortalecer suas carteiras. Petros, Valia, Funcef e Real Grandeza, quatro das maiores fundações do país, que somam um patrimônio de R$ 120 bilhões, estão no mercado. Nos três pregões mais agudos da crise, só a Real Grandeza, fundação de previdência dos funcionários de Furnas, gastou R$ 300 milhões com aquisição de papéis de empresas de primeira linha, como Petrobras e Vale.

"Estávamos abaixo da nossa alocação estratégica na parte de bolsa, então aproveitamos esse momento para poder fazer compras", disse Eduardo Henrique Garcia, diretor de investimentos do fundo de pensão. Antes de ir às compras, a carteira de renda variável da Real Grandeza correspondia a 14% dos R$ 8,9 bilhões do seu patrimônio. A operação realizada desde a semana passada elevou essa fatia para perto dos 18% apontados pela alocação estratégica delineada pela própria fundação.

A Valia, dos funcionários da Vale, está analisando as boas oportunidades para recompor o portfólio. Com a baixa da bolsa, a fundação, com patrimônio de R$ 14 bilhões, sendo 25% investidos em ações, teve sua carteira de renda variável encolhida em 15%.

"Mesmo com essa queda, nossa carteira de ações está acima do Ibovespa, que caiu 28% no ano. Até agora estamos fazendo pequenos ajustes em relação ao índice. Ainda não fizemos nenhuma compra grande, mas estamos avaliando o mercado. A fundação da Vale tem em sua carteira empresas sólidas que passam tranquilas por essa turbulência", disse Lott.

A Petros, dos empregados da Petrobras, com patrimônio de R$ 51 bilhões, tem 40% deste valor aplicado em papéis de empresas e planeja até ampliar um pouco esse percentual. Luís Carlos Afonso, presidente da Petros, pretende aproveitar o momento de baixa da bolsa para construir novas participações ou aumentar as que já detém em empresas de primeiríssima linha. "Estamos apostando no crescimento da nossa carteira de participações e várias empresas que hoje têm preços convidativos estão no nosso radar. Não pretendemos vender nenhuma dessas participações. Em caso de necessidade, temos a carteira de giro que é mais defensiva e funciona como um complemento de liquidez".

A partir da crise de 2008, segundo Afonso, a Petros adotou dois tratamentos diferenciados para sua carteira de renda variável: um portfólio de giro, com ações que podem ser negociadas facilmente, e outro de participações, mais estratégico. "De 2008 para cá, crescemos muito em renda variável, de 23% para 34%, em 2009, e agora estamos em 40%".

Para a Funcef, que tem R$ 44 bilhões em ativos e aplica 33% na bolsa, o colchão de liquidez vem da renda fixa, que responde por 75% do patrimônio. Demostenes Marques, diretor de investimentos da fundação, disse que esse colchão tem liquidez para fazer frente às obrigações da casa por dois anos, sem ter de "realizar perdas com ações". Por isso, quando a crise se acentuou, no final da semana passada, a direção da Funcef tomou a decisão de ir às compras, que iniciou logo no primeiro pregão desta semana.

Marques não revela o montante que destinou para o que chama de "reentrada", mas a orientação para as aquisições, dessa vez, é bem diversa do habitual. Em vez de 80% ou 90% referenciados em um índice, só a metade vai seguir esse parâmetro. Com a outra, a fundação vai em busca de papéis que, na pressa de sair da bolsa, outros investidores deixaram depreciados demais.

"Tem algumas oportunidades que ficaram evidentes", disse Marques. Segundo ele, a Funcef trabalha com o que chama de "carteira de retorno absoluto", composta por 12 ações escolhidas pelos analistas da próprio fundo de pensão, conforme os fundamentos das empresas. Além desse grupo, há ainda papéis de alta liquidez que a Funcef considera terem sido muito castigados, apesar da boa saúde financeira das empresas. Algumas dessas companhias, segundo Marques, talvez saiam até melhor posicionadas da crise, em relação aos seus competidores.

