segunda-feira, 25 de agosto de 2008

UGT é prova do amadurecimento democrático do sindicalismo brasileiro

Centrais vão ao Congresso discutir contribuição negocial

(Postado por Chiquinho Pereira) O sindicalismo brasileiro amadurece a cada etapa. A união de três centrais sindicais (SDS, CAT e CGT) e sindicatos independentes em torno da União Geral dos Trabalhadores (UGT) foi uma amostra deste amadurecimento. O acerto se confirmou um ano depois ao elevarmos a UGT para a condição da terceira maior central sindical brasileira.
O reconhecimento das centrais sindicais pelo governo do presidente Lula foi outro indicador histórico do nosso amadurecimento. Agora, avançamos para a discussão do financiamento democrático das estruturas sindicais. Apesar do tema ser noticiado pela grande imprensa, o que lemos, muitas vezes, é um tratamento obscuro. Pois falta ser dito com todas as letras que as centrais sindicais, assim como toda a estrutura sindical, estão inseridas democraticamente dentro do tecido social brasileiro. É legítimo discutir dentro do Congresso Nacional, a contribuição negocial que será a nova forma de financiamento das entidades sindicais. Como é legítimo que o Estado brasileiro isente o papel imprensa dos impostos, para garantir a liberdade e democratização da imprensa. Veja a notícia:
CUT, Força Sindical e parte da UGT, principais centrais, defendem que cobrança anual seja de até 1% do salário do trabalhador. A partir da próxima semana, as centrais sindicais iniciam uma "batalha" no Congresso Nacional para conseguir convencer os parlamentares a aprovar uma nova forma de financiamento para os sindicatos: a contribuição negocial. Essa taxa vai substituir o imposto sindical, que equivale a um dia de salário (ou 3,3% da remuneração mensal) e é descontado de forma compulsória de todos trabalhadores registrados em carteira no país, desde que foi criado, no governo de Getúlio Vargas.

O governo Lula vai enviar um projeto de lei para acabar com o imposto sindical de forma gradual e substituí-lo pela contribuição negocial. Mas já decidiu que não definirá um limite para essa nova taxa. Ela deverá incidir sobre a remuneração anual do trabalhador.

CUT, Força Sindical e parte de sindicalistas ligados à UGT defendem que a contribuição negocial tenha teto de 1% da renda anual do trabalhador (que corresponde a 13% de um salário mensal). Esse limite é defendido pelas centrais desde o Fórum Nacional do Trabalho, criado no governo petista para discutir a reforma sindical."

Seja qual for esse percentual, ele terá de ser aprovado em assembléia pelos trabalhadores de cada categoria. Não será imposto. A contribuição negocial é mais democrática também, porque mesmo aqueles que hoje não são filiados aos sindicatos podem participar da assembléia, votar e ajudar a definir seu valor", diz Denise Motta Dau, secretária de Organização Sindical da CUT.

As centrais sindicais contestam a informação de que a contribuição negocial pesará mais no bolso do trabalhador. "Só se fala que a nova taxa negocial será maior que o imposto sindical. Mas o fato é que existem outras taxas cobradas hoje pelos sindicatos, como a assistencial e a confederativa, ambas previstas na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. Somadas essas taxas e o imposto sindical, o desconto chega em alguns casos até a 30% do salário de um mês", diz Ricardo Patah, presidente da UGT.

Na média, a cobrança de taxas sobre o salário do trabalhador era de 18% a 20%, segundo estudo realizado pelo Fórum Nacional do Trabalho."Ao criar a contribuição negocial, o projeto de lei do governo deve extinguir as demais taxas. Isso não está sendo dito", afirma João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical. A extinção do imposto sindical -e sua substituição pela contribuição negocial- não é unanimidade entre as centrais. A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), formada por sindicatos que deixaram a CUT, é contra a nova taxa. "O projeto de lei acaba com o imposto sindical compulsório, instituindo em seu lugar uma obscura e controversa contribuição negocial", diz Wagner Gomes, presidente da CTB. Para a central, há risco de que a contribuição negocial seja recolhida somente dos trabalhadores associados ao sindicato.

