quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A Belíndia é aqui: dobra número de casais que trabalham e dobra analfabetos dentro da escola

Nº de casais com 2 fontes de renda e sem filho cresce 95%

Vivemos uma nova realidade que aponta para o que já acontece hoje na Europa. Os casais se inserem no mercado de trabalho, para melhorar a qualidade de vida e gerar mais estabilidade financeira e as crianças são adiadas. Falta agora buscar outros indicadores que nos comparem também com a Europa, como a Educação de qualidade, um planejamento adequado para proteger o casal na velhice e trabalho menos penoso, com salários dignos.

Veja o texto: De 1997 para 2007, eles passaram de 997 mil para 1,942 milhão, aponta estudo do IBGE.

Uma explosão no número de casais sem filhos e em que cada cônjuge tem sua renda aliada a uma ligeira tendência na redução da distância entre pobres e ricos no País marcam a Síntese de Indicadores Sociais 2007 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Baseada na última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), publicada na semana passada, a análise também mostra que, embora a escolarização dos 40% mais pobres tenha avançado, mais de 2 milhões de estudantes até 14 anos são analfabetos (mais informações na pág. A27).

Segundo o IBGE, os casais residentes no Brasil que não têm filhos e nos quais homem e mulher têm fontes de renda independentes eram 2,4% do total de domicílios em 1997 e passaram para 3,4% no ano passado. Em números absolutos, a mudança é mais impressionante: 997 mil para 1,942 milhão no período, alta de 94,78%. Os pesquisadores do instituto constataram que a região onde casais com esse perfil têm maior peso proporcional é a Centro-Oeste, onde representam 4,27% do total. O Nordeste é o outro extremo, com 2,99% dos casais.

As maiores proporções de arranjos familiares nessa situação se concentram nas faixas de 35 a 44 anos e acima de 45 anos (4,11%). Quando se leva em conta os 39 milhões de casais, os sem nenhum filho e com renda dupla eram 5% no ano passado - em 1997, eram 3,4%.

"O casal Dinc (jargão que significa double income and no children, ou renda dupla e nenhum filho) está crescendo muito nas sociedades industrializadas", disse a gerente de Indicadores Sociais do IBGE, Ana Sabóia. Foi a primeira vez que o IBGE fez esse cálculo.

A pesquisa levanta a possibilidade de os casais Dincs terem crescido devido à importância dada à "aquisição de atributos profissionais, que possam garantir posições bem estabelecidas no mercado de trabalho".

Outra constatação importante: a renda familiar per capita desses casais é de cerca de 3,5 salários mínimos (R$ 1.452,50), o que os coloca entre os 10% mais abastados da população.

NOVO VALOR DE CLASSE MÉDIA — "É uma mudança de valores", disse a antropóloga Alinne Bonetti, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Quando falo em valores, refiro-me à visão de mundo, à cultura." Segundo ela, "há uma mudança do modelo da família mais tradicional, com pai, mãe e filhos, para outro, mais individualista, como nos países desenvolvidos, e há mais investimento em projetos pessoais. Muitos adiam os filhos, outros escolhem não ter". Para Alinne, como o fenômeno é concentrado na classe média, que forma opinião, há possibilidade de, no futuro, esse comportamento chegar a outras classes.

Segundo o professor Nuno Fouto, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e do Programa de Administração do Varejo (Provar), os casais com dupla renda e sem filhos participam de um processo mais amplo que também inclui pessoas que decidem permanecer solteiras: o dinheiro economizado com as crianças, costuma ser aplicado em produtos e serviços mais caros. Segundo Fouto, a economia não é suficiente para elevar o casal a um estrato social mais alto, mas permite certos "luxos" - como viagens, jantares e produtos de marca - que não costumam ser observados nas famílias com filhos com a mesma renda.

MELHORA DA RENDA — O crescimento dos Dincs se deu em um quadro de crescente melhoria da renda dos brasileiros, de acordo com o IBGE. A distância entre o rendimento médio familiar per capita das famílias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres manteve trajetória de redução constante nos últimos anos. Em 2001, a diferença era de 22,1 pontos porcentuais; em 2007, 17,2. Outra comparação mostra que, de 2001 ao ano passado, os 20% mais pobres passaram de 2,6% para 3,2% da renda, e os 20% mais ricos perderam espaço, de 63,7% para 59,7%.

A proporção de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo caiu de 31,6% em 1997 para 23,5% em 2007. O presidente do IBGE atribui isso à expansão da economia com geração de empregos, aumento do mínimo e Bolsa-Família.

