sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UGT participa do Fórum Nacional de Educação


UGT participa, com propostas, do Fórum Nacional de Educação

Entrevista com Antonio Bittencourt Filho, Secretário de políticas educacionais da UGT

Erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação e o estabelecimento de metas de aplicação de recursos públicos em educação”, são os objetivos do Plano Nacional de Educação.

Pergunta: Nos dias 18 e 19 do corrente mês o senhor representou a UGT em um encontro promovido pelo MEC. Quais os temas tratados e quais os desdobramentos?

Resposta: participamos da reunião do Fórum Nacional de Educação, em Brasília, oportunidade em que se discutiu as emendas apresentadas pela sociedade ao projeto de PNE. Referidas emendas foram apresentadas na reunião já estratificadas anteriormente em grupos de “emendas analisadas pelo PNE”, emendas “recomendadas para incorporação” e emendas “não recomendadas para incorporar”. Todos os seis eixos aprovados pela CONAE foram comparados com as emendas que passaram pelo crivo anterior e deliberados em reunião.

Pergunta: Como estão os encaminhamentos destas discussões junto ao Congresso Nacional?

Resposta: O ministro da Educação, Fernando Haddad, defende a aprovação, até o fim do ano do Plano Nacional de Educação (PNE), o qual estabelece as diretrizes e metas para a educação brasileira nos próximos dez anos. O projeto recebeu mais de três mil emendas, que o ministro considera redundantes. “O PNE é um plano enxuto, que permite à sociedade acompanhar o dia a dia da evolução das metas”, afirmou Haddad, em entrevista. Entre as diretrizes do PNE estão a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação e o estabelecimento de metas de aplicação de recursos públicos em educação proporcionalmente ao crescimento do produto interno bruto brasileiro.

Pergunta: O que se pode esperar do novo Plano?

Resposta: O texto do projeto de lei nº 8035/10, em tramitação no Congresso Nacional, reflete um esforço hercúleo do MEC, por meio das Comissões integradas por representantes da sociedade, no sentido de adequar a educação nacional as exigências constitucionais. Entretanto, convém lembrar que este mesmo trabalho, imbuído das mesmas intenções foi objeto da lei 9394, de 20/12/96, sendo que, passados 15 anos, a prática revelou que seus objetivos não foram atingidos, especialmente aqueles decorrentes das obrigações do estado. Com isso a educação não foi universalizada, os padrões de qualidade não foram atingidos, os professores não foram valorizados. Enfim tivemos 15 anos de colapso de educação no país.

Pergunta: O que o senhor quer dizer com obrigações de Estado?

Resposta: A UGT entende que a legislação brasileira, tanto a constitucional, quanto a infraconstitucional atribui regras perfeitas para a prática da educação que todos queremos, e ainda centraliza no estado o dever da prestação do serviço educacional. Eis a lapidar definição do artigo 205 da nossa Carta Magna: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” Por este artigo o Estado ficou nomeado como responsável maior do dever desta prestação social. E, neste sentido, a lei 9394, bem como as leis posteriores a ela agregadas, são unânimes em conferir a responsabilidade maior pela educação ao Estado ou seja a união e aos entes federados Conclui-se , portanto, que o problema da educação no Brasil não reside em falhas da legislação ou do arcabouço jurídico pertinente, mas sim no desrespeito ao seu cumprimento por parte dos entes públicos responsáveis.

Pergunta: Quais as alternativas para quebrar este ciclo de fracassos?

Resposta: Entendemos ser hora para resgatar projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam da responsabilidade educacional, como o PL 247/2007, PL 600/2007, PL 1680/2007, PL 8039/2010, PL 413/2011 dentre outros. Referidos projetos, uma vez atualizados e adaptados as diretrizes e metas do novo Plano Nacional de Educação, poderiam convergir para a elaboração de uma lei própria, autônoma e articulada como referência ao conjunto normativo da educação. Teria o propósito de reunir num só instrumento todos os responsáveis e as responsabilidades dos entes federativos e estabelecer um ordenamento periódico para a educação no país, a exemplo do que disciplina a lei de Responsabilidade Fiscal no âmbito das finanças públicas.

Pergunta: Como os professores vêem todo esta discussão?

Resposta: Com referência as discussões sobre o conteúdo do PL 8035, cabe a firme posição da UGT no sentido de que o mesmo dispensa pouca atenção aos executores do plano, ou seja: aos profissionais da educação a dignidade da profissão tão cantada em verso e prosa não alimenta mais os sonhos dos professores. Recentemente foi realizado um seminário versando sobre o tema: “Profissional da educação: Qual o seu futuro?”, e os resultados do Encontro demonstrarem que os jovens não tem mais atrativos pela carreira. Seja pelos baixos salários, seja pelas condições precárias de trabalho ou ainda pela comparação com outras carreiras mais promissoras. Outro ponto importante diz respeito ao tratamento dado pelo projeto de lei a educação privada. Todos admitem que grande parcela dos serviços educacionais é prestado pelas escolas privadas em todo os níveis, sendo que no ensino superior estas são responsáveis por 80% das matriculas. Ora, se não se estabelecer no PNE regras claras para o funcionamento deste setor, a garantia da qualidade de ensino estará prejudicada. Lembre-se que os gestores da educação privada são empresários e como tais visam o lucro como primeiro objetivo, em detrimento das condições do trabalho, dos salários e, por conseqüência, da própria qualidade de ensino. De acordo com sindicatos filiados a UGT que militam na rede privada de ensino o Plano se ocupa com à educação pública. Na seara da educação privada as diretrizes não estão claras, principalmente no que tange a valorização dos profissionais da educação. Nesta direção é propósito da UGT propor ao parlamento emendas que supram o conteúdo do PNE.

Pergunta: Qual o suporte financeiro que o governo se propõe para custear a aplicação do PNE?

Resposta: É outro ponto a ser considerado, pois a execução do PNE 2011/2020 para garantir a efetividade da “garantia de condições para o acesso a permanência na escola” e o “padrões de qualidade”, preciso ter lastro numa rubrica dinâmica da arrecadação da União, como por exemplo o imposto de renda. No entanto, a proposta é de se vincular o financiamento da educação a um determinado percentual do PIB, cogitado em torno de 7%. Neste sentido, um investimento de 7% do PIB em educação pública, durante 10 anos, com certeza não garantirá o alcance dos objetivos básicos do Plano ou seja: o acesso e a qualidade, considerações pressupostos básicos para o de exercício ao direito a educação. (Da Redação da UGT)


Manifestações em SP e DF defendem 10% do PIB para a educação

As cidades de São Paulo e Brasília recebem até o fim do mês diversas manifestações em favor da destinação de 10% do PIB do país para a educação.