A avaliação é parecida com a feita pelo presidente da Petros. Para Afonso, o mercado de ações local, por ser de alta liquidez, paga o preço da volatilidade internacional. "Quando comparada ao resto do mundo, a bolsa brasileira é a que tem a maior queda. Não vejo razões objetivas para isso. Nossas empresas estão muito baratas, estão até recomprando suas ações. O preço dos papéis de algumas, até da primeira linha, está muito abaixo do que de fato vale".

Os gestores dessas fundações acreditam que a irracionalidade verificada nos últimos pregões decorre da entrada e saída do capital estrangeiro da bolsa. No momento da baixa, mecanismos de "stop loss" (limitação de perdas) são acionados automaticamente e desfazem carteiras muitas vezes montadas criteriosamente, abrindo mão de ações de alta qualidade a um preço baixo. A corrida do capital em direção aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, mesmo após o rebaixamento, é apontada como uma das causas para a revoada da BM&F Bovespa.

Na visão dos fundos de pensão, grandes investidores de longo prazo, esta não será nem a primeira, nem a última crise. "A crise lá fora é diferente da de 2008", avalia o presidente da Petros. A expectativa dele é que, se agora a bolsa sofre com a revoada do capital especulativo, mais tarde, com provável desaceleração das economias desenvolvidas, o Brasil pode se tornar um destino atraente para capitais de investimento de melhor qualidade. (Valor)

Pesquisa CNI aponta queda na aprovação do governo Dilma
Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem aponta queda na aprovação de Dilma Rousseff e de seu governo.
O percentual dos que deram nota ótimo/bom ao governo caiu de 56% no levantamento de março para 48% agora. Com isso, subiram os conceitos de regular (de 27% para 36%) e ruim/péssimo (5% para 12%).
A aprovação da maneira como Dilma governa também caiu. O percentual dos que aprovam passou de 73% para 67%, e a taxa dos que desaprovam passou de 12% para 25%.
Para Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, a aprovação de Dilma e do governo petista ainda é "bastante elevada", comparada aos índices verificados nos governos de Lula e FHC.
"Houve, sem dúvida, um pequeno recuo com relação ao levantamento anterior. O momento de março é especial, com a entrada de uma nova administração, momento em que há um conjunto de avaliações favoráveis."
A pesquisa aponta ainda um aumento no número dos entrevistados que consideram o governo Dilma pior que o Lula. Entre março e junho, o percentual mais que dobrou -de 13% para 28%.
Foram ouvidas 2.002 pessoas entre os dias 28 e 31 de julho, quando já eram conhecidos os escândalos na Casa Civil e nos Transportes. A margem de erro é de dois pontos percentuais. (Folha)

MP reduz INSS de microempresa e dona de casa para 5%

BRASÍLIA - O plenário do Senado aprovou hoje a Medida Provisória 529, que reduziu a alíquota de contribuição do microempreendedor individual à Previdência Social de 11% para 5%. Transformada em projeto de lei de conversão, a proposta seguirá diretamente à sanção presidencial. A expectativa é que o aumento da formalização no mercado de trabalho acarrete aumento de arrecadação da Previdência Social, diminuindo o impacto da renúncia fiscal.

O alcance social da medida foi destacado pelo relator, senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), que apontou a redução como um "incentivo importante para a formalização da economia". A medida foi tão elogiada que até a oposição subiu à tribuna para elogiar o governo pela iniciativa. "Qualquer proposta que reduza o volume da atividade informal certamente é uma grande contribuição ao aperfeiçoamento da legislação, estímulo às atividades econômicas e ao desenvolvimento social e econômico do País", discursou o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR).

