quarta-feira, 2 de junho de 2010

Democracia brasileira exige que a unidade se confirme com respeito mútuo dentro e fora das centrais sindicais

UGT lamenta atitude divisionista da CUT

Em declarações ao jornal “O Estado de São Paulo”, de hoje, o presidente da CUT, Artur Henrique disse que a UGT representaria “só 5%” dos trabalhadores brasileiros. É lamentável tal atitude, claramente divisionista, quando tentava explicar para os jornalistas e para a opinião pública porque a UGT, que respeitou decisão interna, não compareceu ao ato político para apoiar Dilma Rouseff, convocado para ontem, no Pacaembu. Um hábito, que a se confirmar a lamentável declaração do presidente Artur Henrique, da CUT, prova que temos que trabalhar muito mais pela unidade democrática, pelas açoes conjuntas que exigem respeito pelas posições dos nossos aliados e parceiros de luta. A CUT sabe muito bem do potencial de representação da UGT, como consta nos registros oficiais e abertos do Ministério do Trabalho. Se apela, ao tentar diminuir a UGT é por ter à sua frente um presidente que infelizmente ainda não percebeu os novos tempos que o Brasil vive. (Ricardo Patah, presidente Nacional da UGT)

Leia o clipping do dia, por favor:

Aumenta o emprego para quem tem mais de 50 anos

Aquecimento da economia e procura por profissionais mais experientes elevaram em 28,43% a contratação de trabalhadores desta faixa na região metropolitana de São Paulo no primeiro trimestre, melhor número desde 2001.

A contratação de trabalhadores com idade superior a 50 anos cresceu 28,43% na região metropolitana de São Paulo no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2009.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 32,7 mil pessoas dentro dessa faixa etária foram reempregadas no período.O número é o mais expressivo desde 2001, quando foram contabilizados 16,8 mil registros.

Para o professor do Departamento de Economia da Unesp, Elton Casagrande, o aumento reflete o momento favorável da economia e do mercado de trabalho formal, independente da idade do trabalhador.O professor também chama a atenção para o fato de que a faixa etária de 50 a 64 anos atingiu, pela primeira vez, a casa dos 5% de representatividade entre todos os reempregados,aqueles que já tinham pelo menos um registro na carteira de trabalho e voltaram ao mercado.

Segundo Casagrande, os profissionais dentro desse perfil têm atributos favoráveis para o mercado, como experiência, estabilidade, responsabilidade e compromisso. Aliado a esse cenário, muitas empresas preferem admitir pessoas mais maduras, com postura diferente dos jovens, que demandam um custo maior de aprendizagem.

O professor Anselmo Luis dos Santos, do Instituto de Economia da Unicamp, relata que o emprego cresceu pouco nos anos 80 e 90, o que fez aumentar o número de trabalhadores que recorreram ao trabalho informal.

A melhora do emprego formal verificada nos últimos anos abriu espaço para essas pessoas que trabalhavam por conta própria. "Além do aumento de oportunidades, ocorreu uma melhora do salário, o que também acaba atraindo as pessoas que atuavam como autônomas a trabalhar com carteira assinada", ressalta.

De acordo com o diretor da Santa Gente Educação para Humanos Crescidos, Flávio Souza Ramos, o principal diferencial das pessoas com mais de 50 anos em relação aos jovens é o convívio em sociedade. "Esses profissionais se comunicam melhor do que os jovens, que falam gírias por exemplo, além de terem mais experiência de trabalho e de vida", diz. Por isso, o setor de serviços pode achar nessa faixa etária bons funcionários para lidar com pessoas.

Ramos pontua que a demanda por profissionais qualificados está grande e deve continuar. Ele cita que a Petrobrás, inclusive, está recontratando técnicos aposentados por conta da falta de capacitação de mão de obra jovem.

Novas vagas — Algumas empresas desenvolvem políticas para a contratação de pessoas da terceira idade. É o caso da Pizza Hut, que tem um programa para trabalhadores com mais de 60 anos.

Depois de dois anos e meio mandando currículos para empresas, Lucília de Souza Carinha, 71 anos, foi admitida pela Pizza Hut em 2005 e trabalha como hostess (recepciona os clientes) da unidade de Pinheiros, zona oeste. Depois de lecionar e abrir uma loja, ela optou por ficar sem trabalhar por oito anos até voltar ao mercado.

"Foi uma época difícil (quando começou a procurar emprego). Poucas empresas aceitavam pessoas com mais de 40. Hoje é muito melhor e os empresários estão vendo que somos mais experientes, mais tranquilo senão damos dor de cabeça", afirma.

