quinta-feira, 17 de março de 2011

UGT, através de seu presidente, recebe resposta à nota de solidariedade aos trabalhadores japoneses

Rengo, maior central sindical japonesa, responde à solidariedade da UGT e confirma “a morte ou desaparecimento de mais de dez mil pessoas”

Em resposta à solidariedade prestada pela UGT aos trabalhadores japoneses, representados pela Rengo, sua mais importante central sindical, com mais de 6,8 milhões de trabalhadores filiados, Ricardo Patah recebeu a seguinte carta, assinada por Nobuaki Koga, Presidente da Rengo, Japanese Trade Union Confederation (JTUC-RENGO). Leia os principais trechos:

“Sr. Ricardo Patah, Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

Caro Irmão Patah,

Re: 2011 Tohoku – Terremoto no Oceano Pacífico no Japão

Muito obrigado pela sua gentil mensagem de apoio, devido ao devastador terremoto de 11 de março. Temos ficado muito encorajados com as calorosas mensagens e ofertas de doações recebidas por parte dos irmãos e irmãs das organizações sindicais internacionais.

Também em 14 de março, as sedes da RENGO montaram uma Força Tarefa de Ajuda para Desastres e decidiram lançar a nossa própria campanha para levantamento de fundos. Também temos planos de enviar membros de sindicatos como voluntários e bens necessários para as áreas afetadas, de forma a ajudar as pessoas que foram vitimadas.

Enfrentamos uma situação de devastação sem precedentes e temo que levaremos muito tempo para nos recuperarmos. Ainda não está claro quais são os danos nas áreas afetadas e ainda estamos coletando informações. Por enquanto, confirmou-se a morte ou desaparecimento de mais de 10 mil pessoas. Este dado, porém, é apenas uma parte do total. A situação é muito crítica, mas estamos determinados em fazer um esforço conjunto para enfrentar esses tempos difíceis.

Mais uma vez, obrigado pela sua preocupação e solidariedade.

Com os meus mais sinceros cumprimentos,

Nobuaki Koga, Presidente da Rengo, Japanese Trade Union Confederation (JTUC-RENGO)”

Leia as principais notícias do dia:

Tragédia no Japão: Contaminação é "extrema", dizem EUA
Avaliação foi feita pelo chefe da comissão nuclear do país; imperador japonês vai à TV para tentar evitar pânico.

A principal autoridade norte-americana na área de energia nuclear, Gregory Jaczko, disse ontem que a radiação liberada pela usina Fukushima 1 é "extremamente alta". A avaliação foi feita após incêndio no reator 4 da usina -que, embora inativo, contém varetas de urânio usadas como combustível.
O número oficial de mortos pelo tsunami chegou a 4.314. Com o pânico chegando à capital, Tóquio, o imperador Akihito tomou a atitude inédita de ir à TV falar ao povo. Pediu "esperança".
A China anunciou a suspensão da construção de novas usinas até que estejam em prática novas normas de segurança. Já a Espanha anunciou a checagem de todos os seus reatores. (Folha)

Governo está preocupado com falta de mão de obra qualificada

O governo está preocupado em como enfrentar o desafio da falta de qualificação profissional, num momento em que o mercado de trabalho se mostra bastante aquecido.

Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o tema foi abordado na segunda reunião do Fórum de Desenvolvimento Econômico.

Ao deixar o Ministério da Fazenda, Coutinho comentou, rapidamente, que o governo quer encontrar soluções para a desqualificação no mercado de trabalho. Ele destacou que a questão se agrava “com o nível de emprego alto”, com mais e mais empresas buscando mão-de-obra especializada, sem conseguir preencher vagas.

Ontem, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, divulgou a criação de 280 mil novas vagas em fevereiro, e também mencionou a urgência do governo em criar cursos de formação profissional.