 

IBGE: Qualidade de ensino é o principal desafio no combate ao analfabetismo

Lamentável essa realidade retratada pelo texto que você vai ler. Analfabeto dentro da escola. É uma falha brutal do Estado, dos professores e até mesmo dos pais que têm que assumir, cada vez mais, a educação dos filhos. Cabe aos pais vigiar e exigir qualidade no aprendizado. Aos professores retomar a vocação que nos é tão importante. E ao Estado fornecer além das salas de aula e dos prédios, salários dignos para os professores, treinamento, motivação e avaliação do que se é ensinado e do que se aprende.

Veja a triste realidade:

Do total de 1,3 milhão de pessoas de 8 a 14 anos que não sabem ler e escrever, a grande maioria (84,5%) está matriculada em alguma turma de ensino fundamental ou médio, mas um contingente de 1,1 milhão de crianças e adolescentes que estão nas salas de aula ainda são consideradas analfabetas.

Apesar do aumento na quantidade de brasileiros na escola nos últimos anos ( veja gráfico ), a qualidade do ensino ainda deixa a desejar, como mostram os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do ano passado (Pnad 2007). De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do instituto, o Brasil tem 2,4 milhões de analfabetos com idade entre 7 e 14 anos, dos quais 2,1 milhões (87,2%) freqüentavam a escola no ano passado. Do total de 1,3 milhão de pessoas de 8 a 14 anos que não sabem ler e escrever, a grande maioria (84,5%) está matriculada em alguma turma de ensino fundamental ou médio, mas um contingente de 1,1 milhão de crianças e adolescentes que estão nas salas de aula ainda são consideradas analfabetas.

Entre as crianças de 7 anos, 29% não sabiam ler e escrever, embora 90,8% delas fossem estudantes. Na faixa dos 8 a 14 anos, 5,4% são analfabetas. No Nordeste, o percentual de jovens e crianças iletrados atingia impressionantes 44% da população nessa idade. No Norte, 39,6%.

- Não dá para imaginar que quase 30% (das crianças de 7 anos) tenham aprendizagem mais lenta. Acima dos 8 anos, é um absurdo. Mesmo com ritmo lento, a expectativa é que o aluno se alfabetize no segundo ano de escola - diz o coordenador de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, Romualdo Portela de Oliveira.

Os indicadores põem em xeque a qualidade do ensino, ainda que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação (MEC), tenha apontado melhora em 2007.

    " É muito grave que qualquer criança esteja na escola e não aprenda "

- É muito grave que qualquer criança esteja na escola e não aprenda - disse a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar.

Já em relação à defasagem de ensino, os dados apontam uma melhora: caiu o número de estudantes matriculados em um nível abaixo do indicado para sua idade: de 43% em 1997 para 27,5% dez anos depois. Porém, esta mudança pode estar atrelada em parte ao sistema de aprovação automática adotado no sistema público de ensino de algumas regiões do país. Um dos estados que adotam esse mecanismo, São Paulo é o dono do melhor indicador de freqüência líquida (adequação da idade à série) no país.

De cada quatro estudantes, um está fora de sua série adequada

Em todo o país, no entanto, um em cada quatro estudantes de ensino fundamental tem a chamada distorção idade-série, com pelo menos dois anos de idade acima do previsto para a respectiva série. Os maiores gargalos do atraso estão na 5ª série do ensino fundamental, em que 30,8% dos estudantes apresentavam defasagem, isto é, tinham 13 anos ou mais; e na 8ª série, em que 30,4% dos alunos tinham 16 anos ou mais. O IBGE considerou apenas redes onde o nível fundamental dura oito anos.

As médias nacionais escondem disparidades entre as regiões. No Nordeste, 48% dos alunos da 8ª série estavam atrasados. Em Alagoas, eram 59,1%. Na Bahia, na Paraíba e no Ceará, a taxa também passava de 50%. No Rio, era de 34,2%.

Dos 8,5 milhões de estudantes de 15 a 17 anos no país, 48% estavam no nível adequado, ou seja, o ensino médio. São Paulo era o estado com maior proporção nesse sentido: 66,3%. No outro extremo, Alagoas tinha somente 25,6% de seus jovens de 15 a 17 anos no ensino médio.

Analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos caiu — No cômputo geral, a taxa de analfabetismo de pessoas com mais de 15 anos caiu de 14,7% em 1997 para 10% - o correspondente a 14 milhões de pessoas - na última pesquisa ( na camada populacional de 7 a 14 anos, a queda foi menor - confira no gráfico). Neste sentido, a relação entre as áreas rural e urbana continua praticamente inalterada: existem três vezes mais analfabetos no campo do que na cidade: 23,3% contra 7,6%. Há dez anos, as proporções eram de 32% na área rural contra 10,7% nas regiões urbanas.

Na média, o número de séries concluídas pelos brasileiros acima de 15 anos aumentou de 5,8, em 1997, para 7,3, em 2007, mas ficou abaixo do que seria adequado. A média de anos de estudo das crianças de 11 anos ficou em 3,3 e não em 4 anos, que seria o correto. Jovens de 14 anos atingiram 5,8 anos - o correto seriam 7. E os de 17 alcançaram 7,9 séries completadas, e não 10, como desejável.

Ainda de acordo com a pesquisa, os jovens continuam a ser os mais afetados pela pobreza no país. No ano passado, 46% das crianças e adolescentes de zero a 17 anos viviam com rendimento mensal familiar per capita até meio salário mínimo.

Apesar de o IBGE ter constatado uma redução no nível de pobreza, o presidente do órgão, Eduardo Nunes, fez questão de frisar que o número de famílias pobres no país ainda é "muito expressivo", sobretudo se "levarmos em consideração o tamanho da riqueza que o país tem condições de produzir".

Nunes também ressaltou que o projeto de universalização do ensino, que hoje atinge crianças e jovens, de 7 a 14 anos, precisa ser estendido para todas as outras faixas da população, inclusive para os idosos.

 

Até os 3 anos só 17,1% têm acesso a creche — A pesquisa também mostrou que o Brasil ainda está longe das metas propostas pelo Ministério da Educação para a faixa etária de 0 a 3 anos. Em compensação, em relação às crianças de 4 a 6 anos, o país está quase lá. De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais, 77,6% das crianças de 4 a 6 anos estão na escola. A meta é incluir 80% delas. Mas o cenário muda radicalmente de 0 a 3 anos: apenas 17,1% são atendidas por creches, enquanto a meta é de 50% até 2010.

    " É preciso montar uma infra-estrutura básica para atender essa população "

- Mesmo com o aumento da taxa de escolarização, que estava em 8,1% em 1997, estamos longe de alcançar a meta estipulada pelo MEC - observa Lara Gama, técnica do IBGE que cuidou do capítulo referente às crianças na síntese.

A coordenadora da pesquisa, Ana Saboia, completa.

- O problema é da esfera pública. É preciso montar uma infra-estrutura básica para atender essa população.

Mulheres estudam um ano a mais que os homens, em média — Quanto às diferenças de gênero, as mulheres apresentam escolaridade superior aos homens. Na média, elas estudam um ano a mais do que eles (nove contra oito), de acordo com o levantamento feito ano passado. A proporção também é favorável às mulheres em relação ao nível superior: em 2007, 57,1% dos estudantes universitários eram do sexo feminino, contra 42,9% de homens. No entanto, no mercado de trabalho elas ainda ocupam menos cargos de chefia, por exemplo (leia mais).

O documento Síntese de Indicadores Sociais 2008, elaborado pelo IBGE, também aponta a existência de desigualdades educacionais com base na cor ou raça. Em números absolutos, dos cerca de 14 milhões de analfabetos brasileiros com mais de 15 anos, quase 9 milhões são pretos ou pardos. Entre as pessoas dessa faixa que não lêem nem escrevem, o índice para a população branca é de 6,1%, menos da metade dos 14% observados entre as pessoas declaradas pretas ou pardas nesta faixa de idade.

O desnivelamento se observa também no ensino superior. A taxa de freqüência universitária da população preta ou parda, de 18 a 25 anos, ainda não tinha alcançado, em 2007, os índices obtidos dez anos atrás pelos brancos. Nesse período, também cresceu a diferença entre brancos e pretos ou pardos com 3º grau completo: era de 7,4% em 1997, e passou para 9,4% ano passado. Contrastes que se observam também na divisão racial dos estudantes com mais de 18 anos em cada nível de ensino (veja o gráfico abaixo) e se refletem posteriormente no mercado de trabalho.

A educação dirigida à população idosa também é motivo de preocupação. Coordenadora geral da Síntese de Indicadores Sociais, Ana Sabóia alerta que apenas 3,9% dos analfabetos com 60 anos ou mais estão matriculados em algum programa de ensino destinado a esta faixa etária.