Centrais gastam R$ 800 mil em ato para criticar o PSDB

Cinco centrais sindicais gastaram pelo menos R$ 800 mil num evento realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, no qual reproduziram o slogan adotado pelo PT na campanha eleitoral deste ano -o de que "é preciso impedir o retrocesso".
O evento organizado por CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), Nova Central e CGBT (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) reuniu 10 mil pessoas.
O objetivo era fazer uma agenda de propostas que o movimento sindical quer entregar aos candidatos à Presidência. Mas os líderes adotaram um tom eleitoral e o discurso repetido por petistas contra o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.
"Nossa maior responsabilidade é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram as políticas neoliberais durante a década de 90", afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.
"Uma assembleia como esta, se fosse feita na década de 90, era para falar contra privatizações, demissões, propostas da gestão Fernando Henrique Cardoso", disse.
O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que na segunda criticou o pré-candidato do PSDB, José Serra, e defendeu Dilma Rousseff (PT), ontem fez apologia do governo Lula.
"Nós temos que dizer aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula tem que continuar, porque esse é um projeto que deu certo."
Ligada ao PT, a CUT apoiará formalmente Dilma tão logo a candidatura seja anunciada. A Força optará pela neutralidade, embora Paulinho apoie a eleição de Dilma.
O presidente da Força disse que cerca de R$ 800 mil foram gastos com a estrutura do evento (aluguel do estádio, trânsito, palco). Os gastos serão repartidos entre as centrais, que esperavam 30 mil pessoas no estádio.
No mês passado, as cinco centrais receberam R$ 70,2 milhões da União por meio do imposto sindical. (Folha)

Governo anuncia nova metodologia para o seguro acidente de trabalho

O governo anunciou acordo com empresários e trabalhadores para implantar nova metodologia de cálculo para o Seguro Acidente de Trabalho (SAT). As novas regras entram em vigor em setembro, valendo para 2011, e reduzem custos para empresas onde trabalhadores adoecem menos, penalizando onde há maior volume de acidentes.

Dados do Ministério da Previdência Social apontam que ocorre uma média anual de cerca de 3 mil mortes e 8 mil aposentadorias por invalidez permanente, causadas em ambiente de trabalho no país.

Em 2009, esses sinistros custaram R$ 14,2 bilhões à Previdência, enquanto as empresas contribuíram com R$ 8,1 bilhões. A diferença é coberta por recursos da União. Dados anteriores mostram que desde 2003 o INSS cobre, pelo menos, 40% dessa conta.

Em função disso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta há sete anos alterar o modelo do seguro. Discussões com empresários e trabalhadores levaram o governo a implantar, em 2007, o Fator de Acidentário de Prevenção (FAP), para um cálculo mais equânime do SAT.

Mas tanto as empresas como os trabalhadores não gostaram da fórmula final, e a medida já foi vítima de duas ações de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), de parte das confederações da indústria (CNI) e do comércio (CNC), além de cerca de 7 mil processos administrativos e 250 ações judiciais.

Hoje, o ministro da Previdência, Carlos Gabas, anunciou que o Conselho Nacional de Previdência Social alterou a metodologia do FAP, que serve para o cálculo do seguro. Segundo ele, houve anuência de empresários e trabalhadores e a medida não representa fraqueza do governo.

- Não há recuo, nem atendimento a pressões. Estamos aprofundando o diálogo. Antes, era uma mera indenização por perda de capacidade laboral ou por mortes, para empresas mal intencionadas. Agora, passa a ser um instrumento de proteção dos trabalhadores - disse Gabas, titular da pasta há dois meses.

O secretário de Políticas de Previdência Social, Fernando Rodrigues, explicou que "a nova metodologia consegue distribuir, melhor, os riscos. O FAP passa a ser um instrumento modulador", disse. Ele explicou ainda que a polêmica gira mais em torno da metodologia do fator do que em relação à cobrança.

- O FAP passa a ser um diferencial para as empresas que sonegam e as que não sonegam - continuou o secretário. O FAP, na verdade, está em vigor desde janeiro deste ano. Mas a partir de setembro terá mudanças na metodologia de cálculo, valendo para ocorrências entre 2007 e 2008.

As empresas sem qualquer registro de acidentes de trabalho, por exemplo, terão reduzidas à metade, as alíquotas incidentes para o cálculo do seguro (1%, 2% e 3% da folha salarial, dependendo de setor e portes). Cerca de 350 mil empresas devem ser beneficiadas, de imediato.

