quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Movimento dos varredores e varredoras de São Paulo mostra acerto estratégico que levaram a prefeitura a recuar e as empresas a rever demissões

Serra e Kassab discutiram o recuo no corte da limpeza

(Postado por Moacyr Pereira, presidente do Siemaco-SP e secretário de finanças da UGT) — Continuamos nossa análise do movimento, que teve inclusive uma greve de um dia, dos varredores e varredoras de São Paulo em defesa dos postos de trabalho, que chegaram a contabilizar 568 demissões e 1300 avisos prévios, em função do corte de 20% anunciado pelo prefeito Kassab.

Só para recordar, o corte anunciado pela prefeitura paulistana levou as empresas (irresponsavelmente) a iniciar um processo acelerado de demissões. O Siemaco-SP tentou negociar com as empresas e com a prefeitura. Sem sucesso, num primeiro momento. Como de hábito, o Siemaco-SP iniciou um processo agressivo de mobilização da opinião pública. Primeiro, esclarecendo o que acontecia e que não era interesse dos trabalhadores serem usados como massa de manobra nem das empresas nem da prefeitura. Mostramos nossa preocupação com os serviços que prestamos para a cidade e nossa vinculação com os moradores e as donas de casa. Num primeiro momento, nosso posicionamento surtiu efeito. A prefeitura depois de uns 15 dias sem receber as empresas e o Siemaco, aceitou negociar com os trabalhadores e com os empresários. Mas ainda sem assumir uma posição. Foi necessária, então, a greve de protesto de um dia. Feita dentro da lei, ou seja, mantendo 80% dos trabalhadores nas suas funções, para conseguir o status de greve legal e tentar que a Justiça do Trabalho decretasse o movimento como legal e estabelecesse estabilidade entre um mês e três meses. Nossa estratégia era nos manter, como de hábito, afinados em primeiro lugar com os interesses da categoria, que precisa de seus empregos de volta. E ampliar as alianças com a opinião pública e com a Justiça do Trabalho e com o Ministério Público. Afinal, esses atores estão, como nós do Siemaco e da UGT, preocupados com os serviços prestados à população. O resultado, como vocês poderão ver no texto abaixo, publicado pelo jornal “O Estado de São Paulo” foi o recuo de Kassab, após entendimentos com o governador Serra. Os dois, prefeito e governador, preocupados com o efeito do nosso movimento na imagem pública que tentam preservar.

A lição que aprendemos, mais uma vez, é que vivemos numa democracia. E a UGT e seus sindicatos filiados aprendem, cada vez mais, a se valer do diálogo com a opinião pública, através dos veículos de comunicação, a se posicionar com independência e a manter a defesa intransigente dos interesses da categoria profissional que defende. Sem cair nas armadilhas da greve truculenta mas colocando o movimento de paralisação como a última alternativa dentro do jogo de forças políticas, que leva em consideração os interesses de todos os envolvidos: os trabalhadores, a opinião pública, a Justiça do Trabalho, a Prefeitura e as empresas.

Vivemos uma nova época, de muito mais acesso à opinião pública, como ficou demonstrado no Seminário de Comunicação realizado recentemente pela UGT. E temos que agir como estrategistas para conseguir com meios modernos e democráticos negociar junto às empresas e poder público os sagrados interesses das categorias que representamos. Que sempre giram em torno de emprego, salário decente e respeito cidadão. Agora, estamos na fase de negociação, sendo que a reversão das demissões e a suspensão dos avisos prévios são nossas principais exigências.