Coutinho disse que outro ponto debatido no fórum foi a manutenção do “avanço dos investimentos com estabilidade de preços, de forma consolidar o crescimento econômico, embora em ritmo mais modesto” do que em 2010. (Valor)

Governo reduz imposto de importação de 253 itens

Medida vale para produtos de bens de capital, de informática e elecomunicações; alíquotas caíram para 2%.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) reduziu o imposto de importação para 253 produtos de bens de capital e bens de informática e telecomunicações. A lista foi publicada hoje no Diário Oficial da União por meio de resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex). As alíquotas caíram para 2%.

Por meio dos ex-tarifários, o governo pode reduzir temporariamente as tarifas para aquisição no exterior de bens de capital, informática e telecomunicação sem produção nacional. A redução do imposto de importação ocorre depois da análise dos projetos de investimentos apresentados pela iniciativa privada. Segundo o ministério, os investimentos globais estimados vinculados aos novos ex-tarifários chegam a US$ 2 bilhões. O valor das importações de equipamentos é de US$ 571 milhões. A maior parte é vinculada ao setor de siderurgia.

No mês passado, a Camex já havia reduzido a 2% a alíquota do imposto de importação para 417 itens ligados a investimentos no valor de US$ 2,1 bilhões. O governo entende que o ex-tarifário estimula os investimentos ao baratear a compra de máquinas e equipamentos sem similar nacional. O mecanismo é usado pelo Ministério do Desenvolvimento desde 2003. O uso deste mecanismo cresce sempre que há aumento dos investimentos no País.

Também foi publicada hoje outra resolução alterando a Tarifa Externa Comum (TEC- usada pelo Mercosul para taxar importações de terceiros países). O imposto para importação de carvões para pilhas elétricas e de acetato de vinila caiu de 12% para 2%, a partir de 1º abril. O MDIC explicou que a queda se deve à inexistência de fabricação no Mercosul. O acetato de vinila é utilizado como matéria-prima na fabricação de tintas e de fibras artificiais e sintéticas. O produto já estava com redução tarifária temporária, com cota, concedida por razões de desabastecimento interno.

Outra resolução também publicada no Diário Oficial estendeu para as empresas exportadoras a distribuição da cota de 250 mil toneladas para importação de algodão com tarifa zero. A compra era restrita a indústrias do segmento têxtil. A redução está em vigor desde setembro de 2010 e vale para declarações de importação registradas até 31 de maio deste ano.

O ministério do Desenvolvimento decidiu ainda elevar de 14% para 35% a alíquota do Imposto de Importação para algumas classificações de pêssegos. Com isso, o Brasil incorpora uma decisão do Conselho Mercado Comum do Mercosul (CMC) que vale para o período de 1º de abril até 31 de dezembro de 2011. No entanto, o MDIC destaca que o produto continuará na Lista de Exceção à Tarifa Externa Comum que, fixou a alíquota em 55% para estas mercadorias. (Estado)

Economia brasileira cresceu 0,71% em janeiro, mostra BC

A economia brasileira entrou 2011 acelerando. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado na tarde desta quarta-feira cresceu 0,71% em janeiro, quando comparado com o resultado de dezembro. Desde outubro passado, o indicador vinha registrando desaceleração. Em dezembro, por exemplo, a economia havia crescido 0,11% sobre novembro. Naquele mês, sobre outubro, o crescimento havia ficado em 0,35%.

Em janeiro, o IBC-Br mostrou que, no ano, a expansão ficou em 4,58% e, no acumulado em 12 meses, em 7,38%. O ritmo de atividade econômica é importante na pressão sobre a inflação. (O Globo)

CNI/Ibope: 72% são contra a volta da CPMF

Para população, recursos para a saúde pública são suficientes; hospitais têm os piores serviços

A saúde pública vai muito mal no Brasil, mas não se deve criar novos impostos para melhorar esses serviços, porque o governo já dispõe de recursos suficientes. O problema é de gestão.

As afirmações foram colhidas em pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em dezembro e divulgada ontem. Para 81% dos entrevistados pelo Ibope, a baixa qualidade dos serviços de saúde é resultado da má utilização dos recursos públicos. E 72% foram categóricos: são contra a recriação da CPMF.