Já aquelas que sonegarem informações sobre o tema ou que registrarem aumento forte da sinistralidade laboral, terão suas alíquotas dobradas pelo FAP, resumiu o diretor de Saúde da Previdência, Remígio Todeschini.

Segundo ele, das 4,5 milhões de empresas cadastradas no país, cerca de 952 mil médias e grandes estão obrigadas a pagar o seguro. O restante está no rol de isentos por estarem no Simples, atividade rural e outros. (O Globo)

Massacre põe em xeque bloqueio a Gaza

Egito reabre fronteira com território; ONU condena atos e pede investigação; ativistas mandam mais navios

A política israelense de bloquear a faixa de Gaza voltou a ser alvo de duros questionamentos após o ataque no qual nove ativistas que integravam uma frota que pretendia levar ajuda humanitária ao território palestino foram mortos por soldados israelenses.

Ontem, o movimento Gaza Livre anunciou que enviará novos navios para tentar furar o bloqueio a Gaza. O Egito decidiu abrir a passagem que liga Gaza ao país, fechada desde a chegada ao poder do grupo extremista Hamas, em 2007. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou o fim do bloqueio ao território.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução que condena os "atos" que levaram à morte dos ativistas e pede investigação independente. O premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, disse que Israel deve ser "castigado" pelo "massacre sangrento". (Folha)

Consumo de classes C, D e E crescerá 7% ao ano até 2012

Estudo da Fecomercio diz que ritmo de crescimento de consumo de emergentes é o dobro das classes A e B. Gastos com habitação vivem expansão e há novas prioridades; regiões Norte e Nordeste lideram expansão.

O consumo de produtos e serviços nas classes C, D e E deve crescer em um ritmo que é o dobro do esperado para as classes A e B, segundo estudo feito pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
A projeção considera que o crescimento do consumo das famílias de faixas de renda até dez salários mínimos (R$ 5.100) deve se manter entre 7% e 8% ao ano no período de 2010 a 2013.
Entre as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de crescimento do PIB.
A dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos e deve se sofisticar cada vez mais, avalia Fabio Pina, economista da Fecomercio.
A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE atualizados para 2006. Nas classes C e D, esse peso é maior -chega a 23% e 27%, respectivamente.
Cerca de 30% das despesas totais das famílias foram destinadas para a habitação -os gastos com esse item em todas as faixas de renda chegaram a R$ 27,8 bilhões.
MUDANÇA DE CONSUMO — "Esses padrões devem mudar nos próximos anos, tanto por região como por itens de consumo. O consumo nas regiões Norte e Nordeste deve crescer mais proporcionalmente do que no Sul e no Sudeste. Mas haverá uma mudança significativa no que se consome", diz Pina.
"O consumo de arroz e feijão não vai mudar. Mas itens como habitação devem ter ganho de espaço entre as famílias, especialmente as de menor renda, que têm mais acesso a crédito e podem se beneficiar de empreendimentos mais econômicos."
Para a Fecomercio, mantido o ritmo de expansão de consumo das famílias, a questão que deve ser debatida é como se pretende sustentar esse crescimento. O estudo projeta que o consumo das famílias pode atingir R$ 2,42 trilhões até 2013 e R$ 3,29 trilhões em 2020.
"Como a tendência é de os gastos do governo e os investimentos privados crescerem acima do PIB, pode haver deficit internacional, já que o país terá de recorrer a financiamento externo para se financiar ou haverá aumento da inflação." (Folha)

terça-feira, 1 de junho de 2010

UGT é contra corte do governo federal em Educação, a área mais sensível neste momento de expansão da economia

Governo corta R$ 1,2 bi da Educação

Redução faz parte do corte de gastos que deve chegar a R$ 10 bi anunciando no mês passado pelo governo.

O governo definiu na segunda-feira, 31, os ministérios e os órgãos da União que terão uma nova redução de orçamento este ano, como parte do corte de gastos anunciando recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O Ministério da Educação foi o mais afetado e terá R$ 1,28 bilhão a menos para gastar em 2010.

Com esse corte adicional, o orçamento da Educação perdeu R$ 2,34 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso Nacional. No total, o Executivo está reduzindo despesas no valor de R$ 7,5 bilhões, com a justificativa de tentar conter o consumo do governo e, por consequência, o crescimento da economia e da inflação.

Outra razão para o corte, não declarada pelo governo, é se adequar às obrigações legais. Já que o governo está prevendo uma queda na arrecadação federal em relação a 2009, é obrigado pela lei a cortar seus gastos – embora os analistas privados digam que o País vai crescer mais do que os 5,5% previstos por Brasília e, portanto, a arrecadação também deverá subir.

