segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mobilizar o país em torno de um pacto nacional contra a crise financeira e pela preservação dos empregos

UGT apresenta, para Lula, suas propostas para pacto nacional contra a crise

Na reunião de hoje com o presidente Lula vamos deixar muito claro que a crise financeira mundial, que nos afeta de maneira dura, tem que ser tratada atacando as suas causas que são de ordem financeira e econômica. Vamos pedir que se reduza a taxa Selic em pelo menos dois pontos percentuais, para gerar um círculo virtuoso e imediato de crédito e de contenção da inadimplência que ameaça especialmente os bancos públicos, já que os bancos privados simplesmente se recusam a exercer sua função social que é a de irrigar os setores privados com crédito. Vamos apresentar também para o presidente a necessidade de se discutir as soluções económicas por setores e exigir contrapartidas formais, através de repasse das ações das empresas em troca dos empréstimos públicos, como é feito nos Estados Unidos. Desta maneira, o governo terá voz e voto nas determinações das companhias e poderá impor um tratamento humano e social na questão do emprego. Vamos mostrar ao presidente nossa preocupação com o excesso de rotatividade, que tem sido usada de maneira indiscriminada tendo como desculpa a crise mundial, mas que na verdade é adotada para arrochar a folha salarial. A crise é violenta, mas não é maior que o Brasil.  Por isso, vamos mobilizar os patriotas brasileiros em torno da solução da crise e isolar os banqueiros e empresários que agem pensando apenas no próprio bolso, de maneira irresponsável e socialmente inconsequente. Vamos expor estes quintas colunas que não têm o Brasil como parâmetro e mobilizar a opinião pública a favor de um grande pacto nacional para superar a crise financeira mundial. Leia no link a seguir o texto base que já apresentamos para Carlos Lupi, ministro do Trabalho e que entregaremos hoje para o presidente Lula: http://www.ugt.org.br/images/noticiasimg/propostas_ugt_crise.pdf

Leiam, por favor, os textos do dia:

Lula se reúne com Lupi e centrais sindicais e pode definir medidas para conter demissões

Presidente quer balanço para saber quais setores estão demitindo mais.

Centrais sindicais devem pedir a ele iniciativas para garantir o emprego.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta segunda-feira (19) com o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e receberá em primeira mão os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) de dezembro e do ano passado. Na semana passada, Lula pediu ao ministro que preparasse um balanço específico para saber quais setores da economia mais estão demitindo.

Segundo o ministro, de posse dos números Lula deve decidir que medidas podem ser adotadas para impedir o desemprego em massa o país. O governo já está trabalhando há algumas semanas num conjunto de medidas para manter aquecido o setor da construção civil. Essas mudanças devem ser anunciadas ainda nesta semana pelo governo.

Entre janeiro a novembro a geração de empregos formais no país bateu um recorde e foram criadas mais de 2,1 milhões de vagas com carteira assinada, o que representou um aumento de aproximadamente 7,2% em relação total de postos de trabalho em dezembro de 2007. Contudo, o governo teme os efeitos da crise sobre o emprego e o ministro Lupi já disse que espera um número muito alto de desligamentos em dezembro.

Tradicionalmente, segundo ele, são fechadas cerca de 300 mil vagas no último mês do ano. Dessa vez, a expectativa no governo é que esse número seja quase o dobro.

Sindicalistas — A reunião com Lupi precede um encontro do presidente com as centrais sindicais. Os sindicalistas estão preocupados com a onda de demissões por conta da crise financeira internacional e querem uma intervenção do governo para garantir os postos de trabalho.

Na semana passada, o ministro do Trabalho chegou a propor que o governo só concedesse novos financiamentos com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para as empresas que garantissem o emprego de todos os funcionários.

Cortes podem zerar saldo de vagas em 2008

Os 123 mil postos criados até novembro na indústria de SP devem ter sido zerados com 120 mil demissões em dezembro

Número de demissões no último mês de 2008 é o maior já registrado na década; dados oficiais da Fiesp serão divulgados na quinta

O desemprego em São Paulo se acelerou no final de 2008. A indústria paulista fechou de 100 mil a 120 mil postos de trabalho com carteira assinada em dezembro, número superior ao que ocorre tradicionalmente no mês.

Com esse resultado, a geração líquida de emprego na indústria em São Paulo deve ter praticamente zerado no ano passado. No ano, até setembro, a geração líquida havia sido de 167 mil empregos. Em 2007, foram geradas 104 mil vagas.