TRABALHO INFANTIL: Fiscalização encontra no Piauí 27 crianças ralando mandioca

Continua a vergonha de ainda termos que ler, em pleno Século 21, notícias relacionadas com trabalho infantil. É importante mantermos a indignação a cada vez que lermos ou constatarmos uma situação de trabalho infantil. Transcrevemos a notícia para nos manter constamentemente mobilizados, denunciando e mostrando a vergonha que é tal situação.
Veja a notícia:
Fiscalização em casas de farinha na região de Marcolândia (430 km de Teresina), feita pelo grupo móvel da Superintendência Regional do Trabalho do Piauí -órgão do Ministério do Trabalho-, encontrou 27 crianças ralando mandioca em condições degradantes.Até o final de julho, foram fiscalizadas oito casas -houve detecção de trabalho infantil em sete. Uma menina de 15 anos, grávida, foi localizada durante a operação escondida nos fundos de um dos estabelecimentos. Outras 26 crianças e adolescentes -de 10 a 15 anos- foram encontrados.Os donos das casas de farinha da região de Marcolândia firmaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a Procuradoria. Foram lavrados autos de infração e aplicadas multas.

O Pré-Sal é nosso


A UGT na sua campanha “O Pré-Sal é nosso” continua a trazer, para sua reflexão as principais notícias relacionadas com o tema. Por favor, leia com calma, distribua para seus associados, se mantenha patrioticamente mobilizado. Nosso interesse em acompanhar o Pré-Sal é acompanhar a distribuição de renda, a recuperação de imensos bolsões de miséria que a riqueza do petróleo nos permitirá.

Estudo revela destino do dinheiro do petróleo - A riqueza derivada do petróleo não é preferencialmente usada em investimentos, como seria o ideal. Estudo elaborado por professores da Universidade Cândido Mendes (Ucam) mostra que os municípios que mais recebem receitas com petróleo investem só uma parte do dinheiro. Das 30 prefeituras analisadas, apenas sete aplicam em investimento mais do que recebem em royalties e participação especial.
A cidade que mais lucra com a exploração petrolífera no País é Campos dos Goytacazes (RJ). Em 2005, mostra o estudo, recebeu R$ 607 milhões em receitas do petróleo, mas investiu apenas R$ 93,6 milhões, o equivalente a 15,4%. O caso mais grave detectado pelos pesquisadores foi a cidade de Silva Jardim (RJ), que recebeu R$ 12,4 milhões e investiu R$ 1,2 milhão, ou 9,7%. Ilhabela (SP) teve os cofres engordados em R$ 16 milhões por causa do petróleo, mas investiu só R$ 5 milhões (31,25%). Na outra ponta, o município do Rio de Janeiro recebeu R$ 45 milhões e somou investimentos de R$ 557 milhões.
"Grande parte dos recursos do petróleo não é gasta com investimentos", afirma o professor Rodrigo Serra, da Ucam. Para ele, o melhor exemplo de bom uso do dinheiro do petróleo é a cidade de Aberdeen, na Escócia. Lá, parte das receitas geradas pelo petróleo foi usada para transformar a cidade em um grande centro tecnológico. "Quando o petróleo acabar, eles vão exportar know-how em petróleo", disse.
No Brasil, avalia, o dinheiro poderia ser direcionado para pesquisas na área de bioenergia. Os municípios, por sua vez, poderiam utilizar o dinheiro para preservar áreas de manancial e para apoiar a pesca artesanal - a atividade econômica mais prejudicada com a exploração do petróleo.
Em vez de investir, as prefeituras estão usando o dinheiro do petróleo para contratar mais funcionários, segundo mostra outro levantamento, também elaborado na Ucam, noticiado pelo Estado em abril. O estudo revela que o número de funcionários na prefeitura de Campos dos Goytacazes saltou de 7.495 para 22.979 entre 2002 e 2006, sem contar os terceirizados. Os gastos com folha salarial somam R$ 487 milhões por ano, valor sete vezes maior que a arrecadação do município sem contar as receitas de petróleo. O quadro se repete em outras cidades.
"Os gastos das prefeituras com pessoal, repasses para organizações não-governamentais e outros subsídios são alarmantes", disse o professor Rodrigo Serra.
Ele explica que parte dos royalties não pode, por lei, ser gasta com funcionalismo. Mas outra parte é gasta livremente por União, Estados e municípios. "A lei está frouxa", afirmou.
Nesse sentido, a iniciativa do governo de criar uma regra determinando como o dinheiro do petróleo do pré-sal será gasto está na direção correta, avalia o professor. Ele acha, porém, que a discussão está muito restrita diante de sua importância.
"Fico aflito porque a discussão está muito focada na arrecadação, sem incluir a vinculação dos recursos", disse. "Parece um debate acadêmico, quando, na verdade, é uma questão que interessa a toda a sociedade e deveria ser alvo de audiências públicas, plebiscitos."
Ele defende que o dinheiro do petróleo não vá diretamente para os cofres públicos, como ocorre hoje. Uma vez no caixa, o dinheiro é misturado com outras receitas, como a arrecadação de tributos, e o cidadão não tem como saber o que foi feito, exatamente, com os recursos petrolíferos. A fiscalização ficaria mais fácil, disse, se o dinheiro fosse para um fundo específico.