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O prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantiveram contato intenso às vésperas da decisão da Prefeitura de recuar dos cortes nos contratos de limpeza pública, anunciada anteontem. Segundo aliados, os dois estiveram juntos no fim de semana para conversar e definir as medidas que deveriam ser tomadas frente à pressão sofrida por Kassab, principalmente em razão do acúmulo de lixo na cidade.
Apesar das recentes baixas tucanas na gestão Kassab e de críticas de setores do PSDB ao seu governo, o prefeito continua aberto à influência do governador e padrinho político. As principais decisões de Kassab ainda são submetidas a Serra. "Os dois jogam juntos", diz um integrante do primeiro escalão do governo. Recentemente, setores do DEM passaram a ventilar a ideia de lançar Kassab a governador - mais um movimento do partido a fim de evitar que seja indicado o ex-governador Geraldo Alckmin do que uma ação política real.
O PSDB, no entanto, se preocupa com o desgaste que as medidas impopulares e os recuos do prefeito podem causar nos planos do partido de voltar à Presidência da República em 2010. Serra é o nome mais bem cotado nas pesquisas para disputar a eleição presidencial do ano que vem. A gestão de Kassab ainda é associada a Serra por grande parte do eleitorado. A preocupação de tucanos com os rumos da gestão Kassab foi levada ao governador após a decisão da Prefeitura de cortar 20% da verba de varrição e 10% na coleta de lixo, tida como a gota d"água dentro do PSDB.
Avalia-se, internamente, que algumas das medidas tomadas por Kassab têm até justificativa técnica, mas caem muito mal na opinião pública e servem de munição aos ataques dos adversários. Os tucanos também afirmam que o prefeito não soube traçar uma estratégia de comunicação eficaz para levar a público as medidas impopulares.
A pressão sobre Kassab não foi só política. O prefeito também estava prestes a enfrentar uma rebelião de subprefeitos quando decidiu recuar do corte nos contratos de limpeza pública. Segundo um subprefeito ouvido pelo Estado, o corte estava afetando serviços básicos do dia a dia, como poda de árvores e varrição, considerada uma operação de guerra.
"A gente implorou para ele não fazer isso. A pressão foi muito grande. Ele acreditou que bastava fiscalizar melhor e fazer uma gestão eficiente que tudo daria certo. Foi um erro."

Congresso de Fundação da UGT Paraíba

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) promoveu na quarta-feira, 23, no Cine Bangüê, do Espaço Cultural, em João Pessoa, o Congresso de Fundação da UGT na Paraíba, que teve como tema: “Sindicalismo Cidadão, Ético e Inovador”, e contou com a participação de representantes de mais de 30 sindicatos que passam a integrar a entidade no Estado.
O evento que reuniu centenas de dirigentes sindicais paraibanos teve início, às 8h, com o credenciamento dos delegados. A solenidade de abertura do Congresso ocorreu às 9h20, com a presença de várias autoridades e convidados, além de dirigentes nacionais da UGT, como Ricardo Patah, presidente nacional da entidade.. Em seguida aconteceu um ciclo de debates, nos quais foram abordados temas como: Sindicalismo e o Mercado de Trabalho na Paraíba e a UGT: Uma nova proposta para a Paraíba.
O Congresso teve prosseguimento no turno da tarde, às 12h40, com a realização de uma Assembléia de Constituição da UGT na Paraíba. Logo após, ocorreu a leitura e aprovação dos Estatutos da entidade, composição e eleição da diretoria e conselho fiscal. E sfoi encerrado após a posse da diretoria eleita
De acordo com o presidente do Sindicato dos Radialistas da Paraíba, Moisés Marques, que também é vice-presidente da Federação Nacional dos Radialistas (FENART), entidade filiada à UGT, o congresso tem o objetivo de instituir uma Central de Trabalhadores no Estado, por intermédio da UGT, que vai congregar centenas de sindicatos e federações de trabalhadores paraibanos.
Moisés Marques destacou que a UGT é um fórum democrático elaborador e executor de propostas de políticas públicas e de elementos atualizadores do marco regulatório para o Movimento Sindical em todo país, neste período em que se processam inovações tecnológicas e trabalhistas no modelo de negócios com profundas consequências para a nação brasileira.
Desde sua constituição há dois anos, a UGT já conta com mais de 720 entidades filiadas e tem se destacado como movimento que propõe formas de atuação conjunta e inovadora, reforçando o caráter nacional das mobilizações modernas. Uma vez que as Centrais Sindicais são uma conquista da democracia brasileira, eficientes para reunir os diferentes atores com a finalidade de avaliar e propor diretrizes de políticas públicas setoriais. (Click PB)