Os efeitos da crise mundial começaram a ser sentidos com mais força na indústria paulista a partir de outubro. Naquele mês, foram cortadas 10 mil vagas; em novembro, 34 mil; em dezembro, o total de cortes é estimado entre 100 mil e 120 mil. Em novembro, a geração líquida era de 123 mil vagas.

Os números de dezembro são o resultado preliminar da pesquisa de nível de emprego industrial feita pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O resultado final será divulgado na quinta.

O total de cortes em dezembro foi o maior já registrado na década. A pesquisa da Fiesp é realizada desde 1981, mas já sofreu várias mudanças metodológicas, e por isso é difícil fazer uma comparação tomando por base toda a série histórica.

O universo abrange cerca de 3.000 empresas e o levantamento é feito com base no número de empregados no último dia do mês.

Em relação a novembro, o número de dezembro representa queda de cerca de 5,5% no total de postos de trabalho na indústria paulista. Dezembro normalmente é um mês de retração do emprego na indústria, mas a queda nunca passa de 3,5%, percentual já considerado alto pelos técnicos.

Em dezembro de 2007, foram fechadas 76 mil vagas na indústria, um número elevado, mas que tinha sido inchado pelo fato de as empresas terem adiado as demissões de novembro. Mesmo assim, a indústria paulista fechou 2007 com expansão de 5,01% na oferta de emprego, o que significou a geração líquida de 104 mil vagas.

O total de cortes na indústria paulista em dezembro explica em parte o recorde de demissões com carteira assinada no Brasil na pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que será anunciada amanhã pelo governo. A previsão é que tenham ocorrido 600 mil demissões, o dobro do que normalmente é registrado em dezembro.

"O aumento do desemprego é lastimável e, por isso, temos de quebrar paradigmas para evitar a escalada desse processo", afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Setor que puxava PIB agora lidera cortes

Desde o "setembro negro", o mundo virou de cabeça para baixo, e a indústria no Brasil seguiu a mesma toada: os setores mais dinâmicos que sustentavam o forte crescimento do PIB até então são agora os que mais eliminam postos de trabalho.

Antes no rol dos líderes da vigorosa expansão da economia de 6,8% no acumulado até setembro, material de transporte (inclui a indústria automobilística) e metalurgia (siderurgia) estão entre os que mais desempregaram em novembro.

Esses ramos perderam, respectivamente, 11,6 mil e 11 mil empregos formais naquele mês, segundo levantamento da LCA Consultores, feito a pedido da Folha com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os números correspondem ao saldo líquido entre admissões e demissões informadas pelas empresas ao Ministério do Trabalho e Emprego .

Até outubro, esses ramos mantinham as contratações, apesar de já se notar uma desaceleração. Ao lado deles, outros importantes ramos cortaram postos de trabalho em novembro, como química (7.200 empregos), mecânica (5.400), borracha (6.000) e material elétrico e de comunicações (4.100).

Todos mantinham, até o recrudescimento da crise mundial, em setembro, um bom ritmo de crescimento, segundo Fábio Romão, economista da LCA e autor do estudo.

Agora esses ramos sofrem com os efeitos da crise, que fez secar o crédito e desidratar as exportações de vários setores na esteira da forte contração da demanda mundial, diz Romão. (Leia mais na Folha)

 

4

Sindicatos fecham acordos diretamente com empresas

Um grande número de empresas e trabalhadores preferiu não esperar o resultado do debate público sobre flexibilização de direitos trabalhistas. Enquanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as centrais sindicais e políticos discutem se devem ou não rever direitos trabalhistas para evitar demissões, pelo menos 130 indústrias e nove sindicatos (representando 532 mil metalúrgicos) negociam discretamente por conta própria. Pelo menos oito acordos já foram fechados.

Os acordos já concluídos envolvem desde banco de horas - em que a redução de trabalho numa época é compensada por horas extras em outro período - até redução de jornada de trabalho e salários. Os acordos são uma alternativa às demissões, mas não deixam os trabalhadores imunes a cortes. Por enquanto, as negociações se concentram nas empresas mais afetadas pela crise: montadoras, autopeças, eletroeletrônicos e indústrias ligadas à siderurgia.

É em São Paulo, que responde por 40% da produção industrial do País, que está sendo costurado o maior número de acordos diretos entre sindicatos e empresas. Só na capital, 92 indústrias negociam com o sindicato dos metalúrgicos. Já no interior, a Volkswagen fechou acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, filiado à CUT, para introduzir o banco de horas. A proposta, que será apresentada a 5 mil trabalhadores amanhã, prevê até 25 dias de descanso em 2009, sem corte no salário, mas com compensação. (Leia mais no Estadão)

Governo estuda nova desoneração de tributos

O temor de que o Brasil viva uma recessão técnica no período entre outubro e março colocou na pauta do governo novas medidas de desoneração tributária.

