segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em reunião com Dilma, UGT se posicionará pelo Fim do Fator Previdenciário

UGT se manifestará, em reunião com a presidente Dilma, em Brasília, pelo Fim do Fator Previdenciário

Por Ricardo Patah, presidente nacional da UGT

A UGT participará, hoje, de uma reunião convocada pela presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Na pauta, a discussão do Fator Previdenciário. A UGT manterá sua posição que é pelo Fim do Fator Previdenciário. Aproveitaremos, também para apresentar para a avaliação do Poder Executivo algumas reflexões da UGT em torno da Reforma da Previdência Social. São alguns pontos de vista que apuramos através de debates junto aos companheiros e companheiras, especialmente, os dirigentes do Sindiapi para gerar subsídios ao debate que definirá, acreditamos, o futuro dos aposentados e pensionistas brasileiros. A seguir, alguns pontos do documento que apresentaremos para a presidente Dilma, na reunião de hoje, elaborado com a ajuda do nosso departamento jurídico:

O FATOR 85/95 -- A sociedade brasileira, os governantes e os legisladores discutem, desde 1988, com a nova Constituição Federal, a melhor forma de aposentadoria que compatibilize, ao mesmo tempo:

a) uma vida digna para os trabalhadores ativos do Brasil que queiram se aposentar e contribuem para o Regime Geral de Previdência Social (INSS), dentro de suas capacidades contributivas e faixas de contribuição e;

b) a repercussão econômica para os cofres públicos neste século frente aos pagamentos destas mesmas aposentadorias.

Por força desta preocupação constante dos referidos segmentos envolvidos, as regras para as aposentadorias por tempo de contribuição sofreram inúmeras modificações, iniciadas desde 1998.

A principal alteração advinda da Emenda 20, de 1998, foi a inclusão, pela Lei 9.876/99, do famigerado fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição (integral ou proporcional).

O Fator Previdenciário atingiu em cheio as expectativas dos trabalhadores brasileiros de obterem uma aposentadoria capaz de fazer frente aos desafios pessoais e sociais da inatividade profissional, tanto que, desde a sua criação, as aposentadorias concedidas, desde então, sofreram, na média, uma redução do poder aquisitivo de 30% a 40% e, logicamente, uma economia para os cofres públicos na ordem de 30%/40%. Porém, sob um olhar incerto para a questão social futura destes mesmos aposentados que terão que sobreviver com os parcos recursos advindos da diminuta aposentadoria atingida pelo fator previdenciário.

Na prática, o que se vê hoje, são aposentadorias de trabalhadores, pois muitos deles continuam trabalhando, e ex-trabalhadores, com faixa etária entre 50 a 65 anos e com aposentadorias extremamente defasadas.

Por isso, é importante a discussão fundamental da extinção do fator previdenciário para as aposentadorias futuras e, deste modo, a criação de uma regra equânime que contemple contribuição e satisfação financeira frente aos novos desafios da aposentadoria, sem que, com isso, logicamente, haja desequilíbrios econômicos em função da transição demográfica e das exigências das novas relações de trabalho.

Assim, surge a indicação de uma nova regra denominada Fator 85/95, que, na prática, para se aposentar por tempo de contribuição integral, portanto, com 100% da média de suas contribuições para o sistema previdenciário, o trabalhador terá a necessidade de somar a idade mais o tempo de contribuição e, assim, atingir pela soma destes indicadores 85 (para a mulher) e 95 (para o homem).

Por isso, a regra: idade + tempo de contribuição = 85 (mulher) ou 95 (homem) – para aposentadoria integral (100% da média das contribuições), parece indicar uma saída um pouco mais adequada à realidade e a satisfação, porém, para isso, há alguns aspectos que precisam ser discutidos.

Surgem, assim, algumas discussões:

1) Qual o período contributivo considerado? Será o mesmo do atual, excluído o fator previdenciário?

Entendemos, nesse caso, que a melhor solução para o trabalhador que já se encontra no sistema seria o do cálculo a ser efetuado sobre a médias das 36 (trinta e seis) últimas contribuições previdenciárias, devidamente corrigidas, resguardando-se o direito e os interesses de quem já se encontra atrelado ao sistema previdenciário brasileiro.

2) Haverá regra de transição?

Não concordamos com qualquer regra de transição diferente da a seguir exposta: Exigimos que o eventual novo sistema de cálculo de benefício previdenciário venha a abranger a todos aqueles que já se encontram atrelados ao sistema, independentemente da longevidade, ou seja, de forma retroativa àqueles contribuintes que estejam no sistema há 10 anos ou há 03 meses.

3) Como ficam as aposentadorias daqueles trabalhadores que tiveram a incidência do fator previdenciário entre novembro de 1999 até a nova regra?

Dessa mesma forma, e sob a mesma ótica de análise, entendemos que eventual alteração futura da regra deverá ser retroativa, a novembro de 1999, para o recálculo e recomposição de todos os benefícios (todas as espécies), concedidos a partir de novembro de 1999.

O PERÍODO CONTRIBUTIVO -- Parece razoável que o período contributivo seja o mesmo considerado hoje, desde julho de 1994 (período que se relaciona com a estabilidade econômica da moeda – início do Plano Real).

Portanto, considerando os 80% maiores salários de contribuição no período básico de cálculo, a regra parece contemplar ainda a maior média positiva possível de contribuições.

REGRA DE TRANSIÇÃO -- Há muitas sugestões sobre o assunto, porém, para aquele que não queira a nova regra do fator 85/95 para a aposentadoria integral, a mais razoável das regras de transição seria um redutor de no máximo 20%, contemplando idade mínima para a aposentadoria de 48 (para a mulher) e 53 (para o homem).

PARA OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS ENTRE 1999 ATÉ A NOVA REGRA DO FATOR 85/95 -- Há necessidade de tratamento igualitário neste sentido, uma vez que os benefícios do período foram extremamente defasados pelo fator previdenciário, por isso, o ideal seria a aplicação automática de alguns cálculos prevalecendo para o aposentado o cálculo que lhe for mais favorável com as seguintes propostas:

1) para o trabalhador aposentado que continuou na ativa no período até a nova regra, possibilitar a desaposentação para realizar um novo cálculo. Para estes casos, com idade mais avançada e período contributivo maior, o benefício poderá ser mais vantajoso. O aposentado, com a nova aposentadoria, não terá que realizar qualquer devolução das quantias recebidas até a nova aposentadoria para os cofres da Previdência;

2) Caso o cálculo não seja mais vantajoso, aplicar uma redução de 50% nos efeitos do fator previdenciário nas aposentadorias concedidas no período, o que valorizará a renda mensal atual revista.

Certamente que a Previdência Social não pode ser vista como algo que não possa ser modificada, porém, o fator 85/95 não pode ser uma forma que gere retrocessos sociais já conquistados, por isso, a UGT entende que o direito social de uma vida digna do trabalhador, tanto para aqueles que querem se aposentar como para aqueles que já se aposentaram, está acima de qualquer questão, por isso, não é só como um dever do Estado e dos legisladores a defesa destes direito mas, principalmente, de toda a nossa sociedade. (Depto. Jurídico Previdenciário – UGT)


Leia a seguir o clipping de hoje:


Centrais discutirão fator previdenciário com Dilma

Centrais sindicais vão se reunir com a presidente Dilma Rousseff na próxima segunda-feira, (29/08) no Palácio do Planalto. A reunião foi convocada pela própria presidente. As centrais vêm pedindo a extinção do fator previdenciário e já vinham discutindo a questão com o governo. Na quinta-feira, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, disse que as discussões estão interrompidas porque o governo ainda estuda uma alternativa ao fator previdenciário.