- Está acontecendo alguma coisa, já que o programa de educação de jovens e adultos não está tendo o alcance adequado. São 14 milhões de analfabetos (de 60 anos ou mais), e apenas 2,46 milhões nos programas - observou.

 

Crise mundial 'pode beneficiar Brasil', diz Financial Times

Não acredito nestas hipóteses sugeridas pelo Financial Times. A crise é brava e vai nos atingir. Temos que estar preparados e mobilizados para o pior. Vivemos uma situação de calamidade mundial. E mesmo que os outros países tenham a aprender com o controle do sistema financeiro que o Brasil adotou, estamos ainda muito dependentes (como qualquer outra economia mundial) dos demais mercados. Por isso, não tenho ilusão e nem ajudo a criar ilusão: vai sobrar pra nós, sim, e não será nada bom se não nos prepararmos desde já.

Leia as divagações do jornal inglês: Duas reportagens do jornal Financial Times sugerem nesta quinta-feira que a crise econômica mundial pode, paradoxalmente, terminar sendo benéfica para o Brasil.

Os artigos, assinados pelo correspondente do jornal em São Paulo, afirmam que a crise pode funcionar como um controle para o crescimento econômico cujo vigor vinha criando pressões inflacionárias.

Diferentemente de outras épocas, o país está mais preparado para enfrentar as turbulências, dizem as reportagens, que no entanto alertam para os fatores - domésticos - com potencial de criar problemas no futuro.

"Desta vez é diferente. Pelo menos até agora", diz a reportagem "Brasil espera um resfriado leve, mas nada sério", publicada na versão impressa do diário financeiro britânico.

O título faz referência ao tradicional dito segundo o qual "quando os mercados financeiros americanos espirram, a América Latina pega uma gripe".

A matéria diz que, embora não tenha conseguido se descolar do resto do mundo, o Brasil está otimista em que seu nível de reservas - em torno de US$ 200 bilhões - seja capaz de conter uma turbulenta saída de capitais como a que se seguiu à crise asiática em 1997 e a crise da Rússia em 1998.

"Mais que isso, a crise de crédito pode ter vindo em boa hora, num momento em que a atividade econômica paresenta indicadores que apontam para uma curva de superaquecimento. Assim, a crise, potencialmente, pode ajudar o país a desaquecer sua economia sem derrubar o crescimento abaixo do potencial do país", escreve o FT.

Economistas ouvidos pelo jornal crêem que o aumento do PIB passe de 5,4% este ano para 3,5% no ano que vem - bem melhor que o 1% estimado para o resto do mundo, mas capaz de trazer a inflação, que já superou os 6% ao ano, para o centro da meta de 4,5%.

Com isso, o Banco Central (BC) também poderia rever a quantidade de vezes em que deve aplicar um aumento de juros, diz o jornal.

Mas o FT também faz um alerta para o futuro, afirmando que "preocupações antigas permanecem e podem interferir no (curso da economia do) Brasil". A principal delas é o gasto do governo, capaz de gerar demanda e assim criar novas pressões inflacionárias.

Com o governo usando os gastos como motor do crescimento, "o papel da política fiscal, que continua sendo altamente expansionista, tem sido ignorado", diz o diário britânico, na reportagem "Confiança do Brasil acumula problemas para o futuro", publicada em sua versão online.

Um economista citado na matéria afirma que, mesmo com o BC aplicando arrochos monetários para frear o aumento dos preços, "no final, as expectativas de inflação a longo prazo são determinadas pela política fiscal, não pela política monetária". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

População de idosos sobe 47,8% em dez anos

É hora de mobilizar o Estado para criar políticas públicas de apoio à terceira idade, que somos nós mesmos daqui a duas décadas. Envelhecemos mais, adoecemos mais e a aposentadoria, apenas, não tem como financiar as necessidades de cuidado de um idoso que precisa muito mais do que os remédios: precisa de apoio, de acompanhamento de pessoal especializado, do carinho e da dignidade na velhice.

Veja o texto: Com o aumento da expectativa de vida e a queda da fecundidade, a tendência de envelhecimento da população brasileira se consolidou. O número de idosos aumentou 47,8% em uma década — de 1997 a 2007, o que representou um incremento bem superior ao crescimento da população do país, que aumentou, no mesmo período, 21,6%. Em dez anos, a expectativa de vida do brasileiro aumentou 3,4 anos.