Na empreitada para tentar conter os efeitos da crise, o Ministério do Desenvolvimento encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva proposta com três vertentes: isenção total de impostos e contribuições sobre bens de capital, redução de tributos incidentes nos bens de consumo duráveis (geladeiras, televisores, outros produtos de linha branca e eletroeletrônicos) e o fim da incidência tributária sobre todas as exportações, mostra reportagem do Globo, neste sábado.

Essas medidas se somariam às que já estão sendo estudadas para a construção civil. Este setor, que é destaque na geração de empregos, ajudará o país, segundo técnicos, a crescer cerca de 4% em 2009.

As medidas contam com o apoio da classe empresarial, mas o Ministério da Fazenda se opõe à ideia de novas desonerações. Alega falta de espaço fiscal devido à queda da arrecadação em novembro, o que deve se repetir em dezembro.

Com a divisão dentro do governo, caberá ao presidente Lula bater o martelo. Fontes da equipe econômica afirmam que o melhor seria não privilegiar setores específicos, tal como ocorreu com as indústrias automobilísticas, beneficiadas com redução do IPI e R$ 4 bilhões para capital de giro ( Leia também: Receita reduz IPI para jipes de fabricação nacional ). A alegação é de que, no momento, muitos segmentos precisam de ajuda. (Leia mais no Globo)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Centrais sindicais e classe trabalhadora vão assumir saídas para a crise

Centrais sindicais se unem a favor do Brasil e contra o desemprego

(Postado por Moacyr Pereira) Os trabalhadores brasileiros e suas centrais sindicais se unem contra a esperteza patronal que em nome da crise financeira mundial tentam avançar contra direitos trabalhistas e fazer com que a classe trabalhadora e o poder público assumam a conta dos desmandos dos gestores do capitalismo. Vamos parar sim, vamos exigir estabilidade para os trabalhadores das empresas que recorrerem ao financiamento público, vamos desmascarar os patrões e a Fiesp na sua tentativa de jogar contra o interesse do Brasil. Diferente das outras crises a que nós trabalhadores sobrevivemos, agora temos as centrais sindicais reconhecidas. Temos também um presidente da República com origem operária. Temos, ainda, deputados federais alinhados com os trabalhadores, como é o caso do deputado federal Roberto Santiago (PV-SP), vice-presidente da UGT. Ou seja, o cenário político nos é favorável. E vamos usar todos os acessos que temos, em todos os níveis de poder para preservar empregos, manter o mercado interno aquecido e aproveitar a oportunidade da crise para discutir, em posição de igualdade, as alternativas à atual crise. Já que está provado que o empresariado brasileiro, principalmente, os que se vinculam com a Fiesp aposta no atraso, no desemprego e joga contra o Brasil.

Leiam as notícias a seguir, que mostram os cenários em que as centrais sindicais se posicionam, como sempre, a favor dos trabalhadores e do Brasil:

Centrais sindicais ameaçam parar empresas que demitirem

Decisão, anunciada ontem, contou com a Força Sindical, que se afastou das negociações com a Fiesp.

As centrais sindicais definiram ontem que vão reagir às demissões com uma onda de paralisações nas empresas de todo o País. Participaram da reunião, organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Nova Central, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Faltou a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que ficou de fora da discussão porque terá na segunda-feira um encontro com todas as suas centrais estaduais e maiores sindicatos.

"Não podemos ficar assistindo às demissões. O próprio governo já percebeu que a marolinha vai ser uma onda grande de demissões. Será preciso uma injeção de dinheiro para evitar esses cortes", avaliou Wagner Gomes, presidente da CTB. Uma das surpresas do encontro foi o anúncio do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, de que só voltará a negociar com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) daqui a 10 dias. Ele era voz isolada entre as centrais ao concordar com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre a redução de salários e da jornada de trabalho.

Ontem, Paulinho preferiu se unir às outras centrais, que assinaram uma proposta para começar uma negociação governamental nas esferas federal, estadual e municipal. Ontem mesmo já começaram as costuras para reuniões com os ministros Carlos Lupi, do Trabalho, Guido Mantega, da Fazenda, e com o presidente Lula.

Skaf, agora apoiado apenas por um grupo de grandes empresários e parte dos sindicatos patronais , disse não se sentir isolado com a decisão. "Achei ótima a ideia do Paulinho de adiar o encontro. Semana que vem será o momento de unirmos forças pela redução da Selic e do spread bancário."