De acordo com Garibaldi, as discussões serão retomadas quando o governo apresentar sua proposta, o que deve acontecer até o final do ano. Quanto à desindustrialização, as centrais pedem que o governo adote medidas para conter a entrada de produtos importados que estaria prejudicando a criação de empregos. (Agência Brasil/Valor)


Bancos declaram inadimplência maior
Ao inflarem valor do calote de clientes, instituições pagam menos Imposto de Renda e contribuição sobre lucro. Até julho, fisco autua em quase R$ 200 mi bancos que adotam esse recurso; no ano, valor pode somar R$ 600 mi.

A Receita Federal descobriu que bancos estão declarando uma inadimplência maior do que a realmente verificada em suas carteiras de crédito como forma de pagar menos impostos.
Dados obtidos pela Folha mostram que, até julho deste ano, as instituições financeiras foram autuadas em quase R$ 200 milhões por terem informado um calote maior do que o observado pelo fisco. Esse valor já supera em 20% o total de notificações de todo o ano passado.
A expectativa é que as notificações -que incluem os valores dos impostos que deixaram de ser recolhidos, multas e juros- cheguem a R$ 600 milhões neste ano e aumentem ainda mais em 2012.
O que os bancos deixam de receber de seus clientes pode ser abatido da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Mas é preciso observar uma série de regras, como prazos para considerar o crédito perdido (que varia de seis meses a dois anos) e a abertura de processo judicial contra o devedor.
Para os bancos, o que ocorre é uma interpretação diferente da lei pelas instituições e pelo fisco.
Segundo a Receita, porém, os bancos têm, cada vez mais, informado perdas que contrariam o que prevê a lei.
A delegacia especializada em instituições financeiras de São Paulo (que abrange os principais bancos) tem 30 processos em curso para investigar a chamada "perda em crédito".
Desses, pelo menos três poderão gerar processos criminais, ou seja, há indícios de que os bancos cometeram fraude e informaram dados sabidamente errados para diminuir o imposto devido.
Há dúvidas, também, quando o banco vende uma carteira de "créditos podres" para outra empresa cobrar.
A instituição financeira geralmente abate o valor que deixou de receber do cálculo do imposto.
A Receita, porém, entende que o banco desistiu da cobrança e não poderia deduzir o valor da base de cálculo.
"Os bancos, às vezes, têm dificuldades operacionais para obter as comprovações de que fizeram a cobrança judicial de determinados créditos, dado o grande volume de operações. Também há divergências entre fisco e contribuintes quanto aos documentos que efetivamente comprovam tais providências", diz Lavínia Junqueira, advogada especialista em tributação bancária do escritório Trench, Rossi e Watanabe. (Folha)


Subsídios à economia custam oito vezes mais que o Bolsa-Família

Programas são chamados extra-oficialmente de Bolsa-Empresário, Bolsa-Banqueiro e Bolsa-Mutuário

O governo federal mantém um sistema de "bolsas" que vai muito além do Bolsa-Família. O Bolsa-Empresário custará aos cofres públicos este ano cerca de R$ 30 bilhões. O Bolsa-Banqueiro, entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões. Há, ainda, o Bolsa-Mutuário, estimada pela Caixa Econômica Federal em R$ 32 bilhões. As três têm em comum o fato de funcionarem como um subsídio do Estado à economia. Somadas, equivalem a quase oito programas Bolsa-Família.

Em um tema tão amplo, as opiniões de especialistas divergem bastante. A maioria, porém, é favorável ao Bolsa-Mutuário, oficialmente chamado de Minha Casa, Minha Vida.

Bolsa-Empresário é uma definição do ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman. Trata-se do dinheiro que o Tesouro Nacional vem emprestando para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar empresas. Desde o estouro da crise global, em 2008, o governo decidiu ampliar o orçamento da instituição.

Ao final de junho, segundo dados do BC, os créditos do Tesouro ao BNDES somavam R$ 272 bilhões. O subsídio (quase R$ 18 bilhões em 2011) é calculado com base na diferença entre a taxa de juros que o banco cobra em seus empréstimos (TJLP, hoje em 6% ano) e a que o Tesouro paga para se financiar (Selic, atualmente em 12,5%).

Schwartsman inclui ainda o subsídio implícito nas transferências do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ao BNDES, algo próximo de R$ 12 bilhões. "Ou seja, o Bolsa-Empresário equivale a pouco menos de dois Bolsa-Família", afirmou.

O responsável pelo termo Bolsa-Banqueiro é o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP Simão Silber. Ele refere-se ao custo do governo para continuar acumulando reservas internacionais (hoje em US$ 352,5 bilhões). Para Silber, o grande beneficiado, hoje, da política do governo de continuar comprando dólares é o sistema financeiro, uma vez que o montante atual é mais do que suficiente para proteger o País de crises.

Ele e outros economistas lembram que, em 2008, quando explodiu a crise global, o Brasil tinha menos de US$ 210 bilhões em reservas, dinheiro que se mostrou suficiente para atravessar a grave turbulência.

Nos cálculos do economista e consultor Amir Khair, ex-secretário de Finanças do município de São Paulo, o País gasta hoje entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões por ano para manter e acumular as reservas.

O custo resulta da diferença entre os juros com que o governo remunera os títulos públicos nacionais (Selic) e a rentabilidade das reservas, aplicadas principalmente em papéis emitidos pelo Tesouro dos EUA. Isso só ocorre porque o governo brasileiro não compra os dólares das reservas com superávit fiscal. Ele precisa endividar-se para fazê-lo.

"A gente não precisa desse nível de reservas", disse Khair. Para ele, a política de compra de dólares pelo governo traz um efeito adicional: valoriza a moeda americana. "Na medida em que o País fica mais seguro aos olhos do investidor internacional, mais dinheiro atrai de fora, o que reforça a tendência de valorização do real." Apesar da piora da crise, o dólar ainda acumula perda de quase 4% ante o real. Sexta-feira, fechou a R$ 1,605.

Khair também é crítico da política do governo que transfere recursos do Tesouro para companhias privadas por meio do BNDES. "As empresas têm de saber se virar dentro de seu mercado", afirmou. "Com esse dinheiro, eu reforçaria os programas sociais. Prefiro mil vezes um Bolsa-Família, que dá mais retorno para a sociedade."

Para Marcelo Moura, do Insper, a ação cada vez maior do BNDES (neste ano, a previsão é de desembolsos de R$ 145 bilhões) "distorce o mercado". (Estado)


Correspondentes de bancos já respondem por metade do crédito do país: R$ 394 bi

Sob o bombardeio de um projeto de lei do ex-ministro Ricardo Berzoini, apoiado pelos bancários, os 151 mil correspondentes dos bancos espalhados pelo país - papelarias, supermercados, açougues, vendas, lotéricas, cartórios, Correios, concessionárias de veículos - nunca tiveram papel tão importante e, sozinhos, já respondem por mais da metade do crédito concedido às pessoas físicas no país. É o que mostra estudo inédito preparado para O GLOBO pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC). São cerca de R$ 394 bilhões injetados na economia sem passar por agências bancárias.

Apesar da falta de dados para comparar a evolução da participação do correspondente na concessão de crédito, o presidente da ABBC, Renato Oliva, atribui a alta no volume de financiamentos para pessoa física nos últimos cinco anos - de 7% para 16% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) -, em grande parte, ao aumento expressivo do número desses agentes, de 64,37% no período.

Segundo o Banco Central (BC), 94% da rede de correspondentes são operados por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal. A capilaridade é imensa: há mais de dez por 10 mil habitantes no Brasil (chega a 15 no Sul), contra 1,36 dos bancos formais (agências e postos de atendimento).

Pelos correspondentes da Caixa, por exemplo, hoje principal canal para a concessão de benefícios sociais à população, passam cerca de R$ 33 bilhões por ano, ou 146 milhões de atendimentos. O banco, por meio de comércio e lotéricas, responde por 71,1% dos pagamentos do Bolsa Família, 19% do INSS e 30 milhões de benefícios ao trabalhador (PIS, abono salarial e seguro-desemprego).