Empresas terão benefício por reduzir acidentes

Um milhão de empresas terão desconto de 50% nas alíquotas de SAT (Seguro Acidente do Trabalho) recolhidas à Previdência a partir de janeiro. A redução beneficiará todas as empresas que pagam impostos pelo lucro presumido ou real e que tenham investido na melhoria da segurança dos trabalhadores, reduzindo acidentes.
Outras 78 mil empresas, entretanto, serão penalizadas com aumento de 100% nas alíquotas de SAT a partir do ano que vem.
Pelas regras atuais, as empresas devem contribuir para o seguro com alíquotas de 1%, 2% e 3%, de acordo com o grau de exposição do trabalhador a situações de risco. (Folha)

Bancários iniciam greve nesta quinta-feira em todo o país

Bancários das redes pública e privada iniciam nesta quinta-feira greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleias realizadas na noite de quarta-feira no país. A categoria reúne mais 470 mil trabalhadores. Aderiram à paralisação bancários de Rio, São Paulo, Distrito Federal, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, Rondônia e Acre. Bancários de Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e de cerca de 50 municípios do interior também vão cruzar os braços. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que negocia com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), manteve a proposta inicial de reajuste de 4,5%, considerada insuficiente pelos bancários, que reivindicam 10%.

" A greve é uma resposta à irresponsabilidade dos bancos em não oferecer uma proposta à altura dos lucros acumulados no último ano "


- A greve é uma resposta à irresponsabilidade dos bancos em não oferecer uma proposta à altura dos lucros acumulados no último ano - disse Carlos Carneiro, presidente da Contraf e coordenador do comando de greve dos bancários.

A Fenaban disse que aguarda uma nova proposta dos representantes dos bancários. Carneiro, porém, afirmou que os bancos já foram comunicados da rejeição da proposta de reajuste de 4,5%, percentual abaixo do obtido por outras categorias profissionais, como metalúrgicos. Eles reclamam ainda do baixo percentual destinado à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e da redução de até 46% do salário inicial dos bancários.

No acordo de 2008, a PLR chegou a 15% dos lucros, caindo para 5,5% este ano. Os bancários alegam que os bancos foram pouco afetados pela crise, já que o setor registrou lucro de R$ 19 bilhões no primeiro semestre de 2009, segundo o Banco Central. (Leia mais em O Globo)

Consumidor de renda menor puxa acomodação da confiança em setembro

A acomodação do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em setembro foi puxada pelas faixas de renda mais baixas, que se ressentem do aumento da inflação e das condições do mercado de trabalho.

Para o responsável pela pesquisa, o economista Aloisio Campelo, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o ICC, que registrou 111 pontos em setembro, se mantém em patamar de otimismo moderado. "Acho que essa acomodação é passageira. O resultado de setembro mostra que não há euforia, mas também não há pessimismo", destacou.

O economista ponderou que o aumento das preocupações com a inflação não significa que exista risco de explosão de preços. Segundo ele, o recente avanço dos preços dos alimentos causou uma preocupação maior para os consumidores de baixa renda, que têm a renda mais afetada por estes produtos. Em agosto, os alimentos atingiram alta acumulada de 5,72% nos 12 meses dentro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da FGV.

Entre os consumidores da faixa de renda familiar até R$ 2.100, o ICC caiu 3,9% em setembro, na segunda baixa seguida, acumulando queda de 10,7% desde o agravamento da crise internacional, em setembro do ano passado, mas com alta de 3,8% este ano. Para este grupo, a percepção de inflação subiu e a expectativa de alta de preços para este ano passou de 6,5% para 7,3% neste faixa, enquanto na média a alta foi de 6,5% para 6,7% entre agosto e setembro.

Já entre os consumidores da faixa de renda familiar acima de R$ 9.600, o ICC subiu 1,8% em setembro, na sétima alta seguida. Desde o agravamento da crise, o ICC deste grupo subiu 0,4%, enquanto este ano a alta acumulada é de 22%.