Parlamentares apóiam controle rígido no pré-sal -- A idéia de criar controles rígidos para o uso do dinheiro do petróleo descoberto na camada do pré-sal - em estudo no governo - foi bem recebida no Congresso. Parlamentares da base aliada e de oposição apóiam a proposta. A idéia é impor uma disciplina sobre como gastar os royalties do pré-sal, para evitar que se repita o padrão de mau uso e desperdício existente hoje.
"É um bom caminho", resumiu o senador Renato Casagrande (PSB-ES), integrante da Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Ele defendeu que os recursos do petróleo sejam gastos em políticas para áreas específicas, como o meio ambiente, saúde e a educação. "Quando não se tem responsabilidade na aplicação, os royalties do petróleo acabam não valendo nada", observou. "Esse dinheiro do pré-sal tem de ser usado só em investimentos estratégicos", disse.
O deputado e ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB-SP) considera "legítima" a preocupação do governo em criar travas para impedir a "farra" dos municípios com o dinheiro dos royalties. O tucano é contrário, no entanto, à criação de uma empresa para administrar as áreas do pré-sal. "Isso não é necessário. Basta definir regras para o excedente do petróleo com a criação de um fundo para onde seriam canalizados os recursos", explicou Paulo Renato. "O importante é cuidar do excedente de petróleo", afirmou.
Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), o governo está certo em estabelecer um modelo para limitar as possibilidades de aplicação dos royalties. "É preciso que a receita dos royalties seja usada com sabedoria", argumentou. Ele defendeu também a redistribuição das receitas do dinheiro do petróleo, para beneficiar um número maior de municípios. "Acho que podemos incluir mais critérios para beneficiar mais municípios", observou. "Na hora que esse dinheiro entra no orçamento das prefeituras fica difícil controlar os gastos", disse Aleluia.


Nova contabilidade agiliza pré-sal -- A decisão do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, de mudar a contabilidade pública, anunciada na última sexta-feira, abre caminho para viabilizar os bilionários investimentos que a Petrobrás terá de fazer para retirar petróleo das reservas recém-descobertas na chamada camada do pré-sal. Ao mesmo tempo, as mudanças colocam mais pressão para o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, nesse momento de alta da taxa de juros.
Atualmente, a Petrobrás e demais empresas estatais convivem com uma limitação, pois seus investimentos são contabilizados como despesas do setor público. Ou seja, quanto mais elas investem, mais empurram para baixo o chamado superávit primário (economia de recursos para o pagamento de despesas). Como existem metas de resultado primário a serem cumpridas, as estatais acabam investindo menos do que poderiam.
Pelo que foi anunciado na semana passada, a Petrobrás será retirada da contabilidade pública, como já foi feito com o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Dessa forma, a empresa poderá alçar vôos maiores para a exploração do pré-sal.
Mantega defende a necessidade de "repensar" agora a relação de todas as empresas estatais com a União. A maioria dos países só inclui na contabilidade as empresas estatais dependentes do Orçamento da União.
Se por um lado a Petrobrás ganha essa flexibilidade, por outro o governo perderá a contribuição da empresa para o cálculo do resultado primário. Na avaliação do professor de economia da USP Fábio Kanczuk, ficará mais fácil visualizar o esforço fiscal do governo, sem a estatal petrolífera nas contas públicas.