Dados inéditos do BC que estão sendo preparados para a presidente Dilma Rousseff no relatório "Inclusão Financeira" mostram ainda que 26% das contas bancárias são por intermédio dos correspondentes.

Hoje, 247 municípios brasileiros só contam com o correspondente: não há agências ou postos bancários. Só assim é possível garantir que nenhuma cidade brasileira esteja fora do sistema, pois o país tem 19,8 mil agências e pouco mais de 8 mil postos de atendimento.

- O número de pessoas que têm conta bancária no Brasil ainda é muito baixo. Qualquer possibilidade de incluir mais gente é importante, principalmente aquelas fora dos grandes centros e nas cidades mais pobres - diz Francisco Lopretado, professor da Unicamp.

Em 2000, segundo o BC, 1.522 municípios brasileiros não tinham nem agências nem correspondentes. Cinco anos depois, todas as cidades do país passaram a ter pelo menos um correspondente, ainda que não tenham um banco. Fontes do BC afirmam que, além de desenvolver as regiões, que passaram a receber o pagamento dos benefícios e transacionar recursos, os correspondentes ajudaram a reduzir as fraudes.(O Globo)


Metalúrgicos do ABC fecham acordo salarial por 2 anos

Os metalúrgicos do ABC paulista aprovaram neste domingo acordo salarial com as montadoras no qual ficou definido um aumento real para 2011 e 2012. O acerto negociado na última madrugada e votado em assembleia na manhã de hoje prevê reajuste dos salários de 10% neste ano, a partir de 1º de setembro. O valor considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até a data-base da categoria, de 7,26%, e um aumento real de 2,55%. O novo piso salarial da categoria foi definido em R$ 1.500. Para quem ganha mais de R$ 8.400,00 por mês, o salário terá um reajuste fixo de R$ 840,00.

Para 2012, ficou acertada a aplicação de um aumento real de 2,39% mais a variação da inflação no período.

O acordo beneficiará 36 mil trabalhadores das montadoras Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania e Toyota. Essas condições também devem ser levadas às negociações por outras categorias, incluindo a de trabalhadores de empresas de autopeças e fundição da região composta pelos municípios de São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. São, ao todo, 108 mil metalúrgicos que trabalham na região.

O acordo, além do aumento real de 5% dividido em dois anos, inclui abono de R$ 2.500,00 em 2011 e em 2012 (este, corrigido pela inflação) e ampliação da licença-maternidade de 120 dias para 180 dias.

Em documento publicado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente da entidade, Sérgio Nobre, destacou o avanço das negociações - os trabalhadores haviam recusado proposta anterior da classe patronal que previa aumento de 8,6%. Além do porcentual mais elevado, a definição de um aumento real para dois anos reduz as preocupações dos trabalhadores em um momento de incertezas em relação à economia mundial.

Concluída a negociação, Nobre quer priorizar o debate sobre a produção nacional. "Queremos a engenharia aqui, queremos desenvolver os carros aqui, pois só uma produção forte garante o desenvolvimento econômico e os postos de trabalho com qualidade", destacou. A preocupação da categoria está associada ao avanço de veículos importados, principalmente daqueles fabricados na China. "Esses carros destroem nossa economia. Vale lembrar que comprar carros chineses é apoiar uma ditadura civil e militar que explora o trabalho escravo", complementou. (Estado)


Oscar Freire é palco de protesto contra trabalho escravo

Agência Brasil – O sindicato dos Comerciários de São Paulo fez, na manhã hoje (26), uma manifestação na Rua Oscar Freire, onde estão concentradas lojas de grifes famosas, para protestar contra a exploração de trabalhadores bolivianos e de outras nacionalidades da América do Sul que são submetidos a condições insalubres e desumanas em confecções no interior de São Paulo.

Os manifestantes chamaram a atenção para as marcas Zara, Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d'água e Tyrol, que segundo a Procuradoria Regional do Trabalho em Campinas, vendem dessas marcas que são produzidas em condições semelhantes à escravidão.

“Queremos conscientizar os comerciários das lojas e os consumidores, porque muitas vezes eles pagam dez vezes mais do que o valor inicial da mercadoria e não sabem que esse produto está maculado com trabalho escravo ou mão de obra infantil. Essa atividade que desenvolvemos aqui na Oscar Freire é exatamente para que todos nós estejamos conscientes de que não podemos mais permitir que em um país que está se tornando cada vez mais rico, que o povo além de ser pobre tenha esse tratamento”, disse o presidente do sindicato dos Comerciários, Ricardo Patah.

O presidente do Instituto de Cultura e Justiça da América Latina e Caribe, René Cesar Camargo, disse que a situação da comunidade boliviana está muito ruim porque as oficinas e lojas de roupas de grande porte estão explorando os trabalhadores, passando da terceirização para a escravidão, com jornadas que chegam a 16 horas diárias. “As lojas se preocupam em lucrar e não com as pessoas. Os trabalhadores não recebem por salário e sim por produção, por peça. Só que o valor é baixo, varia de R$ 1 a R$ 2 , enquanto as lojas vendem uma peça por R$ 100. As lojas pedem às oficinas que façam 300, 400 peças por semana”.

O modelista boliviano Horácio Jorge, contou que chegou ao Brasil há dez anos e permaneceu três anos trabalhando nessas condições. Ele disse que o ambiente de trabalho é degradante e normalmente o mesmo da moradia. Famílias inteiras são colocadas em habitações minúsculas. A alimentação é fornecida pelo empregador, mas descontada do salário, assim como o aluguel. Segundo ele, não há uma norma padronizada para o sistema de trabalho e cada oficina tem a sua maneira.

“O que para os brasileiros significa o sonho americano, ir para os Estados Unidos trabalhar, para nós é igual, nós temos o sonho brasileiro. Nós chegamos ao Brasil para trabalhar e ganhar dinheiro para mandar para nossas famílias em outros países. Mesmo nessas condições, quando trocamos a moeda, a quantia é boa, pois não há muito trabalho em meu país, assim como no Paraguai e no Uruguai”, disse Jorge.

Algumas empresas recrutam trabalhadores em países vizinhos, ou procuram um estrangeiro para fazer o aliciamento. Jorge disse que, normalmente, os estrangeiros não sabem que encontrarão das condições precárias a que serão submetidos.

“Eles são iludidos antes de vir. Todos podem sair dessa situação, mas a realidade é difícil de mudar, porque há muitas pessoas que trabalham assim. Com essa manifestação conseguimos mostrar o que há por trás dessas grandes grifes, mas para mudar vai demorar. As pessoas têm medo de denunciar porque essa é a única fonte de trabalho”. (O Globo)


Sonhos bolivianos viram pesadelos no Brasil

Na região central de São Paulo, em pleno horário comercial, centenas de casas e lojas amanhecem e anoitecem com seus portões abaixados e janelas fechadas, para abafar o ruído das máquinas de costura. Atrás das portas trancadas, milhares de imigrantes bolivianos vivem e trabalham em aglomerados que confundem as linhas entre o cooperativismo, a terceirização e a degradação. Em muitos casos, o regime é análogo à escravidão. Os fiscais do trabalho começaram a desbaratar o esquema, alimentado por grandes lojistas e intermediários. Mas para o batalhão de trabalhadores, que cruzaram a fronteira para tentar o "sonho brasileiro", as oficinas de costura representam uma chance de melhorar de vida.

Cerca de 300 mil bolivianos vivem hoje no país, sendo que 250 mil se fixaram em São Paulo, de acordo com o consulado. A comunidade se torna visível em dia de grandes festas, como a de Nossa Senhora de Copacabana, patrona da Bolívia. Mas a integração ainda está longe. Os traços indígenas, a barreira do idioma e a retração cultural ajudam a propagar a discriminação.

Para os que fugiram da miséria rural ou da periferia urbana em seu países, as oficinas oferecem proteção, por meio da reclusão comunitária, e uma fórmula para ganhar dinheiro, já que o pagamento, em geral é por peça costurada.