As primeiras manifestações ocorrem nesta quarta-feira nas duas cidades. Em Brasília será organizada por movimentos sociais, centrais sindicais e estudantes, como parte de uma série de mobilizações. Em São Paulo o ato é chamado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de São Paulo e pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC.

No dia 27 de agosto (sábado) acontece manifestação em São Paulo organizada por estudantes independentes e, no dia 31 (quarta-feira), outro ato em Brasília, organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes), reivindicará a mesma pauta.

O texto do Plano Nacional de Educação, enviado à Câmara pelo governo federal em 2010 e que deve valer para a próxima década, fala em 7% do PIB para a educação.

Emendas de parlamentares de diferentes partidos --dentre eles Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Wyllys (PSOL), Newton Lima (PT), Rogério Marinho e Domingos Sávio (PSDB)-- propõem o aumento do valor para 10% até 2020. O texto ainda vai ser votado pela Câmara.

PADRÃO MÍNIMO -- De acordo com estudo feito pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o custo para garantir educação com um padrão mínimo de qualidade até 2020 é de 10,403% do PIB nacional.

"Para o Brasil romper com a dinâmica de só garantir o acesso --ou seja, só ampliar vagas sem qualidade é preciso 10% do PIB, em 10 anos", diz Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O tal "padrão mínimo de qualidade" usado pela campanha prevê valorização de professores, creches com período integral e mínimo de cinco horas de aulas para as outras etapas de ensino. Inclui ainda salas de aula com no mínimo 15 estudantes (número máximo na pré-escola) e no máximo 30 (número máximo no ensino médio).

"A questão que fica é: o Brasil quer ter uma educação que combine qualidade com acesso? Se sim, precisainvestir, na ponta do lápis, entorno de 10% do PIB para a educação pública", afirma Cara.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação estará presente nas manifestações que acontecem em Brasília amanhã e no dia 31 de agosto.

MARCHA DA EDUCAÇÃO -- Em São Paulo, um ato previsto para este sábado (27) é organizado por estudantes independentes.

"Muitas pessoas acabam deixando de participar de protestos por temas importantes porque acham que servirão de 'massa de manobra' para interesses de terceiros. A gente quer evitar isso", diz Felipe Fontes, estudante de jornalismo da USP e organizador da Marcha da Educação, como foi batizado o ato, em referência à Marcha da Liberdade e à Marcha da Maconha.

A ideia da manifestação surgiu da visão de que, mesmo com o crescimento econômico do país e a confiança internacional, a educação não recebe a atenção devida, afirma o estudante.

"[10%] é o mínimo necessário para tirar do estado de coma profundo que se encontra o sistema de ensino do país", diz.

HORÁRIOS -- As manifestações que acontecem em Brasília (nesta quarta-feira e no dia 31 de agosto) não tiveram local de concentração divulgado.

Em São Paulo, a manifestação de amanhã tem concentração a partir das 10h no Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. No sábado (27), o protesto em São Paulo está marcado para 13h, também no Masp. (Fonte: Jornal Floripa)


Prova ABC: estudante vai bem em leitura, mas é adequado em matemática

Os resultados da primeira edição da Prova ABC, avaliação educacional do final do ciclo de alfabetização da educação brasileira, indicam que 56,1% das crianças que terminaram o terceiro ano do ensino fundamental nas redes públicas e privadas aprenderam o que era esperado em leitura. Em matemática, o nível de aprendizado foi considerado adequado para 42,8%.

A nova avaliação, que tem por objetivo a alfabetização de estudantes de forma amostral, foi aplicada no primeiro semestre deste ano a cerca de 6 mil crianças de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais brasileiras. O exame foi realizado pelo movimento Todos Pela Educação (TPE) em parceria com o Instituto Paulo Montenegro-Ibope, a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC). Os resultados foram divulgados há pouco na sede do TPE, em São Paulo.

O resultado da Prova ABC levam em conta a mesma escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), responsável por compor a nota do Ideb, que é o principal indicador de qualidade da educação do país. Em leitura, ao atingir pelo menos 175 pontos na avaliação, os alunos conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos, como lendas, contos, fábulas e histórias em quadrinhos, e perceber relações de causa e efeito nas narrativas. A marca de 175 pontos em matemática indica que as crianças que estão no terceiro ano (antiga 2ª série) têm, por exemplo, domínio da soma e subtração e conseguem resolver problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas.

O desempenho médio em leitura foi de 185,8 pontos na escala. O resultado varia de acordo com a região. Sul, Sudeste e Centro Oeste ficaram acima da médica nacional: 197,9, 193,6 e 196,5 pontos, respectivamente. As regiões Norte e Nordeste ajudaram a puxar a média da Prova ABC para baixo, com desempenho de 172,8 e 167,4 pontos, respectivamente.

A média nacional em matemática foi de 171,1 pontos. Regionalmente, o desempenho se repetiu, com Sul (185,6), Sudeste (179,1) e Centro Oeste (176,5) com as melhores pontuações, e Nordeste (158,2) e Norte (152,6) com as piores. (Valor)


Governo agora prevê taxa de crescimento abaixo de 4%

Projeções internas sugerem 3,7% para este ano, abaixo da previsão oficial.

Dilma acha que crise abrirá caminho para redução dos juros em breve, mas espera que BC aja com cautela.

O governo voltou a rever suas projeções para o desempenho da economia e agora trabalha internamente com uma previsão de crescimento de 3,7% neste ano, abaixo dos 4% previstos nesta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Palácio do Planalto avalia que esse desempenho é positivo diante das incertezas criadas pela crise global. Se a projeção do governo se confirmar, o Brasil crescerá menos que outros países emergentes, como China e Índia, mas num passo mais acelerado que o de países avançados, como os EUA.

A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração da economia abrirá caminho para que o Banco Central comece a reduzir em breve a taxa básica de juros, que foi elevada nos últimos meses para conter a inflação.

Para tentar garantir uma queda dos juros ainda neste ano, o governo vai enviar ao Congresso, na próxima semana, um Orçamento para 2012 "bem austero, tendo como palavra de ordem o equilíbrio fiscal", de acordo com um assessor presidencial.