JUROS -- Para o especialista em contas públicas Amir Khair, a mudança não é só bem-vinda por causa da Petrobrás, mas principalmente porque deixará mais evidentes os gastos do governo com os juros, ou seja, dará mais transparência ao custo da política monetária implementada pelo Banco Central. "O BC é um dos maiores gastadores do governo devido à conta dos juros", destaca o economista. "A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) enquadra todo mundo, mas deixou o BC de fora", ressalta.
Segundo ele, a alteração colocará em foco o impacto da política de juros nas contas públicas, responsabilizando de forma mais evidente o BC por erros de dosagem no aumento da taxa Selic. "É um golpe no BC", afirma.
Justamente por isso, o professor Kanczuk avalia que a medida vai na contramão do conceito de independência do Banco Central. "A autoridade monetária não tem de prestar contas do ponto de vista fiscal porque a função do BC é assegurar o poder de compra da moeda. Se ele tiver de pensar no custo de suas medidas, o combate à inflação será colocado em xeque", afirma.
Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o governo também deve aproveitar a oportunidade para alterar a forma de calcular o déficit da Previdência Social. A proposta chegou a ser aventada no início de 2007, mas não avançou. Ex-ministro do Previdência, o atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, é um dos defensores da medida.
A mudança, se aceita, praticamente zeraria o déficit da Previdência. A idéia é levar em consideração, no cálculo do sistema previdenciário, apenas as receitas e despesas com os contribuintes da área urbana.
Aposentadorias rurais e outros gastos do INSS na área de assistência social sairiam da conta da Previdência e entrariam para a conta do Tesouro. Além disso, o Tesouro passaria a ressarcir a Previdência por renúncias de receita feitas a entidades filantrópicas, micro e pequenas empresas, entre outros setores.


Brasil é o ''queridinho'' entre as principais economias emergentes

País registra a maior taxa de crescimento de investimento direto estrangeiro de 2006 para 2007, revela Unctad.

Quando a expressão Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi cunhada pelo banco Goldman Sachs, há sete anos, economistas do mundo inteiro questionaram a presença do Brasil. Até 2006, ainda não havia consenso se o País poderia ou não fazer parte do bloco que dominaria a economia em 40 anos. O banco revisou suas análises e o manteve na lista.
Ainda assim, para muitas multinacionais e fundos de participação estrangeiros, o Brasil só foi redescoberto mais recentemente. "O País está passando por novas fases de crescimento, diferente dos vôos de galinha de antes. Os investidores agora conseguem enxergar a longo prazo", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima.
O avanço em alguns aspectos macroeconômicos é indiscutível. Com a inflação sob controle, os juros em queda, a melhora na renda e a maior oferta de crédito, o consumo disparou, fazendo a festa das montadoras, das construtoras, das empresas de alimentos, dos bancos, das fabricantes de eletroeletrônicos e do varejo de forma geral.
O Brasil ainda perde em termos de tamanho e custo de mão-de-obra, mas os estrangeiros estão sendo atraídos principalmente pelo crescimento do mercado local. Nesse quesito, o País já ganha da China, iguala-se à Índia e só perde para a Rússia, segundo levantamento da Unctad e elaborado pela Sobeet.
O acesso a recursos naturais e a mão-de-obra eficiente faz o Brasil ter preferência dentro dos Brics. Daí o espantoso interesse da Anglo American, da ArcelorMittal, que na semana passada pagou US$ 830 milhões por uma única mina de ferro em Minas Gerais, e das petrolíferas. Isso, sem falar no etanol, que fez uma legião de gringos construírem ou apenas visitarem usinas por aqui.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bancos lideram lucros e montadoras transferem lucros para o Exterior

