terça-feira, 27 de janeiro de 2009

UGT presente no Fórum Social Mundial

Fórum Social Mundial começa em busca de 'outro mundo'

 

(Postado por José Francisco, presidente da UGT Pará) Rodeados por 80 mil pessoas do mundo inteiro, a UGT Pará, junto com toda a executiva da UGT Nacional, vive hoje um dia de glória e de mudança na perspectiva social do Pará, do Brasil e do mundo. Quando se reúnem tantas pessoas, de várias regiões do globo, com a firme intenção de rediscutir o atual modelo econômico, de apontar saídas para a preservação do meio ambiente, para a inclusão social e de proteção às crianças e adolescentes contra a violência sexual, a gente chega a sentir a mudança. Desde sexta-feira, estamos em constantes trocas de idéias, de visões de mundo, todos somando experiências, entregas, dedicação para tornar real o nosso sonho de um mundo melhor. A cada hora milhares de pessoas estão construindo uma agenda positiva, aqui, no Pará. No primeiro dia do Fórum Social Mundial em que teremos as manifestações do presidente Ricardo Patah e de outras lideranças da UGT, em que estamos recebendo, acomodando, abraçando líderes sindicais do mundo todo, podemos afirmar que sairemos daqui muito mais fortes socialmente. E preparados para juntar forças e enfrentar essa crise financeira mundial que não é nossa e muito menos dos trabalhadores brasileiros.

 

Leiam as notícias a seguir: Enquanto a maior parte do mundo assiste com temor aos efeitos da crise financeira internacional, os mais de 100 mil inscritos para o 9° Fórum Social Mundial (FSM) enxergam uma oportunidade. O evento reúne representantes de organizações sociais do mundo e começa na tarde desta terça-feira (27) com uma caminhada pelas ruas de Belém (PA), cidade-sede dos debates.

O primeiro FSM foi realizado em 2001 na cidade de Porto Alegre (RS) e terminou com o slogan “Um outro mundo é possível”. Para os organizadores, após a “crise do sistema capitalista”, o desafio dos participantes da edição deste ano é tentar mostrar que mundo é este. Ou melhor, que mundos são estes, uma vez que a pluralidade é uma marca do Fórum.

 “Temos a chance e o desafio de dizer o caminho. O Fórum é uma universidade aberta, onde todas as idéias são legítimas e a própria perspectiva do evento é de promover a pluralidade. Portanto, são vários mundos possíveis”, afirma Cândido Grzybowski, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), uma das 129 entidades que organizam o Fórum.

Para o diretor-geral do Ibase, a crise permitirá a “reconstrução” do modelo de desenvolvimento no mundo e o trabalho do fórum é apontar as diretrizes. “A crise abre uma possibilidade de reconstrução em cima de outras perspectivas, envolvendo a participação do cidadão e as questões ambientais”, opina.

O meio-ambiente, aliás, deve ser um dos “mundos” a provocar muitos debates. O evento acontece na Amazônia, o que, para o secretário-geral da Presidência, ministro Luiz Dulci, já traz o tema para o topo das prioridades do Fórum.

 “A Amazônia não é só brasileira. A questão amazônica certamente entrará na pauta do Fórum. O presidente Lula deverá incluir esta questão em seu discurso e falar sobre o esforço ambiental do governo. O desafio da Amazônia pode e deve ser discutido, porque isto é uma questão de grande interesse”, afirma Dulci.

Apesar de ter um caráter não-governamental, o FSM terá a presença de 12 ministros e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal nega que haja qualquer intenção de “influenciar” o fórum e destaca que a presença dos ministros se dá devido a convite das entidades.

Segundo a organização, o Fórum já recebeu mais de 100 mil inscrições e outras pessoas poderão ainda participar do evento. São 5.860 organizacões participantes de mais de 150 países. A pluralidade e a descentralização do FSM ficam explicitas no número de atividades: 2.400. As ações acontecem em dois territórios e 18 tendas temáticas dentro das Universidade Federais Rural do Pará (UFRA) e do Pará (UFPA). Somam-se a estas atividades outras 200 ações culturais que serão promovidas por participantes do Fórum na cidade de Belém. Tudo isto até o dia 1° de fevereiro, data de encerramento do encontro.