"A maioria dos brasileiros acredita que o governo já arrecada muito e não precisa aumentar os impostos para melhorar os serviços públicos", diz o estudo sobre a pesquisa "Retratos da sociedade brasileira: qualidade dos serviços públicos e tributação".

No início do governo Dilma Rousseff, voltou a ser alimentada no meio político a ideia de ressuscitar a CPMF. Não como iniciativa do governo, porque a presidente não está disposta a assumir esse desgaste. A proposta seria lançada por governadores aliados.

Alguns, como o de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), defenderam publicamente a volta da CPMF. Mas o debate não prosperou.

Conforme a pesquisa, 82% dos entrevistados consideram que a arrecadação tributária é suficiente para a melhoria dos serviços públicos. E 87% concordam que a carga tributária — atualmente o total de impostos arrecadados corresponde a cerca de 35% do PIB — é alta ou muito alta.

Essa opinião é mais frequente quanto maior o nível de renda familiar do entrevistado.

Ao avaliar a satisfação dos brasileiros com 12 tipos de serviços públicos, a pesquisa conclui que apenas quatro tiveram mais de 50% de aprovação.

O serviço com a pior avaliação foi o de postos de saúde e hospitais, reprovado por 81% dos entrevistados. Em seguida, a segurança pública, que é considerada de baixa ou muito baixa qualidade por 72% da população.

A pesquisa realizada pela CNI em parceria com o Ibope foi feita entre 4 e 7 de dezembro de 2010 com 2.002 pessoas em 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o grau de confiança de 95%. (O Globo)

Jirau: operários se revoltam e incendeiam ônibus

Dezenas de ônibus incendiados. Toda a área de lazer, uma lavanderia e três caixas eletrônicos destruídos. Mais de 20 detidos e uma multidão de trabalhadores com malas nas costas, abandonando seus empregos.

Esse foi o cenário visto nesta quarta-feira no canteiro de obras de uma das maiores construções em andamento no país, a usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Porto Velho (RO).

De acordo com trabalhadores, a destruição começou no tarde de terça-feira, depois que um operário foi agredido pelo motorista de um dos 400 ônibus usados para transporte de pessoal na área da usina.

Operários reclamam da truculência de seguranças e motoristas e da falta de uma ouvidoria e de meios de transporte para Porto Velho nos fins de semana.

Em comunicado, a Camargo Corrêa e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil disseram que 45 carros e ônibus foram destruídos e que houve um "ato de vandalismo isolado, sem qualquer relação com as empresas". (O Globo)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Avanço no emprego formal desafia até mesmo juros altos

Emprego formal bate recorde em fevereiro

O resultado de 280.799 vagas criadas foi puxado pelo setor de serviços. Pela primeira vez desde setembro de 2010, o número de vagas abertas foi maior do que o do mesmo mês do ano anterior (70 mil a mais que fevereiro de 2010). Outros setores com bom desempenho foram indústria e construção. (Folha)

Governo bloqueia compra de terras por estrangeiros

Para controlar o avanço de aquisições e fusões com empresas do exterior, AGU mobiliza juntas comerciais e cartórios.

O governo decidiu bloquear negócios de compra e fusão, por estrangeiros, de empresas brasileiras que detenham imóveis rurais no País. Esse tipo de negócio estaria ocorrendo, segundo avaliação do Planalto, como uma forma de burlar restrições impostas no ano passado à compra e ao arrendamento de terras por investidores estrangeiros.

O bloqueio de novos negócios foi determinado em aviso encaminhado nessa terça-feira, 15, pela Advocacia-Geral da União ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Este repassará a ordem às juntas comerciais: operações de mudança do controle acionário de empresas proprietárias de áreas rurais envolvendo estrangeiros não poderão ser formalizadas. A partir do aviso, operações eventualmente fechadas podem ser suspensas na Justiça.

As juntas comerciais também vão auxiliar os cartórios a identificar a participação de capital estrangeiros nas empresas que comprem terras.