- A demanda nessa área é enorme. O país está melhorando e isso atrai o imigrante, que pode ocupar o espaço que o brasileiro não quer mais, de mão-de-obra barata. Quem está disposto a trabalhar das 6h às 22h (16 horas) e ganhar R$ 500? - explica Roque Pattussi, 48, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante (CAMI), ligado à CNBB.

_ É difícil para muitos bolivianos conseguir entender que estão em situação análoga à escravidão, porque começam a ter alguma esperança, algo que não tinham diante da miséria e da fome.

Segundo as entidades que combatem o trabalho escravo, esse fluxo de trabalhadores cria uma situação conveniente para a cadeia produtiva, que prefere terceirizar a baixo custo usando uma série de intermediários. Mas alguns grandes lojistas já começam a ser responsabilizados pelo Ministério do Trabalho, a exemplo da operação que flagrou a produção de peças da Zara, multinacional espanhola.

Na rua Coimbra, uma "pequena Bolívia", uma líder da comunidade, a sra. Alicia Orellana, reconta sua trajetória, que se confunde com a evolução das oficinas. Ela própria, há duas décadas, montou sua oficina e chegou a ter 50 máquinas. Mas desistiu no negócio e voltou ao ramo alimentício quando compreendeu que não conseguiria cumprir as leis brasileiras.

- Eu não acho que seja escravidão, como estão dizendo. Os bolivianos não são forçados, costuram voluntariamente. Costuram muito para ganhar mais, são pagos por peça. Somos pessoas muito trabalhadoras e muito humildes e no nosso país simplesmente não há oportunidade - disse doña Alicia, como é conhecida.

- Eu mesma já costurei dia e noite. Ajudei a criar meus irmãos e formei meus filhos. Os sobrinhos que repetissem de ano no colégio eram mandados para o Brasil para trabalhar. A família se ajuda dessa forma. Mas fechei a oficina quando vi na televisão um coreano que colocou bolivianos para costurar no porão. Todos

precisam respeitar a lei.

As nuances culturais e econômicas da questão não evitam que algumas denúncias, de casos mais flagrantes, venham à tona. Na última quinta, o GLOBO acompanhou a saga de uma família que fugiu com a roupa do corpo de uma oficina no Brás. O casal, com três filhos pequenos, peregrinou da polícia até o sindicato das costureiras, onde pediam ajuda para receber os salários atrasados, retidos pelo patrão. Com medo de represálias, pediram resguardo de seus nomes e rostos.

- Viemos porque nos falaram mil maravilhas do Brasil. Pensávamos que o trabalho de costura era diferente, que estaríamos em firmas ou fábricas. Em um ano passamos por três oficinas e nesta última, fomos muito maltratados - conta N., 28, que começou a chorar quando explicava que começou a enlouquecer com as ameaças, o medo e a jornada excessiva.

- Trabalhava 17 horas por dia e não podia levantar para ir no banheiro. Vi minha mulher e meus filhos chorando, e não podia fazer nada, estava sem saída. Se defendesse minha família, poderia ir preso. Não sei o que meu patrão pode fazer conosco, mas precisamos recuperar nosso dinheiro - completou.

Sua mulher, V., 23 anos e grávida, cozinhava para 28 pessoas, com a promessa de R$ 400 mensais. Mas conta que sofria assédio moral e até agressões, enquanto o marido estava retido na máquina de costura. Viviam em um pequeno cômodo, sem janelas. A casa tinha goteiras, baratas, e era dominada pelo cheiro do esgoto quebrado. As saídas eram barradas ou controladas. Ao cobrar os salários atrasados, a família foi ameaçada e decidiu fugir.

Em outros casos, "o sonho brasileiro" parece possível. Distante da desgraça da semiescravidão, muitas famílias conseguem realizar as metas mais imediatas: "tener papeles" e "se independizar". Nas filas dos centros de apoio, os bolivianos engrossam as filas para pedir ajuda com seus documentos, na corrida de regularização criada pela anistia de 2009. Mesmo em situação regular, são raros aqueles que aceitam falar com jornalistas.

No Centro Pastoral do Migrante (CPM), Vanessa e Germán, com o filho de um ano, contam, com humildade e orgulho, suas trajetórias. São bolivianos que se conheceram em São Paulo e que, depois de passar por oficinas de parentes, hoje costuram por conta própria.

- Cheguei há três anos. Foi muito difícil e triste, deixei minha família e vim trabalhar com um tio. Acho que não me adaptei muito, ainda tenho dificuldade com o português _ conta Vanessa, 23, com o filho brasileiro de 1 ano no colo.

O marido esclarece que pretende um dia retornar para La Paz, com as economias acumuladas.

- Hoje temos nossa oficina. Nos dois costuramos em casa e conseguimos R$ 1800 por mês, cada um. É uma situação muito melhor - disse Germán, 25.

Para o padre Mario Geremia, que chefia a CPM, o fluxo boliviano é mal compreendido no país. Ele reconhece que há casos flagrantes, com tráfico de humanos e situações análogos à escravidão, com retenção de documentos e privação de liberdade. Mas, para ele, a exploração vem do alto da cadeia produtiva e, por isso, é difícil que o trabalhador veja o dono da oficina como seu opressor.

- Há três décadas que vemos isso acontecer. No começo, achávamos que a regularização da situação migratória era o caminho para a regularização trabalhista. Ou seja, se estiver "legalizado", não seria explorado. Isso não é verdade. Nem vai ser. Com a formalização, a conta do trabalhador não fecha - disse Geremia.

Segundo ele, a "conta não fecha" quando um o boliviano tem a carteira assinada, mas precisa pagar aluguel, comida, transporte e fazer remessas para familiares em seu país.

- Porém, culpar o trabalhador é muito simples. São Paulo está saindo na frente, as autoridades estão vendo que a "culpa" não é precisamente do dono da oficina, que muitas vezes é desinformado e tenta ajudar o próximo, ainda que reproduza padrões de exploração. Estamos conseguindo focar no grande fornecedor e nos grandes lojistas, que exploram essa situação _ completou.

No CAMI, a advogada Marina Novaes conta que o trabalho também precisa ser feito nas bases, com a conscientização dos trabalhadores. O centro oferece apoio jurídico e encaminha denúncias quando as recebe, protegendo o anonimato. Mas alguns casos se complicam.

- Uma boliviana, que foi traficada e que estava sem documentos, queria nossa ajuda para reaver da patroa um par de chinelos e uma foto de seu filho. Ela temia "brujería". Mas depois da denúncia na polícia e a prisão da patroa, ela chorou. A queixa dela não era contra a quase escravidão, era pelas havaianas _ conta Marina. (O Globo)


Lista de 'escravocratas' só cresce no Brasil

A "lista suja" do governo federal com os nomes de pessoas ou empresas que empregaram mão de obra análoga à escrava está cada vez maior. Na última edição do Cadastro de Empregadores, atualizado semana passada pelo Ministério do Trabalho, constam 249 nomes - o maior número desde a criação da lista, em 2004. Como comparação, em julho do ano passado, eram 151, um salto de 65%. De acordo com o ministério, esse aumento se deve ao aperto da fiscalização diante de novas denúncias.

Casos mais recentes flagrados em fiscalizações, como o de oficinas de costura subcontratadas pela multinacional Zara, onde havia bolivianos escravos, ainda não estão no cadastro.

Esta última versão da lista mostra que 183 infrações foram constatadas em fazendas, mas há casos em carvoarias (12), construtoras (4), serrarias (2), empresas de ferro gusa, auto guincho e destilarias. O total de trabalhadores resgatados nestes locais soma 7.963. O Pará é o estado que mais concentra empregadores que usaram mão de obra escrava (62), seguido do Mato Grosso (25). O Rio não aparece na relação.