O presidente da CUT nacional, Artur Henrique, também é favorável às paralisações. "A orientação é para que sejam feitas paralisações e greves no caso de cortes. É a forma de resistirmos." O líder sindical tenta uma aproximação com o governo para avaliar maneiras de manter os atuais níveis de emprego do País.

Antes da decisão das centrais, as paralisações já vinham ocorrendo. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde a GM desligou 802 temporários, conseguiu parar a produção por dois dias, num total de quatro horas. Ontem participaram da manifestação cerca de 5 mil trabalhadores.

Os presidentes dos três sindicatos dos metalúrgicos do ABC, que representam aproximadamente 140 mil trabalhadores, defenderam ontem a união das bases, passando por cima das divergências entre CUT e Força Sindical, para enfrentar o processo de demissões já desencadeado nas indústrias e a proposta do empresariado de redução da jornada com corte de salários. Como primeira atividade conjunta, representantes de São Bernardo estarão hoje , às 13h30, em frente à Magneti Marelli Cofap, em ato promovido pelos metalúrgicos de Santo André contra a ameaça de demissão de 150 operários.

O grupo de sindicalistas do ABC defende estabilidade de emprego de seis meses, por decreto-lei, no caso de empresas que recebem ajuda financeira pública. As demissões no ABC desde outubro até o momento, segundo os presidentes dos sindicatos, atingiram cerca de 2,2 mil operários.  (Estadão)

Centrais sindicais exigem contrapartidas para negociação

Ao propor a flexibilização do trabalho sem garantir manutenção de empregos, os empresários vão provocar um estremecimento nas relações com os trabalhadores, avalia o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. Para ele, a crise fez levantar no país uma série de "propostas oportunistas". "Esse tipo de colocação (de que mesmo a flexibilização não garantirá os postos de trabalho) vai acabar acirrando a resistência de nossos sindicatos ao processo de demissões e colocar a manutenção de empregos no centro do debate", afirma.

A CUT defende a limitação das horas extras e a desoneração da folha de pagamentos, mas se opõe à Bolsa-Qualificação - suspensão do trabalho com a realização de um curso pelo trabalhador - e à redução de jornada com redução de salários. A central também é contra um acordo genérico, que possibilite a flexibilização em todos os setores da economia.

Segundo Artur Henrique, a generalização dos acordos traria "para a crise empresas que não foram afetadas". "Não podemos aceitar que a única proposta é que o trabalhador pague a conta dessa crise." Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, as centrais não podem permitir a flexibilização sem uma contrapartida firme por parte dos empresários. "Aí seria ceder demais. Os empresários precisam nos apresentar garantias." De acordo com Juruna, a redução da jornada com redução de salário seria aceitável desde que houvesse estabilidade pelo dobro do período. "Assim, se a redução ocorresse por três meses, o trabalhador teria seis meses de estabilidade", afirma.

Como alternativa às dispensas, a Força e a CGTB negociam férias e licença remuneradas, banco de horas e suspensão do contrato de trabalho. No caso da flexibilização da jornada, a condição é que a redução máxima seja de 25% com diminuição de 15% nos salários. Para o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, ainda há espaço para garantir empregos. "Ocorre que as empresas querem a flexibilização de qualquer jeito. Não é só pela crise." (Uai, Minas)

Centrais sindicais suspendem negociação com empresários

Sem a presença da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que se recusa a discutir redução de salários, as demais centrais sindicais do país decidiram nesta quinta-feira suspender por 10 dias as negociações com os empresários.

Até lá, os sindicalistas vão tentar se reunir com autoridades dos governos federal e paulista para discutir uma maneira de evitar demissões sem cortes nos salários.

As centrais tentarão ter audiências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o ministro do trabalho, Carlos Lupi, e com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Na pauta da negociação, estarão medidas que segurem a queda no consumo, como uma redução maior de impostos, ampliação do crédito, queda na taxa básica de juros e redução do spread bancário. Estas medidas também são reivindicadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que vem propondo aos trabalhadores uma redução da jornada de trabalho e consequente corte de salários, mas sem garantir a manutenção das vagas.

"Se conseguirmos que o governo tome estas medidas, talvez não seja necessário fazer estas concessões que os trabalhadores já estão fazendo em São Paulo e no Brasil", disse a jornalistas Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.

Paulinho cobrou do governo que as medidas contra a crise levem em consideração o emprego dos trabalhadores. Ele chegou a citar o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que, segundo ele, exigiu a manutenção do emprego pelas empresas quando concedeu a redução de impostos.