A área econômica anunciou no mês passado uma redução de R$ 10 bilhões nas despesas do governo, como mais uma arma no combate à inflação. O corte foi anunciado como uma medida para evitar uma escalada mais forte da taxa de juros básica (Selic) pelo Banco Central, responsável por manter a inflação dentro da meta de 4,5%.

O Legislativo e o Judiciário terão uma redução nas despesas de R$ 125 milhões. Para alcançar o valor anunciado de R$ 10 bilhões, o governo revisou as estimativas de gastos obrigatórios (principalmente com pessoal e subsídios) reduzindo-as em cerca de R$ 2,4 bilhões. Este ano, foi a primeira vez que o governo teve que fazer um corte adicional além do contingenciamento que é realizado todo início de ano, após a aprovação da Lei Orçamentária pelo Congresso. O corte total em 2010 já soma R$ 28,95 bilhões.

Além da Educação, os maiores cortes ocorreram no Ministério do Planejamento (R$1,24 bilhão), nos Transportes (R$ 906,4 milhões) e na Fazenda (R$ 757,7 milhões). O Ministério da Saúde perderá R$ 344 milhões. O Ministério do Desenvolvimento Social – responsável por programas sociais como o Bolsa-Família –, terá que reduzir as despesas em R$ 205,3 milhões.

Por outro lado, dez ministérios tiveram parte do orçamento recomposto em relação à previsão de março. Os ministérios beneficiados foram Agricultura; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Justiça; Previdência Social; Trabalho; Desenvolvimento Agrário; Esporte; Defesa; Integração Nacional e Turismo.

Segundo o decreto publicado na segunda no Diário Oficial da União, os únicos órgãos que não tiveram alteração na previsão de orçamento em relação à última estimativa divulgada em março foram o ministério das Relações Exteriores e a vice-presidência da República. O governo também fixou R$ 1,5 bilhão como reserva. Esses recursos podem ser distribuídos, à medida que seja preciso, aos ministérios. (Estado)

Roubini diz que Brasil precisa investir mais em educação

A diversificação da atividade econômica coloca o Brasil em vantagem em relação às economias desenvolvidas e, até mesmo, frente às emergentes. A afirmação foi feita hoje pelo economista e presidente da RGE Monitor, Nouriel Roubini, que destacou ainda os avanços da economia brasileira. O economista, que ficou famoso ao prever a crise econômica mundial, foi, contudo, enfático ao dizer que o País precisa investir mais em educação e na capacitação do capital humano. Na visão de Roubini, o investimento em Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), por exemplo, tem de correr lado a lado com os investimentos em educação.

"São importantes programas de transferência de renda para as pessoas mais pobres, mas é mais importante ainda dar educação para os mais pobres", comentou o presidente da RGE Monitor. Roubini também defendeu a realização de reformas estruturais como base para o crescimento sustentável da economia brasileira. O Brasil, segundo ele, tem de atentar para o risco de se tornar uma economia altamente dependente da exportação de commodities, apesar de reconhecer a diversificação da economia brasileira. Isso porque, de acordo com Roubini, os preços das commodities tendem a cair no curto prazo no mercado mundial, dado o desaquecimento da economia global.

Perguntado se o crescimento da economia brasileira vai requerer um forte arrocho de juros, Roubini disse que não gostaria de opinar sobre o tema. "Não vou ficar aqui dando chutes sobre arrocho monetário no Brasil. Vocês tem um Banco Central com um corpo técnico sofisticado, que sabe da necessidade de manter a inflação no centro da meta", disse, acrescentando, porém, que tudo vai depender do crescimento da economia doméstica. O presidente da RGE Monitor também destacou que os choques externos, como a redução da liquidez mundial, podem levar a um arrefecimento da economia interna. E que esses choques estão fora do raio de ação do País.