O ato do ministro Luiz Inácio Adams é mais uma tentativa de controlar o avanço de estrangeiros sobre terras no Brasil. Em agosto do ano passado, parecer da AGU enquadrou empresas brasileiras cujo controle acionário e controle de gestão estejam em mãos de estrangeiros nas mesmas restrições impostas a empresas e pessoas físicas estrangeiras. (Estado)

Mão de obra especializada vai ficar mais cara, diz estudo do Ipea

Faltarão profissionais capacitados ao Brasil para atender o mercado se a economia crescer na média anual prometida pelo governo de 5,9% ao ano. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que não há como abastecer de forma sustentável o mercado de engenheiros se o país crescer a 6% ao ano de 2011 a 2020 e que o custo desta mão de obra especializada vai ficar mais caro daqui para frente. As maiores carências devem ser identificadas nas áreas de petróleo e gás, construção civil, mineração biotecnologia e metrologia. Embora a quantidade de engenheiros formados até 2020 seja suficiente para suprir a demanda por estes profissionais no futuro, várias obstáculos limitam a oferta de mão de obra especializada no país e devem ser um dos principais gargalos para o crescimento sustentável da economia brasileira.

No cenário de crescimento mais otimista do Ipea, 68% dos profissionais com diploma em 2020 teriam que trabalhar na sua área específica. Atualmente, segundo dados do instituto, apenas 38% dos engenheiros exercem a ocupação. A maior parte deles segue em busca de oportunidades mais vantajosas em outras áreas. Este não é o único problema identificado pelos especialistas. Dos engenheiros formados pelas universidades brasileiras, apenas 28,1% têm notas consideradas de alta desempenho. Mais de 42% tiveram baixo desempenho e quase 30%, resultados medianos. Além disso, a maior parte dos profissionais da área exerce outras profissões, o que esvazia a oferta de engenheiros ao mercado.

Ainda que se concretize um cenário menos otimista de crescimento médio de 4%, próximo dos 3,5% registrados entre 2000 e 2010, não existe a garantia de que todos estes gargalos serão superados. Mas a demanda menor por engenheiros tenderia a equilibrar as falhas do mercado, embora não tenha como conter a alta dos salários dos profissionais mais experientes.

- Considero sustentável. Os novos profissionais tendem a se dirigir para suas ocupações mais típicas no início de carreira. Mesmo assim, o custo dos seus salários será mais elevado, assim como o de treinamento e capacitação - disse Aguinaldo Maciente, um dos autores do estudo do Ipea.

O país deve passar a formar entre 86 mil e 148 mil engenheiros por ano a partir de 2020. Até 2008, o Brasil formava 47 mil engenheiros em um ano. (O Globo)

Banco do Brasil adota medidas para ajudar brasileiros no Japão

O Banco do Brasil (BB) anunciou hoje algumas medidas para auxi liar os brasileiros residentes no Japão, japoneses que estão no Brasil, bem como funcionários do banco que atuam no país, que foi duramente atingido por um terremoto e um tsunami na sexta-feira (11).

O BB irá isentar a cobrança de tarifa de liquidação e de envio das remessas de dinheiro para clientes do banco que estiverem nas províncias atingidas pelos desastres.

O banco também irá coletar, por meio de suas agências no Japão, roupas e alimentos, em cooperação com organismos não-governamentais.

A instituição também vai atuar, junto com a embaixada e os consulados do Brasil no Japão, bem como com entidades não governamentais, para viabilizar auxílio médico, psicológico e outros necessários às famílias brasileiras que estão no país.

O Banco do Brasil informou que tem 4 agências (Tóquio, Hamamatsu, Nagóia e Gunma) e 3 subagências (Ibaraki, Nagano e Gifu) no Japão. Todas estão em funcionamento, embora duas delas contingenciadas pelo racionamento de energia. Nas agências atuam 164 colaboradores, entre eles 11 funcionários expatriados. O banco possui 125 mil clientes no país, sendo que 88% são brasileiros. (O Globo)