Segundo esse assessor, a equipe econômica analisou medidas para garantir ao mesmo tempo o cumprimento da meta de superavit primário em 2012 e a preservação de investimentos e gastos sociais considerados essenciais pela presidente.

Dilma, porém, espera que o BC analise com cautela o cenário econômico antes de cortar a taxa Selic, hoje fixada em 12,5% ao ano.

Em conversa com assessores, ela lembrou que seria "a primeira pessoa a defender a redução dos juros", mas entende que isso é quase impossível de acontecer na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, na semana que vem.

Integrantes da equipe econômica acham que o BC poderá começar a reduzir as taxas de juros ainda neste ano. Inicialmente, a aposta era que isso poderia acontecer no fim de novembro, quando o Copom fará a última reunião do ano.

Assessores não descartam, porém, que essa queda possa ocorrer na penúltima reunião do órgão em 2011, em outubro, caso os próximos dados mostrem maior desaceleração da economia.

A equipe apresentou recentemente à presidente cenários prevendo que a economia brasileira crescerá entre 3,5% e 4% neste ano, sendo que o mais provável é que fique em 3,7% ou 3,8%.

Para evitar pessimismo, Mantega só passou a admitir nesta semana a possibilidade de o país crescer 4% em vez dos 4,5% da projeção oficial do governo.

No mercado, as projeções passaram a indicar crescimento abaixo de 4%. Analistas consultados pelo relatório Focus do BC preveem 3,84%. As apostas de alguns bancos e consultorias estão mais próximas de 3%.

Para o Planalto, essas projeções significam que a economia crescerá num ritmo abaixo do chamado PIB potencial brasileiro, hoje estimado em 4%, que pode ser sustentado pela capacidade produtiva sem gerar inflação. Ou seja, o BC poderia cortar os juros sem perder o controle dos preços.

O governo voltou a trabalhar com a expectativa de terminar o mandato de Dilma com juros reais na casa dos 2% (hoje estão perto de 7%). Esse objetivo foi praticamente abandonado depois que o BC foi obrigado a subir os juros para segurar a inflação.

Dilma tem recomendado a sua equipe que monitore a desaceleração da economia. Segundo um assessor, a preocupação dela é se a queda está no ritmo "ideal" ou "passando do ponto". (Folha)


Emprego e renda continuam crescendo e batem recordes

Salário de empregados sem carteira cresceu 5 vezes mais que o dos outros

Enquanto alguns indicadores da economia já apontam para a desaceleração, o mercado de trabalho continua dando demonstrações de força. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE ficou em 6% em julho- a menor no mês desde o início da série, em 2002.

O mês também marcou o mais alto rendimento médio dos trabalhadores para julho em toda a série: R$ 1.612,90. Pela terceira medição seguida, o crescimento foi de 4% em comparação com igual período de 2010.

Para a consultoria LCA, esses números indicam "uma sinalização de robustez do mercado de trabalho, a despeito do arrefecimento dos indicadores de atividade".

SEM CARTEIRA -- O total de vagas com carteira assinada cresceu. Mas, no setor privado, os salários subiram cinco vezes mais para empregados sem carteira, tradicionalmente ligados a setores de serviços.

Trabalhadores formais receberam R$ 1.480,30, em média, no mês de julho. A alta foi de 1,3% ante junho e de 2,5% no confronto com 2010.

Já os sem carteira receberam em média R$ 1.272,30 em julho. Seus rendimentos cresceram 6,9% em relação ao mês anterior, e 12,2% em relação a julho de 2010.

Segundo o coordenador da pesquisa de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, julho tradicionalmente é um mês de grande absorção de mão de obra pela indústria, que se prepara para o segundo semestre.

A queda surpreendeu os especialistas, que esperavam uma taxa de desemprego acima da apurada, de até 6,4%. (Folha)


Taxa de desemprego cai a 6,0% em julho, a menor para o mês desde 2002

A taxa de desemprego caiu para 6,0% em julho, a menor para esse mês desde o início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2002. Segundo comunicado do IBGE divulgado nesta quinta-feira, apesar da queda, a taxa não "variou estatisticamente" de forma relevante em relação ao resultado de junho, quando 6,2% da população economicamente ativa estava desempregada.

Tanto é que a população desocupada teve apenas uma pequena variação de 1,476 milhão de pessoas em junho para 1,444 milhão de desempregados em julho, o que representou uma queda de 2,1% mês a mês. Em relação a julho do ano passado, a quantidade de desocupados diminuiu 12,1%.

O número de trabalhadores ocupados em julho totalizou 22,476 milhões de pessoas, alta de 0,4% sobre junho e de 2,1% ante julho de 2010.

O rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 1.612,90 em julho, maior valor para esse mês desde 2002, registrando alta de 2,2% contra a renda média de junho e de 4% ano a ano.

Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, mostra que apesar da taxa de desemprego estar menor para meses de julho na série que começou em 2002, a variação foi menor. Enquanto neste ano a população ocupada nas seis regiões metropolitanas cresceu 2,1% na comparação de julho de 2011 com julho de 2010, na comparação 2010/2009 a expansão registrada foi de 3,2%.

-- O comportamento do avanço da população ocupada parece que está inferior, mas temos que levar em conta que 2009 é um ano de base ruim de comparação, então ele volta para um crescimento normal. Estamos com um ano de 2011, embora com uma escala menor, muito similar a 2010 -- afirmou Cimar.

Ele afirmou que a média da taxa de desemprego dos sete primeiros meses do ano está em 6,3%, a menor para a série. A taxa média de todo o ano de 2010 foi de 6,7%.

-- Historicamente, as taxas de desemprego do segundo semestre são mais baixas que o primeiro semestre -- disse o gerente da pesquisa, indicando que a taxa de desemprego tende a ser a mais baixa da série neste ano.

Outra constatação dele é que está aumento o emprego com carteira e o rendimento médio real apresentou alta de 2,2% em julho na comparação com junho, chegando a R$ 1.612,90, o valor mais alto da série para o mês desde 2002, início da série histórica.