Inclusão na lista impede financiamentos públicos -- No cadastro, entram os empregadores autuados pelo Ministério do Trabalho, e cujos autos de infração não possam mais ser objeto de recurso administrativo. Porém, como eles podem entrar com medidas judiciais pedindo a retirada do nome da lista, ela pode mudar com mais frequência. Se não entrar com recursos, uma empresa, em caso considerado célere, pode levar nove meses para entrar no cadastro.

Os empregadores ficam no cadastro por pelo menos dois anos. Quem está lá não consegue empréstimos em bancos públicos, como o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

- Depois desses dois anos, não havendo reincidência e as multas decorrentes da ação fiscal tendo sido pagas, nós somos obrigados a excluir o nome do cadastro - explicou o chefe da Divisão da Fiscalização do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, Guilherme Moreira.

Na lista, alguns casos chamam a atenção, como o de uma fazenda da Agrisul Agrícola Ltda no Mato Grosso do Sul, onde 1.011 cortadores de cana foram resgatados em 2009, e o de um empregador reincidente, flagrado em 2003 e em 2004, em uma fazenda no Maranhão. (O Globo)


Desemprego recua e renda média real sobe em todos os setores

A pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego (PED) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que julho manteve a combinação de desemprego recorde e aumento da renda real, um quadro que indica mercado de trabalho aquecido e contrasta com o cenário de desaquecimento do nível de atividade. O desemprego recuou de 6,2% em junho para 6% em julho e o rendimento médio real cresceu 2,2% na mesma comparação.

A taxa de desemprego do mês passado é a menor taxa para o mês de julho desde o início da série histórica, em março de 2002. Na comparação com julho do ano passado, o recuo foi de 0,9 ponto percentual. O comportamento da indústria, principal contratador dessa época do ano, chama a atenção e vai em sentido inverso. Em julho, houve queda de 1,3% da população industrial ocupada. O Estado de São Paulo, onde 20,4% da população que trabalha está na indústria, registrou queda de 0,7%.

"Pela tendência histórica, deveríamos ter nessa época do ano queda maior da taxa de desemprego, com a população desocupada caindo mais e a ocupada crescendo mais. Mas é possível chegar à conclusão de que, daqui para frente, as taxas tendem a ser menores. Nunca, depois de julho, tivemos uma taxa crescendo, por questões sazonais", disse o gerente da coordenação de trabalho e rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

Na média dos primeiros sete meses do ano, a taxa de desemprego seria de 6,3%, abaixo da média registrada no ano passado. No mesmo período de 2010, a média havia sido de 7,3%, e em todo o ano, de 6,7%. O contingente de 1,444 milhão de pessoas à procura de emprego no país, no entanto, preocupa, segundo Azeredo, porque parte significativa da população em busca de trabalho integra grupos com dificuldades de inserção no mercado, como mulheres e jovens sem experiência.

Apesar de o crescimento do mercado de trabalho estar abaixo das previsões, Azeredo vê melhora no nível de qualidade, devido ao crescimento dos postos de trabalho com carteira assinada e ao crescimento real dos salários, com aumento do poder de compra.

O rendimento médio real subiu 4%, na comparação com julho de 2010. Em relação a junho, o aumento da renda do trabalhador foi de 2,2% - atingiu R$ 1.612,90 no mês passado, o maior valor para julho desde 2002.

Para analistas da LCA Consultores, o crescimento interanual de 4% da renda em julho é "ainda mais representativo" do que o observado em maio e junho, pois o mês passado tem base alta de comparação. Em julho de 2010, o rendimento médio havia crescido 5,1% sobre igual mês de 2009.

Para a Rosenberg & Associados, "o rendimento médio real deverá continuar duplamente beneficiado nos próximos meses pela inflação sazonalmente mais baixa e pela pouca disponibilidade de mão de obra".

Os serviços e o comércio continuam puxando o crescimento do rendimento médio dos trabalhadores. No setor de comércio, reparação de veículos e objetos, a renda aumentou 6,1% entre julho e igual mês do ano passado. Nos serviços domésticos, a expansão foi de 5,9% e em outros serviços - hotéis, transporte, limpeza urbana -, o avanço foi de 5,1%.

O aumento do rendimento no emprego industrial também fica acima da média, mas é bem menos expressivo do que nos demais segmentos. Em relação a julho de 2010, foi registrado crescimento de 4,6% na renda dos trabalhadores da indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água. (Valor)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UGT participa do Fórum Nacional de Educação


UGT participa, com propostas, do Fórum Nacional de Educação

Entrevista com Antonio Bittencourt Filho, Secretário de políticas educacionais da UGT

Erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação e o estabelecimento de metas de aplicação de recursos públicos em educação”, são os objetivos do Plano Nacional de Educação.

Pergunta: Nos dias 18 e 19 do corrente mês o senhor representou a UGT em um encontro promovido pelo MEC. Quais os temas tratados e quais os desdobramentos?

Resposta: participamos da reunião do Fórum Nacional de Educação, em Brasília, oportunidade em que se discutiu as emendas apresentadas pela sociedade ao projeto de PNE. Referidas emendas foram apresentadas na reunião já estratificadas anteriormente em grupos de “emendas analisadas pelo PNE”, emendas “recomendadas para incorporação” e emendas “não recomendadas para incorporar”. Todos os seis eixos aprovados pela CONAE foram comparados com as emendas que passaram pelo crivo anterior e deliberados em reunião.

Pergunta: Como estão os encaminhamentos destas discussões junto ao Congresso Nacional?

Resposta: O ministro da Educação, Fernando Haddad, defende a aprovação, até o fim do ano do Plano Nacional de Educação (PNE), o qual estabelece as diretrizes e metas para a educação brasileira nos próximos dez anos. O projeto recebeu mais de três mil emendas, que o ministro considera redundantes. “O PNE é um plano enxuto, que permite à sociedade acompanhar o dia a dia da evolução das metas”, afirmou Haddad, em entrevista. Entre as diretrizes do PNE estão a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação e o estabelecimento de metas de aplicação de recursos públicos em educação proporcionalmente ao crescimento do produto interno bruto brasileiro.

Pergunta: O que se pode esperar do novo Plano?

Resposta: O texto do projeto de lei nº 8035/10, em tramitação no Congresso Nacional, reflete um esforço hercúleo do MEC, por meio das Comissões integradas por representantes da sociedade, no sentido de adequar a educação nacional as exigências constitucionais. Entretanto, convém lembrar que este mesmo trabalho, imbuído das mesmas intenções foi objeto da lei 9394, de 20/12/96, sendo que, passados 15 anos, a prática revelou que seus objetivos não foram atingidos, especialmente aqueles decorrentes das obrigações do estado. Com isso a educação não foi universalizada, os padrões de qualidade não foram atingidos, os professores não foram valorizados. Enfim tivemos 15 anos de colapso de educação no país.

Pergunta: O que o senhor quer dizer com obrigações de Estado?

Resposta: A UGT entende que a legislação brasileira, tanto a constitucional, quanto a infraconstitucional atribui regras perfeitas para a prática da educação que todos queremos, e ainda centraliza no estado o dever da prestação do serviço educacional. Eis a lapidar definição do artigo 205 da nossa Carta Magna: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” Por este artigo o Estado ficou nomeado como responsável maior do dever desta prestação social. E, neste sentido, a lei 9394, bem como as leis posteriores a ela agregadas, são unânimes em conferir a responsabilidade maior pela educação ao Estado ou seja a união e aos entes federados Conclui-se , portanto, que o problema da educação no Brasil não reside em falhas da legislação ou do arcabouço jurídico pertinente, mas sim no desrespeito ao seu cumprimento por parte dos entes públicos responsáveis.

Pergunta: Quais as alternativas para quebrar este ciclo de fracassos?