 

Fórum Social Mundial reunirá cinco presidentes da AL no Pará

A nona edição do Fórum Social Mundial, que começa hoje em Belém (PA), reunirá os cinco principais presidentes de esquerda da América Latina. Mas eles devem encontrar um clima de cobranças sobre a crise econômica global e a preservação da Amazônia, afirmam os organizadores do encontro.

Estão confirmados, além do presidente Lula, Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai). Eles devem ficar na capital paraense entre quinta e sexta-feira desta semana.

A organização informou ainda que outros dois chefes de Estado latino-americanos podem participar do encontro: Óscar Arias, da Costa Rica, e Ronald Venetiaan, do Suriname.

Antes, o maior número de presidentes reunidos no fórum ocorreu em 2005, em Porto Alegre (RS), com Lula e Chávez.

"Mas não são eles que dão legitimidade a nós", disse Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), um dos idealizadores do evento. "Nós que damos legitimidade a eles."

Segundo ele, os presidentes foram convidados para responder o que planejam fazer diante dos dois principais temas do fórum deste ano: a "falência" do sistema financeiro mundial e a busca de alternativas de desenvolvimento sustentável.

Para Oded Grajew, também idealizador do evento, os governantes sempre atraem a mídia, o que gera visibilidade.

Além dos presidentes, 12 ministros de Lula devem comparecer -dentre eles, Dilma Rousseff (Casa Civil), possível candidata à sucessão em 2010. (Mais detalhes na Folha)

 

Lula volta a dizer que concessão de crédito de bancos federais deve estar vinculada a emprego

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que as linhas de financiamento dos bancos públicos deverão estar vinculadas à geração de empregos. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor produtivo seriam condicionados à criação e manutenção de vagas.

Lula disse ainda que é preciso diminuir a burocracia para que o crédito brasileiro "volte à normalidade", avaliando que as novas ações de estímulo ao crédito e aos investimentos - tomadas na semana passada - deverão amenizar os efeitos da crise internacional.

- Acredito que vamos evitar que a crise tenha maior gravidade no Brasil. Estamos reforçando o caixa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com R$ 100 bilhões para que ele possa não apenas incentivar novos investimentos no setor produtivo, mas ajudar nos grandes projetos que a Petrobras tem aqui no Brasil com o pré-sal - declarou.

Leia também: Petrobras planeja investir US$ 174,4 bilhões entre 2009 e 2013

 

Lula destacou, no entanto, que a orientação é para todos os bancos controlados pelo governo federal -Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, além do BNDES.

 

- Quando eles fizerem empréstimos ou crédito, que isso esteja ligado à geração de postos de trabalho, porque é o que conta para a distribuição de riqueza e para melhoria de vida das pessoas - disse Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente". (Leia mais no Globo on line)

 

Indústria de SP demite 130 mil e fecha 2008 com queda

Segundo dados da Fiesp, setor terminou o ano com fechamento de 7 mil vagas, pior resultado desde 2003.

O nível de emprego na indústria paulista caiu 2,72% em dezembro ante novembro na série com ajuste sazonal, segundo informou nesta segunda-feira, 26, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A queda significou o fechamento de 130 mil vagas no mês, conforme antecipou o presidente da entidade, Paulo Skaf, nesta manhã, em entrevista à Rádio Eldorado. Essa foi a maior queda para um mês de dezembro desde 2003.

Com o fechamento de vagas em dezembro, acelerado pelo agravamento dos efeitos da crise financeira internacional no País, todo o crescimento de vagas que vinha sendo registrado até outubro foi anulado. Assim, o saldo de empregos ficou negativo em 7 mil postos de trabalho em 2008. O resultado é o pior entre os dados da Fiesp que consideram a nova metodologia da pesquisa, que começam em 2003.