O idoso também se tornou um dos pilares das famílias brasileiras. A contribuição deles representa mais da metade do total da renda domiciliar, sobretudo nas áreas mais carentes. Em média, eles arcam com 53% das despesas nos lares em que há pessoas com mais de 65 anos. Em algumas regiões, como no Nordeste rural, a força econômica dessa renda no orçamento familiar chega a 73%. Do total de idosos, 74,7% vivem de aposentadoria, enquanto 22,5% ainda trabalham. Em 12,3 milhões de domicílios do país, ou 13,5%, há pelo menos um idoso.

Cota não levou mais negros à universidade

Essa é uma luta que está no DNA da UGT, a luta pela inclusão social. Mas temos que avançar além das aparências. Os jovens negros são, na grande maioria, oriundos de famílias pobres. Além de uma vaga na universidade são pessoas que precisam de apoio para se manter na escola, de empregos que os estimulem a estudar, de um Estado que os apoie até o final da universidade e que, em seguida, gere oportunidades para que o jovem possa retribuir para a sociedade os investimentos que recebeu nos bancos escolares.

Leia e reflita: No ano passado, taxa de freqüência entre brancos de 18 a 25 anos foi de 19,4%, ante 6,8% entre pretos e pardos, segundo o IBGE. Dados mostram que estudantes pretos e pardos ainda não alcançaram a taxa de freqüência que brancos tinham em 1997.

A política de cotas, implementada em mais de 60 universidades públicas do país, ainda não resultou em redução da desigualdade na participação de brancos, pretos e pardos no ensino superior, revela a Síntese de Indicadores Sociais.

No ano passado, a taxa de freqüência (proporção de pessoas que dizem estar indo à universidade) para alunos de 18 a 25 anos na população branca era de 19,4%. Entre a população preta e parda (nomenclatura usada pelo IBGE, que usa como critério a cor por autodeclaração), a taxa era de 6,8%. Os dados mostram que, na faixa de 18 a 25 anos, os estudantes pretos e pardos ainda não alcançaram a taxa de freqüência que brancos tinham em 1997.

Na faixa de 21 anos, por exemplo, a freqüência de alunos pretos e pardos era de 2,6% em 1997. No ano passado, subiu para 8,4%. No mesmo período, a população branca ampliou seu índice de 12,2% para 24,2%. Na prática, cresceu a distância em pontos percentuais.

Para José Luiz Petruccelli, do IBGE, os dados mostram que não houve impacto da criação de vagas para a população preta e parda. "Não existe uma política pública nacional de cotas. A lei que propõe isso está parada no Congresso. O pouco que está sendo feito não tem impacto."

O pesquisador afirma ainda que os números deveriam refletir a autodeclaração de cor. "O país tem metade da população que se identifica como branca e outra como não-branca. Se a cor não estivesse relacionada à apropriação de riqueza, deveríamos ter metade de brancos e metade de não-brancos nas universidades."

Segundo Marcelo Paixão, economista da UFRJ e coordenador do Observatório Afrobrasileiro, o governo mostra apenas tolerância sobre políticas afirmativas, e as únicas ações oficiais até agora foram o Prouni (Programa Universidade para Todos, que dá bolsas, com cotas para pessoas autodeclaradas indígenas, pretas ou pardas) e o Fies (Programa de Financiamento Estudantil).

Para ele, a participação dos pretos e pardos cresceu em ritmo acelerado, mas, em razão da base baixa, não foi possível reduzir a distância em relação à população branca.

"As políticas de ações afirmativas e o esforço de cada estudante ainda não foram suficientes para mudar um quadro em que mais de 90% dos jovens negros estão fora da universidade. Mesmo 120 anos depois da abolição, o país não consegue colocar 10% da população negra na universidade", disse.

O coordenador da ONG Educafro no Rio, André Guimarães, afirma que um dos principais problemas é a falta de divulgação do Prouni. "Fui na semana passada a uma escola em Inhaúma (zona norte do Rio) e, quando falei do Prouni, os olhos dos estudantes brilharam. Eles nem sabiam que eles tinham esse direito", afirmou.

Vanderson Luiz da Silva, 22, aluno de um pré-vestibular voltado para pretos e pardos, por exemplo, disse que desconhecia o programa no ano passado, quando completou o ensino médio e tentou pela primeira vez o vestibular para história.

O hiato entre pessoas que já concluíram o ensino superior também aumentou. Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos pretos e pardos tinham nível superior completo. Em 2007, 13,4% e 4%, respectivamente.

Não só no ensino superior há discrepância. Em 2007, dos cerca de 14 milhões de analfabetos no país, quase 9 milhões eram pretos ou pardos. Na população branca, era de 6,1% para aqueles com 15 anos ou mais e de 14% para pretos e pardos.

 

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