Resposta: Entendemos ser hora para resgatar projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam da responsabilidade educacional, como o PL 247/2007, PL 600/2007, PL 1680/2007, PL 8039/2010, PL 413/2011 dentre outros. Referidos projetos, uma vez atualizados e adaptados as diretrizes e metas do novo Plano Nacional de Educação, poderiam convergir para a elaboração de uma lei própria, autônoma e articulada como referência ao conjunto normativo da educação. Teria o propósito de reunir num só instrumento todos os responsáveis e as responsabilidades dos entes federativos e estabelecer um ordenamento periódico para a educação no país, a exemplo do que disciplina a lei de Responsabilidade Fiscal no âmbito das finanças públicas.

Pergunta: Como os professores vêem todo esta discussão?

Resposta: Com referência as discussões sobre o conteúdo do PL 8035, cabe a firme posição da UGT no sentido de que o mesmo dispensa pouca atenção aos executores do plano, ou seja: aos profissionais da educação a dignidade da profissão tão cantada em verso e prosa não alimenta mais os sonhos dos professores. Recentemente foi realizado um seminário versando sobre o tema: “Profissional da educação: Qual o seu futuro?”, e os resultados do Encontro demonstrarem que os jovens não tem mais atrativos pela carreira. Seja pelos baixos salários, seja pelas condições precárias de trabalho ou ainda pela comparação com outras carreiras mais promissoras. Outro ponto importante diz respeito ao tratamento dado pelo projeto de lei a educação privada. Todos admitem que grande parcela dos serviços educacionais é prestado pelas escolas privadas em todo os níveis, sendo que no ensino superior estas são responsáveis por 80% das matriculas. Ora, se não se estabelecer no PNE regras claras para o funcionamento deste setor, a garantia da qualidade de ensino estará prejudicada. Lembre-se que os gestores da educação privada são empresários e como tais visam o lucro como primeiro objetivo, em detrimento das condições do trabalho, dos salários e, por conseqüência, da própria qualidade de ensino. De acordo com sindicatos filiados a UGT que militam na rede privada de ensino o Plano se ocupa com à educação pública. Na seara da educação privada as diretrizes não estão claras, principalmente no que tange a valorização dos profissionais da educação. Nesta direção é propósito da UGT propor ao parlamento emendas que supram o conteúdo do PNE.

Pergunta: Qual o suporte financeiro que o governo se propõe para custear a aplicação do PNE?

Resposta: É outro ponto a ser considerado, pois a execução do PNE 2011/2020 para garantir a efetividade da “garantia de condições para o acesso a permanência na escola” e o “padrões de qualidade”, preciso ter lastro numa rubrica dinâmica da arrecadação da União, como por exemplo o imposto de renda. No entanto, a proposta é de se vincular o financiamento da educação a um determinado percentual do PIB, cogitado em torno de 7%. Neste sentido, um investimento de 7% do PIB em educação pública, durante 10 anos, com certeza não garantirá o alcance dos objetivos básicos do Plano ou seja: o acesso e a qualidade, considerações pressupostos básicos para o de exercício ao direito a educação. (Da Redação da UGT)


Manifestações em SP e DF defendem 10% do PIB para a educação

As cidades de São Paulo e Brasília recebem até o fim do mês diversas manifestações em favor da destinação de 10% do PIB do país para a educação.

As primeiras manifestações ocorrem nesta quarta-feira nas duas cidades. Em Brasília será organizada por movimentos sociais, centrais sindicais e estudantes, como parte de uma série de mobilizações. Em São Paulo o ato é chamado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de São Paulo e pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC.

No dia 27 de agosto (sábado) acontece manifestação em São Paulo organizada por estudantes independentes e, no dia 31 (quarta-feira), outro ato em Brasília, organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes), reivindicará a mesma pauta.

O texto do Plano Nacional de Educação, enviado à Câmara pelo governo federal em 2010 e que deve valer para a próxima década, fala em 7% do PIB para a educação.

Emendas de parlamentares de diferentes partidos --dentre eles Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Wyllys (PSOL), Newton Lima (PT), Rogério Marinho e Domingos Sávio (PSDB)-- propõem o aumento do valor para 10% até 2020. O texto ainda vai ser votado pela Câmara.

PADRÃO MÍNIMO -- De acordo com estudo feito pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o custo para garantir educação com um padrão mínimo de qualidade até 2020 é de 10,403% do PIB nacional.

"Para o Brasil romper com a dinâmica de só garantir o acesso --ou seja, só ampliar vagas sem qualidade é preciso 10% do PIB, em 10 anos", diz Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O tal "padrão mínimo de qualidade" usado pela campanha prevê valorização de professores, creches com período integral e mínimo de cinco horas de aulas para as outras etapas de ensino. Inclui ainda salas de aula com no mínimo 15 estudantes (número máximo na pré-escola) e no máximo 30 (número máximo no ensino médio).

"A questão que fica é: o Brasil quer ter uma educação que combine qualidade com acesso? Se sim, precisainvestir, na ponta do lápis, entorno de 10% do PIB para a educação pública", afirma Cara.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação estará presente nas manifestações que acontecem em Brasília amanhã e no dia 31 de agosto.

MARCHA DA EDUCAÇÃO -- Em São Paulo, um ato previsto para este sábado (27) é organizado por estudantes independentes.

"Muitas pessoas acabam deixando de participar de protestos por temas importantes porque acham que servirão de 'massa de manobra' para interesses de terceiros. A gente quer evitar isso", diz Felipe Fontes, estudante de jornalismo da USP e organizador da Marcha da Educação, como foi batizado o ato, em referência à Marcha da Liberdade e à Marcha da Maconha.

A ideia da manifestação surgiu da visão de que, mesmo com o crescimento econômico do país e a confiança internacional, a educação não recebe a atenção devida, afirma o estudante.

"[10%] é o mínimo necessário para tirar do estado de coma profundo que se encontra o sistema de ensino do país", diz.

HORÁRIOS -- As manifestações que acontecem em Brasília (nesta quarta-feira e no dia 31 de agosto) não tiveram local de concentração divulgado.

Em São Paulo, a manifestação de amanhã tem concentração a partir das 10h no Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. No sábado (27), o protesto em São Paulo está marcado para 13h, também no Masp. (Fonte: Jornal Floripa)


Prova ABC: estudante vai bem em leitura, mas é adequado em matemática

Os resultados da primeira edição da Prova ABC, avaliação educacional do final do ciclo de alfabetização da educação brasileira, indicam que 56,1% das crianças que terminaram o terceiro ano do ensino fundamental nas redes públicas e privadas aprenderam o que era esperado em leitura. Em matemática, o nível de aprendizado foi considerado adequado para 42,8%.

A nova avaliação, que tem por objetivo a alfabetização de estudantes de forma amostral, foi aplicada no primeiro semestre deste ano a cerca de 6 mil crianças de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais brasileiras. O exame foi realizado pelo movimento Todos Pela Educação (TPE) em parceria com o Instituto Paulo Montenegro-Ibope, a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC). Os resultados foram divulgados há pouco na sede do TPE, em São Paulo.

O resultado da Prova ABC levam em conta a mesma escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), responsável por compor a nota do Ideb, que é o principal indicador de qualidade da educação do país. Em leitura, ao atingir pelo menos 175 pontos na avaliação, os alunos conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos, como lendas, contos, fábulas e histórias em quadrinhos, e perceber relações de causa e efeito nas narrativas. A marca de 175 pontos em matemática indica que as crianças que estão no terceiro ano (antiga 2ª série) têm, por exemplo, domínio da soma e subtração e conseguem resolver problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas.

O desempenho médio em leitura foi de 185,8 pontos na escala. O resultado varia de acordo com a região. Sul, Sudeste e Centro Oeste ficaram acima da médica nacional: 197,9, 193,6 e 196,5 pontos, respectivamente. As regiões Norte e Nordeste ajudaram a puxar a média da Prova ABC para baixo, com desempenho de 172,8 e 167,4 pontos, respectivamente.