O fechamento de vagas em dezembro foi bem superior à previsão inicial da entidade para o mês, que era de fechamento de 80 mil vagas. Todos os 21 setores pesquisados pela Fiesp em dezembro demitiram funcionários no mês.

Confiança — dos empresários da indústria paulista melhorou na primeira quinzena de janeiro. A pesquisa Sensor, realizada pela Fiesp, ficou em 43,5 pontos. Embora o resultado seja considerado fraco, já que variações abaixo dos 50 pontos indiquem pessimismo, o dado mostra recuperação em relação à segunda quinzena de dezembro, quando o Sensor ficou em 35,1 pontos. (Mais informações no Estadão)

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Unidade na ação para barrar escalada da crise econômica contra os empregos

Crise global e desemprego em alta revigoram o movimento sindical

(Postado por Laerte Teixeira da Costa) As bases sofrem as consequências da crise de maneira uniforme, por isso, as centrais sindicais adotam, como é comum em todo o mundo e em todas as crises, a unidade na ação. O importante é aproveitar os resultados que alcançaremos e otimizar nossa unidade na ação mesmo fora das crises, para aproveitar e consolidar avanços sociais e económicos a favor dos trabalhadores.

Leia mais: Centrais sindicais organizaram protestos, mobilizaram trabalhadores e foram ao presidente pedir queda dos juros

Fazia tempo que as centrais sindicais não tinham tanto espaço. Com o corte drástico de empregos, os presidentes das entidades ganharam voz nas negociações com governadores, presidentes de federações de indústrias, empresários, ministros e até com o presidente da República. Demorou, mas Luiz Inácio Lula da Silva, que fez fama nos anos 70 e 80 no movimento sindical, encontrou antigos e novos companheiros.

O encontro, na segunda-feira, juntou presidentes das seis centrais. Dois dias depois foi a vez de José Maria de Almeida, 51 anos, da Conlutas, falar com Lula. "O governo precisa tomar medidas. Não dá para confiar que a situação começa a melhor em março. Isto não vai acontecer", diz o líder da central mais a esquerda de todas.

A bandeira defendida foi a de pressão governamental sobre os bancos para que baixem os juros. Assim as empresas podem tomar empréstimos a um custo menor e manter os empregos. Em outra ação conjunta, as centrais mobilizaram cerca de 100 mil pessoas na quarta-feira em frente aos nove escritórios do Banco Central com o objetivo de pressionar para a queda da taxa básica de juros.

A nova fase do sindicalismo dá visibilidade a companheiros bem conhecidos, como Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, 52 anos, e a uma geração mais nova, como a de Artur Henrique Silva Santos, de 47 anos, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do País, com 20 milhões de trabalhadores.

Para Santos, a maior conquista dos últimos tempos foram os sucessivos aumentos do salário mínimo. Com 22 anos de vida sindical, iniciada no Sindicato dos Eletricitários de Campinas (SP), o presidente da CUT diz: "Muita coisa mudou. A esquerda brasileira optou pelo caminho eleitoral, democrático. Mas nós ainda acreditamos no socialismo. Este modelo de capitalismo não leva a nada".

Wagner Gomes, 52 anos, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (a CTB, surgida de um racha na CUT), afirma que, apesar da proximidade com o governo, não se pode abrir mão da autonomia. "Pode dialogar, mas sem esquecer que você está lá para defender os interesses dos trabalhadores", lembra.

As centrais sindicais brigaram muito pelo reconhecimento oficial, o que só aconteceu no ano passado. Com isso os 20% do total arrecadado com a contribuição sindical (valor descontado da folha de pagamento dos empregados equivalente a um dia de trabalho) que ia para o governo caiu para 10%. A outra metade, por volta de R$ 56 milhões, passou para as mãos das centrais. Sozinha a CUT fica com cerca de 35%, seguida pela Força (12%), União Geral dos Trabalhadores (UGT, com 6,29%), Nova Central (6,27%), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB, com 5,09%) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB, com 5,02%).