Bancos lideram lucros
(postado por Moacyr Pereira) Nenhuma surpresa no fato de os bancos liderarem entre as empresas com maior lucratividade. O que preocupa a UGT é termos lutado arduamente, ao longo de décadas, contra a inflação e a ciranda financeira. E depois de 14 anos do Plano Real ainda termos que conviver com essa tremenda lucratividade do setor financeiro em detrimento do setor produtivo que gera emprego e sustenta a expansão do crescimento brasileiro. Como você verá também mais abaixo na notícia sobre as montadoras, quando o setor industrial, controlado pelas multinacionais lucra, se apressa em transferir imediatamente os lucros para o exterior. É hora de buscarmos políticas sistemáticas para estimular a produção nacional (para manter os lucros aqui) e controlar a euforia dos banqueiros, através de políticas de juros decentes, que evitem transformar o Brasil no paraíso dos banqueiros.
Veja os textos e reflita:
O setor bancário é o mais lucrativo entre as empresas brasileiras de capital aberto no primeiro semestre de 2008. De acordo com levantamento da consultoria Economática, o lucro líquido das instituições financeiras listadas na Bovespa foi de R$ 16,579 bilhões de janeiro a junho, crescimento de 13,1% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro dos bancos representa 23,9% do ganho total das companhias que estão no mercado acionário.
O setor de petróleo e gás, representando principalmente pela Petrobras, aparece com lucro de R$ 15,809 bilhões no primeiro semestre, o que representa expansão de 41,3% na comparação anual.
Em seguida vem o setor de energia elétrica, com 37 empresas, tomando a posição da indústria de mineração que no ano passado estava na terceira posição. O setor de energia elétrica acumula lucro de R$ 8,765 bilhões no ano até junho 2008, contra R$ 7,828 bilhões em igual intervalo de 2007.
Na quarta colocação está mineração, com cinco empresas e destaque para Vale, com lucro combinado nos seis primeiros meses deste ano de R$ 6,937 bilhões, queda de 36,6%.
Considerando todas as empresas listadas na Bovespa, o aumento do lucro nos seis primeiros meses do ano foi de 8,97%. O lucro acumulado dos quatro primeiros colocados (representadas por 73 empresas) é de R$ 48,091 bilhões, ou 69,4% do total do lucro no primeiro semestre das 317 empresas de capital aberto.

Remessas de montadoras sobem 239% e vão a US$ 4 bi -- Setor automobilístico supera o financeiro como o que mais envia lucros ao exterior. Ganhos recordes no Brasil e necessidade de cobrir perdas no exterior elevam remessas; déficit em transações correntes vai a US$ 19,512 bi
Impulsionados pelos elevados ganhos obtidos nas suas operações no Brasil, a indústria automobilística foi o setor que mais enviou lucros para suas matrizes do exterior neste ano, superando as remessas feitas pelo setor financeiro, que tradicionalmente responde pelos maiores volumes de remessas.
Segundo dados do Banco Central, os fabricantes de automóveis responderam por um envio de US$ 4,045 bilhões para fora do Brasil entre janeiro e julho deste ano, aumento de 239% em relação ao valor observado no mesmo período de 2007. Só no mês passado, essas remessas somaram US$ 1,281 bilhão, 41% do total de dividendos enviados por empresas estrangeiras instaladas no país.
Com as vendas facilitadas pela expansão do crédito, as montadoras têm tido resultados recordes no Brasil. Entre janeiro e julho, foram fabricados mais de 2 milhões de veículos, 22% a mais do que nos primeiros sete meses de 2007.
Outros setores da economia também aceleraram suas remessas ao exterior, embora numa velocidade inferior à dos fabricantes de automóveis. As remessas feitas pelos bancos, por exemplo, somaram US$ 2,414 bilhões entre janeiro e julho, alta de 143% em relação a 2007.
Ao todo, as empresas instaladas no país enviaram, também entre janeiro e julho, US$ 22,131 bilhões para suas matrizes no exterior. Trata-se de um crescimento de 89% na comparação com 2007. O valor acumulado até agora já está bem próximo dos US$ 22,435 bilhões em remessas efetuadas ao longo de todo o ano passado.
Para Júlio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário do Ministério da Fazenda, a alta das remessas reflete o aumento da lucratividade das empresas instaladas no Brasil.
"Seria bom se uma parcela maior [desses ganhos] fosse reinvestida por aqui, mas, na atual conjuntura, isso é impossível", afirma. Segundo Almeida, setores como o bancário e o automotivo aproveitam a rentabilidade obtida no Brasil para compensar perdas sofridas no exterior, e esse quadro não deve se alterar tão cedo.
Déficit -- O lado negativo do aumento das remessas está no seu impacto sobre as contas externas do país. No mês passado, o déficit em transações correntes -que contabiliza a negociação de bens e serviços com outros países- ficou em US$ 2,111 bilhões, o que levou o saldo negativo acumulado no ano para US$ 19,512 bilhões, o maior já registrado nos primeiros sete meses de um ano.
O economista Fabio Kanczuk, professor da USP, diz que os números divulgados ontem não são "nenhuma surpresa" e que a velocidade de crescimento do déficit externo é "assustadora". "É de esperar que um país emergente tenha déficit, mas o ritmo que estamos observando não é sustentável."
Para Kanczuk, no curto prazo a situação não chega a ser preocupante, mas, se o déficit externo continuar crescendo, em 2009 será necessário um ajuste na taxa de câmbio para que o problema seja corrigido.