A PME mostra que a indústria está gerando menos empregos que o tradicional para esta época do ano, em que o setor começa a se preparar para as encomendas no fim do ano. Segundo a pesquisa, em julho, o setor perdeu 49 mil postos de trabalho, uma retração de 1,3%. Embora Cimar avalie que isso estatisticamente não pode ser considerado queda, por se tratar de uma pesquisa por amostragem, a tendência do setor preocupa:

-- A indústria não está com uma tendência de expansão como era no passado, pelo contrário,a tendência é de queda. E isso preocupa pois se espera que a indústria puxe a criação do emprego nosegundre. Os dados de São Paulo, onde a indústria tem um peso maior, reforçam isso -- disse.(O Globo)


Geofísica acha rio subterrâneo de 6.000 km sob bacia do Amazonas

Curso d'água corre entre rochas e chega a ter 400 km de largura.

Uma aluna de doutorado do ON (Observatório Nacional) encontrou um rio de 6.000 km correndo embaixo da bacia do Amazonas.

A geofísica Elizabeth Tavares Pimentel achou indícios do rio ao analisar dados térmicos de 241 poços perfurados pela Petrobras de 1970 a 1980, quando a empresa procurava petróleo na região.

O objetivo da pesquisa dela, orientada pelo coordenador de geofísica do ON, Valiya Hamza, foi identificar sinais de fluidos em meios porosos.

Os resultados mostraram águas subterrâneas correndo entre sedimentos em profundidades de até 4.000 metros.

A velocidade das águas, de dez a cem metros por ano, é lenta se comparada à do rio Amazonas, que corre de 0,1 a 2 metros por segundo.

"Mas o ritmo se assemelha, por exemplo, ao rio do Sono, no Tocantins, que corre a céu aberto", destacou Hamza.

O rio encontrado, que levou o nome do geofísico, tem cerca de 400 km de largura, ou seja, quatro vezes mais que o Amazonas.

"Ele é largo porque ocupa praticamente toda a área da bacia sedimentar amazônica", diz o especialista.

A vazão (volume de água) do Hamza é significativa. São de 3.095 m³/segundo - mais que a do São Francisco.

Ambos os rios, Amazonas e Hamza, correm na mesma direção (de oeste para leste).

A diferença é que o fluxo do rio subterrâneo começa na vertical, de cima para baixo, em 2.000 metros de profundida. Depois, fica quase horizontal e mais profundo.

De acordo com o coordenador do trabalho, a água do rio Hamza vem dos Andes, pelo Acre, e vai ganhando volume no caminho de oeste a leste.

Depois de atravessar as várias bacias da região, o rio chega ao mar perto da foz do Amazonas -o que explicaria os bolsões de baixa salinidade do mar na região.

Os pesquisadores devem agora complementar o trabalho de campo em parceria com a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), onde Pimentel dá aulas. (Folha)


Petroleiro protesta, e operações não são afetadas, diz Petrobras

Petroleiros realizaram protestos nesta quinta-feira em várias unidades do país, pedindo melhores condições de segurança mas, segundo a Petrobras, as manifestações não chegaram a afetar as operações da empresa.

"De norte a sul do país, a categoria exigiu um basta à insegurança crônica que mata e mutila trabalhadores, principalmente os terceirizados", afirmou a Federação Única dos Petroleiros (FUP) em nota nesta quinta-feira.

A Petrobras, por sua vez, diz que obedece "a rigorosos procedimentos, principalmente àqueles que se referem à segurança operacional".

Segundo a FUP, somente em agosto foram oito mortes por acidentes de trabalho na empresa, todas envolvendo terceirizados -quatro foram vítimas da queda de um helicóptero na última sexta-feira na Bacia de Campos.

As mobilizações dos petroleiros começaram na segunda-feira, com protestos em 12 plataformas da Bacia de Campos. Nesta quinta-feira, segundo o sindicato, ocorreram paralisações, protestos e atrasos na entrada do expediente, na maior parte das bases operacionais e administrativas da empresa.

"Os petroleiros de São Paulo iniciaram às 5h da manhã de hoje uma parada de produção de 24h na Replan, que seguirá até o fim da madrugada desta sexta", destacou a nota da FUP.

Em Minas Gerais, os trabalhadores da Regap e da Termelétrica Aureliano Chaves também farão protesto a partir da meia-noite.

Em nota, a Petrobras afirmou ainda que o movimento anunciado pela Federação Única dos Petroleiros "não afetou as unidades e operações da companhia".

A empresa afirmou manter "diálogo aberto e permanente com as lideranças sindicais, em busca do entendimento".

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou na quarta-feira que a produção da empresa tem sido afetada por mais exigências, entre elas as trabalhistas.(O Globo)


Garibaldi adia para dezembro proposta do fim do fator previdenciário

Por dificuldade de consenso dentro do próprio governo, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, adiou para dezembro a apresentação de uma proposta concreta para substituição do fator previdenciário. "Fui otimista e pensei que esse debate se esgotaria no final de setembro, mas fui traído pelos acontecimentos", disse.

Garibaldi afirmou que o governo tem a intenção firme de alterar o fator previdenciário, cálculo criado no governo Fernando Henrique Cardoso para retardar as aposentadorias.

O ministro disse que o debate com representantes de entidades de aposentados e as centrais sindicais está "suspenso", à espera de o governo colocar uma proposta concreta na mesa.

"Não há ainda a definição do que vai substituir o fator preidenciário. Chegamos à conclusão de que não pode haver eliminação pura e simples, que não seja a de trocar seis por meia dúzia. Tem que ser uma alternativa uma alternativa melhor para o trabalhador, mas que não deixe o governo com rombo de receita ", continuou Garibaldi.

O debate no governo envolve os ministérios da Previdência Social, Fazenda, Planejamento e Casa Civil. Ele sugeriu que o debate entre essas áreas ainsa "está díficil".

O ministro não revelou qual a a mais viável, mas três alternativas estão em discussão: fixar uma nova idade mínima para a aposentadoria de homens e mulheres do setor privado, elevar o prazo mínimo de contribuição, ou um modelo que contemple as duas variáveis. (Valor)


CMN faz ajuste nas regras do microcrédito para os bancos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou revisão das normas sobre operações de microcrédito, de forma a acomodar as novas regras do programa Crescer, lançado ontem pelo governo. A principal mudança é no direcionamento obrigatório dos 2% dos depósitos à vista para operações de microcrédito, hoje em torno de R$ 3,1 bilhões.

De acordo com a chefe-adjunta do Departamento de Normas do BC, Silvia Marques, os bancos terão que aplicar 80% da exigibilidade (dos 2%) ao chamado microcrédito produtivo orientado. Ou serão recolhidos ao Banco central (BC) sem remuneração. Há um cronograma para adequação gradual.