"Há uma continuidade do avanço da confiança nas rendas mais altas e um piora nas mais baixas, que também sofreram com a perda de fôlego sobre a percepção sobre o emprego futuro", disse Campelo. "Em grandes números, parece também que a confiança das rendas mais altas tem ligação com o comportamento da bolsa (de valores)", acrescentou (O Globo)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Em torno da UGT nos conscientizamos, cada vez mais, da nossa capacidade mobilizadora a favor das nossas categorias

Estratégia vencedora da greve dos varredores e varredoras de São Paulo

(Postado por Moacyr Pereira, presidente do Siemaco-SP e secretário de finanças da UGT) – Os companheiros e companheiras do Brasil todo acompanham a mobilização dos varredores e varredoras de São Paulo ao longo do mês. Nossa categoria se viu entre um conflito estabelecido pela prefeitura de São Paulo que decidiu cortar em 20% as verbas destinadas à varrição. E a reação imediata e irresponsável das empresas que optaram pela demissão em massa. Só na primeira semana foram demitidos 568 trabalhadores e outros 1.300 receberam aviso prévio.

Estratégia – No primeiro momento o Siemaco tentou negociar. As empresas empurravam o assunto para a prefeitura. A prefeitura dizia que era problema das empresas. Iniciamos, então, uma campanha para mobilizar a opinião pública e sensibilizar o Ministério Público e a Justiça do Trabalho. Nos comunicados que distribuímos à imprensa avisamos que iríamos reagir mas que não nos interessava a greve. Que uma greve indeterminada sem exaurir todas as etapas de negociação seria prejudicial para a cidade. Assumimos nos nossos comunicados a responsabilidade que nos toca, enquanto categoria, pela saúde pública de São Paulo. Além disso, lembramos das chuvas, dos bueiros, das enchentes. Conseguimos sensibilizar São Paulo que passou a ser regularmente informada, pela imprensa, de nossas posições. Sempre atentos ao conflito entre empresas limpadoras e prefeituras deixávamos claro que não era um problema da categoria, mas que não aceitaríamos as demissões em massa.

Resultado – Depois de idas e vindas, muita conversa e mobilização da categoria que se recusava a assumir as tarefas dos que tinham sido demitidos, a cidade de São Paulo começou a perceber através do lixo que se acumulava nas ruas que o Siemaco-SP estava certo na sua argumentação. A cidade estava cada vez mais suja. A população começou a dirigir sua atenção para a administração Kassab, autor da Lei Cidade Limpa, e começou a perceber que a responsabilidade era da Prefeitura e das empresas.

Greve de protesto – Organizamos então na última segunda-feira uma greve de protesto de um dia. Era para criar uma situação de fato que exigiria a intervenção da Justiça do Trabalho que seria levado a julgar o dissídio. Buscávamos, assim, conquistar a estabilidade de três meses para a categoria e estancar a sangria desatada das demissões. Atentos à legalidade do movimento, só paramos 20% da categoria. Ou seja, conduzimos todo o movimento preocupados com a legalidade, sem cair nas provocações das empresas e muito menos sem prejudicar a cidade de São Paulo com uma greve de proporções midiáticas. Aliás, vários veículos de comunicação estranharam o nosso cuidado nesta greve, pois todos conhecem o vigor de nossa categoria quando decretamos uma greve.

Greve em tempos de crise – O que pesou na nossa estratégia é o amadurecimento que todos nós vivemos diante de um novo Brasil de uma nova época. Dentro do contexto estratégico da União Geral dos Trabalhadores (UGT), com a troca de idéias permanente que temos agora dentro da central, assumimos cada vez mais a visão geral dos atores em conflito. Avaliamos sempre a quem pode interessar uma paralisação. E neste caso, achamos que era nosso dever encaminhar as mobilizações e negociações sempre com o apoio da opinião pública, sempre com o diálogo com a categoria, sempre mantendo a referência legal. Decidimos, também, ter o Ministério Público como um aliado. E por isso não medimos esforços para repassar todas as informações relacionadas com o número de trabalhadores em greve (no dia da paralisação de protesto) dentro dos 20% determinados pela lei.

Resultado -- O resultado é que conseguimos que o prefeito Kassab reavalisasse a situação, levando em consideração o desgaste político que estava sendo criado, e suspendesse o corte das verbas de varrição. Ainda estamos no meio do caminho. Vamos negociar nos próximos dias a recontratação dos companheiros e companheiras demitidos. E a suspensão dos avisos prévios. Este relato me foi pedido pelo presidente da UGT, Ricardo Patah, e o faço para ajudar os companheiros do Brasil todo a ter subsídios para os grandes avanços da classe trabalhadora. Cada vez mais estamos inseridos na coletividade, temos acesso à mídia e só jogaremos o jogo que resulte em ganhos para a categoria e para os trabalhadores brasileiros.