Os trabalhadores agendaram uma manifestação para a próxima quarta-feira, quando o Banco Central decidirá a nova taxa básica de juros. Além da Força Sindical, estavam presentes à reunião que decidiu suspender as negociações a Nova Central, a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

Na segunda-feira, o Ministério do Trabalho vai divulgar os números do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) correspondentes a dezembro, que, segundo o ministro Lupi, serão muito desfavoráveis. (Último segundo)

Fiesp joga contra o Brasil e contra a indústria, diz Chinaglia

Presidente da Câmara critica Federação das Indústrias de SP por apoio a corte de salários e de jornada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), criticou, nesta quinta-feira, 15, a postura de grandes empresas, que, por meio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), apoiam a proposta de corte de salários e da jornada de trabalho, sem dar garantias de emprego. Chinaglia defendeu o fortalecimento do mercado interno e lembrou que as empresas, principalmente do setor automotivo, já foram beneficiadas pelo governo com medidas contra a crise, entre elas a redução de impostos e o aumento da liquidez na concessão de crédito.

"Penso que a Fiesp poderia ampliar o seu leque de opções, porque batalhar apenas por redução de impostos em uma primeira fase e depois, quando vem a crise, não manter mercado interno fortalecido, isso joga contra o Brasil. Joga contra os trabalhadores que pagam a conta, imediatamente, mas joga também contra a indústria", disse Chinaglia, que participa de um evento na Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (SP).

Segundo o presidente da Câmara, o crescimento no mercado interno nos últimos quatro anos criou condições de compra e melhorou e economia. "Isso levou o empresariado brasileiro a ganhar muito dinheiro, com o setor da indústria batendo recordes. Penso que os sindicalistas, tanto patronais e trabalhadores, busquem o entendimento", afirmou Chinaglia. Ele lembrou ainda da ação da Câmara, considerada rápida pelo deputado, na aprovação de medidas do governo contra a crise, como a da compra de bancos privados pelos públicos.

A sugestão foi feita na semana passada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Estiveram na entidade alguns dos presidentes das maiores companhias do País, como Vale, Fiat, Siemens, Telefônica, Embraer, AmBev, Grupo Martins, Moinho Pacífico e Unipar, para a reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp. Juntas, elas empregam no Brasil cerca de 250 mil pessoas. A entidade já havia conseguido dias atrás o apoio da Força Sindical, cuja base no Estado abrange 4,8 milhões de trabalhadores e 612 sindicatos.

Skaf, como representante do grupo, afirmou que o apoio à redução de salário e de horas trabalhadas foi unânime. Para os empregadores, é a melhor maneira de não demitir no curto prazo. O presidente da Fiesp não economizou nas alfinetadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Quem é contra redução de salário e de jornada num momento atípico desses está a favor do desemprego. Negociaremos com a CUT ou sem ela", avisou.

A CUT é contra a sugestão da federação paulista, mas admite aprovar outras medidas de contenção de cortes. Quintino Severo, secretário-geral da central, avaliou que a discussão deva ser de âmbito nacional, e não se restringir ao universo da Fiesp. "Em nenhum momento a Fiesp concordou em garantir o emprego e nós não abrimos mão dos direitos dos trabalhadores. As discussões não podem ser unilaterais, por isso temos procurado dialogar com todos os lados", explicou Severo. (Leia mais no Estadão)

Centrais sindicais suspendem negociação com Fiesp

A negociação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em torno de redução de jornada com redução de salários para evitar demissões foi suspensa hoje pela Força Sindical. A central comandada por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, uniu-se a outras quatro centrais sindicais e agora quer levar reivindicações mais amenas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT), criada pelo PT, ficou de fora da reunião de hoje das centrais, e só na próxima segunda-feira discutirá que rumo tomar com suas seções regionais.

Contrária à redução de salário, a CUT racha o movimento. "Propostas como a de redução da jornada de trabalho com redução de salários são inaceitáveis", diz o presidente da CUT, Artur Henrique Silva Santos. "Isso não quer dizer que somos contra negociação", pondera em seguida.

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) também discorda da proposta da Força. "Não faremos parte desse guarda-chuva", disse o presidente Ricardo Patah. "Reduzir jornada com corte de salário não dá proteção ao trabalhador, e o que queremos é garantia de emprego", continuou o sindicalista.

Mas a UGT, junto com as demais sindicais, uniu-se hoje à Força e pretende marcar uma audiência com Lula, para entregar documento com reivindicações anticrise que já passou às mãos do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, nessa terça-feira em Brasília. As centrais também querem abrir negociações com governadores e prefeitos.

O documento mantém o pedido de que o governo deve exigir contrapartidas sociais, como a garantia de empregos, de todas as empresas beneficiadas pelo governo com redução de impostos e crédito mais barato para enfrentar a crise financeira mundial. (Leia mais em O Globo)