Antes, os recursos poderiam ser aplicados de maneira geral, em empréstimos de consumo, por exemplo. Silvia lembra que, agora, os 20% restantes poderão ser aplicados em operações de microcrédito de consumo. Ou a totalidade da obrigatoriedade pode ir para o consumo, mas o equivalente será recolhido ao BC.

Ela destaca que, em dados de agosto, um terço ou cerca de R$ 1 bilhão foi recolhido pelos bancos ao BC, por falta de aplicação no microcrédito.

"Não temos como garantir que o recurso será aplicado em microcrédito produtivo orientado, apenas com uma regulamentação. Mas há o incentivo adicional para os bancos, que é a equalização do governo, além da expectativa de uma demanda maior dos empreendedores individuais", explicou ela.

A equalização está limitada a R$ 500 milhões anuais para os bancos, pela diferença de custo do crédito, que cai de 60% para 8% ao ano.

Uma novidade é, se o banco quiser operar o programa para receber a equalização, terá que reduzir a tarifa de abertura de crédito (TAC) para quaisquer operações de microcrédito produtivo, regularmente prevista em 4%, para 3% do valor do crédito. No programa Crescer, a TAC cai a 1% do valor do crédito, segundo a Medida Provisória.

O teto para cada tomador é R$ 15 mil por operação, no programa Crescer. Mas se ele já tem outros débitos (cheque especial, por exemplo), ou vai tomar outras operações de crédito, cujo teto ultrapasse R$ 20 mil, não poderá tomar microcrédito nessas condições facilitadas.

Os bancos com mais de 10 mil clientes de microcrédito produtivo devem implantar controles internos, determinou o CMN. Os bancos públicos são obrigados a cumprir o Crescer. À rede bancária privada, o governo quer estimular a aplicação, acenando com a equalização.(Valor)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Apoio público através do microcrédito é gerador de inclusão social, como defende a UGT

Governo reedita ação de estímulo ao microcrédito

Para evitar efeitos da crise, bancos públicos terão subsídios da União para aumentar os financiamentos de baixa renda. Tesouro Nacional dará dinheiro às instituições para baixar juros de empréstimos dos atuais 60% para 8% ao ano.
Na tentativa de se antecipar à queda no crescimento econômico nos próximos anos, reflexo da crise financeira internacional, o governo anunciou que está disposto a gastar cerca de R$ 850 milhões do Orçamento com subsídios ao crédito para baixa renda até 2013.
Assim como na crise de 2008, os bancos oficiais serão o principal instrumento para garantir os empréstimos para essa parcela da população e assegurar a renda, o emprego e o consumo.
O Tesouro Nacional entrará com dinheiro para reduzir os juros cobrados nas operações - que cairão de 60% ao ano para 8% anuais.
Os bancos do Brasil (BB), da Amazônia (Basa), do Nordeste (BNB) e a Caixa Econômica Federal terão metas para concessão dos financiamentos, de até R$ 15 mil.
Até dezembro, eles terão que liberar R$ 654 milhões nessa linha, alcançar R$ 1,73 bilhão no ano que vem e R$ 2,99 bilhões, em 2013.
O foco são trabalhadores formais e informais e microempreendedores que faturam até R$ 120 mil ao ano.
O Programa Nacional de Microcrédito Produtivo já existia, mas foi repaginado com foco nas operações voltadas aos pequenos negócios, mudou de nome para Crescer e foi relançado pela presidente Dilma Rousseff.
PRODUÇÃO -- O problema é que, hoje, a maior parte dos R$ 2,5 bilhões do programa vai para o consumo. A ideia é canalizar os recursos para produção, assegurando a renda dos mais pobres.
Daí a importância dos bancos públicos. O sistema financeiro já identificou a população de renda mais baixa como clientela potencial, mas há nichos que ainda não despertam o interesse.
Tanto é que, apesar de existir desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula, o programa de microcrédito não decolou plenamente.
Nem mesmo os bancos públicos cumpriram as exigências de destinar 2% do dinheiro captado nas contas correntes ao microcrédito.
A expectativa do governo é que, com os subsídios, os bancos cumpram as regras.
A estratégia é fazer com que a concorrência no setor financeiro estimule o interesse da iniciativa privada, à medida que os bancos oficiais aumentem a base de clientes nessa faixa de renda. "Temos certeza que nossos bancos tem condições de dar esse exemplo", enfatizou a presidente Dilma. (Folha)


Metalúrgicos rejeitam aumento real de 1,25% e querem mais, apesar da inflação

As expectativas de inflação maior neste ano não desanimaram os metalúrgicos, que reivindicam reajustes reais mais robustos do que os alcançados no ano passado. Sindicatos com datas-base a partir de agosto consultados pelo Valor já apresentaram propostas que variam de 5% a 9,8% de aumento acima da inflação e uma oferta patronal de reajuste real de 1,25% foi recusada. A categoria é usada como base no movimento sindical para negociar aumentos de outros trabalhadores.

Nos 12 meses terminados em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado nas negociações entre empresários e sindicalistas, acumulou 6,87%. Ainda que registre variações pequenas em julho e agosto, como estima o mercado, o INPC deve atingir taxa acima de 7,5% no acumulado até setembro e outubro, segundo previsão que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) transmitiu aos sindicatos. Em igual período do ano passado, o INPC acumulava 3,31%.

A Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM) de São Paulo, filiada à CUT, rejeitou sexta-feira uma proposta de aumento real de 1,25% e mais um abono salarial de R$ 1.900 em setembro apresentada pelas montadoras Volks wagen, Ford, Mercedes -Benz, Scania e Toyota. Ontem houve nova rodada de negociação, mas as empresas não apresentaram uma nova contraproposta. No domingo, no ABC, os metalúrgicos fazem assembleia para discutir campanha salarial.

A entidade também reprovou, junto aos sindicatos do ABC Paulista, Taubaté, São Carlos e Tatuí, a implementação de um acordo coletivo proposto pelas montadoras, que alteraria a data-base de 1º de setembro para 1º de janeiro e adiaria os reajustes para 2012. As empresas queriam negociar o mesmo aumento real para a data-base do ano que vem, que seria incorporado ao salário em janeiro de 2013, o que foi igualmente recusado.