As afirmações de Roubini foram feitas em palestra "Quais as chances do Brasil se tornar uma potência econômica nas próximas décadas?", no "Fórum Exame - A construção da quinta maior economia do mundo", que acontece em São Paulo. (Estado)

Setor aéreo no país deve triplicar em 20 anos, afirma Ipea

O mercado interno de aviação brasileiro deverá mais do que triplicar de tamanho nos próximos 20 anos, aponta estudo divulgado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
A perspectiva conta com a hipótese de um crescimento anual do Produto Interno Bruto de 3,5% -para este ano, há previsões de até 7%.
"É muito provável que o país tenha, nas próximas duas décadas, um das maiores expansões de tráfego aéreo e de rentabilidade das empresas no mundo", diz o relatório.
Essas taxas de crescimento poderão ser ainda maiores se as restrições de capacidade em Congonhas, Guarulhos e Viracopos forem resolvidas. (Folha)

Atenção a consumidor piora em 2010

Com vendas em alta, cai a qualidade dos serviços oferecidos via telefone e internet, segundo pesquisa nacional. Tempo de espera para falar com o atendente ao telefone subiu de 1,5 minuto, em 2009, para 2,4 minutos neste ano.

As empresas estão vendendo como nunca e, em troca, oferecendo ao consumidor atendimento pior no telefone e na internet.
É o que revela pesquisa feita pela consultoria GfK e pela revista "Consumidor Moderno". Segundo o estudo, a qualidade do suporte ao cliente por esses canais caiu em relação ao serviço prestado no ano passado.
No telefone, o índice de atendimentos considerados satisfatórios diminuiu de 94% para 91%. O tempo de espera por atendimento humano subiu 60%, de 1,5 minuto, em 2009, para 2,4 minutos neste ano -das ligações, 25% caem na espera.
Pioraram a agilidade e a eficiência das respostas entre 2009 e 2010 (de 95% para 92%) e os casos em que o nome do cliente é mencionado (de 80% para 54%).
Alguns itens, porém, apresentaram melhora, mas não suficiente para evitar a queda do índice geral de qualidade de atendimento.
O tempo de conversa entre cliente e atendente caiu de 1,8 minuto para 1,7 minuto. Ligações em que o atendente demonstrava interesse em ajudar aumentaram de 93% para 95% dos casos.
Resolução do problema na primeira ligação aumentou de 88% para 93% dos casos entre 2009 e 2010.
Quem procura os sites das empresas na internet sofre mais. Respostas satisfatórias caíram de 61% para 48% entre 2009 e 2010.
Apenas 31% das respostas voltaram em até oito horas úteis, prazo considerado razoável, ante 45% no ano passado. E-mails ignorados cresceram de 31% para 41%.
A pesquisa foi feita em abril. Primeiramente, pesquisadores enviaram questionário a empresas de 50 setores sobre a estrutura de atendimento. Depois, consultores anônimos procuraram as três melhores de cada setor, dez vezes por e-mail e dez por telefone.
"Como ouvimos as que supostamente tinham a melhor estrutura, o atendimento pode estar ainda pior do que imaginamos", diz Roberto Meir, responsável pela publicação e presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente.
Para Meir, a Lei dos SAC tem efeito restrito na pesquisa porque vale apenas para alguns setores -como bancos, telefônicas e concessionárias de energia.
OUTRO LADO — O Sindicato das Empresas Aéreas disse que não comenta estratégias de marketing das empresas. O Sindicato das Empresas de Telefonia disse que não "comenta pesquisas genéricas".
Federação Brasileira de Bancos, Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica e Associação Nacional dos Produtos Eletroeletrônicos não comentaram. (Folha)

Ministro proíbe empresas de submeter empregados a teste de HIV

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, baixou portaria nesta segunda-feira que proíbe empresas de exigirem exame de HIV no momento da admissão de empregados e em outras situações. Este é o exame que detecta se a pessoa está contaminada com o vírus da Aids. "Não será permitida, de forma direta ou indireta, nos exames médicos por ocasião da admissão, mudança de função, avaliação periódica, retorno, demissão ou outros ligados à relação de emprego, a testagem do trabalhador quanto ao HIV", diz a portaria.

Carlos Lupi citou cinco convenções, leis e até o polêmico 3º Programa Nacional de Direitos Humanos para basear sua decisão. O ministro recorreu a uma Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1968, que "proíbe todo tipo de discriminação no emprego ou profissão"; citou também uma lei brasileira de 1995, que "proíbe a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego ou a sua manutenção"; e até a uma portaria interministerial, de 1992, que proíbe no âmbito do serviço público federal a exigência de teste para detecção do vírus HIV nos exames pré-admissionais e nos exames periódicos de saúde".

A portaria de Lupi não proíbe que campanhas de prevenção de saúde estimulem os trabalhadores a conhecer seu estado sorológico quanto ao HIV por meio de orientações e exames comprovadamente voluntários, porém "sem vínculo com a relação de trabalho e sempre resguardada a privacidade quanto ao conhecimento dos resultados". Entidades não governamentais denunciam essa exigência feita por empresas. (O Globo)