A medida provisória também incluiu as donas de casa como beneficiárias do projeto, sendo que poderão aposentar por idade, mediante contribuição ao INSS da alíquota reduzida. Outra emenda aprovada pelos deputados estabelece como dependente do segurado o filho com deficiência intelectual ou mental, que seja considerado relativamente ou totalmente incapaz por declaração judicial. Por fim, uma emenda da Câmara permitiu o recebimento de pensão por morte aos dependentes com deficiência, prevendo, no entanto, redução de 30% caso exerçam alguma atividade remunerada. (Estado)

Mantega acena com mais desonerações para o setor produtivo

Na primeira reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) após o anúncio da nova política industrial, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acenou nesta quarta-feira com novos incentivos para o setor produtivo. Segundo empresários que participaram do encontro, o governo vai analisar a possibilidade de elevar a lista de materiais de construção que foram desonerados do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o final de 2012 e também aumentar do limite de faturamento para empresas que declaram Imposto de Renda (IR) pelo regime do lucro presumido.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Material de Construção (Abramat), Melvyn Fox, Mantega disse que não houve tempo para ampliar a lista de produtos com IPI reduzido na política industrial lançada na semana passada, batizada de Brasil Maior, mas que esse benefício deve ser concedido em breve. Entre os itens que a Abramat quer incluir no rol estão telhas onduladas, vidros, pregos e pisos laminados.

Já o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, levou ao Ministério da Fazenda a ideia de elevar de R$ 48 milhões para R$ 78 milhões o limite de faturamento para que empresas se enquadrem no regime do lucro presumido. Essa forma de apuração, comum entre empresas de médio porte, é mais simplificada e não passa por uma revisão de faturamento desde 2003. Segundo Godoy, Mantega se comprometeu a agendar uma reunião com a Receita Federal para tratar do assunto.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, Mantega também fez questão de dizer aos empresários que o governo quer tirar logo do papel as medidas de defesa comercial que foram anunciadas dentro da nova política. Entre elas está um maior controle na entrada de produtos importados no país.

- O ministro falou sobre o que falta fazer agora, especialmente no contexto de crise. Precisamos logo de medidas de defesa comercial. Ele determinou que elas saiam (do papel) o mais rápido possível - disse Andrade, acrescentando:

- O Brasil continua sendo um mercado atrativo para mercadorias de outros países. Viramos a bola vez. (O Globo)

Indústria reivindica mais benefícios tributários ao governo

Um dia depois de o governo anunciar a correção da tabela do SuperSimples, regime tributário das micro e pequenas empresas, empresários reivindicaram nesta quarta-feira uma atualização dos parâmetros para as declarações das empresas médias.

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) propôs uma elevação do limite máximo de faturamento para que as empresas possam optar pelo regime de tributação do Imposto de Renda (IR) pelo lucro presumido, que têm alíquotas menores.

A reivindicação foi feita durante reunião no Ministério da Fazenda do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), formado por representantes do setor produtivo e ministros da área econômica.

Segundo o presidente da Abdib, PauloGodoy, Mantega "acenou positivamente" à proposta e teria determinado a realização de uma reunião entre a associação, a Receita Federal e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para discutir a questão.

Atualmente, só podem recolher o imposto pelo lucro presumido as empresas com receita bruta anual de até 48 milhões de reais. A Abdib quer que este valor seja elevado para 78 milhões de reais, o que representaria a inflação acumulada desde 2003, data da última correção.

Também no GAC, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) reivindicou a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para insumos ainda não beneficiados pela taxação menor, como pregos, telhas onduladas e vidros. Segundo o presidente da entidade, Melvyn Fox, tratam-se de produtos relevantes para o programa Minha Casa Minha Vida.

"O que o ministro nos informou agora é que não deu tempo de analisar todas as propostas, que eles estão fazendo isso agora e que provavelmente haverá um anúncio de um aumento da relação de produtos com redução de IPI", afirmou Fox a jornalistas.

O Ministério da Fazenda não comentou o teor da reunião.(O Globo)