Segundo a assessoria da federação, esse foi o único resultado concreto obtido até agora. A FEM, que representa 250 mil metalúrgicos de 14 sindicatos - incluindo os do ABC, Sorocaba e Taubaté - não divulga o percentual exigido neste ano como estratégia de negociação, mas diz que vai lutar para manter o mesmo nível de ganhos reais alcançados nos últimos anos. Em 2010, os reajustes ficaram 4% a 6,5% acima da inflação. O salário médio de um metalúrgico paulista era de R$ 2.296 em 2010.

A categoria também está em negociação em São José dos Campos, Jacareí, Santa Branca, Caçapava e Igaratá, onde tem data-base em agosto ou setembro. Filiado à Central Sindical e PopularConlutas, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, onde fica a General Motors, pede reajuste real robusto, de 9,8%, mais a previsão de INPC. Em 2010, o aumento acima da inflação foi de 4,5%.

"Temos uma pauta extensiva neste ano", diz Vivaldo Moreira Araújo, presidente do sindicato. No ano passado não houve acordo e a reivindicação do Conlutas chegou aos tribunais. Para o sindicalista, as turbulências externas não podem ser usadas como desculpa dos empresários para não conceder aumentos, assim como o "mito" de que reajustes expressivos geram inflação. "Os patrões se aproveitam bastante, mas o que estamos pedindo é coisa passada, porque o que produzimos já está aí", diz Araújo. O sindicato representa 40 mil metalúrgicos da região, 9 mil apenas na GM. Enquanto a média salarial das 930 empresas do entorno é de cerca de R$ 1.800, na montadora ela chega a R$ 3.500 para horistas e R$ 7.800 para mensalistas.

No Espírito Santo, o Sindicato dos Metalúrgicos do Estado (Sindimetal) já começou a negociar com a mineradora Samarco. A data-base é em agosto. A discussão ainda está em fase inicial, mas já foi entregue à empresa uma proposta de reajuste real de 5%, acima dos 2% acordados no ano passado. Segundo o presidente do Sindimetal, Roberto Pereira, neste ano a bandeira da campanha são os benefícios, como plano de saúde e tíquetes refeição e alimentação, com base em análise do Dieese que sustenta maior dificuldade de conseguir reajustes expressivos em 2011.

"Dada a atual conjuntura econômica, com uma nova crise vindo, é menos difícil conseguir mais benefícios do que aumentos reais", diz Pereira. A Samarco emprega cerca de 800 metalúrgicos. A campanha salarial da categoria estadual, que agrega 28 mil trabalhadores, começa em setembro.

Os metalúrgicos da Bahia, com data-base em 1º de julho, já fecharam acordo neste ano. Foi negociado 2,2% de aumento real, ante os 4% do ano passado. O aumento nominal em 2011 foi de 9% para trabalhadores que ganham acima do piso e de 10% para quem o recebe. "Pedimos cesta básica e a redução da carga de trabalho para 40 horas semanais, mas não conseguimos", diz o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia (Stim), Jurandi Souza. Os salários são negociados pela Federação dos Metalúrgicos da Bahia (Fetim), filiada à CTB, que representa cerca de 30 mil trabalhadores no Estado. O piso de um metalúrgico baiano, alcançado nas últimas negociações, é R$ 660.

A Ford, maior empresa da região, no entanto, informou para o sindicato que não vai seguir a convenção neste ano, segundo o diretor do Stim de Camaçari, Evandro Florentino. A montadora emprega cerca de 10 mil metalúrgicos na fábrica de Camaçari, que ganham em média R$ 1,6 mil. Florentino diz que a Ford está pressionando os trabalhadores para impor o que chama de jornada de trabalho "diferenciada" - os funcionários cumpririam as mesmas 40 horas semanais, o que já foi alcançado na empresa, mas em turnos diferentes e com folgas no meio da semana, o que, para Florentino, é desvantajoso para o trabalhador. A empresa, procurada, não se pronunciou. (Valor)


Bancos levam R$ 3,5 milhões por dia com cheque especial

Os bancos no Brasil ganham R$ 3,5 milhões por dia concedendo cheque especial a clientes, segundo dados fornecidos pelo Banco Central e compilados pelo Radar Econômico e pela jornalista Yolanda Fordelone, do blog “No Azul”.

Esse valor corresponde aos juros a que as instituições financeiras cobram dos clientes com as concessões desse tipo de empréstimo a cada dia. Não desconta o que o banco perde, por exemplo, com inadimplência ou o que precisa deixar depositado compulsoriamente no BC.

As instituições financeiras cobraram, em média, uma taxa de 188% ao ano por empréstimos no cheque especial, segundo o BC, um percentual que não era visto desde 1999. Por dia, isso dá 0,29%, considerando juros compostos. Os bancos concedem diariamente R$ 1,179 bilhão em empréstimos de cheque especial. (Estado)


Inadimplência tem a maior taxa em 14 meses
A inadimplência dos consumidores voltou a subir em julho, depois da estabilidade do mês anterior. Segundo dados do Banco Central, a taxa passou de 6,4% para 6,6%, a maior em 14 meses.
Economistas avaliam que os atrasos podem crescer, mas a alta será moderada e pode ser revertida.
Alexandre Andrade, da consultoria Tendências, prevê que a inadimplência terá um pico neste semestre, para recuar até o início de 2012.
A piora se deve ao aumento de juros e às restrições de prazo em linhas mais baratas, como consignado e veículos, o que levou muitas pessoas ao cheque especial.
O emprego ainda em expansão e a renda mais alta, diz, esfriarão o movimento.
Carlos Thadeu de Freitas, economista da Confederação Nacional do Comércio, acha que apenas uma piora significativa na crise externa, que afete o emprego, levaria a uma disparada nos atrasos. "A inadimplência não vai cair como o BC está achando, mas também não vai subir muito", afirma.
Wemerson França, da LCA, espera que o indicador chegue a 7% nos próximos meses, e fique estável em 2012. "Está dentro do esperado porque as medidas de restrição trouxeram o custo do crédito para outro patamar."
O BC diz que a tendência é de estabilidade seguida de queda: "Essas oscilações são naturais, mas a expectativa é de acomodação, tendo em vista a continuidade de crescimento do emprego e da massa salarial", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. (Folha)