Governo evita propor teto para contribuição a sindicato
Diante da falta de consenso entre as centrais sindicais, o governo decidiu não propor teto para a contribuição negocial, o que abre espaço para a cobrança acima do teto de 1% sobre o salário anual, uma das propostas discutidas como alternativa ao fim do imposto sindical.Um projeto de lei a ser enviado ao Congresso deve prever apenas que a nova contribuição substituirá o imposto sindical, a contribuição assistencial e a taxa confederativa. Ficará nas mãos dos parlamentares definir se haverá -e qual será- a alíquota máxima cobrada dos trabalhadores todos os anos."Não daremos limite nenhum. Estamos mandando um esboço para o Congresso e ele define as regras", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, depois de reunião ontem com representantes das centrais sindicais para definir como seria o projeto de lei. "Se essa é uma contribuição negocial, quem deve dizer o valor é cada categoria."A criação da contribuição negocial começou a ser discutida pelas centrais sindicais no início do governo Lula. A falta de consenso sobre como deveria ser feita impediu que o projeto fosse adiante. A idéia é que os trabalhadores de cada categoria decidam o valor da contribuição aos seus sindicatos, em votação em assembléias. Pela proposta da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical, a contribuição anual poderá ser maior que a paga atualmente.

Desemprego cresce e renda não consegue acompanhar inflação
A taxa de desemprego cresceu em julho e a renda não conseguiu acompanhar a alta da inflação. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coletados nas seis principais regiões metropolitanas do País, a taxa de desemprego ficou em 8,1% em julho, ante 7,8% em junho. O resultado veio acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (7,60% a 7,90%). A mediana era de 7,80%.
O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse que o aumento na taxa de desemprego de julho não surpreende. Ele argumenta que não houve variação estatisticamente significativa na taxa, que ficou "estável" em julho ante junho. Segundo ele, "pode ter havido uma melhora tão forte no mercado de trabalho no primeiro semestre que agora as contratações estão mais tímidas".
Ainda de acordo com Azeredo, serão necessários pelo menos mais dois meses "para entender esse resultado". Ele afirmou que, se houver uma alteração significativa para cima na taxa em agosto, aí sim o mercado poderá estar configurando um quadro de piora. "Agora há um quadro de estabilidade", disse.
Azeredo afirmou que ainda não é possível afirmar que a inflação e os juros tenham tido efeito no mercado de trabalho em julho. "A gente não sabe se a inflação ou o aumento dos juros já estão afetando o mercado de trabalho, precisamos de mais alguns meses para analisar isso de forma mais efetiva", disse ele, que está concedendo entrevista sobre a pesquisa.
Renda não acompanha inflação -- Já a renda média real dos trabalhadores ficou em R$ 1.224,40, com variação de 0,1% em julho ante junho e de 3,0% na comparação com julho do ano passado. Ou seja, a renda do brasileiro cresceu abaixo da variação da inflação. Para se ter uma idéia, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - registra alta de 6,37% em 12 meses acumulados até julho.
Os números do IBGE mostram ainda que o número de pessoas ocupadas nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,668 milhões em julho, com queda de 0,3% ante junho e aumento de 4,0% na comparação com julho do ano passado. O número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) somou 1,908 milhão, com aumento de 3,4% ante junho e queda de 12,3% ante julho de 2007.
A ocupação com carteira assinada caiu 0,4% em julho ante junho e subiu 7,8% na comparação com igual mês do ano passado. A ocupação sem carteira aumentou nas duas bases de comparação: 3,1% ante o mês anterior e 4,1% ante julho de 2007.
Massa de rendimentos cai -- Com o crescimento do desemprego, a massa de rendimento real efetivo da população ocupada nas seis principais regiões metropolitanas do País foi estimada em R$ 26,5 bilhões em junho - o dado é sempre relativo ao mês anterior ao de referência da pesquisa mensal de emprego. A massa de renda real caiu 0,6%, em junho, ante maio, e aumentou 8,2% na comparação com junho do ano passado.