Ricardo Patah, 55 anos, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT, dissidência da Força) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, comenta que o papel dos sindicatos e das centrais hoje é bem diferente dos anos 80. "Os trabalhadores tinham uma verdadeira admiração pelos sindicatos, que ajudaram a acabar com a ditadura. Hoje a questão é mais capitalista e há mais união entre as centrais", opina.

Presidente da Nova Central, José Calixto Ramos, 80 anos, acredita que "nunca houve no movimento sindical um momento de vacas gordas. A luta nunca foi fácil nem nunca será". Para Ramos, quando a economia vai mal é mais difícil mobilizar os trabalhadores. "A possibilidade de demissão apavora quem quer se aproximar do movimento sindical. O próprio Lula admitiu na reunião com as centrais que a crise existe de fato. A situação é delicada e depende da mobilização de patrões, empregados e governo".

Presidente da CGTB (originada na Central Geral dos Trabalhadores), Antonio Neto, 56 anos, está otimista com o crescimento das centrais. "A situação hoje é bem melhor. Antes não tínhamos participação no governo como agora, no Conselhão, no Conselho de Segurança Alimentar e Conselho de Política Industrial", comenta. (Leia mais no Estadão)

Inadimplência das empresas cresce 36%

Toda segunda-feira os jornais publicam as matérias de gaveta sem uma devida revisão e sem contextualizar de maneira adequada. Por exemplo, todos nós sabemos que o mês de Janeiro é de dificuldade de caixa para as empresas e para os trbalhadores. Esse fato foi levado em conta? É claro que a crise afeta, mas como? Precisamos de informações claras, devidamente dentro do contexto para nos ajudar a resolver a crise.

Leia mais: Alta em dezembro é a maior desde 1999; restrição ao crédito e retração da atividade econômica explicam elevação, diz Serasa Experian.

Taxa de inadimplência fecha 2008 com alta de 4,8%; até outubro, no acumulado do ano, indicador registrava queda.

A crise atingiu em cheio o caixa das empresas. A inadimplência das pessoas jurídicas explodiu no final de 2008. A alta foi de 36,1% em dezembro em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Jurídica. Foi o maior aumento do índice registrado pela pesquisa desde que ela foi iniciada, em 1999.

A velocidade da crise impressiona. De março a outubro, a taxa acumulada no ano era negativa, o que significa que a inadimplência das empresas estava em queda. Até outubro, a queda era de 0,3%. O ano fechou, no entanto, com um crescimento de 4,8%.

Segundo o assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, são dois os fatores que explicam essa alta recorde da inadimplência. Primeiro, a restrição ao crédito (aumento dos juros, maior seletividade nos empréstimos e prazos menores dos financiamentos). Segundo, a retração da atividade econômica.

"A crise bateu nas empresas com os juros altos, a falta de crédito e a queda na demanda", diz Almeida. Por consequência, o "spread" (diferença entre o custo de captação do crédito para o banco e a taxa cobrada dos clientes) deve demorar ainda mais para cair.

A pesquisa já havia registrado a alta da inadimplência em novembro, quando o indicador subiu 28,2% em relação ao mesmo mês de 2007.

As perspectivas não são nada favoráveis. A tendência é a inadimplência continuar em alta. No início do ano, as empresas arcam com aumento de despesas para pagamento de impostos, como IPTU e IPVA, e a receita cai. A crise deve ajudar a agravar esse quadro.

"A inadimplência deve continuar em alta", diz Almeida.

A inadimplência dos consumidores também aumentou. Na semana passada, a Serasa Experian divulgou o indicador de inadimplência para pessoa física. O índice subiu 8% em 2008 em relação ao ano anterior, a maior variação desde 2006. Só em dezembro, o crescimento foi de 12,8%, ante o mesmo mês do ano passado.

Metodologia — Na próxima terça-feira, o Banco Central divulga a nota de operações de crédito de dezembro com os dados de inadimplência das pessoas jurídicas e das pessoas físicas dos bancos. Por se tratarem de pesquisas com metodologias diferentes, é possível que essa alta da inadimplência constatada pela Serasa Experian ainda não se reflita nesses números.