Líderes no Senado fecham acordo para votar projeto do pré-sal

Projeto deve ser votado entre os dias 12 e 14 de setembro

Líderes no Senado fecharam um acordo nesta quarta-feira, 24, para votar, entre os dias 12 e 14 de setembro, o projeto de lei 16/2010 que regulamenta a distribuição dos royalties de petróleo da camada de pré-sal. O mesmo acordo prevê que o requerimento de urgência para que o projeto seja votado diretamente no plenário seja apreciado na próxima semana.
O senador Wellington Dias (PT-PI) havia protocolado um requerimento de urgência para abreviar a tramitação do projeto, mas os líderes do PT, Humberto Costa (PE), e do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), retiraram as assinaturas de apoio. Agora, Jucá e Costa se comprometeram com Dias a não retirar o aval ao requerimento. Sem o pedido de urgência, o projeto teria uma tramitação lenta, passando por diversas comissões.
O acordo celebrado hoje foi firmado entre Humberto Costa, Romero Jucá, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), chancelou o acordo representando os governadores de Estados não-produtores. Wellington Dias representou os senadores.
O relator do PL 16, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), apresentará um substitutivo ao projeto com base nas negociações e na proposta de Wellington Dias. O piauiense propõe que Rio e Espírito Santo recebam o valor referente à média dos últimos anos dos royalties, mais uma parcela de acordo com o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
O Senado abriu uma série de debates para discutir o novo modelo de repartição dos royalties relativos à camada de pré-sal. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, abriram os debates. Amanhã deve ser ouvido o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Na próxima semana, devem ser ouvidos os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que representam os Estados produtores de petróleo. (Estado)


Dilma é a terceira mulher mais poderosa do mundo, diz Forbes

Em seu primeiro ano do mandato, a presidente Dilma Rousseff aparece como a terceira mulher mais poderosa do mundo, em um ranking elaborado pela revista “Forbes”. A lista, divulgada hoje, é encabeçada pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, seguida pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

O ranking das 100 mulheres mais poderosas do mundo, elaborada pela revista “Forbes”, é composto por políticas, executivas, empresárias, ícones dos meios de comunicação e celebridades. Segundo a “Forbes”, Dilma destaca-se por ter sido a primeira mulher eleita para liderar a maior economia da América Latina.

A revista relata a ascensão da petista à Presidência, com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o envolvimento dela na luta pela democracia, durante o período da ditadura militar, que a levou à prisão. A publicação relata os problemas que a presidente está enfrentando com o Congresso Nacional, e diz que essas dificuldades podem atrapalhar os programas federais e o crescimento econômico do país. A publicação registra, ainda, os gostos da presidente, que é grande fã de teatro.

Primeira na lista, Angela Merkel é citada como liderança feminina no comando de uma economia global real da Europa e líder indiscutível na União Europeia. A “Forbes” ressalta a atuação da primeira-ministra para fazer da Alemanha uma base de apoio para socorrer países vizinhos que enfrentam crise econômica.

Hillary Clinton foi elogiada por ter lidado com as revoluções no Oriente Médio e com as revelações do WikiLeaks. A americana foi citada também por promover os interesses e as políticas dos Estados Unidos no exterior. Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, ocupa a nona posição no ranking, atrás da primeira-dama dos Estados Unidos, Michele Obama, que no ano passado liderou a lista.

No ranking da “Forbes” constam a presidente do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, que governa a Índia. Estão também as presidentes da Argentina, Cristina Kirchner; da Costa Rica, LauraChinchilla; da Liberia, Ellen Johnson, e a rainha Elizabeth II.

O ranking traz nomes como o da cantora Lady Gaga (11 posição), a apresentadora de televisão Oprah Winfrey (14 lugar), a cantora Beyoncé (18 posição), a atriz Angelina Jolie (29 posição). A modelo brasileira Gisele Bündchen está na 60 posição da lista. (Valor)


Justiça do Rio dá liberdade condicional ao ex-banqueiro Cacciola

Condenado em 2005 a 13 anos de prisão, ele deve ser libertado nos próximos dias.

A Justiça do Rio concedeu na terça-feira, 23, liberdade condicional ao ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público. O livramento foi assinado pela juíza Natascha Maculan Adum Dazzi. Em julho, a pena do ex-banqueiro foi reduzida em um quarto, por decisão da juíza Roberta BarrouinCarvalho, da Vara de Execuções Penais. Com a redução, o ex-dono do Banco Marka já teria cumprido um terço de sua pena, o que abriu caminho para pedido de livramento condicional, regime no qual ele cumpriria em liberdade o restante de sua condenação.

Até o momento, a secretaria de Estado de Administração Penitenciária do governo do estado do Rio de Janeiro não recebeu documentação para liberação de Cacciola. "Ele deve ser libertado nos próximos dias. Nas próximas horas acho pouco provável; liberdade condicional não é um procedimento automático", afirmou o advogado do ex-banqueiro, Manuel Jesus Soares. Ele lembrou que seu cliente já cumpriu mais de três anos de prisão. Soares afirmou que a concessão do livramento condicional foi favorecida pelas condições de Cacciola como prisioneiro. "Ele já cumpriu um terço da pena, tem bom comportamento. Portanto, tem direito a pedir livramento condicional, como qualquer outro preso", afirmou.

O Ministério Público Estadual do Rio já havia se manifestado contra a redução da pena do ex-banqueiro. Em março, conseguiu impedir um pedido de redução de pena de Cacciola feito pelos advogados de defesa. O pedido de redução de pena foi solicitado pelos advogados de defesa com base no decreto presidencial 7.420, de dezembro de 2010, que reduz em um quarto a pena de condenados com mais de 60 anos que não tenham praticado crimes hediondos. Em janeiro, Cacciola completou 67 anos.

Relembre o caso -- Dono do Banco Marka, Cacciola foi condenado em 2005 a 13 anos de prisão pela prática de crimes contra o sistema financeiro. De acordo com o processo, ele teria coordenado uma operação de socorro irregular do Banco Central que teria provocado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

Preso preventivamente em 2000, Cacciola se beneficiou de um habeas corpus para ir para a Itália, onde tem cidadania, e de onde não voltou mais, mesmo tendo a prisão decretada novamente. Em 2008, viajou para o Principado de Mônaco para assistir a um campeonato de tênis, onde voltou a ser preso e foi extraditado para o Brasil. Desde então, cumpre pena no presídio PedrolinoWerling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Rio de Janeiro.