Leiam, por favor, os textos do dia:

Kassab recua no corte de 20% às empresas de limpeza em SP

Prefeitura vai voltar a pagar R$ 27,5 milhões por mês para as empresas de varrição; garis voltam ao trabalho

O prefeito Gilberto Kassab recuou da decisão de cortar 20% da verba destinada à limpeza urbana e vai voltar a pagar R$ 27,5 milhões por mês às empresas de varrição. A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 22, dia em que os garis voltaram a trabalhar, depois da paralisação feita na segunda.

A paralisação foi um protesto contra a demissão de 568 colegas. Outros 1.300 receberam aviso prévio que vence na quarta. As demissões foram anunciadas depois que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cortou 20% do orçamento nos serviços de varrição, em agosto. Com o corte, as empresas receberiam R$ 24,5 milhões mensais.

Apesar de ter voltado atrás na decisão, o prefeito nunca admitiu que o corte tenha atrapalhado a varrição na cidade de São Paulo. Na segunda, quando os garis fizeram uma paralisação em protesto pelas demissões no setor, Kassab afirmou que estava disposto a dialogar com os garis e declarou que poderia ser necessário aumentar o valor dos contratos com as cinco empresas que fazem a varrição na cidade.

Questionado se as empresas recebem menos do que deveriam e estariam demitindo os funcionários, o prefeito disse que os contratos já previam um reajuste. "Existe um ajuste de valores em função da queda da nossa arrecadação", explica. Estava previsto para este ano "gastos de R$ 1,150 bilhão. No ano que vem, será de R$ 1,4 bilhão, o gasto com saúde não chegará a ser o triplo usado com limpeza urbana", declarou, em entrevista na Rádio CBN.

Corte na varrição afeta bairros nobres de São Paulo

Bairros da Lapa, Itaim Bibi, Perdizes e Morumbi são os mais afetados; zona leste vem logo depois

As subprefeituras de Pinheiros, da Lapa e do Butantã foram as mais prejudicadas pela redução em 20% no orçamento de varrição das vias públicas, anunciada no mês passado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Bairros nobres da capital, como Itaim Bibi, Jardim Paulista, Lapa, Perdizes, Vila Leopoldina e Morumbi, perderam 450 dos mil garis responsáveis pela limpeza das ruas. Os trabalhadores demitidos eram contratados da terceirizada Delta Construções. As três subprefeituras são responsáveis por 15 distritos, que ocupam área total de 127,9 quilômetros quadrados, com população de 916.843 habitantes.
Levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Prestação de Serviços em Limpeza Pública (Siemaco), a pedido da reportagem, mostra que, até o início de agosto, as cinco empresas contratadas pela Prefeitura para a varrição de ruas empregavam 8.153 pessoas. Dessas, 2.219 já foram demitidas.

A segunda região mais prejudicada é a zona leste, que agora tem 1.110 garis, ante 1.800 no início de semestre, redução de 38,3%. A limpeza da região central da cidade que era realizada por 1.600 pessoas, hoje conta com 1.272 garis. A diminuição de 20,5% no efetivo é facilmente percebida por quem anda pela região da Rua 25 de Março.
Para o presidente do Siemaco, José Moacyr Malvino Pereira, a situação de limpeza na cidade deve piorar. "A tendência é que as subprefeituras reduzam a demanda de serviço e priorizem áreas centrais e de maior movimento", diz. A categoria ameaça entrar em greve na próxima semana, caso as empresas não voltem atrás nas demissões. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o plano de varrição está sendo refeito.
As empresas que prestam serviço de varrição na cidade - Unileste, Construfert Ambiental, Qualix Serviços Ambientais, Delta Construções e Paulitec Construções - disseram que as informações caberiam ao Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur). O último levantamento do Selur diverge do fornecido pelo Siemaco. Segundo o presidente da entidade, Ariovaldo Caodaglio, houve 2.680 demissões em um quadro de 9.100 trabalhadores.

Brasil recebeu grau de investimento pela capacidade em superar a crise, diz Mantega

Ministro da Fazenda disse que Brasil reagiu mais rápido que outros países, como o México.