O Banco Central classifica como inadimplência 90 dias em atraso do pagamento das dívidas bancárias. Já o indicador da Serasa Experian mostra a variação do total das dívidas não pagas pelas empresas em todo o país. A pesquisa abrange o total de cheques sem fundos, de títulos protestados e de dívidas com os bancos. (Leia mais na Folha)

Fórum Social terá a presença dos presidentes Lula, Chávez, Moraes, Correa e Lugo

O Fórum Social Mundial que surgiu como um contraponto ao Fórum Económico de Davos, se tornou permanente. A UGT estará presente no Fórum deste ano e receberemos uma expressiva delegação estrangeira. Entre elas, estão 20 sindicalistas da Central Sindical Cristã, da Bélgica, que vieram para ver de perto como os sindicatos ribeirinhos se organizam e atuam na Amazônia. Vamos divulgar relatos diários, através do Blog do Patah e com releases distribuídos para a imprensa do Brasil todo.

Leia mais: O governo federal investiu R$ 77.591.887 para uma série de melhorias no Estado do Pará, governado pela petista Ana Júlia Carepa, em decorrência da realização do Fórum Social Mundial --que ocorrerá entre os dias 27 a 1º de fevereiro.

Mas o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral) negou que Ana Júlia tenha sido privilegiada no repasse de recursos. "Esses investimentos ficarão no Estado e na capital [Belém]", afirmou o ministro. "São investimentos em segurança, educação, saúde e turismo."

Segundo ele, os recursos serão aplicados em programas de saúde bucal, reaparelhamento da polícia, recuperação do setor de perícia policial e capacitação de voluntários. Os homens da Força Nacional de Segurança também atuarão nos dias do evento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) comparecerão ao fórum.

Lula vai debater os mecanismos adotados pela América Latina para conter os impactos da crise financeira internacional. Lula discutirá a crise financeira sem a presença de ministros da área econômica, como Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. (Mais informações na Folha online)

DIRETAS-JÁ / 25 ANOS DEPOIS

Apoio ao voto obrigatório e à democracia é recorde

É muito importante o registro destas datas históricas. Eu estava lá. Fui um dos organizadores, e hoje, 25 anos depois, posso afirmar que o povo brasileiro mudou muito e para melhor. Um povo que deu sustentação à democracia e que avançou muito mais que os próprios políticos, apostando permanentemente na distribuição de renda, na convivência harmoniosa entre as diferentes tendências políticas e com avanços como a Constituição de 88 e o Plano Real.

Leia mais: Em 25 de janeiro de 1984, 300 mil pessoas foram a comício histórico na praça da Sé. Para estudiosos, dados da pesquisa Datafolha indicam consolidação da democracia após cinco eleições com voto direto para presidente.

Transcorridos 25 anos do ápice do movimento pelas Diretas-Já, pesquisa Datafolha revela que a aprovação do brasileiro à democracia atingiu seu mais alto patamar. Simultaneamente, é a primeira vez desde que o instituto iniciou a série de levantamentos que a maior parte da população defende a obrigatoriedade do voto.

De acordo com o Datafolha, 53% são favoráveis ao voto obrigatório, contra 42% de 1994, a primeira vez que o instituto pesquisou o tema.

Outro recorde é o apoio à democracia. O levantamento revela que 61% acham que ela é a melhor forma de governo. A série histórica começou em 1989, quando os brasileiros voltaram a votar para presidente. O índice era de 43% e oscilaria para 42% três anos depois, sua menor marca, no fim da gestão de Fernando Collor de Mello.

Para estudiosos e personalidades, os números revelam a consolidação da democracia, mas ainda existem riscos ao sistema e é preciso aperfeiçoar o controle do financiamento de campanhas, alvo de grandes escândalos após 1984, quando, há exatos 25 anos, no 430º aniversário de São Paulo, uma multidão estimada em 300 mil pessoas lotou a praça da Sé pelo direito de votar para presidente.

"A população se deu conta de que a democracia política pode gerar democracia social", diz o historiador José Murilo de Carvalho, autor de "Cidadania no Brasil - O Longo Caminho". (Leia mais na Folha)