Previdência defende teto atual de juros para consignado
É importante a gente se manter vigilante com a fúria dos banqueiros que agora não poupam, sequer, os aposentados e pensionistas. Quando surgiu o crédito consignado, os bancos, através de suas agências de publicidade, eram todos santinhos. Cheios de boas intenções. Agora, que o mercado está consolidado, começam as tentativas de explorar os pensionistas e aposentados. Repudiamos com veemência tais iniciativas. E achamos que o teto de 2,5% deve ser reduzido para 1,75%.
Veja o que foi publicado hoje:
Os representantes do governo no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) vão defender, na próxima quarta-feira, a manutenção do teto atual da taxa de juros do empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que está em 2,5% ao mês. De acordo com a assessoria do Ministério da Previdência Social, o ministro José Pimentel anunciou a decisão durante evento realizado em Recife para lançamento do "Boletim Estatístico da Previdência Social - Especial Nordeste".
O CNPS, que além do governo é formado por representantes dos trabalhadores, aposentados e empresários, é o órgão que define sobre os juros máximos que os bancos podem cobrar neste tipo de empréstimo. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já reivindicou o repasse das três últimas altas da taxa básica (Selic) definidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em abril, junho e julho, que resultaram numa taxa de 13% ao ano.
Os bancos argumentam que os custos dos empréstimos foram elevados com a elevação da Selic e o compromisso do CNPS é repassar os movimentos da taxa básica, seja para baixo ou para cima, para o teto dos juros cobrados no crédito consignado. De acordo com o relato da assessoria, Pimentel destacou que o governo já tomou a decisão de defender a manutenção da atual taxa de juros por considerar que um reajuste seria desnecessário. "Muitos bancos têm praticado juros de 1,75% ao mês, mesmo com o teto de 2,5%, o que demonstra a possibilidade de manter as operações com esse padrão de juros", afirmou o ministro.


Chinaglia defende discussão de pré-sal pelo Congresso
Finalmente, o tema do pré-sal chegou no ambiente adequado para a discussão de toda a sociedade brasileira. A iniciativa do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia é elogiável. Tem assuntos, como o pré-sal, que requer o envolvimento de toda a sociedade brasileira. Parabéns.
Veja a nota que saiu hoje na imprensa: O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ser fundamental que o Congresso discuta o modelo que será adotado para a exploração de petróleo na camada pré-sal. Chinaglia pretende realizar uma discussão na Câmara sobre o assunto. Poderá ser uma comissão geral, quando vários convidados debatem o tema no plenário, ou um grupo de trabalho ligado à presidência da Casa. "Dado o potencial das riquezas brasileiras na questão do petróleo, entendo que é tema de interesse nacional. É mais do que necessário que o Executivo e o Legislativo reflitam a respeito", disse Chinaglia, reconhecendo que a eventual criação de uma nova empresa é assunto sem consenso.