Além da reclusão por 13 anos, pela quebra do Banco Marka, o ex-banqueiro responde por mais dois processos (2.ª e 5.ª Varas), que estão suspensos. Na época, o Principado de Mônaco só autorizou a extradição de Cacciola com base no processo da 6.ª Vara Federal, onde já havia uma condenação por 13 anos. (Estado)


Relator do Plano Nacional de Educação pode abrigar gasto acima de 7% do PIB

O texto substitutivo do projeto de lei 8.035/2010, que trata do Plano Nacional de Educação (PNE), será apresentado para apreciação na primeira quinzena de setembro com mudanças que preveem significativo aumento de gasto público. A matéria entra na agenda parlamentar num momento de tensão entre Congresso e Executivo, que ainda não se entenderam sobre os encaminhamentos da reativação da Desvinculação de Recursos da União (DRU), da PEC-300 e da Emenda 29, votações com impacto no orçamento federal.

O texto original do PNE, enviado pelo Ministério da Educação (MEC) ao Congresso em dezembro do ano passado, estabelece 19 metas quantitativas e qualitativas em dez anos para o ensino público brasileiro, da educação infantil à pós-graduação. A vigésima meta refere-se ao financiamento dos objetivos. Para o governo, uma ampliação dos gastos educacionais dos atuais 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7% é suficiente.

Mas o Valor apurou que o projeto do governo poderá sofrer alterações, principalmente para garantir mais matrículas nas redes públicas de ensino profissionalizante e superior, o que demandará novos investimentos de R$ 50 bilhões até 2020, de acordo com cálculo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. "O resto das metas estão bem definidas, a tendência é fixar expansão do investimento público direto em educação para 9% do PIB, ancorado em recursos orçamentários da União", disse, reservadamente, uma fonte que acompanha a tramitação do PNE.

O relator do PNE, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), disse que o número é factível dentro de um debate amplo, com diferentes diagnósticos financeiros para o cumprimento das diretrizes previstas no plano. Outra fonte, próxima ao parlamentar, revelou que nos bastidores o ministro da Educação, Fernando Haddad, teria dito ao relator que seu substitutivo "poderia superar os 7% do PIB, porque a União tem gordura para queimar na educação até 8%, 8,5% do PIB. Mas a diferença para 9% ou 10% do PIB seria uma responsabilidade para Estados e municípios."

Assim como o MEC, o deputado nega o diálogo. "Por uma simples questão de metodologia não posso falar em valores agora, ainda mais num quadro de mais de três mil emendas para serem analisadas. O governo tem uma visão para a ampliação de matrículas em creche, um deputado ou uma entidade acham outra coisa. Os custos são diferentes e estamos considerando essas dimensões", ilustrou Vanhoni. Segundo ele, Haddad espera que o Congresso aperfeiçoe o projeto de lei do Executivo. "Nesse caso, a contribuição do Congresso tem sido relevante. Veja os exemplos do Fundeb, fim da DRU, ProUni e Financiamento Estudantil. Nossa contribuição alargou os projetos do Executivo", acrescentou Vanhoni, que encontra convergência parlamentar, na base e na oposição, para discutir expansão do financiamento no PNE.

O deputado do PNE estuda três diferentes diagnósticos para fechar seu relatório: do MEC, que prevê ampliação de gastos público em R$ 61 bilhões até 2022; da Associação Brasileira de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), que calcula investimentos de R$ 100 bilhões; e da Campanha, cujo orçamento do plano chega a R$ 169 bilhões, o que elevaria os gastos público do Brasil em educação a pouco mais de 10% do PIB em 2020. (Valor)


Bancos públicos seguem à frente de privados na expansão do crédito

Os bancos públicos continuaram à frente dos privados e lideraram o ritmo de expansão dos empréstimos e financiamentos do sistema financeiro em julho, segundos dados divulgados pelo Banco Central.

Juntos, os ativos de crédito da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, do BNDES e de outras instituições estatais somaram R$ 779,534 bilhões no fim do mês, 1,4% além do que eram junho.

Já os privados nacionais viram o saldo de suas operaçoes crescer 0,9% no mês, aumento inferior ao dos privados de controle estrangeiro (1,0%).

No acumulado até julho, os bancos públicos também estão na frente com aumento de 9,2%. Em seguida, aparecem os privados nacionais, com crescimento de 8,6%, e os de controle estrangeiro, com 7,7%.

Deliberadamente turbinadas pelo governo federal como reação à crise mundial de liquidez em 2008 e 2009, as operações dos bancos públicos ainda são as mais expressivas em valores nominais, tendo chegado ao fim de julho em R$ 779,534 bilhões, ante R$ 755,593 bilhões das dos bancos privados nacionais e R$ 319,120 bilhões referentes aos bancos privados de controle estrangeiro.

Inadimplência -- O relatório do BC traz também dados sobre a qualidade do crédito em cada segmento, sob o ponto de vista do risco de inadimplência.

Nos bancos públicos, as operações com classificação de AA até C, consideradas de risco normal e com inadimplência máxima de dois meses, subiram 1,7% em julho, enquanto as de risco 1 (notas de D a G) caíram 5,5% no mês. São classificadas no risco 1 aquelas com parcelas em atraso máximo de seis meses.

As de risco 2 ou H, que subiram 2,0%, são as de maior possibilidade de calote, pois referem-se a devedores com mais de seis meses de pagamentos atrasados.

Nos privados nacionais, a evolução do saldo nesses três grandes grupos de classificação de risco foi, respectivamente, de 0,8 %, 1,2% e 3,8% em julho. Nos privados de controle estrangeiro, as mesmas operações avançaram em 1,0% , 1,4% e 0,9%.

O volume de provisões para risco de crédito continua superior ao dos financiamentos e empréstimos com parcelas em atraso há mais de 90 dias, critério usado pelo BC para medir a inadimplência. No conjunto do sistema, o volume da inadimplência encerrou julho em R$ 64,520 bilhões, 61,7% do total de provisões, que atingiram R$ 104,563 bilhões.

Nos públicos, especificamente, consideradas sempre posições do fim de julho, essa proporção é de 45,14%, nos privados nacionais de 64,33% e nos privados de controle estrangeiro, de 85,86%.

Medida em relação ao total de operações, a inadimplência é considerada irrelevante pelo BC, pois é inferior a centésimo de ponto percentual.

A inadimplência que o BC entende como relevante é a das operações referenciais para apuração de taxas de juros, que corresponde a maior parte das operações com recursos livres dos bancos. O crédito direcionado não entra na apuração dos juros nem desse indicador mais relevante de inadimplência. (Valor)