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu a elevação do rating da dívida do governo do Brasil para grau de investimento pela agência Moody's à "capacidade que o país demonstrou de superar a crise econômica".
O Brasil foi o primeiro país a ter sua classificação elevada pela agência de classificação de risco desde o início da crise. A categoria de grau de investimento determina se um país oferece ou não risco de pagar seus títulos. Quanto mais elevada a classificação, maior a propensão em atrair títulos.
"Eles estão dando esse grau de investimento em função da capacidade que o Brasil demonstrou de superar essa crise, da solidez econômica demonstrada e a rapidez com que nos superamos os problemas que surgiram com a crise", afirmou Mantega.
Segundo o ministro o Brasil teve uma reação mais forte e mais rápida do que outros países que já têm o grau de investimento, como o México.
Crescimento -- A Moody's foi a terceira agência a conceder a classificação ao Brasil. A Fitch Ratings e a Standard & Poor's já haviam elevado o Brasil grau de investimento no ano passado.
A nota da dívida do Brasil para moeda local e estrangeira foi elevada da categoria Ba1 para Baa3 - considerado o patamar inicial para créditos com grau de investimento.
"Agora nós temos as três maiores empresas de risco do mundo dizendo que o Brasil é um país confiável, um país seguro e poderá receber mais investimento de fundos de pensão e outros investidores", disse o ministro.
O ministro afirmou que a decisão da Moody's reflete a opinião da agência de que o Brasil "voltou a crescer e pode sustentar esse crescimento nos próximos anos".
"Há uma confiança do mercado, uma confiança dos investidores, dos países e das empresas de rating de que o Brasil pode dar continuidade a esse crescimento", afirmou. (Leia mais no Estadão)

Indústrias retomam uso da capacidade de produção, diz BNDES

Luciano Coutinho, presidente do banco estatal, diz que agora empresas investirão em novos projetos.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que, neste terceiro trimestre, o setor industrial já está próximo de recuperar o nível de utilização da capacidade instalada verificado antes da crise, fato que levará à retomada dos investimentos em novos projetos.
Sem citar números nem pedidos de financiamento que deram entrada no banco estatal, o executivo afirmou que a recuperação da economia que está em curso "induz as empresas a investir".
"Neste trimestre, já estaremos provavelmente próximos de recompor o nível de utilização de capacidade produtiva que começa a induzir decisões generalizadas de investimento. Nesse sentido, a perspectiva de retomada do investimento produtivo nos permite pensar na recuperação sustentável da economia", afirmou Coutinho, na abertura do seminário "A Hora e a Vez da Política de Desenvolvimento Produtivo", realizado no Rio de Janeiro.
Pelos últimos dados disponíveis, a utilização da capacidade industrial cresceu, mas ainda está distante dos níveis pré-crise. Ficou em 80,5% em julho, acima dos 79,7% de junho, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). O percentual é menor, porém, do que os 83,8% de julho de 2008, quando a economia estava em ritmo acelerado.
Coutinho ressaltou, porém, que para o país manter um crescimento vigoroso e sem inflação precisa sustentar uma taxa de investimento em torno de 20% do PIB -patamar próximo ao alcançado antes da crise. No segundo trimestre, a taxa ficou em 15,7%.
Apesar do otimismo do executivo, o representante da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no Brasil, Renato Balman, disse que é importante exportar e um dos entraves para deslanchar as exportações é a falta de uma política industrial coordenada em toda a América Latina.
Para Josué Gomes da Silva, presidente da indústria têxtil Coteminas, a valorização do real agrava ainda mais essa desvantagem brasileira especialmente porque o Brasil compete com países da Ásia que controlam o câmbio e o fluxo de capitais (China, Índia e outros). (Leia mais na Folha)

ECONOMIA:
MAIOR PARTE DOS BRASILEIROS ESTÁ OTIMISTA
Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem aponta melhora da expectativa da população em relação à economia: 85% acreditam que o restante do ano será "muito bom" ou "bom". Apenas 45% acham que a inflação pode aumentar (contra 51% há três meses). O percentual da população que acredita que o desemprego vá subir também caiu: de 53% em junho para 30%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.