A média nacional em matemática foi de 171,1 pontos. Regionalmente, o desempenho se repetiu, com Sul (185,6), Sudeste (179,1) e Centro Oeste (176,5) com as melhores pontuações, e Nordeste (158,2) e Norte (152,6) com as piores. (Valor)


Governo agora prevê taxa de crescimento abaixo de 4%

Projeções internas sugerem 3,7% para este ano, abaixo da previsão oficial.

Dilma acha que crise abrirá caminho para redução dos juros em breve, mas espera que BC aja com cautela.

O governo voltou a rever suas projeções para o desempenho da economia e agora trabalha internamente com uma previsão de crescimento de 3,7% neste ano, abaixo dos 4% previstos nesta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Palácio do Planalto avalia que esse desempenho é positivo diante das incertezas criadas pela crise global. Se a projeção do governo se confirmar, o Brasil crescerá menos que outros países emergentes, como China e Índia, mas num passo mais acelerado que o de países avançados, como os EUA.

A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração da economia abrirá caminho para que o Banco Central comece a reduzir em breve a taxa básica de juros, que foi elevada nos últimos meses para conter a inflação.

Para tentar garantir uma queda dos juros ainda neste ano, o governo vai enviar ao Congresso, na próxima semana, um Orçamento para 2012 "bem austero, tendo como palavra de ordem o equilíbrio fiscal", de acordo com um assessor presidencial.

Segundo esse assessor, a equipe econômica analisou medidas para garantir ao mesmo tempo o cumprimento da meta de superavit primário em 2012 e a preservação de investimentos e gastos sociais considerados essenciais pela presidente.

Dilma, porém, espera que o BC analise com cautela o cenário econômico antes de cortar a taxa Selic, hoje fixada em 12,5% ao ano.

Em conversa com assessores, ela lembrou que seria "a primeira pessoa a defender a redução dos juros", mas entende que isso é quase impossível de acontecer na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, na semana que vem.

Integrantes da equipe econômica acham que o BC poderá começar a reduzir as taxas de juros ainda neste ano. Inicialmente, a aposta era que isso poderia acontecer no fim de novembro, quando o Copom fará a última reunião do ano.

Assessores não descartam, porém, que essa queda possa ocorrer na penúltima reunião do órgão em 2011, em outubro, caso os próximos dados mostrem maior desaceleração da economia.

A equipe apresentou recentemente à presidente cenários prevendo que a economia brasileira crescerá entre 3,5% e 4% neste ano, sendo que o mais provável é que fique em 3,7% ou 3,8%.

Para evitar pessimismo, Mantega só passou a admitir nesta semana a possibilidade de o país crescer 4% em vez dos 4,5% da projeção oficial do governo.

No mercado, as projeções passaram a indicar crescimento abaixo de 4%. Analistas consultados pelo relatório Focus do BC preveem 3,84%. As apostas de alguns bancos e consultorias estão mais próximas de 3%.

Para o Planalto, essas projeções significam que a economia crescerá num ritmo abaixo do chamado PIB potencial brasileiro, hoje estimado em 4%, que pode ser sustentado pela capacidade produtiva sem gerar inflação. Ou seja, o BC poderia cortar os juros sem perder o controle dos preços.

O governo voltou a trabalhar com a expectativa de terminar o mandato de Dilma com juros reais na casa dos 2% (hoje estão perto de 7%). Esse objetivo foi praticamente abandonado depois que o BC foi obrigado a subir os juros para segurar a inflação.

Dilma tem recomendado a sua equipe que monitore a desaceleração da economia. Segundo um assessor, a preocupação dela é se a queda está no ritmo "ideal" ou "passando do ponto". (Folha)


Emprego e renda continuam crescendo e batem recordes

Salário de empregados sem carteira cresceu 5 vezes mais que o dos outros

Enquanto alguns indicadores da economia já apontam para a desaceleração, o mercado de trabalho continua dando demonstrações de força. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE ficou em 6% em julho- a menor no mês desde o início da série, em 2002.

O mês também marcou o mais alto rendimento médio dos trabalhadores para julho em toda a série: R$ 1.612,90. Pela terceira medição seguida, o crescimento foi de 4% em comparação com igual período de 2010.

Para a consultoria LCA, esses números indicam "uma sinalização de robustez do mercado de trabalho, a despeito do arrefecimento dos indicadores de atividade".

SEM CARTEIRA -- O total de vagas com carteira assinada cresceu. Mas, no setor privado, os salários subiram cinco vezes mais para empregados sem carteira, tradicionalmente ligados a setores de serviços.

Trabalhadores formais receberam R$ 1.480,30, em média, no mês de julho. A alta foi de 1,3% ante junho e de 2,5% no confronto com 2010.

Já os sem carteira receberam em média R$ 1.272,30 em julho. Seus rendimentos cresceram 6,9% em relação ao mês anterior, e 12,2% em relação a julho de 2010.

Segundo o coordenador da pesquisa de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, julho tradicionalmente é um mês de grande absorção de mão de obra pela indústria, que se prepara para o segundo semestre.

A queda surpreendeu os especialistas, que esperavam uma taxa de desemprego acima da apurada, de até 6,4%. (Folha)


Taxa de desemprego cai a 6,0% em julho, a menor para o mês desde 2002

A taxa de desemprego caiu para 6,0% em julho, a menor para esse mês desde o início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2002. Segundo comunicado do IBGE divulgado nesta quinta-feira, apesar da queda, a taxa não "variou estatisticamente" de forma relevante em relação ao resultado de junho, quando 6,2% da população economicamente ativa estava desempregada.

Tanto é que a população desocupada teve apenas uma pequena variação de 1,476 milhão de pessoas em junho para 1,444 milhão de desempregados em julho, o que representou uma queda de 2,1% mês a mês. Em relação a julho do ano passado, a quantidade de desocupados diminuiu 12,1%.

O número de trabalhadores ocupados em julho totalizou 22,476 milhões de pessoas, alta de 0,4% sobre junho e de 2,1% ante julho de 2010.

O rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 1.612,90 em julho, maior valor para esse mês desde 2002, registrando alta de 2,2% contra a renda média de junho e de 4% ano a ano.

Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, mostra que apesar da taxa de desemprego estar menor para meses de julho na série que começou em 2002, a variação foi menor. Enquanto neste ano a população ocupada nas seis regiões metropolitanas cresceu 2,1% na comparação de julho de 2011 com julho de 2010, na comparação 2010/2009 a expansão registrada foi de 3,2%.

-- O comportamento do avanço da população ocupada parece que está inferior, mas temos que levar em conta que 2009 é um ano de base ruim de comparação, então ele volta para um crescimento normal. Estamos com um ano de 2011, embora com uma escala menor, muito similar a 2010 -- afirmou Cimar.

Ele afirmou que a média da taxa de desemprego dos sete primeiros meses do ano está em 6,3%, a menor para a série. A taxa média de todo o ano de 2010 foi de 6,7%.

-- Historicamente, as taxas de desemprego do segundo semestre são mais baixas que o primeiro semestre -- disse o gerente da pesquisa, indicando que a taxa de desemprego tende a ser a mais baixa da série neste ano.

Outra constatação dele é que está aumento o emprego com carteira e o rendimento médio real apresentou alta de 2,2% em julho na comparação com junho, chegando a R$ 1.612,90, o valor mais alto da série para o mês desde 2002, início da série histórica.

A PME mostra que a indústria está gerando menos empregos que o tradicional para esta época do ano, em que o setor começa a se preparar para as encomendas no fim do ano. Segundo a pesquisa, em julho, o setor perdeu 49 mil postos de trabalho, uma retração de 1,3%. Embora Cimar avalie que isso estatisticamente não pode ser considerado queda, por se tratar de uma pesquisa por amostragem, a tendência do setor preocupa:

-- A indústria não está com uma tendência de expansão como era no passado, pelo contrário,a tendência é de queda. E isso preocupa pois se espera que a indústria puxe a criação do emprego nosegundre. Os dados de São Paulo, onde a indústria tem um peso maior, reforçam isso -- disse.(O Globo)


Geofísica acha rio subterrâneo de 6.000 km sob bacia do Amazonas

Curso d'água corre entre rochas e chega a ter 400 km de largura.

Uma aluna de doutorado do ON (Observatório Nacional) encontrou um rio de 6.000 km correndo embaixo da bacia do Amazonas.

A geofísica Elizabeth Tavares Pimentel achou indícios do rio ao analisar dados térmicos de 241 poços perfurados pela Petrobras de 1970 a 1980, quando a empresa procurava petróleo na região.

O objetivo da pesquisa dela, orientada pelo coordenador de geofísica do ON, Valiya Hamza, foi identificar sinais de fluidos em meios porosos.

Os resultados mostraram águas subterrâneas correndo entre sedimentos em profundidades de até 4.000 metros.

A velocidade das águas, de dez a cem metros por ano, é lenta se comparada à do rio Amazonas, que corre de 0,1 a 2 metros por segundo.

"Mas o ritmo se assemelha, por exemplo, ao rio do Sono, no Tocantins, que corre a céu aberto", destacou Hamza.

O rio encontrado, que levou o nome do geofísico, tem cerca de 400 km de largura, ou seja, quatro vezes mais que o Amazonas.

"Ele é largo porque ocupa praticamente toda a área da bacia sedimentar amazônica", diz o especialista.

A vazão (volume de água) do Hamza é significativa. São de 3.095 m³/segundo - mais que a do São Francisco.

Ambos os rios, Amazonas e Hamza, correm na mesma direção (de oeste para leste).

A diferença é que o fluxo do rio subterrâneo começa na vertical, de cima para baixo, em 2.000 metros de profundida. Depois, fica quase horizontal e mais profundo.

De acordo com o coordenador do trabalho, a água do rio Hamza vem dos Andes, pelo Acre, e vai ganhando volume no caminho de oeste a leste.

Depois de atravessar as várias bacias da região, o rio chega ao mar perto da foz do Amazonas -o que explicaria os bolsões de baixa salinidade do mar na região.

Os pesquisadores devem agora complementar o trabalho de campo em parceria com a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), onde Pimentel dá aulas. (Folha)


Petroleiro protesta, e operações não são afetadas, diz Petrobras

Petroleiros realizaram protestos nesta quinta-feira em várias unidades do país, pedindo melhores condições de segurança mas, segundo a Petrobras, as manifestações não chegaram a afetar as operações da empresa.

"De norte a sul do país, a categoria exigiu um basta à insegurança crônica que mata e mutila trabalhadores, principalmente os terceirizados", afirmou a Federação Única dos Petroleiros (FUP) em nota nesta quinta-feira.

A Petrobras, por sua vez, diz que obedece "a rigorosos procedimentos, principalmente àqueles que se referem à segurança operacional".

Segundo a FUP, somente em agosto foram oito mortes por acidentes de trabalho na empresa, todas envolvendo terceirizados -quatro foram vítimas da queda de um helicóptero na última sexta-feira na Bacia de Campos.

As mobilizações dos petroleiros começaram na segunda-feira, com protestos em 12 plataformas da Bacia de Campos. Nesta quinta-feira, segundo o sindicato, ocorreram paralisações, protestos e atrasos na entrada do expediente, na maior parte das bases operacionais e administrativas da empresa.

"Os petroleiros de São Paulo iniciaram às 5h da manhã de hoje uma parada de produção de 24h na Replan, que seguirá até o fim da madrugada desta sexta", destacou a nota da FUP.

Em Minas Gerais, os trabalhadores da Regap e da Termelétrica Aureliano Chaves também farão protesto a partir da meia-noite.

Em nota, a Petrobras afirmou ainda que o movimento anunciado pela Federação Única dos Petroleiros "não afetou as unidades e operações da companhia".

A empresa afirmou manter "diálogo aberto e permanente com as lideranças sindicais, em busca do entendimento".

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou na quarta-feira que a produção da empresa tem sido afetada por mais exigências, entre elas as trabalhistas.(O Globo)


Garibaldi adia para dezembro proposta do fim do fator previdenciário

Por dificuldade de consenso dentro do próprio governo, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, adiou para dezembro a apresentação de uma proposta concreta para substituição do fator previdenciário. "Fui otimista e pensei que esse debate se esgotaria no final de setembro, mas fui traído pelos acontecimentos", disse.

Garibaldi afirmou que o governo tem a intenção firme de alterar o fator previdenciário, cálculo criado no governo Fernando Henrique Cardoso para retardar as aposentadorias.

O ministro disse que o debate com representantes de entidades de aposentados e as centrais sindicais está "suspenso", à espera de o governo colocar uma proposta concreta na mesa.

"Não há ainda a definição do que vai substituir o fator preidenciário. Chegamos à conclusão de que não pode haver eliminação pura e simples, que não seja a de trocar seis por meia dúzia. Tem que ser uma alternativa uma alternativa melhor para o trabalhador, mas que não deixe o governo com rombo de receita ", continuou Garibaldi.

O debate no governo envolve os ministérios da Previdência Social, Fazenda, Planejamento e Casa Civil. Ele sugeriu que o debate entre essas áreas ainsa "está díficil".

O ministro não revelou qual a a mais viável, mas três alternativas estão em discussão: fixar uma nova idade mínima para a aposentadoria de homens e mulheres do setor privado, elevar o prazo mínimo de contribuição, ou um modelo que contemple as duas variáveis. (Valor)


CMN faz ajuste nas regras do microcrédito para os bancos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou revisão das normas sobre operações de microcrédito, de forma a acomodar as novas regras do programa Crescer, lançado ontem pelo governo. A principal mudança é no direcionamento obrigatório dos 2% dos depósitos à vista para operações de microcrédito, hoje em torno de R$ 3,1 bilhões.

De acordo com a chefe-adjunta do Departamento de Normas do BC, Silvia Marques, os bancos terão que aplicar 80% da exigibilidade (dos 2%) ao chamado microcrédito produtivo orientado. Ou serão recolhidos ao Banco central (BC) sem remuneração. Há um cronograma para adequação gradual.

Antes, os recursos poderiam ser aplicados de maneira geral, em empréstimos de consumo, por exemplo. Silvia lembra que, agora, os 20% restantes poderão ser aplicados em operações de microcrédito de consumo. Ou a totalidade da obrigatoriedade pode ir para o consumo, mas o equivalente será recolhido ao BC.

Ela destaca que, em dados de agosto, um terço ou cerca de R$ 1 bilhão foi recolhido pelos bancos ao BC, por falta de aplicação no microcrédito.

"Não temos como garantir que o recurso será aplicado em microcrédito produtivo orientado, apenas com uma regulamentação. Mas há o incentivo adicional para os bancos, que é a equalização do governo, além da expectativa de uma demanda maior dos empreendedores individuais", explicou ela.

A equalização está limitada a R$ 500 milhões anuais para os bancos, pela diferença de custo do crédito, que cai de 60% para 8% ao ano.

Uma novidade é, se o banco quiser operar o programa para receber a equalização, terá que reduzir a tarifa de abertura de crédito (TAC) para quaisquer operações de microcrédito produtivo, regularmente prevista em 4%, para 3% do valor do crédito. No programa Crescer, a TAC cai a 1% do valor do crédito, segundo a Medida Provisória.

O teto para cada tomador é R$ 15 mil por operação, no programa Crescer. Mas se ele já tem outros débitos (cheque especial, por exemplo), ou vai tomar outras operações de crédito, cujo teto ultrapasse R$ 20 mil, não poderá tomar microcrédito nessas condições facilitadas.

Os bancos com mais de 10 mil clientes de microcrédito produtivo devem implantar controles internos, determinou o CMN. Os bancos públicos são obrigados a cumprir o Crescer. À rede bancária privada, o governo quer estimular a aplicação, acenando com a equalização.(Valor)